domingo, 30 de agosto de 2026

Imagens da Igreja de S. João Baptista, da Ordem de Cristo, em Tomar, com vídeo, duma visita rápida em 23 de Agosto de 2026

Sob as bênçãos protectoras a sul das muralhas e castelo de Tomar, e com o rio Nabão por detrás e ainda mais a norte a igreja de Santa Maria dos Olivais (o panteão original dos templários), no centro da vila de Tomar, na praça da República, onde se ergueu uma estátua em bronze de homenagem ao 1º mestre da Ordem do Templo, Gualdim Pais, começou a erguer-se a igreja de S. João Baptista no séc. XV, modestamente no final do tempo de Infante D. Henrique (1394-1460), que foi Mestre, Administrador e Governador da Ordem de Cristo, e  depois bastante desenvolvida por D. Manuel (1469-1521), sendo finalizada em 1510. 
No estilo manuelino,  de três naves, destacam-se  o portal, o púlpito, a talha dourada da capela mór (já do sec. XVIII) e algumas pinturas murais e quinhentistas (e posteriores), tais as seis do pintor régio, e cavaleiro da Ordem de Santiago, Gregório Lopes, pintadas entre 1538 e 1539 das quais só fotografamos a que representa o encontro entre o misterioso  Melquisedeque e Abraão, que se ajoelha perante ele, que surge como uma autoridade religiosa supra-judaísmo e de quem se dirá em S. Paulo, Epist. aos Hebreus 7-1,  "que era sacerdote do Deus Altíssimo, e rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre."  Jesus ou o Messias seria um sacerdote eternamente segundo a ordem de Melkitesedec, por alguns considerado uma manifestação ou avatarização de um espírito elevado da hierarquia que liga a Terra ao Céu e à Divindade.

Gravei, quando começaram a tocar os sinos, um minuto de vídeo com um friso medieval ou visigótico, de dois animais de poder ladeando um eixo e planta de vida, cravado na base da parede da torre sineira, ao lado do pórtico, o qual está encimado por um defensor, guerreiro, Anjo ou Arcanjo,  invocado no alto como protector  contra as forças do mal que possam querer atacar as igrejas ou os fiéis.
Guerreiro, santo, Anjo ou Arcanjo, marca o cimo do eixo vertical entre a terra humana e o céu divino, e apela a sermos fortes, perseverantes e criativos nessa religação e função.

O púlpito é belíssimo, com a escada em espiral e com os símbolos de D. Manuel e da expansão dos Descobrimentos brilhando: a esfera armilar cósmica e a cruz de Cristo, por entre a decoração vegetalista. Quanto belos sermões ali se derramaram em verbo tonitruante ou amoroso, inspirado mais ou menos pelo Espírito santo ou Inteligência divina agente? 
Quando Portugal estava coroado por governantes abertos à Divindade, e ao Bem, conforme o lema do mestre da Ordem de Cristo, o Infante D. Henrique: Talent de bien faire. E sob o Espírito Santo, daqui se pregava ou inspirava e convertia.
Embora sendo  igreja colegiada do Padroado régio desde 1530, com clérigos seculares ou capelães e um prior, sem serem das Ordens religiosas,  houve frades da Ordem de Cristo a desceram do seu convento para pregarem sermões e elegias, ou elevarem os corações ao alto em momentos especiais? 
Que encontros mais valiosos de almas e de ligações a Deus se verificaram nas suas premissas e festividades, tendo até em conta que a festa dos Tabuleiros no largo em frente culmina, e que algumas celebrações da culto do Espírito Santo ali se realizariam?


1º mestre da Ordem Templária, D. Gualdim Pais (1118-1195)
O portal sul da Igreja de S. João Baptista, ao estilo gótico.

Interior das três naves, na missa das 11 horas de Domingo, com bastante assistência.


Belas arcos em sucessivas aberturas para o mundo espiritual, para quem souber contemplar e interiorizar,  com figuras angélicas muito delicadas e suaves.

Quando Portugal estava coroado por governantes abertos à Divindade, e ao Bem, conforme o lema do mestre da Ordem de Cristo, o Infante D. Henrique: Talent de bien faire. E sob o Espírito Santo, daqui se pregava ou inspirava e convertia.

Uma visão de Jesus

A bela alma de Maria elevando-se aos céus, ombreia ou adumbra uma sua manifestação nas terras de Fatimah.
Melquitsetedek abençoando Abraão, um caldeu de Ur, que se encaminhou depois para a zona junto ao Mediterrâneo de Canaã, mais tarde designada por Palestina, e é considerado um dos pais do Judaísmo e do Islão. Mas Melquisedeque ficará no mundo subtil e esotérico, acima da competitividade conflituosa das religiões.
                                         
Portal lateral, bem ao estilo manuelino, com as boas formas para agirem no corpo espiritual do Fiel de Amor que as contemplar ou cruzar consciente.


                


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sábado, 29 de agosto de 2026

Alexander Dugin. Trilingual. Два недавних произведения Александра Дугина. Dois textos sobre a guerra entre o Ocidente e a Rússia, e acerca da sua filha

Александр Дугин, хотя иногда и несколько радикален, или абсолютист, или монархист, или чрезмерно предан Библии, безусловно, является одним из лучших философов и комментаторов текущей борьбы между цивилизациями и будущего России и мира, и поэтому многие его тексты весьма ценны, такие как эти два, опубликованные 29 августа на его странице в VK.com. Александр Дугин по-прежнему является одним из немногих знатоков Вечной Философии, универсальной духовной Традиции, и написал ценные эссе в духе Рене Генона и Юлия Эволы, которые также продолжала его дочь Даша или Дарья Дугина, особенно в неоплатонической линии. Мы использовали переводчик Quillbot и доработали только португальскую версию...

                            

«Мы постоянно отчаянно пытаемся убедить Запад, что на Украине нацизм (запрещенный в РФ) процветает. А Запад делает вид, что нет. Но Запад совершенно осознанно стимулировал украинский нацизм для ускоренной радикализации русофобии в обществе. По сути, Запад совершенно осознанно и цинично на это пошел. Он все прекрасно знает и видит, потому, что сам это и создал. Именно поэтому он никак не убеждается в очевидном. Это просто бесполезно. Запад заметит и признает это только тогда, когда решит отказаться от Украины. Когда это случиться, неизвестно. И расчитывать на это не стоит. Нам надо только победить. Любой ценой. Сейчас именно любой.

Да, в целом критика Запада в России нарастает. Однако западничество проникло в общество столь глубоко, что затронуло сами ментальные основы. На Украине мы воюем не с Украиной, но именно с западничеством. Идеологический украинец и есть русский западник. Нацизм (запрещенный в РФ) служит здесь ускорителем западничества, равно как и ЛГБТ (запрещенное в РФ). Именно поэтому российские западники столь отчаянно выступают против войны - они прекрасно понимают, что война идет против них, за пробуждение истинного духа и подлинной суверенной идентичности русского народа и всех братских народов нашей великой державы.
Украинский нацизм это квинтэссенция агрессивного западничества. Его ненависть на сей раз обращена только против русских (по сути, против самих себя). В таком украинском нацизме ненависть к другим этносам и конфессиям довольно маргинальна. Вся ярость обрушивается на русских и каноническую Украинскую Православную Церковь. Это и есть программа современного радикального русского западничества. И наша шестая колонна идеологически либералов-западников близка именно к тем, против кого мы воюем. Под видим «мира» они стремится к поражению России. А любая не-победа или даже недо-победа будет для нас поражением.
Воюя с Западом, глупо надеяться на то, что по каким-то вопросам в этой войне он встанет на нашу сторону. Не встанет. Ни по каким.
Поэтому так важно победить западничество в самой России. Оно искажает нашу картину мира. Как одержимость или психическое расстройство заставляет совершать абсурдные поступки и произносить бессвязные логически противоречивые фразы.
Надо прекратить рассматривать Запад как все еще образец, носителя чего-то универсального и общечеловеческого.
Сейчас России жизненно необходима именно вестернология - взгляд на Запад с позиции уверенной в себе самобытной суверенной цивилизации.»

Alexandre Dugin , embora seja por vezes algo radical, ou absolutista, ou monárquico, ou demasiado crente na Bíblia, é certamente um dos melhores filósofos e comentadores da luta actual entre civilizações, e portanto muitos dos seus textos são bem valiosos, tais estes dois publicados a 29/8 na sua página do VK.com. Alexander Dugin é ainda um dos poucos conhecedores da Filosofia Perene, da Tradição espiritual universal e tem escrito valiosos ensaios, na linha de Réne Guénon e Julius Evola, o que a sua filha Dasha também prosseguia, em especial na linha neoplatónica.  Usamos o tradutor Quillbot e aperfeiçoamos apenas a versão em português.

«Estamos constantemente e desesperadamente tentando convencer o Ocidente de que o nazismo (proibido na Federação Russa) está a prosperar na Ucrânia. E o Ocidente finge que não. Mas o Ocidente estimulou deliberadamente o nazismo ucraniano para acelerar a radicalização da russofobia na sociedade. Em essência, o Ocidente fez isso de forma completamente consciente e cínica. Ele sabe e vê tudo perfeitamente bem porque o próprio Ocidente criou. É por isso que ele não precisa ser convencido do óbvio. É simplesmente inútil. O Ocidente só notará e reconhecerá isso quando decidir abandonar a Ucrânia. Quando isso acontecerá, não sabemos. E não devemos contar com isso. Só precisamos vencer. A qualquer custo. Neste momento, não é muito.

Sim, a crítica geral ao Ocidente dentro da Rússia está a crescer. No entanto, a ocidentalização penetrou na nossa sociedade de tal forma que tocou os próprios fundamentos mentais. Na Ucrânia, não estamos a lutar contra a Ucrânia, mas contra a própria ocidentalização. Um ucraniano ideológico é um ocidentalizador russo. O nazismo (proibido na Federação Russa) serve aqui como um acelerador da ocidentalização, assim como o LGBT (também proibido na Federação Russa). É por isso que os ocidentalizadores russos se opõem desesperadamente à guerra—eles entendem plenamente que a guerra é contra eles, pela despertar do verdadeiro espírito e da genuína identidade soberana do povo russo e de todos os povos fraternos da nossa grande potência.
O nazismo ucraniano é a quintessência do ocidentalismo agressivo. O seu ódio desta vez é dirigido apenas contra os russos (essencialmente, contra eles mesmos). Nesse nazismo ucraniano, o ódio em relação a outras etnias e confissões é bastante marginal. Toda a fúria é direcionada aos russos e à Igreja Ortodoxa Ucraniana canónica. Este é o programa do radicalismo ocidental russo moderno. E a nossa sexta coluna de ocidentais ideologicamente liberais está precisamente alinhada com aqueles contra quem estamos lutando. Sob o pretexto de "paz", eles lutam pela derrota da Rússia. E qualquer não-vitória ou até mesmo meia-victória será uma derrota para nós.
Lutando contra o Ocidente, é tolice esperar que em algumas questões nesta guerra ele fique do nosso lado. Ele não vai. De maneira nenhuma.
Portanto, é tão importante derrotar a ocidentalização dentro da própria Rússia. Ela distorce a nossa visão de mundo. Como a obsessão ou o transtorno mental, leva alguém a cometer actos absurdos e a proferir frases incoerentes e logicamente contraditórias.
Devemos deixar de ver o Ocidente como ainda sendo um modelo, um portador de algo universal e humanista.
Neste momento, a Rússia precisa vitalmente exatamente de uma ocidentalologia - uma visão do Ocidente a partir da perspectiva de uma civilização confiante, autossuficiente e soberana [a santa Rússia].

Alexandre Dugin, although sometimes somewhat radical, or absolutist, or monarchist, or overly devout to the Bible, is certainly one of the best philosophers and commentators on the current struggle between civilisations and the future of Russia and the world, and therefore many of his texts are quite valuable, such as these two published on 8/29 on his VK.com page. Alexander Dugin is still one of the few connoisseurs of Perennial Philosophy, of universal spiritual Tradition, and has written valuable essays in the line of Réne Guénon and Julius Evola, which his daughter Dasha or Darya Dugina also pursued, especially in the Neoplatonic line.  ...  We used Quillbot translator, and we perfected only the portuguese version...

«We are constantly and desperately trying to convince the West that Nazism (banned in the Russian Federation) is thriving in Ukraine. And the West pretends that it doesn't. But the West has deliberately stimulated Ukrainian Nazism to accelerate the radicalisation of Russophobia in society. In essence, the West did this completely consciously and cynically. He knows and sees everything perfectly well because he himself created it. That's why he doesn't need to be convinced of the obvious. It's just pointless. The West will only notice and acknowledge this when it decides to abandon Ukraine. When this will happen, it is unknown. And don't count on it. We only need to win. At any cost. Right now, it's any at all.

Yes, overall criticism of the West in Russia is growing. However, Westernisation has penetrated society so deeply that it has touched the very mental foundations. In Ukraine, we are not fighting against Ukraine, but against Westernisation itself. An ideological Ukrainian is a Russian Westerniser. Nazism (banned in the Russian Federation) serves here as an accelerator of Westernisation, just like LGBT (also banned in the Russian Federation). That is why Russian Westernisers are so desperately opposed to the war—they fully understand that the war is against them, for the awakening of the true spirit and genuine sovereign identity of the Russian people and all the fraternal peoples of our great power.
Ukrainian Nazism is the quintessence of aggressive Westernism. Its hatred this time is directed only against the Russians (essentially, against themselves). In such Ukrainian Nazism, hatred towards other ethnicities and confessions is quite marginal. All the fury is directed at the Russians and the canonical Ukrainian Orthodox Church. This is the program of modern radical Russian Westernism. And our sixth column of ideologically liberal Westerners is precisely aligned with those against whom we are fighting. Under the guise of "peace," they strive for Russia's defeat. And any non-victory or even half-victory will be a defeat for us.
Fighting against the West, it is foolish to hope that on some issues in this war it will side with us. He won't. Not by any means.
Therefore, it is so important to defeat Westernisation within Russia itself. It distorts our worldview. Like obsession or mental disorder, it compels one to commit absurd acts and utter incoherent, logically contradictory phrases.
We must stop viewing the West as still being a model, a bearer of something universal and humanistic.
Right now, Russia vitally needs exactly westernology - a view of the West from the perspective of a confident, self-sufficient, sovereign civilisation.

www.geopolitika.ru/article/my...
Даша была замечательным человеком, перед которым лежало огромное, светлое будущее. Она была невероятно активной, очень умной, искренне и горячо верующей православной христианкой и патриоткой. И когда всё в мире стало поворачиваться в этом направлении, её убили.
Но её, может быть, не до конца реализованный потенциал реализуется сейчас иным способом. Её книги печатаются и у нас, и во всём мире, переведены на английский, испанский, итальянский языки — вышли все пять её книг, собираются новые фрагменты. Люди разыскивают её интервью, распечатывают и публикуют. Память о ней год от года не гаснет и не стирается, а растёт и насыщается новыми тонами.
Год назад, 20 августа 2025 года, в Захарово, у Пушкинского музея — месте проведения фестиваля «Традиция», после которого она была зверски убита украинскими террористами, — был открыт её великолепный памятник. В каждое время года он меняется, невероятным образом вписываясь в русскую природу, играя светом и тенями. К нему несут цветы: сюда приходят первоклассники в начале учебного года и студенты после окончания вузов. Памятник стал для многих живым местом притяжения.
А в этом году в Италии — и я очень признателен руководству одного из районов Тосканы — была открыта памятная доска в честь Даши. В итальянском городе Варезе проходил невероятный, глубокий фестиваль под названием Daria Aletheia (от греческого «истина»). Там читали её стихи и поэмы, исполняли оперную кантату, написанную итальянским композитором Анджело Инглезе. Одна актриса читала переведённый на итальянский язык труд Даши — дневник «Топи и выси моего сердца» и её заметки о путешествии по Италии.
Люди были потрясены тем, как тонко она описывала итальянскую культуру, природу, путешествие на кораблике из Рима на Сицилию. Сколько наших прекрасных, наблюдательных и культурных девушек путешествуют по миру, но Дашино путешествие стало настоящим символом. Она писала о важнейших авторах итальянской культуры, посещала дворцы — в частности, была знакома с замечательной принцессой Витторией Аллиата ди Виллафранка, владелицей волшебной виллы Вальгуарнера. Даша путешествовала по этой священной Италии и оставила об этом удивительные тексты.
У неё есть книга «Теория Европы», очень популярная сейчас и переведённая почти на все европейские языки. В ней она говорит: я бы хотела увидеть другую Европу — Европу традиции, священную, сакральную, христианскую, культурную и философскую. Я люблю её, мечтаю о ней и провижу сквозь тот ужас, который царит в современной Европе. «Эта Европа исчезает, спасите мою Европу», — говорила Даша.
Когда итальянцы читали — а актриса действительно очень профессионально читала выдержки из её дневника и книги «Топи и выси моего сердца», — люди просто плакали. Собравшиеся были потрясены этим пронзительным обращением к европейцам: «Проснитесь! Вернитесь к самим себе! Мы, русские, совершаем этот трудный путь, мы возвращаемся к нашим священным корням — сделайте и вы то же самое». Эти слова поразили их своей невероятной, пророческой глубиной.
Сейчас Даша открывается с такой стороны, которую ни мы, её родители, ни даже её друзья раньше до конца не знали. Когда живешь рядом, повседневные бытовые детали часто заслоняют самое главное. А теперь это главное начинает проступать. Многие называют её Дарьей Мыслительницей. Её памятник в Захарово держит в руках книгу, и люди, приходя туда, гадают: что это за книга? Платон? Или её будущий труд? Ведь большинство её книг мы издали только после её трагической, мученической кончины. Эта книга в её руках — как символ еще не написанного труда, который еще только предстоит создать.
Даша превратилась в символ будущего, символ духовного суверенитета, в знамение нашей настоящей русской, интеллектуальной, духовной, православной и патриотической молодежи. Она стала их ориентиром.

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«Dasha era uma pessoa notável com um futuro vasto e brilhante pela frente. Ela era incrivelmente activa, muito inteligente, sinceramente e fervorosamente uma cristã ortodoxa crente e uma patriota. E quando tudo no mundo começou a voltar-se nessa direção, ela foi morta.
Mas o seu potencial, talvez não totalmente realizado,  está agora a ser realizado de uma maneira diferente. Os seus livros estão a ser publicados tanto aqui quanto ao redor do mundo, traduzidos para o inglês, espanhol e italiano —  os cinco livros dela foram todos lançados, e novos fragmentos estão a ser reunidos. As pessoas estão à procura das suas entrevistas, imprimindo-as e publicando-as. A sua memória não se desvanece nem diminui ano após ano, mas sim cresce e enriquece-se com novos tons.
Há um ano, em 20 de agosto de 2025, em Zakharovo, no Museu Pushkin—local do festival "Tradição", findo o qual ela foi brutalmente assassinada por terroristas ucranianos — o seu magnífico monumento foi inaugurado. Em cada estação, ele muda, inserindo-se de maneira incrível na paisagem russa, jogando com luz e sombras. As pessoas trazem flores: os alunos do primeiro ano vêm  no início do ano lectivo, e os estudantes vêm após se formarem nas universidades. O monumento  tornou-se um lugar vivo de atração para muitos.
E este ano, na Itália — e sou muito grato à administração de um dos distritos da Toscana — foi inaugurada uma placa memorial em homenagem a Dasha. Na cidade italiana de Varese, foi realizado um incrível e profundo festival chamado Daria Aletheia (do grego "verdade"). Ali, os seus poemas e versos foram lidos, e uma cantata de ópera composta pelo compositor italiano Angelo Inglese foi apresentada. Uma atriz leu a tradução italiana da obra de Dasha—o diário Os Picos e Alturas do Meu Coração e as suas notas sobre o viajar pela Itália.
As pessoas ficaram maravilhadas com a forma subtil como ela descreveu a cultura italiana, a natureza e a viagem de barco de Roma à Sicília. Quantas das nossas maravilhosas, observadoras e cultas jovens viajam pelo mundo, mas a jornada de Dasha tornou-se um verdadeiro símbolo. Ela escreveu sobre os autores mais importantes da cultura italiana, visitou palácios—especificamente, conheceu a notável Princesa Vittoria Alliata di Villafranca, a proprietária da mágica Villa Valguarnera. Dasha viajou por esta Itália sagrada e deixou textos incríveis sobre ela.
Ela tem um livro chamado Teoria da Europa, que é muito popular agora e foi traduzido para quase todas as línguas europeias. Nele, ela escreve: "Eu gostaria de ver uma Europa diferente—uma Europa de tradição, sagrada, sacral, cristã, cultural e filosófica. Eu a amo, sonho com ela e vejo através do horror que reina na Europa moderna". "Esta Europa está a desaparecer, salvem a minha Europa," disse Dasha.
Quando os italianos estavam ouvindo — e a atriz leu efectivamente  trechos de seu diário e do livro Os Picos e Alturas do Meu Coração de forma muito profissional — houve pessoas simplesmente a chorar. Os presentes ficaram emocionados com este comovente apelo aos europeus: "Acordem! Voltem a si mesmos! Nós, os russos, estamos trilhando este caminho difícil, estamos voltando às nossas raízes sagradas—façam o mesmo. Essas palavras atingiram-nos com sua incrível profundidade profética.
Agora Dasha está revelando um lado de si mesma que nem nós, seus pais, nem mesmo os seus amigos conheciam antes completamente. Quando as pessoas moram próximas, os detalhes mundanos do dia a dia muitas vezes ofuscam as coisas mais importantes. E agora esse núcleo principal está começar a emergir. Muitos a chamam de Darya, a Pensadora. No seu monumento em Zakharovo segura um livro nas mãos, e as pessoas, quando vão lá, perguntam: que livro é esse? Platão? Ou a sua obra futura? Afinal, publicamos a maioria de seus livros apenas após a sua trágica morte digna de mártir. Este livro nas suas mãos é como um símbolo da obra ainda não escrita que ainda precisa ser criada.
Dasha tornou-se um símbolo do futuro, um símbolo de soberania espiritual, uma bandeira para a nossa verdadeira juventude russa, intelectual, espiritual, ortodoxa e patriótica. Ela tornou-se a sua luz guia.»


«Dasha was a remarkable person with a vast, bright future ahead of her. She was incredibly active, very intelligent, sincerely and fervently a believing Orthodox Christian and a patriot. And when everything in the world started to turn in that direction, she was killed.
But her perhaps not fully realised potential is now being realised in a different way. Her books are being published both here and around the world, translated into English, Spanish, and Italian — all five of her books have been released, and new fragments are being collected. People are searching for her interviews, printing them out, and publishing them. Her memory does not fade or diminish year by year, but rather grows and is enriched with new tones.
A year ago, on August 20, 2025, in Zakharovo, at the Pushkin Museum—the site of the "Tradition" festival, after which she was brutally murdered by Ukrainian terrorists—her magnificent monument was unveiled. In every season, it changes, fitting into the Russian landscape in an incredible way, playing with light and shadows. People bring flowers to it: first-graders come here at the beginning of the school year, and students come here after graduating from universities. The monument has become a living place of attraction for many.
And this year in Italy — and I am very grateful to the administration of one of the districts of Tuscany — a memorial plaque was unveiled in honour of Dasha. In the Italian city of Varese, an incredible, profound festival called Daria Aletheia (from the Greek "truth") was held. There, her poems and verses were read, and an opera cantata composed by the Italian composer Angelo Inglese was performed. One actress read the Italian translation of Dasha's work—the diary "The Peaks and Heights of My Heart" and her notes on travelling through Italy.
People were amazed at how subtly she described Italian culture, nature, and the journey by boat from Rome to Sicily. How many of our wonderful, observant, and cultured girls travel the world, but Dasha's journey became a true symbol. She wrote about the most important authors of Italian culture, visited palaces—specifically, she was acquainted with the remarkable Princess Vittoria Alliata di Villafranca, the owner of the magical Villa Valguarnera. Dasha travelled through this sacred Italy and left behind amazing texts about it.
She has a book called "Theory of Europe," which is very popular now and has been translated into almost all European languages. In it, she says: I would like to see a different Europe—a Europe of tradition, sacred, sacral, Christian, cultural, and philosophical. I love it, dream of it, and see through the horror that reigns in modern Europe. "This Europe is disappearing, save my Europe," Dasha said.
When the Italians were reading — and the actress really read excerpts from her diary and the book "The Peaks and Heights of My Heart" very professionally — people were simply crying. The attendees were moved by this poignant address to Europeans: "Wake up! Return to yourselves! We, the Russians, are taking this difficult path, we are returning to our sacred roots—do the same. These words struck them with their incredible, prophetic depth.
Now Dasha is revealing a side of herself that neither we, her parents, nor even her friends fully knew before. When you live close by, everyday mundane details often overshadow the most important things. And now this main thing is starting to emerge. Many call her Darya the Thinker. Her monument in Zakharovo holds a book in its hands, and people, when they come there, wonder: what book is it? Plato? Or her future work? After all, we published most of her books only after her tragic, martyr-like death. This book in her hands is like a symbol of the yet unwritten work that is still to be created.
Dasha has become a symbol of the future, a symbol of spiritual sovereignty, a banner for our true Russian, intellectual, spiritual, Orthodox, and patriotic youth. She became their guiding light.
Dasha was a remarkable person with a vast, bright future ahead of her. She was incredibly active, very intelligent, sincerely and fervently a believing Orthodox Christian and a patriot. And when everything in the world started to turn in that direction, she was killed.
But her perhaps not fully realised potential is now being realised in a different way. Her books are being published both here and around the world, translated into English, Spanish, and Italian — all five of her books have been released, and new fragments are being collected. People are searching for her interviews, printing them out, and publishing them. Her memory does not fade or diminish year by year, but rather grows and is enriched with new tones.
A year ago, on August 20, 2025, in Zakharovo, at the Pushkin Museum—the site of the "Tradition" festival, after which she was brutally murdered by Ukrainian terrorists—her magnificent monument was unveiled. In every season, it changes, fitting into the Russian landscape in an incredible way, playing with light and shadows. People bring flowers to it: first-graders come here at the beginning of the school year, and students come here after graduating from universities. The monument has become a living place of attraction for many.
And this year in Italy — and I am very grateful to the administration of one of the districts of Tuscany — a memorial plaque was unveiled in honour of Dasha. In the Italian city of Varese, an incredible, profound festival called Daria Aletheia (from the Greek "truth") was held. There, her poems and verses were read, and an opera cantata composed by the Italian composer Angelo Inglese was performed. One actress read the Italian translation of Dasha's work—the diary "The Peaks and Heights of My Heart" and her notes on travelling through Italy.
People were amazed at how subtly she described Italian culture, nature, and the journey by boat from Rome to Sicily. How many of our wonderful, observant, and cultured girls travel the world, but Dasha's journey became a true symbol. She wrote about the most important authors of Italian culture, visited palaces—specifically, she was acquainted with the remarkable Princess Vittoria Alliata di Villafranca, the owner of the magical Villa Valguarnera. Dasha travelled through this sacred Italy and left behind amazing texts about it.
She has a book called "Theory of Europe," which is very popular now and has been translated into almost all European languages. In it, she says: I would like to see a different Europe—a Europe of tradition, sacred, sacral, Christian, cultural, and philosophical. I love it, dream of it, and see through the horror that reigns in modern Europe. "This Europe is disappearing, save my Europe," Dasha said.
When the Italians were reading — and the actress really read excerpts from her diary and the book "The Peaks and Heights of My Heart" very professionally — people were simply crying. The attendees were moved by this poignant address to Europeans: "Wake up! Return to yourselves! We, the Russians, are taking this difficult path, we are returning to our sacred roots—do the same. These words struck them with their incredible, prophetic depth.
Now Dasha is revealing a side of herself that neither we, her parents, nor even her friends fully knew before. When you live close by, everyday mundane details often overshadow the most important things. And now this main thing is starting to emerge. Many call her Darya the Thinker. Her monument in Zakharovo holds a book in its hands, and people, when they come there, wonder: what book is it? Plato? Or her future work? After all, we published most of her books only after her tragic, martyr-like death. This book in her hands is like a symbol of the yet unwritten work that is still to be created.
Dasha has become a symbol of the future, a symbol of spiritual sovereignty, a banner for our true Russian, intellectual, spiritual, Orthodox, and patriotic youth. She became their guiding light.»


A missão harmonizadora de Portugal e iniciática das suas almas Fiéis do Amor, em Avicena, Dante, Camões e Dalila Pereira da Costa. Conclusão das Raízes arcaicas da epopeia portuguesa e camoniana

          Dalila Pereira da Costa concluirá a sua valiosa incursão nas Raízes arcaicas da epopeia portuguesa e camoniana, e em especial iniciáticas dos Descobrimentos, com o capítulo final intitulado Consciência da História, o qual no último parágrafo do capítulo anterior, foi apresentado assim:

«Propusemos encarar Os Lusíadas como aventura histórica contendo em si, criticamente, uma aventura espiritual  de carácter gnóstico e hermético: que, terminando-a, lhe concederá assim um duplo sentido. Será tempo agora de nos curvarmos por uns momentos sobre o sentido histórico que Camões imprimiu na sua epopeia, estabelecendo assim a estreita ligação, identificação, entre esta epopeia e a epopeia portuguesa.»
                                                              

E iniciará o capítulo, em que a sua fé na Providência Divina elegendo Portugal, as suas crenças em mitos e profecias e o seu grande amor pela Mátria e a Pátria se vão derramar numa visão e pedagogia tanto realista como idealista, tal como veremos:
Esta consciência, tê-la-á um povo que sabe viver existencialmente não só o presente, mas simultânea e unidamente, presente, passado e futuro. E vendo nesse devir contínuo e uno, um processo visando a uma finalidade, ou meta, fazendo-se através de vários acontecimentos aparentemente dispares e descontínuos: que assim, indissoluvelmente ligados, encontrarão seu sentido nessa finalidade.
[essa finalidade na prática será frequentemente sobreviver-se o melhor possível, e na idealidade cumprirem-se os desígnios éticos e divinos] 
Ousaremos dizer que o povo português se apresentará paradoxalmente, como aquele que no conjunto cultural dos demais povos do Ocidente, surge dominado por uma vontade de destruição do passado, espasmódica; e ao qual essa vivencia conjunto de passado e presente, será difícil ou negada por si; mas ao mesmo tempo como aquele que possui a mais funda consciência histórica , tal como foi assumida pelo cristianismo [será? o mais cristão? e com quem rivalizaria?]: como realização do eterno no tempo, através do homem, cumprindo a vontade de Deus, como Senhora da História. [Original formulação feminina]. Realização que desde a Fundação da sua nação em si conterá esse sentido e finalidade, através do pedido feito a seu primeiro Rei. [Visão de Jesus, atribuída a D. Afonso Henriques da batalha de Ourique.]
E ainda como aquele povo que, pela sua eleita vocação profética nesse conjunto cultural dos demais povos do Ocidente, (e vocação testemunhada pelos historiadores clássicos desde os alvores de sua proto-história) surge capacitado para uma vivência fazendo-se simultaneamente no passado, presente e futuro. E capacitado igualmente pela saudade, para essa mesma vivência.»
E explicará essa capacidade (exageradamente destacada para Portugal, pois outros países a tiveram tanto ou mais fortemente, como a França e a Espanha), de unir passado e futuro no presente pela memória: «relato dos acontecimentos passados, com exaltação dos seus heróis» e a profecia, «relato dos acontecimentos futuros, unidamente por uma voz, a da ninfa mor, Tetis» e que terá como «modelo primacial, entre esses todos demais o da Divina Comédia de Dante e essas aventuras de espiritualidade sufi: como iluminação final do herói da aventura na purgação, ascensão e visão, numa iniciação concedida por uma figura feminina angélica; caminho marcado no seu fim, através de diferentes esferas estelíferas, pela transcendência pura, como empíreo.
                                          
Mas a iniciação que em si não conterá, tal como nas anteriores epopeias da Antiguidade clássica, um fim puramente individual, do herói; porque aqui o herói, Vasco da Gama, tal Dante, tem de regressar ao mundo da imanência, depois de conhecer esse outro da transcendência, ao mundo dos homens seus semelhantes e com eles partilhar dessa iluminação e toda a verdade nela recebida, como missão a si incumbida: no tempo incluir a eternidade, sua lei e harmonia, que irá influir beneficamente a história e acção do seu povo.» 

Assim como a visão de Dante devia ser transmitida aos florentinos, assim n'Os Lusíadas haveria «uma missão a cumprir nessa pátria pelo iniciado, como ordem trazida nessa iniciação, doada ao fim de uma longa aventura» 
Dalila explica em seguida como a eternidade e o tempo se interligam na história, pela realização do céu na terra pelo homem, incumbida no [relato bíblico] da criação, e mais especificamente a Portugal pela suposta teofania pelo «Senhor da História no começo de tudo, ao rei de Fundador, - como cruzada» E vê portanto, muito idealisticamente, a aventura da epopeia lusa e camoniana como um «caminhar para um fim estabelecido por uma vontade  transcendente como Providência, para a realização perfeita dum ser, pessoal e nacional; necessitando uma purgação, primeiro passo duma evolução [iniciática] visando à plenitude.»
à travessia da selva escura, por Dante, corresponderá a travessia dum "arduo e dificil mato, duro a humano trato", para Vasco da Gama, «tipificação de sua nação, nessa evolução e final plenitude, antes da sua ascensão e atingimento da verdade»
Essa mesma linha de força purificadora e iniciática discernirá Dalila nalguns elos da nossa Tradição: «Os "romances ao divino", a Demanda do santo Graal, a Peregrinação, Os Lusíadas, serão aventuras implicando uma prévia purificação interior, como ascensus animae, onde sucessivas e dificeis provas a vencer serão propostas ao herói como vitórias sobre si mesmo. Será ainda esta purificação em vista a uma perfeita missão no mundo, o que a "ninfa mor" pede a Portugal através do Capitão»
Registando em Camões, na sua lírica, mormente nas Redondilhas Sobolos rios que vão a  «concepção platónica de distanciação e desvalorização do terrestre e do histórico, e nostalgia de subida ao celeste e eterno, da pura Ideia, subida fazendo-se pela força dinâmica da saudade [ou talvez mais, da aspiração], - n'Os Lusíadas, pelo contrário, esta ascensão ao eterno, ao transcendente, implicará um posterior e necessário regresso ao terrestre e histórico - o que será a marca que o cristianismo, com seu dogma da Encarnação, imprimiu nesta Epopeia».  Talvez  como soldado e viajante, Camões tenha independentemente, da afirmação de Jesus como Deus, ou dogma da Encarnação, tenha visto tal missão social da iluminação, como uma ética natural sem vanglória ou cruzada excessiva, que sabemos como nos Descobrimentos por vezes foi bem negativa para os dois lados do encontro e não necessariamente em confronto, tal como se pode  comprovar em muitas das entradas das efemérides do encontro entre o Oriente e o Ocidente que tenho publicado no blogue. Dalila concluirá assim o seu pioneiro e notável livro, logo após «(...)Epopeia: como revelação do eterno no tempo. :

«Assim Vasco da Gama recebe na transcendência do empíreo, onde reside Deus, num momento de êxtase, a verdade, e regressa à terra, para a transmitir à sua pátria: para que esta, por sua vez a transmita ao mundo na sua missão ecuménica, como harmonia, unidade e amor do eterno, entre os homens, - realizando-se no tempo.»
É de forma concentrada que Dalila resume a alta missão de Portugal dada ou intuída por Vasco da Gama:  revelação da Verdade pela Divindade e depois  sua manifestação no tempo e na sociedade como harmonia, unidade e amor do eterno ou Divino.
Esta missão é no fundo a de todos os seres: tentarmos descobrir a verdade que podemos alcançar e viver em harmonia com os outros e em unidade, mantendo a chama do amor ao eterno ou divino.
Revelar o Eterno no Tempo, como? Nas adorações, nas missas, nas orações, em diálogos, no amor, por exemplos elevados ou abnegados? Ou também pela religação maior ao Anjo, e por vezes até com o Arcanjo de Portugal? E ainda a invocação do Espírito Santo, Inteligência agente ou inspiradora Universal?
Creio que tais níveis e por vezes através dos seus símbolos são mais actualizados, ou seja descidos do Eterno ou do potencial para o tempo presente, e consciencializados por seres de amor,  corações flamejantes, Fedeli d'Amore, Cavaleiros do Amor e sobretudo os que passando pelas purgações e dores, esforços e transmutações, alcançam  ligação ao eixo do mundo, ao corpo de glória, à estrela do espírito, ao Anjo, dà Divindade, o qual irradiará então subtilmente algo para os outros.
Dalila Pereira da Costa entrou para os planos sempre misteriosos do além (tal como a também querida amiga e classicista Sandra Pinheiro, na fotografia, no Porto, em 2009) já há alguns anos (Porto, 4 de Março de 1918 – Porto, 2 de Março de 2012), e embora tenha  do eterno e maravilhoso nela dado testemunho na temporalidade actual através de artigos no blogue e comunicações, deveremos certamente fazer mais eco da sua alma espiritual e  do seu logos sibilino e continuar as linhas de força da Tradição espiritual perene e portuguesa que ela investigou e interpretou com grande qualidade, deixando-nos o desafio de procurarmos a sua e nossa completude em Amor-Sabedoria, no Talent de bien faire, no fazer o bem o melhor possível...
Muita Luz e Amor na Dalila e na Sandra, em Camões e Vasco da Gama, Sohrawardi e Avicena,  Dante e Fiéis do Amor, e em todos nós... 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Uma Angeologia Gnóstica, em Camões, n' Os Lusíadas, segundo a hermenêutica de Dalila Pereira da Costa e Pedro Teixeira da Mot.

                                                              

O penúltimo capítulo das Raizes arcaicas da epopeia portuguesa e camoniana, de Dalila Pereira da Costa, é dos mais concentrados e valiosos, e dado o livro estar esgotado e inacessível na net, mereceria até uma transcrição completa além de uma boa hermenêutica, a qual será apenas esboçada nas notas postas entre [..]. Oiçamos a nossa querida amiga Dalila, tão discreta quão sábia e sibílica:

«Para terminar, notemos que n'Os Lusíadas, tal como no relato visionário de Avicena, será fundamental o regresso da alma (aqui a dos navegantes) à sua pátria original sob a conduta de seu guia celeste (aqui as ninfas) Por isto o episódio da Ilha namorada, será a chave da epopeia camoniana, nela concedendo-lhe todo o sentido último e finalidade, como aventura espiritual interior, inserida numa aventura histórica.»
[Dalila, num dos capítulos anteriores, Os três relatos de Avicena, resumira-os, segundo a tradução e glosa de Henry Corbin, Avicena et e Récit Visionaire, em dois deles dando-se a ascensão dos sete cumes de montanha axial ou Qaf, no Oriente, do peregrino guiado pelo Anjo, e das aves por si mesmas, com a visão do cosmos divino e do Rei, e no terceiro relato, de aventuras e traições, culminando com o retiro e ocultação no Oriente de um dos heróis gémeos.]
Todo este episódio estando impregnado de angeologia gnóstica, note-se que a ideia de um paredro [guia ou conselheiro] celeste, ou Natureza perfeita de cada ser humano, seu companheiro e guia salvador, é concepção fundamental da angeologia de Avicena, notadamente, mas também de Sohrawardi e toda a gnose [entenda-se irfan, gnose ou esoterismo islâmico, que não gnosticismo]. E será, julgamos, esta concepção que também se revela no cenários e dramaturgia da «ilha alegre e namorada».
A notar ainda que nesse relato de Avicena, há três degraus angélicos, os Anjos Inteligências, Anjos celestes e Anjos terrestres; supomos que Camões teria aqui representado estes últimos para povoarem sua ilha. Será ainda a mesma repartição angélica a que se faz no Livro da Ascensão de Isaías, texto cristão gnóstico, onde o profeta ascende em êxtase ao firmamento na companhia de seu anjo. [Ver nota 1 no fim]
Como concepção fundamental da gnose, este encontro de cada ser humano com seu duplo celeste, aqui de cada Navegante com sua Ninfa, só se pode realizar por uma saída do cosmos, como acto de transcendência, ou chegada ao Oriente, na referência gnóstica [dos ishraqis, da Luz (Nûr) iluminante, iranianos], em  oposição ao Ocidente: será este acto o que se iniciará com a súbita aparição da Ilha aos Navegantes. É assim, dotadas de inteligência e conhecimento, que essas Ninfas e entre todas a "mor" se mostrarão aos Navegantes, concedendo-lhes uma comunicação divina de eleição: e esta ainda de carácter nacional, específica, transindividual.
Será esta comunicação e estado gozado na transcendência desta Ilha, nomeadamente no cume do seu último monte, o que possibilitará o êxtase e toda a visão escatológica e cosmológica dada a Vasco da Gama e seus companheiros. É uma pedagogia o que as ninfas-anjos ministram aqui aos navegantes e suprema,  e finalmente, Tétis, por essa visão no segundo monte.

Como Inteligência agente, da Teologia de Aristóteles, glosada por Avicena, aqui se dará um segundo nascimento dos navegantes, em amor mútuo, entre a alma humana e a inteligência angélica, como amor perfeito de amante e amada. [Nota 2]  Na poesia lírica de Camões, este acto se dará entre o poeta e a mulher amada; mas sempre na idêntica referência transcendente duma pedagogia então como a de um Fiel do Amor.

[Importante este relembrar e realçar que é o amor pleno entre o amante e amada, ou entre a alma e a Inteligência divina agente ou Espírito Santo, o que permite a ascensão e visão interior]

Outra perspectiva, e esta ligando-se peculiarmente a uma das diretrizes mais fundas e actuantes na religião dos portugueses, como já aqui notamos, será essa identificação no sufismo e gnosticismo [correcto será gnose, irfan] (e assim no pensamento de Avicena) do Espírito Santo com a Inteligência agente, e toda a sua pedagogia se soteriologia: como mistério de revelação e conhecimento.

A notar, também, será que no relato de Os Lusíadas, como nos relatos visionários do sufismo, tais os de Avicena, Soharawardi, etc., haja semelhantemente o sincronismo do encontro da alma com seu eu celeste e guia, identificado ou simultâneo com seu acordar e que sua ascensão celeste se una a um cenário cosmológico e escatológico: como anúncio de sua plena futura visão e usufruição a ser gozada post-mortem: esse «trasunto, reduzido/ Em pequeno volume». [A visão subtil, acessível corporalmente e em pequeno, transposta ou em trasunto (cópia fiel), do Cosmos harmonioso]

Semelhança ainda marcada entre estes relatos e o de Camões, por um mesmo convite directo e pessoal, expressado pelo Anjo à Alma, aqui  por Tétis a Vasco da Gama, convite feito em toda a autoridade de mestre a discípulo, e pedindo-lhe a coragem necessária e força da alma, a própria duma iniciação:

"Segue-me firme e forte, com prudência,/ Por este monte espesso, tu cos demais - Assi lhe diz, e o guia por mato, / Árduo, difícil, duro a humano trato". C. X. 76.

Tétis, como anjo mistagogo, conduz o capitão e seus companheiros, para fora deste mundo, como Ocidente terrestre, ao seu Oriente, que espiritualmente se lhe contraporá: e será este o fim verdadeiro e secreto da sua viagem; dando-se aqui a descoberta desse almejado Oriente, extra-terrestre.

[Um dos parágrafos mais cruciais do episódio enquanto descrição e simbolização da experiencia espiritual,  iniciação e visão dos fins últimos da viagem do descobrimento do caminho marítimo do Oriente: chegou-se também espiritualmente ao Oriente do Oriente. O que quis Camões simbolizar, o que quis Dalila ver e o que queremos nós  realizar quanto ao encontro dos portugueses com as entidades angélicas ou espirituais? E quanto ao encontro com o Oriente do Oriente? O que fazemos ou vivemos por isso?]

Fernando Pessoa, com toda a sua adesão pessoal confessada ao gnosticismo [ou mais à gnose, sobretudo cristã e templária], e o conhecimento de um dos seus princípios fundamentais, o da prexistência, teria intuído na Mensagem o cenário da Ascensão de Vasco da Gama: [Nota 3

"Os Deuses da tormenta e os gigantes da terra
Suspendem de repente o ódio da sua guerra
e pasmam. Pelo valle onde se ascende aos céus
Surge um silêncio, e vae, da névoa ondeando os véus,
Primeiro um movimento e depois um assombro.
Ladeiam-no, ao durar, os medos, hombro a hombro,
E ao longe o rastro ruge em nuvens e clarões.
Em baixo, onde a terra é, o pastor gela, e a flauta
Cahe-lhe, e em extase vê, à luz de mil trovões,
O céu abrir o abysmo à alma do Argonauta."»

 Nota 1: O Livro da Ascensão de Isaías, que se pode ler na internet em inglês, um apócrifo de visionarismo profético cristão dos primeiros séculos do Cristianismo,  relata a imaginada ascensão dele até ao 7º céu, no cap. VI, 13 apresenta uma repartição angélica algo diferente, mais tingida do dualismo judaico-cristão: «13. E o anjo que foi enviado para fazê-lo ver não era deste firmamento, nem era dos anjos de glória deste mundo, mas viera do sétimo céu»; ora o firmamento é subtil e não deste mundo físico, onde está (cap. 10) o regente deste mundo Sammael Satan e onde os seus anjos-demónios lutam entre si]

Nota 2. Pela Inteligência agente, pelo Espírito divino e santo, pela Inteligência angélica, ou mesmo pelo Logos,  se dá o renascimento ou religação em visão e amor  entre a alma humana e o espírito angélico (ou a ninfa, a fravashi, a huri, e muito se poderia dizer aqui e agora), ou entre o amante e amada, ou mesmo as almas afins, ou gémeas mesmo.  

Nota 3. Transcrevemos a estância toda, pois Dalila abreviara-a pela exiguidade do livro, não passando os quatro versos iniciais, também importantes e significativos, tanto mais que Fernando Pessoa sempre valorizou a intuição e admitiu a frequente ignorância do artista ou escritor das implicações e correspondências do que criou. Neste caso, porque mostra o efeito espiritual da ascensão em vida e morte de Vasco da Gama no firmamento subtil dos deuses e dos mundos em luta, que param e silenciam, entram na Pax in excelsis, enquanto na Terra o simples pastor deixa de soprar a flauta de Pan e do seu verbo e entra em visão extática do Céu acolher Vasco da Gama em corpo de luz de Glória, como a dos trovões. Muito mais se poderia hermeneutizar, pois Fernando Pessoa, na linha de Antro de Quental e de Joaquim de Araújo, reconheceu que morrer é ser iniciado. E deu essa segunda iniciação a Vasco Gama (antepassado de tantos portugueses), complementando a primeira que lhe reconhecera  Luís de Camões, e assim se posicionou como o super-Camões, que desde jovem, na mítica revista A Águia, da Renascença Portuguesa, declarara querer ser ou ser. No próximo artigo concluiremos estas aproximações ou entradas nos tesouros orientais d'Os Lusíadas, sob a égide dos mestres da imortal civilização iraniana e da tradição espiritual portuguesa, e em especial Luís de Camões e Dalila Pereira da Costa, que saudamos luminosamente com gratidão, admiração e amor!