quinta-feira, 9 de julho de 2026

A consagração de Ali Khamenei, como shahid e qutb, testemunha mártir e polo espiritual, do Irão perene e invencível, no santuário do Imam Reza, em Mashad, sua cidade natal.

​​Estão a realizar-se agora, dia 9 de Julho de 2026, em Mashad, e a serem transmitidas e directo por diversos canais televisivos, as últimas grandes orações, cantos e discursos do funeral do último Ayatollah supremo do Irão Seyyed Ali Khamenei, o sucessor de Hussein Khomemi, e que deixa um sucessor, o filho, Mojtaba Khamenei até agora ocultado desde que ficou ferido no assassinato do seu pai.
A noite caiu há já muito mas talvez ainda três ou quatro milhões de pessoas conservam-se nos recintos feericamente iluminados de Mashad, a cidade natal do guia iraniano, agora apenas visivel nos planos subtis e, por isso, para muitos, como que perdido, gerando muita tristeza e choro. E contudo todos deveriam reconhecer que Ali Khamenei é agora um mestre espiritual, fora do corpo físico mas capaz de inspirar e agir subtilmente.

O seu corpo fica junto ao do seu antepassado o Imam Reza, no santuário consagrado a este Imam, o oitavo dos doze,  Abū al-Ḥasan al-Thānī, 765-818, o único que está pelos testemunhos ou restos corporais no Irão. 
Compreende-se a intensidade do amor, da devoção, dos cantos, das palavras de ordem que ecoam nos ares por ele ter sido assassinado  pelos políticos e militares israelo-americanos traiçoeiramente, já que  em período de negociações diplomáticas, entretanto
Esta celebração é assim tanto uma homenagem amorosa ao seu líder como a afirmação de corajosa determinação de lutarem contra o imperialismo e como opressivos e criminosos.
Só se veem pessoas e bandeiras, predominante a vermelha de vingança ou resposta justa, a amarela das forças da resistência armadas e as coloridas do Irão. Mas há ainda pessoas que tem consigo ou erguem a fotografia do líder, e se algumas batem com as mãos no peito outras erguem-nas ao alto.
São dezenas de santuários, mesquitas, praças, átrios, com os milhares ou milhões de fiéis iranianos, shiias ou sunitas, e de outras religiões que vieram a estes locais para participarem neste momento histórico e único de ligação subtil com um mestre, guia e pai de muitos e da pátria, que foi assassinado e levado para o além.
Os discursos, orações e palavras de ordem são respondidos em coro pela multidão e um dos grandes gritos é Ya Ali, a invocação do 1º Imam e fundador da religião Shiia, a do Irão, e, claro, subdivisão no Islão.
Esta congregação de milhões de seres , estes biliões de orações, cantos e palavras de ordem pronunciados com sinceridade, de coração, com força, que efeitos terão nas pessoas, no Irão, nos adversários e agressores no Mundo?
É difícil discernir, pois tudo se passa em grande parte no invisível, no mundo das almas individuais e colectivas.
No campo unificado de energia, consciência, informação foram e estão a ser geradas e lançadas forças poderosas de unidade e determinação, tanto por quem pronuncia as palavras  como por quem responde, milhares e milhões de pessoas ora entusiasmadas, ora chorosas ora indignadas.
Estes sucessivos locais visitados e dinamizados pela procissão de Ali Khameni, estão agora mais vivos e vibrantes com tanta gente unida no mesmo amor pelos seus líderes, tradições, linhagem religisosa, e consubstanciam desde agora poderosíssimas fundações e colunas da República Islâmica do Irão e do seu "regime teocrático", mas que é apenas mais respeitoso e aberto a Deus, ao Islão, ao profeta Maomé, aos Imams, e neste local, Mashad, em especial, ao 8º Imam Reza, que certamente do mundo espiritual se alegra com esta celebração fortíssima de unidade patriótica e religiosa e de resistência às forças do Mal, da Mentira, do Ocidente lideradas pelos americanos, israelitas e sionistas, por parte do seu povo.
A noite vai avançando e as pessoas preparam-se para a última oração colectiva dirigida por uma grande ayatollah de mais de 100 anos. Os elogios de Ali Khamenei e do seu amor pela justiça, os oprimidos, pelo fim do imperialismo e sionismo selvagens e criminoso são exaltados e  e os milhares e milhares de seres tocando-se uns aos outros, percorridos pelas mesmas palavras, aspirações e emoções vivem uma experiencia de unidade energética e espiritual poderosíssima, patente por vezes nos gestos e movimentos e expressões e lágrimas nas faces .
Finalmente os mais altos religiosos, e os dois filhos de Ali Khamenei, diante do caixão na plataforma e em face da multidão, pronunciam as últimas orações e fazem os últimos gestos rituais.
As faces dos fiéis são riquíssimas das qualidades intrínsecas e dos sentimentos que vão gerando ou  que as vão penetrando ou ainda agraciando.
Mesmo entre os religiosos mais idosos há lágrimas, choros, caras tapadas pelos lenços que as enxugam do rocio das lágrimas de amor, nomeadamente de um dos filhos de Ali Khamenei, tal como em muitas mulheres  que vão regando as suas faces  e a terra iraniana e do planeta com as suas lágrimas de amor e devoção, de conversão e aspiração. 
A oração é lenta, pausada, profunda, pronunciada por um grande ayatollah, com outro mais velho e uma criança, testemunha (shahid) da inocência e beleza divina, dum lado, do outro os dois filhos de Ali Khamenei.

Estou ainda a completar de transcrever mais umas linhas, mas partilho já....

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Os mestres do Amor do Irão, Jami, poeta, cientista, iniciado e sufi. Dedicado a Ali Larijani e Ali Khamenei que certamente o conheceram.


 Nour  ud-din Abdur-Rahman Djami ou Jami foi um dos mais valiosos poetas religiosos, isto é, éticos e místicos,  iranianos do século XV, 1414-1492, que tem sido lido e comentado ao longos dos séculos, tendo deixado cerca de 90 obras, por ter conseguido recolher e sintetizar o melhor da tradição sufi, que ele dominava alargadamente, pois viajara e dialogara muito, fora iniciado em fraternidades sufis, nomeadamente na Naqsbandhi e no ensinamento do místico da Andaluzia, Ibn Arabi, transmitindo com  profundidade e experiência a sua compreensão e realizações no caminho do auto-conhecimento e da religação a Deus, tal o Amor, cósmico e individual,  profano e místico. 

Abd-Ul Ghafour Ravan Farhadi foi um dos seus bons comentadores modernos (Iran Moderne) e vamos citá-lo um pouco, pois embora, por exemplo, os dois mártires Ali Larijani e Ali Khamenei o conheceram não cremos que tenham escrito sobre a sua obra e intuições, tanto mais que ambos tiveram de lutar muito militar e politicamente para conseguirem manter a República Islâmica do Irão livre da opressão do Ocidente hegemónico.

Como sabemos o amor é no Irão quase que a religião nacional, e a  interior da religião islâmica, e nesse sentido tantos mestres e poetas a trabalharam e transmitiram ensinamentos bem valiosos. E poderemos referir os fiéis do Amor de Isfahan, Rumi,  Hafiz, Ruzbehan de Balk, já abordado neste blogue e que tive a graça de visitar e meditar o seu tumulo em Shiraz tendo mesmo gravado um vídeo que pode observar no youtube.

Mas já em Zoroastro a visão de Deus, Ahura Mazda é a do Ser Supremo da Sabedoria e da Bondade e que apela a nós para desenvolvermos a trindade dos Bons pensamentos, boas palavras e boas actos. O Amor entre os seres, a família, o amor do cultivo da Terra e da Verdade, numa luta contra a mentira e a injustiça são deveres de todos nós, e essenciais para que Asha, a Ordem e Providência Divina e amorosa se realize. 

Com Jami já se passaram muitos séculos dos ensinamentos dos magos e de Zoroastro e com muita experiência, visão e doutrinação sobre o Amor de tantos iniciados e sufis, pelo que Jami, filho dum sufi, iniciado e místico,  pode voar bem alto na sua visão  cosmogónica,  de certo modo na peugada dos que o antecederam tal Ibn Arabi, Rumi, Attar, Sohrawardi, Ruzbehan. Vejamos a sua visão:

«A Beleza do Único existe desde a pré-eternidade (azal). A Vontade do Único alegrou-se em manifestar  (tajjali) esta Beleza. Esta Vontade foi portanto a base da Criação, que vendo do nada à existência, aspira a adorar a Beleza. Esta Vontade esteve consequentemente na origem do Amor que está fora do tempo, sem princípio nem fim (Sabhat-ul Abrar Silsilat-us-Zahab). Tudo depende portanto do Amor: a criação, o movimento dos astros e dos ceus, o desabrochar das flores.»

No ser humano o amor manifesta-se como o desejo instintivo da união sexual, e o desejo de união psíquica e espiritual, com a amada ou com Deus. Neste amor mais intenso e verdadeiro, há  necessidade de nos libertarmos do que nos prende, seja por desejo seja por receio. Assim, nos estados de amor mais intensos ou elevados, tanto a razão  ou racionalidade, como o ego ou o eu são  abandonados, queimados no fogo do amor do coração, no fundo trocados pelo ser Amado,

Nesta movimentação o ser tanto conserva o amor humano, como passa ao divino, que é o elixir da vida eterna, Muitos místicos sentiram-no mais no coração transparente ao Amor Divino, tornado taça ou cálice.

Esta movimentação passa por estações sucessivas, que vão «da sua procura do ser que se ama por causa de nós mesmos, e depois já se deseja esse ser por ele mesmo, e por fim consagra-se a tal ser pelo Amor.»

«Quando esta consagração é realizada, a dualidade diminui ou desaparece , já pouca ou nenhuma distinção havendo entre os dois amantes, só havendo o amor para sempre, ou até ao fim dos tempos ou da manifestação. Esta vontade unificada pode então reger ou determinar tudo, num equilíbrio entre o destino, o dever, a providencia, e o livre arbítrio.»

O ser que mais sente o amor deve renovar a sua consagração ao Divino, à Verdade, ao Amor, e ser-lhe mais fiel, mesmo quando  sente mais intensamente o amor humano, pois só por esta aspiração ígnea não materializada ou fixada é que o coração se torna o atanor ou o ovo alquímico onde o oceano de Maomé, ou a Haqiqat mohammadiya,  a realidade mohammedica, se manifesta e apura a nossa essência divinamente, pois para todos os níveis, e em espacial nos internos, a Fonte do Amor na Criação e Manifestação é Deus, Allah.

Transcrevemos agora um bem elevado poema do Diwan de Jami, que oferecemos a Ali Khamenei e a Ali Larijani, neste findar do dia 8 de Julho enquanto oiço em directo as orações e cantos em homenagem a Seyyed Ali Khamenei, na cidade santa de Karbala. 

Assassinados pelos invejosos e opressivos do eixo do Mal, ressuscitaram como mártires, shahid, os seres que testemunham nas dificuldades e perante a ameaça da morte o seu amor e união a Deus, entrando no além bem conscientes da sua dimensão espiritual, imortal e fiel do Amor e de Deus, passando a reflectir a Luz divina, tal como os profetas, e os Imams, para nós, como todos nós, não cegos pelo infrahumanismo ocidental, observamos com os mais de 30 milhões de seres que tem participado nestas procissões e orações, e recebendo do heroico e sábio Ayatollah Ali Khamenei e dos awlia, ou amigos de Deus que estão com ele, certamente muitas inspirações e bênçãos, para que a vitória das forças da Luz e da Justiça seja bem contribuída pelo povo iraniano e a família shiia, ahl al-Bayt.


                         «Olha, Jami, desde a criação
Todo o átomo, aos olhos dos fornecidos de visão,
É uma taça partida por uma ferida eterna.
Envolvendo-a completamente, está inscrito um nome.
Que taça é esta? A taça ou cálice do Permanente.
Que nome é ele? O nome do Escanção.

Do cálice bebe o néctar e está em paz.
E quanto ao nome, eleva o olhar para o seu detentor.
Nele perde todo o sinal, toda a marca.
Perdido no Seu Ser, recolhe-te do mundo
Afim de te libertares do teu ser,
Das trevas da tua adoração de ti mesmo.
E chegarás a um lugar donde não há qualquer saída,
Donde não se tem conhecimento senão do não-conhecimento,
Do mundo sem traços, eu te pus sobre o traço
E o resto é contigo"

Avança pois, amigo, orando e cantando no teu coração,
para que o amor a Deus arda tanto em ti,
que de Deus descerá o fogo do Amor,
que te aperfeiçoará e  libertará
dos erros, desejos e receios.
Dança com o teu corpo de glória
abrindo-te ao amor e à luz divina,
assimilando-os em teu corpo e alma,
e dando muitas graças por participares
no corpo místico ou Ummah dos qutb,
de Allah,  Mohammed, Ali e Fátima
e dos Shahid actuais, tantos, aqui e agora
connosco vibrando no Amor invencível.
Allah, Ali, Jami, Ali Khamenei.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O maior funeral da Historia: o Ayatollah Seyyed Ali Khamenei, mártir da Verdade, da Justiça, da Sabedoria, da Multipolaridade, da resistência ao eixo do Mal.

                              

Estão a realizar-se nestes dias de Julho de 2026 as sucessivas cerimónias, procissões e orações de homenagem ao líder supremo do Irão, assassinado com grande parte da sua família pelos israelitas e norte-americano, em 28 de Fevereiro, Seyyed (isto é um descendente de Ali, o 1º Imam ou guia Shiia, e de Fatima al Zahra, a filha do profeta), Ayatollah (sábio guia, religioso) Ali Housseini Khamenei, que durante 38 anos, após a morte do fundador da República Islâmica do Irão, o ayatollah Ruhollah Khomeini, orientou o povo iraniano no caminho da educação e modernização, da prosperidade possível e da resistência ao opressivo imperialismo ocidental e  sionismo, no aprofundamento do conhecimento, da ética, da coragem e da religião, ou religação espiritual e divina. 

Paz, Amor e Luz estejam bem vivos na sua alma tão lutadora como sábia que aos 86 anos, em plena lucidez e actividade, foi forçado a abandonar a Terra, deixando todavia um fermento ígneo inigualável... 

É o maior e mais comovido e comovente funeral de toda a história humana, juntando cerca de 20 milhões de pessoas e acontecendo durante o confronto entre duas civilizações: a ocidental norte americana e israelita, materialista, globalista, opressiva, criminosa e a iraniana, tradicionalista, religiosa, austera, socialista, culta, fraterna, hospitaleira, poética, shiia.

Civilização Persa ou Iraniana com cerca de 5.000 anos de história, com tantos grandes seres deixando obras geniais e agora, a última, face ao persistente bullying e opressão do Ocidente, erguer-se resistente perante  dois dos exércitos mais ricos e bem equipados e obrigando-os a pedirem o cessar-fogo.

À brutalidade traiçoeira, pois em período de negociações, e assassina dos ataques israelo-americanos que propositadamente mataram o topo e  a base da sociedade iraniana, ou seja os seus líderes políticos e militares e 160 crianças da escola de Minab, por dois mísseis separados por minutos, - a essa vergonha total para países ditos civilizados mas já tão degenrados, de simulácros de direitos humanos e de pseudo-democracias - responderam com calma e determinação os iraquianos, não se deixando desorientar com a morte súbita da sua liderança politica e militar e em duas horas começaram a responder com os seus miísseis dirigidos aos alvos militares da região.

Estabelecido um cessar fogo, seguiu-se um segundo ataque com mais assassínios e destruições militares, humanas e culturais pelos israelo-americanos, e uma resposta controlada do Irão, com Telavive a ficar bastante atingida, pelo que Israel e USA tiveram de pediram de novo um cessar fogo, aceite pelo Irão.

Estamos agora em fase de negociações de um memorando com os pontos justos desejados pelo Irão mas que os gananciosos, opressivos e fanáticos norte-americanos e israelitas não querem aceitar no seu todo, e para Trump ver dinheiro das portagens do estreito de Ormuz a entrar no estado iraniano é demais para a sua mentalidade mesquinha  e orgulhosa, pelo que sabemos que os israelo-americanos, insatisfeitos com a derrota e teimosos na sua vontade de dominação e opressão - e basta lembrar como o projecto do Grande Israel  estava a ser considerado como inevitável, quando agora esboroou-se -  vão lançar brevemente as suas mais poderosas bombas e mísseis para destruírem e matarem o mais possível - na linha do que Trump ameaçava e desejava: fazer voltar à idade da pedra a civilização iraniana - indiferentes aos civis e crianças que matam e nem sequer confessando as suas baixas, ao contrário dos iranianos que as assumem.

Este funeral do ayatollah Ali Khamenei, o maior de toda a história humana, congregando os iranianos, mas também iraquianos, shiaas e resistentes ao imperialismo israelo-americano, nomeadamente muitos dos melhores jornalistas e comentadores simpatizantes com o Irão e as suas causas (e onde eu bem gostaria de ter participado), tem-se realizado com grande emotividade, fogo e  cor nos corações,  nas bandeiras, cartazes discursos, sermões, cantos e palavras de ordem,  assinalando ao mundo a determinação deste povo de continuar a cultivar os seus heróis e mártires, de seguir corajosa e desprendidamente, se necessário for, os seus exemplos, de nãos e deixar atemorizar nem vencer pelo eixo do Mal ocidental, liderado por Israel, USA, NATO. 

Sintomaticamente, apesar das pressões dissuasivas norte-americanas, estiveram  representados oficialmente nas cerimónias iniciais e brilhantes em Teerão, a 5 de Julho, cem países, cada delegação sendo presenteada com a leitura bem cantada dum versículo do Corão enquanto saudavam o caixão dos restos do corpo físico do Seayyed Ali Kamenei e família. Claro não havia nem um país da desgraçada da União Europeia, destacando-se antes a Rússia, com Medvedv, o nº 2 da hierarquia do sábio Kremlim, e a BieloRussia, e até a Arábia Saudita, que talvez tenha começado a abrir os olhos para a verdade, a justiça e a multipolaridade.

Após as cerimónias no dia 5 em Teerão, na Grand Mosala,  mais internacionais com os altos dignitários de cada país, e com os versículos corânicos escolhidos sabiamente para cada um deles, como poderá ouvir no youtube, mas com milhões nas ruas, hoje 6 realizaram-se as homenagens, procissões e orações na cidade santa de Qom, onde se encontra o santuário de Fatima ou Hazrat Masumeh, irmã do 8º Imam Reza, e que é o grande centro da religião e da espiritualidade no Irão, com múltiplas universidades, escolas e institutos, e onde Ali Khamenei foi professor e guia. E  numa delas de Teologia estive eu há uns anos a conferenciar e a dialogar sobre os místicos islâmicos em Portugal e no Algarve, os encontros ecuménicos com portugueses na corte bastante persa de Akbar, e os poetas e místicos iranianos.

A 8 chegará a vez do Iraque, com  de Karbala e Najaf , as grandes cidades santas shiias, onde estão enterrados respectivamente o 2º Imam Husseim,  e Ali, o 1º Imam, comprovando-se certamente com as multidões a unidade fraterna e supra-nacional shiaa e da resistência. Por fim, concluirá em Mashad, onde Seyyed Ali Khamenei nascera e estudara, esta peregrinação iniciática para milhões de seres, ou biliões se contarmos os que pela internet e televisões assistirão e vibrarão não só com os espíritos dos martirizados grande seres do Irão, como com tudo o que estará presente e sucederá estes dias.

Entre as milhares e milhares de bandeiras encontramos em muitas o ayatollah Ali Khamenei, noutras apenas o símbolo do Irão, mas as que predominam  são as vermelhas com escritos de resistência, de luta, de vingança. Algumas mostram ainda o novo líder, Mojtaba Khamenei, o qual  desde o bombardeamento que assassinou o seu pai, a sua mulher e a sua filha, e o feriu, não mais foi visto publicamente, não só porque os mais fanáticos dos israelitas têm afirmado repetidamente que o assassinarão, mas também para se inserir na linha da ocultação shiaa, a exemplo do XII e último Imam, Muhammad ibn al-Hasan, denominado  o Madhi, que desapareceu em 942 e se pensa que pode retornar, ou provavelmente no fundo reincarnar.

Muitas bandeiras vermelhas contém a mão erguida com o punho firme contra o imperialismo e o sionismo, e outras amarelas são as das Forças de Mobilização Popular, Hashd al Shaab,    a resistência shiia, iraquiana na sua maioria.

Bem gostaríamos de conseguir ler o que vai escrito nas bandeiras e cartazes, para além das que em inglês condenam justificadamente Trump e os israelo-americanos. Impossível é também saber o que cada um destes peregrinos, talvez cruzando agora o momento mais impressionante da sua vida, sentiu e vai levar para sempre no seu caminho de regresso à casa, terrena, e à espiritual um dia,  onde o grande ayatollah ou líder supremo Ali Khamenei já se encontra, e para eles e nós sorri, estimulando-nos a conhecermo-nos e aperfeiçoar-nos sempre, nomeadamente de modo a resistirmos e vencermos os ataques das forças da mentira, da inveja, do mal, a jihad interna e externa.

São milhões de seres de todas as idades e profissões que desfilam, rezam, cantam, choram, sorriem afirmando a vitória do Espírito imortal, em geral e em especial no grande Ayatollah Ali Khamenei e no povo e civilização-Estado iraniana, e avançam sob o sol fortíssimo, cobertos de lenços, chapéus ou sem nada, batendo as mãos no peito ou erguendo-as com palavras e cantos de vitória, como lídimos sucessores dos guerreiros da luz, ordem e verdade ensinada por Zoroastro  e desde então sempre vivida por mazdeístas, islâmicos, shiias, ou meramente iranianos, e que está a viver neste confronto com o criminoso império norte-americano e sionista a sua batalha decisiva

 
Que tremenda fé e devoção manifestam os milhões de iranianos, arrostando com tantas dificuldades para se aproximarem do grande veículo transformado artisticamente num santuário e que leva os caixões dos mártires embandeirados com as cores e símbolos do Irão (o Alif) e lançam lenços, chailes, panos para que sejam tocados nos caixões e recebam algumas bênçãos e energias, o que alguns solícitos ajudantes vão permitindo e devolvendo depois para as pessoas próximas, esperando que retorne a quem o lançou, e que ficará assim dotada de um tipo de ícone para a sua casa, família e alma.
Que tremenda energia divina tem sido sentida grupalmente, na comunhão do corpo místico do Islão, a Ummah, quando se pronunciam as orações? Quantos corações mais se abriram para as profundidades da verdade e dedicação? 
Não houve já mais de dez milhões de iranianos  que expressamente assinaram mesmo uma declaração, como Vladimir Putin recentemente realçou,  oferecendo sua vida pela mátria-pátria iraniana e shiia, a civilização Estado de Jamid, Ferdouzi, Sohravardi, Hafiz, Saadi, Moola Sadra, Nur Ali Shah e dos recentes mártires general Soleimani, Ali Larijani e Ali Khamenei?
Ali Khamenei foi um intelectual, jurista, professor e religioso mas também um guerreiro na luta contra o opressivo e ditatorial Shah Reza Pahlavi, que o prendeu múltiplas vezes, depois em defesa do Irão contra o Iraque de Saddam Husseim, e ainda com os terroristas do MEK defensores do retorno do Shah e que o tentaram assassinar com uma  bomba, ficando desde aí com o braço direito paralisado.

Deixou a Terra aos 86 anos de idade em pleno vigor e lucidez e não admira que ainda agora no além Seyyed Ali Husseim Khamenei seja um qutb, um eixo e mestre da ligação entre a Humanidade e a Divindade e esteja a inspirar milhares e milhões para a vitória da forças da dignidade, da tradição, do bem, da justiça, da luz, da multipolaridade, do amor, da fraternidade. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Alexander Dugin. Esta guerra exige uma Nova Rússia. É a Hora de transcendermos o status quo. This War Demands a New Russia Time to transcend the status quo. Bilingual text. 6/7

A alma do povo russo, 1914. Mikail Nesterov.

O notável filósofo tradicionalista e ortodoxo Russo vai continuando a sua cruzada por uma Rússia nova, por uma consciencialização mais profunda da sua missão histórica como Estado Civilização, por um trabalho de aprofundamento filosófico, pela adopção mais generalizada das suas linhas de força ideológicas, gnósticas, salvíficas, escatológicas, apelando à transformação das mentalidades demasiado ocidentalizadas, consumistas, globalizadas e pouco patrióticas. Ou, mais concretamente, uma mudança do status quo, nomeadamente das mentalidades dirigentes que estão ainda muito apegadas à Rússia semi-controlada pelo Ocidente neo-liberal, globalista e decadente, à Russia que tergiversa e não se afirma como Civilização Estado com profunda e sagrada missão histórica.

 Face ao crescente confronto agressivo e destrutivo do mundo ocidental com a Rússia, através do regime da Ucrânia e dos seus ataques com drones e misseis, Alexandre Dugin afirma que é a Hora duma mudança mais profunda das mentalidades, com a guerra a ser mais assumida plenamente.

Se há muito tempo, tanto ele como outros sectores políticos e militares da Rússia, exigiam do presidente da Federção Russa Vladimir Putin que ele retirasse as luvas brancas e fosse mais drástico nos meios militares usados nas respostas, agora, com os últimos ataques criminosos a jovens, crianças e civis perpetrados pelos responsáveis militares ucranianos, Vladimir Putin apareceu vestido de farda militar e algumas declarações dele ou dos seus porta-vozes, tal a de Peskov, de que a operação militar especial passara para a guerra, mostra bem a fase intensa e decisiva em que a Europa entrou, comprovado pela escalada dos bombardeamentos maciços de infraestruturas militares e energéticas nomeadamente de Kiev, até agora bastante poupada.

Os riscos do alargamento, tão desejado e tentado provocar há muito por Zelensky, mas negados pelas repostas moderadas dos russos, a outros países da zona são agora mais evidentes, com os estados Bálticos a providenciarem meios de ataque mais directos e eficazes no interior da Rússia, e com alguns países europeus, destacando-se o Reino Unido do detestado e sionizado Keir Starmar, num warmongerismo anti-russo e pró- Zelensky,  continuando este a afirmar que está a ganhar a batalha, com milhões de pessoas a acreditarem nele e na sua máquina de propaganda ocidental.

Nestes dias bastante quentes climaticamente, vejamos quais serão as decisões, acções e reacções dos intervenientes e que são analizadas diariamente nas intervenções e especulações de centenas de bons comentadores mundiais lançadas pela internet ou em algumas televisões, estas cada vez menos valorizadas por quem procura a verdade,  lucidez e imparcialidade nos comentários.

Alexander Dugin é uma dessas vozes que devemos escutar, para ponderar e melhor equacionar a grande batalha que se trava no mundo, na Palestina, no Irão, na Ucrânia, na Venezuela, em Cuba, no Burkina Faso, entre o Ocidente neo-liberal oligárquico anti-russo e bastante sionizado e epsteiniano, e as forças da resistência, da multipolaridade, do BRICS. E, conforme este artigo, da Rússia, como Estado civilização tradicional e religioso, da qual Alexandre Dugin é certamente o último mestre e staretz mais conhecido duma catena aurea filosófica que passa por Dostoievsky e Tosltoi, Soloviev e, Berdiaef, Florensky, Bulgakov, Nicholai e Helena Roerich, e a sua filha Daria Dugina Platonova, com o seu optimismo escatológico.


     
           Esta guerra exige uma Nova Rússia. É a Hora de                                               transcendermos o status quo. 


«Vale a pena refletir seriamente sobre a estrutura do status quo russo, tendo em conta os processos recentes que se desenrolam no Ocidente e para além dele, e fazendo-o com profundidade histórica, tanto quanto ao passado interno da Rússia quanto ao do Ocidente.
No decorrer da Operação Militar Especial (OME)—ou seja, no confronto com a civilização ocidental aproximamo-nos de uma linha crítica. Enquanto era o status quo russo a lutar contra o Ocidente, isso era uma questão de garantir soberania parcial por meios técnicos. Um pouco mais de soberania do que é concedido a outros, mas ainda assim bastante limitada—limitada pela aceitação da ordem liberal globalista baseada em regras. Violamos suas regras, observando razoavelmente que o próprio Ocidente as viola constantemente. Mas quod licet Jovi non licet bovi. [mas o que é permitido a Deus ou Jupiter não é aos bois]. A partir desse momento, começamos seriamente a trilhar o caminho de construir uma arquitectura alternativa de relações internacionais. Mas isso também significava que pretendíamos mudar nosso próprio status quo. Foi isso que declaramos, embora de forma bastante cautelosa: uma civilização-estado, multipolaridade, valores tradicionais, o Mundo Russo. Isso não é o que a Rússia (em seu status quo actual) realmente é, mas uma declaração do que ela quer se tornar.
Até agora, tudo é lógico. Começamos com um conflito técnico que cresceu para um civilizacional e depois dissemos isso abertamente. No entanto… pode ser que nós mesmos nunca tenhamos acreditado plenamente no que declaramos.
O que temos agora:
Crescente escalada com o Ocidente, onde o Ocidente é livre para conduzi-la como quiser (apaga quaisquer linhas vermelhas quando e como quiser);
O horizonte declarado de uma ideologia russa (a civilização-estado);
A Rússia como existe no status quo, com todos os seus desejos e recusas actuais, capacidades e limitações.
Importante: o que um país "quer" e o que ele "pode" alcançar não é apenas um equilíbrio entre a vontade subjetiva e as possibilidades objetivas. É um todo único no qual a realidade nasce da interação entre a vontade e a resistência da matéria. Esta é a fenomenologia do poder: o poder muitas vezes produz o que lhe falta e cria politicamente o ser. Isso é sempre e em toda parte o caso. O discurso do poder não é apenas um reflexo da realidade, mas uma ferramenta para moldá-la.
O status quo é uma fórmula específica de ontologia política. O que podemos e queremos depende de sua construção e estrutura. Dentro do status quo, o equilíbrio entre desejo e recursos é uma coisa. Mas além do status quo, esse equilíbrio pode mudar significativamente, teoricamente em qualquer direção. Em outras palavras, é possível querer e ser capaz de algo diferente do que temos agora.
Para avançar para o futuro, devemos ir além do status quo. Mas o próprio status quo não quer mudar. Daí seus dois principais desejos: vencer a guerra o mais rápido possível e/ou parar a guerra o mais rápido possível. Ambas as soluções são puramente técnicas, e ambas encontram feroz resistência ocidental. O Ocidente não quer nenhum dos dois. Não quer o status quo russo de forma alguma.
Em outras palavras, o status quo atingiu uma linha crítica. Adiar reformas profundas e qualitativas não é mais possível. O tempo agora é medido em meses.
O status quo esgotou seu potencial. Agora ele ergue-se como uma parede, bloqueando o caminho para o futuro da Rússia.
O Presidente indicou a direção para esse futuro. A questão agora  resume-se a um ponto bastante difícil: como realizar uma rotação das elites? Temos as elites do status quo. Precisamos das elites da Vitória, das elites da civilização-estado. É óbvio que as elites atuais não querem ser rotacionadas. Elas estão resistindo. Elas estão se agarrando ao status quo com todas as suas forças. Mas o tempo está a esgotar-se
A Operação Militar Especial  transformou-se numa guerra em grande escala. E, sim, precisamente porque se transformou de um confronto regional em um choque de civilizações. É isso que confere aos acontecimentos o seu significado histórico: entre a Rússia como uma civilização-estado e a civilização ocidental, existe um profunda antagonismo ontológico e metafísico. Isso não é um erro ou um acidente. É a expressão de um profundo padrão geopolítico e histórico. Destino, destino, Providência, missão. É isso que esta guerra é. É mais sério do que a Grande Guerra Patriótica. E não menos sério do que a Guerra Civil. Pode muito bem ser a guerra mais importante de todas.
A sua natureza, acima de tudo, exige uma compreensão profunda. Se não quebrarmos nosso repugnante hábito de tratar o pensamento com desprezo e reduzi-lo a mera tecnologia, não teremos a possibilidade ou a sorte de vencer esta guerra. Em primeiro lugar, devemos entender quem somos e quem é nosso adversário. Devemos entender isso de forma clara e firme. Se não conseguirmos compreender essas coisas fundamentais, será fatal. O conhecimento correcto determina a ação correcta.»

The notable traditionalist and Orthodox Russian philosopher Alexander Dugin continues his crusade for a new Russia, for a deeper awareness of its historical mission as a Civilisational State, for a work of philosophical deepening, for the more widespread adoption of its ideological, gnostic, salvific, and eschatological lines of force, appealing for the transformation of mentalities that are too Westernised, consumerist, globalised, and not very patriotic. Or, more specifically, a change in the status quo, namely the mindset of the ruling elites who are still very attached to the semi-controlled Russia by the neo-liberal, globalist, and decadent West, a change of the Russia that evades and does not assert itself as a State Civilisation with a profound and sacred historical mission.

Faced with the growing aggressive and destructive confrontation of the Western world with Russia, through the regime of Ukraine and its drone and missile attacks, Alexander Dugin asserts that now is thetime for a deeper change in mentalities, as also the state of war is being more fully embraced.
If a long time ago, both he and other political and military sectors of Russia demanded from the President of the Russian Federation, Vladimir Putin, that he take off the white gloves and be more drastic in the military means used in responses, now, with the latest criminal attacks on young people, children, and civilians perpetrated by Ukrainian military officials, Vladimir Putin appeared dressed in military uniform, and some of his statements or those of his spokespersons, such as Peskov's, that the special military operation had turned into war, clearly show the intense and decisive phase the conflict in Europe has entered, evidenced by the escalation of massive bombings of military and energy infrastructures, particularly in Kiev, which has so far been quite spared.
The risks of the expansion, so long desired and attempted to provoke by Zelensky, but denied by the moderate responses of the Russians, to other countries in the region are now more evident, with the Baltic states providing more direct and effective means of attack within Russia, and with some European countries, notably the United Kingdom under the detested and Zionized Keir Starmer, engaging in anti-Russian and pro-Zelensky warmongering, with the latter continuing to claim that he is winning the battle, with millions of people believing in him and his Western propaganda machine.
In these very hot climatic days, let us see what the decisions, actions, and reactions of the participants will be, which are analysed daily in the interventions and speculations of hundreds of good global commentators launched on the internet or on some television channels, these increasingly less valued by those who seek truth, lucidity, and impartiality in the comments.
Alexander Dugin is one of those voices we must listen to, to ponder and better understand the great battle being fought in the world, in Palestine, in Iran, in Ukraine, in Venezuela, in Cuba, in Burkina Faso, between the anti-Russian, quite Zionized and Epsteinian neo-liberal oligarchic West, and the forces of resistance, multipolarity, and BRICS. And, according to this article, from Russia, as a traditional and religious civilisation state, of which Alexander Dugin is certainly the last master and most well-known staretz of a philosophical golden chain that passes through Dostoevsky and Tolstoy, Soloviev and Berdyaev, Florensky, Bulgakov, Nikolai and Helena Roerich, and his daughter Daria Dugina Platonova, with her eschatological optimism. Let us listen to Alexander Dugin:

This War Demands a New Russia

Time to transcend the status quo

Guest post
 
Alexander Dugin warns that Russia’s status quo has exhausted itself and must be transcended if it is to win the civilizational war.

«It is worth giving serious thought to the structure of the Russian status quo, taking into account the recent processes unfolding in the West and beyond, and doing so with historical depth, both in Russia’s domestic past and in that of the West.

In the course of the Special Military Operation (SMO)—that is, in the confrontation with Western civilization—we have approached a critical line. As long as it was the Russian status quo fighting the West, this was a matter of securing partial sovereignty by technical means. Slightly more sovereignty than is granted to others, but still quite limited—limited by acceptance of the liberal globalist rules-based order. We violated its rules, reasonably noting that the West itself constantly violates them. But quod licet Jovi non licet bovi. From that moment, we have seriously set out on the path of building an alternative architecture of international relations. But this also meant that we intended to change our own status quo. That is what we declared, albeit rather cautiously: a state-civilization, multipolarity, traditional values, the Russian World. This is not what Russia (in its current status quo) actually is, but a declaration of what it wants to become.
So far, everything is logical. We started with a technical conflict that grew into a civilizational one, and then openly said so. However… it may be that we ourselves never fully believed what we declared.
What we have now:
Growing escalation with the West, where the West is free to conduct it however it wishes (it erases any red lines whenever and however it wants);
The declared horizon of a Russian ideology (the state-civilization);
Russia as it exists in the status quo, with all its current wants and refusals, capabilities and limitations.
Importantly, what a country “wants” and what it “can” achieve is not just a balance between subjective will and objective possibilities. It is a single whole in which reality is born from the interplay of will and the resistance of matter. This is the phenomenology of power: power often produces what it lacks and politically creates being. This is always and everywhere the case. The discourse of power is not just a reflection of reality, but a tool for shaping it.
The status quo is a specific formula of political ontology. What we can and want depends on its construction and structure. Inside the status quo, the balance of desire and resources is one thing. But beyond the status quo, this balance can change significantly, theoretically in any direction. In other words, it is possible to want and to be capable of something different from what we have now.
To move into the future, we must go beyond the status quo. But the status quo itself does not want to change. Hence its two main desires: to win the war as quickly as possible and/or to stop the war as quickly as possible. Both solutions are purely technical, and both encounter fierce Western resistance. The West wants neither. It does not want the Russian status quo at all.
In other words, the status quo has reached a critical line. Postponing deep, qualitative reforms is no longer possible. Time is now measured in months.
The status quo has exhausted its potential. Now it stands like a wall, blocking the path to Russia’s future.
The President has indicated the direction to that future. The question now boils down to one rather difficult point: how to carry out a rotation of the elites? We have the elites of the status quo. We need the elites of Victory, the elites of the state-civilization. It is obvious that the current elites do not want to be rotated. They are resisting. They are clinging to the status quo with all their might. But time is running out.
The SMO has turned into a full-scale war. And yes, precisely because it has spilled over from a regional confrontation into a clash of civilizations. This is what gives the events their historical significance: between Russia as a state-civilization and Western civilization there exists a deep ontological and metaphysical antagonism. This is not a glitch or an accident. It is the expression of a profound geopolitical and historical pattern. Fate, destiny, Providence, mission. That is what this war is. It is more serious than the Great Patriotic War. And no less serious than the Civil War. It may well be the most important war of all.
Its nature above all demands deep understanding. If we do not break our disgusting habit of treating thought with contempt and reducing it to mere technology, we have no chance of winning this war. First and foremost, we must understand who we are and who our adversary is. We must understand this clearly and firmly. If we fail to grasp these fundamental things, it will be fatal. Correct knowledge determines correct action.»
Article taken from Alexander Dugin subststak, of 6/7/26

domingo, 5 de julho de 2026

Os Persas na História das Civilizações, segundo Gustave le Bon. Como na concepção de Deus e da luta entre o bem e o mal eles influenciaram judeus, cristãos e islâmicos

  Gustave le Bon (1841-1931), embora não concluindo medicina tornou-se um antropólogo e sociólogo de renome graças aos seus livros sobre a psicologia das multidões e as raças e civilizações humanas. Contudo,  por alguns académicos mais exigentes, tal Durkheim, foi considerado um divulgador pouco científico e,  de facto, as suas obras contém  algumas apreciações incorrectas e datações erradas (tal afirmar que a Índia não tinha monumentos anteriores a 250. a. C. com o imperador Asoka). Uma das mais controversas foi a de considerar as mulheres inferiores aos homens por razões de massa cerebral e que portanto não deviam ser muito instruídas. 

A sua obra mais volumosa e impressiva foi de história, Les Premières Civilizations. Ouvrage illustré de 443 figures, num in-fólio de 820 páginas, carregado de boas gravuras, muitas a partir de fotografias, outras de desenhos e ou mesmo aperfeiçoadas a partir de esboços de recreação história que ele imaginava e desenhava, tal como podemos ver.

No Livro Primeiro, a Evolução das Civilizações, trata do O nascimento e desenvolvimento das Instituições, Costumes e Crenças nos primeiros povos civilizados, dividindo em capítulos sobre a história, família, linguagem, crenças religiosas, moral e direito, propriedade, indústria e governos. No Livro Segundo, Como os povos se elevam à civilização, há dois capítulos: a influência dos meios e da raça, e as lutas pela existência e a aptidão dos povos a variarem, as ilusões e as crenças. No Livro Terceiro, o mais extenso, aborda a civilização Egípcia. No Quarto a civilização caldaica-Assíria e no Quinto a Judaica. No Livro Sexto, segue-se já não assim consideradas mas como Aparição dos Arias na História e na Civilização: Os Persas e Medas. No Livro Sétimo, Como as civilizações do Oriente se propagaram no Ocidente, aborda o Papel dos Fenícios na História, considerando ter sido através deles que os gregos receberam os resultados das civilizações egípcia e caldaico-assíria.
Gustave le Bon, nesta obra, como podemos verificar pela ordem dos capítulos, pelo número escasso de páginas, dedicadas à Pérsia, e pelo começo do capítulo, parece trair algum menosprezo por ela:
«O papel dos Persas foi muito grande na história política do mundo, mas muito fraco na história da civilização.
Durante dois séculos que durou o seu poder, eles fundaram um gigantesco império; mas nas ciências, as artes, a indústria, a literatura, eles não criaram nada, e  ao tesouro dos conhecimentos acumulados pelos povos aos quais eles sucediam nada acrescentaram. (...) Ainda esclarecerá que «O contributo real dos Persas no fundo comum do progresso humano é tão mínimo que poderíamos reduzir ainda as páginas que lhes vamos consagrar.» Abordemos as suas páginas sobre a religião, onde a sua opinião já é bem diferente. Comparando os dois ramos indo-europeus, escreve: «Enquanto que os iranianos pela grande reforma de Zoroastro, adoptavam uma religião estática, distinta, fundada sobre o princípio do dualismo [algo errado], os Arianos da Índia conservavam o seu panteísmo vago e continuavam a oferecer os seus sacrifícios pacíficos aos manes dos antepassados e às forças da Natureza».

Já ao descrever as instituições, a moral e costumes, tem de reconhecer alguns dos bons caracteres persas, citando Heródoto amiúde:« Não lhes é permitido falar de coisas que não lhes é permitido [ou que não conseguem] fazer. Não acham nada de mais vergonhoso que mentir, e a seguir à mentira, contraírem dívidas, dizendo que, entre outras razões, que quem dívidas mente necessariamente». A bondade e a valorização da mãe e dos seus conselhos, eram também característica deles.
A sua abordagem à religião é ainda assim boa, baseando-se quase sempre em Heródoto, e observará acertadamente que «Ahura Mazda assemelha-se ao Iahve dos Israelitas; não ao sombrio ídolo, ávido de massacres e de sacrifícios, que presidia à época heroica do estabelecimento na Palestina, mas ao Eterno espiritualizado e afinado dos profetas», embora não esclareça que este afinamento religioso e civilizacional resultara da influência directa da Pérsia de Ciro, sobre eles. Considerará ainda, na evolução das concepções religiosas persas, que «Ahura Mazda, cujo nome significa "soberano e omnisciente" é uma personalidade divina muito elevada, e que os Iranianos poderiam ter adorado exclusivamente num monoteísmo infinitamente mais puro que o de Israel, se o grande problema da existência do mal no mundo não tivesse atormentar os seus espíritos», o que os levara a admitir um deus do mal, Ahriman, embora destinado um dia a ser definitivamente derrotado, e a reconhecer a existência de entidades celestiais elevadas, do bem e do mal, diminuindo (aparentemente) o seu monoteísmo. 

Considera mais ou menos correctamente que «os Persas receberam dos Assírios alguns dos seus símbolos: os leões e touros alados que, para eles, eram emblemas, não dos deuses mas dos génios. Eles foram mesmo mais longe, e representaram o seu grande Ahura Mazda sob a figura de Assur: um homem de pé no centro dum disco alado. Mas esta imagem não foi nunca mais do que uma espécie de hieroglifo do deus e nunca se tornou um objecto de culto. É preciso portanto reconhecer, que entre todas as religiões da Antiguidade, nenhuma foi mais espiritualista, mais moral, mais desprendida de ritos grosseiros e de superstições que a religião mazdeísta»

Tentando abordar  o Mazdeísmo, concentrando-se na época áurea de Ciro, transmitida por Heródoto, e depois de realçar quão diferente era já do panteísmo dos arianos na Índia, afirma «que eles representavam a divindade como independente do Universo, e como tendo-o tirado do nada só pela sua vontade e pelo poder do Verbo. A sua narrativa da criação aproxima-se muito da Génese. [Não afirma, certamente para não pôr em causa a ideia de revelação sagrada, dos meios judaico-cristãos, quanto os profetas e redactores da Torah aproveitaram disfarçadamente das concepções persas.]

Ahura-Mazda (Ormuzd), o grande deus dos Persas, falando ao seu profeta Zoroastro, diz-lhe: " Eu pronunciei esta Palavra, que contém o Verbo e o seu efeito, para obter a criação do céu, antes da criação, da água, da terra, da árvore, da vaca quadrúpede, antes do nascimento do homem verídico de dois pés."

Também Gustave Le Bon, abordou as Fravashis segundo a sua sensibilidade e cultura e depois de referir a hierarquia de espiritos celestiais, bons e maus, escreve: «Uma categoria curiosa era a das fravashi, espécie de duplos de todos os seres vivos, tipos espirituais das criaturas carnais, tanto intercessores como representantes dos homens diante de Deus.
Cada vez que uma criança vinha ao mundo, um [uma] fravashi ligava-se à sua pessoa, protegendo-a um pouco ao modo do anjo da guarda [outra influência, talvez algo discretamente aludida]; seguia-o em toda a sua existência e só a deixava à sua morte. Quanto mais uma pessoa era virtuosa, mais à sua fravashi era benfazeja e poderosa.»
Os seus resumos sobre o pretenso dualismo, a escatologia da luta do bem com o mal e os princípios morais do Mazdeísmo são valiosos:« O puro ensinamento de Zoroastro negava a eternidade do princípio do mal no futuro. Agra-Mainyous ou Ahriman devia ser exterminado, vencido e o triunfo definitivo de Ahura Mazda seria anunciado pela vinda de três grandes profetas que estabeleceriam  o mazdeismo no mundo inteiro [não é bem assim]. A seita dos Maniqueus, criada muito mais tarde, no séc. III, proclamou a eternidade dos dois princípios e luta sem descanso através do tempo infinito de Agra-Mainyous contra Ahura-Mazda.  Esta doutrina desencorajante não nascera ainda nas colinas do Irão, a Pérsia dos antigos sábios mantinha vivo no cimo do seu altar simples o fogo sagrado, símbolo de Ahura-Mazda, o fogo eterno que nunca se deixava extinguir. O crente cumpria então, pela sua parte, com confiança, a luta do bem contra o mal, que uma vitória suprema deveria no fim coroar.
A moral do mazdeismo era muito elevada. Ela exigia que se fosse justo, verídico e casto, não só em acção, mas na palavra e mesmo em pensamento. Ela inspirava sobretudo o horror da mentira. Os Persas, segundo Heródoto, ensinavam três coisas às suas crianças: andar a cavalo, desfechar o arco e dizer a verdade. A pureza dos costumes, a rectidão, o amor do trabalho, são as principais virtudes recomendadas pelos livros sagrados. 
A ocupação mais meritória, à qual se pode dedicar um Iraniano, era lavrar a terra. A função do agricultor era quase religiosa: ao estender o território fértil, restringindo o espaço árido, ele fazia triunfar Ahura Mazda, autor das colheitas, contra Agra-Mainyous, pai dos ermos e da infecundidade.
"Justo juiz, pergunta Zoroastro a Ahura Mazda, qual é o ponto mais puro da lei dos Mazdeus? 
É semear  na terra boas ou fortes sementes. Aquele que semeia grãos e o faz com pureza, cumpre a lei dos Mazdeus em todo a sua extensão. O que pratica esta lei é como se tivesse dado o ser a cem criaturas, a mil produções ou recitado mil orações"

sábado, 4 de julho de 2026

O Mestre ou guru Nicholai Roerich, visto por Raúl de Sepúlveda Fontes. Com um artigo seu para a revista Estudos Psíquicos, de 1947.

                                  

Raul de Sepúlveda Fontes nasceu em Pondá, Goa, a 11 de Outubro de 1915,  e foi desde novo um dinâmico jornalista e comunicador, colaborando em numerosas revistas e jornais portugueses e ingleses, brasileiros e indianos. Publicou duas obras místicas ou espirituais: By the Candle of the Light, tales of mystical fancy, Bombay, 1942 e Nicholas Roerich. Análise de um génio, Nova Goa, 1946, pois correspondera-se com o notável pintor e mestre espiritual russo, que com a sua mulher Helena lançou o ensinamento da Ética viva e do Agni Yoga. Raul Fontes exprimiu-se assim  «a minha Mãe, que foi meu alento e meu guia até partir para as Regiões do Além, dedico este livro sobre a obra de Roerich, grande alma e grande guru.» 
No fim do prefácio, escrito na Índia em 1945, diz-nos: «Pouco antes de eu terminar este livro foi declarada a Paz Mundial. Neste momento os que conhecem o trabalho de Nicholas Roerich em prol da Paz lembrar-se-ão com certeza do Pacto Roerich firmado em Washington em 15 de Abril de 1935 que tem por fim salvaguardar os monumentos históricos e artísticos dos horrores da guerra. Esse Pacto fora aprovado pela Liga das Nações que também adoptara a bandeira sugerida por Roerich: três esferas em um círculo vermelho simbolizando a religião, cultura e arte./ O Mestre bendiz a paz./ Nicholas Roerich crê na missão da mocidade que, devidamente orientada e educada, poderá vir a ser um dos factores a assegurar a paz universal. Trabalhemos, pois, para tornar uma realidade o sonho do mestre: paz Perpétua ao Mundo sob a bandeira da Arte e da Cultura. Pax per Cultura

Ora em Janeiro de 1947, nº 1 do sexto ano da revista Estudos Psíquicos, publicou um artigo interessante, onde expressa o seu entusiasmo por Nicholas Roerich, o seu mestre. Como é praticamente desconhecido, e é um dos poucos testemunhos dos portugueses que conheceram a vida e obra da genial família Roerich, vamos transcrevê-lo:
                                       ROERICH, O GURU,
por Raúl de Sepúlveda Fontes, Redactor-correspondente da revista Estudos Psíquicos na Índia Portuguesa
      «Nicholas Roerich, o célebre artista, poeta e filósofo russo, sócio honorário do Instituto de Coimbra, cujas telas grandiosas se encontram nos principais museus da Europa, América e Ásia, vive ao presente na Índia, em Naggar. Na solidão dos montes, o grande mestre espiritual da humanidade, medita, cisma e cria, visando unicamente o progresso espiritual dos homens.
Como filósofo, Roerich prega uma religião universal, tendo por base a crença em Deus e na alma, reflexo da alma cósmica. Ele crê que a humanidade atingirá a perfeição só pelo culto do belo e do amor. Só então será possível a paz entre os homens 
[Mais do que a crença, dir-se-á a vivência consciente da alma  e espirito e de faces ou aspectos da Divindade. Quanto à Alma reflexo, da alma cósmica, não será melhor dizermos parte da Alma Cósmica? E como nem daqui a cem ou duzentos anos, ou se calhar nunca, se chegará à perfeição, a paz seria impossível. Mas não cremos que tal seja necessário e a paz, uma certa paz, pode estabelecer-se.]
Quando percorro as páginas das obras de Roerich, quando medito nos seus ensinamentos e nas suas experiências, julgo ver a luz que brilha através do véu de Ísis... É a ele que devo em parte, o meu regresso à concepção do universo, a ele, o Guru (mestre espiritual) da Índia, do mundo...
Quem ler as obras de Roerich, ficará surpreendido com a vastidão do seu saber e, acima de tudo, com a recolha imensa que ele fez durante as suas viagens na Ásia. Um facto que passo a narrar há-de por força interessar todos os espiritualistas.
Durante a sua permanência no Tibete, Roerich verificou o seguinte facto surpreendente: Os Lamas Tibetanos podem deslocar-se para onde querem, não em corpo material, mas em corpo astral. São capazes de assistir a qualquer reunião religiosa, em corpo astral, descrevendo depois pormenorizadamente, tudo o que se passou nessa reunião. Os yogis indianos (segundo experiências feitas por Mrs. Hilda Wood, esposa do prof. Ernest Wood, um dos candidatos à presidência da Socieade Teosófica Internacional, após o trespasse de Annie Besant, e de quem fui defensor sincero na imprensa da Índia Britânica), também podem visitar qualquer pessoa em corpo astral, durante o sono, dando depois a prova evidente de terem feito essa visita.
No caso de Roerich, o mundo inteiro conhece a sua probidade, a agudeza do seu espírito crítico e analítico e o seu profundo saber. Com Mrs. Wood dá-se o mesmo.
Entre os tibetanos, entre os menhires, entre os buriates [povo da Sibéria e da Mongólia], Roerich colheu elementos valiosos de grande alcance espiritista. A sua visão da vida e das coisas é tão imbuída de espiritualismo, que ele próprio atingiu as raias da pureza budista, sendo considerado pelos lamas um ser superior, lendário, a reencarnção de Ghessar Khan. [Há aqui algum exagero de Raul Fontes. Além das pinturas, há várias referências a Ghessar Khan na sua obra, tal: https://www.roerich.org/roerich-writings-himavat.php]
Ghessar Khan foi várias vezes pintada por Roerich
Roerich prega e pratica o Evangelho do Belo e da Perfeição, tendo como princípio básico a espiritualidade da vida e do universo. Para ele, Deus é a alma do Cosmos e nós reflexo dessa alma; portanto, imortais, como Deus. [Outro modo de exprimir a relação do ser humano com a Anima Mundi, e com Deus, imprecisa...]
Em toda a Índia, no Tibete distante, na Mongólia, quando se fala de Roerich, dizem: - Ele é o nosso Guru.»
Índia, 1946.
No nº 7 de Julho de 1947, na mesma revista, Raul Fontes transcreve uma passagem do livro a tal zona mística na Mongólia, «onde foi descobrir a morada de inúmeros yogis que se dedicam ao estudo da Suprema Sabedoria.»