terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Da metafísica das nuvens e neblinas matinais lisboetas.

Dezassete fotografias tiradas na manhã de terça-feira, 15 de Janeiro de 2019, em Lisboa, face ao sul, e legendadas.
 
 Tal como nunca sabemos o que vamos sonhar de noite nem em que paisagens nos encontraremos, o mesmo se passa quanto ao como acordaremos e que paisagens atmosféricas ou tempo encontraremos e singraremos.
 Sem sabermos prever como será a nossa jornada ou que aprofundamentos realizaremos, embora do karma do passado descole o dharma do futuro, há contudo sinais, nuvens e céus que nos fazem prever ou então pensar que é possível algo de belo ou extraordinário acontecer em nós e nos céus...
 Tal como há céus tão azuis e lilazes, profundos e puros, também nos nossos sonhos e diálogos, compreensões e meditações, há tão grandes transparências luminosas, ou sincronias intercomunicativas, que o fogo do Amor se torna bem presente.
 Tal como as nuvens, modeladas ou não por devas e anjos, nos podem encantar, despertar e inspirar, também há certas pessoas e livros, mais afins nas tonalidades anímicas e criatividades, que despertam ou intensificam os nossos melhores potenciais humanos e espirituais...
 E tornamo-nos então eixos, árvores, torres,  zigurates,  chamas no altar do Amor da Terra erguido aos Céus e por ele nos derramando  em raios, cores e calores inspiradores...
 
 Os voos das almas e das nuvens, os seus diálogo flamejantes, ou mesmo os toques anímicos, são como auroras boreais na noite, ou súbitas passagens da sombra colorida do anjo diante de nós, convites a criatividades pelo Bem da Terra e da Humanidade...
 As aparições de neblinas são sempre surpreendentes, pois erguem-se como fantasmas ou tágides do leito do rio em miríades de gotas dissolvidas e sopradas por zéfiros, sílfides ou anjos entram pela cidade a dentro, espreitam à nossa janela, convidam-nos a extasiarmo-nos na sua diafinidade e a comungar na Unicidade da existência...
 Por entre a paisagem tornada branca, qual amnésia dos sonhos passadas algumas horas da nossa mente  mergulhar no real  quotidiano, emergem contudo eixos dos mundos, vultos firmes, árvores amadurecidas, aspirações determinadas, memórias ou reminiscências assumidas...
 Seres que crescem para o além, para o alto e que dialogam pela afinidade íntima, pela proximidade amorosa, pela viração que sopra e inspira, vencendo distâncias e dificuldades, desfocagens e dispersões, são árvores, são humanos...
 
 Troncos no Inverno despojados nos seus ramos de folhas, lembram-nos como devemos ser mais recolhidos e concentrados nesta estação do ano e aquecer-nos no fogo da aspiração, do esforço e do amor.
 Para podermos apesar do frio erguer-nos ao céu, a sós ou em diálogos de amor e de sabedoria, em actos precisos, em movimentos de convergência helicoidal ou espiral, que apenas pressentimos por entre as janelas abertas que se possam criar entre os mundos e seres diafinizando-os...
 A Divindade gera a multiplicidade para que esta em diálogo pacífico e criativo descubra e construa, viva e partilhe o amor e a Unidade primordial...
 Sabermos adentrar-nos na floresta encantada, no jardim maravilhoso implica sermos Cavaleiros e Cavaleiras do Amor prestes a defender a dama, a musa, a árvore, a floresta, a aldeia...
 Que anjos e espíritos da natureza, que ideias e sentimentos se podem manifestar nas nossas almas e visões, diálogos e encontros é sempre o desafio criativo expresso na tenção ou talento de bem agir, de bem pensar, de bem ser, de bem amar.
 Enquanto a neblina permanece, enquanto na noite imensa se estende, devemos soprar a chama do amor, pois tudo é possível na osmose libertadora e iluminadora entre seres e e mundos.
O piar das aves no meio da imensa neblina faz-nos lembrar como os seres também clamam pela luz divina e como devemos estar atentos aos súbitos momentos em que os céus e a terra se podem abrir e unir pelo anel da graça humana e no amor deixarem descobrir, desvendar o divino, a Divindade em nós...
Possamos então adentrar-nos ora na floresta encantada ora nas neblinas mais cerradas e difíceis, com o fogo do Graal ardendo bem luminosamente...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Os "Sonetos" de Antero Quental na edição de 1881. 2ª parte.


                              
Os Sonetos de Antero de Quental, na edição ainda pequena de 1881 (face aos Sonetos Completos, de 1886) e realizada a instâncias de Joaquim de Araújo na Biblioteca da Renascença (como já narrámos na 1ª parte deste pequeno ensaio), transmitem principalmente linhas de força do seu processo crítico de libertação de mistificações religiosas e de ilusões e medos humanos, numa demanda intensa e sentida da Verdade, filosófica e espiritualmente, proporcionadora sobretudo de desprendimento, estoicismo e serenidade.
                              
Vejamos brevemente o conteúdo ou argumento desses 21 sonetos em títulos e 28 na totalidade, escritos entre 1872 e 1880:
No 1º, Homo, ergue-se uma interrogação fantástica sobre o ser humano e a sua origem, «parto da terra monstruoso; do húmus primitivo e tenebroso/ geração casual sem pai nem mãe»; por um lado, e por outro talvez descendente de Satanás ou de Jeová, ou de ninguém. Antero assinala a luta entre os darwinistas, os criacionistas e os gnósticos, apontando para um dualismo «misto infeliz de trevas e de brilho».
No 2º, Disputa em Família, com dois sonetos, no primeiro, Antero desmitifica a concepção humana e hebraica de «Jehová, o tirano, de mão tenaz e astuta, / Que mil anos nos trouxe arrebanhados» e liberta-se dessa «vã banalidade». No segundo, depois de criticar a concepção cristã do Deus Pai na 1ª quadra: «Mas o velho solitário,/ De coração austero e endurecido,/ Que um dia, de enjoado ou distraído, Deixou matar seu filho no Calvário», mostra o velho tirano sorrir "com riso estranho" perante as revoltas e mudanças que os humanos tentam contra ele, pois que antes de nascerem já ele sabia tudo isso...
O 3º Mors-Amor é sem dúvida um mais dos belos e poderosos sonetos de Antero de Quental, nele afirmando a sua inserção na tradição dos Cavaleiros do Amor: "E o corcel negro diz:«Eu sou a Morte!»/ Responde o cavaleiro: «Eu sou o Amor!»". Foi escrito algo inspiradamente em França, nas termas de Bellevue (onde se encontrava em hidroterapia de banhos a jacto, recomendados como eficazes para o seu "grande desarranjo nervoso geral e complicado" pelo famoso médico Charcot), interrogando-se em carta de 20 de Julho de 1877 a João Lobo de Moura:«Não sei bem o que quer dizer francamente, mas a execução agrada-me». Estava em sincronia com o Amor que subitamente despertara entre ele e uma senhora francesa, também nas termas, numa paixão que perdurou por algum tempo.
                              
No 4º, À Virgem Santíssima, com um sonho-visão do seu olhar piedoso, afirma a sua devoção ao Eterno Feminino, de graça, misericórdia, suavidade, e mesmo já de perdão, ternura e paz para a hora derradeira humana. Antero fantasia ou sublima o amor humano natural: «Não era o vulgar brilho da beleza,/ Nem o ardor banal da mocidade.../ Era outra luz, era outra suavidade,/ Que até nem sei se as há na natureza...». Foi enviado por Antero ainda nos seus 30 anos a João Lobo de Moura, em 12-IV-1872, com a explicação «foi composto por um monge da Idade Média (aí pelo século XIII) na solidão soave-austera do Monte Cassino, um contemporâneo talvez do autor misterioso da Imitação de Cristo, e é dirigido à Virgem-cheia-de-graça do sentimento cristão, a que mais tarde um pagão ilustre deu o nome de Eterno Feminino», tendo redigido e enviado na mesma ocasião um de inspiração budista ou neo-búdica, intitulado Nirvana, que será um dos seis do Elogio da Morte, desta edição de 1881, mas já sem título.
No 5º, Elogio da Morte, o mais longo com seis sonetos, Antero, com o seu sentimento e pensamento, vai explorar o vácuo infinito e a morte, impulsionado pelo Inconsciente ou Absoluto, vencendo os medos e sentindo amor pela «Morte! irmã do Amor e da Verdade»,
comparando-a à Beatriz de Dante, guia no além da alma, «irmã co-eterna da minha alma» e, vendo escritos nos olhos fixos dela os lemas do Ideal, confia: «Dormirei no teu seio inalterável,/ Na comunhão da paz universal,/ Morte libertadora e inviolável». No último dos seis sonetos do ciclo apresenta a sublimação filosófica do medo da morte num justificado amor corajoso, que o leva até a afirmar: «Talvez seja pecado procurar-te, / Mas não sonhar contigo e adorar-te,/ Não-ser, que és o Ser único absoluto».
Estes seis sonetos tiveram diversas avatarizações ou manifestações, um deles, o segundo, "Na floresta dos sonhos, dia a dia", escrito e enviado em 12 de Abril de 1872 a Lobo Moura, com uma extensa justificação, fora intitulado Nirvana aquando da sua publicação em Fevereiro de 1875 na Revista Ocidental, que Jaime Batalha Reis e ele tinham criado. Mas na edição de 1881, Antero, mais amadurecido e conhecedor, retirou-lhe o título, incluiu-o apenas no Elogio da Morte, e dará o nome de Nirvana a um outro e penúltimo soneto, mais filosófico, sendo a comparação entre os dois instrutiva quanto à evolução da compreensão do nirvana e dos fins últimos dos seres e do universo. 
Neste sentido Antero considerará, em carta a António Azevedo de Castelo Branco de Abril de 1875, estes poemas, escritos «sem a menor tristeza ou desalento, antes com paz íntima e profunda confiança» e sob a influência da doença e na reflexão da morte, como «uma espécie de Filosofia idealista da Morte (...) mostrando como o pensamento se eleva gradualmente desde uma impressão toda negativa até à mais alta idealidade, compreensiva e plácida».
No 6º soneto, Divina Comédia, passada a desmistificação de Jeová e da morte, aquele uma vã banalidade ou espectro tirânico, esta confrontando-a corajosamente e vendo-a antes como entrada no seio da paz do Não-ser Absoluto e primordial, Antero de Quental põe em causa os Deuses de outras religiões criados pelos homens e mostra que teve presente a obra de Dante nestes sucessivos sonetos, em especial do Elogio da Morte, ao qual podemos chamar mesmo viagem iniciática, tanto mais que leva como epígrafe inicial: «Morrer é ser iniciado», frase da Antologia Grega que Fernando Pessoa também glosou no seu bem esotérico poema Iniciação e não só. Na carta ao seu grande amigo António de Azevedo Castelo Branco, de 17-X-1875, Antero enviou-lhe quatro destes sonetos e explicou que o pensamento ou sentimento que os inspirou foi ao fim de milhares de anos ainda tão pouco sabermos de Deus.
                                 
No 7º, No Turbilhão, Antero está só e vê em sonho e visões, numa espiral, os espectros dos seus «pensamentos, fantasmas de mim mesmo e da minha alma» e interroga-se sobre quem são, quem é ele. Antero de Quental, a meio desta jornada iniciática filosófica, está só, consigo e a sua psique. Será sempre um mistério se os terá mesmo visto no seu olho espiritual ou se apenas imaginalmente sentiu e intuiu alguns aspectos subtis dos pensamentos e sentimentos, almas e espírito.
No 8º Quia Aeternus, de 1875, dedicado a Joaquim de Araújo, Antero regista que todavia mesmo os que tentam sacudir «o jugo da divina tirania» mas folgam em orgias podem subitamente empalidecer e tremer. É como que um aviso apocalíptico, na aventura libertadora mas por vezes desregrada tanto da humanidade como anteriana, do espectro de Jeová poder surgir a qualquer momento. Anote-se que o encobrimento da verdadeira realidade de Deus pelo arremedo de Jeová será causador de uma carência ontológico-teológica no ser humano ocidental e também que há de facto uma ordem cósmica, ética mesma. O título do poema vem da expressão usada por S. Agostinho de Hipona, patients quia eternus, paciente porque eterno, em relação a Deus. Aqui, algo ironicamente utilizada...
No 9º soneto, Mors Liberatrix, escrito em Outubro de 1878 e logo publicado na revista Renascença, de Joaquim Araújo, a quem enviara, Antero avança mais na linha dos Cavaleiros do Amor (à qual pertenceram entre nós Duarte Galvão, Damião de Goes, Camões, Jorge Ferreira de Vasconcelos, Bocage, entre outros) glosando o soneto Mors-Amor, e na mão do «cavaleiro vestido de armas pretas,/brilha uma espada, feita de cometas,/ que rasga a escuridão, como um luzeiro» que avança no "curso aventureiro", com "o gládio de luz" que "é a espada da Verdade" Firo, mas salvo... Prosto e desbarato, / Mas consolo... Subverto, mas resgato.../ E, sendo a Morte, sou a Liberdade.» Antero corajosamente vê a morte como a suprema libertadora.
                                
No 10º, O Inconsciente, Antero trabalha com originalidade a noção do inconsciente, desenvolvida por Edouard von Hartmann (mas cuja obra ainda conhecia pouco então), para quem significava a caracterização do Absoluto devido à impossibilidade de ele ter uma consciência, que forçosamente o limitaria. Consciência absoluta corresponderia a Inconsciência Absoluta. Antero não vai tão longe e equipara-o a um espectro que o acompanha e que, chamado pelos humanos há dez mil anos por Deus, não sabe como se chama, estando portanto  inconsciente de si mesmo. Neste soneto e no intitulado Logos há um tentar sondar dos vários níveis e faces com que a voz da consciência, o génio, o espírito em nós, a ideia de Deus, o Absoluto se podem manifestar. São níveis certamente bem subtis e difíceis de se cingir pelo mero pensamento discursivo e filosófico. No vídeo final abordei o tema no fluir da palavra-logos no momento...
No 11ª, Consulta, de 1880, ergue-se genialmente a uma espécie de reminiscência, a um exercício espiritual de auscultação e diálogo com o seu passado, memórias, seres, vozes, e mesmo com «a mais feliz, a mais serena», mas todas lhe respondem que não vale a pena ter nascido. Antero mostra-se mais do que exigente, desiludido ou talvez sem conseguir sentir a riqueza perene de pessoas, seres, momentos e sem alcançar também a certeza da imortalidade e sem sentir firme o Amor imortal vivido e manifestado em si.
No 12º, Espiritualismo, Antero mostra-se algo pessimista pois dá um dos títulos mais valiosos que poderia coroar e inspirar um soneto, a dois que são bem desanimadores: no primeiro, a Dúvida, como vento de morte e ruína empecenhou a criação divina e já «só uma flor humilde e misteriosa,/ Como um vago protesto da existência,/ Desabrocha no fundo da consciência». No segundo, essa flor imaculada vai morrer também e «no vácuo eterno se esvairá disperso,/ Como o alento final dum moribundo,/ Como o último suspiro do Universo». Todavia, podemos ver nestes sonetos aproximações ao final da manifestação cósmica, ao misterioso Não-ser primordial e indubitavelmente Antero foi dos nossos poetas e filósofos quem mais cogitou, sentiu e poetizou tal elevado nível, provavelmente inacessível porém ao ser humano encarnado e durante a manifestação. Já na sua prosa principal, A Filosofia da Natureza dos Naturalistas e Tendências gerais da Filosofia na segunda metade do séc. XIX, afirmou com força o panpsiquismo, a imortalidade espiritual, no fundo valorizando a presença do Absoluto (Inconsciente ou Divindade) enquanto Princípio ideal, Ser, Logos, Amor, Justiça e Bem na história humana e cósmica.
                           
No 13º, Anima Mea, Antero de Quental, num volta a face, apresenta-nos a morte nos seus aspectos mais repulsivos ou terríficos, como serpente, fúnebre bacante, demente, impudente, loba faminta. E o que ela quer não é o corpo que ninguém quer dar, mas apenas a alma. E a resposta de Antero é genial: « - A minha alma já morreu». Genial, porque é como se Antero tivesse matado a morte, morrendo antes. Como não pensarmos em Fausto, ou sobretudo no dito grego "Morrer é ser iniciado"?
Como iniciado no caminho da realização espiritual e da cavalaria do Amor, da Justiça e da Liberdade Antero já tinha morto o seu ego, personalidade e alma. Talvez por isso se possa compreender e justificar o seu suicídio. Antero não foi apanhado pela morte. Mas morrera já a sua alma e apenas a libertou do corpo. Todavia, intuíra ou previra ele bem como se encontraria no além? Mistérios... 
No 14º, Estoicismo, uma linha de força bem importante em Antero, o que podemos esperar neste confronto com as ilusões religiosas e os medos da morte, senão a afirmação de firmeza perante as adversidades? Pois Antero vai-se dualizar, por um lado atribuindo ao espírito de eterna negação exterior a destruição das primaveras da sua alma, fazendo com que o seu coração se sinta só e na escuridão. Antero então critica o coração cobarde e egoísta e recomenda-lhe «Deixa aos tímidos, deixa aos sonhadores/ A esperança vã, seus vãos fulgores.../sabe tu encarar sereno o abismo». Antero surge de novo como um iniciado falando ao seu coração, ao seu lado humano e até intimo, recomendando-lhe a virtude do estoicismo, da serenidade, perante as trevas e o não universal. Não é assim o Cosmos, na sua multidimensionalidade espiritual e divina mas Antero ficou algo preso num umbral que Fernando Pessoa também sentiu difícil e poetizou. Todavia enfrentou-o corajosamente, estoicamente, até que anos depois, por circunstâncias várias, partiu, tanto ansioso como sereno, para o abismo do mistério do além...
No 15º, O Convertido, antecipa no título o que Guerra Junqueiro, Leonardo Coimbra e outros fizeram, e pensaremos que a conversão que ele recomendará será mais à austera libertação de todas as alienações. Mas não, pois Antero reconhecendo a possibilidade de se arrepender dos desmandos e o seu coração se tornar contrito e querer voltar à paz, os métodos que ele anuncia e utiliza são ironizados; «amortalhei na fé o pensamento,/ E achei a paz na inercia e no esquecimento.../ Só me falta saber se Deus existe!» Antero critica as conversões que frequentemente são falsas, são mero amortalhar do livre pensamento e da lucidez investigadora.
 

No 16º, Sepultura Romântica, Antero avança com a dissolução do seu coração em impalpável pó. Não fala nem no corpo nem na alma, apenas no coração «com suas lutas, seu cansado anseio/Seu louco amor, dissolva-se no seio/ Desse infecundo, desse amargo mar». Seria bom intuirmos como sentia Antero o mar de Vila de Conde, ou o dos Açores, que pode estar referido no primeiro quarteto, e se o amargo mar do último verso do soneto já diz respeito ao mar cósmico da ilusão, do samsara, indiano e budista. Dando o nome de Sepultura Romântica Antero parece querer, mais do que inserir este soneto num estilo e período literário, sepultar a sua fase juvenil romântica que tão belos poemas gerara mas que pouco lhe deixara de chama permanente e de auto-visão espiritual.
                         
No 17º soneto, intitulando-o Logos, Antero dará ao princípio de Inteligência do Universo uma interpretação original pois torna-o seja uma espécie de génio pessoal, o seu daimon, seja a sua alma espiritual, seja um super-ego: «Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim/ E o que é mais, dentro em mim - que me rodeias/ Com um nimbo de afectos e ideias,/ Que são o meu princípio, meio e fim...» É um "estranho ser"(se és ser) o leva a regiões ora de encanto ora de pavor. Mas ainda que acabando por admitir que «és um reflexo apenas da minha alma», vai erguê-lo a uma espécie de fonte de inspiração, embora não sentindo nele a dimensão feminina, a Musa, a Fravashi dos místicos persas, tão bem trabalhada imaginalmente nos nossos dias por Henry Corbin: «Falo-te, calas... calo, e vens atento.../ És um pai, um irmão, e é um tormento/ Ter-te a meu lado... és um tirano, e adoro-te!».
É um soneto cheio de opostos, de teses e antíteses, não e sim, mas que Antero assume como sendo o seu génio intelectual e que o adora apesar de lhe chamar tirano, e que já não é o Jehová exterior, neste sentido apontando para uma consciência interior ética a funcionar, a tal voz da consciência que ele tanto valorizou, o Logos em nós...
No 18º soneto Ignotus, o último criado por Antero uns meses antes de ele e Joaquim Araújo terem o parto do livrinho, nascido de uma noite sem dormir, deparamo-nos como o ser religioso de Antero bradando aos céus, demandando o Espírito, e de novo, tal como quando interrogou o Homem em si mesmo, o deus Jehová e os deuses, a resposta é que não sabem quem são, ainda não se encontraram.
Significativamente, se Antero caracteriza inicialmente o Espírito como enchendo a solidão e depois como antigo, e portanto algo limitadamente, no terceto final, afirma-o desde toda a eternidade na busca sem se encontrar. Há aqui uma descrença em Antero de se encontrar a essência, a verdade, a realidade. Sabemos contudo que frequentemente Antero afirmou e por certa vivência («pensando muito e escutando docilmente o segredar da consciência, pude emergir do pessimismo que me entenebrecia a existência e recuei no caminho da negação absoluta em que estava precipitado»), que o pessimismo era apenas um ponto de partida e passagem e não de chegada, pois existe o mundo espiritual e moral onde «a harmonia, a liberdade e o optimismo são tão inerentes»...
O 19º soneto é dedicado ao seu grande amigo João de Deus, poeta lírico de amor e da natureza, e intitulado o Circo, após a odisseia de busca em vão do Espírito, de Deus, mostra-nos Antero a confessar a reminiscência de ter vivido no mundo espiritual harmonioso leve e belo até que um vento o fez rolar e cair e entrar numa fera: «É assim que rujo entre os leões agora!». Este soneto é muito importante pois afirma a preexistência das almas, ou mesmo o dom da reminiscência (tão enaltecido pelos pitagóricos e neo-platónicos) do mundo espiritual e divino donde provimos. 
Apesar de terminar na horizontalidade da vida animal e humana, denominando-o mesmo de Circo, porque nessa arena se domesticam ou amestram as feras, é um dos que mais transmite uma linha energético-consciencial bem vertical e ascensional, pois afirma a nossa origem espiritual e de algum modo a necessidade de domarmos ou amestrarmos os nossos instintos mais egoístas ou mesmo violentos.
                       
Estamos quase no fim, e na ordenação dos sonetos o 20º e penúltimo leva o nobre título, tão desenvolvido no Budismo, de Nirvana. Embora nunca possamos ter a plena noção de como Antero via ou compreendia o Budismo só pelos poemas ou mesmo também pelas cartas, este soneto ajuda-nos bem. Em 1880 Antero de Quental via ou ideava o Nirvana, num dos seus aspectos ou sentidos, como a consciência de que o universo é ilusório e vazio, mesmo nas coisas naturais «à bela luz da vida», pois como começa o soneto: «Para além do universo luminoso/ Cheio de formas, de rumor, de lida,/ De forças, de desejos e de vida,/Abre-se como um vácuo poderoso». É uma visão negativa directa do nirvana, que significando originalmente a morte ou extinção da sede de existência, da separatividade, da ignorância e do sofrimento é aqui atingido por uma visão do mundo imóvel do Não-ser, a qual cria em relação ao mundo da manifestação tédio por ele ele ser ilusório e vazio. Antero nesta conclusão não afirma o panteísmo nem o panpsiquismo, que serão conhecimentos ou realizações conquistados posteriormente, embora o último soneto desta edição dardeje algo do misterioso espírito omnipresente. Numa carta ao jovem poeta Carlos de Lemos, de 5-II-1888, Antero explicará que «O Nirvana não é passivo, não é inerte e puramente contemplativo é, pelo contrário, essencialmente activo; somente essa actividade já não é apaixonada, porque cessou de ser egoísta. É, por assim dizer, impessoal. Se os meus sonetos valem alguma coisa, valem sobretudo por dizerem isto, ou, pelo menos, por deixarem entrever isto (...)»
O último soneto, significativamente o 21º, a última carta do Tarot, poderá desenhar a síntese que Antero conseguira até então, restando-lhe ainda dez anos de vida, cinco dos quais consagrados nos restantes sonetos que realizará, saindo em 1886 a edição completa deles, e os outros cinco anos para ultimar em prosa o seu testamento, as Tendências Gerais da Filosofia na segunda metade do século XIX, que sairão em Fevereiro de 1890, na revista de Portugal, um ano antes de morrer.
Transcendentalismo se chama ele e está dedicado ao seu grande amigo Joaquim Pedro d'Oliveira Martins e nele observamos uma visão e mensagem próxima do soneto final da edição dos Sonetos Completos de 1886, na qual o seu coração descansará na mão de Deus. Contudo sabemos que foi escrito em 1876 e significava então para Antero quando o enviou em Agosto para João Lobo de Moura «um salmo, uma efusão religiosa, porque está ali com efeito a minha religião, o meu culto da existência suprasensível, sem o qual não sei o que seria desta minha pobre existência supra-sensível (helas! trop!). O meu misticismo dia a dia se consolida mais, como sentimento e como doutrina». Oiçamos os tercetos finais:
          «Não é no vasto mundo — por imenso
           Que ele pareça à nossa mocidade —
           Que a alma sacia o seu desejo intenso...

           Na esfera do invisível, do intangível,
           Sobre desertos, vácuo, soledade,
           Voa e paira o espírito impassível!»
                         
O soneto, embora escolhido para final do livro, ressente-se todavia um pouco de ser uma construção intelectual, pois Antero não está a descrever uma experiência real de tais níveis não só cósmicos como individuais do "espírito que voa e paira impassível", e ficamos na dúvida se está a afirmar o Espírito absoluto, se o espírito individualizado, se os dois. Este espírito, se impassível já estivesse no seu revestimento anímico, desprendido de tudo, então vibraria ou no seu nirvana de desaparecimento inefável, extinta a separatividade e ilusão do eu, ou então, individuado e imortalizado, desfrutando do amor e da beatitude, como espírito em ligação ao Divino, criativamente agindo no Cosmos multidimensional.
Demos então graças pela demanda de Antero de Quental nos Sonetos e tentemos  despertar mais e aprofundar a nossa auto-consciência espiritual e religação Divina, na linha da Tradição Espiritual Portuguesa onde Antero de Quental brilha pioneiramente...
Segue-se o 2º vídeo de comentário resumido aos sonetos finais da antologia de 1881, como sabemos devida à amizade e diligência de Joaquim de Araújo, que aliás  lhe merecera considerá-lo como o seu herdeiro, pobre, dos Sonetos. Saibamos continuá-los em oitavas superiores, luminosa e amorosamente...
             

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Os Sonetos, de 1881, de Antero de Quental, na impressão de Joaquim de Araújo, comentados. 1ª parte.


                                     
Nos primeiros dias de 1881 saía à luz na cidade do Porto, uma pequena edição de Sonetos de Antero de Quental, na Biblioteca da Renascença, por seu amigo e poeta Joaquim de Araújo. Um in-8º de 36 páginas, composto na Imprensa Portugueza e contendo 28 sonetos.
A génese da obra deduz-se da correspondência entre Joaquim de Araújo e Antero nos meses que antecedem a publicação, com Joaquim de Araújo no Porto e Antero a viver em Lisboa na rua da Fé e coligindo o Tesouro Poético da Infância, que só virá porém à luz em 1883, contendo nele o seu belo poema "As Fadas", que já foi tema de um nosso artigo.
                                 
(Fotografámos o exemplar que foi do distinto bibliófilo, tradutor e historiador Dr. Fernandes Tomás.)
Assim nos primeiros dias de Outubro, Antero, numa noite mal dormida, redige e envia-lhe o soneto "Ignotus", no qual quem busca o espírito ignoto acaba por receber a resposta: - também eu ando à busca de mim mesmo. Já numa carta de meados do mês de Outubro, depois de agradecer os poemas para a Antologia infantil, diz-lhe: «Os versinhos que me mandou são encantadores. É pena que sejam tão tristes e funéreos de assunto. Num livrinho para a infância, que é como quem diz para a alegria descuidosa, convém fugir daquele tom».
E depois refere pela primeira vez o projecto editorial: «Quanto aos meus Sonetos, eu cuidei que Você os publicava sem o menor sacrifício, com os lucros da [revista] Renascença e como brinde aos assinantes da mesma. Diz-me você agora que os destina à venda, ao público, na esperança de reaver o dinheiro que já lhe custa a composição. Neste caso, eu antes lhe daria o conselho que não fizesse tal publicação, que só pode fazer-lhe perder mais dinheiro ainda. Você é muito criança e literato, e na candura destes dois caracteres, imagina que o pública se importa com os sonetos e que vai devorar a edição dum folheto de versos que ele não compreende. É uma ilusão. O folheto ficará sem venda, e Você perderá o seu dinheiro, coisa que eu não posso consentir. Assim pois, desista de tal publicação, que é o partido mais prudente. Não cuide que está obrigado para comigo a fazê-la. Nem por sombras...»
Será a 28 de Outubro de 1880, após a resposta esclarecedora de Joaquim Araújo, da qual não temos registo, que confirma a adesão ao projecto: «Vamos aos Sonetos. Em vista das explicações que me dá, quanto aos elementos financeiros da publicação já nada tenho a objectar. Agora o que desejo é que o livrinho, além de ter na capa «edição da Renascença» leve dentro a Advertência que envio. A razão desta exigência é a seguinte: Eu não publico coisa alguma vai em 8 anos. Depois de tal silêncio, aparecer agora com um folheto de 28 Sonetos é ridículo, e, com efeito, eu não faria tal publicação. Mas deixa de o ser no momento em que não sou eu que o faço essa publicação, em que não é minha a iniciativa. É o que porão a claro a Advertência dos editores e a inscrição na capa. De resto, autorizo-o a modificar a redacção da Advertência, se, como está, não lhe parecer bem nalguma coisa. »
Em seguida dá algumas indicações de dedicatórias, corrige erros de provas e escreve: «Aí vai a lista completa [sonetos], segundo a definitiva ordem que adopto. Ponha os que faltam nos lugares competentes». A 3 de Novembro ainda escreve a Joaquim de Araújo: «Deve ter recebido uma carta minha e juntamente as provas. Foi tudo no mesmo correio. Não posso passar sem ver ainda uma última prova»
                                      
E a obra sairia nos primeiros dias de 1881, conforme está assinalado na capa, embora o frontispício indique 1880. No fim do livrinho a programada Advertência tornara-se uma Nota, assinada pela Redacção da Renascença, na qual se explica que provindo de colaborações dos jornais Harpa e Renascença e de outras dispersos por várias publicações « (...) pondo desta forma ao alcance dos apreciadores a série completa dos Sonetos filosóficos até hoje produzidos pelo grande poeta das Odes Modernas, depois da aparição da segunda edição deste livro.» A primeira, e a segunda edição muito remodelada, tinham sido dadas aos adeptos em 1865 e 1875.
                    
Numa carta não datada de Janeiro a Joaquim de Araújo, Antero confessará: «A edição dos Sonetos pareceu-nos muito bem e o melhor possível. Elegante e fina sem pretensão. Digo nós, porque foi esta também a opinião do João [de Deus] a quem mandei um exemplar. Creio que precisarei, ao todo, de uns 40 exemplares, para oferecer a várias pessoas.»
E como a oferecia ou apresentava a amigos ou conhecidos?
A Gabriel Pereira, arqueólogo e etnógrafo, escreve já a 20 de Março: «Tomo a liberdade de enviar a V. Ex.ª um exemplar do volumezinho de Sonetos meus, que um amigo se lembrou de editar. É um poesia lúgubre e fantástica, que se ressente talvez demasiado das preocupações e sentimentos habituais do autor, para poder agradar a quem olhar a vida por outro prisma menos escuro».
                       
Depois de uma leitura rápida da obra num dos bancos do jardim, e de ter dado uma volta pelo mesmo, alimentando até os patos, resolvi ao findar do dia comentar resumidamente os sonetos, gravando um vídeo de 23 minutos que vai até ao soneto "Consulta".
                               
Eis a lista dos sonetos: Homo, Disputa em Família (2 sonetos), Mors-Amor, à Virgem Santíssima, Elogio da Morte (6), Divina Comédia, No Turbilhão, Quia aeternus ([Paciente] porque eterno), Mors Liberatrix (Morte Libertadora), O Inconsciente, Consulta. E foram os comentados brevemente neste 1º vídeo. No próximo, os restantes: Espiritualismo (2), Anima Mea, Estoicismo, O Convertido, Sepultura Romântica, Logos, Ignotus, No Circo, Nirvana, Transcendentalismo. 
Anote-se que já partilhei num breve artigo (para a página Antero de Quental, escritor, no facebook), a forte crítica de Teófilo Braga a à pessoa e poesia de Antero, exarada na revista Era Nova, nº 7, 1881, desconhecendo-se a reacção de Antero, não só pessoalmente mas ideologicamente. Contudo não deve ter sido apanhado desprevenido pois uns meses antes numa carta a Oliveira Martins já considerara quão torcido era Teófilo. Não obstante, na crítica à  "voluptuosidade da morte" tinha alguma razão, aliás até confirmada por Antero ao classificar a sua poesia como algo "lúgubre" na carta a Gabriel Pereira.
Nesse sentido auto-crítico e evolutivo da alma e da poesia sabemos que o retiro em Vila de Conde, que se inicia poucos meses depois do livro, em finais de Agosto, vai-lhe permitir aprofundar até onde pode os seus anseios filosófico transcendentalistas, sendo valioso destacarmos nestes sonetos publicados as linhas de força que já fermentavam nele ainda longe da acção harmonizadora ou inspiradora do grande Oceano e das duas crianças de Germano Meireles adoptadas e sua mulher...
                         
                         
A evolução espiritual de Antero será sempre um desafio e mistério..
Na parte final do vídeo, estou já a ler na penumbra um ou outro verso de nosso Antero...
"Pax, lux, anima mea"

                   

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Ilha de S. Jorge. Cubres. O Pantanal. Outubro de 2018.

 Uma ida aos Açores, à ilha de S. Jorge, com o Alfredo Cunhal Sendim e Joakin Manik, em trabalhos agroflorestais, em Outubro de 2018.
 Imagens matinais, no dia 6, de um dos valiosos locais antes da Fajã do Belo, onde pernoitávamos, na ilha de S. Jorge: a aldeia de Cubres e o seu pantanal, microclima e ecosistema por vezes com aves de arribação belas ou raras.
 
 
A ave que responde às nossas saudações e vem  por entre o espelho de água e a rarefeita neblina, abrindo um V de comunicação vitoriosa...
 
Gate, Gate, Paragate, Paramsagate, Bodhi Svaha Partiu, foi-se, para além da margem, súbita desvendação espiritual...
 
 
Cabana em pedra circular, convergirmos  para o centro, submergidos pelo bramido do imenso oceano ,e elevar-nos, irradiarmos.
 
 
Raízes na terra e flores nas almas, reflectindo as vibrações e cores das nuvens e dos céus
 
          Corações ao alto, ou em amor, esperança, optimismo, unindo a terra e o céu, com agro-floresta, permacultura, agricultura biológica, meditação, fraternidade, criatividade, comunidade.  Saibamos movimentar-nos criativa e harmoniosamente na multidimensionalidade do campo unificado de energia-consciência-informação...

domingo, 30 de dezembro de 2018

A revisão do ano passado e o começo dum novo ano sábio.

 Os finais de cada ano, e nomeadamente os dias e noites de 30 e 31 de Dezembro, são momentos muito bons para revisitarmos e meditarmos as nossas forças anímicas, as pessoas amigas e de família, as actividades realizadas e não realizadas, os desejos e projectos, as obrigações e as aspirações e as nossas possíveis contribuições mais criativas ou apreciadas... 
                                 
E escrever e desenhar tal num diagrama, oval, circular ou rectangular, pondo no centro ou linha axial a nossa essência única verticalizando-se com certos seres e níveis e a Divindade, e depois em raios ou linhas   horizontais ou oblíquas escrevermos o quê, como e com quem mais devemos trabalhar no plano humano e do dia a dia de um novo e auspicioso ano, à Divindade, aos anjos, aos mestres, aos antepassados, oferecido, dedicado...
Eis um exemplo deste auto-inquérito, vichara se chama na Índia e por Ramana Maharishi muito recomendado, "Quem sou eu, quem sou eu? Quem posso ser eu?":
O que conseguimos fazer durante o ano e o que não conseguimos ou não quisemos fazer, tais os eventos a que não fomos e o que sentimos agora em relação a tal.
Quais as pessoas a quem nos demos mais, ou a quem demos presentes, livros, palavras, vibrações. E como elas reagiram a tal.
E aquelas que sentimos não dever relacionar-nos tanto.
As pessoas de quem recebemos mais. E se retribuímos correctamente no anel das graças.
As conferências públicas, ou os diálogos valiosos com uma pessoa ou poucas. Como se poderão melhorar os efeitos.
Os livros, artigos e textos escritos ou gravados. Os que mais gostamos e o que fica deles? Quais devemos considerar obra em aberto? Que peso luminoso têm?
Quais os livros e artigos lidos que gostámos mais e anotámos, e que nos poderão ainda inspirar, no seu aprofundamento?
Quais os locais que mais visitamos ou peregrinamos, e mais amamos.
Peregrinação no Gerês com o Dhammiko.
 As meditações e realizações que fizemos com mais impacto.
As ligações maiores com os mestres, os anjos, a Divindade.
 Temos um mestre? Trabalhei suficientemente com ele?
Houve metodologias espirituais que deram bons resultados e que devem ser relembradas e praticadas?
Aum Mani Padme Hum, por Bõ Yin Râ
Os sonhos. Quais os mais importantes e quais foram os seus ensinamentos e como posso eu sonhar melhor?
A nossa casa ou local de trabalho melhorou, ou no que pode ser melhorado, intensificando a irradiação de objectos ou zonas?
 Quais foram os melhores momentos e de maior comunhão de todo o ano?
Em que locais,  com que pessoas, seres, objectos, nuvens e céus?  
Fajã do Belo, S. Jorge, Açores. Com o Alfredo Cunhal e o Jaquin Manik
Quais as pessoas com quem gostaríamos mais de interagir no novo ano e irradiar despertantemente, harmoniosamente? 
Quais teremos obrigação de acompanhar mais e como o poderemos fazer criativa e luminosamente?
Quais são as almas mais afins espiritualmente, vibratoriamente, ou pelo menos as que têm afinidades de interesses e investigações, e portanto potencial para fazerem mais luz e amor com o nosso diálogo?
Tivemos discernimento e coragem nos nossos apoios e intervenções psíquicas em relação ao que se passa no plano nacional e internacional, e nomeadamente através da internet?
Quais foram os contributos melhores realizados por nós para o planeta e para a Humanidade? 
Esforços, trabalhos, meditações, irradiações, diálogos, partilhas de textos, livros, acções abnegadas?
O que poderei realizar de mais útil e mais luminoso para outras pessoas, ou para seres que já partiram, ou para ideias e causas perenes?
 O que mais me realiza espiritualmente, plenamente? 
Quais são as prioridades de realização a ter presente diariamente, seja concretamente na materialização de projectos ou virtualidades, seja ao nível de qualidades internas, de investigações e de estados conscienciais?
Aum...  Hari Om
Demos graças...  Pax... Lux... Amor...
Semeie bem para colher também. Ou Talent de bien faire... 
Um novo ano pleno de religação e inspiração dos Mestres, dos Anjos e Arcanjos e da Divindade, viva, íntima...