quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Message of Imam Ayatollah Mojtaba Khamenei. Mensagem sobre a oração no auspicioso 1º dia de Outubro. Bilingual.

                                          

     O Líder da Revolução Islâmica Mojtaba Khamenei deu no 1º dia de Outubro de 2026 uma importante mensagem espiritual por escrito -  já que desde o assassinato de quase toda a sua família pelos diabólicos norte-americanos e israelitas se encontra em ocultação - acerca da oração apontando-a como uma fonte  de força perene no confronto com os "demônios mundiais", destacando a sua crescente função de fortalecer a sociedade e de apoiar as pessoas em tempos de luta.

Foi para a 33ª Conferência anual sobre a Oração, e nela Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei realçou a importância de se estabelecer ou fortalecer a oração e realizar-se a conferência anual, lembrando que tal prática da oração (nas suas múltiplas formas ora mais longas ora nos condensados zikr) é uma da responsabilidades essenciais de uma sociedade religiosa ou islâmica.
“A oração é uma das mais elevadas e belas bênçãos do Deus Todo-Poderoso, a mais alta instituição, símbolo e pilar da religião, e o fio condutor [ou axial] através do qual cada um de nós estabelece uma relação próxima e direta com a fonte divina infinita e eterna,” disse ele.
O Líder considerou a oração como uma fonte constante de harmonia, tal uma bebida ou elixir de imortalidade, e como uma coluna que nos liga superiormente de modo a se ter uma vida saudável e justa.
“Este elixir de prosperidade e salvação, e pilar de uma vida saudável, é tanto um apoio firme e contínuo quanto uma reserva inesgotável para os seres humanos na sua luta contra o eu carnal e os demônios do mundo,” disse ele.
Realçou ainda ser a oração  uma fonte da melhores virtudes e qualidades, que fluem e espelham os atributos divinos:
“A oração é  uma fonte sempre fluindo de amor, esperança, bondade e paz,” disse o Aiatolá Khamenei, acrescentando que as bênçãos divinas e a abundância de sustento são alcançadas e aumentadas através do estabelecimento da oração e da busca de perdão.
Realçou que a oração não deve ser vista apenas como uma obrigação individual. Citando os ensinamentos do Alcorão, afirmou que estabelecer a oração  era também uma característica definidora de um governo justo.
O sábio Líder vinculou o ensinamento transmitido à luta enfrentada pelo Irão hoje, dizendo que a colocação do versículo no Alcorão, depois da promessa  de apoio divino aos seguidores de Deus e nas suas lutas, demonstra o papel da oração para se conseguir a perseverança e a vitória.
“O estabelecimento da oração como um bastião da lembrança de Deus, e da esperança e confiança Nele, tem um papel especial na jihad [guerra santa, interior e exterior], na vitória e triunfo nos campos de luta, e em especial no campo de luta que a nação iraniana enfrenta hoje,” disse.
O Aiatolá Khamenei afirmou ainda que o povo iraniano estava agora a ser chamado  mais do que nunca pelo repetido comando divino de estabelecer ou fundar ou desenvolver a oração.
Apelou também  às famílias, educadores, instituições religiosas, universidades, organizações culturais e figuras públicas que assumam maior responsabilidade na promoção da oração, particularmente entre os jovens.
O Líder disse que tornar a oração mais ampla e institucionalizada, acompanhada de um esforço coletivo para realizá-la corretamente, era fulcral para o avanço duma sociedade islâmica.
Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei  apontou igualmente  a importância das mesquitas e das orações em grupo ou congregação, dizendo que são meios ou passos necessários para se aumentar a participação e melhorar a qualidade do culto comunitário.»

https://www.presstv.co.uk/Detail/2026/10/01/777364/Leader-prayer-support-confrontation-worldly-devils. Traduzido da versão original em inglês, presente na ligação da Presstv.co, disponível no meu computador desde ontem, após alguns meses de bloqueio. 
 Fiz algumas modificações ou explicações na minha tradução, mas no final do artigo pode ler a versão original do canal (explicativa) e do Ayatollah Khamenei (as suas palavras. E uma delas seria interessante saber-se qual foi a usada para o que traduzimos, seguindo a tradução inglesa, por "estabelecer a oração")  Ameen...

Original version in english, present in Presstv. co, since yesterday available in my computer after some months of being blocked:

    «The Leader of the Islamic Revolution has described prayer as a lasting source of strength in confronting “the worldly devils,” stressing its wider role in strengthening society and supporting people in times of struggle.
In a Thursday message to a local conference focusing on Islamic prayer, Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei wrote on the importance of establishing prayer and holding the annual conference, noting that the practice was among the essential responsibilities of an Islamic society.
“Prayer is one of the most beautiful great blessings of Almighty God, the highest institution, symbol and pillar of religion, and the connecting thread through which each of us establishes a close and direct relationship with the infinite and everlasting divine source,” he said.
The Leader described prayer as an “elixir of prosperity and salvation” and a pillar of a wholesome life.
“This elixir of prosperity and salvation and pillar of a wholesome life is both a firm, continuous support and an inexhaustible reserve for human beings in the struggle against the carnal self and worldly devils,” he said.
He added that prayer also provides a source of hope and tranquility.
“It is also a flowing spring of love, hope, kindness and peace,” Ayatollah Khamenei said, adding that divine blessings and abundance in sustenance are attained and increased through establishing prayer and seeking forgiveness.
He stressed that prayer should not be viewed merely as an individual obligation. Citing the Qur’anic teachings, he said establishing prayer was also a defining feature of righteous governance.
He linked the teaching to the struggle faced by Iran today, saying the placement of the verse after the Quranic promise of divine support for God’s followers and their struggle demonstrated the role of prayer in perseverance and victory.
“The establishment of prayer, as a stronghold of the remembrance of God, hope and trust in Him, has a special role in jihad, victory and triumph in the fields of struggle, particularly the field of struggle that the Iranian nation faces today,” he said.
Ayatollah Khamenei said the Iranian people were now more than ever addressed by the repeated divine command to “establish prayer.”
He also called on families, educators, religious institutions, universities, cultural organizations and public figures to assume greater responsibility for promoting prayer, particularly among young people.
The Leader said making prayer widespread and institutionalized, followed by a collective effort to perform it properly, were key to advancing an Islamic society.
He also pointed to the importance of mosques and congregational prayers, saying these were necessary steps toward increasing participation and improving the quality of communal worship.»

Efemérides da 1ª semana de Outubro, do encontro sábio do Oriente e Ocidente

                                          

 1-X. Carta do missionário jesuíta António Ceschi, escrita neste dia em 1653, na corte mogol em Deli, Índia,  descrevendo o príncipe Dara Shikoh (filho do imperador Shah Jahan, o construtor do Taj Mahal), vestido com pobreza no meio de 500 nobres de vestes resplandecentes e joias, muito amigo dos padres cristãos, e vivendo numa demanda espiritual profunda e de sentido universalista e, tal como disse François Bernier, um dos famosos escritores viajantes que o conheceu, sendo «hindu com os hindus, cristão com os cristãos». Místico,  sufi, iniciado ou discípulo de dois reconhecidos mestres de então, Mian Mir e Mullah Shah, profundo conhecedor dos caminhos de realização do espírito e da Divindade, deixou-nos obras de mística e de pioneiro comparativismo religioso. Uma delas. A mistura ou junção dos dois Oceanos, traduzi-a oralmente e encontra-se em vídeos no Youtube. Deveria ter sido Dara Shikoh, enquanto primogénito, o herdeiro do trono do imperador Shah Jahan, o criador de Taj Mahl, mas as tendências e forças ambiciosas fanáticas do irmão mais novo Aurangzeb não permitiram, sendo assassinada esta grande alma.
Neste dia em 1877, a escritora Maria Amália Vaz Carvalho, sócia da Academia das Ciências de Lisboa, casada com o poeta Gonçalves Crespo, amiga por correspondência de Antero de Quental, escreve uma carta a António Lopes Mendes, sobre o livro que este tão bem escrevera e ilustrara pela sua própria mão, Índia Portuguesa: «Mais feliz do que eu, você foi buscar a inspiração que lhe faltava aqui, nessas regiões misteriosas em que a terra é tão pródiga de esplendores que fascinam».
Neste dia em 1885, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, chegados das suas travessias dos amplos territórios africanos, dão uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa perante o rei e a corte sobre os aspectos científicos e humanos da expedição. Roberto Ivens escreverá que «à Europa, e em geral ao homem que nunca viajou nos sertões de África, não é dado compreender o que se sofre ali, quais as dificuldades a vencer a cada instante, qual o trabalho de ferro não interrompido para o explorador». Em 1886 sairá o emocionante relato da expedição em livro, De Angola à Contracosta.
 Discurso do 1º ministro indiano Jawaharlal Nehru (1889-1964) neste dia, em 1958, no Sikkim, ao inaugurar o Instituto de Tibetologia: «Encontramos-nos hoje numa encruzilhada, em que talvez para se encontrar a solução para os problemas criados pelo avanço da Ciência e Tecnologia, temos de ir para algo fora das aproximações normais do mundo físico. Temos de ir para outro nível, chamemos-lhe domínio do espírito. Temos de ir para outras dimensões do pensamento, talvez para a 4ª dimensão. A ciência libertou já enormes forças que parecem ir além da 3ª dimensão, e assim para o homem as controlar, ou compreender correctamente, tem de começar a pensar noutros níveis, chamemos-lhes 4ª dimensão ou o que quisermos». Donde a necessidade do espírito científico do budismo e do Instituto de Estudos Tibetanos que ele inaugurava.

2-X. Na reforma da Ordem de Cristo estatuída no convento de Tomar neste dia em 1449 determina-se, entre outras regras, que os cavaleiros só podem comer carne três vezes por semana e que devem rezar diariamente as Horas de Santa Maria, ou sessenta Pai Nossos e sessenta Avé Marias, escalonadas por horas, se o puderem fazer. No Capítulo da Ordem, ja de 1503, reunido em Tomar, serão equacionados 
preceitos que eram então pouco cumpridos. E hoje em dia, com tantos templários e templarices, quantos rezarão ou meditarão uns minutos que seja?
                                        
Nasce na Itália em 1550 o P. Rudolfo Aquaviva, filho do duque de Atri. Será uma das grandes almas das missões de diálogo ecuménico à corte mogol, por ter aprendido a língua persa e pelos seus escritos, austeridades, orações e sabedoria, o que lhe vai grangear a amizade de Akbar e dos seus próximos. Insistindo o imperador Akbar no seu desejo de participar numa missa, realizou-a o P. Aquaviva com grande fervor e lágrimas, mas Akbar no fim queixou-se-lhe um pouco amuado e alguma razão: "Comeu e bebeu, mas não me convidou". Uma pena, "a letra que mata o espírito", pois um ritual invocativo e mágico que, condensado num formulário litúrgico e canónico reservado a católicos, ainda que celebrado com a ardência mística de Aquaviva, não foi aberto e alargado à comunhão de nobres e espirituais almas, de outra religião...
O P. Bento Fernandes, de Borba, recebe a palma do martírio em 1633, em Nagasaki, a cidade erguida e administrada pelos jesuítas, com vinte anos de trabalho intenso e difícil de tentativas de converter, encaminhar ou estimular os japoneses nas vias cristãs. Barbosa de Machado noticiará na sua extensa e incontornável Biblioteca Lusitana a existência de um manuscrito seu na Biblioteca de Évora, de comentários ao Evangelho de S. Lucas.
Nasce em Nova Iorque Francisco Stuart de Figaniére, em 1827, filho do embaixador de Portugal na USA e de uma escocesa, e virá a ser um diplomata em vários países e autor duma das primeiras obras portuguesas com bastantes dados da sabedoria  da Índia, embora seguindo em parte as divulgações teosofistas da época, Mundo, Submundo e Supramundo, impressa na livraria Chardon no Porto, sem dúvida uma das mais ousadas incursões em tais níveis entre nós.  Recebeu o título de   Visconde em 1870. Foi  diplomata de Portugal em Inglaterra, Brasil e na sagrada Rússia. Viverá até 1908, desincarnando em Paris onde vivera os últimos anos, e deixará outras obras valiosas, de carácter histórico, bem como artigos em revistas estrangeiras e nacionais, tal como no Panorama.  Entre nós, o notável publicista Pinharanda Gomes traçou-lhe uma biografia.
                                        
Em Calcutá, em 1866, nasce Swami Abhedananda, discípulo de Ramakrishna e condiscípulo de Swami Vivekenananda, que o envia para a U.S.A, onde estará à frente da Missão Ramakrisna durante vinte e cinco anos. Deixou uma vasta obra de conferências e de ensaios. Dirá: "O dever da verdadeira religião é alargar a mente, abrir os olhos espirituais, conduzir a humanidade à realização da unidade com o supremo Pai no Céu, e reprimir todas as lutas sobre os dogmas e credos".
Mohandas Karamchand Gandhi, o apóstolo da não-violência (ahimsa), auto-subsistência (swadesh) e auto-governo (swaraj), o pai da Índia independente, nasce em 1869, em Porbandar, no Guzerate. Depois duma luta pioneira de anos pelos direitos humanos na África do Sul, regressa à terra-mãe em 1915, para participar num Congresso em Madras sendo acolhido entusiasticamente no discurso de Subbier Subramania Iyer, que enaltecerá a sua determinação e metodologia de não-violência, ahimsa. Além de líder humano e político, Gandhi viveu numa demanda espiritual exigente e transmitirá frequentemente ensinamentos valiosos, incendiando de aspiração libertadora e fraterna quem contactava com a sua grande alma: "A minha afirmação de ouvir a Voz de Deus não é uma asserção nova. Infelizmente não há maneira de a provar excepto através dos resultados. Deus não seria Deus se tivesse de ser um objecto de prova para as Suas criaturas... As diferenças de opinião não devem significar hostilidade. Se assim fosse, a minha mulher e eu seríamos inimigos jurados... Toda a verdadeira arte deve ajudar a alma a realizar o seu Eu interno". Guru Ranade foi um dos mestres e filósofos que escreveu sobre ele, tendo o místico e comparativista Jacques de Marquette traduzido a sua obra em francês.
                                       
 
3-X. Vasco da Gama, em 1502, na sua 2ª viagem à Índia, na qual se vinga, ou exerce a justiça reparadora, do que lhe fizeram na primeira, persegue e ataca uma nau de Calecut vinda de Meca e carregada de comerciantes, mulheres, crianças e grande riqueza. Já depois de saqueados e rendidos, imploraram piedade mas, como fora decidido pegar-lhe fogo, lutaram bravamente durante um dia até serem mortos, recolhendo-se apenas 20 crianças. Acerca deste brutal acto, o fraterno jornal Brado de Damão em 1898 lamentará «que D. Manuel, célebre pelas suas gigantescas aventuras marítimas, a ponto de converter em empório do mundo um microscópio tracto do extremo ocidente, que apenas continha um punhado de gente, não tivesse sabido cimentá-lo com os indestrutíveis elementos de humanidade, generosidade, liberdade...» Esta tragédia foi uma das que infelizmente ensombraram a expansão portuguesa no Oriente, geradora de violência sobre violência, sobretudo ao rivalizar com o poderio islâmico no domínio da economia de mercado livre que fluía no Oceano Índico. Actos escusados, mesmo em estado de guerra, eram frutos das tensões gerais que só por grandes seres poderiam ser manobradas correctamente. Pouco depois, Vasco da Gama fez outra mortandade e enviou-a sob a forma de presente para o Samorim de Calecut, «dizendo que aquela morte era piedosa comparada com a que guardava para os executores  do feitor Aires Correia» (segundo a narrativa do historiador Faria e Sousa). Na sua 3ª viagem para a Índia, tendo descoberto em Moçambique três mulheres no navio, mandou-as açoitar «porque com todas as suas forças havia de punir os maus, para que não crescessem os males que fazem os que não temem a Deus, que nunca em mim terão senão crueza e punição». Afonso de Albuquerque fez cortar narizes nas costas da Arábia e enforcar na verga da nau o capitão Rui Dias que namorara uma das prisioneiras mouras que ele queria enviar para a rainha. E muitos outros  praticaram crueldades, por vezes sem sequer qualquer motivo de justiça, tal como Domingos Mesquita, Pedro de Barreto, Duarte de Eça, ou que entraram em traições, assassínios. Mas, quando se insiste neste lado mais sombrio, deve-se relembrar que nos outros povos também medrava a ferocidade ou crueldade, e que houve muitos portugueses que viveram apenas em diálogo e amor. 
S. Francisco de Assis e Antero de Quental, que sentiu muita afinidade com o seu panteísmo...
 4-X. Em 1214, S. Francisco de Assis teria entrado em Portugal e estaria em Braga, Ponte de Lima e Bragança, segundo certas crónicas, algo lendárias. Ao longo dos séculos muitos irmãos franciscanos cruzarão as fronteiras das limitações, das inimizades e diferenças, tentando manifestar o Espírito santo em diálogo e simplicidade, paz e amor. No Oriente destacar-se-ão no princípio da expansão portuguesa, de tal modo que Jaime Cortesão considerou serem o espírito de Cavalaria e a fraternidade Franciscana os dois pilares do templo dos Descobrimentos. Com o tempo, o relaxamento e as rivalidades entre as ordens (nomeadamente no Japão com Jesuítas) diminuirão a pureza, desinteresse e abnegação da Ordem, e o culto flamejante amoroso do Espírito santo escapa-lhes de certo modo das almas e quase que se apagaria senão fossem alguns irmãos do Amor que, isolados e dispersos, atingiram e viviam a sua Unidade, Quanto povo português, na sua base mais genuína e pura, sempre franciscano, no sentido de comungante com a natureza, quase panteísta, fraterno, simples e dotado de grande fé e capacidade de dádiva, nas últimas décadas devido a entrada na União Europeia globalista e no mundo da informação manipulada tem dado graves sinais de estar já muito fracturado, alienado, e logo ignorante e violento.
                                      
Dr. Venkataratnam Naidu nasce neste dia em 1862 em Uttar Pradesh. Filho dum soldado recrutado pelo exército colonial inglês da casta inferior dos sudras, e que pelos códigos do hinduísmo não teria direito ao conhecimento das Escrituras, foi estudando contudo persa, árabe, urdu, sânscrito, inglês, dominando culturas e religiões até chegar a professor e a vice-chanceler da Universidade de Madras. Aderindo ao Brahmo Samaj de Rammohan Roy, tornou-se um dedicado pedagogo e reformador social ao que aliava uma vida espiritual mística e ecuménica. Lutou contra a prostituição sagrada, que nascia em grande parte da casta dos sudras, contra a intocabilidade de milhões de párias, contra o alcoolismo, contra os casamentos caros, e os infantis. Como experimentado pedagogo, conhecedor da importância da cultura e da moralidade, dirá: "A assunção básica da Cultura é que o interior do ser humano é uma mina de poderes misteriosos. O grande objectivo da verdadeira educação é pôr o ser humano na posse consciente destes poderes, dos quais o primeiro é a percepção, a capacidade de ver com uma mente investigadora". Depois, pela disciplina e o exercício, ele frutificará em discriminação, sabedoria e iluminação. "A Ética — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes temporais — elevar-se-á irresistivelmente em Espiritualidade — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes eternos". E dirá ainda: "A vida só se realiza e cumpre se é inspirada e ordenada pela adoração a Deus, que nasce da consciência de que o Universo é a emanação do Amor, da delícia (ananda) divina, do ser Supremo".

5-X. Luís de Almeida, cristão-novo, comerciante, cirurgião («entendia muito bem de cirurgia arrazoada latina») e capitão rico no Extremo Oriente, condoído com a pobreza e doença no Japão, vende tudo o que tem, põe-se a seguir Jesus, aprende a falar japonês, funda uma creche e um hospital em que introduz a medicina ocidental e a cirurgia no Japão, e onde dá aulas preparando assistentes japoneses. Curando muitos corpos, «tem conhecimento de ervas e de outras mezinhas com que os cura», converte também muitas almas como padre e jesuíta. Amigo de Fernão Mendes Pinto, deixou-nos uma importante História do Japão e belas cartas antes de arder em amor e febre e morrer neste dia em 1583, na casa do seu amigo dáimio D. João Amakusa Hisatane. Nas cidades de Oita, Hondo e Nagasaki encontram-se monumentos a ele, dizendo uma lápide da última martirizada cidade: "Luís de Almeida. Médico e Missionário. O Primeiro Português que chegou a Nagasaki.1567". Armando Martins Janeira escreverá bastante sobre ele nas suas valiosas obras O Impacte Português na Civilização Japonesa, e Figuras do Silêncio, que estudei já no blogue.

Nasce em Langres, Champagne, Denis Diderot (1713-1784), que fará uma notável carreira como escritor, pensador e filósofo, com muitos altos e baixos na vida, valendo-lhe em grande parte a imperatriz da Rússia, Catarina, a Grande que o nomeou bibliotecário por toda a  vida e lhe pagou dívidas, casas e ordenados fabulosos, permanecendo entre 1773 e 1774 cinco meses em S. Petersburgo em diálogos diários com ela. A sua maior produção foram as 7.000 entradas (das 70.000) para o Dicionário Enciclopédico, que co-fundou com Alembert, de  1751 a 1765, em 28 volumes, e que de algum modo fizeram avançar o racionalismo e prepararam a Revolução Francesa. Em 1973, o Dr. Manohar L. Sar Dessai, escreveu em francês no Boletim do Instituto Menezes de Bragança, um valioso artigo, L' Inde dans l'Enciclopédie Française, onde sumariza muito bem as referências nela à Índia, na sua maioria inexactas e frequentemente contraditórias, já que por exemplo, três autores, Chevalier de Jaucort, Diderot e o abade Mallet, escreveram sobre os Brâmanes de modo tão desencontrado que o leitor desprevenido pensará que há três tipos de brâmanes. Discernirá que «votado à acção prática e desconfiando de toda a contemplação estéril, Diderot atacou o quietismo das Índias. Assim não simula qualquer admiração pelo Gimnosofistas tão elogiados pelos Antigos. "Estes pretensamente sábios que se estavam sempre sobre só um pé, fitavam o sol dum olhar firme e imóvel desde o seu nascer até ao pôr, tinham os braços elevados toda a sua vida, olhavam incessantemente para a ponta do nariz e sentiam-se cheios do favor celeste sempre que se apercebiam uma pequena chama azul [Muito curioso, terem sabido dos fotismos no olho espiritual]", eis extravagâncias  completamente incríveis, exclama Diderot, e se foi assim que os brâmanes adquiriram o nome de sábios, só pode ser porque os povos que lhes deram estes nomes eram mais tolos que eles. Diderot deprecia também os Jogigueles e jnani jogis modernos que vivem  na solidão, que consideram o mundo como uma ilusão, o nada como o estado de perfeição, trabalhando da manhã à noite em se embrutecerem, a nada desejarem, a nada odiarem, a nada sentirem, e que depois de terem atingido este estado de estupidez completa, onde o presente, o passado e o futuro foram para eles aniquilados, consideram-se sábios, homens perfeitos. A conclusão tirada por Diderot é: "Onde quer que o homem saindo do seu estado se proponha  como modelo ser imortal, imóvel, impassível, inalterável, terá que descer abaixo do animal. Já que a natureza te fez homem, sê homem e não Deus."  Em relação aos sacerdotes do Deus Fo, os budistas (mas a que chama brachmanes), Diderot diz que "asseguram que o mundo é apenas uma ilusão, uma prestidigitação e que os corpos para existirem verdadeiramente devem cessar e confundirem-se com o nada, que pela sua simplicidade faz a perfeição a todos os seres. É o profundo adormecimento do espírito, a calma de todas as potências, a suspensão absoluta dos sentidos  que causa ou faz a perfeição».
                                        
O mestre Ramalinga nasce neste 5 de Outubro 1823, num Domingo,  em Chidambaram, Índia. Não ensinado, ele ensinou sabedoria. Por processos de meditação, nomeadamente numa chama em frente ao espelho, e por uma vida austera e abnegada, acendeu o seu génio a uma fulgurância tal que milhares adoravam com ele a Graça Divina no Templo da Luz, em Valadur, cantando o mantra "Viva a Luz da Graça Suprema, Viva a Compaixão". Reformador social, criticou as diferenças de castas e religiões e intensificou em muitos a tomada de consciência da Unidade amorosa e beatífica Divina. Em 1874, conforme anunciara ou prevera despediu-se dos discípulos, dizendo que fechando-se num quarto desapareceria. E assim sucedeu, ficando um mistério a sua desincaranção, embora ele os sossegasse que voltaria a incarnar na terra, num corpo ainda de maior luz. Entre os que escreveram sobre ele destacarei o Kavi Yoga Shuddhananda Bharati, no ashram de quem estive alguns meses em Madras, e me iniciou, realçando no  livrinho que lhe dedicou as suas realizações e e quarenta ensinamentos espirituais. Eis o décimo: «Contempla o espírito interno! Através da acção, da palavra e do dinheiro ajuda os outros. Saúde [aclama ou invoca] a glória Divina. Reflecte acerca da Verdade de Atman, o espírito. Confessa as tuas falhas e fraquezas diante da Divindade e ora. Assim será a matéria purificada.» 
Helena Roerich, em S. Petersburg, a mulher de Nicholai Roerich, mestra do ensinamento da Ética Viva e dos livros do Agni Yoga, que terá recebido inspiradoramente de um mestre nos planos espirituais, Morya, desincarna neste dia 5 de Outubro de 1955, com 76 anos, em Kalimpong, Índia, deixando uma obra notável, que tem vindo ser publicada gradualmente, nomeadamente cartas e registos diários, e que gerou milhares de grupos ligados a ela, sobretudo na Rússia, como nos podemos aperceber no Vk.com, a valiosa rede social russa.  O seu filho, Svetoslav, arqueológo, ensaísta e fabuloso pintor, numa entrevista deu alguns traços como a sua mãe, tal este: «Helena Ivanovna era uma personalidade absolutamente excepcional. Desde muito jovem, ela  tinhajá uma ideia clara do que gostaria de [alcançar] na vida. Era dotada de muitas [propriedades que] hoje  ainda chamamos de "sobrenaturais", como clarividência e clariaudiência, que eram muito desenvolvidas nela. Desde o início, ela teve uma direção bastante organizada na vida. Nisso, ela foi, sem dúvida, uma assistente notável de Nikolai Konstantinovich Roerich. Como vimos, foi a combinação perfeita. Absolutamente. Não poderia ser melhor do que isso. E nisto também havia uma direção absolutamente clara. Talvez [tenha sido determinado] por aquelas forças [ou seres] superiores que decidem [ou influenciam] os destinos da humanidade.»
6-X. O P. Mateus Ricci nasce em Macerata, Itália, em 1552, de família nobre. Estudos bem desenvolvidos no colégio de Roma, a passagem dum missionário autêntico (em 1576) e o português Martinho da Silva, despertam-no para tal vocação, chegando a Lisboa em 1577, donde parte com Miguel Ruggieri e Duarte Sande para Goa em 1578. Em 1582 está em Macau e começa a missão da sua vida: a introdução do Cristianismo e da cultura ocidental na China, o que consegue graças à receptividade sábia de alguns letrados, mandarins e povo e à sua extraordinária inteligência, memória e disponibilidade. A sua douta adaptação do cristianismo às tradições chinesas, que lhe abriu as portas internas, encontrará as maiores resistências no papado e em certos frades e clérigos, sobretudo já no século XVIII, que acabarão por enfraquecer o seu trabalho pioneiro.
Regressa ao mundo espiritual, em 1646, em Goa, Frei Diogo de Santa Ana, que andara na Pérsia em debates teológicos, animado pela estima do Châh Abbâs, tendo convertido ainda o patriarca da Arménia e alguns dos seus bispos. Deixou uma relação manuscrita autobiográfica intitulada Do Tocante ao que o Padre Servo Sem Proveito fez, em o Reino da Pérsia, Com a Divina Graça, editada em 1972 por Roberto Gulbenkian. Nomeado confessor e administrador do Convento das Mónicas em Goa, opor-se-á com o bispo Frei Miguel Rangel às medidas que o vice-rei conde de Linhares e a câmara de Goa pretendiam de limitação do poder temporal do convento: as mulheres recebidas no convento eram escolhidas das mais ricas de Goa por Frei Diogo, que emprestava depois dinheiro a juros de 10%. A questão será noticiada para Lisboa que determinará uma série de medidas de restrição das riquezas das ordens religiosas nas partes do Estado «tão consumidas que não há nelas quem tenha cabedal para armar um navio à sua custa». Pouco depois do conde de Linhares partir para Lisboa, com um rol de acusações de que se justificará no Conselho de Estado em 1635, o convento das Mónicas é palco do famoso milagre da imagem de Jesus que, de tosca, movendo-se, chorando e sangrando, se torna perfeita, sendo Frei Diogo autor duma uma Relação sobre o caso. Depois arde o convento, mas voltará a ser reconstruído e ainda hoje está vivo e firme,  perto da impressionante ruína duma torre de grande altura, o que resta da igreja do Convento de S. Agostinho.
Potala, a fortaleza espiritual dos Dali Lama, em Lhasa, numa pintura de Nicholai Roerich.
7-X. Sete dias depois do ministro chinês Chu-En-Lai declarar que o Tibete deve ser libertado, as forças chinesas invadem o Tibete, neste dia em 1950, «para libertar os três milhões de tibetanos da opressão imperialista e assegurar as defesas nacionais da fronteira ocidental da China». Inicia-se uma violação sistemática dos direitos e liberdades fundamentais dos tibetanos, com graves perdas do património humano e artístico (mais de três mil mosteiros destruídos e de milhares de mortos). Já no século XXI tem havido mudanças na  ideologia do governo chineses de modo que as  suas próprias tradições de sabedoria taoísta, confucionista, budista e tibetana, e mesmo a do cristianismo, já não  limitadas pela superestrutura gelada do materialismo agnóstico, desabrochem  numa autonomia digna para todas as minorias englobadas no gigantesco país, cada vez mais forte e entrosado planetáriamente pela sua fabula produção-exportação e pela inserção no tão promissor e necessário BRICS, que em  luta grande vai tentando não se deixar destruir pelo capitalismo globalista unilateral Ocidental.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Inícios do naturismo em Portugal: João Bastos, "Saúde e longevidade", harmonia e felicidade. Crítica das "oligarquias cegas e da insensatez da alimentação".1907

                                                          

     Entre os livros dos começos do naturismo e vegetarianismo em Portugal, da 1ª década do séc. XX,  um com bastantes ideias ousadas é A Saúde pela longevidade (um grito de alarme), de J. [oão] Bastos.  Publicado em 1907, num in-4º de 101 páginas, que tenho nas mãos num exemplar encadernado editorialmente  em tela verde, com as letras gravadas a ouro e que contém na folha da guarda, num reclame de papel: Livraria e Papelaria de Soares & Matheus. Rua Augusta, 178, Lisboa. A obra fora impressa numa das zonas ligadas à tipografia lisboeta, a rua de S. Paulo, 216 na Typografia A Liberal, de César Correia. 
                                
Na 1ª folha branca, vemos numa bela letra a dedicatória, não datada, do autor "À Benemérita Sociedade Vegetariana de Portugal", fundada pelo dr. Amílcar de Sousa, em 1911, com este espaço de quatro anos de permeio indiciando o seu pioneirismo.
                     
 João Bastos, no seu amor pela verdade e a saúde, e com a sua sensibilidade, inteligência e conhecimentos,  diz o que pensa sem receios, criticando tudo o que lhe parece um defeito social, o que lhe parece estar em desequilíbrio, tentando esclarecer, corrigir e gerar a saúde já que esta leva à felicidade da longevidade. A sua moral é conservadora, em alguns aspectos algo intolerante face a tendências mais ou menos erradas da sociedade moderna, mas noutros brilha pela simplicidade e naturalidade, pela experiência e conhecimento. 
O livro abre com a dedicatória às filhas, na "idade dos verdes anos"  mas desejando que "desfeita a primavera da vida" elas venham a poder "compreendê-lo integralmente. Então, enleadas d'alma como eu o estou hoje no seu benéfico intuito social, não vos canseis de o ler muitas vezes e sempre aos maridos, aos filhos, aos netos, e, por festas tradicionais de família, não vos esqueçais de brindar com ele as vossas melhores amigas". E conclui, imortalizando as filhas como discipulas instrutoras, pedindo: "filhas boas e generosas de sempre, compensai-me, como prémio de gratidão em vida ou culto de memória na morte, apontando  e explicando os trechos mal alinhavados deste livrinho, livrinho que no pleno uso da minha razão vos testo e na maior expansão do meu amor vos dedico."
As teses principais do livro são a degenerescência, e que já vem de longe, da saúde das pessoas, a qual é bem estar do corpo e do espírito, este «encarando alegre, despreocupado, verdadeiramente feliz as muitas dificuldades da vida». A observância dos princípios higiénicos, tal a sobriedade, o exercício das forças, em vez dos «péssimos costumes sociais», alimentares, educativos, pois poderemos sair da situação, que ele regista como olisiponense: «Lamúria constante! Lágrimas e dores.! / Por vezes esta bela cidade de Lisboa, que devia predispor-nos à alegria, dá-nos a ideia de um grande hospital que nos imprime tristeza parecendo enedémica, e se transmite de uns aos outros, fazendo-nos sofrer. É sempre assunto a doença após a saudação habitual.»
Critica tanto as classes dirigentes como "o rústico e o proletariado" pelos vícios e a desorientação política e moral que vão contraindo nas sociedade moderna e particularmente nas cidades.
A recíproca influência da mente e do corpo, apontada frequentemente: «O spleen, a susceptibilidade, o frenesi, a nervosidade, a muita alegria ou, a muita tristeza, o egoísmo feroz, a avareza, em suma, a manifesta indisposição a sentimentos de generosidade e de altruísmo são efeitos mórbidos de um organismo defeituoso.»
Sobre o amor constata que "em geral não se casa por amor, por esse nobilíssimo sentimento, que une indissoluvelmente, para sempre, duas almas numa, não! (...) e que é necessário que ele entre em quantidade compensadora nos casamentos."
"Se o amor, como lá disse o poeta, é um engano ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito, eu, parafraseando, estou em dizer, que se o amor implicando paixão é um mal do coração que vibra e favorece todos os sentimentos, permitindo que esses idolatrados nivelem, igualem ou disfarcem génios diferentes, atavismos hereditários, defeitos físicos e morais, e assim realizem ainda problematicamente o seu maior anseio de felicidade com o acto natural da vida – o que não será o casamento inconsciente, frio de afectos próprios, ignorante de outros sentimentos leais e nobres, os olhos vendados, em que a parte mais frágil, a mulher, é sempre enganada, e a outra, o homem, a enganadora, quando não ambas enganadoras e enganadas?
É ver como tantos lares são aparentemente felizes; é observar como tantos outros são verdadeiramente desgraçados.
É ver como raros mantém equilibrada, essa ventura suprema, - o amor."
Este primeiro capítulo do seu tão actual livro, e que explica o seu sub-título, finaliza assim: «Do progresso e da civilização tem derivado o predomínio de oligarquias cegas, a torpeza da especulação, a febre do luxo, a insensatez da alimentação; vício, vaidades, orgulhos, ambições, que nos obcecam, adoentam e matam.
Estamos todos doentes! É a verdade. Não há saúde. E isto não me cansarei de repetir, qual grito de alarme, para que todos atentem, profundamente, nas minhas mal esboçadas considerações.
Do II capítulo sobre a alimentação, respiguemos um trecho substancial.
"Não vou, sobre o assunto da alimentação , embrenhar-me em minuciosidade cientificas, já tão debatidas pelos profissionais. Seria ingenuidade da minha parte. Fácil seria trasladar para aqui as opiniões dos tratadistas, ou quando menos, citar muitos dos seus nomes, de provada reputação.
Nem isso. Cada um que escolha o autor da sua mais predilecta simpatia, aquele que mais que lhe fale aos espíritos e ao sentido.
Aqui só exponho generalidades que possam ser profundadas, se nenhum intuito de formar compêndio em de fazer literatura; e, para que o sejam, é que pretendo chamar a atenção para os meus raciocínios, apenas filhos da observação e da experiência.
Assim prosseguindo, dou de baratos que os nossos profissionais não iniciem e não cultivem especialmente os tratamentos naturais pela alimentação, pela água, pelo ar ou pela luz, etc,, hoje já tão espalhados e preconizados nos países mais cultos. É aceitável.
Obcecados pelo ensino das nossas escolas retrogradas e das nossas universidades dogmáticas, eles, no seu natural interesse e até na sua louvável irresponsabilidade, tratam de cingir-se ao que da ciência lhe foi materialmente, sistematicamente, incutido no espírito [ou melhor, mente] 
É certo que, para honra e benefício do nosso Portugal e de outros idênticos países, não poucos reagem conseguindo destacar-se: nomes prestigiosos poderia citar. Mas o meio social comezinho e perverso, logo pretende aniquilá-los, segurando-os ao pelourinho do escárneo se proclamam ciência novas; atirando-os para o fundo das prisões e até à morte se proclamam ateando o facho da verdade e da justiça...
E assim aconteceu a Cicero, o grande orador da antiguidade, a quem queimaram vivo; assim aconteceu - para não referir muito nomes de somenos brilho histórico - a Cristo, o doce nazareno, que o crucificaram numa cruz! Este, o sublime anarquista (anarquista, teórica palavra que se deturpa e não se define) para no fim de tempos lhe darem plena razão, e o levantarem, por séculos fora até aos nossos dias, numa adoração mundial! E não colhem estes grandes exemplos!»
E depois de verberar a adulteração dos alimentos, tal do vinho, leite e pão, exclama: «A alimentação que ingerimos é um envenenamento de todos os dias, todas as horas.
A alimentação que somos obrigados a ingerir, é uma mixórdia que produz mau sangue e, como todos sabem, o sangue é a seiva do corpo.  
É a vida.
Se não é bom, se é mal confecionado, pouco ou demasiado, circula irregular e pobremente na nossa economia, alterando ainda que inapercebidamente as suas naturais funções e deformando os órgãos por onde passa.
O homem segundo as melhores averiguações práticas e científicas, pela configuração do seu estomago e da sua dentadura, pelo complexo delicadíssimo da sua estrutura, da qualidade e da quantidade do sangue, - é um frugívoro devendo portanto alimentar-se de frutos, vegetais, tubérculos, raizes e, quanto muito, de cereais. E só devia beber a água límpida das fonte.
As necessidades crescentes da humanidade é que obrigaram o homem a valer-se da alimentação carnívora e de outros tantos produtos nocivos."
Nos capítulos seguintes aborda com observações muito pertinentes a Escola, os Costumes, os Remédios, o Relato ( autobiográfico, em que relata a sua mudança de regime aos 49 anos, uns anos antes de publicar o livro), e por fim a Conclusão, onde manifesta a sua confiança nos que saberão como ele "empunhar a verdadeira arma de combate de alcance certo e decisivo: o cultivo da saúde que é o da feliz Longevidade."
Acrescentemos que este exemplar, na sua 1ª edição desconhecido do grande catálogo nacional Porbase,  e que foi oferecido graciosamente à Sociedade Vegetariana de Portugal, isto é, ao dr. Amílcar de Sousa, o seu fundador em 1911, foi reeditado em Agosto de 1912 pela Editora da Sociedade Vegetariana, com um prefácio do pioneiro médico, tendo mesmo em 1913 recebido uma 3ª edição, tal o sucesso no meio portuense e nortenho, então muito forte na aspiração à Harmonia pelos meios naturais. 
Constituía o VIII volume da Biblioteca Vegetariana e era assim publicitado: «Análise dos erros da vida humana civilizada. A saúde, a alimentação, a escola, os remédios e algumas curas relatadas com superior critério e verdade.» Anote-se que o IX volume era o do iminente pensador Jaime de Magalhães Lima, O Vegetarianismo e a Moralidade das Raças.
 João Bastos passou a publicar tanto na revista O Vegetariano, como no Almanaque Vegetariano Ilustrado de Portugal e Brazil, nomeadamente nos anos de 1914 e 1915.
Daremos conta desse prefácio do dr. Amílcar de Sousa e de mais alguns ensinamentos de João Bastos, a que acrescentamos agora a sua fotografia partilhada na 2ª edição da Saúde e Longevidade. 
Muita luz e amor nas almas de João Bastos e Amílcar de Sousa e suas famílias.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Учения Бориса Н. Абрамов, Грани Агни Йоги. О тонких энергиях, мастере и духовном мире. Ensinamentos de Boris N. Abramov, Facetas do Agni Yoga. Das energias subtis, do mestre e do mundo espiritual.


Ценный отрывок из учений Бориса Николаевича Абрамова, моряка, химика, профессора, эзотерика и художника (1897-1972), переданных в серии книг "Грани Агни Йоги". Борис был учеником и корреспондентом Николая и Елены Рерих и здесь говорит нам о психической энергии, необходимости самопознания, самоконтроля, сознания духовного тела, излучения огня сердца и стремлении к мастеру, Божеству, Бесконечному. Его Фасеты Агни Йоги теперь онлайн. Поделитесь через Vk.com, Елена Левинтова...

1233. От Б. Н. Абрамова. В мире земном всё начинается, и в Надземном – продолжается, оттого начинать нужно здесь, Там уже поздно. Пластичная материя и энергия иноматериальных сфер созвучны всему, что присуще сущности человека, его духу и привычному настрою мысли. Что при земной жизни сильнее всего звучало, в Тонком мире обретает особую силу и не позволяет приблизиться ни к чему иному. Потому на земле исключительно важно освободиться от всего, чему Там не должно быть места. Дурные привычки следует полностью изжить. Желательно достичь победы и власти над всеми внутренними ощущениями и чувствами, чем достигается независимость и от внешних явлений. Поскольку всё в иноматериальных сферах движется мыслью, ею и надо овладеть в достаточной степени и научиться мыслить ясносияюще. Освободившись от всех бесконтрольных камических проявлений, сознание ставит мыслям границы возможностей самовыражения. Так как в Тонком мире человек пожинает то, что сеял сознательно или бессознательно в земном, каждая мысль потребует отчёта. Зачем же брать с собой мысли вредные, которые могут оказаться хуже ядовитых змей за пазухой? Ведь Там это – видимая реальность, от которой никуда не уйти. Так что все свои силы надо направлять к формированию сияющей ауры и утверждаться на чистоте мышления. Связь с Учителем и постоянные мысли о Нём – лучшая помощь, ибо Он и Шлёт овладение ими. Чтобы человеку стать властелином своего микрокосма, огни его сердца должны пылать, сжигая ненужную ветошь. А также и элементы, полезные для всех миров и состояний, должны накапливаться. Это может происходить при единении с Владыкой и чётком исполнении Его Наставлений.

Valioso extracto dos ensinamentos de Boris Nicolayevich Abramov, marinheiro,  quiímico, professor, esoterista e pintor (1897-1972), transmitidos na série dos livros Facetas do Agni Yoga. Boris  foi um discípulo e correspondente de Nicholai e Helena Roerich e fala-nos aqui da energia psíquica, da necessidade de auto-conhecimento, auto-controle, consciência do corpo espiritual, irradiação do fogo do coração, e da aspiração ao mestre, à Divindade, ao Infinito. As suas Facetas do Agni Yoga então online. Partilha, através do Vk.com, de Elena Levintova...


De B. N. Abramov. 1233.  «No mundo terreno tudo começa, e no Além – continua, por isso é preciso começar aqui, pois lá já é tarde. 
A matéria plástica e a energia das esferas imateriais ressoam com tudo o que é inerente à essência do ser humano, ao seu espírito e ao seu habitual estado de pensamento. 
O que mais ressoava durante a vida terrena, no Mundo Subtil adquire uma força especial e não permite a aproximação de nada diferente. Por isso, na Terra, é extremamente importante livrar-se de tudo o que não deve ter lugar lá. Hábitos ruins devem ser completamente erradicados. É desejável alcançar a vitória e o domínio sobre todas as sensações e sentimentos internos, com o que se alcança a independência também em relação aos fenômenos externos. 
Como tudo nas esferas imateriais se move pelo pensamento, é necessário dominá-lo em grau suficiente e aprender a pensar de forma clara e luminosa. Libertando-se de todas as manifestações caóticas incontroláveis, a consciência impõe limites às possibilidades de autoexpressão dos pensamentos. 
Como no Mundo Sutil, onde a pessoa colhe o que semeou conscientemente ou inconscientemente na Terra, cada pensamento exigirá prestação de contas. Por que levar consigo pensamentos prejudiciais, que podem ser piores que cobras venenosas escondidas no bolso? 
Pois lá isso é uma realidade visível, da qual não se pode escapar. Portanto, todas as suas forças devem ser direcionadas para a formação de uma aura radiante e para a afirmação na pureza do pensamento. A conexão com o Mestre e os pensamentos constantes sobre Ele são a melhor ajuda, pois Ele envia a maestria sobre eles. Para que uma pessoa se torne a governante de seu microcosmo, as chamas de seu coração devem arder, queimando os trapos desnecessários. E também os elementos úteis para todos os mundos e estados [de existência do ser] devem ser acumulados. Isso pode acontecer na união com o Mestre e na execução clara de Seus Ensinamentos.»

sábado, 26 de setembro de 2026

Alexandre Dugin: "La disgenia (declínio social) y la política: la Democracia de las minorías". As concorridas eleições na Rússia consolidam Putin. Entrevista por Alexei Krasilnikov, no programa Escalada, de 24.9.26.

Nestes tempos de crescente autoritarismo senão mesmo ditadura das minorias governamentais ocidentais, subjugadas, corrompidas e ao serviço das ideologias infrahumanizantes do Fórum Económico Social, do sionismo israelita e do imperialismo norte-americano,é bom escutarmos um dos resistentes e melhores analistas e metafísicos, Alexandre Dugin, comentar por dentro as eleições na Rússia e na Alemanha bem como a mudança do paradigma da democracia sã para um abastardamento ou degeneração de quem conta, governa ou é modelo...




«La disgenia y la política: la democracia de las minorías (Escalada): ¿en qué llamaría usted la atención —quizás no tanto en las cifras de los partidos (aún solo se ha contado alrededor del 5 % de las boletas), sino en los momentos clave que acompañaron estos tres días y la votación anticipada previa con urnas móviles?

Traducción de Juan Gabriel Caro Rivera

Presentador (Alexei Krasilnikov): Según los datos que acaba de dar a conocer María Romanova en las noticias, la participación fue del 59 %, mientras que en la votación en línea alcanzó casi el 91 %. Según Ella Pamfilova, «Rusia Unida» obtiene el 57,83 % y lidera en 208 distritos uninominales; se pronostican 355 escaños. El Partido Comunista de la Federación Rusa (KPRF) tiene el 13,81 %, y el Partido Liberal Democrático de Rusia (LDPR), casi el 9 % (por cierto, un aumento notable: en las últimas elecciones, con Vladímir Zhirinovski, el porcentaje fue aproximadamente un 1,5 % más bajo). «Gente Nueva» tiene el 7,96 %. «Rusia Justa» aún no alcanza el umbral, le faltan centésimas de porcentaje. Esperamos los resultados definitivos tras el recuento de todas las boletas; estos datos corresponden al 95,18 % escrutado. [Os resultados finais foram: para a Rússia Unida, 59% e 349 lugares, mais 6 do que da última vez. Partido Comunista, 37. Partido Democrático Liberal, 23. Novo Povo, 19. Rússia Justa, 17. Anote-se que 46 dos eleitos são veteranos da guerra actual. 

Analizaremos todo en detalle: tanto el contenido como la forma, y el contexto en torno a estos días de votación.

También echaremos un vistazo a Alemania: allí se celebraron elecciones regionales, de las que podría depender, entre otras cosas, el futuro del canciller Merz. Su partido —la CDU, la Unión Demócrata Cristiana— está teniendo, por decirlo suavemente, un desempeño desfavorable, perdiendo en algunos lugares frente a la AfD («Alternativa para Alemania», en alemán: Alternative für Deutschland) y en otros frente a la izquierda; en algunos estados federados ni siquiera supera la barrera electoral del 5 % necesaria y no logra entrar al parlamento regional.

Por ahora, se trata solo de elecciones en unos pocos estados, pero es interesante comprender qué consecuencias puede acarrear esta situación. Por un lado, las derrotas de Merz se han vuelto habituales y sus índices de apoyo son bajos; a modo de comparación, hace unos meses, al cumplirse un año de su mandato, eran notablemente más bajos que los de sus predecesores, al menos que los de Merkel y Scholz. Por otro lado, el canciller se elige tras los resultados de las elecciones federales y aún falta mucho para ellas, por lo que, formalmente, hay pocos motivos para alarmarse. Y, sin embargo, esto es, como mínimo, una señal de alerta: en el Reino Unido y en Alemania, no es raro que el jefe de Estado renuncie incluso entre campañas federales.

Hoy hablaremos tanto de la inteligencia artificial como de Donald Trump, pero un poco más adelante.

Aleksandr Guélievich [Dugin], ¿en qué llamaría usted la atención —quizás no tanto en las cifras de los partidos (aún solo se ha contado alrededor del 5 % de las boletas), sino en los momentos clave que acompañaron estos tres días y la votación anticipada previa con urnas móviles?

Aleksandr Duguin: El contexto en el que se llevaron a cabo las elecciones fue verdaderamente heroico. La última noche antes del domingo, el régimen de Kiev lanzó un ataque masivo: se lanzaron más de mil drones contra Rusia y, según Pamfilova, se dañaron 76 centros de votación. Ucrania y el Occidente que la apoya intentaron sabotear las elecciones: hacerlas imposibles, caóticas, ilegítimas, lograr que simplemente no se llevaran a cabo. No lo lograron, y eso es muy importante. Llevamos a cabo las elecciones con orden, energía y unidad, demostrando el espíritu, la organización y la disciplina tanto de la gente como del Estado y de la administración. En mi opinión, se trata de una victoria pequeña, pero significativa, en esa guerra moral que libramos contra Occidente y el régimen nazi de Kiev.

Ahora, sobre los resultados. Aquí vale la pena recordar la acertada publicación de Alexei Chadaev. Hoy en día, a muchos les resulta difícil comentar las elecciones: todos los partidos participantes son patriotas, todos apoyan al presidente y a la Operación Militar Especial, y todos están de acuerdo en las cuestiones fundamentales de la política estatal y la visión del mundo. Chadaev es una de las figuras más destacadas de nuestro desarrollo en el ámbito de los sistemas no tripulados, un ingeniero que estuvo en los orígenes de la creación de una poderosa red de sistemas no tripulados y, además, en mi opinión, un politólogo muy talentoso. Él señaló algo importante: la gente vota por «Rusia Unida» porque en su mismo nombre se insinúa la ausencia de afiliación partidista y la falta de democracia parlamentaria.

La idea es que Rusia debe estar unida y la fragmentación del sistema político en facciones, grupos y partidos, en esencia, divide, mientras que «Rusia Unida» propone unir. Es un partido que, en esencia, propone dejar de lado la democracia representativa y liberal de tipo occidental y buscar el camino hacia la verdadera democracia rusa, donde la unidad es lo primero. Esto es diametralmente opuesto a la teoría de la democracia liberal occidental de la Época Moderna, según la cual cuanto más fuerte es la separación de poderes —ejecutivo, legislativo y judicial—, y cuanto más se limitan entre sí, mejor.

No creo que los votantes se adentren en el programa de «Rusia Unida». La cuestión está en el nombre mismo y en que el partido apoya abiertamente a Putin y a la Operación Militar Especial. Su quinteto principal también resultó ser simbólico: Lavrov, el héroe de la Operación Militar Especial Vladislav Golovin; la comisionada presidencial para los derechos del niño, María Lvova-Belova; y el corresponsal militar Evgeni Poddubniy; es decir, personas con las que el pueblo se identifica. Es un partido solidario con el Estado y con su líder y en él hay algo que trasciende los partidos, algo suprapartidista, que es la garantía de una nueva forma democrática. La democracia rusa no se basa en la división ni en la fragmentación, sino en la unidad. Y la gente debe hacer llegar sus diferentes opiniones, sus propios juicios y matices a las autoridades y a la sociedad por otros medios, no a través de debates parlamentarios. Por eso, nuestro parlamento no es un lugar para debates: gana un solo partido, denominado principal, y eso es totalmente democrático, pues es precisamente lo que quiere la gente. Nosotros, los rusos, queremos que en el parlamento dejen de hablar de temas sin importancia. La Duma no es un circo de bufones; es un lugar donde hay que pensar y ayudar al gobierno a llevar a cabo su agenda. En esencia, los diputados son asesores, y hay que elegir a personas inteligentes para ese cargo, porque no todos son capaces de pensar.

Esto es lo que aportamos a nuestra democracia: para ser sinceros, la vemos sin partidos. «Rusia Unida» es un compromiso entre los vestigios occidentales incorporados a la Constitución en 1990 (huella de nuestro occidentalismo y nuestra tendencia liberal globalista) y la Rusia del futuro, donde todo será uno: los pueblos, las confesiones tradicionales, el pueblo y el Estado. Y hay que reflexionar profundamente sobre el lugar que ocupan la diversidad y la pluralidad de opiniones; pues, como se dice incluso en el cristianismo, «es bueno que haya diversidad de opiniones entre ustedes». Expresen sus puntos de vista, argumenten; para ello hay que encontrar espacios de intercambio real de opiniones —pero claramente no el parlamento—. «Parlamento» —del francés parler…

Presentador: …hablar. Y en nuestro país, la Duma proviene de la palabra «pensar». Recuerden que en su momento también le cambiaron el nombre a «discusión».

Aleksandr Duguin: Exacto. Es mejor pensar primero y luego hablar, y no al revés. En nuestro país, primero está la Duma y ya después el parlamento, «parler».

Presentador: Aquí vale la pena aclarar: los partidos que, según datos preliminares, ingresan a la Duma Estatal también apoyan la Operación Militar Especial, así que no se trata solo de «Rusia Unida». En cuanto a la participación: casi el 60 % (preliminarmente, el 59 %) es significativamente más alta que en las últimas elecciones a la Duma y se acerca a la de las presidenciales. Es decir, el votante está motivado políticamente: es consciente de que hay que votar independientemente del nivel de las elecciones y de la fuerza política, incluso cuando por todos lados insisten en que eso no influirá en nada. Un dato curioso es el aumento de la participación electoral, el deseo de expresarse y de cumplir con el deber cívico.

Aleksandr Duguin: Hay una guerra en curso, y en estas circunstancias, el voto récord a favor del presidente se convierte en un voto a favor de su parlamento, sus partidos y su sistema político. Nos atacan y nos matan; intentan privarnos por la fuerza de la posibilidad de apoyar al presidente y vencer, incluso en aquellas batallas sociales que libramos en aras de la consolidación. Por eso vamos a votar: demostramos que no nos dejan intimidar, que apoyamos el rumbo del presidente y que el presidente no está solo —detrás de él están todos los partidos y detrás de los partidos, todo el pueblo.

Presentador: Desde hace ya varios años, la participación electoral se ha convertido casi en el único indicador clave que se sigue y por el cual se hace campaña principalmente; en cambio, quién vota por quién, eso ya es otra cuestión. Alexander Guélievich ha destacado acertadamente que no siempre es posible familiarizarse con los programas, y esta es una idea que vale la pena tener en cuenta. Las normas democráticas que se imponen como las únicas posibles no siempre funcionan en todas partes; basta con mirar a los países donde los intentos de imponer una fórmula democrática general no han tenido éxito. Cada país tiene su propio camino y el modelo debe adaptarse; por eso, el llamado a acudir ante todo a las elecciones se vuelve cada vez más comprensible y aceptado por quienes participan en ellas.

Aleksandr Duguin: Así es precisamente como hay que interpretar la alta participación y el alto índice de popularidad de «Rusia Unida»: se trata, en cierto sentido, de un referéndum —no «a favor de unos u otros», sino en apoyo al rumbo del presidente y del Estado—. Las relaciones entre el pueblo y el Estado son complejas y no lineales; así ha sido a lo largo de toda nuestra historia y en cualquier sociedad. Durante una guerra —justa, patriótica, popular— esto se manifiesta de manera especialmente clara. Los instrumentos de consenso entre el pueblo y el Estado pueden ser diversos: encuestas de opinión, mítines, manifestaciones o incluso elecciones. Y estas elecciones se diferencian de las anteriores: reflejan el estado de una sociedad que apoya el rumbo hacia la victoria.

Hay quienes, al tomar la boleta electoral, razonan así: «A estos los reconozco, aquel dijo algo gracioso, este es bueno». Pero los sectores más profundos votan con el corazón, sin dudar, y eligen a «Rusia Unida», porque es el partido de Putin. Votar por ese partido es, en esencia, votar por la transición de una democracia liberal simulada a una verdadera democracia zemskaya (comuna) rusa. Se suele pensar lo contrario: como si a «Rusia Unida» se le votara de manera menos consciente, por mandato ajeno. En mi opinión, es exactamente lo contrario: la gente vota según lo que siente. Es una elección existencial, y no importa tanto quiénes sean estas personas; lo importante es que se trata de un voto a favor del rumbo y la estrategia del Estado y, en tiempos de guerra, sin duda, a favor de la victoria.

Presentador: Agregaré que cada uno tomó por sí mismo la decisión de a quién votar. Y el mero hecho de que las elecciones se llevaran a cabo en medio de una grave amenaza física es revelador: solo en la región de Moscú, el sábado se derribaron 1 600 drones en todas las fronteras. Acudir al centro de votación en tal contexto significa demostrar una mayor fortaleza interior. Pamfilova habla de los ataques, que parecen haber sido deliberados, de drones de las Fuerzas Armadas de Ucrania contra los vehículos de los miembros de las comisiones electorales, en particular en la región de Bryansk; en varias regiones se produjeron incluso tragedias con víctimas mortales. Este también es un momento que nos involucra y nos une. Esperamos las cifras definitivas, pero mientras tanto, nos quedan unos tres minutos para hacer un resumen.

Aleksandr Duguin: Esta vez hubo muchísimas, de lo más variadas: se les dio la oportunidad de expresar su postura a personas con todo tipo de limitaciones. Si hablamos del cumplimiento formal de las normas de la democracia occidental, estas se respetaron. Otra cosa es que estas mismas normas, desde mi punto de vista, no son en absoluto la verdad última. La verdad última es Dios; es lo que dicen la religión, la revelación, la Iglesia y la tradición. La democracia no es sagrada ni constituye un valor sagrado. Pero nuestro pueblo, especialmente en condiciones de guerra, la convierte en algo más: en una forma de expresar una postura existencial, literalmente en condiciones heroicas. Natalia Sanaykhina, miembro de la comisión electoral n.º 1283 en las afueras de Moscú, resultó herida en un ataque con drones, pero aun así acudió a cumplir con su deber. Para muchos, esto se convirtió en una prueba. Tomamos un procedimiento electoral bastante cuestionable, en el que no hay nada verdaderamente ruso ni sagrado, y lo convertimos en algo diferente. Los rusos sabemos hacer esto: tomamos algo de otros y lo estropeamos, pero otras cosas, por el contrario, las mejoramos. Esta votación fue correcta, y estas elecciones fueron realmente más que unas simples elecciones.

Presentador: Y para concluir, una comparación con las elecciones estadounidenses. Usted señaló acertadamente que hubo muchas oportunidades para votar, tanto de manera anticipada como a distancia; nuestros colegas de Khabarovsk y San Petersburgo contaron cómo entregaban las boletas: en algunos casos con drones, en otros con la cuchara de una excavadora. Y me viene a la mente la imagen de las elecciones estadounidenses, donde una persona simplemente llega, se identifica y vota sin pasaporte ni documento de identidad; así votaron también muchos extranjeros. Esos requisitos de transparencia y rigor que se pueden exigir a unas elecciones, en nuestro caso realmente se cumplieron.

Alexander Guélievich, el fin de semana no solo quedó marcado por las elecciones rusas. En Alemania se vive nuevamente una situación notable: se celebraron elecciones en Berlín y en Mecklemburgo-Pomerania Occidental —regiones que no son precisamente las más pobladas— y se trata de elecciones regionales. Pero incluso allí, la coalición gobernante y el canciller Merz en persona lo pasaron mal: en algunos estados, su partido ni siquiera alcanza la barrera del cinco por ciento necesaria para ingresar a los órganos de gobierno local. En Mecklemburgo, la AfD obtiene buenos resultados; en Berlín, la izquierda; aún queda por calcular el recuento definitivo en las circunscripciones uninominales. ¿Qué está pasando con Alemania? Después de todo, nos han acostumbrado a pensar que mantenerse como canciller o primer ministro durante al menos dos años ya es un logro, y tanto en Gran Bretaña como en Alemania el cambio de líderes es habitual. ¿O es que, después de todo, allí está madurando algo distinto?

Aleksandr Duguin: En la primera parte hablamos de que la sociedad rusa está superando los aspectos negativos de la democracia occidental, aportándole sus propios significados e incluso procedimientos. En Occidente, en cambio, la palabra «democracia» se distorsiona hasta quedar irreconocible, convirtiéndola en «el poder de la minoría».

Hoy en día, en Occidente existen dos democracias, dos definiciones de la misma —tanto en Estados Unidos como en Europa, de donde proviene la democracia—. La concepción más «avanzada» es la democracia como el poder de las minorías. Según esta lógica, si eres un pervertido, una persona enferma —por ejemplo, alguien que padece demencia o un déficit de capacidades cognitivas— y, además, perteneces a una minoría étnica, religiosa o de otro tipo, entonces sí que eres un «demócrata»: apoyas a otras minorías, abres el camino a la migración sin límites, eliminas los valores tradicionales y los reemplazas por otros no tradicionales. Esto se considera la versión «avanzada» de la democracia. Pero también hay amplios sectores que entienden la democracia de otra manera: el «demócrata de la vieja escuela» razona de manera sencilla: «si no me gusta, votaré en contra». Por último, existe una tercera democracia, la democracia electrónica, en la que votarán los bots y la inteligencia artificial: algo similar se está preparando con «Palantir» (Palantir Technologies —una gran empresa estadounidense de análisis de datos fundada en 2003—), pero aún no se ha anunciado.

Estas dos democracias existen realmente en la politología, en el discurso, en las resoluciones; no me lo estoy inventando. Algunos en Occidente consideran que la democracia es cosa de las minorías, otros siguen creyendo que quien decide es la mayoría. Esto es precisamente a lo que se enfrenta Alemania en este momento. Los partidarios del gobierno de la mayoría votan como quieren. Y los reeducados, a quienes se les ha inculcado que deben amar al migrante violador y asqueroso y al pervertido que ensucia las calles de las antiguas ciudades europeas, votan de otra manera. Incluso existe el concepto de «disgenismo»: los liberales de izquierda, al estilo de Merz, predican que cuanto más espantosa y fea sea una persona, mejor. Se reúnen enormes coros de degenerados que llenan hangares enteros, con canciones horribles, músicos y directores; deben cantar mal y desafinados, pues el canto hermoso se considera un signo de «supremacismo elevado». Merz es un representante de este disgenismo, al igual que la pareja de los Macron, en la que no se distingue quién es él y quién es ella.

Estas minorías se consideran portadoras [ou donas] de la democracia. Pero algunas regiones de Alemania —las del este y del norte, en particular Sajonia-Anhalt— piensan de otra manera. Allí vivieron en otro tiempo los bálticos y los eslavos; es un territorio tradicionalmente eslavo y báltico; tal vez allí se hayan conservado los genes de la gente decente. O tal vez el socialismo en la RDA le hizo un buen servicio a la población local, convirtiéndola en defensora de la vieja democracia. La vieja democracia, en cambio, es cuando un ciudadano común ve a su alrededor una pesadilla, cuando lo obligan a decir que dos por dos son quince, que es más seguro sentirse así cuando te apuñalan y te matan y a quien no está de acuerdo lo tachan de fascista —y todo esto no encaja en su mente. Para él, es bueno cuando camina por la calle y no le cae nada en la cabeza, cuando ve a la gente conversando cortésmente; eso no es fascismo, sino el requisito mínimo de orden público.

Una parte considerable de los alemanes no vota ni por la derecha ni por la izquierda, sino por la democracia de la vieja escuela: por que todo sea cómodo y agradable y no por coros disgénicos, «cuatro barbas» y asiduos de clubes de BDSM que gritan: «Ni AdH, ni normalidad». En esencia, se enfrentan la democracia de la persona normal y la democracia de la persona profundamente enferma. Lo mismo ocurre en Estados Unidos.

Es difícil decir quién ganará. Hablé sobre la lógica de las minorías en un debate con Francis Fukuyama. Él decía: la mayoría es peligrosa, puede elegir a Putin, a un dictador o a Hitler; por eso no hay que escucharla a ella, sino a las «minorías disgénicas», a los degenerados y a las personas en estado de demencia. Después de todo, al ser débiles, encarnan el «pensamiento débil», una filosofía y una teología débiles y tales gobernantes débiles de mente, según esta teoría, son más útiles para el país que los serios constructores del orden: el caos y la esquizofrenia serían, al parecer, mejores que el orden y la paranoia. Es difícil predecir en qué terminará este enfrentamiento. Cuando AfD ganó en Sajonia-Anhalt, se propuso excluirla del acceso a la información secreta del Bundeswehr —con el argumento de que no comparte la democracia de las minorías y representa un tipo antropológico diferente; «no le corresponde» saber, pues podría unir los hechos y actuar de manera racional. Y las verdaderas figuras de la nueva democracia son, según esta lógica, Kaya Kallas, von der Leyen y Annalena Berbock —representantes, como él dice, de las «minorías mentales».

¿Dirán que es una parodia maliciosa del Occidente contemporáneo? Lean sus libros de texto de ciencias políticas, sus cursos de filosofía y estudios culturales y platiquen con los filósofos que encarnan a ese Occidente. Toma a Žižek, un ícono del pensamiento liberal: desaliñado, de habla ininteligible, que convierte cada frase en una paradoja sin sentido que menosprecia la racionalidad; no en vano tituló uno de sus libros Less Than Nothing —«menos que nada»— (se refiere a la obra «Less Than Nothing: Hegel and the Shadow of Dialectical Materialism» / en inglés, «Menos que nada: Hegel y el fantasma del materialismo dialéctico»). Este es precisamente el tono de referencia de la ortodoxia filosófica actual, la fiesta de los degenerados que han elevado la disgenia a principio. La disgenia es lo opuesto a la eugenesia: no seleccionar al mejor, sino al peor tipo, darle poder y escucharlo por «solidaridad» y «empatía». Cuanto mayor sea la presencia de un sector mentalmente deficiente en la política y en los altos cargos, más segura será la garantía de que las personas normales no lleguen al poder.

Por ahora, esto no está funcionando del todo. Parecería que lo controlan todo, pero se está levantando una ola de descontento. La vieja, silenciosa y convencional democracia burguesa parece decir: «No he desaparecido, voy a votar». En Berlín no se puede votar por AfD—es lo mismo que votar por Putin o Trump; allí, en el centro de votación, los grupos disgénicos, por decirlo así, te harían pedazos—. Pero más al Este, la gente vota tranquilamente por la AfD: es un voto a favor de la normalidad frente a una antinormalidad bien organizada.

Miren lo que propone Merz. En primer lugar, migración ilimitada. En segundo lugar, valores antitradicionales, desfiles de todas las perversiones posibles. Y junto con eso: guerra contra Rusia, militarización y vigilancia total. Pero una cosa no va con la otra: o son los desfiles y entonces te acercas a la desquiciada Greta Thunberg con su fundamentalismo ambiental, o es la guerra y entonces se necesita nacionalismo, patriotismo, «fascismo». ¿Cómo conciliar que, con una mano, Merz impulse el proceso de desintegración y, con la otra, exhorte a esas mismas personas a prepararse urgentemente para la guerra contra Rusia? Una persona sensata observa tal propuesta y no le cuadra. La exigencia de entregarse a la desintegración y, al mismo tiempo, «ponerse a cuatro patas y correr hacia el frente oriental» da la impresión de una completa demencia a todos aquellos que aún conservan restos de cordura. A juzgar por todo, hay más personas así en Alemania Oriental, en la antigua Prusia; allí la gente resultó ser más sensata.

Presentador: Siguiendo con lo que dice: ¿qué es lo que pasó exactamente en Alemania en estos cinco años? Aclaro: se trata de elecciones regionales y municipales, en las que el partido gobernante, en algunos lugares, ni siquiera alcanza el mínimo necesario. Durante mucho tiempo pareció que el país quería estabilidad: todas esas siglas, CDU, CSU, seguían siendo más o menos las mismas que en 1980. ¿Se superó algún punto crítico? ¿La gente se cansó de que se le impusieran ideas incomprensibles y malsanas? ¿Aparecieron nuevas tecnologías? ¿O se llegó a algún tipo de comprensión?

Aleksandr Duguin: No creo que los alemanes se hayan vuelto tan sensatos. Más bien, muchos simplemente no le creyeron —no le creyeron al posmodernismo—, considerando excesivas las teorías sobre la transición del ser humano a una existencia rizomática, las ideas sobre «la muerte del hombre», el poshumanismo y la «libertad de género» como una cuestión de elección. Al principio, todo esto era una provocación filosófica: desde 1960 y 1970, especialmente en 1970 y 1980, la gente se reunía en conferencias, discutía temas exóticos; luego comenzaron a influir en sectores cada vez más amplios de la educación y más tarde los estudiantes formados en el posmodernismo terminaron al frente del Estado.

Mientras esto se limitaba a la filosofía, el culturalismo y la historia del arte, la perversión se fue convirtiendo poco a poco en la norma. Deleuze, el principal teórico del posmodernismo, proponía pasar a las «masas esquizoides»: la esquizofrenia, en su opinión, es algo bueno, mientras que lo malo es la paranoia, es decir, la racionalidad estricta. Por el contrario, es bueno el ser humano fragmentario, dividido en estados e incluso en órganos que no se ponen de acuerdo entre sí; a las masas, consideraba él, les es propia esa esquizofrenia. Poco a poco, estos principios se trasladaron a la política de alto nivel. Muchos le restaban importancia: «Es solo una exposición, un video musical, una metáfora; no anula la normalidad». Pero la esencia radica precisamente en la anulación de la normalidad —pues el ser humano o es normal o no lo es—. Al principio se consideraba que había que tratar a los anormales con respeto y no humillarlos y eso es correcto. Pero una cosa es tratarlos con benevolencia y otra muy distinta es invertir los roles de la norma y la patología y otorgarle poder a esta última.

Ahí radica el sentido de la filosofía posmodernista, que hoy encarnan la CDU y la CSU, los políticos británicos y los dirigentes de la Unión Europea: todo el poder para el vicio, la locura, la idiotez, la disgenia y la degeneración; es un triunfo de los degenerados, estéticamente diseñado y presentado como una nueva democracia. Todos dicen: esto no es serio. Y luego aparece Merz, o Starmer, o Boris Johnson —un pedazo de sustancia desaliñada, siempre despeinado, con la camisa desabrochada y los cordones desatados—, que viaja por el mundo como un saco, influye en el curso de la guerra y reparte promesas a los nazis ucranianos. Todo esto sería gracioso y absurdo si no estuviera inmerso en una guerra y no se tradujera en crímenes sangrientos.

A lo largo de todos estos años, Occidente se ha ido revelando cada vez más desde ese lado suyo que hace tiempo se planeó y se puso en práctica y solo ahora el ciudadano de a pie empieza a darse cuenta de que algo anda mal. Pero tal vez sea demasiado tarde: a los disidentes los excluirán del Bundeswehr y las elecciones en Mecklemburgo se declararán injustas con el pretexto de la «injerencia rusa». Basta con mostrar una foto: un hombre que parece ruso camina por la costa del mar Báltico —robusto, de piel clara, con su esposa, su hijo y su perro—. Si es ruso o no, si está sano o no, si existió o no, no importa; los periódicos publicarán con el titular «los rusos vienen», y para un degenerado ese argumento es suficiente para anular las elecciones. Así es como funciona y ya han recurrido a esto más de una vez.

Por eso, si se pregunta de manera abstracta qué democracia prevalecerá, creo que será la nueva. Es precisamente esta la que ellos planearon como su futuro. Y la antigua aún no ha tomado suficiente conciencia de que la disgenia, la degeneración y los valores no tradicionales son lo único que les queda por aceptar. Además, esto no es una pregunta, sino una orden y una orden no se discute: así funciona esta sociedad. Conocemos mal al Occidente contemporáneo y por eso nos sorprende cómo se puede votar a favor de esto. Pero, en realidad, a quienes no voten por la nueva democracia se les privará del derecho al voto y se les enviará a «reeducación»: a colonias especiales con cambio de género forzado. Así terminará todo.

Lo que está sucediendo es grave: afecta no solo a la cultura de Occidente, sino también a su política y su economía. Europa está destruyendo con sus propias manos su propia economía —y además se alegra de ello—. Los gasoductos volados no solo fueron financiados con nuestro dinero, sino también con el de los alemanes; tras destruir su sector energético y su economía, allí consideran que así es como debe ser. No podría ser de otra manera cuando se trata de una furia. Y en Alemania Oriental, alguien se niega a decir «miau» y «guau» a las órdenes de Merz —una figura casi caricaturesca, mitad del cabaret para minorías, mitad de las películas de Tarantino—. Algunos ya se han resignado, pero otros aún no. Y hay que prepararse para que, muy probablemente, prevalezca una nueva democracia en el Occidente. Con eso es con lo que tendremos que lidiar.»

* El movimiento LGBT y cualquier tipo de perversión, incluidas las que aparecen en las fotografías [arriba] de políticos de izquierda de Alemania, están terminantemente prohibidos en la Federación Rusa.