terça-feira, 6 de outubro de 2026

Breves meditações (1ª) sobre a Sabedoria.

  A Sabedoria, Sophia, em grego, é tanto o conhecimento verdadeiro dos seres e das coisas, como um aspecto ou face da concepção que podemos obter racional, intelectual ou visionariamente da Divindade ou do Ser Primordial e da Harmonia universal, vista como a substância divina animadora tanto de Si mesma como da sua Trindade e do Cosmos. 

A Divindade sendo Sabedoria, é Conhecimento verdadeiro ou Gnose, mas é também Amor  e os outros atributos ou qualidades que conseguimos discernir no seu esplendor transcendente e na sua manifestação na hierarquia dos seres e universos.

Ascendentemente, partindo da Humanidade, a mais elevada sabedoria, ou mais elevado conhecimento, que podemos  realizar é o  do Espírito divino, dos mundos espirituais e de  Deus ou Fonte Suprema, donde poder chamar-se Teosofia, a Sofia ou Sabedoria divina, a tal conhecimento, que exige sempre a graça ou benção divina para a obtermos, e implica um caminho de merecimento, aperfeiçoamento, purificação, iniciação e iluminação, no qual se vai captando ou discernindo mais o Divino no Universo, em si, nos outros e Nele próprio. Disto  brotar o vivermos mais harmoniosamente na Unidade divina, em prudência, temperança, comensurabilidade, fraternidade, ética, veracidade, amor, alegria.

Viver bem a Sabedoria divina que se vai compreendendo implica uma constante superação dos aspectos e comportamentos egoístas e superficiais e a adopção de um modo de vida dotado de práticas purificadoras e unificadoras, tais as de concentração e meditação, para assim nos harmonizar, purificar e convergir ou mesmo reunificar aos níveis do Espírito e do Divino. 

Estas práticas sábias e que espelham a aspiração ou amor à Sabedoria Divina são múltiplas e ligam-nos às energias cósmica, à respiração, à voz, som e palavra, aos ritmos e ciclos e no fundo apuram a consciencialização da alma e do espírito, dos corpos e centros de forças  subtis, e suas circulações e abrem-nos aos princípios e leis cósmicas, aos grandes seres e níveis da Divindade e ao Todo ambiental pluridimensional.

A Divindade é para o ser humano um mistério que o ultrapassa sempre, pois ela é Infinita  e ele não o é apesar de ser uma centelha divina num corpo, e assim é bastante limitadamente que o ser humano obtém compreensões, percepções, sensações, fés, intuições, visões da ordem do Universo e da Divindade. Contudo grandes religiões, teologias, ensinamentos e discursos incidiram sobre Deus e os deuses com mais ou menos sabedoria, mais ou menos conhecimento certo , pelo que devemos revisitar o que de melhor, mais verdadeiro, mais sábio tais religiões e mestres alcançaram e  nos ficou como Tradição viva.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Frei Isidoro Barreira, da Ordem de Cristo. Da Sabedoria, simbolizada pela flor Jacinto. "Tratado das significações das plantas, flores e frutos que se referem na Sagrada Escritura."

   Frei Isidoro Barreira foi um dos religiosos da Ordem de Cristo que tendo professado no convento de Tomar em 1606 (crendo-se que terá deixado a Terra em 1634) se dedicou perseverantemente à investigação histórico-hagiográfica e ao culto da Sabedoria moral, religiosa e espiritual, dando à luz em 1618 uma Historia da vida e martírio da gloriosa Virgem Santa Iria e, aproveitando a boa biblioteca que tinha ao seu dispor, compilando muitíssimas citações de autores greco-romanos e cristãos, bem como da Bíblia, publicou em 1622 uma espécie de erudito dicionário da simbologia medicinal, moral e espiritual, no qual para cada planta, flor ou árvores apresenta os significados atribuídos desde a antiguidade, juntando considerações suas muito valiosas, das quais destacamos as da Oração, Contemplação, Amor, etc.
Exemplar com nota de posse da Livraria do convento de N. Senhora da Conceição em Matozinhos, ao tempo da Ordem de S. Francisco.

Intitulado  Tratado das significações das plantas, flores e frutos que se referem na Sagrada Escritura. Tiradas das Divinas e Humanas letras, com suas breves considerações, foi dado à luz em Lisboa, por Paulo Craesbeeck, em 1622. Teve algum sucesso, tanto mais que serviria para os religiosos pregarem melhor e os pintores saberem  desenhar melhor o reino vegetal segundo a simbologia tradicional, saindo assim uma 2ª edição na Oficina de Manuel Lopes Ferreira em 1698, num in-4º de (6)-517 páginas.

 Na obra, antes das licenças e da Tabuada das Plantas, Fores e Frutos, (...) com seus próprios significados e considerações, Frei Isidoro Barreira escreve um breve prólogo, no início demonstrando no início a sua inserção numa das ideias-força dos Descobrimentos e do Renascimento: «A experiência das coisas foi a que descobriu a natureza delas, e dos efeitos que viu, apropriou a muitas os significados que tem.» Mas, logo em seguida, como espiritual que era ressalva ou acrescenta a intuição, a revelação, a inspiração do Alto: «Os [significados] das plantas daqui tiveram sua origem, ainda que os mais [a maioria] deles não foram tão descobertos por indústria humana, como [por] sabedoria divina.»

Neste blogue já consagramos quatro textos a um dos frades sábios da Ordem de Cisto, o lamacense Frei Mestre Paulo de Vasconcelos:  https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/mestres-espirituais-da-ordem-de-cristo.html, https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/um-capitulo-valioso-onde-desenvolvera.html https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/sobre-imutabilidade-divina-por-frei.html
https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/02/consideracao-dos-anjos-pelo-dom-prior.html,    e agora vamos apenas transcrever  dois extractos das considerações acerca do  Jacinto e da Sabedoria, já que nos transmitem valiosas compreensões, e porque no dia 10 farei uma palestra sobre a Sabedoria na Biblioteca da Câmara Municipal de Cascais, no ciclo Encontros de Sabedoria. Oiçamo-lo:

   «O Jacinto é uma flor e espécie de Lírio, que os Poetas fingiram que fora algum tempo um formoso menino, que Apolo convertera nesta flor, que ficou retendo o mesmo nome de Jacinto que dantes tinha. E por esta flor diz o mesmo Celio Augusto (conforme o tinha descoberto em Autores antigos) que se entende a Sabedoria, porque como Apolo fosse tido por Deus das Musas, e do engenho, veio-se a dizer, que o sentido natural em quanto não se corrompe com alguma malícia, é como um menino inocente, que carece de aviso, e discrição; mas que então é esse sentido belo e formoso, quando se levanta à contemplação de coisas altas; donde se segue, que levantado sobre si e alumiado com a razão, ponha de parte o fervor juvenil, e se converta e transforme em flor de sabedoria, juízo e descrição, lançando de si suavíssimo cheiro de virtudes. Isto é que os Filósofos antigos doutamente consideravam, quando a esta flor atribuíram a significação de sabedoria (...)
Séneca filósofo, com ser Gentio, chegou a descobrir grandes efeitos da Sabedoria, e os bens que nela se continham, dizendo, que é a sabedoria um dom, que nesta vida nos leva ao estado de bem-aventurança, para ela nos guia e vai mostrando o caminho, dirigindo-nos a tudo o que é bem e desviando-nos de tudo o que é maligno; livra o entendimento de vaidades e ensina que só aquele é felicíssimo, quem não tem necessidade de felicidade alguma, e que só aquele é poderoso, que a si mesmo tem em poder, e só aquele é sábio, que tem louvável composição dos efeitos da alma, procedendo sempre com justiça e verdade, não se levantando em coisas prósperas, nem abatendo com as adversas, nem estimando as coisas conforme a opinião, mas negando a natureza delas, mostrando-se superior a todos os acontecimentos, em tudo formoso, em tudo formoso, em tudo bem assombrado, sem temer e perturbação alguma, prevendo o que há-de fazer, e o que não há-de fazer, e o que não há de fazer e em tudo o mais governando a vida e acções em boa conformidade...»
Outra obra fruto da lavra anímica de Frei Isidoro Barreira, é a tradução, do latim, da regra do patriarca S. Bento, sob a qual se regia a Ordem de Cristo. Contém uma dedicatória ao Mestre Frei André Pacheco, Dom Prior do Convento de Tomar, & Geral da Ordem de Cristo, e uma exortação A toda Sagrada Religião, & Freires da Ordem de Cristo, explicando que adicionara um catálogo dos varões ilustres que seguiram a regra e que "na observância dos seus preceitos chegaram à vida eterna", e porque «bom conselho é ajudar  a que não se percam aomemoriais de santidade e virtude dos justos e das proezas que fizeram...».
Saibamos sintonizar e continuar conforme o nosso logos a Tradição espiritual portuguesa e universal da Sabedoria, Sapiência, Sophia, assinalada até na tenção do governador e administrador (de 1420 a 1460) da Ordem de Cristo, infante D. Henrique, Talent de Bien Faire...

sábado, 3 de outubro de 2026

Estatuas chinesas budistas no Museu do Oriente. Религиозные китайские иконы в Музее Востока. Chinese budhist living statues

 Ícones religiosos chineses, no Museu do Oriente.Fundação Oriente, Lisboa. Visita e gravação das peças talvez mais fortes psico-espiritualmente do Museu, pelo menos das visíveis. Dia 3 Outubro de 2026. Pronunciei alguns mantras em especial da tradição budista, tibetana e indiana. Boas inspirações e harmonizações.

Религиозные китайские иконы в Музее Востока. Китайские буддийские статуи. Фундасао Ориенте, Лиссабон. Посещение и запись, возможно, самых сильных психо-духовных экспонатов музея, по крайней мере, из видимых. 3 октября 2026 года. Произнес несколько мантр, особенно из буддийской, тибетской и индийской традиций. Хороших вдохновений и гармонизаций.

Chinese religious icons, at the Museum of the Orient. Orient Foundation, Lisbon. Visit and recording of perhaps the most psychospiritually powerful pieces in the Museum, at least the visible ones. October 3, 2026. I recited some mantras, especially from the Buddhist, Tibetan, and Indian traditions. Good inspirations and harmonisations.


quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Message of Imam Ayatollah Mojtaba Khamenei. Mensagem sobre a oração no auspicioso 1º dia de Outubro. Bilingual.

                                          

     O Líder da Revolução Islâmica Mojtaba Khamenei deu no 1º dia de Outubro de 2026 uma importante mensagem espiritual por escrito -  já que desde o assassinato de quase toda a sua família pelos diabólicos norte-americanos e israelitas se encontra em ocultação - acerca da oração apontando-a como uma fonte  de força perene no confronto com os "demônios mundiais", destacando a sua crescente função de fortalecer a sociedade e de apoiar as pessoas em tempos de luta.

Foi para a 33ª Conferência anual sobre a Oração, e nela Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei realçou a importância de se estabelecer ou fortalecer a oração e realizar-se a conferência anual, lembrando que tal prática da oração (nas suas múltiplas formas ora mais longas ora nos condensados zikr) é uma da responsabilidades essenciais de uma sociedade religiosa ou islâmica.
“A oração é uma das mais elevadas e belas bênçãos do Deus Todo-Poderoso, a mais alta instituição, símbolo e pilar da religião, e o fio condutor [ou axial] através do qual cada um de nós estabelece uma relação próxima e direta com a fonte divina infinita e eterna,” disse ele.
O Líder considerou a oração como uma fonte constante de harmonia, tal uma bebida ou elixir de imortalidade, e como uma coluna que nos liga superiormente de modo a se ter uma vida saudável e justa.
“Este elixir de prosperidade e salvação, e pilar de uma vida saudável, é tanto um apoio firme e contínuo quanto uma reserva inesgotável para os seres humanos na sua luta contra o eu carnal e os demônios do mundo,” disse ele.
Realçou ainda ser a oração  uma fonte da melhores virtudes e qualidades, que fluem e espelham os atributos divinos:
“A oração é  uma fonte sempre fluindo de amor, esperança, bondade e paz,” disse o Aiatolá Khamenei, acrescentando que as bênçãos divinas e a abundância de sustento são alcançadas e aumentadas através do estabelecimento da oração e da busca de perdão.
Realçou que a oração não deve ser vista apenas como uma obrigação individual. Citando os ensinamentos do Alcorão, afirmou que estabelecer a oração  era também uma característica definidora de um governo justo.
O sábio Líder vinculou o ensinamento transmitido à luta enfrentada pelo Irão hoje, dizendo que a colocação do versículo no Alcorão, depois da promessa  de apoio divino aos seguidores de Deus e nas suas lutas, demonstra o papel da oração para se conseguir a perseverança e a vitória.
“O estabelecimento da oração como um bastião da lembrança de Deus, e da esperança e confiança Nele, tem um papel especial na jihad [guerra santa, interior e exterior], na vitória e triunfo nos campos de luta, e em especial no campo de luta que a nação iraniana enfrenta hoje,” disse.
O Aiatolá Khamenei afirmou ainda que o povo iraniano estava agora a ser chamado  mais do que nunca pelo repetido comando divino de estabelecer ou fundar ou desenvolver a oração.
Apelou também  às famílias, educadores, instituições religiosas, universidades, organizações culturais e figuras públicas que assumam maior responsabilidade na promoção da oração, particularmente entre os jovens.
O Líder disse que tornar a oração mais ampla e institucionalizada, acompanhada de um esforço coletivo para realizá-la corretamente, era fulcral para o avanço duma sociedade islâmica.
Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei  apontou igualmente  a importância das mesquitas e das orações em grupo ou congregação, dizendo que são meios ou passos necessários para se aumentar a participação e melhorar a qualidade do culto comunitário.»

https://www.presstv.co.uk/Detail/2026/10/01/777364/Leader-prayer-support-confrontation-worldly-devils. Traduzido da versão original em inglês, presente na ligação da Presstv.co, disponível no meu computador desde ontem, após alguns meses de bloqueio. 
 Fiz algumas modificações ou explicações na minha tradução, mas no final do artigo pode ler a versão original do canal (explicativa) e do Ayatollah Khamenei (as suas palavras. E uma delas seria interessante saber-se qual foi a usada para o que traduzimos, seguindo a tradução inglesa, por "estabelecer a oração")  Ameen...

Original version in english, present in Presstv. co, since yesterday available in my computer after some months of being blocked:

    «The Leader of the Islamic Revolution has described prayer as a lasting source of strength in confronting “the worldly devils,” stressing its wider role in strengthening society and supporting people in times of struggle.
In a Thursday message to a local conference focusing on Islamic prayer, Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei wrote on the importance of establishing prayer and holding the annual conference, noting that the practice was among the essential responsibilities of an Islamic society.
“Prayer is one of the most beautiful great blessings of Almighty God, the highest institution, symbol and pillar of religion, and the connecting thread through which each of us establishes a close and direct relationship with the infinite and everlasting divine source,” he said.
The Leader described prayer as an “elixir of prosperity and salvation” and a pillar of a wholesome life.
“This elixir of prosperity and salvation and pillar of a wholesome life is both a firm, continuous support and an inexhaustible reserve for human beings in the struggle against the carnal self and worldly devils,” he said.
He added that prayer also provides a source of hope and tranquility.
“It is also a flowing spring of love, hope, kindness and peace,” Ayatollah Khamenei said, adding that divine blessings and abundance in sustenance are attained and increased through establishing prayer and seeking forgiveness.
He stressed that prayer should not be viewed merely as an individual obligation. Citing the Qur’anic teachings, he said establishing prayer was also a defining feature of righteous governance.
He linked the teaching to the struggle faced by Iran today, saying the placement of the verse after the Quranic promise of divine support for God’s followers and their struggle demonstrated the role of prayer in perseverance and victory.
“The establishment of prayer, as a stronghold of the remembrance of God, hope and trust in Him, has a special role in jihad, victory and triumph in the fields of struggle, particularly the field of struggle that the Iranian nation faces today,” he said.
Ayatollah Khamenei said the Iranian people were now more than ever addressed by the repeated divine command to “establish prayer.”
He also called on families, educators, religious institutions, universities, cultural organizations and public figures to assume greater responsibility for promoting prayer, particularly among young people.
The Leader said making prayer widespread and institutionalized, followed by a collective effort to perform it properly, were key to advancing an Islamic society.
He also pointed to the importance of mosques and congregational prayers, saying these were necessary steps toward increasing participation and improving the quality of communal worship.»

Efemérides da 1ª semana de Outubro, do encontro sábio do Oriente e Ocidente

                                          

 1-X. Carta do missionário jesuíta António Ceschi, escrita neste dia em 1653, na corte mogol em Deli, Índia,  descrevendo o príncipe Dara Shikoh (filho do imperador Shah Jahan, o construtor do Taj Mahal), vestido com pobreza no meio de 500 nobres de vestes resplandecentes e joias, muito amigo dos padres cristãos, e vivendo numa demanda espiritual profunda e de sentido universalista e, tal como disse François Bernier, um dos famosos escritores viajantes que o conheceu, sendo «hindu com os hindus, cristão com os cristãos». Místico,  sufi, iniciado ou discípulo de dois reconhecidos mestres de então, Mian Mir e Mullah Shah, profundo conhecedor dos caminhos de realização do espírito e da Divindade, deixou-nos obras de mística e de pioneiro comparativismo religioso. Uma delas. A mistura ou junção dos dois Oceanos, traduzi-a oralmente e encontra-se em vídeos no Youtube. Deveria ter sido Dara Shikoh, enquanto primogénito, o herdeiro do trono do imperador Shah Jahan, o criador de Taj Mahl, mas as tendências e forças ambiciosas fanáticas do irmão mais novo Aurangzeb não permitiram, sendo assassinada esta grande alma.
Neste dia em 1877, a escritora Maria Amália Vaz Carvalho, sócia da Academia das Ciências de Lisboa, casada com o poeta Gonçalves Crespo, amiga por correspondência de Antero de Quental, escreve uma carta a António Lopes Mendes, sobre o livro que este tão bem escrevera e ilustrara pela sua própria mão, Índia Portuguesa: «Mais feliz do que eu, você foi buscar a inspiração que lhe faltava aqui, nessas regiões misteriosas em que a terra é tão pródiga de esplendores que fascinam».
Neste dia em 1885, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, chegados das suas travessias dos amplos territórios africanos, dão uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa perante o rei e a corte sobre os aspectos científicos e humanos da expedição. Roberto Ivens escreverá que «à Europa, e em geral ao homem que nunca viajou nos sertões de África, não é dado compreender o que se sofre ali, quais as dificuldades a vencer a cada instante, qual o trabalho de ferro não interrompido para o explorador». Em 1886 sairá o emocionante relato da expedição em livro, De Angola à Contracosta.
 Discurso do 1º ministro indiano Jawaharlal Nehru (1889-1964) neste dia, em 1958, no Sikkim, ao inaugurar o Instituto de Tibetologia: «Encontramos-nos hoje numa encruzilhada, em que talvez para se encontrar a solução para os problemas criados pelo avanço da Ciência e Tecnologia, temos de ir para algo fora das aproximações normais do mundo físico. Temos de ir para outro nível, chamemos-lhe domínio do espírito. Temos de ir para outras dimensões do pensamento, talvez para a 4ª dimensão. A ciência libertou já enormes forças que parecem ir além da 3ª dimensão, e assim para o homem as controlar, ou compreender correctamente, tem de começar a pensar noutros níveis, chamemos-lhes 4ª dimensão ou o que quisermos». Donde a necessidade do espírito científico do budismo e do Instituto de Estudos Tibetanos que ele inaugurava.

2-X. Na reforma da Ordem de Cristo estatuída no convento de Tomar neste dia em 1449 determina-se, entre outras regras, que os cavaleiros só podem comer carne três vezes por semana e que devem rezar diariamente as Horas de Santa Maria, ou sessenta Pai Nossos e sessenta Avé Marias, escalonadas por horas, se o puderem fazer. No Capítulo da Ordem, ja de 1503, reunido em Tomar, serão equacionados 
preceitos que eram então pouco cumpridos. E hoje em dia, com tantos templários e templarices, quantos rezarão ou meditarão uns minutos que seja?
                                        
Nasce na Itália em 1550 o P. Rudolfo Aquaviva, filho do duque de Atri. Será uma das grandes almas das missões de diálogo ecuménico à corte mogol, por ter aprendido a língua persa e pelos seus escritos, austeridades, orações e sabedoria, o que lhe vai grangear a amizade de Akbar e dos seus próximos. Insistindo o imperador Akbar no seu desejo de participar numa missa, realizou-a o P. Aquaviva com grande fervor e lágrimas, mas Akbar no fim queixou-se-lhe um pouco amuado e alguma razão: "Comeu e bebeu, mas não me convidou". Uma pena, "a letra que mata o espírito", pois um ritual invocativo e mágico que, condensado num formulário litúrgico e canónico reservado a católicos, ainda que celebrado com a ardência mística de Aquaviva, não foi aberto e alargado à comunhão de nobres e espirituais almas, de outra religião...
O P. Bento Fernandes, de Borba, recebe a palma do martírio em 1633, em Nagasaki, a cidade erguida e administrada pelos jesuítas, com vinte anos de trabalho intenso e difícil de tentativas de converter, encaminhar ou estimular os japoneses nas vias cristãs. Barbosa de Machado noticiará na sua extensa e incontornável Biblioteca Lusitana a existência de um manuscrito seu na Biblioteca de Évora, de comentários ao Evangelho de S. Lucas.
Nasce em Nova Iorque Francisco Stuart de Figaniére, em 1827, filho do embaixador de Portugal na USA e de uma escocesa, e virá a ser um diplomata em vários países e autor duma das primeiras obras portuguesas com bastantes dados da sabedoria  da Índia, embora seguindo em parte as divulgações teosofistas da época, Mundo, Submundo e Supramundo, impressa na livraria Chardon no Porto, sem dúvida uma das mais ousadas incursões em tais níveis entre nós.  Recebeu o título de   Visconde em 1870. Foi  diplomata de Portugal em Inglaterra, Brasil e na sagrada Rússia. Viverá até 1908, desincarnando em Paris onde vivera os últimos anos, e deixará outras obras valiosas, de carácter histórico, bem como artigos em revistas estrangeiras e nacionais, tal como no Panorama.  Entre nós, o notável publicista Pinharanda Gomes traçou-lhe uma biografia.
                                        
Em Calcutá, em 1866, nasce Swami Abhedananda, discípulo de Ramakrishna e condiscípulo de Swami Vivekenananda, que o envia para a U.S.A, onde estará à frente da Missão Ramakrisna durante vinte e cinco anos. Deixou uma vasta obra de conferências e de ensaios. Dirá: "O dever da verdadeira religião é alargar a mente, abrir os olhos espirituais, conduzir a humanidade à realização da unidade com o supremo Pai no Céu, e reprimir todas as lutas sobre os dogmas e credos".
Mohandas Karamchand Gandhi, o apóstolo da não-violência (ahimsa), auto-subsistência (swadesh) e auto-governo (swaraj), o pai da Índia independente, nasce em 1869, em Porbandar, no Guzerate. Depois duma luta pioneira de anos pelos direitos humanos na África do Sul, regressa à terra-mãe em 1915, para participar num Congresso em Madras sendo acolhido entusiasticamente no discurso de Subbier Subramania Iyer, que enaltecerá a sua determinação e metodologia de não-violência, ahimsa. Além de líder humano e político, Gandhi viveu numa demanda espiritual exigente e transmitirá frequentemente ensinamentos valiosos, incendiando de aspiração libertadora e fraterna quem contactava com a sua grande alma: "A minha afirmação de ouvir a Voz de Deus não é uma asserção nova. Infelizmente não há maneira de a provar excepto através dos resultados. Deus não seria Deus se tivesse de ser um objecto de prova para as Suas criaturas... As diferenças de opinião não devem significar hostilidade. Se assim fosse, a minha mulher e eu seríamos inimigos jurados... Toda a verdadeira arte deve ajudar a alma a realizar o seu Eu interno". Guru Ranade foi um dos mestres e filósofos que escreveu sobre ele, tendo o místico e comparativista Jacques de Marquette traduzido a sua obra em francês.
                                       
 
3-X. Vasco da Gama, em 1502, na sua 2ª viagem à Índia, na qual se vinga, ou exerce a justiça reparadora, do que lhe fizeram na primeira, persegue e ataca uma nau de Calecut vinda de Meca e carregada de comerciantes, mulheres, crianças e grande riqueza. Já depois de saqueados e rendidos, imploraram piedade mas, como fora decidido pegar-lhe fogo, lutaram bravamente durante um dia até serem mortos, recolhendo-se apenas 20 crianças. Acerca deste brutal acto, o fraterno jornal Brado de Damão em 1898 lamentará «que D. Manuel, célebre pelas suas gigantescas aventuras marítimas, a ponto de converter em empório do mundo um microscópio tracto do extremo ocidente, que apenas continha um punhado de gente, não tivesse sabido cimentá-lo com os indestrutíveis elementos de humanidade, generosidade, liberdade...» Esta tragédia foi uma das que infelizmente ensombraram a expansão portuguesa no Oriente, geradora de violência sobre violência, sobretudo ao rivalizar com o poderio islâmico no domínio da economia de mercado livre que fluía no Oceano Índico. Actos escusados, mesmo em estado de guerra, eram frutos das tensões gerais que só por grandes seres poderiam ser manobradas correctamente. Pouco depois, Vasco da Gama fez outra mortandade e enviou-a sob a forma de presente para o Samorim de Calecut, «dizendo que aquela morte era piedosa comparada com a que guardava para os executores  do feitor Aires Correia» (segundo a narrativa do historiador Faria e Sousa). Na sua 3ª viagem para a Índia, tendo descoberto em Moçambique três mulheres no navio, mandou-as açoitar «porque com todas as suas forças havia de punir os maus, para que não crescessem os males que fazem os que não temem a Deus, que nunca em mim terão senão crueza e punição». Afonso de Albuquerque fez cortar narizes nas costas da Arábia e enforcar na verga da nau o capitão Rui Dias que namorara uma das prisioneiras mouras que ele queria enviar para a rainha. E muitos outros  praticaram crueldades, por vezes sem sequer qualquer motivo de justiça, tal como Domingos Mesquita, Pedro de Barreto, Duarte de Eça, ou que entraram em traições, assassínios. Mas, quando se insiste neste lado mais sombrio, deve-se relembrar que nos outros povos também medrava a ferocidade ou crueldade, e que houve muitos portugueses que viveram apenas em diálogo e amor. 
S. Francisco de Assis e Antero de Quental, que sentiu muita afinidade com o seu panteísmo...
 4-X. Em 1214, S. Francisco de Assis teria entrado em Portugal e estaria em Braga, Ponte de Lima e Bragança, segundo certas crónicas, algo lendárias. Ao longo dos séculos muitos irmãos franciscanos cruzarão as fronteiras das limitações, das inimizades e diferenças, tentando manifestar o Espírito santo em diálogo e simplicidade, paz e amor. No Oriente destacar-se-ão no princípio da expansão portuguesa, de tal modo que Jaime Cortesão considerou serem o espírito de Cavalaria e a fraternidade Franciscana os dois pilares do templo dos Descobrimentos. Com o tempo, o relaxamento e as rivalidades entre as ordens (nomeadamente no Japão com Jesuítas) diminuirão a pureza, desinteresse e abnegação da Ordem, e o culto flamejante amoroso do Espírito santo escapa-lhes de certo modo das almas e quase que se apagaria senão fossem alguns irmãos do Amor que, isolados e dispersos, atingiram e viviam a sua Unidade, Quanto povo português, na sua base mais genuína e pura, sempre franciscano, no sentido de comungante com a natureza, quase panteísta, fraterno, simples e dotado de grande fé e capacidade de dádiva, nas últimas décadas devido a entrada na União Europeia globalista e no mundo da informação manipulada tem dado graves sinais de estar já muito fracturado, alienado, e logo ignorante e violento.
                                      
Dr. Venkataratnam Naidu nasce neste dia em 1862 em Uttar Pradesh. Filho dum soldado recrutado pelo exército colonial inglês da casta inferior dos sudras, e que pelos códigos do hinduísmo não teria direito ao conhecimento das Escrituras, foi estudando contudo persa, árabe, urdu, sânscrito, inglês, dominando culturas e religiões até chegar a professor e a vice-chanceler da Universidade de Madras. Aderindo ao Brahmo Samaj de Rammohan Roy, tornou-se um dedicado pedagogo e reformador social ao que aliava uma vida espiritual mística e ecuménica. Lutou contra a prostituição sagrada, que nascia em grande parte da casta dos sudras, contra a intocabilidade de milhões de párias, contra o alcoolismo, contra os casamentos caros, e os infantis. Como experimentado pedagogo, conhecedor da importância da cultura e da moralidade, dirá: "A assunção básica da Cultura é que o interior do ser humano é uma mina de poderes misteriosos. O grande objectivo da verdadeira educação é pôr o ser humano na posse consciente destes poderes, dos quais o primeiro é a percepção, a capacidade de ver com uma mente investigadora". Depois, pela disciplina e o exercício, ele frutificará em discriminação, sabedoria e iluminação. "A Ética — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes temporais — elevar-se-á irresistivelmente em Espiritualidade — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes eternos". E dirá ainda: "A vida só se realiza e cumpre se é inspirada e ordenada pela adoração a Deus, que nasce da consciência de que o Universo é a emanação do Amor, da delícia (ananda) divina, do ser Supremo".

5-X. Luís de Almeida, cristão-novo, comerciante, cirurgião («entendia muito bem de cirurgia arrazoada latina») e capitão rico no Extremo Oriente, condoído com a pobreza e doença no Japão, vende tudo o que tem, põe-se a seguir Jesus, aprende a falar japonês, funda uma creche e um hospital em que introduz a medicina ocidental e a cirurgia no Japão, e onde dá aulas preparando assistentes japoneses. Curando muitos corpos, «tem conhecimento de ervas e de outras mezinhas com que os cura», converte também muitas almas como padre e jesuíta. Amigo de Fernão Mendes Pinto, deixou-nos uma importante História do Japão e belas cartas antes de arder em amor e febre e morrer neste dia em 1583, na casa do seu amigo dáimio D. João Amakusa Hisatane. Nas cidades de Oita, Hondo e Nagasaki encontram-se monumentos a ele, dizendo uma lápide da última martirizada cidade: "Luís de Almeida. Médico e Missionário. O Primeiro Português que chegou a Nagasaki.1567". Armando Martins Janeira escreverá bastante sobre ele nas suas valiosas obras O Impacte Português na Civilização Japonesa, e Figuras do Silêncio, que estudei já no blogue.

Nasce em Langres, Champagne, Denis Diderot (1713-1784), que fará uma notável carreira como escritor, pensador e filósofo, com muitos altos e baixos na vida, valendo-lhe em grande parte a imperatriz da Rússia, Catarina, a Grande que o nomeou bibliotecário por toda a  vida e lhe pagou dívidas, casas e ordenados fabulosos, permanecendo entre 1773 e 1774 cinco meses em S. Petersburgo em diálogos diários com ela. A sua maior produção foram as 7.000 entradas (das 70.000) para o Dicionário Enciclopédico, que co-fundou com Alembert, de  1751 a 1765, em 28 volumes, e que de algum modo fizeram avançar o racionalismo e prepararam a Revolução Francesa. Em 1973, o Dr. Manohar L. Sar Dessai, escreveu em francês no Boletim do Instituto Menezes de Bragança, um valioso artigo, L' Inde dans l'Enciclopédie Française, onde sumariza muito bem as referências nela à Índia, na sua maioria inexactas e frequentemente contraditórias, já que por exemplo, três autores, Chevalier de Jaucort, Diderot e o abade Mallet, escreveram sobre os Brâmanes de modo tão desencontrado que o leitor desprevenido pensará que há três tipos de brâmanes. Discernirá que «votado à acção prática e desconfiando de toda a contemplação estéril, Diderot atacou o quietismo das Índias. Assim não simula qualquer admiração pelo Gimnosofistas tão elogiados pelos Antigos. "Estes pretensamente sábios que se estavam sempre sobre só um pé, fitavam o sol dum olhar firme e imóvel desde o seu nascer até ao pôr, tinham os braços elevados toda a sua vida, olhavam incessantemente para a ponta do nariz e sentiam-se cheios do favor celeste sempre que se apercebiam uma pequena chama azul [Muito curioso, terem sabido dos fotismos no olho espiritual]", eis extravagâncias  completamente incríveis, exclama Diderot, e se foi assim que os brâmanes adquiriram o nome de sábios, só pode ser porque os povos que lhes deram estes nomes eram mais tolos que eles. Diderot deprecia também os Jogigueles e jnani jogis modernos que vivem  na solidão, que consideram o mundo como uma ilusão, o nada como o estado de perfeição, trabalhando da manhã à noite em se embrutecerem, a nada desejarem, a nada odiarem, a nada sentirem, e que depois de terem atingido este estado de estupidez completa, onde o presente, o passado e o futuro foram para eles aniquilados, consideram-se sábios, homens perfeitos. A conclusão tirada por Diderot é: "Onde quer que o homem saindo do seu estado se proponha  como modelo ser imortal, imóvel, impassível, inalterável, terá que descer abaixo do animal. Já que a natureza te fez homem, sê homem e não Deus."  Em relação aos sacerdotes do Deus Fo, os budistas (mas a que chama brachmanes), Diderot diz que "asseguram que o mundo é apenas uma ilusão, uma prestidigitação e que os corpos para existirem verdadeiramente devem cessar e confundirem-se com o nada, que pela sua simplicidade faz a perfeição a todos os seres. É o profundo adormecimento do espírito, a calma de todas as potências, a suspensão absoluta dos sentidos  que causa ou faz a perfeição».
                                        
O mestre Ramalinga nasce neste 5 de Outubro 1823, num Domingo,  em Chidambaram, Índia. Não ensinado, ele ensinou sabedoria. Por processos de meditação, nomeadamente numa chama em frente ao espelho, e por uma vida austera e abnegada, acendeu o seu génio a uma fulgurância tal que milhares adoravam com ele a Graça Divina no Templo da Luz, em Valadur, cantando o mantra "Viva a Luz da Graça Suprema, Viva a Compaixão". Reformador social, criticou as diferenças de castas e religiões e intensificou em muitos a tomada de consciência da Unidade amorosa e beatífica Divina. Em 1874, conforme anunciara ou prevera despediu-se dos discípulos, dizendo que fechando-se num quarto desapareceria. E assim sucedeu, ficando um mistério a sua desincaranção, embora ele os sossegasse que voltaria a incarnar na terra, num corpo ainda de maior luz. Entre os que escreveram sobre ele destacarei o Kavi Yoga Shuddhananda Bharati, no ashram de quem estive alguns meses em Madras, e me iniciou, realçando no  livrinho que lhe dedicou as suas realizações e e quarenta ensinamentos espirituais. Eis o décimo: «Contempla o espírito interno! Através da acção, da palavra e do dinheiro ajuda os outros. Saúde [aclama ou invoca] a glória Divina. Reflecte acerca da Verdade de Atman, o espírito. Confessa as tuas falhas e fraquezas diante da Divindade e ora. Assim será a matéria purificada.» 
Helena Roerich, em S. Petersburg, a mulher de Nicholai Roerich, mestra do ensinamento da Ética Viva e dos livros do Agni Yoga, que terá recebido inspiradoramente de um mestre nos planos espirituais, Morya, desincarna neste dia 5 de Outubro de 1955, com 76 anos, em Kalimpong, Índia, deixando uma obra notável, que tem vindo ser publicada gradualmente, nomeadamente cartas e registos diários, e que gerou milhares de grupos ligados a ela, sobretudo na Rússia, como nos podemos aperceber no Vk.com, a valiosa rede social russa.  O seu filho, Svetoslav, arqueológo, ensaísta e fabuloso pintor, numa entrevista deu alguns traços como a sua mãe, tal este: «Helena Ivanovna era uma personalidade absolutamente excepcional. Desde muito jovem, ela  tinhajá uma ideia clara do que gostaria de [alcançar] na vida. Era dotada de muitas [propriedades que] hoje  ainda chamamos de "sobrenaturais", como clarividência e clariaudiência, que eram muito desenvolvidas nela. Desde o início, ela teve uma direção bastante organizada na vida. Nisso, ela foi, sem dúvida, uma assistente notável de Nikolai Konstantinovich Roerich. Como vimos, foi a combinação perfeita. Absolutamente. Não poderia ser melhor do que isso. E nisto também havia uma direção absolutamente clara. Talvez [tenha sido determinado] por aquelas forças [ou seres] superiores que decidem [ou influenciam] os destinos da humanidade.»
6-X. O P. Mateus Ricci nasce em Macerata, Itália, em 1552, de família nobre. Estudos bem desenvolvidos no colégio de Roma, a passagem dum missionário autêntico (em 1576) e o português Martinho da Silva, despertam-no para tal vocação, chegando a Lisboa em 1577, donde parte com Miguel Ruggieri e Duarte Sande para Goa em 1578. Em 1582 está em Macau e começa a missão da sua vida: a introdução do Cristianismo e da cultura ocidental na China, o que consegue graças à receptividade sábia de alguns letrados, mandarins e povo e à sua extraordinária inteligência, memória e disponibilidade. A sua douta adaptação do cristianismo às tradições chinesas, que lhe abriu as portas internas, encontrará as maiores resistências no papado e em certos frades e clérigos, sobretudo já no século XVIII, que acabarão por enfraquecer o seu trabalho pioneiro.
Regressa ao mundo espiritual, em 1646, em Goa, Frei Diogo de Santa Ana, que andara na Pérsia em debates teológicos, animado pela estima do Châh Abbâs, tendo convertido ainda o patriarca da Arménia e alguns dos seus bispos. Deixou uma relação manuscrita autobiográfica intitulada Do Tocante ao que o Padre Servo Sem Proveito fez, em o Reino da Pérsia, Com a Divina Graça, editada em 1972 por Roberto Gulbenkian. Nomeado confessor e administrador do Convento das Mónicas em Goa, opor-se-á com o bispo Frei Miguel Rangel às medidas que o vice-rei conde de Linhares e a câmara de Goa pretendiam de limitação do poder temporal do convento: as mulheres recebidas no convento eram escolhidas das mais ricas de Goa por Frei Diogo, que emprestava depois dinheiro a juros de 10%. A questão será noticiada para Lisboa que determinará uma série de medidas de restrição das riquezas das ordens religiosas nas partes do Estado «tão consumidas que não há nelas quem tenha cabedal para armar um navio à sua custa». Pouco depois do conde de Linhares partir para Lisboa, com um rol de acusações de que se justificará no Conselho de Estado em 1635, o convento das Mónicas é palco do famoso milagre da imagem de Jesus que, de tosca, movendo-se, chorando e sangrando, se torna perfeita, sendo Frei Diogo autor duma uma Relação sobre o caso. Depois arde o convento, mas voltará a ser reconstruído e ainda hoje está vivo e firme,  perto da impressionante ruína duma torre de grande altura, o que resta da igreja do Convento de S. Agostinho.
Potala, a fortaleza espiritual dos Dali Lama, em Lhasa, numa pintura de Nicholai Roerich.
7-X. Sete dias depois do ministro chinês Chu-En-Lai declarar que o Tibete deve ser libertado, as forças chinesas invadem o Tibete, neste dia em 1950, «para libertar os três milhões de tibetanos da opressão imperialista e assegurar as defesas nacionais da fronteira ocidental da China». Inicia-se uma violação sistemática dos direitos e liberdades fundamentais dos tibetanos, com graves perdas do património humano e artístico (mais de três mil mosteiros destruídos e de milhares de mortos). Já no século XXI tem havido mudanças na  ideologia do governo chineses de modo que as  suas próprias tradições de sabedoria taoísta, confucionista, budista e tibetana, e mesmo a do cristianismo, já não  limitadas pela superestrutura gelada do materialismo agnóstico, desabrochem  numa autonomia digna para todas as minorias englobadas no gigantesco país, cada vez mais forte e entrosado planetáriamente pela sua fabula produção-exportação e pela inserção no tão promissor e necessário BRICS, que em  luta grande vai tentando não se deixar destruir pelo capitalismo globalista unilateral Ocidental.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Inícios do naturismo em Portugal: João Bastos, "Saúde e longevidade", harmonia e felicidade. Crítica das "oligarquias cegas e da insensatez da alimentação".1907

                                                          

     Entre os livros dos começos do naturismo e vegetarianismo em Portugal, da 1ª década do séc. XX,  um com bastantes ideias ousadas é A Saúde pela longevidade (um grito de alarme), de J. [oão] Bastos.  Publicado em 1907, num in-4º de 101 páginas, que tenho nas mãos num exemplar encadernado editorialmente  em tela verde, com as letras gravadas a ouro e que contém na folha da guarda, num reclame de papel: Livraria e Papelaria de Soares & Matheus. Rua Augusta, 178, Lisboa. A obra fora impressa numa das zonas ligadas à tipografia lisboeta, a rua de S. Paulo, 216 na Typografia A Liberal, de César Correia. 
                                
Na 1ª folha branca, vemos numa bela letra a dedicatória, não datada, do autor "À Benemérita Sociedade Vegetariana de Portugal", fundada pelo dr. Amílcar de Sousa, em 1911, com este espaço de quatro anos de permeio indiciando o seu pioneirismo.
                     
 João Bastos, no seu amor pela verdade e a saúde, e com a sua sensibilidade, inteligência e conhecimentos,  diz o que pensa sem receios, criticando tudo o que lhe parece um defeito social, o que lhe parece estar em desequilíbrio, tentando esclarecer, corrigir e gerar a saúde já que esta leva à felicidade da longevidade. A sua moral é conservadora, em alguns aspectos algo intolerante face a tendências mais ou menos erradas da sociedade moderna, mas noutros brilha pela simplicidade e naturalidade, pela experiência e conhecimento. 
O livro abre com a dedicatória às filhas, na "idade dos verdes anos"  mas desejando que "desfeita a primavera da vida" elas venham a poder "compreendê-lo integralmente. Então, enleadas d'alma como eu o estou hoje no seu benéfico intuito social, não vos canseis de o ler muitas vezes e sempre aos maridos, aos filhos, aos netos, e, por festas tradicionais de família, não vos esqueçais de brindar com ele as vossas melhores amigas". E conclui, imortalizando as filhas como discipulas instrutoras, pedindo: "filhas boas e generosas de sempre, compensai-me, como prémio de gratidão em vida ou culto de memória na morte, apontando  e explicando os trechos mal alinhavados deste livrinho, livrinho que no pleno uso da minha razão vos testo e na maior expansão do meu amor vos dedico."
As teses principais do livro são a degenerescência, e que já vem de longe, da saúde das pessoas, a qual é bem estar do corpo e do espírito, este «encarando alegre, despreocupado, verdadeiramente feliz as muitas dificuldades da vida». A observância dos princípios higiénicos, tal a sobriedade, o exercício das forças, em vez dos «péssimos costumes sociais», alimentares, educativos, pois poderemos sair da situação, que ele regista como olisiponense: «Lamúria constante! Lágrimas e dores.! / Por vezes esta bela cidade de Lisboa, que devia predispor-nos à alegria, dá-nos a ideia de um grande hospital que nos imprime tristeza parecendo enedémica, e se transmite de uns aos outros, fazendo-nos sofrer. É sempre assunto a doença após a saudação habitual.»
Critica tanto as classes dirigentes como "o rústico e o proletariado" pelos vícios e a desorientação política e moral que vão contraindo nas sociedade moderna e particularmente nas cidades.
A recíproca influência da mente e do corpo, apontada frequentemente: «O spleen, a susceptibilidade, o frenesi, a nervosidade, a muita alegria ou, a muita tristeza, o egoísmo feroz, a avareza, em suma, a manifesta indisposição a sentimentos de generosidade e de altruísmo são efeitos mórbidos de um organismo defeituoso.»
Sobre o amor constata que "em geral não se casa por amor, por esse nobilíssimo sentimento, que une indissoluvelmente, para sempre, duas almas numa, não! (...) e que é necessário que ele entre em quantidade compensadora nos casamentos."
"Se o amor, como lá disse o poeta, é um engano ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito, eu, parafraseando, estou em dizer, que se o amor implicando paixão é um mal do coração que vibra e favorece todos os sentimentos, permitindo que esses idolatrados nivelem, igualem ou disfarcem génios diferentes, atavismos hereditários, defeitos físicos e morais, e assim realizem ainda problematicamente o seu maior anseio de felicidade com o acto natural da vida – o que não será o casamento inconsciente, frio de afectos próprios, ignorante de outros sentimentos leais e nobres, os olhos vendados, em que a parte mais frágil, a mulher, é sempre enganada, e a outra, o homem, a enganadora, quando não ambas enganadoras e enganadas?
É ver como tantos lares são aparentemente felizes; é observar como tantos outros são verdadeiramente desgraçados.
É ver como raros mantém equilibrada, essa ventura suprema, - o amor."
Este primeiro capítulo do seu tão actual livro, e que explica o seu sub-título, finaliza assim: «Do progresso e da civilização tem derivado o predomínio de oligarquias cegas, a torpeza da especulação, a febre do luxo, a insensatez da alimentação; vício, vaidades, orgulhos, ambições, que nos obcecam, adoentam e matam.
Estamos todos doentes! É a verdade. Não há saúde. E isto não me cansarei de repetir, qual grito de alarme, para que todos atentem, profundamente, nas minhas mal esboçadas considerações.
Do II capítulo sobre a alimentação, respiguemos um trecho substancial.
"Não vou, sobre o assunto da alimentação , embrenhar-me em minuciosidade cientificas, já tão debatidas pelos profissionais. Seria ingenuidade da minha parte. Fácil seria trasladar para aqui as opiniões dos tratadistas, ou quando menos, citar muitos dos seus nomes, de provada reputação.
Nem isso. Cada um que escolha o autor da sua mais predilecta simpatia, aquele que mais que lhe fale aos espíritos e ao sentido.
Aqui só exponho generalidades que possam ser profundadas, se nenhum intuito de formar compêndio em de fazer literatura; e, para que o sejam, é que pretendo chamar a atenção para os meus raciocínios, apenas filhos da observação e da experiência.
Assim prosseguindo, dou de baratos que os nossos profissionais não iniciem e não cultivem especialmente os tratamentos naturais pela alimentação, pela água, pelo ar ou pela luz, etc,, hoje já tão espalhados e preconizados nos países mais cultos. É aceitável.
Obcecados pelo ensino das nossas escolas retrogradas e das nossas universidades dogmáticas, eles, no seu natural interesse e até na sua louvável irresponsabilidade, tratam de cingir-se ao que da ciência lhe foi materialmente, sistematicamente, incutido no espírito [ou melhor, mente] 
É certo que, para honra e benefício do nosso Portugal e de outros idênticos países, não poucos reagem conseguindo destacar-se: nomes prestigiosos poderia citar. Mas o meio social comezinho e perverso, logo pretende aniquilá-los, segurando-os ao pelourinho do escárneo se proclamam ciência novas; atirando-os para o fundo das prisões e até à morte se proclamam ateando o facho da verdade e da justiça...
E assim aconteceu a Cicero, o grande orador da antiguidade, a quem queimaram vivo; assim aconteceu - para não referir muito nomes de somenos brilho histórico - a Cristo, o doce nazareno, que o crucificaram numa cruz! Este, o sublime anarquista (anarquista, teórica palavra que se deturpa e não se define) para no fim de tempos lhe darem plena razão, e o levantarem, por séculos fora até aos nossos dias, numa adoração mundial! E não colhem estes grandes exemplos!»
E depois de verberar a adulteração dos alimentos, tal do vinho, leite e pão, exclama: «A alimentação que ingerimos é um envenenamento de todos os dias, todas as horas.
A alimentação que somos obrigados a ingerir, é uma mixórdia que produz mau sangue e, como todos sabem, o sangue é a seiva do corpo.  
É a vida.
Se não é bom, se é mal confecionado, pouco ou demasiado, circula irregular e pobremente na nossa economia, alterando ainda que inapercebidamente as suas naturais funções e deformando os órgãos por onde passa.
O homem segundo as melhores averiguações práticas e científicas, pela configuração do seu estomago e da sua dentadura, pelo complexo delicadíssimo da sua estrutura, da qualidade e da quantidade do sangue, - é um frugívoro devendo portanto alimentar-se de frutos, vegetais, tubérculos, raizes e, quanto muito, de cereais. E só devia beber a água límpida das fonte.
As necessidades crescentes da humanidade é que obrigaram o homem a valer-se da alimentação carnívora e de outros tantos produtos nocivos."
Nos capítulos seguintes aborda com observações muito pertinentes a Escola, os Costumes, os Remédios, o Relato ( autobiográfico, em que relata a sua mudança de regime aos 49 anos, uns anos antes de publicar o livro), e por fim a Conclusão, onde manifesta a sua confiança nos que saberão como ele "empunhar a verdadeira arma de combate de alcance certo e decisivo: o cultivo da saúde que é o da feliz Longevidade."
Acrescentemos que este exemplar, na sua 1ª edição desconhecido do grande catálogo nacional Porbase,  e que foi oferecido graciosamente à Sociedade Vegetariana de Portugal, isto é, ao dr. Amílcar de Sousa, o seu fundador em 1911, foi reeditado em Agosto de 1912 pela Editora da Sociedade Vegetariana, com um prefácio do pioneiro médico, tendo mesmo em 1913 recebido uma 3ª edição, tal o sucesso no meio portuense e nortenho, então muito forte na aspiração à Harmonia pelos meios naturais. 
Constituía o VIII volume da Biblioteca Vegetariana e era assim publicitado: «Análise dos erros da vida humana civilizada. A saúde, a alimentação, a escola, os remédios e algumas curas relatadas com superior critério e verdade.» Anote-se que o IX volume era o do iminente pensador Jaime de Magalhães Lima, O Vegetarianismo e a Moralidade das Raças.
 João Bastos passou a publicar tanto na revista O Vegetariano, como no Almanaque Vegetariano Ilustrado de Portugal e Brazil, nomeadamente nos anos de 1914 e 1915.
Daremos conta desse prefácio do dr. Amílcar de Sousa e de mais alguns ensinamentos de João Bastos, a que acrescentamos agora a sua fotografia partilhada na 2ª edição da Saúde e Longevidade. 
Muita luz e amor nas almas de João Bastos e Amílcar de Sousa e suas famílias.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Учения Бориса Н. Абрамов, Грани Агни Йоги. О тонких энергиях, мастере и духовном мире. Ensinamentos de Boris N. Abramov, Facetas do Agni Yoga. Das energias subtis, do mestre e do mundo espiritual.


Ценный отрывок из учений Бориса Николаевича Абрамова, моряка, химика, профессора, эзотерика и художника (1897-1972), переданных в серии книг "Грани Агни Йоги". Борис был учеником и корреспондентом Николая и Елены Рерих и здесь говорит нам о психической энергии, необходимости самопознания, самоконтроля, сознания духовного тела, излучения огня сердца и стремлении к мастеру, Божеству, Бесконечному. Его Фасеты Агни Йоги теперь онлайн. Поделитесь через Vk.com, Елена Левинтова...

1233. От Б. Н. Абрамова. В мире земном всё начинается, и в Надземном – продолжается, оттого начинать нужно здесь, Там уже поздно. Пластичная материя и энергия иноматериальных сфер созвучны всему, что присуще сущности человека, его духу и привычному настрою мысли. Что при земной жизни сильнее всего звучало, в Тонком мире обретает особую силу и не позволяет приблизиться ни к чему иному. Потому на земле исключительно важно освободиться от всего, чему Там не должно быть места. Дурные привычки следует полностью изжить. Желательно достичь победы и власти над всеми внутренними ощущениями и чувствами, чем достигается независимость и от внешних явлений. Поскольку всё в иноматериальных сферах движется мыслью, ею и надо овладеть в достаточной степени и научиться мыслить ясносияюще. Освободившись от всех бесконтрольных камических проявлений, сознание ставит мыслям границы возможностей самовыражения. Так как в Тонком мире человек пожинает то, что сеял сознательно или бессознательно в земном, каждая мысль потребует отчёта. Зачем же брать с собой мысли вредные, которые могут оказаться хуже ядовитых змей за пазухой? Ведь Там это – видимая реальность, от которой никуда не уйти. Так что все свои силы надо направлять к формированию сияющей ауры и утверждаться на чистоте мышления. Связь с Учителем и постоянные мысли о Нём – лучшая помощь, ибо Он и Шлёт овладение ими. Чтобы человеку стать властелином своего микрокосма, огни его сердца должны пылать, сжигая ненужную ветошь. А также и элементы, полезные для всех миров и состояний, должны накапливаться. Это может происходить при единении с Владыкой и чётком исполнении Его Наставлений.

Valioso extracto dos ensinamentos de Boris Nicolayevich Abramov, marinheiro,  quiímico, professor, esoterista e pintor (1897-1972), transmitidos na série dos livros Facetas do Agni Yoga. Boris  foi um discípulo e correspondente de Nicholai e Helena Roerich e fala-nos aqui da energia psíquica, da necessidade de auto-conhecimento, auto-controle, consciência do corpo espiritual, irradiação do fogo do coração, e da aspiração ao mestre, à Divindade, ao Infinito. As suas Facetas do Agni Yoga então online. Partilha, através do Vk.com, de Elena Levintova...


De B. N. Abramov. 1233.  «No mundo terreno tudo começa, e no Além – continua, por isso é preciso começar aqui, pois lá já é tarde. 
A matéria plástica e a energia das esferas imateriais ressoam com tudo o que é inerente à essência do ser humano, ao seu espírito e ao seu habitual estado de pensamento. 
O que mais ressoava durante a vida terrena, no Mundo Subtil adquire uma força especial e não permite a aproximação de nada diferente. Por isso, na Terra, é extremamente importante livrar-se de tudo o que não deve ter lugar lá. Hábitos ruins devem ser completamente erradicados. É desejável alcançar a vitória e o domínio sobre todas as sensações e sentimentos internos, com o que se alcança a independência também em relação aos fenômenos externos. 
Como tudo nas esferas imateriais se move pelo pensamento, é necessário dominá-lo em grau suficiente e aprender a pensar de forma clara e luminosa. Libertando-se de todas as manifestações caóticas incontroláveis, a consciência impõe limites às possibilidades de autoexpressão dos pensamentos. 
Como no Mundo Sutil, onde a pessoa colhe o que semeou conscientemente ou inconscientemente na Terra, cada pensamento exigirá prestação de contas. Por que levar consigo pensamentos prejudiciais, que podem ser piores que cobras venenosas escondidas no bolso? 
Pois lá isso é uma realidade visível, da qual não se pode escapar. Portanto, todas as suas forças devem ser direcionadas para a formação de uma aura radiante e para a afirmação na pureza do pensamento. A conexão com o Mestre e os pensamentos constantes sobre Ele são a melhor ajuda, pois Ele envia a maestria sobre eles. Para que uma pessoa se torne a governante de seu microcosmo, as chamas de seu coração devem arder, queimando os trapos desnecessários. E também os elementos úteis para todos os mundos e estados [de existência do ser] devem ser acumulados. Isso pode acontecer na união com o Mestre e na execução clara de Seus Ensinamentos.»