Todos sabem da importância da alimentação na saúde fisica, na circulação energética e nos estados emocionais e psíquicos, mas só põem em causa os hábitos e as narrativas educativas (que tem alias melhorado bastante) os que começam a sofrer doenças e os que são movidos por demandas fortes de ordem afectiva e cognitiva.
Ao longo dos séculos alguns pensadores ou religiosos mais importantes transmitiram preceitos de ordem alimentar, higiénica e ritualistica que sobreviveram e ainda hoje informam, movem e unem movimentos, grupos, religiões e povos que estão presentes na nossa sociedade contemporânea global.
Um destes últimos grupos ou movimentos é o Vegan, que embora existindo há muito como vegetarianismo, distinto do lacto-vegetarianismo, tem nas últimas décadas se desenvolvido bastante no Ocidente, por várias razões, desde o crescimento da consciência que o leite e os seus produtos derivados infligem sofrimentos aos animais, ou que são pouco próprios para o ser humano ou que estão muito tratados com químicos e medicamentos, ou que o seu consumo deixa uma pegada maior no eco-sistema planetário.
A partir do começo do século XX no Porto e em Lisboa, desenvolveram-se sociedades naturistas e vegetarianas que tiveram grande dinamismo em termos de livros, revistas, encontros, curas, pensões e restaurantes, destacando-se em tal movimento os nomes de Jaime de Magalhães Lima, João Bastos, Amílcar de Sousa, João de Vasconcelos, Eliezer Kamenesky, Julieta Menezes Rodrigues Ribeiro, José de Castro, Indivero Coluci, António Cardoso, alguns deles propondo mesmo o frugivorismo como base, sempre que o clima o permitisse.
Em Portugal há já um razoável número de adeptos, produtores e lojas, ou restaurantes oferecendo a opção vegan, pelo que com regularidade realizam-se mercados ou feiras, alguns com grande abrangência de pessoas, grupos e empresas trabalhando ou valorizando as alternativas naturais, orgânicas, tradicionais, ecológicas, desde o vestuário ao calçado, arquitectura, design, cura natural, ervas medicinais, sabonetes, perfumes, óleos essenciais e incensos, arte do papel, desenhos, minerais, etc. Em geral palestras, pequenos cursos, aulas de yoga, massagens, música e coros são por vezes oferecidos, como por exemplo na Feira da Fava, anual, em Setembro, em Loulé, talvez a que reúne mais variedade de oferta, num belo e imenso jardim da simpática cidade algarvia, muito dinâmica na cultura.
No antigo armazém da Lisboa Oriental, o Loft Marvila, decorreu há dias, a 11 de Outubro, de 11h às 18h, o Mercado Vegan, já na sua X edição, com cerca de trinta participantes. Recolhemos algumas fotografias (fracas, por telemóvel) já perto do fim, das pessoas que dialogamos e compramos frutos das suas criatividades tão amorosamente realizadas para alimentar e purificar, e gerar saúde e harmonia
*** ***
















