Do artigo no blogue: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2017/07/agosto-e-as-suas-efemerides-do-encontro.html, selecionei da última semana estas, com leves aumentos ou melhorias. Boas inspirações e realizações: Talent de bien faire!
24-VIII. Nasce em Nova Goa, em 1904, Lúcio de Miranda. Licenciou-se em Ciências Matemáticas em Coimbra e exerceu o professorado nos Açores, Lourenço Marques e por fim, desde 1938, em Goa. Publicou livros e artigos valiosos em jornais, nomeadamente em Ponta Delgada. Em 1936, na ilha de S. Miguel dá à luz Índia e Indianos, com sete valiosos capítulos: Singularidades do Espírito Hindu; Mahatma Gandhi, Tolstoi e Gandhi; Tagore, o poeta; Shantiniketan. Buda, Duas Figuras da Índia Portuguesa (Abade Faria e Manuel António de Sousa, o heróico rei do Barué.). Acerca de Tolstoi e Gandhi escreve: «Reconhecendo assim a divindade de Jesus, o Mahatma procurou colher nos ensinamentos do Novo Testamento as forças que lhe permitiriam libertar-se dos preconceitos do velho brahmanismo decrépito», mas deveria ter referido ainda os ensinamentos nativos dos Jainas, da ahimsa ou não-violência..
| Gandhi, visto por Domingos Rebelo, no livro de Lúcio Miranda. |
26-VIII. Frei Mauro do mosteiro de S. Catarina do monte de Sinai, enviado pelo sultão do Cairo a Roma, chega a Lisboa neste dia em 1504 e entrega a carta do papa Júlio II para o rei D. Manuel, com as ameaças que o sultão do Egipto fizera de destruir os lugares santos de Jerusalém, se ele não interviesse para impedir o progresso das conquistas portuguesas no Oriente. D. Manuel, satisfeito pelo temor turco, sossega o frade, a quem dá boas esmolas para o convento, e sugere ao papa que os reis cristãos europeus devem atacar o sultão para libertar os Lugares Santos («para que todos movessem as asas da sua potência contra este bárbaro, que com suas infiéis forças tinha tiranizado o santuário da nossa Redenção»), o que ele qualquer dia fará, se Deus aprouvesse, ao «entrarem suas armadas no mar Roxo, até irem destruir a casa de abominação de Mafamede, injúria e opróbio da religião cristã».

Assado a fogo lento, morre em Omura no Japão, em 1624, o beato Miguel de Carvalho, natural de Braga, estudante na Universidade de Coimbra e desde 1602 em Goa, onde foi mestre de Teologia. Até que foi movido a partir para o Japão disfarçado de soldado, onde aprendeu japonês e exerceu um apostolado às escondidas e perigoso, até ser preso e, por fim, receber a coroa de mártir, com grande desprendimento, coragem e alegria, que ele não sabia se era por sua insensibilidade se pela eficácia da graça de Deus, como relatou numa sua carta, uns dias de morrer, onde diz ainda: «Em breve espero receber de Nosso Senhor, esta grande mercê de dar a vida por seu amor, coisa que tanto desejo que de nenhuma maneira o posso explicar... Amem-se muito entre si e tenham grande paz e concórdia uns com os outros, ajudando-se em tudo o que puderem, uns aos outros, com isto os ajudará sempre e acrescentará o todo poderoso Deus».
Nasce neste dia 26 de Agosto, de 1854, nos arredores de Trivandrum, aquela alma que se tornará conhecida como Sri Narayana Guru, um grande pesquisador do conhecimento e da realização espiritual, tendo estudado até aos 10 anos no antigo sistema de gurukula, aprendendo só de um mestre. Formou-se em Literatura Sânscrita e Filosofia Vedanta. Não quis casar-se e partiu em busca de mestres e ensinamentos, vivendo depois seis anos numa gruta solitário e em meditação. Sendo reconhecido como um mestre e dotado do poder de abençoar, construíram-lhe um ashram que ele consagrou a Shiva, embora O considerasse acima de raças, religiões e castas. Valorizava muito a limpeza e a pureza, o não se beber álcool, e o discutir não para se ganhar, mas para conhecer ou tornar conhecido. Teve uma grande acção pela igualdade e fraternidade dos seres, sendo um dos inspiradores de Gandhi na valorização dos intocáveis. Granjeou muitos discípulos e foi visitado por grandes seres que o elogiaram, tal como Rabindranath Tagore, que dele escreveu em 22-XI-1921: «Visitei muitas partes do mundo. Durante tais viagens tive a sorte de contactar muitos santos e mestres. Mas tenho de admitir que nunca alguém espiritualmente superior a Swami Sri Narayana Guru, de Kerala, ou que esteja a par com ele na realização espiritual. Estou certo que nunca esquecerei a sua face iluminada pela luz da glória divina auto-refulgente e os seus olhas yoguicos fixando a visão num ponto remoto do longínquo horizonte.»
Nasce em Skopye na Albânia, em 1910, Madre Teresa. Na Índia desde 1929, a sua energia amorosa activa e a abnegação das Missionárias da Caridade (já por todo o mundo) têm suplantado as melhores expectativas de apostolado cristão e de assistência social nas populações mais desfavorecidas do Oriente, e daí estendendo-se a todo o mundo. «Ver Jesus no mais pobre dos pobres e amá-lo», eis a tenção delas, cumprida com a dádiva do amor casto. Há também umas poucas de irmãs dedicadas à vida contemplativa. Estive com ela algumas vezes no seu centro em Calcutá e senti bem o amor e determinação que emanavam do seu pequeno corpo.

27-VIII. Neste dia em 1542, depois de reforçado por um contingente de turcos com espingardas e bombardas, Gráne, o emir de Harar, ataca os 300 portugueses (combatentes e artesões) da expedição de D. Cristóvão da Gama de auxílio ao Preste João (na Etiópia) e em fera batalha morrem heróica e abnegadamente os irmãos Onofre e António Abreu e muitos outros. Depois de terem sido várias vezes derrotados, os somalis e otomanos triunfavam finalmente pelo seu maior número, e Miguel Castanhoso, o cronista da expedição (da qual fez parte o famoso religioso etíope João Bermudes), sai ao anoitecer acompanhando a Imperatriz Espiga do Evangelho e os sobreviventes em retirada. D. Cristóvão da Gama, o filho do descobridor do caminho marítimo para Índia, 30 anos, ferido, com mais 12 guerreiros portugueses fica para trás, no dharma ou dever dos Cavaleiros do Amor e de Cristo, de proteger e não fugir, tentando aguentar a retirada da Imperatriz. A expedição portuguesa à Etiópia conseguirá o seu objectivo: destruir os invasores do reino do Preste João. Seis meses depois o imperador Cláudio, com a ajuda dos 200 portugueses que restam, derrota e mata o Gráne (Ahmad Gragn), terminando o maior aperto sofrido pelo reino cristão do Preste João na história.

| Um bom livro sobre Abhishiktananda |
| Prefácio à obra Method of Contemplative Prayer do P. James Borst, um livro recomendado por Bede Griffith, de Shantivanam. |











