sábado, 5 de setembro de 2026

Alexander Dugin. "Estamos marchando para o nosso Campo de Kulikovo". Uma hermenêutica brilhante da guerra atual. Um bom presságio para a vitória da Rússia: as relíquias do príncipe Dmitry Donskoy foram encontradas e o Patriarca Kiril, Putin e Dugin foram abençoados por elas.

                   
Bons presságios para a vitória da Rússia: as relíquias do príncipe e herói Dmitry Donskoy foram encontradas, e o Patriarca Kirill, Vladimir Putin e Alexander Dugin foram abençoados por terem a possibilidade de vê-las. Desse acontecimento e suas interconexões, Dugin realça o fundo religioso da Rússia, a riqueza de sua história e dos seus santos, e vê a importância de uma cultura e prática religiosa e de uma filosofia espiritual optimista nos  nossos dias para se resistir ao materialismo, ateísmo e até mesmo satanismo, prevalentes nos inimigos da Rússia e da Humanidade sã. Dugin exalta a ideia-mantra de sua filha Daria Dugina: o “Optimismo escatológico” "que significa fé na vitória mesmo no meio das trevas" —numa guerra que que não é apenas geopolítica mas também metafísica, e que chama cada um de nós a rezar pela salvação e lutar pela causa justa e sagrada, contra as forças sombrias apoiadas pelo Ocidente, e a permanecer na comunhão com Cristo e na unidade da verdade e realidade espiritual. 
Alexander Dugin traça um desenho magistral do conflito actual e da sua importância para a Rússia, o mundo livre, a multipolaridade e a consciência religiosa e espiritual. E no final fala com muito amor de sua filha Dasha, uma escritora e filósofa tão brilhante, agora cada vez mais conhecida e lida, sacrificada como mártir pela Rússia e por uma humanidade melhor, e agora uma guia ou musa para cada vez mais almas luminosas.
Recolhi o texto do pai de Dasha Dugina no site da Multipolar Press e sublinhei as afirmações mais relevantes na conversa deste mestre perene da Rússia, e adicionei algumas notas entre [...].

Conversa com Alexander Dugin no programa Escalation da Sputnik TV. Publicado em 28 de agosto.
Apresentador: Outro crime monstruoso ocorreu na Ucrânia. Os perpetradores não foram oficialmente nomeados, mas sabe-se que um ataque armado foi realizado no Mosteiro da Dormição de Svyatogorsk da Igreja Ortodoxa Ucraniana, resultando na morte de um monge. Os meios de comunicação ortodoxos estão publicando ativamente os detalhes. Alexander Gelyevich [Dugin], acha que eles realmente vão procurar os responsáveis, ou eles já sabem perfeitamente quem são e simplesmente vão encobri-los, dada a posição terrível e impotente em que a Igreja se encontra hoje no território ucraniano?

Alexander Dugin: Sabeis que a guerra que está sendo travada na Ucrânia agora é, entre outras coisas, uma guerra pela Ortodoxia e contra a Ortodoxia. Não se trata nem mesmo de saber a jurisdição a que comunidade ortodoxa pertence—embora, é claro, haja uma Igreja, a Igreja Ortodoxa Russa, a tradicional, e a esmagadora maioria dos ucranianos ainda pertence à Igreja Ortodoxa Russa. A Igreja Ortodoxa Ucraniana é sua parte, seu ramo inseparável. Mas, de modo geral, o curso que as autoridades ucranianas tomaram é um curso em direção ao Ocidente, ao globalismo, à pós-modernidade. E isso, é claro, vai completamente contra a Ortodoxia.
Uma verdadeira guerra aberta está a ser travada contra a Igreja Ortodoxa Russa—ou seja, contra a sua parte canônica, a UOC—portanto, ninguém irá procurar ninguém. Podereis chamar a isto  um excesso cometido pelos que o realizaram, mas na Ucrânia a Ortodoxia como tal foi, na sua essência, declarada ilegal. Foi declarada inimigo; as pessoas ortodoxas são vistas como canais do "mundo russo". Em princípio, tal só está parcialmente certo, porque essas pessoas não estão trabalhando para nós—estão a trabalhar para o Senhor. Os crentes ucranianos trabalham para Jesus Cristo, a quem o nosso povo jurou lealdade nas águas baptismais do Dnieper, através do Grande Príncipe Vladimir [em 988]. Nós e os ucranianos somos uma comunidade inseparável—histórica, religiosa, cultural—que então se comprometeu com Cristo.
Os nacionalistas ucranianos, globalistas, ocidentalizantes e neonazistas que chegaram ao poder na Ucrânia rasgaram esse pacto;  despedaçaram-no. Acusaram a Ortodoxia Russa e a própria Rus—da qual eles próprios fazem parte—de todos os pecados. E, claro, o assassinato de monges, na Lavra de Svyatogorsk— é simplesmente parte dessa força diabólica que varreu a Ucrânia. Esse território agora está sob o poder de Satanás, no sentido literal.
A propósito, o satanismo é proibido na Federação Russa; é considerado uma corrente proibida. Mas se o satanismo ainda pode ser banido — Satanás em si não pode, porque se ele não existisse, o que exactamente estaríamos banindo? E essa é precisamente a agudeza histórica da situação: uma batalha entre Deus e o diabo está em andamento. E essa batalha está a ser travada através de nós, através dos russos, através dos ucranianos, através dos países ocidentais e orientais. Estamos agora no centro desta batalha, e quando monges morrem, isso simplesmente confirma quão grave é a situação. Eles são certamente partes desta guerra; não são espiões—eles rezam a Deus, e isso é tudo. Eu até acho que, para eles, questões de relações intereclesiais são secundárias em comparação com o cumprimento de sua missão superior de servir a Deus e salvar a alma.
E se você mesmo for salvo, então, como disse São Serafim [de Sarov], “salve-se, e milhares à sua volta serão salvos.” Eles trazem salvação, e é por isso que são inimigos. E o inimigo escolhe um alvo sagrado, um alvo simbólico. Estou absolutamente convencido de que este crime permanecerá sem solução, porque por trás deste crime está toda a Ucrânia contemporânea.

Apresentador: Em paralelo com esse processo, um pouco antes na Rússia, foram descobertos os restos de Dmitry Donskoy. Representantes da Igreja Ortodoxa Russa, entre outros, chamaram a atenção para o simbolismo de isso acontecer em  momento tão difícil para o país. Vakhtang Kipshidze, em particular, observou que durante a operação militar especial estamos a defender a soberania, traçando paralelos históricos precisamente com os tempos de Dmitry Donskoy. Do seu ponto de vista, qual é a simbologia disto estar a acontecer agora?

Alexander Dugin: Isto é simplesmente um verdadeiro milagre. Muitas vezes não acreditamos em milagres e tentamos explicar tudo por processos racionais, mas isso não funciona. Às vezes, um milagre é simplesmente um milagre. Uma coisa surpreendente: eu mesmo estive lá; venerei as relíquias durante aquele breve período em que estavam abertas, antes de serem fechadas novamente. Makarov e Batalov, que supervisionam as escavações arqueológicas do Kremlin, contaram a um pequeno grupo de nós como tudo aconteceu. Uma fenda apareceu no sarcófago do pai de Dmitry Donskoy, o Grão-Príncipe Ivan, o Vermelho. No século XIX instalaram aquecimento na catedral e trataram os túmulos dos nossos santos e grão-príncipes russos de forma bastante descuidada. Acreditava-se que os dois sarcófagos estavam um embaixo do outro: o do pai e o de Dmitry Donskoy.
Quando a fenda se formou em Agosto, eles começaram a verificar a estrutura e descobriram que não havia outro sarcófago sob o do pai - ele estava ao lado. Quando o abriram para salvar toda a estrutura do colapso causado por aqueles trabalhos de aquecimento bárbaros do século XIX na Catedral de São Miguel, foram encontradas as relíquias autênticas do Grão-Príncipe Dmitry Donskoy [1350-1389], cuja identidade foi totalmente confirmada por pesquisas genéticas. E o principal é que eles foram preservados. Eu mesmo vi aquele corpo: em mais de 600 anos tudo poderia ter-se transformado em pó, mas as relíquias estão incorruptas, e no crânio pode-se ver a marca de um golpe de um guerreiro tártaro—afinal, é sabido que ele lutou nas fileiras da frente no Campo de Kulikovo.
                                         
Sua Santidade o Patriarca Cirilo de Moscou e de Todas as Rússias veio venerar essas relíquias. O Presidente também veio e venerou as relíquias no dia 20 de agosto—precisamente naquela data simbólica em que minha filha [Darya Dugina] foi morta por terroristas ucranianos. E eu cheguei no dia 21 junto com o meu bom amigo Konstantin Malofeev e Nikita Mikhalkov. Nós encontramo-nos lá no Kremlin literalmente uma hora antes de o sarcófago ser fechado para sempre, porque todo o trabalho de restauração havia sido concluído.
Mas o que é surpreendente é o que foi o dia seguinte ao que o Presidente venerou as relíquias. Afinal, foi exatamente no dia 21 de agosto de 1380 que Dmitry Donskoy partiu de Moscou para a Batalha de Kulikovo, que vencemos com enorme dificuldade e que se tornou o ponto da reviravolta na libertação em relação ao Império Mongol e na ascensão de Moscovo como uma potência mundial, antecipando a teoria de "Moscovo—Terceira Roma" que surgiu cem anos depois, quando essa transferência da nossa missão histórica ocorreu.
É uma coincidência incrível. Por causa de obras de restauração e do aparecimento de uma fenda, acidentalmente abriram as relíquias do Grão-Príncipe Dmitry Donskoy—canonizado em 1989, pelo que isto pode ser considerado uma segunda descoberta das relíquias. A veneração pelo Presidente e pelo Patriarca reproduz uma verdadeira sinfonia de poderes, e tudo isto ocorre num momento histórico que coincide com a data da partida de Moscovo para o Campo de Kulikovo—21 de agosto. Algo como isto  simplesmente não pode ser acidental.
Nikita Sergeyevich Mikhalkov [n. 1945, cineasta e cavaleiro da Ordem de Mérito da Pátria], rezando junto ao sarcófago aberto no último minuto — afinal, ele ficará fechado por mais um século—dirigindo-se ao santo praticamente numa igreja vazia, na presença de apenas algumas pessoas, disse: “Ajude-nos, Santo; precisamos da sua ajuda, das suas orações e da sua participação.” A Rússia está numa situação extremamente difícil; a questão do "ser ou não ser" está sendo decidida—talvez como então, ou talvez de uma forma ainda mais aguda do que no Campo de Kulikovo. Estamos a avançar para o nosso próprio Campo de Kulikovo.
E o Presidente, segundo testemunhas oculares, ao sair da Catedral de Arcanjo em 20 de agosto após venerar as relíquias, estava completamente radiante. Graças a este milagre, ele convenceu-se, com nova força, da inevitável vitória da Rússia, do nosso espírito, povo e estado. Este é verdadeiramente um milagre e um ponto de viragem profunda, embora as forças das trevas também se tenham agitado. Muitos dos acontecimentos simbólicos mais importantes da nossa história—tanto os mais trágicos quanto os de ponto de viragem—ocorrem precisamente nestes dias de Agosto, do dia 19 ao 21.
A maneira como todos se levantaram contra a descoberta das relíquias do santo príncipe ortodoxo Dmitry Donskoy—o Ocidente, os ucranianos e os nossos liberais junto com cépticos, ateus, materialistas, de esquerda e de direita—prova que este acontecimento é extraordinário. É um verdadeiro sinal do céu. Os santos saem do oculto apenas em tempos críticos.
                                   
Paralelamente a isto, as relíquias de São Spiridion de Trimithous [270-348] foram miraculosamente trazidas [do Chipre] para a Rússia— um grande santo profundamente venerado na Rússia, cujas relíquias chegaram ao nosso país pela primeira vez. Compatriotas vão até elas; centenas de milhares de fiéis veneram-no nas cidades para as quais foram levadas. São Spiridion desempenha um papel colossal em nossa tradição espiritual. [Ao viver uma vida simples mesmo sendo bispo, ao defender a concepção de Deus como  Trindade e ao continuar a agir como taumaturgo.]
Como Akim Apachev escreveu recentemente com muita precisão, agora nos sentimos como dois bogatyrs [guerreiros heróis eslavos] no confronto final: "estamos cansados", o Ocidente está cansado, os ucranianos estão exaustos, e nós também estamos de muitas maneiras esgotados. Sentimos a aproximação do final desta batalha, o presságio da nossa Vitória. Claro que ela não nos será dada como um presente—já pagamos um preço enorme por isto, perdendo e continuando a perder pessoas próximas a nós. E a ajuda do intercessor celestial da Santa Rússia, o Grão-Príncipe Dmitry Donskoy, vitorioso na fatídica Batalha de Kulikovo, é simplesmente necessária para nós agora. Devemos receber este sinal que desceu do céu sobre a Santa Rússia com profunda gratidão.

Apresentador: Temos uma pergunta dos ouvintes sobre o tema; vou citá-la agora: “Acha que viveremos para ver o momento em que os demónios — referindo-se às autoridades ucranianas — decidirão declarar sagrados as caixas com os restos dos chamados heróis do novo panteão de colaboradores nazis?”
Alexander Dugin: Isso é quase exactamente o que está a acontecer. Eles honram Bandera, reenterram carrascos, assassinos, sádicos e estupradores — pessoas que exaltam e a quem de facto se curvam. Quando dizemos que a Ucrânia se transformou numa sociedade satânica, isto já não é mais uma metáfora, nem uma exagero, nem um slogan de propaganda. Na nossa terra russa, na sua parte ucraniana, algo terrível está a acontecer que faz lembrar tanto as sombrias profecias de Gogol quanto as mais horríveis cenas infernais.
Acho que podem muito bem chegar à canonização oficial. As pessoas hoje estão sendo forçadas a venerar os restos desses criminosos—e isso é uma verdadeira perversão de toda a tradição da igreja, genuínas "relíquias" satânicas. A carne suja e escura de assassinos e maníacos, decomposta até o fim, é usada para abrir os portões do inferno e extrair alimento de lá. O assassinato dos monges de Svyatogorsk, tudo o que eles fazem… A morte de crianças pequenas num jardim de infância em Krasnodar—tudo isso são elos de uma corrente, elementos de uma missa satânica sem fim, a chamada "Páscoa Sangrenta," que é celebrada sem parar na Ucrânia.
E aqui devemos todos tratar o que está a acontecer com a máxima seriedade. Neste momento, a consciência da pessoa secular, do ateu ou céptico, está a passar por um teste colossal. Durante os séculos do Iluminismo, a cultura foi mantida sob a dura pressão da doutrina de que não há nada de mais elevado, que o ateísmo é a única verdade científica, que Deus é um mito e que todos os mistérios, milagres e relíquias da igreja são enganos e "ópio do povo." Mas quando encontramos uma série de milagres—tanto os genuínos milagres celestiais quanto os milagres negros de Satanás, quando eles colidem de frente—torna-se incrivelmente difícil para a pessoa secular. Ela recorre ao cepticismo, repetindo: "Isso tudo é falso, isso não pode ser." Como resultado, a compreensão deles da realidade encolhe-se e torna-se completamente inadequada.
Se alguém descartar a história sagrada, a lógica do pensamento e da filosofia russos, se ignorar a profundidade do ensinamento da nossa Igreja Ortodoxa Russa sobre o significado da história e a missão do povo russo, se não acreditar no Apocalipse [talvez não seja tão necessário, já que não foi escrito por S. João, como já provou Erasmo, e é fonte de tanta imaginação conflituosa] e considerar tudo isso uma asneira—então o que está a acontecer hoje na Ucrânia, na nossa política, na tecnologia, no Oriente Médio e na nossa própria guerra torna-se completamente inexplicável. Do ponto de vista materialista, todos esses acontecimentos parecem irracionais—afinal, seria racional simplesmente continuar com a vida quotidiana, avançar em direção ao progresso tecnológico e não prestar atenção a nada.
Mas a base religiosa do que está acontecer, a tonalidade escatológica do nosso momento histórico, essa não pode ser ignorada. A pessoa infeliz privada de cultura religiosa  torna-se hoje a presa mais fácil para essas forças sombrias. É precisamente por isso que os gestos do nosso Presidente, do Patriarca, dos líderes de opinião, das figuras espirituais e culturais que se voltam abertamente para Deus são tão importantes. Isso já não é mais um slogan ou uma metáfora—é um chamado direto para ir à igreja, voltar-se para as Escrituras e a Tradição, pensar sobre a salvação da alma, porque o que está em jogo hoje não é algo ou outro, mas a alma de cada um de nós e o próprio destino da Santa Rússia.
Anfitrião: Na primeira metade de hoje, falamos muito sobre satanismo. Você mencionou que é uma corrente proibida, e aqui é importante acrescentar que tal também está na lista das [associações] extremistas—nós observamos a lei. Concluindo este grande tema ligado à Igreja e às relíquias: quão prontos estão os países ocidentais em geral para aceitar e entender como vemos o nosso futuro com base nesta cosmovisão? O conflito entre nossa ideologia e a posição deles vai se ampliar ou diminuir, ou ainda chegaremos a algum tipo de consenso?
Alexander Dugin: Infelizmente, isso só vai se intensificar, e nesse sentido recentemente apareceu um artigo interessante no The Spectator de um autor alemão, Döpfner, que mostrou claramente que o Ocidente é uma ideia. Uma ideia absolutamente incompatível com a existência de uma Rússia independente, ou de uma China independente, ou de um Irão independente. O Ocidente não é simplesmente um território, mas [agora, especialmente através de Bruxelas] uma ideologia rigidamente anti-cristã, anti-tradicional e hegemônica que não permite nenhum outro centro soberano de poder além de suas fronteiras. E aqui tudo é dito com extrema honestidade: ou nós ou eles—e todo o resto do mundo, que eles contam entre seus inimigos (os ortodoxos, os chineses, os muçulmanos e todos que têm uma visão de vida diferente). Entre a nossa civilização e a ocidental, uma guerra de sobrevivência está em andamento.
Quero enfatizar uma coisa importante: isto não é uma questão de contradições táticas, estratégicas ou econômicas comuns, do tipo que qualquer estado tem. Hoje estamos numa oposição radical, absoluta, metafísica e messiânica ao Ocidente, porque o Ocidente é uma ideia falsa, prejudicial, perigosa e insistente. Se quisermos preservar a nossa soberania e vencer, temos que traçar essa linha com total clareza. Estamos preparados para conversar com o Ocidente apenas nos nossos termos—nos termos do reconhecimento da nossa soberania espiritual, intelectual, política e económica. E é precisamente isso que o Ocidente coletivo nos nega hoje.
´Por isso precisamos de reunir as nossas forças e compreender que o que está por vir pode ser a maior vitória da nossa história russa, e certamente não haverá caminhos fáceis. Por muito tempo—não apenas nas últimas décadas, mas por séculos—temos estado apaixonados pelo Ocidente. Hoje, o Ocidente s tornou-se a realidade final desse mal absoluto e a Ucrânia é apenas uma de suas garras.
                                            
Apresentador: Na primeira metade da nossa conversa, lembramos de Dasha Dugina e do fato de que já se passaram quatro anos desde que ela nos foi tirada. Como ela é lembrada hoje? Na Itália, por exemplo, uma placa memorial foi inaugurada. Pessoas que se importam, pessoas que mantêm a sua memória… O que é que elas lhe escrevem? Como é lembrada—tanto aqui no nosso país como no estrangeiro?
Alexander Dugin: É realmente um milagre de um tipo particular. Dasha era uma pessoa notável, com um futuro enorme e brilhante pela frente. Ela era incrivelmente activa, muito inteligente, uma cristã ortodoxa sinceramente e fervorosamente crente e uma patriota. E exactamente quando o mundo começava a voltar-se nessa direção, ela foi morta.
Mas o seu potencial, certamente não totalmente realizado em vida, está a realizar-se de outros modos. Os seus livros estão a ser publicados tanto aqui como em todo o mundo; foram traduzidos para o inglês, espanhol e italiano— cinco livros seus foram lançados, e novos fragmentos estão a ser reunidos. As pessoas procuram as suas entrevistas, imprimem-nas e publicam-nas. A memória dela não se desvanece nem se desgasta de ano para ano; ela cresce e ganha novos tons.
Há um ano, em 20 de agosto de 2025, em Zakharovo, no Museu Pushkin—local do festival Tradição no fim do qual ela foi brutalmente assassinada por terroristas ucranianos—um  monumento magnífico a ela foi inaugurado. Em cada estação, ele muda, adaptando-se de maneira extraordinária à paisagem russa, jogando com a luz e a sombra. As pessoas levam-lhe flores: os alunos do primeiro ano vêm no início do ano letivo e os estudantes após se terem formado na universidade. Para muitos, o monumento tornou-se um ponto de encontro vivo.
E este ano, na Itália— e estou muito grato ao governo de um dos distritos da Toscana— uma placa comemorativa de homenagem a Dasha foi inaugurada. Na cidade italiana de Varese, houve um festival extraordinário e profundo chamado Daria Aletheia (do grego “verdade”). Leram os seus poemas, apresentaram uma cantata de opera escrita pelo compositor italiano Angelo Inglese. Uma actriz leu o trabalho de Dasha traduzido para o italiano—o diário As Profundezas e Alturas do Meu Coração, incluindo as suas anotações da sua jornada pela Itália.

                             
As pessoas ficaram impressionadas com a forma detalhada como ela descreveu a cultura italiana, a paisagem, a viagem de barco de Roma à Sicília. Quantas de nossas finas, observadoras e cultas jovens mulheres viajam pelo mundo — mas a jornada de Dasha tornou-se um verdadeiro símbolo. Ela escreveu sobre os mais importantes autores da cultura italiana, visitou palácios—em particular conheceu a notável Princesa Vittoria Alliata di Villafranca, proprietária da mágica Villa Valguarnera. Dasha viajou por essa Itália sagrada e deixou textos impressionantes sobre ela.

No seu livro, A Teoria da Europa, actualmente muito popular e traduzido para quase todas as línguas europeias, ela diz: - "Eu gostaria de ver outra Europa—uma Europa de tradição, sagrada, cristã, cultural e filosófica. Eu a amo, sonho com ela e discirno-a através do horror que reina na Europa contemporânea." "Esta Europa está a desaparecer; salvem a minha Europa," pediu Dasha.
Quando os italianos ouviram a actriz—e ela realmente leu trechos de The Depths and Heights of My Heart com grande profissionalismo—as pessoas simplesmente choraram. Os presentes foram abalados por este apelo penetrante aos europeus: "Acordem! Voltem para vós próprio! Nós, russos, estamos a fazer esta difícil jornada; estamos retornando às nossas raízes sagradas—façam o mesmo. Aquelas palavras atingiram-nos com a sua extraordinária e profética profundidade.
Dasha agora está-se a revelando por um lado que nem nós, seus pais, nem mesmo os seus amigos conhecíamos completamente antes. Quando se vive ao lado de alguém, os detalhes do dia a dia muitas vezes escondem o que é realmente importante. Agora esse essencial está a começar a desvendar-se mais. Muitos  chamam a Daria, a Pensadora. No seu monumento em Zakharovo segura um livro, e as pessoas que vão lá interrogam-se: Que livro é esse? Platão? Ou uma obra futura dela? Afinal, publicamos a maioria de seus livros apenas após a sua trágica e martirizada morte. O livro nas suas mãos é um símbolo de uma obra ainda não escrita, uma que ainda precisa ser criada.
Dasha tornou-se um símbolo do futuro, um símbolo de soberania espiritual, um sinal da nossa verdadeira juventude russa intelectual, espiritual, ortodoxa e patriótica. Ela tornou-se a figura que os guia. Sim, temos uma constelação de guerreiros, temos santos, temos um governante e temos génios, mas Dasha encontrou o seu próprio lugar nessa linha, incorporando o que Fyodor Mikhailovich Dostoiévski já falava no século XIX. Ele escreveu sobre os jovens russos  — pessoas dotadas do senso moral mais apurado e penetrante. Eles podem não ser tão hábeis, competentes, avançados ou bem-sucedidos quanto os jovens de outros países; podem às vezes ser tímidos e encolher-se diante de discursos altos e egocêntricos; mas possuem o principal— a profundidade e a pureza do coração russo, aquela moralidade penetrante.
                                       
Dasha tornou-se para as novas gerações a personificação exacta dessa juventude russa. Nem sempre como ela parece à superfície—com todas as suas fraquezas passageiras, preguiça, desleixo, ambições ou falhas que às vezes criam uma imagem distorcida. Mas no fundo de cada pessoa russa, de cada rapariga russa e de cada jovem, uma centelha russa pura está a pulsar. E em certo momento, ela desabrocha. Dasha tornou-se um convite para aqueles mundos, uma guia para um espaço de pureza, fidelidade e espírito.
Isto é sentido bastante aqui na Rússia —a sua memória é honrada de uma maneira completamente não oficial. Não é propaganda oficial e não é um denominador comum banal; ela fala às camadas mais profundas da alma humana. Dasha parece despertar a fé na vitória, na fidelidade, e ela convoca: - lutem, mantenham-se firmes, amem, formem famílias, sejam fiéis à Rússia, à Igreja, à nossa missão, e certamente venceremos.

Na sua vivência, aquele mesmo optimismo que chamamos—continuando seus próprios pensamentos e textos—optimismo escatológico. É a confiança na nossa vitória mesmo quando tudo ao redor está sombrio, mesmo sob o preço de um sofrimento e sacrifício inimagináveis. Esse é o testamento de Daria Dugina: acredite no futuro, nunca desista, mesmo quando for difícil e insuportável, continue lutando.
As pessoas que a cercavam no início da operação militar especial também se tornaram mártires: Vladlen Tatarsky, com quem ela tinha um excelente relacionamento; Pavel Kanishchev—líder da União da Juventude Eurasiana, que morreu na libertação da aldeia de Konstantinopolskoye, o que também é simbólico. Para aquele mundo da juventude espiritual russa que tomou a batalha final da história sagrada como uma questão pessoal, Dasha tornou-se um símbolo absoluto, uma fonte de luz. O notável artista Dmitry Sever criou um belo mural dedicado a ela, no qual as figuras são tecidas com letras, e escreveu a frase: “Precisamos de uma revolução do espírito.” Dasha encarna essa revolução espiritual e despertar. Em sua vida, ela provavelmente não concebera totalmente a magnitude da sua futura missão, mas agora todos a veem, e está a acontecer de uma maneira completamente natural.
                                               
Estou imensamente grato aos milhões de pessoas em todo o mundo que se lembram da Dasha e mantêm a sua memória viva. O número de mensagens e palavras de apoio que me chegam é enorme—essas condolências não param. Para mim, cada dia destes quatro anos ainda é o dia vinte de agosto. E será assim no futuro; não pode ser superado. Mas as pessoas sentem isso; elas enviam milhares de respostas de todo o mundo, e a Dasha está verdadeiramente viva.
Durante sua vida, ela foi conhecida e tratada com enorme respeito e afecto. As pessoas costumavam dizer-lhe: "A Dasha é igual ao seu pai, só que melhor." Eu gostava imenso disso, e Dasha também—ela sentia que estava continuando e desenvolvendo o que não tivemos tempo de terminar. E agora ela está desempenhando essa função num nível completamente diferente. Ela  tornou-se muitas vezes mais elevada e pura do que todos nós, mas continua, ilumina e transforma o que dedicamos nas nossas próprias vidas— as vidas de seus pais e dos próximos. Ela não foi para lugar nenhum; ela não deixou as nossas fileiras; num um sentido espiritual,  ela agora está à frente delas.

Apresentador: Falando precisamente do optimismo escatológico de que Daria falou... A transmissão de hoje é construída de muitas maneiras em contrastes: de um lado, os relatórios do nosso Ministério da Defesa, ataques a alvos militares e armazéns no território do porto de Odessa; do outro, o ataque ucraniano a um centro infantil em Krasnodar, onde, conforme relatou o nosso defensor do povo, três adolescentes foram mortos. Há alguma compreensão—nós temos, mas aqueles na Ucrânia que dão essas ordens, e aqueles que financiam tudo isso, têm—de que isso é, para dizer o mínimo, errado? Ou nem mesmo "um pouco errado", mas simplesmente monstruoso?
Alexander Dugin: A maçã não cai longe da árvore: vemos perfeitamente bem quem está por trás do regime ucraniano e o apoia. Lembramos os ataques a escolas com crianças que os americanos e israelitas realizaram no início da guerra com o Irão [escola de Minab, 160 crianças deliberadamente sacrificadas satanicamente na guerra impiedosa contra uma civilização religiosa], e os milhares de crianças que morreram em Gaza sob os bombardeamentos mais cruéis, insensíveis e desumanos. E realmente devemos esperar alguma consciência deles?
Depois de toda aquela enxurrada de mentiras, depois dos massacres de crianças perpetrados pelo Ocidente e seus afiliados por procuração em diferentes partes do mundo, não há nada com que uma pessoa se se possa surpreender. Não poderemos responsabilizá-los até derrotá-los. Eles sempre nos responderão com duplicidade de pensamento e cinismo, declarando: "Vocês, russos, são os culpados de tudo; vocês começaram tudo isto." Esperar arrependimento, desculpas ou uma mudança de posição deles é completamente inútil. Eles querem nos destruir completamente—cada um de nós, junto com nossos filhos.
É por isso que é hora de entender: esta guerra está a ser travada não pela vida, mas até a morte. Não se trata de uma melhoria parcial das posições geopolíticas, nem de fronteiras, nem de controle sobre zonas. O que está em jogo é o próprio ser ou não ser da Rússia. E estamos a pagar o preço mais alto e terrível por isso, porque a morte de crianças é o limite absoluto da dor, o que prova a extrema gravidade do que está acontecendo.
Neste mundo, apenas os vencedores são ouvidos. Há uma fórmula dura: os vitoriosos não são julgados, mas os derrotados são sempre julgados, porque supostamente estão "sempre errados." Se não vencermos, seremos punidos pelos nossos próprios sacrifícios e sofrimentos. Então, conversas sobre arrependimento ou desculpas devem ser adiadas até a vitória.
Precisamos nos concentrar completamente no principal: atingir a infraestrutura criticamente importante do inimigo e libertar todo o território da Ucrânia. Este tumor não pode ser deixado no corpo—caso contrário, continuará a espalhar-se. Devemos livrar o nosso corpo russo desse fenômeno profundamente tóxico, o nazismo ucraniano, e do Ocidente que o apoia. Podemos não alcançar o Ocidente diretamente—embora esta guerra possa se transformar numa guerra mundial, e mais de uma vez terminamos guerras mundiais nas capitais das potências europeias derrotadas (embora, é claro, seria melhor não deixar que tal aconteça). Mas somos obrigados a libertar toda a Ucrânia. Esta é uma questão de "ser ou não ser" para a própria Rússia. E após a vitória, todos responderão por seus actos de acordo com a justiça.

Anfitrião: Como podem as pessoas que enfrentaram — Deus me livre— a morte ou ferimentos de parentes, a perda de bens ou de um negócio... Como, nessa situação, podem manter o mesmo otimismo de que Daria falou?
Alexander Dugin: Você vê qual pode ser o preço do optimismo—o preço de uma posição firme espiritual, moral e patriótica. O preço de nossas opiniões, ideias e convicções, para nossa grande tristeza, é a morte. A morte vem para todos: para aquele que arriscou, e para aquele que tentou se esconder-se, para aquele que perdeu muito, e para aquele que, ao contrário, apenas adquiriu. Nisso, talvez, reside a maior justiça.
O que tanto nos assusta, o que tememos e odiamos, pode ser o acontecimento mais importante e profundo das nossas vidas. Se essa morte é digna, se pagamos com a nossa vida pelo que acreditamos, pelo que amamos e defendemos… como diz o ditado, "entre os próprios, até a morte é bela"; torna-se uma bela morte. Transforma-se numa elevação de mártir, num verdadeiro triunfo. Mas se uma pessoa passou todo o tempo a esconder-se, escapando, ocupando-se apenas com assuntos quotidianos mesquinhos—a morte ainda assim a alcançará mais cedo ou mais tarde, olhará para ela e perguntará: "O que  fizeste com toda a tua vida?" Correste de uma coisa para outra, procurando o que era mais conveniente e mais confortável? Que criatura inútil foste. E agora  a tua vida vai desmoronar-se, e nada de ti restará."
Como a morte virá para todos, a maior virtude é lembrar-nos dela, manter a lembrança da morte [a antiga prática, em vida, da Ars Moriendi]. Acho que as pessoas precisam lembrar-se disto e viver a existência que lhes foi concedida na Terra de maneira digna, verdadeira, como convém a uma pessoa ortodoxa russa.»
                                                  

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Alexander Dugin."We Are Marching to Our Kulikovo Field". A bright hermeneutic of the present war. A good omen for the victory of Russia: the relics of the prince Dmitry Donskoy were found and Patriarck Kiril, Putin and Dugin were blessed by them.

    Good omens for Russia's victory: the relics of the prince and hero Dmitry Donskoy were found, and Patriarch Kirill, Vladimir Putin and Alexander Dugin were blessed by having the possibility to see them. From that event and its interconnections, Dugin explores the the religious past of Russia, the richness of its history and saints, and sees the importance of a religious culture in our days to resist the materialism, atheism and even satanism prevalente in the Russian enemies. He extols the idea-mantra of his daughter Daria Dugina: the “eschatological optimism” "which means faith in victory even in darkness" —in a war that is not just to be seen as geopolitical but also metaphysical, calling each one of us to pray for salvation and fight for the just and sacred cause, against the dark forces supported by the West, and to abide in Christ communion and in the unity of the spiritual truth and reality. 
Alexander Dugin draws a magistral drawing of the present conflict and its importance to Russia, the free world, multipolarity and religious and spiritual consciousness. And at the end he speaks with much love of his daughter Dasha, a so bright writer and philosopher, now more and more known and read, sacrificed as a martyr for Russia and a better Mankind, and now a guide or muse.
I just took the text from the father of Dasha Dugina Platonova's site in the Multipolar Press and underlined the most relevant affirmations in the conversation of this perennial master of Russia, and added a few notes in [...].
                              
Conversation with Alexander Dugin on the Sputnik TV program Escalation. Published on 28 August.
Host: Another monstrous crime has taken place in Ukraine. The perpetrators have not been officially named, but it is known that an armed attack was carried out on the Holy Dormition Svyatogorsk Lavra of the Ukrainian Orthodox Church, resulting in the death of a monk. Orthodox media are actively publishing the details. Alexander Gelyevich [Dugin], do you think they will actually look for those responsible, or do they already know perfectly well who they are and will simply cover for them, given the dire and powerless position in which the Church finds itself today on Ukrainian territory?

Alexander Dugin: You know, the war now being waged in Ukraine is, among other things, a war for Orthodoxy and against Orthodoxy. It is not even really a question of whose jurisdiction this or that Orthodox community falls under—although, of course, there is one Church, the Russian Orthodox Church, the traditional one, and the overwhelming majority of Ukrainians still belong to the Russian Orthodox Church. The Ukrainian Orthodox Church is its part, its inseparable branch. But generally speaking, the course the Ukrainian authorities have taken is a course toward the West, toward globalism, toward postmodernity. And that, of course, runs completely contrary to Orthodoxy.
A genuine open war is being waged against the Russian Orthodox Church—that is, against its canonical part, the UOC—so no one will be looking for anyone. You could call it an excess committed by those who carried it out, but in Ukraine Orthodoxy as such has, in essence, been declared outlawed. It has been declared the enemy; Orthodox people are regarded as conduits of the “Russian world.” In principle they are partly right, because these people are not working for us—they are working for the Lord. Ukrainian believers work for Jesus Christ, to whom our people swore allegiance in the baptismal waters of the Dnieper under Grand Prince Vladimir [in 988]. We and the Ukrainians are one inseparable community—historical, religious, cultural—that then pledged itself to Christ.
The Ukrainian nationalists, globalists, Westernizers, and neo-Nazis who came to power in Ukraine tore up that covenant; they ripped it apart. They accused Russian Orthodoxy and Rus itself—of which they themselves are a part—of every sin. And of course the murder of monks, the Svyatogorsk Lavra—this is simply part of that diabolical force that has swept over Ukraine. That territory is now under the power of Satan, in the literal sense.
By the way, Satanism is banned in the Russian Federation; it is considered a prohibited current. But Satanism can still be banned—Satan himself cannot, because if he did not exist, what exactly would we be banning? And that is precisely the historical sharpness of the situation: a battle between God and the devil is underway. And that battle is being fought through us, through Russians, through Ukrainians, through Western and Eastern countries. We are now at the center of this battle, and when monks die, that simply confirms how serious the situation is. They are most certainly parties to this war; they are not spies—they pray to God, and that is all. [Om, Amen] I even think that for them questions of inter-church relations are secondary compared with fulfilling their higher mission of serving God and saving the soul. 
And if you yourself are saved, then, as Saint Seraphim [Sarov] said, “Save yourself, and thousands around you will be saved.” They bring salvation, and that is why they are enemies. And the enemy chooses a sacred target, a symbolic target. I am absolutely convinced that this crime will remain unsolved, because behind this crime stands the whole of contemporary Ukraine.
Host: In parallel with this process, a little earlier in Russia the relics of Dmitry Donskoy were discovered. Representatives of the Russian Orthodox Church, among others, have drawn attention to the symbolism of this happening at such a difficult time for the country. Vakhtang Kipshidze, in particular, noted that during the special military operation we are defending sovereignty, drawing historical parallels precisely with the times of Dmitry Donskoy. From your point of view, what is the symbolism of this happening right now?

Alexander Dugin: This is simply a real miracle. We often do not believe in miracles and try to explain everything by rational processes, but that does not work. Sometimes a miracle is simply a miracle. An astonishing thing: I myself was there; I venerated the relics during that very brief period when they were open, before they were closed again. Makarov and Batalov, who supervise the Kremlin archaeological excavations, told a small group of us how it all happened. A crack appeared in the sarcophagus of Dmitry Donskoy’s father, Grand Prince Ivan the Red. In the nineteenth century they installed heating in the cathedral and treated the tombs of our Russian saints and grand princes rather carelessly. It was believed that two sarcophagi lay one beneath the other: the father’s and Dmitry Donskoy’s own.
When the crack formed this August they began checking the structure and discovered that there was no other sarcophagus under the father’s—it was next to it. When they opened it in order to save the entire structure from collapse caused by those very barbaric nineteenth-century heating works in the Archangel Cathedral, the authentic relics of Grand Prince Dmitry Donskoy [1350-1389] were found, whose identity has been fully confirmed by genetic research. And the main thing is that they have been preserved. I myself saw that body: in more than 600 years everything could have turned to dust, yet the relics are incorrupt, and on the skull one can see the mark of a blow from a Tatar warrior—after all, it is known that he fought in the front ranks on Kulikovo Field.
His Holiness Patriarch Kirill of Moscow and All Rus came to venerate these relics. The President also came and venerated them on August 20—precisely on that symbolic date when my daughter was killed by Ukrainian terrorists. And I arrived on the 21st together with my good friend Konstantin Malofeev and Nikita Mikhalkov. We found ourselves there in the Kremlin literally an hour before the sarcophagus was closed for good, because all the restoration work had been completed.
But what is astonishing is the day after the President venerated the relics. After all, it was exactly on August 21, 1380, that Dmitry Donskoy set out from Moscow for the Battle of Kulikovo, which we won with enormous difficulty and which became the turning point in the liberation from the Golden Horde and the rise of Moscow as a world power in anticipation of the “Moscow—the Third Rome” theory that arose a hundred years later, when this transfer of our historical mission took place.
This is an incredible coincidence. Because of restoration work and the appearance of a crack they accidentally opened the relics of Grand Prince Dmitry Donskoy—canonized in 1989, so this can be considered a second finding of the relics. The veneration by the President and the Patriarch reproduces a genuine symphony of powers, and all of this occurs at a historical moment coinciding with the date of the departure from Moscow for Kulikovo Field—August 21. Such a thing simply cannot be accidental.
Nikita Sergeyevich Mikhalkov [n. 1945, film maker and  cavalier of the Order for Merit to the Faterland], praying at the sarcophagus opened at the last minute—after all, it will be closed for another century—addressing the saint practically in an empty church, in the presence of only a few people, said: “Help us, saint; we need your help, your prayers and your participation.” Russia stands in an extremely difficult situation; the question of “to be or not to be” is being decided—perhaps as then, or perhaps in an even sharper form than on Kulikovo Field. We are marching to our own Kulikovo Field.
And the President, according to eyewitnesses, coming out of the Archangel Cathedral on August 20 after venerating the relics, was completely radiant. Thanks to this miracle he became convinced with new force of the inevitable victory of Russia, of our spirit, people, and state. This is truly a miracle and a profound turning point, although the forces of darkness have also stirred. Very many of the most important symbolic events of our history—both the most tragic and the turning-point ones—occur precisely in these August days, from the 19th to the 21st.
The way everyone has risen up against the discovery of the relics of the holy right-believing Grand Prince Dmitry Donskoy—the West, the Ukrainians, and our liberals together with skeptics, atheists, materialists, left and right — proves that this event is extraordinary. It is a genuine heavenly sign. Saints come out of concealment only in critical times.
And in parallel with this, the relics of Saint Spyridon of Trimythous [270-348] were miraculously brought to Russia—a great saint deeply venerated in Rus, whose relics have arrived in our country for the first time. Compatriots go to them; hundreds of thousands of believers venerate him in the cities to which they are brought. Saint Spyridon plays a colossal role in our spiritual tradition. [As living a simple life even as bishop and defending the conception of God as a Trinity and by continuing to act as a thaumaturge.]
As Akim Apachev recently wrote very accurately, we now feel like two bogatyrs [slavics warrior heroes] in the final clash: we are tired, the West is tired, the Ukrainians are exhausted, and we too are in many ways depleted. We sense the approach of the finale of this battle, the portent of our Victory. Of course it will not be given to us as a gift—we have already paid an enormous price for it, losing and continuing to lose people close to us. And the help of the heavenly intercessor of Holy Rus, Grand Prince Dmitry Donskoy, victor in the fateful Battle of Kulikovo, is simply necessary to us now. We must receive this sign that has descended from heaven upon Holy Rus with deep gratitude.
Host: We have a question from listeners on the topic; I will quote it now: “Do you think we will live to see the moment when the demons—meaning the Ukrainian authorities—decide to declare holy the relics of the so-called heroes from the new pantheon of Nazi collaborators?”
Alexander Dugin: That is almost exactly what is happening. They honor Bandera, they rebury executioners, murderers, sadists, and rapists—people whom they exalt and to whom they in fact bow down. When we say that Ukraine has turned into a satanic society, this is no longer a metaphor, not an exaggeration, and not a propaganda cliché. On our Russian land, on its Ukrainian part, something terrible is taking place that makes one recall both Gogol’s dark prophecies and the most horrific infernal scenes.
I think it may well come to official canonization. People today are being forced to venerate the remains of these criminals—and this is a genuine perversion of the entire church tradition, genuine satanic “relics.” The filthy, dark flesh of murderers and maniacs, decomposed to the end, is used to open the gates of hell and draw nourishment from there. The murder of the Svyatogorsk monks, everything they do… The death of little children in a kindergarten in Krasnodar—all these are links in one chain, elements of an endless satanic mass, the so-called “Bloody Easter,” which is celebrated without end in Ukraine.
And here we must all treat what is happening with the utmost seriousness. Right now the consciousness of the secular person, the atheist or skeptic, is undergoing a colossal trial. For centuries of the Enlightenment, culture was held under the hard press of the doctrine that there is nothing higher, that atheism is the only scientific truth, that God is a myth, and that all church mysteries, miracles, and relics are deception and “opium for the people.” But when we encounter a whole array of miracles—both genuine heavenly miracles and the black miracles of Satan, when they collide head-on—it becomes incredibly difficult for the secular person. He falls back on skepticism, repeating: “This is all fake, this cannot be.” As a result his understanding of reality shrinks and becomes completely inadequate.
If one discards sacred history, the logic of Russian thought and philosophy, if one ignores the depth of the teaching of our Russian Orthodox Church on the meaning of history and the mission of the Russian people, if one does not believe in the Apocalypse [may be not so much needed, as it was not written by S. John, as Erasmus already proved] and considers all this nonsense—then what is happening today in Ukraine, in our politics, in technology, in the Middle East, and in our own war becomes completely inexplicable. From a materialist point of view all these events look irrational—after all, it would be rational simply to get on with ordinary life, move toward technological progress, and pay no attention to anything.
But the religious underpinning of what is happening, the eschatological tonality of our historical moment, cannot be wished away. The unfortunate person deprived of religious culture today turns out to be the easiest prey for these dark forces. That is precisely why the gestures of our President, the Patriarch, opinion leaders, spiritual and cultural figures who openly turn to God are so important. This is no longer a slogan or a metaphor—it is a direct call to go to church, to turn to Scripture and tradition, to think about the salvation of the soul, because what is at stake today is not something or other, but the soul of each of us and the very fate of Holy Rus.
Host: In the first half of today we spoke a great deal about Satanism. You mentioned that it is a prohibited current, and here it is important to add that it is also on the list of extremist ones—we observe the law. Concluding this large theme connected with the Church and with relics: how ready are Western countries in general to accept and understand how we see our future on the basis of this worldview? Will the conflict between our ideology and their position widen or diminish, or will we still arrive at some kind of consensus?

Alexander Dugin: Unfortunately, it will only intensify, because recently an interesting article appeared in The Spectator by a German author, Döpfner, who clearly showed: the West is an idea. An idea absolutely incompatible with the existence of either an independent Russia, or an independent China, or an independent Iran. The West is not simply a territory but [now, specially through Brussels] a rigidly anti-Christian, anti-traditional, and hegemonic ideology that does not permit any other sovereign centers of power beyond its borders. And here everything is said with extreme honesty: either we or they—and the entire rest of the world, which they count among their enemies (the Orthodox, the Chinese, Muslims, and everyone who has a different view of life). Between our civilization and the Western one a war of survival is underway.
I want to stress one important thing: this is not a matter of ordinary tactical, strategic, or economic contradictions of the kind any states have. Today we stand in a radical, absolute, metaphysical, and messianic opposition to the West, because the West is a false, harmful, dangerous, and insistent idea. If we want to preserve our sovereignty and win, we have to draw that line with complete clarity. We are prepared to talk to the West only on our terms—on the terms of recognition of our spiritual, intellectual, political, and economic sovereignty. And that is precisely what the collective West denies us today.
So we need to gather our strength and understand that what lies ahead may be the greatest victory in our Russian history, and there will certainly be no easy paths. For too long—not only in recent decades, but for centuries—we have been infatuated with the West. Today the West has become the final reality of that very absolute evil, and Ukraine is only one of its tentacles.

Host: In the first half of our conversation we remembered Dasha Dugina and the fact that four years have already passed since she was taken from us. How is she remembered today? In Italy, for example, a memorial plaque was unveiled. People who care, people who keep her memory… What do they write to you? How is she remembered—both here in our country and abroad?

Alexander Dugin: It really is a miracle of a particular kind. Dasha was a remarkable person, with an enormous, bright future ahead of her. She was incredibly active, very intelligent, a sincerely and fervently believing Orthodox Christian and a patriot. And just as the world began to turn in that direction, she was killed.
But her potential, perhaps not fully realized in life, is being realized now in another way. Her books are being published both here and around the world; they have been translated into English, Spanish, and Italian—all five of her books have come out, and new fragments are being gathered. People search out her interviews, print them, and publish them. Memory of her does not fade or wear away from year to year; it grows and takes on new tones.
A year ago, on August 20, 2025, in Zakharovo, at the Pushkin Museum—the site of the Tradition festival after which she was brutally murdered by Ukrainian terrorists—a magnificent monument to her was unveiled. In every season it changes, fitting in an extraordinary way into the Russian landscape, playing with light and shadow. People bring flowers there: first-graders come at the start of the school year, and students after graduating from university. For many, the monument has become a living gathering place.
And this year in Italy—and I am very grateful to the leadership of one of the districts of Tuscany—a memorial plaque in Dasha’s honor was unveiled. In the Italian city of Varese there was an extraordinary, profound festival called “Daria Aletheia” (from the Greek for “truth”). They read her poems, performed an operatic cantata written by the Italian composer Angelo Inglese. One actress read Dasha’s work translated into Italian—the diary The Depths and Heights of My Heart, including her notes on her journey through Italy.

People were stunned by how finely she described Italian culture, the landscape, the boat trip from Rome to Sicily. How many of our fine, observant, cultivated young women travel the world—but Dasha’s journey became a true symbol. She wrote about the most important authors of Italian culture, visited palaces—in particular she knew the remarkable Princess Vittoria Alliata di Villafranca, owner of the magical Villa Valguarnera. Dasha traveled through that sacred Italy and left astonishing texts about it.
She has a book, A Theory of Europe, very popular now and translated into almost every European language. In it she says: I would like to see another Europe—a Europe of tradition, sacred, Christian, cultural, and philosophical. I love it, I dream of it, and I discern it through the horror that reigns in contemporary Europe. “This Europe is disappearing; save my Europe,” Dasha said.
When the Italians heard the actress—and she really did read excerpts from The Depths and Heights of My Heart with great professionalism—people simply wept. Those present were shaken by this piercing address to Europeans: “Wake up! Return to yourselves! We Russians are making this difficult journey; we are returning to our sacred roots—do the same.” Those words struck them with their extraordinary, prophetic depth.
Dasha is now revealing herself from a side that neither we, her parents, nor even her friends fully knew before. When you live next to someone, everyday details often hide what matters most. Now that essential thing is beginning to come through. Many call her Daria the Thinker. Her monument in Zakharovo holds a book, and people who come there wonder: what book is it? Plato? Or a future work of her own? After all, we published most of her books only after her tragic, martyred death. The book in her hands is a symbol of a work not yet written, one that still remains to be created.
Dasha has become a symbol of the future, a symbol of spiritual sovereignty, a sign of our true Russian intellectual, spiritual, Orthodox, and patriotic youth. She has become their guiding figure. Yes, we have a constellation of warriors, we have saints, we have a ruler and we have geniuses, but Dasha has taken her own place in that line, embodying what Fyodor Mikhailovich Dostoevsky already spoke of in the nineteenth century. He wrote about Russian young people—people endowed with the sharpest, most piercing moral sense. They may not be as deft, skilled, advanced, or successful as the youth of other countries; they may at times be shy and shrink before loud, self-enamored discourses; but they possess the main thing—the depth and purity of the Russian heart, that piercing morality.
Dasha has become for new generations the embodiment of just that Russian youth. Not always as it appears on the surface—with all its passing weaknesses, laziness, slackness, ambitions, or flaws that sometimes create a distorted image. But deep inside every Russian person, every Russian girl and every young man, a pure Russian spark is beating. And at a certain moment it opens. Dasha became an invitation into those worlds, a guide into a space of purity, fidelity, and spirit.
And that is felt here in Russia as well—her memory is honored in a completely unofficial way. This is not official propaganda and not a banal common denominator; she speaks to the deepest layers of the human soul. Dasha seems to awaken faith in victory, in fidelity, and she calls: fight, stand your ground, love, start families, be faithful to Russia, to the Church, to our mission, and we will surely win.
In her lived that very optimism which we call—continuing her own thoughts and texts—eschatological optimism. It is confidence in our victory even when everything around is dark, even at the price of unimaginable suffering and sacrifice. That is Daria Dugina’s testament: believe in the future, never give up, even when it is hard and unbearable, keep fighting.
The people who surrounded her at the beginning of the special military operation also became martyrs: Vladlen Tatarsky, with whom she was on excellent terms; Pavel Kanishchev—leader of the Eurasian Youth Union, who died in the liberation of the village of Konstantinopolskoye, which is also symbolic. For that world of spiritual Russian youth that took the final battle of sacred history as a personal matter, Dasha became an absolute symbol, a source of light. The remarkable artist Dmitry Sever created a beautiful mural dedicated to her, in which the figures are woven from letters, and wrote the phrase: “We need a revolution of the spirit.” Dasha embodies that spiritual revolution and awakening. In her lifetime she herself probably did not fully grasp the scale of her future mission, but now everyone sees it, and it is happening in a completely natural way.
I am boundlessly grateful to the millions of people around the world who remember Dasha and keep her memory. The number of messages and words of support that come to me is enormous—these condolences do not stop. For me every day of these four years is still the twentieth of August. And it will be that way in the future; it cannot be overcome. But people feel it; they send thousands of responses from all over the world, and Dasha is truly alive.
In her lifetime she was known and treated with enormous respect and affection. People often said to her: “You are just like your father, only better.” I liked that immensely, and so did Dasha—she felt that she was continuing and developing what we had not had time to finish. And now she is performing that function on an entirely different level. She has become many times higher and purer than all of us, but she continues, illuminates, and transforms what we gave our own lives to—the lives of her parents and those close to her. She has not gone anywhere; she has not left our ranks; in a spiritual sense, she now stands at the head of them.

Host: Speaking precisely of the eschatological optimism Daria talked about… Today’s broadcast is built in many ways on contrasts: on one side, the reports of our Ministry of Defense, strikes on military targets and warehouses on the territory of the Odessa port; on the other, the attack on a children’s center in Krasnodar, where, our ombudsman reported, three teenagers were killed. Is there any understanding at all—we have it, but do those in Ukraine who give these orders, and those who finance all of this, have it—that this is, to put it mildly, wrong? Or not even “somewhat wrong,” but simply monstrous?
Alexander Dugin: The apple does not fall far from the tree: we see perfectly well who stands behind the Ukrainian regime and supports it. We remember the strikes on schools with children  that the Americans and Israelis carried out at the beginning of the war with Iran [Minab, 160 children deliberated sacrificied satanicaly in the ruthless  war against another state Civilization religious], and the thousands of children who died in Gaza under the cruelest, most unfeeling and inhuman bombardments. And do we really expect any conscience from them?
After that whole flood of lies, after the mass killings of children carried out by the West and its proxy affiliates in different parts of the world, there is nothing to be surprised at. We will not be able to call them to account until we defeat them. They will always answer us with double standards and cynicism, declaring: “You Russians are to blame for everything; you started it all yourselves.” To wait for repentance, apologies, or a change of position from them is completely pointless. They want to destroy us entirely—every last one of us, together with our children.
That is why it is time to understand: this war is being fought not for life, but to the death. It is not about a partial improvement of geopolitical positions, not about borders, and not about control over zones. What is at stake is the very being or non-being of Russia. And we are paying the highest and most terrible price for it, because the death of children is the absolute limit of pain, which proves the extreme seriousness of what is happening.
In this world, only the victors are heard. There is a hard formula: the victors are not judged, but the defeated are always judged, because they are supposedly “always in the wrong.” If we do not win, we will be billed for our own sacrifices and sufferings. So talk of repentance or apologies should be put off until victory.
We need to concentrate completely on the main thing: striking the enemy’s critically important infrastructure and liberating the entire territory of Ukraine. This tumor cannot be left in the body—otherwise it will keep spreading. We must rid our Russian body of this deeply toxic phenomenon, Ukrainian Nazism, and of the West that supports it. We may not reach the West itself directly—although this war could grow into a world war, and more than once we have finished world wars in the capitals of defeated European powers (though it would of course be better not to let it come to that). But we are obliged to liberate all of Ukraine. This is a question of “to be or not to be” for Russia itself. And after victory, everyone will answer for their deeds according to justice.
Host: How can people who themselves have faced—God forbid—the death or wounding of relatives, the loss of property or a business… How, in that situation, can they keep the very optimism Daria spoke of?
Alexander Dugin: You see what the price of optimism can be—the price of a firm spiritual, moral, and patriotic stand. The price of our views, ideas, and convictions, to our great sorrow, is death. Death comes to everyone: to the one who took risks, and to the one who tried to hide, to the one who lost a great deal, and to the one who, on the contrary, only acquired. In that, perhaps, lies the greatest justice.
What so frightens us, what we dread and hate, may be the most important and deepest event in our life. If that death is worthy, if we pay with our life for what we believed in, for what we loved and defended… as the saying goes, among one’s own people even death is beautiful; it becomes a beautiful death. It turns into a martyr’s elevation, into a genuine triumph. But if a person spent the whole time hiding, slipping away, occupying himself only with petty everyday affairs—death will still overtake him sooner or later, look at him, and ask: “What did you do with your whole life? You ran from one thing to another, looking for whatever was more convenient and more comfortable? What a worthless creature you were.” And now you will collapse, and nothing of you will remain.
Since death will come to everyone, the highest virtue is to remember it, to keep the remembrance of death [Ars Moriendi]. I think people need to remember that and live out the existence allotted to them on earth worthily, truly, as befits a Russian Orthodox person.»


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Comte de Larmandie, "Notes Esotériques. Magie et Religion"; um exemplar do naturista e também esoterista Ângelo Jorge. Apreciação da obra e breves biografias. Com a oração de S. Tomás de Aquino para os escritores.

O Conde de Larmandie foi um escritor, poeta, novelista, que participou nos movimentos literários, rosacrucianos e esotéricos do final do séc. XIX e começos do XX com bastante qualidade pois era culto, inteligente, sensível e escrevia bem.
André Ludovic Marie Joseph Léonce Dieudonné de Larmandie nascera em 16 de Outubro de 1851 no castelo de Sudrie, na Dordogne. Depois de ter estudado com os jesuítas  partiu para Paris, onde estudou matemática e formou-se em Direito, exercendo vários cargos de  ensino, envolvendo-se no jornalismo politico. Católico mas esoterista simultaneamente, pouco depois de se ter casado em 1846, encontrou Joséphin Péladan (1858-1918), ou Sâr Péladan, que o impressionou bastante pelo seu génio (mas foi recíproco o encanto das afinidades profundas), assumindo-o como seu mestre e tornando-se em Maio de 1891  um dos co-fundadores da Ordem da Rosa-Cruz Católica do Templo e do Graal, na qual foi nomeado comendador de Geburah, responsável material pelas realizações artísticas que se iriam iniciar com os salões da Rosa-Cruz, valiosos encontros artísticos e esotéricos que decorreram com grande brilho e originalidade entre 1891 a 1897, gerando grande "publicidade sensacional", e dos quais dá testemunhos valiosos, em 1903, no seu Notes de Psychologie Contemporaine. Entre'Acte Ideal. Histoire de la Rose Croix. O conde de Larmandie destacou-se também na Sociedade dos Génios de Letras, de 1890 a 1900, e no fim de tudo, em 1921, quando partiu para o além, para de novo dialogar com o genial Sâr Péladan, escrevera mais de cinquenta obras de poesia, literatura, política, teatro, arte e esoterismo.
Sâr Mérodak Péladan. A sua vasta, profunda e intensa obra estética e esotérica foi traduzida recentemente para italiano por Luca Sartore.

Casara em 1886 com Blanche-Marguerite Marion, mas na 2ª década do XIX sofreu a morte da filha, da mulher, e dos três filhos na I grande Guerra. A suas últimas obras publicadas (que eu conheça) foram Aimer et mourir, 1908, e Amour et l'Astral, de 1909. Em 1891 publicou uma obra, que marcava o início do movimento da Rosa Cruz Católica do Templo e do Graal, Eôraka, Notes sur L'Ésotérisme, com uma poderosa apresentação de Sâr Péladan  um emotivo agradecimento a ele por Larmandie, e ainda uma dedicatória muita grata pelo seu exemplo e magistério ao Abade Alta, um sacerdote esotérico. A obrazinha, tentando apresentar a unidade do esoterismo por detrás de todas as religiões e tradições, algo ingénua na credibilidade de fontes que cita e algo crítica do Catolicismo corrente gerou muitas ondas reactivas. Em 1898 resolveu explicar esse episódio da sua vida publicando Notes sur l'Ésotérisme. Magie et Religion, no Chamuel, Editeur, que depois passou a ser distribuída pela Librairie Génerale des Sciences Occultes, Biblioheque Chacornac, como pode ver na fotografia:
Com 195 páginas, Magie et Religion é uma defesa pública, como explica no início, e uma demonstração da desejável união da Religião e do Esoterismo:
«Há cerca de cinco anos chegou-me a hora do infortúnio - os leitores apreciarão -  de publicar num número moderado de exemplares um livro muito pequeno destinado a fazer grande algazarra: Eokora, notes sur l'esoterisme: As questões abordadas estavam na moda e são ainda gora avidamente estudadas, das mais apaixonadamente discutidas. Eu emiti algumas considerações novas sobre a fraternidade íntima do ocultismo e da religião. Esforcei-me de demonstar o acordo não somente possível mas necessário entre o catolicismo  do qual sou um adepto fervoroso, e a alta magia, de outro modo, o esoterismo: eu designava por isso pela interpretação verdadeira, a explicação intelectual de todos os símbolos  apresentados à multidão sob um revestimento alegórico, e que os que pensam devem aprofundar  tanto quanto pode ser dada à nossa natureza frágil de avançar, tudo inundado de raios, no vestíbulo do Infinito. Levei para a minha obra todo o meu labor, toda a boa fé, todo o meu entusiasmo  cerebral e sentimental pela única realidade  que merece ser procurada e adorada: a Verdade, a Verdade divina, a Verdade integral, que, seres limitados, nunca atingiremos na Eternidade nem no Tempo, mas para as quais devemos elevar-nos de todas nossas forças, de todo o desabrochar das nossas almas, do seio das nossas sombras terrestres, para merecer no Além de a aproximar indefinidamente, como a infatigável  [linha] assimptota converge sem cessar para a curva misteriosa que ela não deve reencontrar jamais. Mais uma vez, infelizmente, fui punido da minha lealdade de pensador, da minha sinceridade de escritor, pois a minha ligeira brochura  [Eoraka, Notes sur l'esotérisme] suscitou contra mim as mais violentas tempestades, e tive de perder amizades preciosas, uma delas com grande desgosto meu, ainda não acalmado, engolido para sempre.
Os Católicos partidários da letra que mata, não compreendendo o espírito que vivifica, clamaram heresia e  escândalo, os não crentes atacaram-me pelo facto de eu querer galvanizar o que eles chamam, de modo blasfemador, o cadáver da Religião.»
As cento e noventa e cinco páginas são então uma tentativa de se justificar perante os que o atacaram, tentando clarificar como a religião católica e o esoterismo, conjuntamente permitem uma visão do mundo e do ser humano  que ajuda à edificação duma sociedade mais justa, consciente e espiritual.
Na Primeira nota ou parte do livro perpassam as críticas aos defeitos de muito tipo de pessoas que o atacaram, e elogios aos que souberam compreender o seu livrinho (mesmo criticando-o, tal o reitor universitário Monsenhor Maurice Hulst, e que mereceu de Larmandie uma muito instrutiva resposta, transcrita, ou ainda os abades Louis Duchesne e Alfred Loisy), mas não iremos fazer agora uma apresentação crítica do seu conteúdo, partilhando apenas os títulos dos capítulos e a Conclusão, além da oração de S. Tomás de Aquino para os escritores, com que prefacia a obra:
      «Criador inefável, verdadeira Fonte de Luz e de Sabedoria, digna de derramares sobre a noite da minha inteligência o duplo raio da Caridade-Amor, dissipando as minhas trevas originais, o Pecado e Ignorância. Vós que fazeis falar a boca das crianças instruí a minha língua e abençoai os meus lábios. Dai-me a penetração, a memória, a eloquência, a subtileza. Iluminai a minha entrada, dirigi os meus passos, completai a minha finalização. Por Cristo, Senhor Nosso, Amen»
A Magia e Religião está então dividida em quatro Notas, a Primeira: Sobre o acolhimento do [seu livrinho] Eoraka pela opinião, contendo 18 acutilantes capítulos, intitulados: Intelectualidade e esoterismo. Franco-maçons e protestantes,  O Inferno e o Index. M. Renan. A Adivinhação pelos Sonhos. O corpo Astral. O Budismo. Formas de devoção. O Diabo, etc. 
A nota Segunda, em que demonstra o seu profundo conhecimento da religião católica e a possibilidade da sua conciliação com o esoterismo,   propondo entendimentos novos a partir do passado, Sobre a Teoria Esotérica dos Sacramentos, com 14 capítulos, tais Relações e diferenciações do plano religioso ao plano mágico, do plano anímico ao intelectual. Os ritos e os símbolos. Sacramentos de delegação Celeste, de comunicação Divina, de purificação e auxílio. A virtualidade da Eucaristia, etc. 
A  nota Terceira, Sobre a Hermenêutica e a exegese, de 12 capítulos, tais: Bíblia e Transformismo. A Unidade da Origem. A Incarnação e o filho do homem. A segunda Enteléquia e o Verbo incarnado. Definição do sobrenatural [graça e visão beatífica]. Definição de hiperfísica. A educação intelectual de um surdo mudo cego. A evolução do Dogma, etc. 
A nota Quarta, Sobre o Fenomenismo, com 8 capítulos, tais Sugestão colectiva e sugestão individual. Dos sonhos. O exercício da alta magia. As curas sugeridas. A Acção purificadora dos Sacramentos. A Telepatia. A Contaminação do Astral. As correntes Typhonicas. O Exorcismo. E finaliza com a Conclusão: Sobre o Plano Divino, onde depois de enaltecer muito Edgar Allan Poe, e o fim do seu Eureka, termina assim o livro: «Todo o ser humano, para corresponder ao plano divino, deve professar a Religião: tanto o intelectual como o proletário não é dispensado dela. Cada ser, mesmo que se eleve muito intelectualmente, possui um animismo, sentidos, inclinações, paixões. A Magia, a ciência  suprema e perigosa, gnose da árvore da vida, não é obrigatória para ninguém; os mais intelectuais podem estudá-la, mas aventurando-se com a maior reserva no terreno das práticas; os santos, esses, repito, são frequentemente magos inconscientemente, taumaturgos pela austeridade das suas vidas e a força toda poderosa das suas orações. Em vários pontos, a Magia e a Religião unem-se intimamente, e os princípios do hermetismo fortificam a fé nas inteligências mais altas que não são seduzidas pelas formas de parábolas e que procuram o aspecto verdadeiros dos mistérios sob o revestimento dos símbolos.
Eles têm o direito ao pão do Espírito, tal como os outros ao pão da alma. (...)»
                            
A obra pertenceu ao Ângelo Jorge, como pode ver na capa, o qual assina, sem datar, e apensa o seu carimbo identificador, muito interessante para a história do esoterismo e naturismo português do começo do séc. XX: «Propagandista. Nova Ciência de Curar sem medicamentos nem operações. TERAPÉUTICA OCULTA. Naturismo e Esoterismo. Porto. Portugal»
Ângelo Jorge nasceu no Porto, 4 de Setembro de 1883, e morreu também na cidade Invicta em 17 de Dezembro 1922, e ainda criança de nove anos fora para o Brasil. A partir do seu regresso, em 1901,  começou a publicar artigos e revistas e livros, animado pela sua aspiração pedagógica, naturista, vegetariana, mentalista, libertária, esotérica, as primeiras obras sendo: Ginástica Mental das Crianças (1902) e Penumbras (1903). Em 1912 deu à luz uma original e valiosa utopia portuguesa, Irmânia, novela naturista,  que foi bem introduzida por José Eduardo Reis na reedição pela Quasi Edições em 2004. A Nova Ciência de Curar pela Natureza, e Luz nas Trevas foram as suas últimas obras.
Colaborou em várias revistas e jornais, tal O Vegetariano, e duas delas foram mesmo dirigidas por ele: A Boemia. Revista Literária, biográfica e de crítica social (Porto, 1901-1902) e a Luz e Vidarevista mensal de Sociologia, Arte e Crítica, publicada no Porto, em 1905, e sobre a qual há uma valiosa ficha na BLX, Bibliotecas de Lisboa, de Rita Correia. Menos conhecida mas não menos valiosa é a sua revista A Voz do Silêncio.
Embora naturista e libertário, Ângelo Jorge sublinhou a lápis ao lado do texto, e verticalmente com uma régua, bastantes páginas, sem contudo anotar, denotando-se nelas interesse nas críticas a aspectos negativos ou incorrectos da Igreja Católica e nas menções naturistas, rosacruzes e martinistas. Um dia abordaremos aspectos dos seus testemunhos e escritos, tal como ainda faremos em relação a Larmandie... Neles e em nós Lux! Nûr!