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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Uma oração solar. Pronunciada e escrita face ao Sol matinal.

                                 

Om Suryaya namah, Om Ravaye namah. 

 (Na palavra e vibração divina (Om), saudações ao Sol, ao Sol resplandecente).

Ó Sol Divino, abençoa a Terra e os seus habitantes.

Abre cada vez mais as mentes e corações aos teus raios e presença subtil.

Viva Deus todo poderoso, santo Amor!

Ó Sol da vida, ilumina-nos e fortifica-nos para termos e sermos o Talent de bien faire.  

(Tenção do Infante D. Henrique e dos da Ordem de Cristo)

Que este novo dia seja de grande irradiação benéfica em nós e no mundo!

Om Sat Guru namah. 

(Ó verdadeiro mestre, saudações na vibração divina!)

Que o fogo do teu esplendor brilhe no nosso íntimo  e nos religue harmoniosa e multipolarmente uns aos outros, dissipando as trevas da ignorância e ódio, egoísmo, opressão e fanatismo.

Ó Sol do conhecimento e da lucidez, da visão penetrante e clarividente, está bem vivo e dinâmico, clarificador e frutífero em todos nós.

Ó Sol Divino, saudações aos teus espíritos celestiais e aos teus amigos (awalya, corpo místico da Humanidade). Que eles nos possam inspirar no Bem e na Verdade, na Justiça e na Beleza, na Sabedoria e Amor, hoje e sempre, Aum, Amen, Amin, Hum...

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

The great victory of Lula and Brazil, by Presstv.com, one of the best alternatives sources to the fake western narratives of Reuters, BBC, CNN, Guardian and &. Congratulations!

                                                

                      Congratulations to Brazil's people and Lula da Silva and his companions for this so importante victory for the good of the people and the equitative multipolarity in the world, against a neocon that wanted Brazil out of BRICS, into the fold of western finantial and imperialist oligarchy.
Great victory for the Brazilian and worlds people, after a historic mobilisation that gave 5 million more votes to Lula.

Lula secures historic fourth term in Brazil, affirming popular will and democratic continuity

Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva has won a landmark victory in Sunday’s presidential runoff.

Monday, October 26, 2026 at 10:49 AM
Great joy in many, many, millions of hearts!
«Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva has won a landmark victory in Sunday’s presidential runoff, securing an unprecedented fourth term and delivering a clear affirmation of the Brazilian people’s commitment to democracy, social progress, and national sovereignty.
With nearly complete results from the Superior Electoral Court (TSE), Lula of the Workers’ Party (PT) obtained approximately 51.78 percent of valid votes -- roughly 64.2 million ballots -- against 48.22 percent for Senator Flávio Bolsonaro of the Liberal Party (PL), the son of former president Jair Bolsonaro.
The margin exceeded four million votes. This marks the first time since Brazil’s return to direct presidential elections in 1989 that a candidate who finished second in the first round reversed the result in the runoff.

Lula also recorded the highest absolute vote total ever achieved by a presidential candidate in Brazilian history, surpassing his own 2022 mark.
The comeback was decisive. In the first round on 4 October, Flávio Bolsonaro led with 47.03 percent to Lula’s 45.16 percent. Between rounds, Lula gained more than 10 million additional votes, driven by strong turnout in the Northeast, which is the historic heartland of the Workers’ Party, gains in key states such as Minas Gerais, and advances in major urban centers.
Abstention fell and blank and null votes declined, reflecting broad popular mobilization.
In his first remarks after the TSE confirmed the result, Lula, who turns 81 on Tuesday, described the outcome as “a defeat of denialism and lies.”
He stressed that Brazil “will not be anyone’s backyard,” a direct reaffirmation of the country’s independent path and rejection of external pressures. Lula pledged to govern for all 215 million Brazilians, to deepen popular participation, and to regulate digital platforms that he said had attempted to interfere in the electoral process.
Lula thanked the Brazilian people, particularly the youth and women who mobilized in defense of democratic gains, and noted that from the moment the election is won, there are no longer adversaries, only the task of governing the entire nation.
Vice President Geraldo Alckmin hailed the result as Lula having “saved Brazilian democracy for the second time.” International progressive leaders quickly congratulated the president-elect.
Mexican President Claudia Sheinbaum declared: “Long live democracy, the people of Brazil won. Congratulations, President Lula.”
Leaders from Paraguay, Uruguay, Bolivia, Panama, and Cuba also extended recognition, underscoring Brazil’s continued role as a pillar of Latin American sovereignty and Global South cooperation.
The election day itself saw a last-minute two-hour nationwide extension of voting hours ordered by Supreme Federal Court Justice Cristiano Zanin after reports of disrupted public transport in several states, a measure intended to protect the right to vote.
Flávio Bolsonaro’s camp has refused to concede, calling the extension an unacceptable change of rules and announcing plans to seek annulment of the election, echoing familiar far-right tactics of contesting legitimate results.
The TSE has affirmed the integrity of the process, and the arithmetic of the count leaves no room for reversal. Such challenges, observers note, risk further polarizing a country that has now twice chosen continuity of progressive governance over a return to the Bolsonaro family’s far-right project.
Lula’s fourth term, beginning January 5, 2027, will unfold against a Congress that remains fragmented and in a region where right-wing forces have advanced elsewhere. Yet the Brazilian electorate has once again demonstrated its capacity to reverse expectations through organized popular strength.
The victory consolidates more than two decades of PT governance at key moments and positions Brazil to continue asserting an independent foreign policy, defending the Amazon, and advancing social inclusion against external attempts to dictate its course.
In the words of the reelected president, this is the victory of the Brazilian people. The institutions have spoken, the votes have been counted, and the mandate is clear.»

sábado, 24 de outubro de 2026

Homenagem ao Irão perene! Lista de oitenta (80) livros sobre o Mazdeísmo, Zoroastrismo, Mitraísmo e Maniqueísmo, com breve apreciação.

                                          

                              


1-AUTRAN, Charles. Mithra, Zoroastre et La Pré-histoire aryenne du Christianisme. Paris, Payot, 1935. In-4º 279 p. Br. Bom estudo do notável orientalista (1879-1952) sobre as influências iranianas, do III milénio a. C até meio do I milénio d. C.  A sua valiosa La Pré-histoire du Christianisme, Autour de l' Asie Ocidentale, está em rede, na Gallica, da Biblioteca Nacional de França.

2-BAILEY, H. W. Zoroastrian Problems in the Ninth-Century Books. 2ª ed. Oxford, Clarendon Press,1971. In-4º 245 p. Tela com s/c. Anotado. Dum dos melhores especialistas, antologia de conferências, artigos de revistas sobre noções especiais da religião iraniana: a irradiação ou corpo de glória, a visão da humanidade, a cosmologia do céu e a transmissão tradicional dos textos sagrados. 

3-BHARUCHA, Ervad Sheriarji Dadabhai. Zoroastrian Religion and Customs. 3º ed. Bombay, Taraporevala, 1979. In-8º g. 210 p. B. Valioso estudo dum erudito e combativo parsi (1843-1915) sobre as origens e aspectos mais subtis do zoroastrismo, com apêndices sobre Ahura Mazda, Bem e Mal, Ahriman e o dualismo, os anjos ou Fravashis. Encontra uma boa biografia dele (1843-1915) na Encyclopediae Iranica.

4-BENVENISTE, Émile. Le vocabulaire des institutions indo-européenes. Vol. I Economie, parenté, societé. II. Pouvoir, droit, réligion. Paris, Ed. Minuit, 1969. In-4º2 vols. de 376, 340 p. B. Estudo muito erudito de linguística comparativa do vocabulário e suas significações nas principais instituições, com profusas citações dos clássicos gregos e latinos, e ainda sânscrito e avesta. Palavras iranianas avésticas, velho-persa, médio e moderno iraniano) são cerca de 200 abordadas, quantidade só superada pelas gregas. Muito valiosos os capítulos do Direito e do Sagrado, neste confessando de inicio a dificuldade, face aos desenvolvimentos particulares das línguas, de restituir o fundo comum a todas senão na palavra deiwos, com o sentido de luminoso e celeste, opondo-se ao humano que é terrestre e tal é o sentido da palavra latina homo. No avesta, spenta é o sagrado (ou ainda santo, com a sua dupla face de: carregado da presença divina, e interdito ao contacto dos homens), e junto com amerata ou amesa, imortal, deu os amesa spenta, as sete divindades, símbolos de virtudes e protectoras ou incarnadas num elemento,  que ladeiam o Deus supremo Ahura Mazda. A semelhança do eslavo, baltico e iraniano é comprovada frequentemente. As cem valiosas páginas do Sagrado, subdividem-se em: sagrado, libação, sacrifício, voto, oração e suplicação, vocabulário latino de sinais e presságios, e religião e superstição.

BERHEIM, Pierre-Antoine & STAVIDRES, Guy. Paradis. Paris, Plon, 1991. In-4º 386 p. Br. Capítulos: Judaisme, Christianisme, Islam, Zoroastrisme, Hinduisme, Bouddhisme, Taoisme, Notes. Escrito de forma irónica não capta o esoterismo de certas descrições e conceitos, e torna-se algo superficial, embora tenha havido bastante pesquisa dos textos e autores, com frequentes citações significativas e instrutivas. No Judaísmo destaca a concepção materialista do ser humano, sem alma imortal, só mais tarde admitida por alguns. O capítulos sobre o Cristianismo é melhor e mais extenso, cobrindo  a geografia e os habitantes do céu, os corpo de glória, a visão beatífica de Deus e as ocupações dos eleitos, e aborda ainda as seitas adventistas, mormons e testemunhas de Jeová, além de Swedenborg. No Zoroastrismo narras as principais concepções sobre o além, o julgamento, a ressurreição, e a reintegração da terra e o céu,  ao longo dos séculos, citando vários textos, mais detalhadamente a visão de Arda Viraf. Considera porém a maior parte das crenças como desvios ao que seria o verdadeiro ensinamento de Zoroastro que lhe parece impossível de saber,

5-BODE, Dastur Framroze Ardeshir & NANAVATTY, Pilo. Songs of Zarathustra, translated from the Avesta. London, Allen & Unwin, 1952. In-8º gr. 127 p. Cartonado. Com ded. de Bode ao orientalista William Evan Wentz. Bom prefácio do prof. Radakrishnan, tradução de algumas das Yasnas, com uma boa introdução de vinte e cinco páginas. 

6-BON, Gustave le. Les Premières Civilizations. Ouvrage illustré de 443 figures. In-fólio de 820 p. Enc. Boas ilustrações, talvez o melhor do livro. Após as introduções, aborda as civilizações egípcia,  caldaico-assíria e  judaica. Segue-se já não assim consideradas mas em Aparição dos Arias na História e na Civilização: Os Persas e Medas, e termina com o papel dos Fenícios. Gustave le Bon (1841-1931), embora não concluindo medicina tornou-se um sociólogo de renome graças aos seus livros sobre a psicologia das multidões. Contudo,  por alguns mais exigente, tal Durkheim, foi considerado um divulgador pouco científico e contém de facto muitas apreciações incorrectas e datações erradas (tal afirmar que a Índia não tinha monumentos anteriores a 250. a. C. com Asoka). Ou considerar as mulheres inferiores aos homens por razões de massa cerebral e que não deviam ser muito educadas. Nesta obra  como podemos verificar pela ordem dos capítulos, pelo número de paginas, muito poucas para a Pérsia, e pelo começo do capítulo parece trair algum menosprezo pelo Irão:«O papel dos Persas foi muito grande na história política do mundo, mas muito fraco na história da civilização.
Durante dois séculos que durou o seu poder, eles fundaram um gigantesco império; mas nas ciências, as artes, a indústria, a literatura, eles não criaram nada, e  ao tesouro dos conhecimentos acumulados pelos povos aos quais eles sucediam nada acrescentaram. (...) Ainda esclarecerá que «O contributo real dos Persas no fundo comum do progresso humano é tão mínimo que poderíamos reduzir ainda as páginas que lhes vamos consagrar.» Comparando os dois ramos indo-europeus, escreve: «Enquanto que os iranianos pela grande reforma de Zoroastro, adoptavam uma religião parada, distinta, fundada sobre o princípio do dualismo [errado], os Arianos da Índia conservavam o seu panteísmo vago e continuavam a oferecer os seus sacrifícios pacíficos aos manes dos antepassados e às forças da Natureza». Ao descrever as instituições moral e costumes, tem de reconhecer alguns dos bons carácteres persas, citando Heródoto:« Não lhes é permitido falar de coisas que não lhes é permitido fazer. Não acham nada de mais vergonhoso que mentir, e a seguir à mentira, contraírem dívidas, dizendo que, entre outras razões, que quem dívidas mente necessariamente». A bondade e a valorização da mãe e dos seus conselhos, eram também característica deles. A sua abordagem à religião é boa, baseando-se muito em Heródoto,  e observará bem que «Ahura Mazda assemelha-se ao Iahve dos Israelitas; não ao sombrio ídolo, ávido de massacres e de sacrifícios, que presidia à época heroica do estabelecimento na Palestina, mas ao Eterno espiritualizado e afinado dos profetas», embora não esclareça que este afinamento religioso e civilizacional resultara da influencia directa da Pérsia de Ciro, sobre eles. Considerará, na evolução das concepções religiosas persas, que «Ahura Mazda, cujo nome significa "soberano e omnisciente" é uma personalidade divina muito elevada, e que os Iranianos poderiam ter adorado exclusivamente num monoteísmo infinitamente mais puro que o de Israel, se o grande problema da existência do mal no mundo não tivesse atormentar os seus espíritos», o que os levaram a admitir um deus do mal, embora destinado um dia a ser definitivamente derrotado, e a reconhecer a existência de entidades celestiais elevadas, do bem e do mal, diminuindo (aparentemente) o seu monoteísmo. 

7- BOYCE, Mary. The poems of the Persian Sibyl and the Zand I vahman Yast. Cahier de Studia Iranica, nº 7. 1990. Sep. das pp. 59 a 77. Valioso estudo sobre as sibilas e os seus oráculos e como foram manifestando-se em sucessivas versões, primeiro persas, depois helénicas e judaicas, estas desde o 1º séc. a. C., e preservadas pelos cristãos. A influencia zoroástrica observa-se nelas pela assimilação da doutrina da vida e duma justiça depois da morte, pelo fim do mal no Ultimo Dia, na cópia dos poemas em hexâmetros gregos, ou dos apocalipses zoroástricos. A autora assinala a dificuldade de se estudarem os primórdios, pois os sacerdotes tentaram preservar oralmente os textos sagrados, pois a pronúncia correcta era essencial para o poder intrínseco deles se patentear, e anota que os 1ºs textos com elementos zoroástricos são do começo  do período aquemémico,  as proclamações reais inscritas na pedra, e do fim, os enigmáticos oráculos atribuídos a uma sibila Pérsica. Alexandre, ao ter destruído o império Aqueménio e queimar muitos dos seus testemunhos, fez contudo ressurgir o fogo profético ou oracular contra ele. 

 8-BREUIL, Paul du.  Zarathoustra et la transfiguration du monde. Paris, Payot, 1978. In-4ºg. 465 p. B. Um dos melhores estudos fundamentados sobre a vida e as doutrinas cosmológicas, éticas e escatológicas de Zaratustra ou Zoroastro e as movimentações e transformações desencadeadas nos povos e religiões. 

 9-BREUIL, Paul du. Histoire de la Religion et de la Philosophie Zoroastriennes. Paris, Tredaniel, 1984. In-4º 333 p. B. Anotado. Valioso estudo sobre o Zoroastrismo, os Parsis e a doutrina esperançosa de uma renovação mundial.

10-BREUIL, Paul du. La Chevalerie et l'Orient. L'influence de l'Orient sur la naissance et l'évolution de la chevalerie européen au Moyen Age. Paris, Tredaniel, 1990. In-4º 189 p. B. Valiosa história comparativa da cavalaria no Irão, no Médio Oriente e no Ocidente. 

 11- BREUIL, Hommage a Paul du...  Zarathoustra et renouveau chrétien de l'Europe. Coordenation of Démètre THÉRAIOS,  avec la colaboration de Pierre Rosniansky. Paris, Guy Trédaniel. 1996. In-4º 344 p. B. Anotado. Ensaios sobre o Zoroatrismo, as origens do Cristianismo, Mitraísmo, as fortes e prolongadas influencias na manta de retalhos do Judaísmo, as interacções e o diálogo intereligioso, com colaborações valiosas, e vários textos do notável iranólogo Paul du Breuil (1932-1991).

12-CAHIERS de l' Institut des Hautes Études Islamiques. Dialogue islamo-chrétien et Tradition primordiale.  nº 11. Milan, Le Precieux, 2001. In-4º gr.  98 p. B. Artigos: In  Memoriam Réné Guénon, por Pallavicini, diálogo religioso, contemplação, etc.

13-CAMBRIDGE University. The Cambridge Ancient History. Vol. IV. The Persian Empire and the West. Cambridge, 1939. In-4º gr. 698 p. Tela. Textos de Buchanan Gray, G. F. Hill, M. Cary, J. A. R. Munro sobre a Pérsia (mas pouco sobre a Religião), e um de F. M. Cornford sobre as Religiões de Mistérios e a Filosofia Pré-Socrática.

CAMERON, George G. Histoire de l'Iran Antique. Préface du Dr. G. Contenau. Paris, Payot, 1937. In-4º 266 p. B. Anotado por antigo possuidor. A evolução histórica desde Babilónia, reis de Simash, mensageiros divinos de Elam, Simash e Susa. O interlúdio Kassita, reis de Anzan e Susa. Esplendor de um império Elamita, Indo-Iranianos nos Zagros, Um novo reino Elamite. Chefes Medos e Persas. O eclipse de Élam. Medos e Persas. 

CEPOLLARO, Armando. Il Rituale Mitriaco. Traduzione dal papiro che tutora si conserva nella Biblioteca Nazionale di Parigi al nº 574 del Suplemento Greco della Raccolta Magica. A cura di... Roma, Editrice Atanor, 1975. In-8º 66 p. B. Vinte e quatro páginas introdutórias, dezasseis de texto, e vinte e seis finais de boa hermenêutica.

CHALDEENS, La Sagesse des... Les Oracles Chaldaiques. Traduit du grec para Edouard des Places, S. J. POsface de Alain Verse. Paris, Les Belles Lettres, 1993. In-4~º de 160 p. B. Anotado. Com os comentários de Proclus e Pselus. 

CHALUS, Paul. L'Homme et la Religion. Recherches sur les sources psychologiques des croyances. Paleolithique, Néolithique, Age du Bronze, Crete, Israel, Iran.  Paris, Abin Michel 1963. In-4º 510 p. B. Ilust. Anotado. Obra histórica de grande qualidade. O cap. VIII Les Indo-Europeens en Asie. l'Iran., de 48 págs., é muito rico de conclusões, e no subcapítulo Escathologie et Mystique, começa assim: «O Iraniano, seduzido pela pureza, cujo seu céu lhe dá um exemplo notável, seduzido pela luz, da qual a que ilumina a sua vida é de uma qualidade extrema, encontrou nas reflexões que lhe sugeria o seu meio a prova que o Deus venerado dos seus antepassados, o deus por excelência de todos os indo-europeus, era bem o verdadeiro, o único Deus.»...

CHEVRIER, Edmond [Un Ami de la Nouvelle Eglise]. Études sur les Religions de l'Antiquité. Paris, a la Librairie, 1880.  In-4º 186 p. B. Anotado. Original estudo sobre as religiões antigas, baseado sobretudo nas obras de Picquet e de Swedenborg (tal "par le Soleil, ceux de l'Église Ancienne entendaient le Seigneur et son Amour infini"), e o capítulo sobre o Irão baseado ainda em Lenormand e Harlez, afirmando nas subjectivas correspondências swedenborguianas: «Os Persas tinham festas para consagrar ou abençoar a água destinada às libações e aspersões. O fogo representava o princípio masculino ou o bem, e a água o princípio feminino ou a verdade. Depunha-se o fogo e a água sobre o limiar dos recém-casados.»

 CLAIR-TISDALL, Rev. W. St. The sources of Islam. Translated and abrigded by Sir William Muir.  New Delhi, Amarko, 1973. In-4º 102 p. Cart. com s/c. Anotado. As derivações dos ensinamentos persas, hindús, judaicos e cristãos. A sua valiosa obra A Persian Treatise está em rede no Internet Archive.

CLEMEN, C. Les Religions du Monde. Leur Nature, leur Histoire. Paris, Payot, 1930. In-4º 550 p. Br. Destaque para o capítulo La Religion Perse, embora só de dezassete páginas, tal como a egípcia, face  às  cento e trinta do Cristianismo. Nele defende a datação de 1.000 a.C. para  Zoroastro, o reformador da antiga religião persa, da qual há registos em documentos desde 1.400 a. C., referindo «Mithro, deus da fidelidade (mithra significa: acordo)», que era portanto deus da guerra contra os mentirosos, algo muito actual certamente no inconsciente dos iranianos em 2026 quando lutam contra os USA e Israel traiçoeiros. Mas há  hinos ou yasht do Khorda (pequeno) Avesta celebrando-o  como doador da prosperidade, e divindade da Luz, algo que passará para o Ocidente, no I. séc. com os mistérios de Mitra. Zaratustra conservou o culto do fogo, mas aboliu a bebida sagrada do haoma e já não fala de Mithro e de outras deidades e celebra Ahuro Mazda, o que tem a sabedoria, o forte e santo. Dele emanaram o espírito bom e o mau e os Ameshaspenta, os imortais gloriosos, designados como os sábios senhores (Mazda Ahurangho), e mais tarde Arcanjos. Será já com os Persas tardios, que o mau espírito (Angro Mainsyush) se torna um verdadeiro princípio dualista, ao qual se opõe o bom espírito.

20-CONTENAU, Dr. G. La Civilization de l'Iran au IVº millénaire avant notre ère. 25 figures hors texte. Paris, Maisonneuve, 1936. In-4º 29 p. B. O aparecimento entre 4.000 e 3.000, na região e na zona de Susa, de cerâmica com "desenhos geométricos, linhas horizontais e linhas de água, linhas direitas e oblíquas combinadas em triângulos, quadrados, losangos". Pás, e trançado ou rede, teriam sentido religioso, pois eram desenhados por um tipo de magia simpática para beneficiar a alma (já sem corpo físico) possuidora desses objectos com tais ornamentos. Admite assim que «os vasos de Susa seriam o equivalente das paisagens das mastabas [egípcias] permitindo ao defunto  dedicar-se à caça e pesca e levar a vida daqui em baixo no outro mundo.», ou pelo menos ter algumas referências ou impulsões energéticas na transição.


 CORBIN, Henry. Le paradoxe du monotheísme. Paris, Heren, 1981. In-4º gº 257 p. B. Anotado. Inclui ainda os valiosos ensaios Necessidade da Angeologia, e Da Teologia Apofática como antídoto do Niilismo.

CORBIN, ABECASSIS, DAVY, GORCEIX. L'Ange et l'Homme. Cahiers de l'Hermetisme. Paris, Albin Michel, 1978. In-4º 238 p. B. Notável e complexo artigo de 60 páginas de Henry Corbin, La Necessité de l'Angéologie, no qual, baseando-se em textos judaicos e cristãos, desenvolve teses bastante originais, tais como a identificação de Cristo a Mikael, e do Espírito Santo a Gabriel. Artigos de outros autores sobre os Anjos em Israel, no Ocidente Medieval, em Jacob Böehme, Johannes Scheffler, Swedenborg, Jean Paul e L. C. Saint-Martin.

CORBIN, Henry. Temps cyclique et gnose ismaélienne. Paris, Berg, 1982. In-4º 208 p. B. Com dois capítulos Le Temps cyclique dans le Madzeisme et dans l'Ismaelisme, com várias ligações aos Anjos, e  Epiphanie Divine et naissance spirituelle dans la gnose ismaélienne.                            

  24-CORBIN, Henry. Terre Celeste et Corps ressurréction. De l'Iran Mazdéen à l'Iran Shi'ite. Paris, Buchet-Chastel, 1960. In-4º de 419 p. B. Com ded. Anotado. Obra de referência quanto à continuidade da Persia pré-islamica na islâmica, sobretudo através de Sohravardi e os seus continuadores, os Ishraqiyin,  com uma boa antologia de extractos muito valiosos de vários mestres iranianos sobre os corpos e os mundos subtis e espirituais, por Corbin traduzidos por mundo Imaginal (alam mithali, ou Malakut), e que intermediariza o mundo sensível-material  (alam hissi), e o mundo inteligível  ou das puras inteligências querubinicas, Jabarut. Corbin falha talvez um pouco ao acentuar a imaginação activa  como o órgão de percepção em Malakut sem destacar tanto a visão pelo olho-subtil espiritual, que não é produto da imaginação, mas maturação e graça no corpo subtil-espiritual, e na awliya ou corpo místico dos Amigos de Deus

CORBIN, Henry. L'homme de Lumière dans le Soufisme Iranien. Paris, Presence, 1971. In-4º g. 231 p. B. Anotado. Excelente aproximação à orientação e iluminação, sobretudo em Sohravardi, Kobra, Nasjomddin, Ruzbehan, Najm Razi, Semnani. 

CORBIN, Henry. Corps spirituel et Terre Celeste. De l'Iran Mazdéen à l'Iran Shi'ite. 2ª ed. Paris, Buchet-Chastel, 1979. In-4º gr 303 p. B. O corpo espiritual na tradição mazdeiana, e na xiita. E 150 páginas de antologia de onze místicos. Livro de referência. Interessaria conferir as modificações da 1ª para a 2ª edição, inteiramente revista, de algum modo explicadas nas doze páginas do prelúdio à 2ª ed.

COULIANO, I. P. Out of this world. Otherwordly Journeys from Gilgamesh to Albert Einstein. Shambala, 1991. In-4º de XVI-287 p. Experiências de saída do corpo ou ascensão interna na Mesopotâmia, Egipto, Taoísmo, Budismo, Irão, Grécia, Judaísmo, a nave espacial platónica, de Plotino a Marsilio Ficino, e o apogeu das ascensões de Maomé a Dante. Muito bom. Citando os iranólogos Philippe Gignoux e Gherardo Gnoli, refere que os magos, vem de maga, uma experiencia de expansão de consciência ou extase, «um estado de visionária união com os Arcanjos Zoroastrianos, os Amesha Spenta (imortais beneficientes. Este estado é definido como uma iluminação especial (cisti) uma forma de conhecimento transcendente, para além da linguagem e percepção. Menciona ainda a ideia de que a pessoa recta ou justa (ashavan e arday) podia ainda em vida ter uma visão do que seria a vida no além. Esta tradição irá continuar no Irão, e narra as histórias de visões de Kirdir, Vishtasp e Viraz. Também os mestres espirituais shias e sunis iranianos manifestarão o seu conhecimento por visão do mundo subtil (menog) e não só o material (gêtîg). 

CUMONT, Franz. The Mysteries of Mithra. New York, Dover, 1959. In-4º X-238 p. Enc. Excelente aproximação às origens, doutrina, iniciação e liturgia mitraica. Franz Cumont, arqueólogo, filólogo e historiador foi um pioneiro no estudo e compreensão da religião mitraica e das suas raízes iranianas, bem como dos cultos e esoterismos orientais em Roma, nomeadamente da Magia e Astrologia, e talvez por isso foi algo menosprezado pelo governo belga.

CUMONT, Franz. Les Religions Orientales dans le  Paganisme Romain. 3ª ed. revue. Paris, Leroux, 1929. In-4º XXIV-353 p. Br. Dos Anais do Museu Guimet, as conferências proferidas  em 1906, por um dos grandes historiadores das religiões na época greco-romano. Capítulos: Roma e Oriente. Porquê é que os cultos orientais se propagaram. A Ásia Menor. O Egipto, a Síria, a Pérsia. Astrologia e a Magia. A Transformação do Paganismo Roman. Os mistérios de Baco em Roma, e suas vicissitudes. Nas quarenta páginas, depois de narrar as lutas contra Gregos e Romanos, afirma magistralmente: «O astro invencível dos Persas pode empalidecer e eclipsar-se, mas para reaparecer sempre mais resplandecente. A força política e militar que este povo conserva através dos séculos é o resultado e a manifestação das suas altas qualidades intelectuais e morais. A sua cultura original permaneceu sempre rebelde a uma assimilação que sofreram  em graus diversos os Ariano da Frígia, como os Semitas da Síria e os Camitas do Egipto. O helenismo e o iranismo - se é que posso empregar este termo - eram dois adversários da mesma nobreza, mas de educação diferente, que se estimavam reciprocamente mesmo combatendo-se». Que diferença abismal para os nosso dias, e para a luta traiçoeira do eixo do mal americano-israelita contra o nobre povo iraniano.

Franz Cumont, 3/1/1868-20/8/1947. 
 CUMONT, Franz. Lux Perpetua. Paris, Librairie Orientaliste, Paul Geuthner, 1949. In-4º gr. XXXIII-524 p. Enc. Anotado. Ilustrado. Capítulos: I - As velhas crenças. II - A crítica filosófica. III - A Imortalidade celeste (a As origens orientais e os Pitagóricos. b. De Posidónios à Seneca. c. Formas de imortalidade celeste).  IV - Transformações dos Infernos. (a. Onde localizar o Hades, b. Os suplícios do Inferno). V - Os Mistérios: ( a. Os cultos gregos. b. Os cultos orientais). VI - Sobrevivências mitológicas, A viagem para o além. VII - A Astrologia e as mortes prematuras (a. Doutrinas astrológicos e operações mágicas. b - A reação moral.). VIII. Neoplatonismo. (a. Plotino. b. De Porfírio à decadência do Paganismo). Uma das obras mais fascinantes sobre as religiões, doutrinas e espiritualidades, nomeadamente em relação à imortalidade da alma, a Luz perpétua,  influentes na época e ambientes greco-romanos e sobretudo Roma. Com uma introdução biográfica, amenizadora. É nos cultos orientais que se encontra mais a teologia do Irão, considerando-a a fonte principal da crença da imortalidade espiritual nos mundos celestiais dos gregos e depois do Ocidente. Encontra-se no Internet Archive. Uma obra que deveria estar traduzida em português.

CUMONT, Franz. The Oriental Religions in Roman Paganism. New York, Dover, 1959. In-4º XXIV-298 p. Enc. Anotado. As religiões do Egipto, Síria e do Irão, e suas vicissitudes e relações com o Ocidente, por um dos grandes historiadores das religiões orientais, do paganismo e da civilização greco-romano.

CURTIS, Vesta Sarkhosh. Mythes Perses. Paris, Seuil, 1994. In-8º 151 p. Br. A continuidade dos mitos e grandes figuras do Zend-Avesta, Bundahishin,  Shah-nama, Mil e uma Noites, Iskhndar-nama, com destaque para as suas entidades míticas fabulosas.

DABU, Dastur Khurshud S. Zarathustra and his teachings. Bombay, 1966. In-4º VI-90 p. B. Ilustrado, bem. Na linha parsi, por um seu sacerdote ou dastur. 

DUCHESNE-GUILLEMIN, Jacques. La religion de L' Iran Ancien. Paris, PUF, 1962. In-4º 412 p. B. Anotado. Excelentes estudos por um dos melhores especialistas da religiosidade iraniana antiga, que viveu mesmo mais de 100 anos (1910-2012) gerando por isso centenas de artigos valiosos e de comparatividade, compilados alguns online no Internet Archive.

 DUCHESNE-GUILLEMIN, Jacques. Zoroastrism. Symbols and values. Their survival and renewal. In-4º 175 p. B. Anotado. Formas de simbolização: A alma e a Virgem, As múltiplas formas dos símbolos, As entidades. O ritual. Emblemas e Insígnias. A projeção humana. Madzeísmo e Sufismo, neste último capítulo realçando, o o cálice, o vinho e a taverna como símbolos tanto madzeístas como gnósticos, e lembrando os poetas místicos sufis que mais afirmaram a continuidade madzeísta e islâmica sufi, tais Sana'i, Attar, Mawlavi Rumi, Faxreddin, Hafiz e Hatif de Isfahan.

  DUMEZIL, Georges. Le Festin d'Immortalité. Étude de mythologie comparée indo-européene. Paris, Librairie Orientaliste Paul Geuthner, 1924. In-4º gr. XIX-322 p. B. Valiosas aproximações ao ciclo da bebida da imortalidade nas diferentes nações indo-arianas: hindus, germânicos, iranianos, gregos, latinos, celtas, eslavos, arménios e Koutchéens [ou Toukarianos, já desaparecidos]. No capítulo sobre o Irão, Dumézil crê que os dois Ameshaspenta, Ameretat, o génio da imortalidade, e  Haurvatat, o da integridade, ou saúde, são tanto abstrações como génios, e que sendo o 1º o mestre ou génio das plantas e árvores, e da imortalidade, e o 2º das águas e da saúde, são erguidos no Yt. I, 25 do Avesta, aos génios que satisfazem ou alimentam os seres puros já no além. E detalha  a evolução destas abstrações personificadas, apontando para uma origem pré-madzeísta, ligada até a uma bebida da imortalidade, o Gaokerena, contra a qual as forças negativas de Ahriman lutam no período de tempo que lhes é permitido por Ormazd, a Divindade. Legível no Internet Archive. 

DUMEZIL, Georges. Heur et Malheur du Guerrier. Aspects mythiques de la fonction guerrière chez les Indo-Européens. Paris, Puf. 1969. In-4º 148 p. B. Valiosas aproximações aos veios heroicos indo-europeus, indianos, persas, gregos, romanos.  Um clássico da história das religiões e suas fundações e funções.

FIRDOUSI, Abou' Lkasim. Le Livre de Feridoun et de Minoutchehr rois de Perse. Traduction de Jules Mohil, d'a aprés de Shah-Nameh. Paris, l'Édition d'Art,  1924. In-4º 272 p. Enc. Parte importante relativa a alguns dos heróis principais do  poema histórico por excelência do Irão,  Shah-Namah, escrito já no séc. XI, mas incorporando materiais mais antigos e lendas, de tal modo que William Jones chamou-lhe uma suite de poemas épicos, que abrangem mais de 3.000 anos. Também Ernest Renan, Journal des Débats, de fevrier 1877, reconheceu a sua perenidade: «O Livro dos Reis é bem a epopeia da Pérsia. Ferdowsi acredita na glória [e no seu sentido mais elevado de Xvarnah, Kvanerah ou Farrah, a luz imortal glorificadora dos seres], ele é humano e ama o bem; para ele a civilização é o objectivo que o mundo persegue, não obstante a fragilidade dos indivíduos. Com Hafiz e Khayam, ele caracteriza este espantoso fenómeno que a literatura persa apresenta, a persistência obstinada do génio indo-europeu através das mais tristes aventuras da história asiática». 

FIROUZ, Prince M. L'Iran face à l'imposture de l'histoire. Paris, Édition de l'Herne, 197. In-4º de 172 p. B. Neto do príncipe da dinastia Qajar e ministro Hosein Ali Mirza Farmanfarma, Firouz nasceu em 1905 e foi educado no Irão e formado em Economia e Direito em Cambridge. Como o seu pai, importante político e  ministro, foi atraiçoado por Shah Reza Pahlavi a quem ajudara e morreu na prisão, tornou-se opositor do regime Pahlavi, vindo a ser a ministro do Trabalho no governo de Ahmad Qavam; mas em Julho de 1952, com a queda do governo de Qavam e perseguições, exilou-se para a Europa e embora intervindo pela palavra e a presença só deixou este livro, raro, publicado na l'Herne, na colecção Theorie et Strategie, ao lado de obras de Gluksman, Sabr Abu-Nidal e Daniel Verres, e onde espraia o seu conhecimento político, cultural e espiritual, nos capítulos: Crepúsculo das ídolos. Que a Luz seja. Ciro e os Judeus. O papel de Irão na civilização árabe. Intrigas especialistas e o culto da personalidade. O passado recente do Irão. A subida e a queda de Mossadegh. Para onde vai o Mundo. O destino do Irão.» O livro « é dedicado ao indomável Povo Iraniano e a minha bem amada mulher Mahine Dolatchah cuja coragem e a integridade me inspiraram no meu trabalho e reconfortado nas minhas tribulações». Mozaffar Firouz (1905-1988) foi um lúcido crítico do domínio explorador do imperialismo norte-americano, bem como do ocultamento da grandeza do Irão, bem explicado no capítulo Crepúsculo dos Ídolos e sintetizado na epígrafe inicial: "Como a Bíblia insiste em identificar o seu Deus c aquele de Cirus, o Judaísmo não é que uma emanação do Mazdeísmo."  Clermont Ganneau. Revue Critique. Janvier, 1880. Iremos consagrar-lhe um artigo neste blogue.

FREYE, Richard. The Heritage of Persia. New York, Mentor Books, 1966. In-8º XIX-348 p. B. Das  origens e Zoroastrismo à época mais poderosa e ao séc. X. Bem ilustrado, por um reputado professor universitário de cultura Iraniana.  

GIGNOUX, Philippe (coord.) Recurrent Patterns in Iranian Religions: from Mazdaism to Sufism. Proceedings of the Round Table Held in Bamberg. Cahier 11, Studia Iranica. Paris, Association pour l'Avancement des Études Iraniennes, 1992. In-fólio p. 173 p. B. Valiosos artigos de Ph. Gignoux, Todd Lawson, Anders Hultgard, Ph. Kreyenbroeck, Shaul Shaked e sobretudo A. S. Melikian Chirvani, com o The Wine Bull and the Magician Master, onde aprofunda a  imagem do vinho, tão recorrente na poesia mística persa, como símbolo da Luz, Nûr. 

GNOLI, Gherardo, Iran als religiöser Begriff im Madzaismus. Kleve, Westdeutcher Verlag, 1993. In-4º gr. 31 p. Br. Separata. Acerca da palavra Iran, no persa antigo arya e no avéstico airiia. 

HARLEZ, Charles de. Avesta, Livre sacré des sectateurs de Zoroastre. Traduit du texte. Tome I, II, III. Liège, Grandmont-Donders, 1875. In-4º gr. 3 vol. de VIII-291, 246 e 132 p. Cartonado. Obra clássica, pioneira e de referência. Sobre as Fravishis, escreve primeiro, «uma espécie de génios de que todos os seres parecem estar dotados, uma espécie de tipos divinos das coisas, tipos vivos e agentes». E depois: «formam uma categoria de génios bem distinta [dos Ameshaspenta, ou Arcanjos, ou santos imortais, como os traduz Harlez]; nas partes primitivas do Avesta elas aparecem como génios dos homens justos.  Unem-se aos corpos humanos no nascimento, e depois da morte transportam-nos ao céu e intercedem  pelo defunto. No Yesth XXII, 39, elas parecem confundir-se com as almas separadas do corpo. Nos Yesths mais recentes, a potência delas cresce imenso». Em consequência de melhor consciência delas ou apenas mitificação?

HENRY, Victor. Le Parsisme. Collection Les Religions des peuples civilisés. Paris, Dujarric, 1905. In-4º peq. 33 p. B. Nota de posse Rui Simões. Notável trabalho, com treze menções das Fravashis, as guardiães celestiais e, no capítulo da Demonologia, sete a Ariman. Gravei a tradução dum capítulo do livro, com breves comentários, no Youtube.

44-HUART, Clément. La Perse Antique et la civilization Iranienne. Paris, Renaissance du Livre, 1923. In-4º 295 p. B. Obra clássica dum especialista (1854-1926), bem ilustrada, com boas aproximações à religião.

HINNELS, John R. Persian Mythology. London, Hamlyin, 1973. In-fólio de 141 p. Tela com sobrecapas. Por um especialista da religião Iraniana e do Mitraísmo, e da sua influência  no Cristianismo. Capítulos: a mitologia antiga persa, a mitologia Zoroastriana, o Zurvanismo, uma heresia zoroastriana, a mitologia do Mitraísmo, Mito, ritual e simbolismo. Muito ilustrado.  

HULIN, Michel. La Face Caché du Temps. L' imaginaire du au-delà. Paris, Fayard, 1985. In-4º gr. 413 p. B. Capítulos: "1º Experiência da não-morte. 2º O Além próximo (Chamanismo e África). 3º O Além sem retorno (Mesoptâmia e Egipto). 4º Rumo à ressurreição (Irão, Israel e Islão). 5º Cristianismo e o além. (O quadro teológico: S. Agostinho e S. Tomás de Aquino). O Imaginários dos três lugares (Paraíso, Inferno e Purgatório). 6º A Índia e a Transmigração ( O Além dos Vedas e das Upanishads. A concepção vedântica dos renascimentos. Problemas éticos e religiosos da transmigração. Conclusão." Consagra 17 páginas ao Irão, onde destaca a noção que tinham da imortalidade da alma ou ruvan; de bodh, ou intelecto; e da farvashi ou fravahr «uma espécie de génio tutelar que reside no céu e preexiste ao indivíduo concreto. Ela vem incarnar-se nele no seu nascimento e retorna ao céu com a sua morte. A sua sorte é independente do destino escatológico do indivíduo, da sua salvação ou da sua danação". Dependendo dos bons pensamentos, palavras e obras, a alma passa 3 dias e noite junto ao corpo reflectindo sobre a sua vida e entoando cantos à glória de Ahura Mazda, para no quarto dia ser julgada, atravessar a ponte de Chinvat encontrar a sua Daena luminosa ou então sórdida (o Inferno é a Casa de Drouj, a mentira), a qual Hulin considera ser a personificação dos seus actos. O Paraíso supremo, de luzes infinitas e onde habita Ahura Mazda é a Casa dos Cantos (Garô demanâ, ou Gârotmân, em pehlevi), e estabeleceu-se ainda a existeência do Hamestagam um estado intermediário, para as pessoas nem mesmo boas nem más, distinguindo-se nele dois níveis, o melhor  e o pior. A obra de Mr. Hulin é valiosa, bem documentada, realizada de um modo objectivo (bem diferente da aproximação intensamente imaginal e espiritual de Henry Corbin), tentando discernir e descrever as concepções que alimentaram a visão do além na Humanidade ao longos dos séculos. Michel Hulin (1936-2026), com quem cheguei a dialogar em Lisboa, num encontro organizado na Universidade Nova por Ana Salema, escreverá mais tarde valiosas obras sobre a espiritualidade indiana.

HULL, John M. Hellenistic Magic and the Synoptic Tradition. Napperville, Alec R. Allenson, 1974. In-4º 192 p. B. Obra sobre a magia helenística nos Evangelhos, na qual a componente persa era muito importante, embora bastante proveniente duma mitificação dos Magos persas que seriam herdeiros dos segredos caldaicos, babilónicos e assírios, atribuindo-se a Zoroastro obras num total de dois milhões de linhas, embora também Oromazes, Omanos, Ostanes (o mago persa que acompanhou Xerxes nas suas expedições, e tido como mestre de Démocrito, c. 400) e Mithras tivessem grande prestígio. As três principais linhas eram a doutrina das correspondências "simpáticas" entre os diversos reinos da natureza Una (que se tornará a base do Hermetismo alexandrino), a magia e exorcismo contra os espíritos do mal ou demónios (e portanto a crença e invocação dos amesha spenta ou arcanjos, creio) e finalmente a astrologia, com raízes assírias e babilónicas, da qual o horoscopo mais antigo conhecido era do IV séc. a. C.  Capítulos: The Recovery of Hellenistic Magic. The main features of Hellenistic Magic. Miracle and Magic, Mark, Luke: the Tradition penetrated by Magic, Matthew: The tradition purified of Magic. O livro é bastante valioso para a compreensão d angeologia dos Evangelhos.

IRANI, D. J. The Divine songs of Zarathustra. With an Introduction by Rabindranath Tagore. London, Allen & Unwin, 1924. In-8º p. 79 p. Cartonado. Anotado bem. Com ded. Nove páginas  da introdução, e 120 cantos. A obra encontra-se online. Traduzi a introdução do genial poeta e mestre Rabindranath Tagore para este blogue: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/03/the-war-of-devils-against-iran.html

 KAPADIA, S. A. The teachings of Zoroaster and the Philosophy of the Parsi Religion. London, John Murray, 1905. In-8º 104 p. Tela. Metade do livro acerca das doutrinas zoroástricas, a outra de extractos das obras   

KHEZRI, Seyed Ahmad Reza and QUESADA, Juan Martos. Iranologia, Historia, Religion, Literatura. Madrid, Atenea, 2008. In-4º 214 p. B. Dezassete valiosos estudos, sobre História e Geografia, Filosofia e Religião, Literatura, Política, com destaque para os de Rafael Ramon Guerrero, El iranologo Henry Corbin y la filosofia islâmica; Alvarez-Pedrosa Nuñez, El transito del alma en el zoroastrismo en comparacion con el orfismo griego; Juan A Souto, Irán, un imperio encrucijada de culturas. 

 LAFONT, G. de. Le Madzeisme. l'Avesta. Préface d' Émile Burnouf. Paris, Chamuel, 1897. In-4º XII-374 p. B. Excelente prefácio de Burnouf, e trabalho do missionário Gaston Eugene Lafont (26/3/1837-10/5/1908), dividida em I - Madzeisme. L'Avesta. Zoroastre. E II  - Doctrines de l'Avesta. Institutions Mazdeenes. Morale de l'Avesta. A obra foi dedicada aos pioneiros: Anquetil-Duperron, Eug. Burnof, Fried, Spiegel, Martin Haug, R. Roth, F. Windischmann, "fondateurs de la Science Éranienne". 

LAING, Samuel. A Modern Zoroastrian. Revised and brought up to date by Joseph McCabe. London, Watts & Co, 1904. In-4º 128 p. B. Obra de reforma religiosa, pois S. Laing (1812-1897), era um racionalista crítico do endeusamento de Jesus que considerava que dia ser sobretudo um ideal, e reconhecia na dualidade ou polaridade entrevista por Zoroastro uma melhor quadro de vida que o apresentado pelo cristianismo, embora o seu conhecimento do Zoroastrismo derivasse do  contacto com os parsis na Índia durante os anos que esteve lá como funcionário importante britânico.

53-LANGTON, Édouard. La Demonologie. Étude de la Doctrine juive et chrétienne, son origine et son développement. Préface de G. Ryder Smith. Paris, 1951. In-4º 242 p. B. Anotado. Valioso trabalho deste teólogo britânico (n. 1886)  especialista do mal. Capítulos: «Ancienne Demonologie Semitique. La Démonologie de l'Ancien Testament, Les Rapports entre las conceptions Juives et Persanes (nas 16 págs., capítulos:  Nature du dualisme perse; caractère d'Angra Mainyou (Ahriman), Les Royaumes d'Ahoura Madza et d'Ahriman. Défaite et Destruction d'Ahriman. Les rapports entre Satan et Ahriman.).  Les rapports entre les conceptions juives et greques. Litterature juive apocryphe et apocalyptique, La doctrine enseignée dans la nouveau Testament.» «No seu pleno desenvolvimento a personagem de Satan tirou da concepção persa de Ahriman, bom número dos seus principais traços (...) e a angeologia judaica mais recente desenvolveu-se indubitavelmente sob as influências persas», apontando para no início  as babilónicas.

54-LENORMANT, François. La Magie chez les Chaldéens et les origines Accadiennes. Paris, Maisonneuve, 1874. In-4º X-363 p. B. Valioso e pioneiro estudo deste precoce e genial arqueólogo, linguista e historiador, 1837-1883, dedicado às ideias, conhecimentos e práticas religiosas e mágicas dos sumérios e Acádios os dois povos principais da Mesopotâmia, desde 3.000 a. C. na região do Iraque e Irão, e que terão influenciado a religião de Zoroastro, e destacaremos por exemplo, a deificação do fogo, e a identificação do deus mediador Silik moulou khi com o arcanjo Shraosh. Para Lenormant o magismo acádico e médico influenciara o madzeísmo posterior a Zoroastro, desenvolvendo alguns parágrafos valiosos tal na questão dos anjos da guarda, «as fravashis, no zoroastrismo, são as formas puras das coisas, criaturas celestes respondendo às criaturas terrestres, das quais elas são os tipos imortais». A obra está na Internet Archive.

LEVÊQUE. Eugène. Les Mythes et Legendes de l'Inde et de la Perse dans Aristophane, Platon, Aristote, Virgile, Ovide, Tite Live, Dante; Boccace, Arioste, Rabelais Perrault, La Fontaine.  Paris, Eugène Belin, 1880. In-4º de XXIV-606 p. Enc. Anotado. Estudos pioneiros comparativos, a partir de textos dos autores referidos sobre as Aves, a Atlântida, os mitos de Fedro, e dos Destinos da Ala, Discurso de Pitágoras, a Morte de Pocris, Rei Midas, A geração das Abelhas, o Ramo de Ouro, Lendas da Eneida, Rómulo, Cacus, Ramayana, Divina Comédia, La Fontaine, com os textos e ensinamentos indianos e persas, com muita citação e erudição.

MASANI, Rustom. Zoroastrianism. The Religion of Good Life. With a foreword by The Rev. Dr. John Mckenzie. N.Y. Macmillan Company, 1969. In-4º 125 p. Br. Anotado. Valioso estudo por um parsi, bem conhecedor da tradição zoroástrica.

MEHER, Farhang. The Zoroastrian Tradition. An introduction to the ancient wisdom of Zarathustra. London, Element, 1991. In-8º XV-139 p. B. Valioso estudo, bem anotado a lápis por Pedro Gonçalves Rodrigues, com capítulos sobre Asha, Lei Eterna e Justiça,  Bem e Mal,  o Espírito Criativo e Santo (Spenta  Mainyu), Imortalidade da alma, Fim e Renovação do Mundo (Frash-Kreti). Está legível no Internet Archive.

MÉNARD, Jacques. De la Gnose au Manichéisme. Paris, Cariscript, 1986. In-4º 105 p. B. Anotado. Valioso trabalho dum especialista da gnose. As origens, as escolas e sistemas primitivos. Os grandes sistemas gnósticos do III séc. (Basílio, Marcion, Valentino). O Maniqueísmo. Mandeus. Menard realça a influência das concepções irano-zoroástricas (além das helénicas) no gnosticismo, independentemente da tradição judaica, sobretudo Apocalíptica, algo bem patente no famoso Canto da Pérola, que surgirá nos Actos de Tome, cc. 108-113, ou nos Mandeus, ou na Epístola a Regino, codex 1 de Nag Hammadi, onde a alma retorna ao Reino celeste da luz levando consigo um corpo transfigurado. Outros filões da gnose iraniana patentes no gnosticismo são  além do dualismo moral, cosmológico e ontológico, a importância dos Enviados ou Mensageiros da Luz,  do Homem Primordial, e da conflagração do fim dos tempos, e do Julgamento. Quanto à acção de Mani no Irão, com muito sucesso de 230 a 270, foi depois desapoiada pela realeza devido à oposição dos sacerdotes de Zoroastro. Mas os seus missionários chegaram no séc IV a Roma, Dalmácia, França e Espanha e será só séc. VI que começará a desaparecer pelas perseguições.

MITHRAIC STUDIES, Journal of. Vols. I, II. London, Camelot Press, 1976. In-4º máx. 224 p. B. 2 vols. B. Valiosos artigos de vários especialistas nos estudos mitraicos, tais Roger Beck, Georges Dumézil, J. A. Boyle, R. L. Gordon, John R. Hinnels.

MOLÉ, Marian. La naissance du monde dans l'Iran pre-islamique. Dans la collection Sources Orientales, La Naissance du Monde.  Paris, Aux Editions du Seuil. 1959. In-4º 507 p. B. Reimpressão em 1994. Egito, Laos, Tibete, Sumer, Akkad, Hurritas e Hititas, China, Turcos, Mongóis, Israel, Cannan, Islão, Índia, Sião, Iran pré-histórico (26 páginas) e texto conclusivo de Mircea Eliade, Estrutura e Função do Mito Cosmogónico. Marian Mole realça a importância do sacrifício, criador e fundador,bem realizado, interroga-se sobre as origens do dualismo de Ormazd e Ahraman e oferece uma antologia de textos (gathas) mais antigos do Avesta, e dos já redigidos nos séc. IX e X, do Denkart, do Datastan i- e do Boundaishn Nos Gathas mais antigos a visão cosmogónica é também escatológica: "Desde a eternidade Ormazd existe na luz e Ahraman nas trevas, e em que Ormazd sabe que um dia Ahraman ou Ahriman, virá combatê-lo e prepara as armas com vista a este acontecimento" visão bem assumida posteriormente pelo Islão Shiaa pelo povo iraniano e muito actual face aos constantes e eminentes ataques do eixo do mal israelo-americano.  A criação inicial foi só no estado ou nível de menok, celeste, espiritual, embrionário, puro, imaculado. Só posteriormente e no processo de luta contra a força do Mal é que são criados os sucessivos Espíritos Celestiais, Amaharspand  ou Ameshaspenta ou Arcanjos e por fim os humanos e o plano físico ou terrrestre, rumo à vitória final das forças do Bem e da Luz.

MONNOT, Guy. Islam et religions. Paris, Adrien Maisonneuve et Larouse. 1986. In-4º g. 307 p. B. Anotado por dois possuidores. O padre Monnot, especialista e professor universitário do Islão e do Irão, aborda bem as relações dos muçulmanos com as outras religiões bíblicas e não bíblicas, nomeadamente do Irão e em especial o Madzéismo, a partir das apreciações dos filósofos e teólogos de então, com  apêndices finais bons, tais como o Discurso contra os cristãos e a exposição geral das suas doutrinas, por Abd Al-Jabbar,  e sobre a transmigração e imortalidade.

 NASR, Seyyed Hossein. Iran (Perse) Un aperçu sur son histoire et sa culture. Téhéran, 1352/1973. In-4º 136 p. Tela. Na introdução, Seyyed Hossein Nasr realça o Irão nunca ter perdido a sua identidade cultural, apesar de tantas invasões sofridas e influências assimiladas, sendo por isso uma civilização com grande influência no mundo, provando depois com a história, a filosofia e a ciência, a religião, a arte e arquitectura, a língua e literatura, a vida quotidiana, contos e lendas, e 22 grandes espíritos, tais Zoroastro, Ciro, Dario, Chahpour, Manes, ou dos menos conhecidos Nasir al-Din de Tous (cientista e místico do séc XIII), Nadir Châ (o rei Nader Shah Afshar 1688-1747), Amir Kabir (notável administrador e educador, 1807-1852), Sabzivari.                                            

PAIVA, Prof. Almeida. O Mitraísmo. Notas históricas e críticas sobre o Cristo Persa e o Cristo Judeu. Prefaciado pelo Exmo. Sr. Dr. Teófilo Braga. Porto, Emp. Literária e Tipográfica, 1916. In-8ºg. XVI-168 p. B. Simples e algo datado.  

PUECH, Henri-Charles. Las Religiones en el mundo Mediterraneo y en el Oriente Proximo - II. Formacion de las religiones universales y de la salvacion, bajo la dirección de... Madrid, Siglo XXI, 1972. In-8º 458 p. B. Gnosis, e Hermetismo Egipcianizante, por Jean Doresse. Religião Mandeia, por Kurt Rudolph. Maniqueísmo, por Henri-Charles Puech. Nascimento do Islão, por Toufic Fahd.

REINACH, Salomon. Orpheus. Histoire General des Religions. Nouvelle edition revue et augmentée. Paris, Picard, 1926. In-4º p. XXII-643 p. Tela. Cap. Origem das Religiões. Egipcios, Babilónios, Sírios, Arias, Hindus, Perses. Os gregos e os romanos. Celtas, Germanos, Eslavos. Chineses, Japoneses, Mongóis, Finis, Africanos, Oceano, Americanos. Os Muçulmanos, e por fim hebreus e cristianismo, em vários capítulos.  S. Reinach, (1858-1932), foi um divulgador algo superficial e tinha uma visão bastante materialista ou mítica do sobrenatural e da religião, duvidando mesmo da vida de Jesus. O capítulo Muçulmanos tem subcapítulos sobre os shiitas, o sufismo, a maçonaria em Turquia e o babismo em Pérsia, e  depois de referir o sufismo como uma das seitas dos shiias, e elogiar a sua visão emanativa de Deus e da reunião a Ele por amor, como vê em Omar Khayyan e Hafzi, ataca o desenvolvimento do sufismo, indianizado: «Desde do XII séc., talvez sob a influência da Índia, o islamismo tem os seus ascetas extáticos e charlatães, os dervishes rodopiadores, os que berram, os dançarinos, os que comem vidros, escorpiões e serpentes - iluminados ou simuladores, que formam confrarias  e vivem de impostores.»  

 RINGGREN, H.,  e STRÖM, A. V. Les Religions du Monde. Paris, Payot, 1960. In-4º 462 p. B. Valiosa obra destes dois historiadores das religiões, suecos (1917-2012 e 1909-1994),  com trinta páginas consagrado ao Islão e vinte aos Iranianos, onde distingue os do Norte - uns que se tornaram os citas da Rússia meridional, e os Ossetas sendo outro povo do Irão do norte no Cáucaso. Os do Este, vivendo nas estepes à volta do mar d' Aral e no Afeganistão, onde Zaratustra se manifestou, sendo o avéstico um seu dialecto. No tempo de Cristo o sogdien era a língua franca em grande parte da Ásia. E os do Oeste, estabelecidos desde o XI a. C., dos quais os Medos, a noroeste, que  derrotaram o império assírio, com os Babilónios, e tomaram Ninive, em 612 a. C., e os Persas, os habitantes de Fars, no sudoeste, onde outrora fora o reino de Elam. Serão estes iranianos os Persas mais conhecidos da História, com as três sucessivas dinastias dos Aqueménidas, com Ciro a vencer os medos em 550 a. C. seguindo-se Dario, Xerxes e Artaxerxes, até serem derrotados em 331 por Alexandre, o Magno. A dinastia seguinte, de 250 a. C. a 226 d. C., é a dos Arsacidas, da tribo guerreira e cavaleira dos Partas, herdeiros dos Medos. a língua parthavik, foi chamada o pehlevi. Por fim, os Sassanidas, que eram de Fars, de 226 a 650 d. C., quando Yazdgard III foi destronado pelos árabes e o Islão  A língua  falada era o persa médio, derivada do antigo e a partir do séc. X foi se tornando a língua persa actual. Realça a religião iraniana antes de Zoroastro, com Ahura Mazdah, o Sábio Senhor, uma espécie de Varuna indiano, Mithra, Sraosha, Vayu, a deusa Anahita, o deus Zervan, (tempo, céu, destino) de que bastante mais tarde se gerou o zervanismo. Aborda depois mais detalhadamente o Zoroastrismo, e por fim, as formas bastate dualistas de religião gnóstica, o Mandeísmo e Maniqueísmo.

67-SCHOEBEL, C. Recherches sur la Religion première da la race Indo-Arienne. Paris, Maison-Neuve, 1872.  In-4º 172 p. B. Com falhas. Nota de posse de Silva Telles. Charles Schoebel, 1813-1888, etnógrafo e orientalista, estudioso dos mitos da Bíblia, mas também do Budismo e hinduísmo, muito prolífero.  Demonstra profusamente a identidade inicial das duas civilizações, faz comparações bastante significativas, evidenciando bons conhecimentos: por exemplo, realça como no Avesta e civilização iraniana a mentira e a vaidade são os principais traços caracterizadores do mal. A obra está disponível no Internet Archive, tal como outras dedicadas aos mitos da Genésis.

 SHAYEGAN, Daryush. Henry Corbin, penseur de L'Islam spirituel. Paris, Albin Michel, 2011. In-4º de 428 p. B. Valioso estudo por quem o conheceu muito bem durante 17 anos, e aprofundou e transmite resumidamente muito bem a vastidão da demanda espiritual ou esotérica do Islão e do Irão realizada pioneira e genialmente por Henry Corbin (1903-1978). Conteúdo: Livro I. O Peregrino do Ocidente. II Do Ciclo da Profecia (Nobowwat) ao ciclo da Iniciação (Walayat). III Da Metafísica das Essências à Teosofia da Presença.. IV Da exposição doutrinal à narração visionária. V Do Amor humano ao Amor divino. Conclusão»

 SOHRAVARDI, Shaboddin Yahya. El encuentro con el angel. Tres relatos visionarios comentados y anotados por Henry Corbin. Madrid, Trotta, 2002. In-4º 134 p. Br. Anotado. Com notas boas de Henry Corbin, das melhores aproximações aos Anjos e Arcanjos dentro das doutrinas e simbologias zoroástricas, islâmicas e xiitas.  

 SODERBLOM, Nathan. Les Fravashis. Étude sur les traces dans le Madzeisme d'une ancienne conception sur la survivance des morts. Paris, Leroux, 1899. In-4º max. 77 p. B. C/d. Anotado. As doutrinas madzeístas do além e dos espíritos celestiais. Com ded. do  Arcebispo Nathan Söderblom (1866-1931), prémio Nobel da Paz em 1930.                                                                                                                                 

-STAPERT, Aurelia. L'Ange Roman dans la pensée et dans l'art. Préface de Henry Corbin. Paris, Berg International, 1975. In-4º gr. 441 p. Valioso estudo. Oito páginas de H. Corbin, com referência ao anjo no Zoroastrismo, em Sohrawardi e no Xiismo.  No cap. I. Presença do Anjo, aborda o anjo do Islão, e no Irão. II O Anjo no Pensamento Romano  (no monaquismo, escolas teológicas, nos visionárias - Hildegarda e Hadewijch- na liturgia e oração. O Anjo na arte Romana: no V. e N. Testamento. Arcanjos. Muito bem ilustrado.  

 TARAPOREWALA, I. J.S. The religion of Zarathustra. Bombay Chronicle Press, 1965. In-4º VII-180 p. Cart. Bom estudo: I A religião de Zarathustra, II As Gathas de Zaratustra, III Três religiões esquecidas: Mitraísmo, Maniqueísmo e o Mazdaquismo, este já no fim do séc. V. 

 TAJADOOD, Nahal. Les porteurs de Lumière. Vol. I. Peripéties de l'Église chrétienne de Perse III-VIII siècle. Paris, Plon, 1993. In-4º gr. 369 p. B. Anotado Excelente. Por um erudito iraniano, especialista na Pérsia antiga e cristã-nestoriana e nas suas relações com a China. A história do profeta iraniano Mani (216-276) e das suas doutrinas, lutas e expansões. Com prefácio lúcido de Jean-Claude Carrière, a terminar assim: «Os desejos de outrora dirigem-nos hoje ainda, e para alguns os mesmos sonhos, conduzindo às mesmas caridades  ou às mesmas ferocidades. Com esta diferença - a única? - que nós cremos saber que o Paraíso não existe, pelo menos sobre este planeta, e que esse Deus universal que alguns de entre nós não param de rezar, outros oram para que ele nos extermine.»

75- THÉRAIOS, Démètre (Coord.). Zarathoustra et renouveau chrétien de l'Europe. Hommage a Paul du Breuil, avec la colaboration de Pierre Rosniansky. Paris, Guy Trédaniel. 1996. In-4º 344 p. B. Anotado. Démètre Théraios foi o discípulo mais próximo e último do iranólogo Paul du Breuil (1932-1991) e dos seus sonhos da renovação do cristianismo pelo zoroatrismo e nesta obra  oferece textos  sobre (e de) Paul Breuil, Zoroastrismo, origens do Cristianismo, Mitraísmo e diálogo inter-religioso, seus e de alguns amigos ( Jean-Marie Paupert, Arnavaz S. Mama, Charles Autram, A. Sassanfar, Jean Haudry, Pierre Rosniansky) que se ouviram em 30 de Abril de 1993 no Musée de l'Homme, na homenagem a Paul du Breuil .

 76 -VARENNE, Jean. Zarathustra et la tradition mazdéene. Paris, Seuil, 1966. In-8º 184 p. B. Biografia sóbria, bem ilustrada, pelo notável indologista e ideólogo tradicionalista (12/6/1926-12/6/1997, co-fundador com Alain de Benoîst - amigo dos Dugin - do GRECE), autor de vasta obra sobre a espiritualidade indiana, esta sendo uma excepção.

77 - VERMASEREN, Martin. Mithra, ce dieu mysterieux. Preface du Comte du Mesnil du Buisson. Paris, Sequoia, 1960. In-8º 159 p. B.  Ilustrado. Anotado. Bom estudo  sobre o Mitraísmo e as suas doutrinas, práticas, rituais e iniciação.

78 - ZAEHNER, R. C. The teachings of the Magi. A compendium on Zoroastrian beliefs. London, Allen, 1956. Tela. Foca bastante no dualismo e em Ahriman e cita muito os livros de Adhurbadh e o Livro do Espírito da Sabedoria.

79 - ZARATHOUSTRA. Les Gathas. Le livre sublime de... Traduit e presenté par Koshro Khazai Pardis. Paris, Seuil, 2011. In-8º gr 231 p. B. Os cantos-orações, com um estudo histórico valioso de 113 páginas. 

80 - ZOROASTRO. El Zend-Avesta. Traducion de Pedro Guirao. Barcelona, Ed. Baurza, s/d. 1920?. In-8ºg. 203-Iv-p. B. Vinte e cinco páginas finais com os Oráculos Caldaicos, segundo a versão renascentista de Francesco Patrizi. Esta versão encontra-se na internet.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

As duas faces da Morte, a imortal solar e a da continuidade sublunar. Um emblema histórico moral e real barroco gravado em 1666 na Península.

ELEVATUS EST SOL, ET LUNA STETIT IN ORDINE SUO. 3  Elevado está o Sol e a Lua permaneceu na sua ordem". Paráfrase de dito bíblico em Abacuc. 3.
Epigrama ou corpo do lema: "Esta Luna con luz nueua / Viue a pesar de esse monte, / Que el Sol en otro oriçonte / No falta, quando se eleua."

Esta misteriosa gravura apresenta duas faces do que resulta da Morte: a translação ou passagem para o mundo invisível e espiritual, e a permanência ou continuidade na Terra do que sobrevive a essa morte. simbolizada na caveira no alto do monte.

Neste caso vemos o Sol brilhando à direita do alto monte intransponivel da Morte, e à esquerda uma Lua nova coroada, indicando-se que se o Espírito partiu ele continua a irradiar a sua luz subtilmente e cabe à Lua receptiva e feminina recebê-la e reflecti-la.

Um dos ensinamentos que nos dá é que devemos sempre procurar discernir onde é que os influxos do ser que partiu, ou da sua intermediarização funcional, vão continuar.

Aquele espirito valeroso partiu. Em que é que eu o posso celebrar, continuar, ou ser mesmo por ele inspirado nesta vida terrena a que ele deixou de ter acesso directamente?

Este questionamento meditativo deve ser feito por cada um de nós renovadamente e no íntimo face  às pessoas amigas que vão falecendo, pois passam a poder brilhar na tTerra apenas pelos reflexos que nós concedermos no espelho da nossa alma ou nos sonhos. E tal deve ser dirigido em especial para os mestres, autores e amigos que mais admiramos, para os continuarmos, para sermos elos de continuidade do mesmo fio ou eixo de Tradição espiritual.

Pode-se mesmo dizer que cada ser que comunga com os que já partiram neste sentido de os continuar, e coroa (ou activa ou são activados) os seus centros anímicos superiores, pois abre-se aos influxos luminosos do Alto.

A oração e a aspiração de comunhão são as principais formas de nos abrirmos à Luz espiritual, que como o Sol está no alto,  e de nos coroarmos nas nossas ordens, deveres funções, no svadharma no dizer indiano, ao relacionar-nos ou abrir-nos a Deus, aos Anjos, aos santos, santas, mestres, familiares e amigos já partidos.

Destes modos o alto e intransponível monte da Morte deixa de ser uma barreira opaca à unidade do mundo e dos seres.

A bela e aparentemente enigmática gravura aberta a buril em chapa de cobre, foi realizada para o livro Descripción de las honras que se hicieron a la Catholica Magd. de D. Phelippe Quarto Rey de las Espanas..., publicado pelo Dr. D. Pedro Rodríguez de Monforte, em 1666, na tipografia de Francisco Nieto, sendo a primeira das 41  gravadas por Pedro de Villafranca, reproduzindo o que estivera presente em pintura e e em madeira, durante as cerimónias fúnebres em Madrid, no Real Convento da Encarnação, em honra do rei Sol, Filipe IV de Espanha, e da  continuidade da coroa espanhola na Lua,  a rainha Mariana de Áustria e do seu filho o príncipe Carlos.

Bela portada simbólica da obra, legível no Internet Archive.

Saibamos purificar o espelho da nossa mente e coração, para podermos reflectir as melhores influências, inspirações e bênçãos do Alto, do Espírito, do Anjo, de Deus e assim vivermos no Talent de bien faire da Tradição espiritual portuguesa

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Daryush Shaegan e o encontro fecundo de Henry Corbin e o Irão. A sua obra "Henry Corbin, penseur de L'Islam spirituel". Resumo e extracto

                      

Daryush Shaegan foi um filósofo, sociólogo, historiador da espiritualidade comparativa, com quem eu dialoguei simpaticamente na sua casa em Teerão em 2013. Nascera em 1935 e deixou a Terra em 2018, 83 anos de vida bem trabalhada, deixando-nos uma obra traduzida em algumas línguas, com  livros bem valiosos e originais, tal o estudo sobre a espiritualidade yogi e sufi na vida e obra do príncipe mogol Dara Shikoh, a quem eu já dediquei alguns artigos e gravações. Mas talvez um dos mais actuais e úteis é o livro Henry Corbin, penseur de L'Islam spirituel.

                                      

Publicado em 1990 traça uma biografia da sua personalidade e explica as  linhas de forças filosóficas e espirituais descobertas, aprofundadas desenvolveu,  em mais de 400 páginas, e está excelentemente realizada, pois não só conheceu e trabalhou com ele 17 anos, até à sua morte em 7 de Outubro de 1978, como dominava a sua obra e o pensamento e espiritualidade persa e islâmica.
Daryush Shaegan aprofunda e transmite muito bem a vastidão da demanda espiritual ou esotérica do Islão e do Irão realizada pioneira e genialmente por Henry Corbin (1903-1978) e apresenta o seu livro dividido em cinco livros: No I,  O Peregrino do Ocidente, traça a sua biografia filosófico-espiritual, a  formação em Paris, a partir de 1923 nos cursos na secção das Ciências Religiosas da Escola Prática de Altos Estudos, com Étienne Gilson, o especialista de filosofia medieval, e desde 1926-27 com o estudo do árabe e do sânscrito. Segue também os cursos de Émile Brehier sobre Plotino e as suas ligações com as Upanishads, e os de Louis Massignon que lhe abriu as portas da espiritualidade persa, passando-lhe uma edição litografada de  Sohravardi, a qual o encantará e começará a traduzir e aprofundar. Depois entra em contacto com Heidegger e Barth e traduz uma obra de cada um, dialoga também com Adler e os irmãos Barzi, antes de partir para a Turquia onde estará de 1939 a 1945 em estudos e traduções da sabedoria persa, donde finalmente partirá para Teerão onde ficará o restante da sua vida, embora com bastantes viagens a França e ao famoso ciclo de Eranos. onde participou de 1949 a 1977, com valiosas comunicações e convivendo com vários dos sábios de então, tais Carl G. Jung, Rudolf Otto, Evan-Wenz, Gilbert Durand, Mircea Eliade, Heinrich Zimmer, Jacques de Marquette, etc.
Nos livros seguintes aborda as linhas de força principais da Iranologia:  II Do Ciclo da Profecia (Nobowwat) ao ciclo da Iniciação (Walayat), onde caracteriza o fenómeno do livro santo, o profeta Maomé, como o selo ou o fim do ciclo da profecia, e a passagem através dos sucessivos 12 Imams, para o ciclo da iniciação, e dos amigos de Deus, com os Imams e os seus fiéis Shiias e os Ismaelitas. No livro III Da Metafísica das Essências à Teosofia da Presença, entra na filosofia especulativa,  espiritual e visionária de Avicena, "ou um aristotelismo fortemente platonizado", e o avicenismo latino;  Sohravardi e a Teosofia oriental, em que se transmitiu mais claramente a conjunção da filosofia e da experiência mística ou espiritual; e Molla Sadra, que apresenta como a teosofia da presença como testemunho  e onde destaca por exemplo a unificação do sujeito que intelige com a forma intelegída, e ainda o mundo imaginal e a vida post mortem. No livro IV Da exposição doutrinal à narração visionária, descreve algumas dessa viagens transmitidas por Avicena (que entre nós Dalila Pereira da Costa registou e comentou, como já publiquei no blogue), as ascensões e visões de Sohravardt, o reencontro com o Anjo, íntimo de cada um e arcanjo Gabriel da Humanidade (linhas que Henry Corbin desenvolveu e aprofundou, até cremos que com originalidade), e por fim as narrativas heróicas da antiga Pérsia, onde  Corbin ergue Kay Khosraw a a arquétipo de cavaleiro e detentor do Jâm-e Jam, ou taça do Graal.   No livro V Do Amor humano ao Amor divino  apresenta  um dos mestres principais do Amor, Ruzbehan, a cujo túmulo em Shiraz eu peregrinei (e registei no youtube), e Ibn Arabi, com a teorização da imaginação criadora, que pode ser tanto acção no mundo intermediário, como hermenêutica espiritual dos textos (ta'wil), como nos crentes a "criação" de Deus , e ainda como local do reencontro entre o amor humano e o amor divino. Na  Conclusão aborda em 21 páginas a actualidade do pensamento de Henry Corbin.

No livro I a finalizar o capítulo Henry Corbin e o mundo Iraniano a parte final explica e justifica  o encontro  tão fecundo entre ambos e passamos a  transcrevê-la traduzida em português:
O Mundo iraniano, situado geograficamente entre o subcontinente indiano e o mundo árabe, era o país de Zoroastro e de Sohrawardi, de Ruzbehan e de Hafez. Império do meio e «mediano e mediador» ele tinha assistido a todas as sínteses mais incríveis, casado o profeta Zoroastro com o sábio Platão e tinha unido os dois ao Nicho das luzes proféticas da tradição abrahamica. Ele [Irão] tinha convertido a religião de Zoroastro numa Ordem de cavalaria espiritual, transformado a epopeia heroica dos antigos heróis do Irão numa epopeia mística dos contos visionários do período islâmico. Ele puxara a visão do Anjo e da angeologia a dimensões vertiginosas e traduzira as ideias platónicas em termos de angeologia zoroastriana.
Tinha dado à imaginação uma tal potência de evocação  que a realidade quotidiana parecia pálida e fictícia em relação à sua realidade mágica e criativa. Ele tinha elevado o culto da Beleza até ao êxtase e feito do Amor a religião do Eterno Feminino. Convertera o ciclo da profecia [que teria terminado com Maomé] num ciclo de iniciação e transformado o tempo do nosso mundo no entre-os-tempos da Espera escatológica. Identificou o futuro salvador zoroastriano Saoshyant ao milagre de ocultação do Imam escondido e criado com os doze Imans a forma configuradora do Templo da Profecia eterna. Ele [o Irão] assumiu  essa filosofia que, com Averróis, se perdia nas areias e, ao restaurar a antiga sabedoria iraniana do Oriente da Luz, salvado a gnose, fazendo assim da filosofia uma experiencia mística e desta uma filosofia de salvação. O Irão por fim valorizou  esse continente ao qual chegara ao itinerário  de Corbin, ou seja o mundus imaginalis, esse mundo intermediário entre o sensível e intelígivel. Terra de visões  que, a partir  do paraíso de Yima no Avesta  até às cidades fabulosas de Hurqalya, Jabalqa e Jabarsa na gnose irano-islâmico, simbolizava a Terra pura do Anjo  e das Luzes infinitas - esta Luz-da-Glória (Xvarnah) que aureolava outras vezes os sábios e soberanos da antiga Pérsia.

Assim o mundo iraniano era o intermediário em todos os sentidos: no sentido geográfico, intermediário entre o mundo espiritual da Índia e o mundo árabe. Ontologicamente, a Pérsia representava o intermundo das Imagens metafísicas onde o conhecimento obtinha um valor noético próprio configurando assim uma visão teofânica do mundo; intermediário também no sentido do tempo, ou a Ocultação do Imam escondido tornava-se por assim dizer o entre-os-tempos da Espera da Parousia final [Algo ilusiva esta parte]. Esta estrutura intermediária, tanto ao nível da sua situação geográfica que ao nível ontológico da Imagem e do Tempo, constituía em último recurso da Gestalt fundamental do mundo iraniano; e é  esse [ou este] mundo que Corbin escolheu como terra espiritual de acolhimento.»