Pedro Teixeira da Mota
Livros, Arte, Amor, Religião, Espiritualidade, Esoterismo, Meditação, Anjos, Peregrinar, Oriente, Irão, Índia, Mogois, Rússia, China, Japão, Brasil, Renascimento, Símbolos, Tarot, Não-violência, Saúde natural, Ecologia, Gerês, Nuvens, Árvores, Pedras. S. António, Bocage, Antero, Fe. Leal, Wen. de Morais, Pessoa, Aug. S. Rita, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva, Dalila P. da Costa, Pina Martins, Pitágoras, Ficino, Pico, Erasmo, Bruno, Tolstoi, Tagore, Roerich, Ranade, Bô Yin Râ, Henry Corbin
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Saber avançar na demanda da verdade e nas afinidades electivas. Apontamento do diário de 2023 levemente melhorado.
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Nicholas Roerich. O direito de entrada no Templo Divino. ПРАВО ВХОДА. Right of Entry. Trilingual. Dá e receberás. Pela criatividade, os esforços, a aspiração à Beleza e ao Amor, as asas crescem
ПРАВО ВХОДА
Н. К. Рерих "Адамант" Право входа
Right of Entry.
N. K. Roerich "Adamant" Right of Entry
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
A ligação Angélica e Arcangélica e o trabalho de fortificação anímica. As meditações duma Novena a S. Miguel novecentista, om breve hermeêutica.
No mundo pluridimensional subtil e espiritual, ou no campo unitário de energia consciência e informação que nos envolve encontram-se muitos tipos de seres com os quais podemos ter ligações ou mesmo contactos, tais familiares e amigos já desencarnados, santos, santas, guias e mestres, anjos e arcanjos, embora também haja entidades elementais, formas fluídicas e entidades. Estarmos algo abertos ou ligados com as positivas do Bem, da Luz e da Verdade é então bastante importante e devermos pois escolher e cultivar ligações a santos ou santas e aos anjos e arcanjos.
A admissão da existência dos Anjos e Arcanjos e a visão deles não é tão fácil nos nossos dias como outrora, pois a fé religiosa tem diminuído por variadíssimas razões psicológicas, sociais e espirituais, pelo que temos de trabalhar nesse sentido, vivendo e tendo intenções e objectivos justos, e praticando as nossas meditações e orações com regularidade diária nos momentos ou horas mais adequadas à circunstancialidade de cada dia e noite, só assim se tornando possível obtermos a certeza da existência dos Anjos ou Arcanjos, aos quais tanto se orava outrora.
Com tal pecúlio espiritual, conservado em livros que narram histórias ou transmitem teorias ou visões deles, é bem valioso voltarmos (pois já abordada no blogue) a uma anónima Novena ao Arcanjo Miguel, dada à luz em 1844, e transcrevermo, com breve hermenêutica, algumas das meditações que nos parecem mais actuais, fecundas, perenes, religantes, a primeira mostrando de modo simples e directo a origem do bem e do mal (e a queda dos Anjos) e a importância de vivermos bem para termos acesso a níveis mais ou menos paradisíacos ou luminosos quando desencarnarmos.
«Considera que tendo Deus determinado de toda a eternidade não dar o céu senão em recompensa, criou os espíritos celestes com grande inteligência do bem, e do mal, e em integra e plena liberdade; então um grande número de Anjos cheios da sua própria excelência, e vendo-se tão perfeitos, em lugar de referirem tudo a Deus seu Criador, puseram toda a sua complacência em si mesmos, e cheios de orgulho, e soberba não quiseram obedecer a Deus!!! Não o fez assim S. Miguel criado em superior beleza, e dotes, mas reconheceu que todo o dom perfeito vem de Deus, tudo a ele referiu, e lhe agradeceu os bens, que lhe havia concedido pronto a obedecer-lhe sempre fiel e submisso. Tira tu por fruto desta meditação o seres também agradecido ao Supremo Benfeitor de toadas as criaturas, ao Senhor que tantos benefícios te tem feito e pede a S. Miguel te alcance a virtude da Santa obediência, e perfeita resignação às determinações do Altíssimo.»
Destaquemos uma das fontes do mal em todos nós: o orgulho ou a vaidade, que nos separa da humildade e gratidão a Deus pelo que quer que seja de bens. E o orarmos aos Anjos e Arcanjos para que nos ajudem no aperfeiçoamento anímico, ou na melhoria das virtudes, nomeadamente na intuição e realização das «determinações do Altíssimo», sem dúvida difícil por vezes de discernirmos.
Seguem-se três jaculatórias, ou curtas orações, que invocam a protecção do Arcanjo e a sua intercessão, dirigidas a ele ou a Deus, já transcritas no artigo anterior, e uma oração meditação valiosa na percepção da sensibilidade anímica espiritual:
«Glorioso Arcanjo S. Miguel, Chefe da Milícia Celeste, e terror dos espíritos das trevas, recebei as nossas alma, e os nossos respeitos, sede sensível ao ardor dos nossos votos, e clamores, vós que conheceis a malicia do demónio, e a multidão dos seus artifícios, também conheceis as nossas fraquezas, imprudências, e misérias, e sabeis que toda a força nos vem de Jesus nosso Redentor, e de Maria nossa medianeira, uni às nossas suplicas à vossa poderosa intervenção, e solicitai em nosso favor um lugar nos Sagrados de Corações de Jesus, e de Maria para que os nossos sejam abrasados no Divino Amor de que eles estão cheios; alcançai-nos as graças que vos pedimos, e com elas, aquelas que sabeis mais precisamos, e então nao teremos, os inimigos das nossas alma, e vós Glorioso Arcanjo tereis a consolação de nos receber na hora da nossa morte, e de as levardes à morada de glória, onde vos agradeceremos eternamente o terdes contribuído para a nossa eterna felicidade. Amen.»
Já na meditação do 3º dia: porque S. Miguel venceu a batalha contra Lucífer e os precipitou nos abismos, devemos pedir a ele que «te «alcance a virtude de um santo zelo pela glória do Senhor e a Salvação dos teus próximos.»
Na do 5º dia devemos emular o Arcanjo no fervor e zelo de servirmos a Deus, e pedir-lhe que nos «te alcance as graças precisas para pores em prática tão santos propósitos»
No 6º dia: «Considera que sendo constituído S. Miguel Príncipe e Chefe dos Anjos fiéis foi também feito o Defensor do Povo de Deus e dado por Protector da Igreja Militante, cujo emprego com tanta caridade exercita, e toda a Cristandade lhe deve muito, especialmente os portugueses, pois apareceu ao nosso primeiro Rei D. Afonso Henriques e lhe fez ganhar uma grande vitória contra os Mouros em Santarém (...) tira por fruto recorreres sempre a S. Miguel nas calamidades... e pede-lhe que te alcance o Divino Auxilio, para desempenhares tão piedoso dever.
No 7º dia: Considera como S. Miguel tem aparecido para fazer benefícios , e «pede-lhe para seres seu verdadeiro devoto».
No 8º dia, realçando-se a importância de cultivarmos o fio ou canal da ligação com os espíritos celestiais, a meditação completa é esta: «Considera como S. Miguel é quem apresenta as nossas almas no momento que expiramos ao supremo juiz, e que preside ao nosso juízo final procurando socorrer-nos e valer-nos, como lhe pede a Igreja nossa Mãe nas últimas orações que faz por seus filhos agonizantes; Ela pede a S. Miguel que venha para conduzir a nossa alma ao sair do corpo mortal, quais eram então os sentimentos de uma alma ao sair desta vida quando pensar a indiferença que teve, a pouca devoção, e até o esquecimento deste príncipe do céu a quem vai ser confiada ao sair deste mundo. Vê quantos motivos tens de procurar que S. Miguel te seja favorável, pois ele é o valido do Todo Poderoso para quem tem tanto crédito, pede-lhe te alcance deste Senhor o perdão das faltas que tens cometido, não tendo a devoção devida a S. Miguel, promete-lhe repará-las daqui por diante, procurando honrá-lo por todos os modos e dar-lhe culto.»
A do 9º dia e último, realça-se a oração intercessória pelas almas nos mundos astrais e com pouca luz, bem como estarmos ligados aos Anjos e Arcanjos para não ficarmos retidos nesses umbrais, enxovias ou purgatórios: «Considera que também é S. Miguel quem apresenta diante do Trono de Deus as orações, e boas obras, que fazemos pelas nossas almas do purgatório, que ali tantos tormentos sofrem, é Ele que vai cheio de piedade, e compaixão advogar por elas a Deus, e lhe apresenta as nossas súplicas, e sufrágios, e cheio de celestial prazer as vai tirar daquelas masmorras. Vê de quanto interesse te é teres S. Miguel para teu especial protector, e Advogado junto ao Supremo Juiz do Céu , de quem ele é o Primeiro Ministro [e veja-se a desgraça dos nossos...], que consolação, e que esperança para as almas retidas naquelas enxovias se tiverem sido bem devotas de S. Miguel cá nesta vida; mas para se lhe ter verdadeira devoção é preciso imitá-lo na humildade, fidelidade, religião, obediência e submissão a Deus, apesar dos maus exemplos [... crítica velada algo erasmiana], e lembra-te que Deus pune tão severamente os Anjos rebeldes, como nos há-de poupar a nós criaturas miseráveis. Peçamos muito a S. Miguel que nos valha e alcance [ou impulsione e dinamize] a nossa salvação. Amen.»
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| Que consigamos pela nossa vida e intenções, orações e meditações receber a graça de vermos o Anjo ou o Arcanjo agora e à hora da morte, Amen, Om, Hum! |
domingo, 2 de agosto de 2026
O elogio biográfico do dinâmico Dr. Amílcar de Sousa, médico pioneiro do naturismo, vegetarianismo e frugivorismo. 1919.
Eis o belo texto, que partilhamos da transcrição no nº 4, de Abril de 1919, d 'O Vegetariano:
AMÍLCAR de SOUSA
sábado, 1 de agosto de 2026
O regime epsteiniano e diabólico norte-americano-israelita, com a sua máquina criminosa de guerra, prepara-se para mais mortandade e destruiçao no Irão

Estamos a poucas horas de um possível novo ataque do eixo do Mal, ou seja da mentira, da ganância, da opressão, da violência, contra as forças da Luz representadas pelo Irão e sua tradição espiritual milenária, zoroástrica, shiaa, certamente teocrática face à falsa democrática materialista ocidental.
Desta vez não sendo tão traiçoeiro, pois já se sabe que acontecerá muito brevemente, tal como o Trump e um departamento do Estado anunciaram, com ordens imediatas dos nacionais saírem rapidamente da zona, serão ainda mais violentos na quantidade e potência dos bombardeamentos (no inicial em Março mataram mais de 3.000 iranianos, contra cerca de vinte árabes mortos pelos mísseis iranianos), mais uma vez convencidos, ou fazendo crer tal, que conseguirão destruir a resistência duma civilização estado milenária, sagrada, corajosa, inteligente.
É certo que a espionagem norte-americana, inglesa e israelita dotada de meios sofisticados tremendos e de infinito dinheiro capaz de corromper meio mundo, a esta hora já deve saber onde se encontrarão os principais dirigentes iranianos e tentarão mais uma vez assassiná-los, ainda que desta vez já não seja tão fácil, já que demorarão mais tempo a atingi-los e eles, já avisados, deverão estar em locais mais nas profundidades da Terra. Mas quanto iranianos, comuns, ou mesmo extraordinários, como o notável professor Seyed Marandi, convidado frequente de tantos bons programas, tal como o bi-semanal de George Galloway, poderão estar apenas relativamente protegidos em abrigos pouco profundos?
Oremos para que haja o mínimo possível de mortos e que as forças atacantes sejam abatidas em numero substancial que diminua a mortandade que causariam, pois um só piloto norte-americano ou israelita pode matar centenas de pessoas inocentes, enquanto que um míssil antiaéreo que o atinja apenas retirou da terra um fanático obediente de criminosos de guerra diabólicos que são Trump, Hegseth, Natanyahu e Givr, uma vez que Lindsey Graham já estará a arder num purgatório duradouro, ainda que no seu funeral, participado pela elite epsteiniana, tenha sido afirmado que ressuscitara com Cristo. Só faltou a histérica trapaceira televangelista, mestra de Trump, Paula White, na fotografia de vermelho...
A maior parte dos bons canais de lúcidos entrevistadores ou comentadores e são muitos, - Douglas Macgregor, Dimitrio Laskaris, John Mershmeer, Larry Johnson, Scott Ritter, Chris Hudges, Alaistar Crooke, Rachel Blevins, Judge Napolitano, Meidas Touch, etc. - claramente está convencida que está prestes a efectuar-se mais um acto diabólico de um punhado de psicopatas sem qualquer moral ou ética que dirigem o Ocidente, e que, após anos de sanções e duas pequenas guerras, e mais recentemente doze dias de bombardeamentos constantes (a última bomba lançada a 3 de Julho na ilha de Keshm pesava 907 kg, mas só matou as três pessoas duma família), quer de novo mais destruição e mortandade, variando contudo as previsões do que vai acontecer, o que será destruído e sobretudo ainda como será a resposta do Irão em termos de alvos e eficácia.
Embora muitas das bases norte-americanas já foram bastante atingidas e várias delas já não podendo servir de ponto de partida dos bombardeiros norte-americanos, mas mesmo assim algumas serão ainda mais destruídas. Como variam as avaliações das atingidas ou mesmo abandonadas, se consultarmos a IA do Google, o optimismo (manipulador e censurador das imagens em contrário) do Império do qual ele é um porta-voz está patente: «Quantas bases dos EUA ainda estão operando no Oriente Médio», pergunto, e a resposta é: «Os Estados Unidos operam 19 grandes bases militares no Oriente Médio, incluindo 8 bases permanentes, enquanto métricas mais amplas que rastreiam cada pequeno posto tático ou local de segurança compartilhada colocam a pegada total mais próxima de 80 instalações na região. Apesar das graves escaladas em curso, incluindo ataques diretos de mísseis e drones iranianos às instalações americanas, todas as bases principais permanecem operacionais, embora o Pentágono tenha reduzido o pessoal ou realocado tropas em certos locais para minimizar os riscos de segurança.»
Não nos admiremos como eles, pequenos mas muito rico ditadores, estão contra o Irão e mesmo mais ou menos indiferentes à sorte das suas populações, como algo de certo modo se passa com o controlado rei da Jordânia.
Haverá consequências dramáticas, certamente, embora evidentemente a Administração norte-americana não esteja nada preocupada com isso, localmente ou na esfera da crise mundial económica que vai crescendo, pois o seu egoísmo de classe e de império é tanto proverbial como intrínseco, já que incarnam claramente as forças da mentira, roubo e violência que caracterizam o mal, como já há quase 3.000 anos Zoroastro discerniu e afirmou, passando para os persas e iranianos, por elos sucessivos dos magos, dos neo-platónicos, dos Ishraqui e dos Shiia e seus Imams, uma sublime tradição de honra, de ordem, de cavalaria, de coragem até ao martírio que está viva nos nossos dias nos dirigentes, militares e povo iraniano...
Diabólicos nestes processos, criminosos de guerra mesmo quando se pensa quantas crianças e doentes morreram por não terem acesso a medicamentos e a materiais que teriam de receber do estrangeiro, ou mais recentemente no bombardeamento sucessivo e deliberado da escola de Minab que assassinou cerca de 16o crianças e professores, os regimes e administrações de Trump e de Netanyahu devem ser condenados, derrotados e removidos rapidamente para o Bem da Humanidade.
Oremos, meditemos, velemos e irradiemos paz, luz, justiça, verdade, Divindade....
Dia 2. O Presidente Trump recuou na decisão de lançar o ataque justificando-se pelo pedido de Teerão e de países árabes da região de não se reiniciar a guerra e permitir-se a diplomacia trabalhar. Claro que o Irão não pediu nada, mas sim a Arábia Saudita, exprimindo-o publicamente, pelo seu temor justificado de serem quase destruído nas suas infraestruturas vitais, bem como os outros governos e estadistas ameaçados. Fica mais uma vez adiada, seja pela falta de munições, seja por temor da resposta do Irão sobre Telavive e os países árabes vizinhos, a tentativa de destruição (ou não, certamente) do Irão, bem como a sorte do estreito de Hormuz, tornado ou metamorfoseado num génio do Irão aladínico.
A hubris ou arrogância norte-americana e da oligarquia globalista sendo tremenda, nomeadamente nas suas negociações e imposições, como os Iranianos nunca mais largarão as portagens no estreito de Ormuz, cremos que dentro de dias, sob pressão dos mais warmongers e sionistas, voltaremos ao mesmo...
Do encontro do Oriente e Ocidente e sua sabedoria, através de algumas efemérides da 1ª semana de Agosto.

2-VIII. Neste dia em 1864, em Macau, o Padre F. F. X. Rondina assina a dedicatória da sua obra baseada no seu discurso Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo reivindicada contra Ernesto Renan, recitado na Sé Macau, e impresso no Seminário Diocesano, porque aquele «escritor, embebido de doutrinas panteístas, depois de ter nos seu Estudos da História Religiosa, afirmado a eternidade da matéria, negado a existência dum Deus distinto das criaturas, rejeitado tudo o que é sobrenatural, vem hoje com um miserável romance na mão, intitulado a Vida de Jesus, combater a crença da divindade de Jesus Cristo, pedra angular da Religião revelada.» Rondina, apesar de ter aprendido há pouco o português, escreve bem e mostra-se muito informado quanto aos vários racionalistas que cumprimentavam Ernesto Renan. E como crente na leitura literal dos Evangelhos não podia deixar de criticar várias asserções, e por vezes com razão, escritas por Renan na sua obra e por ele rebatidas. Contudo errava quando a pensava que a perda «da fé na Divindade de Cristo, na infalibilidade dos seus dogmas e na veracidade das suas promessas», acabaria com o Cristianismo, já que o aprofundamento crítico do Cristianismo não se deve nem se pode limitar a bem da Verdade e da Divindade...
3-VIII. Simão Vaz de Paiva, Luís Pais Pacheco, Rodrigo Sanches de Paredes, Gonçalo Monteiro de Carvalho, os quatro embaixadores, vindos de Macau com outros 60 cristãos, para reatarem as relações comerciais com o Japão, morrem degolados, mártires da fé cristã, em 1640, na cidade, construída à portuguesa e em parte administrada pelos jesuítas, de Nagasaki, que será desnecessária e criminosamente arrasada em 1945 pela bomba atómica norte-americana, ameaça que continua pesar sempre de novo sobre a humanidade devido ao insaciável imperialismo norte-americano e sionista. Instado a renegar a sua crença pouco antes de morrer, rezam as crónicas, Simão Vaz respondeu que estava vendo a Jesus Cristo e a sua glória, o que era bem possível pois o ardor e o drama aguçam a clarividência. Em 1638 a revolta dos camponeses e dos cristãos de Shimabara, liderados por Jerónimo, que terminara com a morte à espada dos 37.000 sobreviventes do prolongado cerco do castelo de Hara, intensificara a perseguição contra os cristãos. Em 1640 o xógum Iemitsu cria um tipo de Inquisição para prender e matar os poucos missionários que tinham ficado ou ainda ousavam aventurar-se pelas terras nipónica. Os próprios japoneses tinham de provar que realizavam uma peregrinação por ano a um santuário budista ou shintoísta, e os suspeitos de cristianismo tinham de pisar uma imagem de Jesus e Maria. Terminara o século de ouro dos portugueses no Japão (1543-1639), no qual marinheiros, comerciantes e missionários transmitiram características e impulsões ocidentais e portuguesas, para além de influências específicas nas ciências, artes e usos, que contribuíram para o fermentar do Japão. Nos nossos dias, entre nós, João Paulo Costa, Pedro Canavarro têm estudado o relacionamento luso-nipónico e, um nível mais de guia no terreno, Inês Carvalho Matos, publicou recentemente um livro Património de Cristianismo no Japão, em que ilustra bem o ponto da situação do passado no presente.
4-VIII. Morre em Alcácer Kibir, em 1580, grande parte da força e missão de Portugal, e apressa-se a decadência do fugaz império marítimo português, quando D. Sebastião levou os seus exércitos a uma batalha desnecessária, culminada no lutar até morrer. Já após o famoso grito "Ter,Ter", que brotou naturalmente perante a força da arremetida moura, o infausto Rei Desejado terá respondido, lendariamente quiçá, aos que insistiam na fuga, que «a liberdade real com a vida se havia de perder». Muitos dos que foram presos na derrota serão resgatados, afirmando alguns terem visto o corpo do «último do sangue de Henriques» exangue, mas a crença e a lenda da sua sobrevivência permanecerá por longo tempo, acalentada pelo não aparecimento do seu corpo e por messianistas e sebastianistas, ora visionários da sua presença na Europa ora sonhadores duma de grandeza futura que lhes tinha sido cerceada no presente. Sábios como Jerónimo Osório, Diogo de Teive, D. Luís de Ataíde e até o insigne espanhol Arias Montano, vindo expressamente do seu refúgio na Pena, tinham tentado em vão suster o imprudente acometer. Um dia trágico na memória subtil da pátria, certamente trabalhável em bons sentidos, tal o de se ressuscitar e manifestar melhor o nosso corpo espiritual, seja pelo sofrimento e a paciência, seja pelo discernimento e a coragem prudente, amor, adoração e alegria...

5-VIII. Abandona a vestimenta terrena Sri Takur Satyananda Deva, em 1969, em Baraganore. Discípulo de swami Abhedananda e por este de Sri Ramakrishna Paramahansa, dirá: «Há um Eu Supremo no cosmos. Medita pois nele como Supremo Eu. Mas na vida agitada põe-O em toda a parte. Tenta vê-Lo em cada átomo. Em cada pessoa que encontres, permite-Lhe estar visível». Aconselhava judiciosamente a tomada de consciência da Divindade simultaneamente, no aspecto estático e no dinâmico, no transcendente e no imanente.

Na sua linha de pensamento podemos dizer que na sociedade política mundial cada vez mais global e em que as tradições são tanto de se respeitar como de se revolucionar quando não são correctas, par se as fazer evoluir e aperfeiçoar, sem dúvida a visão espiritual da existência e um modo de vida não-violento, ecológico e fraterno, como o que triunfou de certo modo na Índia, com Gandhi e a sua epopeia libertadora face à opressão inglesa, mas que agora - imperialista globalista e sionista - provavelmente, como vemos no caso actual do Irão, necessitaria da resistência e defesa activa, são pilares do templo sempre utópico e em construção duma Humanidade melhor.

7-VIII. Deposita-se em 1628 a primeira pedra do mosteiro da Santa Cruz no Buçaco, onde monges lidarão com as potências do corpo e da alma, no meio duma natureza frondosa, em similitude com os ashrams indianos. O ensaísta, professor e jornalista Sant’Anna Dionísio, discípulo de Leonardo Coimbra, e com quem convivi em diálogos acromáticos, escreverá: «Verdadeiro recolhimento de ascese, seria o único deserto, no género, que existia em Portugal. O silêncio era rigorosamente imposto à comunidade, sendo apenas isentos desse preceito o prior, e mais três monges, um deles, o da portaria. Aos outros era somente permitido quebrar a mudez de quinze em quinze dias. A própria regra monástica preceituava o dever da plantação de árvores e proibia o corte de alguma sem o voto favorável, pelo menos, de dois terços da comunidade... No Buçaco, de resto (como em toda a floresta), há alguma coisa de inefável que não se transfere. A própria alma do homem que se diga positivo, posta a sós perante a impressionante multiplicidade, quase ecuménica, do seu arvoredo é assaltada pela dúvida (por assim dizer indefinida ou metafísica) sobre se esse mundo de seres é puramente vegetativo ou alguma coisa mais». Bons ensinamentos de Sant'Anna Dionísio para estes tempos ainda com tanto arboricídio público.
Em 1941, Lua cheia, ao meio-dia, neste dia 7 de Agosto passa para o mundo espiritual, na mesma casa onde nascera há 80 anos (6-5-1861) em Calcutá, o educador, mestre e poeta, Rabindranath Tagore, filho do Maharishi Devantranath Tagore, e como este destacado mestre no movimento espiritualista e nacionalista do Bramo Samaj. Esteve em Inglaterra por duas vezes entre os 17 e os 19, casou aos 23 e viveu a natureza pura e rural. A morte da mulher e dos três filhos fazem-no ainda despertar mais para o Amor divino e universal, desenvolvido tradicionalmente pela via do Bhakti Yoga, transmitindo realizações espirituais com impressivo lirismo na sua poesia, recebendo o prémio Nobel da Literatura em 1913, e tornando-se muito divulgado no Ocidente: traduzido por Yeats, André Gide (outros dois prémios Nobel) e, entre nós traduziram-no ou sobre ele escreveram Adeodato Barreto, Santana Rodrigues, Tudela de Castro, Telo de Mascarenhas, Augusto Casimiro, António Figueirinhas, Bento Caraça, Alexandre Fonseca, entre outros. Fundou a universidade ao ar livre de Shantiniketan, em Bengala, que visitei ainda há uns anos em pleno e belo funcionamento. A sua obra é tão rica que qualquer citação dela será sempre uma ínfima e limitada amostra, contudo eis algumas: «Sinto que Deus no mais íntimo de mim tem alegria em expressar-se através de mim e esta alegria, este amor penetra todas as partes do meu ser, derramando na minha mente, no meu intelecto, este universo inteiro que está vívido diante de mim, meu passado infinito e meu destino eterno. Há um laço de perpétuo amor entre nós dois». No seu último poema escrito diz-nos: «Uma vez encontrada a verdade, / lavada na sua própria luz interna / ninguém a pode privar dela. / Leva-a consigo / para a sua casa entesourada / Como o seu último prémio».
O tesouro das suas obras e estados anímicos, tão vibrantes de amor e sabedoria, é uma fonte de impulsão sucessiva ou perene. Oiçamo-lo ainda: “Meu coração, ave da selva brava, encontrou o céu nos teus olhos. Eles são o berço da manhã e o reino das estrelas. Meus cantos perdem-se na sua profundeza. Deixa-me voar nesse céu, na sua imensidade solitária. Deixa-me violar as suas nuvens e abrir largas asas na sua claridade.” E ainda: “Vida da minha vida, tudo farei para conservar puro o meu corpo, porque sei que em meu corpo vive o teu divino alento. Sem descanso procurarei proteger meu pensamento de todas as mentiras, porque tu és aquela verdade que inflama no meu espírito a luz da razão. Sem descanso tudo farei para afastar do meu coração toda a maldade, conservando florido e puro o meu amor, porque sei que tu vives no mais íntimo altar do meu coração. Farei tudo, para te revelar em meus actos, porque é a tua força que em mim se torna acção.” Encontra no meu blogue e no youtube alguns contributos sobre a sua grande alma, mahatma.












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