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Amor é um subtil fogo sensível no peito, com seu ardor e irradiação, e expandível pelo mais próximo
até ao mais distante, ou ao Infinito que nos seja acessível.
Pode ser aproximado, afagado, soprado, intensificado através da amada e do amado, da família, da aldeia, da cidade, da pátria, do anjo, do mestre, do Cristo, pelo sorriso, audição estelar, abertura ao alto, perfeição no trabalho, criatividade, diálogo, oração, dança, canto, leitura, admiração, meditação, contemplação, aspiração, escrita, compaixão, serviço, agricultura, rega, cura, etc. etc.
Quando o amor é mais demandado, consciencializado e assumido como estado interior de que somos o principal responsável, ele começa a manifestar-se mais como sensibilidade, empatia, paz, alegria, desprendimento, esperança, coragem, destemor, felicidade...
Esta demanda tem porém de ser perseverante e fogo deve ser constantemente reanimado pois a chama do amor oscila muito pelas circunstâncias psico-somáticas, sociais, nacionais e hoje em dia, e muito, internacionais, de tal modo que a maioria das pessoas considera-o algo de utópico, irreal, ilusório, egoísta, causador até de sofrimento e de fuga da realidade de que de felicidade e transmutações positivas.
Ora o amor é, ou faz parte, da subtil irradiação do Espírito Divino, ou do Sol Primordial e pode portanto ser invocado e na sua subtil difusão envolver-nos, cobrindo os pensamentos e sentimentos e, neste sentido, ele é renovador, misericordioso e poderoso, transcendente e imanente.
O amor é em nós a tendência forte ou aspiração de união com o que mais gostamos ou sentimos necessidade, afinidade, complementariedade. Devemos assim discernir muito bem o que do bem e do belo nos deve mover mais, e nos atrair, ou em nós fazer nascer ou desenvolver.
O corpo de amor e de glória está em desenvolvimento, ou em decadência, ao longo da vida, e nossa é a responsabilidade de vencer obstáculos e desenvolver qualidades necessárias a estarmos mais em amor, ou a recebermos mais as bênçãos luminosas dos guias e mestres, dos Anjos e Arcanjos, da Lua e do Sol, das estrelas e do Cosmos e de Deus ou Realidade suprema e, consequentemente, desabrocharmos o corpo da glória, ou da imortalidade, tão valorizado no Irão como Xvarnah ou Farrah..
O Amor brota directo da fonte da Vida e é uma mais vida, ou uma vida maior, em nós, mais luminosa e ígnea, e que implica portanto o libertar-nos da menos vida ou do que nos aprisiona, rebaixa e mata.
Por isso se estabelecem e vivem princípios éticos e por isso se renuncia a muitas instintos e posses, identificações e hábitos, para sermos de novo simples, puros e abertos ao presente, ao próximo, à verdade, ao mundo espiritual e à Divindade e seus mensageiros. Em vida e à hora da morte.
Quando o amor arde mais no peito, e atentos meditamos, este fogo irradia como o Sol central e queima e evapora os pensamentos horizontais e enfraquecedores, desvelando por vezes algo da presença espiritual, ou divina, transcendente ou imanente, sob que forma ou modo for o que merecemos ou precisamos, na grande Ordem do Universo, Logos spermatikoi ou Providência Divina. Lutemos, aspiremos e confiemos então.
Na sua essencialidade Jesus Cristo significa o espírito divino manifestado, o ser ungido ou abençoado, tal como no Oriente Krishna, Narayana, Shiva e Budha significam, de um modo ou outro essa presença espiritual e divina mais realizada, e logo mais visível, sensível e cultuada ou seguida pelos outros.
O Espírito divino é em si o Ser e, segundo os mais elevados na gnose ou clarividência, contém ou subjaz a tudo. No Cristianismo, Ele é o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o passado, o presente e o futuro. No Hinduísmo, Brahma, Vishnu e Shiva, Criador, Preservador e Destruidor. No Islão, Allah, o Um e único mas que se desdobra nos muitos nomes e atributos e nos seus Profetas, Imams e Qutbs, os eixos ou polos. No Zoroastrismo, ele foi intuído-como o Ser da Inteligência e Sabedoria, com os seus Arcanjos ou Ameshspenta.
Todavia, o mais importante é a Divindade ser capaz de dar a felicidade de ser conhecida como amor luminoso e beatífico a quem conseguir entregar e satisfazer-se nela, e viver no bem, na ordem, asha ou dharma, e tal o experimentaram muitas místicas e santos, yogis, sufis e devotos.
O devoto, o fiel, o peregrino, o cavaleiro do amor, a alma que consegue roubar momentos substanciais ao fluxo tão absorvente dos seus deveres e actos transitórios, e persevera em ligar-se ou comungar com o amor, com o espírito, com a presença divina, esse És tu, sou eu, sou ele (soham), somos nós no nosso melhor, pois estamos então a vencer as opressões, manipulações e sugestões anti-amor, e a intensificar a tão necessária chama fluída e amorosa neste mundo ainda tão regido por trevosos políticos, como o eixo do Mal ocidental tanto tem sido exposto nos últimos anos.
Conseguirmos meditar e auto-consciencializar-nos de que - Eu sou o Amor Divino em manifestação e sempre em irradiação luminosa, é uma tarefa dharmica muito valiosa para contrabalançar tanta violência, mentira e manipulação e logo a consequente alienação das almas em relação à sua identidade e essência espiritual e divina.
Alinhar-se, respirar, meditar, orar e irradiar Amor e aspiração de ligação ao espírito, à verdade, à Divindade, à equitativa multipolaridade e, depois agir corajosamente nessa vibração e direção, é fundamental nos nossos dias conflituosos.
Insira-se lúcida e determinadamente neste corpo místico ou espiritual da Humanidade livre e fraterna, tradicional e multipolar, que luta corajosa, abnegada e criativamente para libertar e religar harmoniosamente a Humanidade com a Divindade, pelo ígneo Amor-Sabedoria...




