Pedro Teixeira da Mota
Livros, Arte, Amor, Religião, Espiritualidade, Esoterismo, Meditação, Anjos, Peregrinar, Oriente, Irão, Índia, Mogois, Rússia, China, Japão, Brasil, Renascimento, Símbolos, Tarot, Não-violência, Saúde natural, Ecologia, Gerês, Nuvens, Árvores, Pedras. S. António, Bocage, Antero, Fe. Leal, Wen. de Morais, Pessoa, Aug. S. Rita, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva, Dalila P. da Costa, Pina Martins, Pitágoras, Ficino, Pico, Erasmo, Bruno, Tolstoi, Tagore, Roerich, Ranade, Bô Yin Râ, Henry Corbin
terça-feira, 18 de agosto de 2026
A união do ser humano com o seu Duplo Celeste ou a Natureza Perfeita, em Camões, na Ilha alegre e namorada, ou do Amor iniciático.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
A Ilha do Amor, dos Lusiadas, e a iniciação do herói e dos navegantes pelas Ninfas, Húris ou Anjos. Avicena, Dante e Camões, mestres espirituais.
Continuando a respigar das florescências semeadas pacientemente por Dalila Pereira da Costa na suas Raizes Arcaicas da epopeia portuguesa e camoniana, entro na comparação entre as duas teorias cosmológicas que se enfrentaram no Renascimento, a que vira o Universo e os planetas animadas pelas inteligências angélicas e a que o via como mera harmonia de forças mecanicistas. Dalila, depois de citar constantemente Avicena Dante que expõem a presença activa dos Anjos nos seus relatos ascensionais iniciáticos, opera em Camões uma hermenêutica original da ninfa Tétis, e das ninfas dadas aos heroicos navegantes, fugindo ao estereotipado "maravilhoso pagão" com que tantos comentadores banalizaram o relato e considerando-as Anjos, inteligências angélicas. Oiçamos a querida amiga Dalila Pereira da Costa, agora já não sibila que nos recebia nos seus dominios portuenses e durienses mas alma mestra no corpo espiritual da Humanidade, interrogando e demandando altos níveis do conhecimento, para que possa a nossa relação com os Anjos e logo o auto-conhecimento e iniciação espiritual, nossa de Portugal e da Humanidade melhorar, nestes tempos cruciais em que as forças da mentira e da violência, ou seja do mal, estão cada vez mais expostas nos USA, Israel, NATO e UE, numa luta de morte contra a multipolaridade e a dignidade humana, e cremos a Providência Divina. Breves acrescentos meus entre [...], e sublinhados.
«Camões, tal como Avicena e Dante, teria deixado todo um conhecimento escatológico antropológico e astronómico, incluso nesse relato cifrado sob as imagens do nosso mundo. Pois que a conexão entre uma iniciação, como conhecimento perfeito e último [ou quase] concedido à alma pelo seu guia celeste, e o conhecimento astronómico por este simultaneamente concedido, estará presente semelhantemente no relato do filósofo místico árabe [certo, é persa], do poeta português e do poeta italiano: o conhecimento das esferas celestes, marcando finalmente este percurso. [Ou seja o processo iniciático ascensional culmina na contemplação da Harmonia das esferas planetárias e das suas inteligências celestiais, e mesmo do Sol da Divindade.]
Nesta máquina do mundo, construída segundo o ensino de Ptolomeu e dos peripatéticos, oito esferas concêntricas e envolventes, terão como centro a Terra, sete delas dos planetas e a oitava das estrelas fixas [das constelações, também chamada o Firmamento], uma última dando-lhes todo o movimento [que teria como móbil ultimo o desejo de unidade com o Empíreo, plano da Divindade e dos Bem-aventurados]. Cada esfera movendo-se, segundo os peripatéticos, por uma Inteligência divina, que está em relação com essas esferas como a Inteligência agente [ou o anjo da guarda] para cada alma humana.
Só este paralelismo antropológico e cosmológico, poderia justificar e explicar esta visão planetária integrada na exposição profética da história portuguesa por Tétis; e mais latamente integrada num processo de iniciação concedida nessa ilha angélica, que de outro modo seria difícil nela incluir. Camões, tal como o filósofo islâmico Avicena apresentando aqui a astronomia inseparável da angeologia. E será esta união que com a revolução de Copérnico sofrerá uma ruptura irreversível, que marcará os tempos modernos da Europa; doravante, os céus ficando vazios das presenças angélicas, como laicização do cosmos.
Camões surgindo ainda em meados do século XVI, como representante e defensor desta concepção anterior, então a ser preterida do pensamento ocidental. A adopção da teoria de Copérnico, com o abandono daquela de Ptolomeu, arrastaria consigo, como revolução cosmológica, toda uma revolução escatológica. Pois que toda essa anterior cosmologia era solidária de uma angeologia, incluindo sua teoria da Inteligência agente em diálogo com a alma humana. O que o novo sistema iria combater, seria justamente a prerrogativa do Anjo no acto do conhecimento e na economia do cosmos.
Ora é ainda precisamente esta cosmologia ptolomaica regida pela presença dos anjos condutores das esferas celestes e, com seu conhecimento, das almas humanas para sua salvação, o que Camões nos apresenta. Digamos no contexto cultural e religioso da Europa de então, de modo visivelmente anacrónico, ou conservador. Esta presença angélica, representada aqui sobre a terra paradisíaca pelas ninfas [quais huris islâmicas, do paraíso Jannah, diremos, quem sabe se por Camões também tido em conta e que Dalila não ousou escrever], com seu dom de conhecimento supremo [ou elevado] e de eternidade para os homens, numa epopeia de pelo Renascimento, nos levará a ver nela uma marca de avicenismo; ainda para além de certa influência do poema de Dante.»
| As esferas planetárias no Tratado da Esfera de Pedro Nunes |
Dalila concluirá assim lamentando que a visão dos «Planetas movidos por forças angélicas, animae coelesti, cosmos de estrutura religiosa-animista» tenha sido substituída pelas das forças físicas, equacionadas matematicamente as quais dispensam existência de almas angélicas moventes dos planetas e que Kepler (1571-1630) viveu em si mesmo, confessando posteriormente: «antes eu acreditava que a força que fazia girar os planetas era realmente uma alma... Mas considerando que esta força motriz diminui a uma grande distância, conclui que devia ser material» (Opera 1. p. 176).
E nós, deixaremos que as distâncias véus, descrenças e dúvidas nos façam perder a ligação com o Anjo, a Inteligência Agente, o Espírito Santo?
Dando graças à Dalila, a Avicena, Dante e Camões, saibamos ler e reler, orar e cantar, meditar e amar, para que os Anjos nos possam inspirar e abençoar!
domingo, 16 de agosto de 2026
A visão do lume clarissimo, revelado pela Ninfa Angélica a Vasco da Gama, após a sua ascensão: o "Segue-me firme e forte, com prudência", como mantra da iniciação heróica de Vasco da Gama
Dalila Pereira da Costa (1918-2014), nas Raízes arcaicas da epopeia portuguesa e camoniana, 1990, realizou uma hermenêutica valiosa de Camões e d'Os Lusíadas e do ser e missão Portugal, investigando com sensibilidade e originalidade as raízes pré-indo-europeias, cretenses, celtas, cristãs e islâmicas (nestas em especial a influência do mestre persa Avicena), demonstrando em sucessivos capítulos do seu livro ser a epopeia camoniana uma obra gnóstica e iniciática . Já lhe dedicamos três artigos e partilhamos neste último alguns dos parágrafos mais valiosos, dado que é obra esgotada e rara, e de uma querida amiga já nos mundos espirituais...
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Dalila Pereira da Costa e a iniciação da Ilha do Amor. As fontes celtas e persas na inspiração de Camões. Avicena e o Anjo e o Espírito Santo.
Abordando, nas fontes possíveis da Ilha Namorada, o fundo celta e irlandês das viagens em demanda da ilha Bem Aventurada, «habitada por mulheres sagradas doadoras da imortalidade aos homens» , tal a Navegação de Maeduin, que serviu de modelo à Viagem de S. Brandão, publicada entre nós pelos monges de Alcobaça, tal como foi o Conto de Amaro, e ainda a Navegação de Bran filho de Fébal, cristianizada na Vita gloriosissima confessoris Christi Brandani abbatis, e que Camões poderia ter lido no códice existente no scriptorium da mosteiro de santa Cruz em Coimbra, ou já do séc. XII, o manuscrito irlandês do Lebor na Huidre, Dalila compara neste último texto «a eleição e elevação à categoria sagrada imortal dum homem, realizada por uma mulher sacerdotisa, àquela outra realizada por Tétis na pessoa do herói Vasco da Gama. O mundo dessa ilha que na epopeia céltica se chama ilha Bem aventurada, ilha das Fadas, Emain Ablach, Ilha dos Frutos, Avalon, Ilha Afortunada: é a ilha da deusa Dana, e de seu povo, os Viventes, Thuata Dé Dananann onde reinam essas mulheres, avatares da deusa, como Prostitutas Sagradas, doadoras de juventude e imortalidade aos homens: «Ilha namorada de Camões».
Vamos agora transcrever algumas passagens valiosas, relembrando que, após ter-se interrogado sobre as possíveis leituras de Camões (na peugada do Dr. António Cuz), e a possível existência de obras (filosofia, medicina, gnose) de Avicena, na biblioteca de Santa Cruz em Coimbra, dado que os frades agustinianos o conheciam e valorizavam, e que Camões terá frequentado, ao estudar o Curso de Artes, tanto mais que tinha um familiar como geral do mosteiro, o D. Bento de Camões, Dalila, seguindo na peugada de Henry Corbin, que traduziu e comentou bem o Relato visionário de Avicena, admite que tal relato terá sido uma das fontes, tal como a Divina Comédia, de Dante, para o cerne de Os Lusíadas, para o episódio da Ilha Namorada e a descrição da iniciação de Vasco da Gama. No sentido de realçar a corrente avicenizante em Portugal, tanto mais que a influência directa do relato visonário de Avicena não é evidente, refere a existência de obras de Avicena nas livrarias do Infante D. Pedro, rei D. Duarte e Frei Diogo de Murça, nos séculos XV e XVI.
Dalila Pereira da Costa aproxima-se então de um dos controversos mistérios da mística iluminativa persa e de Avicena e, seguindo Etiénne Gilson e o P. de Vaux, nomeia «o avicenismo latino, para o distinguir desse augustiniano avicenizante, pela diferença que surge mais vincada na angeologia; a interpretação augustiniana [augustiniano avicenizante] transferindo para Deus a função iluminativa da Inteligência agente, a marcará assim pela ortodoxia; ao passo que a comparação desta Inteligência agente no avicenismo latino com o Anjo Gabriel identificado ao Espírito Santo, constituía para o augustinismo avicenizante uma suspeita de heresia oriental, porque aproximando-se da gnose», ou porque ia em contrário à doutrina da Trindade estabelecida a partir dos concílios do IV século, de ser uma pessoa divina e não angélica.
Assim esta identificação do Espírito Santo a um Arcanjo feita pelos teólogos e espirituais islâmicos, tal Avicena (e a que Henry Corbin parece-nos ter aderido] e que faz parte do avicenismo latino, parecerá estranha ou herética a muito cristão, mas se observarmos bem ser o Arcanjo Gabriel a anunciar o nascimento de Jesus a Maria e a transmitir-lhe o influxo divino gerador e que ele foi também quem transmitiu o Alcorão ao profeta Maomé, e que a doutrina do Espírito Santo e a sua fixação humana como terceira pessoa da Trindade foi controversa e lenta, pode admitir-se o considerar-se o Arcanjo Gabriel o seu principal transmissor ou revelador, ou filosoficamente a Inteligência Agente na sua função iluminativa, tanto em Maria, como em Maomé, como em todos os seres que o merecerem, tal como alguns espirituais islâmicos conseguiram e testemunharam.
Já na visão ortodoxa cristã, de S. Agostinho e dos frades e teólogos agostinhos avicenizantes, tal Inteligência agente ou activa competia apenas a Deus e era Dele que descia para iluminar o intelecto humanos receptivo, recusando-se a intervenção angélica ou a complexa angeologia avicenista.
Ora para Dalila, em Camões, a Ninfa Tétis representa a Inteligência agente, na sua função iluminativa de Vasco da Gama e dos seus companheiros. Mas não poderá ela representar esotericamente o vero Eu espiritual dele próprio, que lhe apela: «Despertai já do sono do ócio ignaro;/Que o ânimo de livre, faz escrevo: (...) e o incita a seguir «o caminho da virtude,/ Alto e fragoso/ Mas no fim alegre e deleitoso» c. X. 92,93.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Mesa redonda na Quinta Regaleira sobre O Esoterismo em Fernando Pessoa. Notas e reflexões no diário de 20 de Julho de 1996.
Tive a compreensão que o pertencer a grupos torna as pessoas muito sujeitas a defender os interesses dos seus grupos, limitando-as, desfigurando-as da sua liberdade e plenitude.
Fomos feitos ou emanados à imagem e semelhança de Deus e isto significará ou apelará a que O manifestemos luminosamente e não que nos agarremos a capelinhas exteriores em que muitas vezes já não se procura a Verdade nem se adora o verdadeiro Deus mas apenas os seus símbolos ou imagens materiais, sem os ligar à realidade superior donde emanam ou têm a sua fonte, ou sem estarem ligados a ela.
O grande problema no caminho da realização espiritual são os hábitos a que nos habituamos, ou que habitamos, e que nos impedem de sentir, ver, intuir a identidade e potencial plenitude dos seres, a totalidade, universalidade e verdade que importa discernir e realizar no presente vertical ou axial de cada momento e de cada estado de consciência do Ser.
Realmente quando dialogamos com um ser não interessa saber como se está a processar a sua circulação sanguínea, mas sim o que vibra e é mais importante para os dois, o que cada um pode comunicar ou impulsionar no outro de luz, de verdade, de amor, de unidade.
E muitas vezes nem sequer vale a pena estarmos na miragem ou afã da demanda absorvente do saber ou transmitir mais, mas sim apenas estar, comungar, nomeadamente em silêncio, em osmose.
Meditar nesta frase e quem é este Eu que está presente é muito benéfico e iluminativo.»
Transcrito com algumas melhorias a 13 de Agosto de 2026.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Reflexões, intuições e meditações juvenis. Acerca da violência, da harmonia, e do Sol do Amor Divino na Natureza e na Humanidade.
Transcrição de mais algumas páginas dum bloco de notas, quando vivia no Gilde, junto a Guimarães com vinte e tantos anos, com leves correcções. Iluminura persa, do caminho para os mundos espirituais e divinos
«E na senda do conhecimento, pergunto, porquê a violência?
O assassínio, assim como a morte e a doença ( o mal e o sofrimento) serão necessários, ou são antes consequências de desequilíbrios ambientais, internos e externos?
"Homem, tu que és animal e divino", para onde te inclinas e te tornas?
A violência está incluída dentro da harmonia, dentro da perfeição, ou pelo menos no caminho para ela? Deveremos aceitar a violência, mesmo a gratuita e cruel? Ou devemos discernir cuidadosamente o que é natural e compreensível, do que é verdadeiramente condenável e logo proibível, condenável, gestação do Mal, do anti-Divino?
Que o Amor, Paz e Compreensão cresçam mais em todos nós e iluminem e consciencializem todos os seres.
Estamos neste mundo ilusório terrenos para a descoberta e a vivência da Verdade, e a violência surge como uma realidade dolorosa que nos vem ensinar a sermos mais conscientes, harmoniosos, justos e para aspirarmos mais ao Bem, à libertação, ao Amor, à Divindade...
Escrevo ao meio dia sobre as duas belas intuições que recebi. Intuo que a Beleza e o Reino dos Céus que procuramos, encontram-se aos nossos olhos na união do Sol com as nuvens, da Luz com a Natureza.
Esses bocados do céu e das nuvens, cenários infinitos, são pontos de passagem para a sensibilidade mais profunda da alma e do Espírito.
Não será que a Natureza é as trevas iluminadas pelo Sol ou a Lua (pela Luz), pelo Espirito Divino, do qual o Sol é um reflexo?
Assim, mesmo no dias da chuva, saibamos ver o Sol que se esconde atrás das nuvens. esse doador da Vida e do Amor. (...)
A segunda intuição foi esta: Descobri, pela graça, que o que nos dá forças não é a comida, nem o ar que se está respirando, nem o espaço físico, nem o sono. É sim o Amor.
Essa simultaneidade de ligação entre os mais diversos pontos n'Uma só corrente unificadora de Luz e Amor, e de que nós podemos fazer parte, ou comungarmos, se a tal aspirarmos.
É o Amor. É a chama do coração, é um calor interno e luminoso a vir dos mundos internos e a ser derramado sobre tudo o que amamos, sobre tudo a que nós apontamos a nossa vontade criadora, e de respeito pela dor, admiração pelo esforço, contemplação da beleza, e aspiração e adoração com o Espirito e Deus.
Longa vida, longo poder, longa Inspiração para a sagrada Hierarquia e para todos os que se ligam a ela.
Tornar-me amor para tudo e para todos.
Estar sereno em todos os momentos, mesmo que recorrendo à respiração mais consciente, aberto ou sintonizando com as almas luminosas afins, amigas ou cultuadas.
Como as árvores brancas cobertas de neve... Sorrir na lentidão dos flocos que caiem.
Aquecer, dissolver o egoísmo, com a radiação poderosa interna.
Tornar-nos uns com todos, compreendê-los, elevá-los. Estarmos mais conscientes da Unidade Divina...
Saber que a dor, suportada e vencida, conduz à claridade e alegria e a alegria pura merecida, cultivada, aprofundada conduzirá à felicidade (ananda) perene, a do espírito, sob a bênção divina, simbolizado no som e mantra AUM , o unificador dos três mundos da manifestação.»
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Escritos dos vinte e poucos anos, num bloco de notas: sobre a oração, então, agora e sempre aspiração e comunhão espiritual e divina.
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| Pintura de Bô Yin Râ, sobre quem escrevi ou transcrevi bastante no blogue. |


