quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Inícios do naturismo em Portugal: João Bastos, "Saúde e longevidade", harmonia e felicidade. Crítica das "oligarquias cegas e da insensatez da alimentação".1907

                                                          

     Entre os livros dos começos do naturismo e vegetarianismo em Portugal, da 1ª década do séc. XX,  um com bastantes ideias ousadas é A Saúde pela longevidade (um grito de alarme), de J. [oão] Bastos.  Publicado em 1907, num in-4º de 101 páginas, que tenho nas mãos num exemplar encadernado editorialmente  em tela verde, com as letras gravadas a ouro e que contém na folha da guarda, num reclame de papel: Livraria e Papelaria de Soares & Matheus. Rua Augusta, 178, Lisboa. A obra fora impressa numa das zonas ligadas à tipografia lisboeta, a rua de S. Paulo, 216 na Typografia A Liberal, de César Correia. 
                                
Na 1ª folha branca, vemos numa bela letra a dedicatória, não datada, do autor "À Benemérita Sociedade Vegetariana de Portugal", fundada pelo dr. Amílcar de Sousa, em 1911, com este espaço de quatro anos de permeio indiciando o seu pioneirismo.
                     
 João Bastos, no seu amor pela verdade e a saúde, e com a sua sensibilidade, inteligência e conhecimentos,  diz o que pensa sem receios, criticando tudo o que lhe parece um defeito social, o que lhe parece estar em desequilíbrio, tentando esclarecer, corrigir e gerar a saúde já que esta leva à felicidade da longevidade. A sua moral é conservadora, em alguns aspectos algo intolerante face a tendências mais ou menos erradas da sociedade moderna, mas noutros brilha pela simplicidade e naturalidade, pela experiência e conhecimento. 
O livro abre com a dedicatória às filhas, na "idade dos verdes anos"  mas desejando que "desfeita a primavera da vida" elas venham a poder "compreendê-lo integralmente. Então, enleadas d'alma como eu o estou hoje no seu benéfico intuito social, não vos canseis de o ler muitas vezes e sempre aos maridos, aos filhos, aos netos, e, por festas tradicionais de família, não vos esqueçais de brindar com ele as vossas melhores amigas". E conclui, imortalizando as filhas como discipulas instrutoras, pedindo: "filhas boas e generosas de sempre, compensai-me, como prémio de gratidão em vida ou culto de memória na morte, apontando  e explicando os trechos mal alinhavados deste livrinho, livrinho que no pleno uso da minha razão vos testo e na maior expansão do meu amor vos dedico."
As teses principais do livro são a degenerescência, e que já vem de longe, da saúde das pessoas, a qual é bem estar do corpo e do espírito, este «encarando alegre, despreocupado, verdadeiramente feliz as muitas dificuldades da vida». A observância dos princípios higiénicos, tal a sobriedade, o exercício das forças, em vez dos «péssimos costumes sociais», alimentares, educativos, pois poderemos sair da situação, que ele regista como olisiponense: «Lamúria constante! Lágrimas e dores.! / Por vezes esta bela cidade de Lisboa, que devia predispor-nos à alegria, dá-nos a ideia de um grande hospital que nos imprime tristeza parecendo enedémica, e se transmite de uns aos outros, fazendo-nos sofrer. É sempre assunto a doença após a saudação habitual.»
Critica tanto as classes dirigentes como "o rústico e o proletariado" pelos vícios e a desorientação política e moral que vão contraindo nas sociedade moderna e particularmente nas cidades.
A recíproca influência da mente e do corpo, apontada frequentemente: «O spleen, a susceptibilidade, o frenesi, a nervosidade, a muita alegria ou, a muita tristeza, o egoísmo feroz, a avareza, em suma, a manifesta indisposição a sentimentos de generosidade e de altruísmo são efeitos mórbidos de um organismo defeituoso.»
Sobre o amor constata que "em geral não se casa por amor, por esse nobilíssimo sentimento, que une indissoluvelmente, para sempre, duas almas numa, não! (...) e que é necessário que ele entre em quantidade compensadora nos casamentos."
"Se o amor, como lá disse o poeta, é um engano ledo e cego que a fortuna não deixa durar muito, eu, parafraseando, estou em dizer, que se o amor implicando paixão é um mal do coração que vibra e favorece todos os sentimentos, permitindo que esses idolatrados nivelem, igualem ou disfarcem génios diferentes, atavismos hereditários, defeitos físicos e morais, e assim realizem ainda problematicamente o seu maior anseio de felicidade com o acto natural da vida – o que não será o casamento inconsciente, frio de afectos próprios, ignorante de outros sentimentos leais e nobres, os olhos vendados, em que a parte mais frágil, a mulher, é sempre enganada, e a outra, o homem, a enganadora, quando não ambas enganadoras e enganadas?
É ver como tantos lares são aparentemente felizes; é observar como tantos outros são verdadeiramente desgraçados.
É ver como raros mantém equilibrada, essa ventura suprema, - o amor."
Este primeiro capítulo do seu tão actual livro, e que explica o seu sub-título, finaliza assim: «Do progresso e da civilização tem derivado o predomínio de oligarquias cegas, a torpeza da especulação, a febre do luxo, a insensatez da alimentação; vício, vaidades, orgulhos, ambições, que nos obcecam, adoentam e matam.
Estamos todos doentes! É a verdade. Não há saúde. E isto não me cansarei de repetir, qual grito de alarme, para que todos atentem, profundamente, nas minhas mal esboçadas considerações.
Do II capítulo sobre a alimentação, respiguemos um trecho substancial.
"Não vou, sobre o assunto da alimentação , embrenhar-me em minuciosidade cientificas, já tão debatidas pelos profissionais. Seria ingenuidade da minha parte. Fácil seria trasladar para aqui as opiniões dos tratadistas, ou quando menos, citar muitos dos seus nomes, de provada reputação.
Nem isso. Cada um que escolha o autor da sua mais predilecta simpatia, aquele que mais que lhe fale aos espíritos e ao sentido.
Aqui só exponho generalidades que possam ser profundadas, se nenhum intuito de formar compêndio em de fazer literatura; e, para que o sejam, é que pretendo chamar a atenção para os meus raciocínios, apenas filhos da observação e da experiência.
Assim prosseguindo, dou de baratos que os nossos profissionais não iniciem e não cultivem especialmente os tratamentos naturais pela alimentação, pela água, pelo ar ou pela luz, etc,, hoje já tão espalhados e preconizados nos países mais cultos. É aceitável.
Obcecados pelo ensino das nossas escolas retrogradas e das nossas universidades dogmáticas, eles, no seu natural interesse e até na sua louvável irresponsabilidade, tratam de cingir-se ao que da ciência lhe foi materialmente, sistematicamente, incutido no espírito [ou melhor, mente] 
É certo que, para honra e benefício do nosso Portugal e de outros idênticos países, não poucos reagem conseguindo destacar-se: nomes prestigiosos poderia citar. Mas o meio social comezinho e perverso, logo pretende aniquilá-los, segurando-os ao pelourinho do escárneo se proclamam ciência novas; atirando-os para o fundo das prisões e até à morte se proclamam ateando o facho da verdade e da justiça...
E assim aconteceu a Cicero, o grande orador da antiguidade, a quem queimaram vivo; assim aconteceu - para não referir muito nomes de somenos brilho histórico - a Cristo, o doce nazareno, que o crucificaram numa cruz! Este, o sublime anarquista (anarquista, teórica palavra que se deturpa e não se define) para no fim de tempos lhe darem plena razão, e o levantarem, por séculos fora até aos nossos dias, numa adoração mundial! E não colhem estes grandes exemplos!»
E depois de verberar a adulteração dos alimentos, tal do vinho, leite e pão, exclama: «A alimentação que ingerimos é um envenenamento de todos os dias, todas as horas.
A alimentação que somos obrigados a ingerir, é uma mixórdia que produz mau sangue e, como todos sabem, o sangue é a seiva do corpo.  
É a vida.
Se não é bom, se é mal confecionado, pouco ou demasiado, circula irregular e pobremente na nossa economia, alterando ainda que inapercebidamente as suas naturais funções e deformando os órgãos por onde passa.
O homem segundo as melhores averiguações práticas e científicas, pela configuração do seu estomago e da sua dentadura, pelo complexo delicadíssimo da sua estrutura, da qualidade e da quantidade do sangue, - é um frugívoro devendo portanto alimentar-se de frutos, vegetais, tubérculos, raizes e, quanto muito, de cereais. E só devia beber a água límpida das fonte.
As necessidades crescentes da humanidade é que obrigaram o homem a valer-se da alimentação carnívora e de outros tantos produtos nocivos."
Nos capítulos seguintes aborda com observações muito pertinentes a Escola, os Costumes, os Remédios, o Relato ( autobiográfico, em que relata a sua mudança de regime aos 49 anos, uns anos antes de publicar o livro), e por fim a Conclusão, onde manifesta a sua confiança nos que saberão como ele "empunhar a verdadeira arma de combate de alcance certo e decisivo: o cultivo da saúde que é o da feliz Longevidade."

Acrescentemos que este exemplar, na sua 1ª edição desconhecido do grande catálogo nacional Porbase,  e que foi oferecido graciosamente à Sociedade Vegetariana de Portugal, isto é, ao dr. Amílcar de Sousa, o seu fundador em 1911, foi reeditado em Agosto de 1912 pela Editora da Sociedade Vegetariana, com um prefácio do pioneiro médico, tendo mesmo em 1913 recebido uma 3ª edição, tal o sucesso no meio portuense e nortenho, então muito forte na aspiração à Harmonia pelos meios naturais. 
Constituía o VIII volume da Biblioteca Vegetariana e era assim publicitado: «Análise dos erros da vida humana civilizada. A saúde, a alimentação, a escola, os remédios e algumas curas relatadas com superior critério e verdade.» Anote-se que o IX volume era o do iminente pensador Jaime de Magalhães Lima, O Vegetarianismo e a Moralidade das Raças.

 João Bastos passou a publicar tanto na revista o Vegetariano, como no Almanaque Vegetariano Ilustrado de Portugal e Brazil, nomeadamente nos anos de 1914 e 1915.
Daremos conta desse prefácio do dr. Amílcar de Sousa e de mais alguns ensinamentos de João Bastos, a que acrescentamos agora a sua fotografia partilhada na 2ª edição. 
Muita luz e amor nas almas de João Bastos e Amílcar de Sousa e suas famílias.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Учения Бориса Н. Абрамов, Грани Агни Йоги. О тонких энергиях, мастере и духовном мире. Ensinamentos de Boris N. Abramov, Facetas do Agni Yoga. Das energias subtis, do mestre e do mundo espiritual.


Ценный отрывок из учений Бориса Николаевича Абрамова, моряка, химика, профессора, эзотерика и художника (1897-1972), переданных в серии книг "Грани Агни Йоги". Борис был учеником и корреспондентом Николая и Елены Рерих и здесь говорит нам о психической энергии, необходимости самопознания, самоконтроля, сознания духовного тела, излучения огня сердца и стремлении к мастеру, Божеству, Бесконечному. Его Фасеты Агни Йоги теперь онлайн. Поделитесь через Vk.com, Елена Левинтова...

1233. От Б. Н. Абрамова. В мире земном всё начинается, и в Надземном – продолжается, оттого начинать нужно здесь, Там уже поздно. Пластичная материя и энергия иноматериальных сфер созвучны всему, что присуще сущности человека, его духу и привычному настрою мысли. Что при земной жизни сильнее всего звучало, в Тонком мире обретает особую силу и не позволяет приблизиться ни к чему иному. Потому на земле исключительно важно освободиться от всего, чему Там не должно быть места. Дурные привычки следует полностью изжить. Желательно достичь победы и власти над всеми внутренними ощущениями и чувствами, чем достигается независимость и от внешних явлений. Поскольку всё в иноматериальных сферах движется мыслью, ею и надо овладеть в достаточной степени и научиться мыслить ясносияюще. Освободившись от всех бесконтрольных камических проявлений, сознание ставит мыслям границы возможностей самовыражения. Так как в Тонком мире человек пожинает то, что сеял сознательно или бессознательно в земном, каждая мысль потребует отчёта. Зачем же брать с собой мысли вредные, которые могут оказаться хуже ядовитых змей за пазухой? Ведь Там это – видимая реальность, от которой никуда не уйти. Так что все свои силы надо направлять к формированию сияющей ауры и утверждаться на чистоте мышления. Связь с Учителем и постоянные мысли о Нём – лучшая помощь, ибо Он и Шлёт овладение ими. Чтобы человеку стать властелином своего микрокосма, огни его сердца должны пылать, сжигая ненужную ветошь. А также и элементы, полезные для всех миров и состояний, должны накапливаться. Это может происходить при единении с Владыкой и чётком исполнении Его Наставлений.

Valioso extracto dos ensinamentos de Boris Nicolayevich Abramov, marinheiro,  quiímico, professor, esoterista e pintor (1897-1972), transmitidos na série dos livros Facetas do Agni Yoga. Boris  foi um discípulo e correspondente de Nicholai e Helena Roerich e fala-nos aqui da energia psíquica, da necessidade de auto-conhecimento, auto-controle, consciência do corpo espiritual, irradiação do fogo do coração, e da aspiração ao mestre, à Divindade, ao Infinito. As suas Facetas do Agni Yoga então online. Partilha, através do Vk.com, de Elena Levintova...


De B. N. Abramov. 1233.  «No mundo terreno tudo começa, e no Além – continua, por isso é preciso começar aqui, pois lá já é tarde. 
A matéria plástica e a energia das esferas imateriais ressoam com tudo o que é inerente à essência do ser humano, ao seu espírito e ao seu habitual estado de pensamento. 
O que mais ressoava durante a vida terrena, no Mundo Subtil adquire uma força especial e não permite a aproximação de nada diferente. Por isso, na Terra, é extremamente importante livrar-se de tudo o que não deve ter lugar lá. Hábitos ruins devem ser completamente erradicados. É desejável alcançar a vitória e o domínio sobre todas as sensações e sentimentos internos, com o que se alcança a independência também em relação aos fenômenos externos. 
Como tudo nas esferas imateriais se move pelo pensamento, é necessário dominá-lo em grau suficiente e aprender a pensar de forma clara e luminosa. Libertando-se de todas as manifestações caóticas incontroláveis, a consciência impõe limites às possibilidades de autoexpressão dos pensamentos. 
Como no Mundo Sutil, onde a pessoa colhe o que semeou conscientemente ou inconscientemente na Terra, cada pensamento exigirá prestação de contas. Por que levar consigo pensamentos prejudiciais, que podem ser piores que cobras venenosas escondidas no bolso? 
Pois lá isso é uma realidade visível, da qual não se pode escapar. Portanto, todas as suas forças devem ser direcionadas para a formação de uma aura radiante e para a afirmação na pureza do pensamento. A conexão com o Mestre e os pensamentos constantes sobre Ele são a melhor ajuda, pois Ele envia a maestria sobre eles. Para que uma pessoa se torne a governante de seu microcosmo, as chamas de seu coração devem arder, queimando os trapos desnecessários. E também os elementos úteis para todos os mundos e estados [de existência do ser] devem ser acumulados. Isso pode acontecer na união com o Mestre e na execução clara de Seus Ensinamentos.»

sábado, 26 de setembro de 2026

Alexandre Dugin: "La disgenia (declínio social) y la política: la Democracia de las minorías". As concorridas eleições na Rússia consolidam Putin. Entrevista por Alexei Krasilnikov, no programa Escalada, de 24.9.26.

Nestes tempos de crescente autoritarismo senão mesmo ditadura das minorias governamentais ocidentais, subjugadas, corrompidas e ao serviço das ideologias infrahumanizantes do Fórum Económico Social, do sionismo israelita e do imperialismo norte-americano,é bom escutarmos um dos resistentes e melhores analistas e metafísicos, Alexandre Dugin, comentar por dentro as eleições na Rússia e na Alemanha bem como a mudança do paradigma da democracia sã para um abastardamento ou degeneração de quem conta, governa ou é modelo...




«La disgenia y la política: la democracia de las minorías (Escalada): ¿en qué llamaría usted la atención —quizás no tanto en las cifras de los partidos (aún solo se ha contado alrededor del 5 % de las boletas), sino en los momentos clave que acompañaron estos tres días y la votación anticipada previa con urnas móviles?

Traducción de Juan Gabriel Caro Rivera

Presentador (Alexei Krasilnikov): Según los datos que acaba de dar a conocer María Romanova en las noticias, la participación fue del 59 %, mientras que en la votación en línea alcanzó casi el 91 %. Según Ella Pamfilova, «Rusia Unida» obtiene el 57,83 % y lidera en 208 distritos uninominales; se pronostican 355 escaños. El Partido Comunista de la Federación Rusa (KPRF) tiene el 13,81 %, y el Partido Liberal Democrático de Rusia (LDPR), casi el 9 % (por cierto, un aumento notable: en las últimas elecciones, con Vladímir Zhirinovski, el porcentaje fue aproximadamente un 1,5 % más bajo). «Gente Nueva» tiene el 7,96 %. «Rusia Justa» aún no alcanza el umbral, le faltan centésimas de porcentaje. Esperamos los resultados definitivos tras el recuento de todas las boletas; estos datos corresponden al 95,18 % escrutado. [Os resultados finais foram: para a Rússia Unida, 59% e 349 lugares, mais 6 do que da última vez. Partido Comunista, 37. Partido Democrático Liberal, 23. Novo Povo, 19. Rússia Justa, 17. Anote-se que 46 dos eleitos são veteranos da guerra actual. 

Analizaremos todo en detalle: tanto el contenido como la forma, y el contexto en torno a estos días de votación.

También echaremos un vistazo a Alemania: allí se celebraron elecciones regionales, de las que podría depender, entre otras cosas, el futuro del canciller Merz. Su partido —la CDU, la Unión Demócrata Cristiana— está teniendo, por decirlo suavemente, un desempeño desfavorable, perdiendo en algunos lugares frente a la AfD («Alternativa para Alemania», en alemán: Alternative für Deutschland) y en otros frente a la izquierda; en algunos estados federados ni siquiera supera la barrera electoral del 5 % necesaria y no logra entrar al parlamento regional.

Por ahora, se trata solo de elecciones en unos pocos estados, pero es interesante comprender qué consecuencias puede acarrear esta situación. Por un lado, las derrotas de Merz se han vuelto habituales y sus índices de apoyo son bajos; a modo de comparación, hace unos meses, al cumplirse un año de su mandato, eran notablemente más bajos que los de sus predecesores, al menos que los de Merkel y Scholz. Por otro lado, el canciller se elige tras los resultados de las elecciones federales y aún falta mucho para ellas, por lo que, formalmente, hay pocos motivos para alarmarse. Y, sin embargo, esto es, como mínimo, una señal de alerta: en el Reino Unido y en Alemania, no es raro que el jefe de Estado renuncie incluso entre campañas federales.

Hoy hablaremos tanto de la inteligencia artificial como de Donald Trump, pero un poco más adelante.

Aleksandr Guélievich [Dugin], ¿en qué llamaría usted la atención —quizás no tanto en las cifras de los partidos (aún solo se ha contado alrededor del 5 % de las boletas), sino en los momentos clave que acompañaron estos tres días y la votación anticipada previa con urnas móviles?

Aleksandr Duguin: El contexto en el que se llevaron a cabo las elecciones fue verdaderamente heroico. La última noche antes del domingo, el régimen de Kiev lanzó un ataque masivo: se lanzaron más de mil drones contra Rusia y, según Pamfilova, se dañaron 76 centros de votación. Ucrania y el Occidente que la apoya intentaron sabotear las elecciones: hacerlas imposibles, caóticas, ilegítimas, lograr que simplemente no se llevaran a cabo. No lo lograron, y eso es muy importante. Llevamos a cabo las elecciones con orden, energía y unidad, demostrando el espíritu, la organización y la disciplina tanto de la gente como del Estado y de la administración. En mi opinión, se trata de una victoria pequeña, pero significativa, en esa guerra moral que libramos contra Occidente y el régimen nazi de Kiev.

Ahora, sobre los resultados. Aquí vale la pena recordar la acertada publicación de Alexei Chadaev. Hoy en día, a muchos les resulta difícil comentar las elecciones: todos los partidos participantes son patriotas, todos apoyan al presidente y a la Operación Militar Especial, y todos están de acuerdo en las cuestiones fundamentales de la política estatal y la visión del mundo. Chadaev es una de las figuras más destacadas de nuestro desarrollo en el ámbito de los sistemas no tripulados, un ingeniero que estuvo en los orígenes de la creación de una poderosa red de sistemas no tripulados y, además, en mi opinión, un politólogo muy talentoso. Él señaló algo importante: la gente vota por «Rusia Unida» porque en su mismo nombre se insinúa la ausencia de afiliación partidista y la falta de democracia parlamentaria.

La idea es que Rusia debe estar unida y la fragmentación del sistema político en facciones, grupos y partidos, en esencia, divide, mientras que «Rusia Unida» propone unir. Es un partido que, en esencia, propone dejar de lado la democracia representativa y liberal de tipo occidental y buscar el camino hacia la verdadera democracia rusa, donde la unidad es lo primero. Esto es diametralmente opuesto a la teoría de la democracia liberal occidental de la Época Moderna, según la cual cuanto más fuerte es la separación de poderes —ejecutivo, legislativo y judicial—, y cuanto más se limitan entre sí, mejor.

No creo que los votantes se adentren en el programa de «Rusia Unida». La cuestión está en el nombre mismo y en que el partido apoya abiertamente a Putin y a la Operación Militar Especial. Su quinteto principal también resultó ser simbólico: Lavrov, el héroe de la Operación Militar Especial Vladislav Golovin; la comisionada presidencial para los derechos del niño, María Lvova-Belova; y el corresponsal militar Evgeni Poddubniy; es decir, personas con las que el pueblo se identifica. Es un partido solidario con el Estado y con su líder y en él hay algo que trasciende los partidos, algo suprapartidista, que es la garantía de una nueva forma democrática. La democracia rusa no se basa en la división ni en la fragmentación, sino en la unidad. Y la gente debe hacer llegar sus diferentes opiniones, sus propios juicios y matices a las autoridades y a la sociedad por otros medios, no a través de debates parlamentarios. Por eso, nuestro parlamento no es un lugar para debates: gana un solo partido, denominado principal, y eso es totalmente democrático, pues es precisamente lo que quiere la gente. Nosotros, los rusos, queremos que en el parlamento dejen de hablar de temas sin importancia. La Duma no es un circo de bufones; es un lugar donde hay que pensar y ayudar al gobierno a llevar a cabo su agenda. En esencia, los diputados son asesores, y hay que elegir a personas inteligentes para ese cargo, porque no todos son capaces de pensar.

Esto es lo que aportamos a nuestra democracia: para ser sinceros, la vemos sin partidos. «Rusia Unida» es un compromiso entre los vestigios occidentales incorporados a la Constitución en 1990 (huella de nuestro occidentalismo y nuestra tendencia liberal globalista) y la Rusia del futuro, donde todo será uno: los pueblos, las confesiones tradicionales, el pueblo y el Estado. Y hay que reflexionar profundamente sobre el lugar que ocupan la diversidad y la pluralidad de opiniones; pues, como se dice incluso en el cristianismo, «es bueno que haya diversidad de opiniones entre ustedes». Expresen sus puntos de vista, argumenten; para ello hay que encontrar espacios de intercambio real de opiniones —pero claramente no el parlamento—. «Parlamento» —del francés parler…

Presentador: …hablar. Y en nuestro país, la Duma proviene de la palabra «pensar». Recuerden que en su momento también le cambiaron el nombre a «discusión».

Aleksandr Duguin: Exacto. Es mejor pensar primero y luego hablar, y no al revés. En nuestro país, primero está la Duma y ya después el parlamento, «parler».

Presentador: Aquí vale la pena aclarar: los partidos que, según datos preliminares, ingresan a la Duma Estatal también apoyan la Operación Militar Especial, así que no se trata solo de «Rusia Unida». En cuanto a la participación: casi el 60 % (preliminarmente, el 59 %) es significativamente más alta que en las últimas elecciones a la Duma y se acerca a la de las presidenciales. Es decir, el votante está motivado políticamente: es consciente de que hay que votar independientemente del nivel de las elecciones y de la fuerza política, incluso cuando por todos lados insisten en que eso no influirá en nada. Un dato curioso es el aumento de la participación electoral, el deseo de expresarse y de cumplir con el deber cívico.

Aleksandr Duguin: Hay una guerra en curso, y en estas circunstancias, el voto récord a favor del presidente se convierte en un voto a favor de su parlamento, sus partidos y su sistema político. Nos atacan y nos matan; intentan privarnos por la fuerza de la posibilidad de apoyar al presidente y vencer, incluso en aquellas batallas sociales que libramos en aras de la consolidación. Por eso vamos a votar: demostramos que no nos dejan intimidar, que apoyamos el rumbo del presidente y que el presidente no está solo —detrás de él están todos los partidos y detrás de los partidos, todo el pueblo.

Presentador: Desde hace ya varios años, la participación electoral se ha convertido casi en el único indicador clave que se sigue y por el cual se hace campaña principalmente; en cambio, quién vota por quién, eso ya es otra cuestión. Alexander Guélievich ha destacado acertadamente que no siempre es posible familiarizarse con los programas, y esta es una idea que vale la pena tener en cuenta. Las normas democráticas que se imponen como las únicas posibles no siempre funcionan en todas partes; basta con mirar a los países donde los intentos de imponer una fórmula democrática general no han tenido éxito. Cada país tiene su propio camino y el modelo debe adaptarse; por eso, el llamado a acudir ante todo a las elecciones se vuelve cada vez más comprensible y aceptado por quienes participan en ellas.

Aleksandr Duguin: Así es precisamente como hay que interpretar la alta participación y el alto índice de popularidad de «Rusia Unida»: se trata, en cierto sentido, de un referéndum —no «a favor de unos u otros», sino en apoyo al rumbo del presidente y del Estado—. Las relaciones entre el pueblo y el Estado son complejas y no lineales; así ha sido a lo largo de toda nuestra historia y en cualquier sociedad. Durante una guerra —justa, patriótica, popular— esto se manifiesta de manera especialmente clara. Los instrumentos de consenso entre el pueblo y el Estado pueden ser diversos: encuestas de opinión, mítines, manifestaciones o incluso elecciones. Y estas elecciones se diferencian de las anteriores: reflejan el estado de una sociedad que apoya el rumbo hacia la victoria.

Hay quienes, al tomar la boleta electoral, razonan así: «A estos los reconozco, aquel dijo algo gracioso, este es bueno». Pero los sectores más profundos votan con el corazón, sin dudar, y eligen a «Rusia Unida», porque es el partido de Putin. Votar por ese partido es, en esencia, votar por la transición de una democracia liberal simulada a una verdadera democracia zemskaya (comuna) rusa. Se suele pensar lo contrario: como si a «Rusia Unida» se le votara de manera menos consciente, por mandato ajeno. En mi opinión, es exactamente lo contrario: la gente vota según lo que siente. Es una elección existencial, y no importa tanto quiénes sean estas personas; lo importante es que se trata de un voto a favor del rumbo y la estrategia del Estado y, en tiempos de guerra, sin duda, a favor de la victoria.

Presentador: Agregaré que cada uno tomó por sí mismo la decisión de a quién votar. Y el mero hecho de que las elecciones se llevaran a cabo en medio de una grave amenaza física es revelador: solo en la región de Moscú, el sábado se derribaron 1 600 drones en todas las fronteras. Acudir al centro de votación en tal contexto significa demostrar una mayor fortaleza interior. Pamfilova habla de los ataques, que parecen haber sido deliberados, de drones de las Fuerzas Armadas de Ucrania contra los vehículos de los miembros de las comisiones electorales, en particular en la región de Bryansk; en varias regiones se produjeron incluso tragedias con víctimas mortales. Este también es un momento que nos involucra y nos une. Esperamos las cifras definitivas, pero mientras tanto, nos quedan unos tres minutos para hacer un resumen.

Aleksandr Duguin: Esta vez hubo muchísimas, de lo más variadas: se les dio la oportunidad de expresar su postura a personas con todo tipo de limitaciones. Si hablamos del cumplimiento formal de las normas de la democracia occidental, estas se respetaron. Otra cosa es que estas mismas normas, desde mi punto de vista, no son en absoluto la verdad última. La verdad última es Dios; es lo que dicen la religión, la revelación, la Iglesia y la tradición. La democracia no es sagrada ni constituye un valor sagrado. Pero nuestro pueblo, especialmente en condiciones de guerra, la convierte en algo más: en una forma de expresar una postura existencial, literalmente en condiciones heroicas. Natalia Sanaykhina, miembro de la comisión electoral n.º 1283 en las afueras de Moscú, resultó herida en un ataque con drones, pero aun así acudió a cumplir con su deber. Para muchos, esto se convirtió en una prueba. Tomamos un procedimiento electoral bastante cuestionable, en el que no hay nada verdaderamente ruso ni sagrado, y lo convertimos en algo diferente. Los rusos sabemos hacer esto: tomamos algo de otros y lo estropeamos, pero otras cosas, por el contrario, las mejoramos. Esta votación fue correcta, y estas elecciones fueron realmente más que unas simples elecciones.

Presentador: Y para concluir, una comparación con las elecciones estadounidenses. Usted señaló acertadamente que hubo muchas oportunidades para votar, tanto de manera anticipada como a distancia; nuestros colegas de Khabarovsk y San Petersburgo contaron cómo entregaban las boletas: en algunos casos con drones, en otros con la cuchara de una excavadora. Y me viene a la mente la imagen de las elecciones estadounidenses, donde una persona simplemente llega, se identifica y vota sin pasaporte ni documento de identidad; así votaron también muchos extranjeros. Esos requisitos de transparencia y rigor que se pueden exigir a unas elecciones, en nuestro caso realmente se cumplieron.

Alexander Guélievich, el fin de semana no solo quedó marcado por las elecciones rusas. En Alemania se vive nuevamente una situación notable: se celebraron elecciones en Berlín y en Mecklemburgo-Pomerania Occidental —regiones que no son precisamente las más pobladas— y se trata de elecciones regionales. Pero incluso allí, la coalición gobernante y el canciller Merz en persona lo pasaron mal: en algunos estados, su partido ni siquiera alcanza la barrera del cinco por ciento necesaria para ingresar a los órganos de gobierno local. En Mecklemburgo, la AfD obtiene buenos resultados; en Berlín, la izquierda; aún queda por calcular el recuento definitivo en las circunscripciones uninominales. ¿Qué está pasando con Alemania? Después de todo, nos han acostumbrado a pensar que mantenerse como canciller o primer ministro durante al menos dos años ya es un logro, y tanto en Gran Bretaña como en Alemania el cambio de líderes es habitual. ¿O es que, después de todo, allí está madurando algo distinto?

Aleksandr Duguin: En la primera parte hablamos de que la sociedad rusa está superando los aspectos negativos de la democracia occidental, aportándole sus propios significados e incluso procedimientos. En Occidente, en cambio, la palabra «democracia» se distorsiona hasta quedar irreconocible, convirtiéndola en «el poder de la minoría».

Hoy en día, en Occidente existen dos democracias, dos definiciones de la misma —tanto en Estados Unidos como en Europa, de donde proviene la democracia—. La concepción más «avanzada» es la democracia como el poder de las minorías. Según esta lógica, si eres un pervertido, una persona enferma —por ejemplo, alguien que padece demencia o un déficit de capacidades cognitivas— y, además, perteneces a una minoría étnica, religiosa o de otro tipo, entonces sí que eres un «demócrata»: apoyas a otras minorías, abres el camino a la migración sin límites, eliminas los valores tradicionales y los reemplazas por otros no tradicionales. Esto se considera la versión «avanzada» de la democracia. Pero también hay amplios sectores que entienden la democracia de otra manera: el «demócrata de la vieja escuela» razona de manera sencilla: «si no me gusta, votaré en contra». Por último, existe una tercera democracia, la democracia electrónica, en la que votarán los bots y la inteligencia artificial: algo similar se está preparando con «Palantir» (Palantir Technologies —una gran empresa estadounidense de análisis de datos fundada en 2003—), pero aún no se ha anunciado.

Estas dos democracias existen realmente en la politología, en el discurso, en las resoluciones; no me lo estoy inventando. Algunos en Occidente consideran que la democracia es cosa de las minorías, otros siguen creyendo que quien decide es la mayoría. Esto es precisamente a lo que se enfrenta Alemania en este momento. Los partidarios del gobierno de la mayoría votan como quieren. Y los reeducados, a quienes se les ha inculcado que deben amar al migrante violador y asqueroso y al pervertido que ensucia las calles de las antiguas ciudades europeas, votan de otra manera. Incluso existe el concepto de «disgenismo»: los liberales de izquierda, al estilo de Merz, predican que cuanto más espantosa y fea sea una persona, mejor. Se reúnen enormes coros de degenerados que llenan hangares enteros, con canciones horribles, músicos y directores; deben cantar mal y desafinados, pues el canto hermoso se considera un signo de «supremacismo elevado». Merz es un representante de este disgenismo, al igual que la pareja de los Macron, en la que no se distingue quién es él y quién es ella.

Estas minorías se consideran portadoras [ou donas] de la democracia. Pero algunas regiones de Alemania —las del este y del norte, en particular Sajonia-Anhalt— piensan de otra manera. Allí vivieron en otro tiempo los bálticos y los eslavos; es un territorio tradicionalmente eslavo y báltico; tal vez allí se hayan conservado los genes de la gente decente. O tal vez el socialismo en la RDA le hizo un buen servicio a la población local, convirtiéndola en defensora de la vieja democracia. La vieja democracia, en cambio, es cuando un ciudadano común ve a su alrededor una pesadilla, cuando lo obligan a decir que dos por dos son quince, que es más seguro sentirse así cuando te apuñalan y te matan y a quien no está de acuerdo lo tachan de fascista —y todo esto no encaja en su mente. Para él, es bueno cuando camina por la calle y no le cae nada en la cabeza, cuando ve a la gente conversando cortésmente; eso no es fascismo, sino el requisito mínimo de orden público.

Una parte considerable de los alemanes no vota ni por la derecha ni por la izquierda, sino por la democracia de la vieja escuela: por que todo sea cómodo y agradable y no por coros disgénicos, «cuatro barbas» y asiduos de clubes de BDSM que gritan: «Ni AdH, ni normalidad». En esencia, se enfrentan la democracia de la persona normal y la democracia de la persona profundamente enferma. Lo mismo ocurre en Estados Unidos.

Es difícil decir quién ganará. Hablé sobre la lógica de las minorías en un debate con Francis Fukuyama. Él decía: la mayoría es peligrosa, puede elegir a Putin, a un dictador o a Hitler; por eso no hay que escucharla a ella, sino a las «minorías disgénicas», a los degenerados y a las personas en estado de demencia. Después de todo, al ser débiles, encarnan el «pensamiento débil», una filosofía y una teología débiles y tales gobernantes débiles de mente, según esta teoría, son más útiles para el país que los serios constructores del orden: el caos y la esquizofrenia serían, al parecer, mejores que el orden y la paranoia. Es difícil predecir en qué terminará este enfrentamiento. Cuando AfD ganó en Sajonia-Anhalt, se propuso excluirla del acceso a la información secreta del Bundeswehr —con el argumento de que no comparte la democracia de las minorías y representa un tipo antropológico diferente; «no le corresponde» saber, pues podría unir los hechos y actuar de manera racional. Y las verdaderas figuras de la nueva democracia son, según esta lógica, Kaya Kallas, von der Leyen y Annalena Berbock —representantes, como él dice, de las «minorías mentales».

¿Dirán que es una parodia maliciosa del Occidente contemporáneo? Lean sus libros de texto de ciencias políticas, sus cursos de filosofía y estudios culturales y platiquen con los filósofos que encarnan a ese Occidente. Toma a Žižek, un ícono del pensamiento liberal: desaliñado, de habla ininteligible, que convierte cada frase en una paradoja sin sentido que menosprecia la racionalidad; no en vano tituló uno de sus libros Less Than Nothing —«menos que nada»— (se refiere a la obra «Less Than Nothing: Hegel and the Shadow of Dialectical Materialism» / en inglés, «Menos que nada: Hegel y el fantasma del materialismo dialéctico»). Este es precisamente el tono de referencia de la ortodoxia filosófica actual, la fiesta de los degenerados que han elevado la disgenia a principio. La disgenia es lo opuesto a la eugenesia: no seleccionar al mejor, sino al peor tipo, darle poder y escucharlo por «solidaridad» y «empatía». Cuanto mayor sea la presencia de un sector mentalmente deficiente en la política y en los altos cargos, más segura será la garantía de que las personas normales no lleguen al poder.

Por ahora, esto no está funcionando del todo. Parecería que lo controlan todo, pero se está levantando una ola de descontento. La vieja, silenciosa y convencional democracia burguesa parece decir: «No he desaparecido, voy a votar». En Berlín no se puede votar por AfD—es lo mismo que votar por Putin o Trump; allí, en el centro de votación, los grupos disgénicos, por decirlo así, te harían pedazos—. Pero más al Este, la gente vota tranquilamente por la AfD: es un voto a favor de la normalidad frente a una antinormalidad bien organizada.

Miren lo que propone Merz. En primer lugar, migración ilimitada. En segundo lugar, valores antitradicionales, desfiles de todas las perversiones posibles. Y junto con eso: guerra contra Rusia, militarización y vigilancia total. Pero una cosa no va con la otra: o son los desfiles y entonces te acercas a la desquiciada Greta Thunberg con su fundamentalismo ambiental, o es la guerra y entonces se necesita nacionalismo, patriotismo, «fascismo». ¿Cómo conciliar que, con una mano, Merz impulse el proceso de desintegración y, con la otra, exhorte a esas mismas personas a prepararse urgentemente para la guerra contra Rusia? Una persona sensata observa tal propuesta y no le cuadra. La exigencia de entregarse a la desintegración y, al mismo tiempo, «ponerse a cuatro patas y correr hacia el frente oriental» da la impresión de una completa demencia a todos aquellos que aún conservan restos de cordura. A juzgar por todo, hay más personas así en Alemania Oriental, en la antigua Prusia; allí la gente resultó ser más sensata.

Presentador: Siguiendo con lo que dice: ¿qué es lo que pasó exactamente en Alemania en estos cinco años? Aclaro: se trata de elecciones regionales y municipales, en las que el partido gobernante, en algunos lugares, ni siquiera alcanza el mínimo necesario. Durante mucho tiempo pareció que el país quería estabilidad: todas esas siglas, CDU, CSU, seguían siendo más o menos las mismas que en 1980. ¿Se superó algún punto crítico? ¿La gente se cansó de que se le impusieran ideas incomprensibles y malsanas? ¿Aparecieron nuevas tecnologías? ¿O se llegó a algún tipo de comprensión?

Aleksandr Duguin: No creo que los alemanes se hayan vuelto tan sensatos. Más bien, muchos simplemente no le creyeron —no le creyeron al posmodernismo—, considerando excesivas las teorías sobre la transición del ser humano a una existencia rizomática, las ideas sobre «la muerte del hombre», el poshumanismo y la «libertad de género» como una cuestión de elección. Al principio, todo esto era una provocación filosófica: desde 1960 y 1970, especialmente en 1970 y 1980, la gente se reunía en conferencias, discutía temas exóticos; luego comenzaron a influir en sectores cada vez más amplios de la educación y más tarde los estudiantes formados en el posmodernismo terminaron al frente del Estado.

Mientras esto se limitaba a la filosofía, el culturalismo y la historia del arte, la perversión se fue convirtiendo poco a poco en la norma. Deleuze, el principal teórico del posmodernismo, proponía pasar a las «masas esquizoides»: la esquizofrenia, en su opinión, es algo bueno, mientras que lo malo es la paranoia, es decir, la racionalidad estricta. Por el contrario, es bueno el ser humano fragmentario, dividido en estados e incluso en órganos que no se ponen de acuerdo entre sí; a las masas, consideraba él, les es propia esa esquizofrenia. Poco a poco, estos principios se trasladaron a la política de alto nivel. Muchos le restaban importancia: «Es solo una exposición, un video musical, una metáfora; no anula la normalidad». Pero la esencia radica precisamente en la anulación de la normalidad —pues el ser humano o es normal o no lo es—. Al principio se consideraba que había que tratar a los anormales con respeto y no humillarlos y eso es correcto. Pero una cosa es tratarlos con benevolencia y otra muy distinta es invertir los roles de la norma y la patología y otorgarle poder a esta última.

Ahí radica el sentido de la filosofía posmodernista, que hoy encarnan la CDU y la CSU, los políticos británicos y los dirigentes de la Unión Europea: todo el poder para el vicio, la locura, la idiotez, la disgenia y la degeneración; es un triunfo de los degenerados, estéticamente diseñado y presentado como una nueva democracia. Todos dicen: esto no es serio. Y luego aparece Merz, o Starmer, o Boris Johnson —un pedazo de sustancia desaliñada, siempre despeinado, con la camisa desabrochada y los cordones desatados—, que viaja por el mundo como un saco, influye en el curso de la guerra y reparte promesas a los nazis ucranianos. Todo esto sería gracioso y absurdo si no estuviera inmerso en una guerra y no se tradujera en crímenes sangrientos.

A lo largo de todos estos años, Occidente se ha ido revelando cada vez más desde ese lado suyo que hace tiempo se planeó y se puso en práctica y solo ahora el ciudadano de a pie empieza a darse cuenta de que algo anda mal. Pero tal vez sea demasiado tarde: a los disidentes los excluirán del Bundeswehr y las elecciones en Mecklemburgo se declararán injustas con el pretexto de la «injerencia rusa». Basta con mostrar una foto: un hombre que parece ruso camina por la costa del mar Báltico —robusto, de piel clara, con su esposa, su hijo y su perro—. Si es ruso o no, si está sano o no, si existió o no, no importa; los periódicos publicarán con el titular «los rusos vienen», y para un degenerado ese argumento es suficiente para anular las elecciones. Así es como funciona y ya han recurrido a esto más de una vez.

Por eso, si se pregunta de manera abstracta qué democracia prevalecerá, creo que será la nueva. Es precisamente esta la que ellos planearon como su futuro. Y la antigua aún no ha tomado suficiente conciencia de que la disgenia, la degeneración y los valores no tradicionales son lo único que les queda por aceptar. Además, esto no es una pregunta, sino una orden y una orden no se discute: así funciona esta sociedad. Conocemos mal al Occidente contemporáneo y por eso nos sorprende cómo se puede votar a favor de esto. Pero, en realidad, a quienes no voten por la nueva democracia se les privará del derecho al voto y se les enviará a «reeducación»: a colonias especiales con cambio de género forzado. Así terminará todo.

Lo que está sucediendo es grave: afecta no solo a la cultura de Occidente, sino también a su política y su economía. Europa está destruyendo con sus propias manos su propia economía —y además se alegra de ello—. Los gasoductos volados no solo fueron financiados con nuestro dinero, sino también con el de los alemanes; tras destruir su sector energético y su economía, allí consideran que así es como debe ser. No podría ser de otra manera cuando se trata de una furia. Y en Alemania Oriental, alguien se niega a decir «miau» y «guau» a las órdenes de Merz —una figura casi caricaturesca, mitad del cabaret para minorías, mitad de las películas de Tarantino—. Algunos ya se han resignado, pero otros aún no. Y hay que prepararse para que, muy probablemente, prevalezca una nueva democracia en el Occidente. Con eso es con lo que tendremos que lidiar.»

* El movimiento LGBT y cualquier tipo de perversión, incluidas las que aparecen en las fotografías [arriba] de políticos de izquierda de Alemania, están terminantemente prohibidos en la Federación Rusa.



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Texto e palestra para a exposição "Gestos-Liturgia-Sacralidade", de Maria Fátima Silva e Jorge Prata no Museu do Vinho em Alcobaça.


     Breve palestra de Pedro Teixeira da Mota sobre Sagrado, Liturgia, Gestos, Mudras, Vinho, Graal, Tradição Espiritual Iraniana e Cristã, no Museu do Vinho em Alcobaça, a 20/9/26, após a visita guiada por Maria de Fátima Silva e Jorge Prata à exposição "Gestos, Liturgia, Sacralidade", organizada por Alberto Guerreiro, com curadoria de Mário Caeiro quanto às instalações de Fátima, e que esteve alguns meses em exibição no Museu. Fora convidado para escrever o texto de sala, e para falar no encerramento. Havia espaço para diálogo final e houve algum confronto ideológico registado em grande parte.
    Eis o  escrito para a exposição:
Da gestualidade sagrada e ecuménica de Fátima no Museu do Vinho em Alcobaça

    A exposição Gestos-Liturgia-Sacralidade, de Maria de Fátima Silva e Jorge Pratas, nas obras e processos partilhados, tende à magia da elevação da visão do mundo material ao espiritual, com o corpo e a gestualidade ritual invocando e evocando a consciência das influências ou presença espiritual e divina, sacralizadora de quem a realiza ou de quem a reactualiza agora ao contemplar operativamente o que é já símbolo da intuição e vivência, reconstituição fotográfica ou pictográfica icónica.
   Maria de Fátima Silva apresenta uma instalação de pinturas e uma mesa altar dedicadas a Nossa Senhora de Fátima, aparecida em terra de etimologia islâmica, pois consagrada a Fátima, filha do profeta Maomé, e mulher de quem deveria ter sido o sucessor como líder do Islão, Ali, mas que se tornou apenas o I dos XII imams Shiias do povo iraniano, tão admirado nos nossos dias por defender cavaleirescamente a sua civilização teocrática da opressão gananciosa oligarquica do Ocidente profano. 
   A obra da Fátima é triplamente sacralizante: por si, pela localidade e sua hierohistória e por Nossa Senhora de Fátima, manifestação da Deusa, do sagrado Feminino, com o Amor, misericórdia e ecumenicidade tão necessários nestes tempos preliminares da III grande Guerra.
  Ao apresentar a sua mensagem em portas, nexos de inter-espacialidade e passagem entre planos ou mundos, a Fátima apela à consciencialização da sacralidade do quotidiano, à fatimização e angelização do nosso horizonte anímico, recorrendo à simbologia evocatória da Senhora de Fátima e dos Anjos e Arcanjo de Portugal, para que as suas bênçãos e nossas energias, escorrendo das mãos trabalhadoras e cuidadoras, dos pés sofridos e das asas renovadoras, nos purifiquem, inspirem e reintegrem na consciência sacra e unitiva.
   A magia operativa das liturgias do santuário de Fátima, tão poderosa nas grandes peregrinações e litanias, e no silêncio dos vastos terrenos puros e vazios, com suas capelinhas, altares, estátuas, árvores, penedos e flores, foi bem acolhida enquanto macrocosmos uterino da instalação pictográfica e de gabinete etnográfico-religioso oferecido pela Fátima com toda a beleza, cor, ritmo, intensidade e sentimentos gerados durante o processo alquímico, interno e externo, agora desvelado nesta condensação bem original e performativa, até no convite aos gestos de abençoarmos com a água purificadora e de nos fortificarmos com a energia firme dos cristais do Gerês e fósseis da Ericeira.
      O lugar ideal da Exposição seria talvez uma sacristia, antecâmara introdutória da missa, oferecendo as fotografias e pinturas como rememorações destiladas na devoção e aspiração, mas também serve bem o Museu do Vinho em Alcobaça, de Fátima vizinho, pois, instalado na antiga adega, preserva todo o pathos do ciclo vinícola, sagrado desde os mistérios da Grécia ou, mesmo antes, da Pérsia, pois ao rei Jamshid, detentor do Graal primordial, e sua princesa, como relata Firdouzi na imortal epopeia Shahnameh, é atribuida a descoberta do vinho, o qual, cultuado como gerado da luz solar e divina propiciadora de Farrah (a Luz da Glória e da Verdade dos espirituais iranianos), até nós chega resplandecendo com glória na liturgia eucarística e nectarizando-se no dito afiançado pelos nossos antepassados (que estejam na Luz) In Vino Veritas.


             

sábado, 19 de setembro de 2026

Feira do Ambiente e Vegan de Loulé, 18 a 20 de Setembro em Loulé. O Clube de Cordas da Casa de Cultura, e três das melhores expositoras.



Realiza-se no fim de semana de 18 a 20 em Loule, a
na Feira do Ambiente e Vegan de Loulé, e visitamo-la à noite, percorrendo várias das bancas, gravando uma música tocada pelas jovens artistas do do Clube d’Cordas da Casa da Cultura de Loulé, e tirando algumas fotografias, nomeadamente das três pessoas com quem mais dialogámos, a realizarem trabalhos criativos bem harmoniosos e valiosos e com óptimas capacidades de os explicarem. 
Seguem-se as fotografias, que legendarei brevemente, e partilhando já o artigo para alguém ainda poder visitar a feira noo Domingo dia 20.
1ª expositora, italiana, de quem não fixei o nome ao contrário da sua grande força e amor à Terra e à vida,  a viver numa quinta em Aljezur e a realizar grande trabalho de permacultura e regeneração do solo, apresentando já alguns dos frutos da Mãe Terra, em bastões de ervas, licores, doces, geleias, chás, etc.   @elsewhere.project






Segunda expositora, Sarah Michel, da Alemanha, a viver no Alentejo com a família, eexcelente desenhadora e bem sensível aos espíritos da Natureza:  beseeltenatur@web.de










                                                 

                                                            
                                                           

A 3ª expositora, Ruth Roma, uma mulher do Médio Oriente, da Palestina, valiosa conhecedora das propriedades de ervas, plantas, incensos, perfumes, importando as matérias primas da Jordânia e de Omam e fazendo tudo ela própria com grande qualidade alquímica.
ruthroma65@gmail.com   T. 912844251
                                              

Finalmente, actuação do  Clube de Cordas da Casa de Cultura de Loulé. Gravámos infelizmente apenas uma das músicas.