quinta-feira, 25 de junho de 2026

Le bruit du Silence, de Amandine. Bilingue. Os sons do exterior e do silêncio. A voz das almas luminosas é muito harmonizadora ou mesmo iniciática.


En ces temps si bruyants, si agités par la prise du pouvoir mondiale et des principaux moyens de communication par des personnes et groupes de très basse qualité ethique et spirituelle, il est vraiment nécessaire de se défendre et de ne pas se laisser afecter ou détruire par eux.

Il est donc nécessaire d'ériger des murailles d'énergies lumineuses capables de déclencher en nous des mouvements ascensionnels de l'âme, si comprimé et tendu face au déluge des nouvelles manipulées, des préocupations du travail, de la survie, de la santé, de la situation et politique nacionale et internationale.

Comme moyens de construire ces murs défensifs, de faire fleurir une forêt verte ou refraîchissant autour de nous, je propose ici et maintenant trois principaux: 1 - prières, mantras, zikr, litanies, écoute silencieuse. 2 - mouvement conscient ou danse. 3 - musique, avec la voix, qui embaume, enchante, subtilise et permet de nous élèver a un état, et alors monde, de joie, lumière, amour, harmonie.

C'est le cas de cette chanson d'Amandine, qui a un titre si paisiblement défiant : - le bruit du Silence, et une lettre ou poéme si cachée dans sa voix du monde l'inocence.

Elle nos dit aussi: devant le bruit, cherche et reste dans le Silence, dans ce qui transcende le bruit passager et t'ouvre pour l'interiorité et la verticalité lumineuse.
En entendant le bruit infatigable du flux de tes pensées, reste dans l'écoute au silence
et aspiration  à la paix, en approfondissant la non-discursivité, la respiration, la gratitude et l'amour dans le cœur.

Il existe des voix et musiques qui sont des résonances des mondes spirituels et qui, en entrant en nous, harmonisent nos corps visibles et invisibles. 

 Écoutons cette petite fleur des montagnes sacrées, et laissons-la germer en nous comme prélude à la voix ou musique des sphéres silencieuses, comme force de résurrection de notre relation juste avec la multipolarité et  la spiritualité, a fin que notre vie soit plus heureuse pour nous et les autres, dans l'Unité Divine.

                               

Nestes tempos tão barulhentos, tão agitados, pela tomada de poder mundial e dos principais meios de comunicação por pessoas e grupos de tão baixa qualidade ética e espiritual, é realmente necessário  defender-nos e não nos deixar afectar e destruir por eles.

É portanto necessário erguer muralhas de energias luminosas capazes de desencadear em nós movimentos ascensionais da alma, tão comprimida e tensa diante do dilúvio das notícias manipuladas, das preocupações do trabalho, da saúde, sobrevivência, da situação política nacional e internacional.

Como meios de construir esses muros defensivos, de fazer florescer uma floresta verde ou refrescante na nossa aura e ao redor, proponho aqui e agora três vias principais: 1 - rituais, mantras, zikr, poemas, escuta do som reverberante do silêncio.  2 - respiração e movimento consciente, ou dança, 3 - música, com a voz que dissolve o negativo  encanta e subtiliza, elevando-nos a estados de religação interior e vertical com a luz, o amor, o corpo místico ou psico-espiritual da Humanidade e da Divindade.

É o caso desta canção de Amandine, que tem um título tão pacificamente desafiador: - o barulho (ou som) do Silêncio, e uma letra de música  quase secreta na sua voz subtil, inocente e luminosa.

Ela ensina-nos também: - Diante do barulho, procura e permanece no Silêncio, na Consciencia  que transcende as ondulações passageiras.

Ao ouvires o ruído infatigável do fluxo dos teus pensamentos, permanece na aspiração ao silêncio e à paz, aprofundando a não-discursividade, a respiração, a gratidão e o amor no coração.

Existem vozes e músicas que são ressonâncias dos mundos espirituais e que, ao entrarem em nós, harmonizam os nossos corpos visíveis e invisíveis. 

 Ouçamos esta pequena flor das montanhas sagradas, e deixemo-la germinar em nós como vibração preludiante à voz do silêncio, à música das esferas, e  como  força de ressurreição da nossa relação com o espiritual e o todo, para que nossa vida seja mais feliz em  nós e nos outros, na Unidade Divina.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

O Canto da Imortalidade guerreira, por Daria Dugina Platonova. Trilingue: português, russo e inglês.

 Daria Dugina Platonova (15/12/92-20/8/2022) foi uma musa e guerreira nos seus mais lídimos sentidos e, ao lutar destemidamente pelo conhecimento, a verdade, a justiça, e ao terminar tão precocemente a sua luminosa vida assassinada por defender a Rússia, talvez até como anjo da Guarda do seu pai, o geoestratega e sábio da Filosofia Perene Alexandre Dugin, foi condecorada merecidamente com a Ordem da Coragem pela Federação Russa e Vladimir Putin.

                                                                    

Ela era essencialmente uma fravashi, o guardião feminino nessa milenária tradição do Irão que seu pai conhecia e dialogara até com o filósofo ministro iraniano Ali Larijani, outro assassinado, pelos israelos-americanos. Dasha era na realidade um Anjo de pureza, aspiração, alegria, amor,  sabedoria e disso nos ficaram tantas memórias textos e imagens, que servem para nos fortificar no meio das batalhas em que estamos envolvidos e estabelecer  contacto com ela no mundo espiritual em que se encontra, na coorte celestial dos que lutaram pelo Bem e o desabrocharam em si. 

E é disto que nos fala o poema,  intuído por ela ou por alguém dum guerreiro tombado em combate mas que no além recuperou rapidamente a consciência e conseguiu comunicar-se connosco, os que ainda estamos deste lado da fronteira mor entre os mundos. 

É um belíssimo canto da consciencialização do corpo místico ou espiritual da Humanidade, na sua vertente da luta entre a Luz e as Trevas. Comunguemos então com os mundos espirituais e os seus espíritos luminosos mais afins de nós. E que possamos ser durante a vida inspirados e fortificados pelo poema e por eles, e com Dasha.


«Eu não estou morto! Ouves-me? Eu, aqui, estou bem !

Disseram-te todavia que me mataram.
A alma é imortal, e os estilhaços das granadas 
Não podem impedi-la de forma alguma de viver. 

Sangue foi derramado por outros nesta batalha, 
 Por isso, recebi uma recompensa, 
 Na coorte de guerreiros espalhada por meio mundo 
O Senhor solenemente me admitiu.

Eu não estou morto, e vigio daqui,
Vejo, ouço, compreendo-te.
Muitos estão comigo, e todos eles são nossos aqui.
E Deus enviar-nos-á para te ajudar.

E viremos a ti como raios brilhantes, 
Dissipando a escuridão e derrubando inimigos, 
 E as nossas almas estarão próximas de ti, 
Pois não há morte para os que estão prontos para ela.»

 
Дарья Дугина Платонова (15.12.1992-20.08.2022) была музой и воином в самом истинном смысле, и, сражаясь смело и бесстрашно за знание, истину и справедливость и закончив свою светлую жизнь так рано, убитая за защиту России, возможно, даже как ангел-хранитель для своего отца, геостратега и мудреца Вечной Философии, Александра Дугина, она заслуженно была награждена Орденом Мужества Российской Федерацией и Владимиром Путиным. 
 Она была по сути фраваши, женским хранителем в той древней иранской традиции, которую её отец знал и даже обсуждал с философом-министром Али Лариджани, ещё одним убитым израильтянами-американцами. Даша была, на самом деле, Ангелом чистоты, стремления, радости, любви, мудрости, и из этого у нас осталось столько воспоминаний, текстов и образов, которые помогают нам укрепляться среди сражений, в которых мы участвуем, и устанавливать контакт с ней в духовном мире, который она населяет, в небесном отряде тех, кто боролся за Добро и расцвел в себе. Именно об этом говорит нам стихотворение, возможно, предчувствуемое Дашей или кем-то из воинов, павших в бою, но в загробной жизни быстро пришедших в себя и сумевших связаться с нами, теми, кто все еще находится на этой стороне смертной границы между мирами.
Это прекрасная песня осознания мистического или духовного тела Человечества, в его аспекте тонких связей в борьбе между Светом и Тьмой. Давайте тогда общаться с духовными мирами и их светлыми духами, наиболее близкими нам. И пусть мы будем вдохновлены и укреплены на протяжении всей жизни стихотворением и ими, и с Дашей.

«Я не погиб! Вы слышите? Я рядом!

А вам сказали, будто я убит.
Душа бессмертна, и осколки от снарядов
Никак не могут помешать ей жить.

Пролита кровь за други в битве этой,
Я за неё награду получил,
В когорту воинов на половине света
Господь меня торжественно включил.

Я не погиб, я там стою на страже,
Я вижу, слышу, понимаю вас.
Со мною многие, и все они здесь наши.
И Бог на помощь к вам направит нас.

И мы придём к вам яркими лучами,
Рассеем тьму и поразим врагов,
И наши души будут рядом с вами,
Ведь смерти нет для тех, кто к ней готов.»

Daria Dugina Platonova (12/15/92-8/20/2022) was a muse and warrior in the truest sense, and by fighting fearlessly for knowledge, truth and justice and by ending her luminous life so prematurely, murdered for defending Russia, perhaps even as a guardian angel to her father, the geostrategist and sage of Perennial Philosophy, Alexander Dugin, she was deservedly awarded the Order of Courage by the Russian Federation and Vladimir Putin

She was essentially a fravashi, the female guardian in that ancient Iranian tradition that her father knew and even discussed with the philosopher minister Ali Larijani, another one assassinated by the Israeli-Americans. Dasha was, in reality, an Angel of purity, aspiration, joy, love, wisdom, and from this, we have so many memories, texts, and images that serve to strengthen us amidst the battles we are involved in and to establish contact with her in the spiritual world she inhabits, in the celestial coohort of those who fought for the Good and blossomed it within themselves. And this is what the poem speaks to us about, perhaps intuited by Dasha or by someone from a warrior fallen in battle but who in the beyond quickly regained consciousness and managed to communicate with us, those of us who are still on this side of the mortal border between worlds.
It is a beautiful song of the awareness of the mystical or spiritual body of Humanity, in its aspect of subtle connections in the struggle between Light and Darkness. Let us then commune with the spiritual worlds and their luminous spirits most akin to us. And may we be inspired and strengthened throughout life by the poem and by them, and with Dasha.


«I am not dead! Do you hear me? I'm right here!

But you were told that I was killed.
The soul is immortal, and the shrapnel from shells 
Cannot hinder it from living in any way.

Blood was shed for others in this battle, 
For it, I received a reward, 
In the cohort of warriors across half the world, 
The Lord solemnly included me.

I am not dead, I stand guard there,
I see, hear, understand you.
Many are with me, and all of them are ours here.
And God will send us to help you.

And we will come to you as bright rays, 
Dispersing the darkness and striking down foes, 
And our souls will be close to you, 
For there is no death for those who are ready for it.»


Linhas de forças de conhecimento e acção nos ciclos do Ano: Verão de 2006 e do ano do Dragão.

                      

A dança da Terra à volta do Sol continua, as estações vão e vêm, e agora o Verão. O calor é mais intenso, a lucidez fria da mente  diminui, pois fica mais propensa a exteriorizar-se e ser afectada por múltiplas emoções e instintos, e o ar, ao tornar-se mesmo quente, induz um derreter das fronteiras das formas individuais  e uma maior união de tudo e todos. As férias para muitos são a oportunidade de, ficando mais livres de compulsões externas profissionais, poderem descontrair e alargar a sua unidade com a Natureza ou a praia e os veraneantes, ou então aprofundarem as suas leituras, questionamentos, criatividades.

Todavia, os que são—ou querem ser—mais almas espirituais na Demanda da Verdade ou da Sabedoria, em vez de apenas seguidores do tão manipulado caminho normativo mediano (ou mesmo infrahumano) das sociedades ocidentais, não podem e não devem parar de aspirar e querer saber, amar e alcançar mais a todo momento e em todas as estações que ainda estão a vivenciar na Terra, sobretudo sabendo quão transitória é a estadia terrena, e quão cedo—mais cedo ou mais tarde—serão arrancados e impulsionados para outros planos, mais sutis e luminosos, em geral. Que assim seja....
Quando separados do corpo físico, eles entrarão no além com o estado vibratório e consciencial de sua alma e encontrarão  consequências de suas ações físicas e psíquicas, agora nos níveis ou reinos a que terão acesso, após despertarem e começarem a sentir, ver ou se mover, carregando uma síntese das qualidades e capacidades desenvolvidas na vida física terrestre.
Os seres mais conscientes desta vida post-mortem devem praticar em auto-exame, ou revisão do dia (na tradição pitagórica), ou a auto-inquirição (vichara, na tradição do yoga) com regularidade, a fim de discernirem melhor suas deficiências, reconhecer o que estão procrastinando e trabalhar com a perseverança e sinceridade para se aperfeiçoarem e transmutarem si mesmos, com as suas energias, respiração, consciência, qualidades, chakras e emanações, a fim de que se tornem almas espirituais irradiantes, estado que é desde os tempos zoroastrianos do Irão  pioneiramente chamado de forma ou corpo de luz gloriosa, xvarnath, farrah.
Tendo em conta  este contexto humano universal, todos deveríamos agir e criar o melhor que pudermos, buscando tanto a perseverança quanto novas expressões, corrigindo e aperfeiçoando, a nós e nossas obras,  priorizando o que sentimos que é mais importante e melhor para nós e para os outros. 
 Devemos  portanto avançar nas cíclicas estações, meses e luas, semanas e dias, aperfeiçoando e concluindo o que foi iniciado, anotando no papel ou computador alguns dos swadharmas, ou deveres sagrados próprios que tencionamos cumprir - lembrando até o lema henriquino Talent de bien faire "esforço-arte de bem fazer", e   examinar ou meditar diariamente se estamos no caminho certo para sermos defensores mais vivos e criativos da verdade e do Bem, artistas ou templos da harmonia e sabedoria Divina...
Vivendo assim estaremos a trazer mais luz para nossas almas, famílias, amigos e regiões, reconectando mais harmoniosamente a Terra e os Céus. Estaremos estabelecendo fios e correntes de conexão com assuntos, virtudes, filosofias, ciências, artes (música, pintura, dança, tai chi) e religiões, com seus seres, antepassados, devotos, mestres e "deuses" que viveram e foram admirados ou trabalharam na Terra, e que se alegram ao verem-nos lembrar-nos deles com gratidão, amor e criatividade.
Todos somos admiradores, criadores e preservadores das artes, culturas, tradições e religiões familiares, locais, nacionais, continentais e planetárias antigas, e tais qualidades estão bem patentes nas almas mais sensiveis à continuidade da Tradição Perene na Humanidade e aos seus elos, e assim  aqueles que mais amamos, ou que gostamos de estudar e discutir, devem ser valorizados e enriquecidos pelas contribuições de nossas mãos, corações e almas, no meio das gerações actuais que estão sofrendo e lutando, prosperando e cintilando , e nesta estação
O espírito do tempo deste ano chinês do Dragão deve ser vivido auspiciosamente e criativamente, fazendo-o subir das terras e estados nebulosos, através de voos intensificados conscienciais, para os céus de sentimentos, pensamentos verdadeiros e cristalinos e que tendem a gerar ideias e formas de vida e sociedade mais verdadeiras, fraternais e multipolares.
Nesta terceira década do século XXI, com batalhas tão importantes a acontecer na Europa Oriental, Palestina, Líbano e Irão, temos a obrigação ética de saber de discernir a verdade e pensar e agir de acordo com ela, sem sermos enganados pela agenda globalista oligárquica que controla a União Europeia, os bancos e a mídia, e em vez disso apoiar as resistências a ela por parte dos seres e estados que buscam a multipolaridade fraterna, justa, harmoniosa.
Sabendo que a Terra é uma unidade, embora com muitos países e nações—uma só Humanidade—e sabendo que tudo está interconectado no Campo Unitário de Informação de Consciência Energética, e que pode ser conhecido, estudado, aprofundado, dialogado, impulsionado para frente, e finalmente compartilhado e tentado ser mais iluminado e harmonizado em todos, devemos continuamente despertar, ressuscitar e participar na vanguarda ou retaguarda da batalhas em curso. nomeadamente esta entre agendas hegemónicas opressivas e a convivência fraterna e multipolar defendida pelos BRICS, liderados por Rússia, China e Irã.
Há que intervir e compartilhar, mesmo que seja apenas com poucos, face às estrangulações e censuras que a sociedade liberal globalista e desumanista  tenta impor - induzindo manipulações fracturantes e sufocando as vozes mais criativas, dissidentes e lúcida -, enquanto geram guerras, revoluções, alienações, vírus, crises, aumentos no custo de vida e controles mais apertados.
Assim os discípulos, receptores e criadores de Luz devem esforçar-se por obter o discernimento justo acima da desinformação generalizada geradas pelas narrativas oficiais do Ocidente, controladas pela oligarquia globalista e suas ideologias infrahumanas, numa batalha, invisível, contra formas sutis de pensamento negativas que se apoderam de pessoas e as fanatizam,  e fundamentam grupos (como Bilderberg ou AIPAC), seitas, empresas, fóruns (como o Fórum Económico Mundial), sociedades (como a Open Society) Foundation), influenciando partidos, nações e governos, e opondo-se à Natureza Orgânica, à Família, Nação, Religião, Tradição, Justiça, Amor, Fraternidade e Multipluralidade.
Há que não nos deixarmos desanimar por seus golpes, corrupções e crimes. Mesmo que isolados, perseveremos e tenhamos fé e esperança de que encontraremos as pessoas afins com as quais trabalharemos de forma harmoniosa ou "dhármica", reconectando as linhas de forças luminosas.
  Continuemos a busca de luz, amor, verdade e sabedoria nas nossas vidas, trabalhando e vivendo harmoniosamente com a Natureza, o Sol e a Lua, as pessoas. E se nos alimentarmos o mais organicamente ou biologicamente possível, e praticarmos os caminhos éticos e espirituais psico-somático-energéticos harmonizadores, honrando a sacralidade dos corpos, almas, lugares, povos, tradições, santos, santas, mestres e anjos de qualquer religião, conseguiremos sintonizar ou erguer o graal do coração e invocar, merecer, venerar, sentir o Espírito Divino imanente (Deus est in nobis) e transcendente, desenvolvendo consequentemente valiosas e salutares virtudes e renúncias, orações e meditações, força e coragem, intuições, unificações e irradiações em prol da bondade e beleza, justiça e verdade, multipolaridade e fraternidade, na unidade da Humanidade, da Natureza-Universo-Cosmos e do Ser e Realidade Divinos.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Summer time and our Dharma. Short Vademecum. Present battles and creativities in the actual Quest.



Seasons come and go, we are now in summertime. The heat is stronger, and the cold lucidity of the mind is more mixed with emotions and instincts, as the air is more hot and seems all-pervading in the union of everything and everyone. Holidays for many are an invitation to be more free of external compulsions.
Those who are—or want to be—more spiritual souls in the Quest, rather than just followers of the so manipulated normative low path of Western societies, cannot and shouldn't stop aspiring and wanting to know, love, and achieve more all the time and seasons they are still living on Earth. 
For they know how transient their stay is, and how soon—sooner or later—they will be snatched away and propelled to other planes, more subtle and luminous (in general, let us pray...). 
There, they will enter with their own soul's state and will find the results or consequences of their physical and psychic actions  done, now at the levels or realms they will have access, after they awaken and begin to feel, see, or move, carrying a syntesis of the qualities and capacities developed, to a greater or lesser degree, in physical earthly life.
So, these beings should engage in self-examination (in pythagorean tradition), or self-enquiry (vichara, in yoga tradition) with regularity to better discern their shortcomings, recognize what they are procrastinating on, and work with perseverance and sincerity to change and transmute themselves, their energies, breathing, awarenese, qualities, chakras and emanations, in order to have a shinning spirit, that has been called since zoroastrian times a form or body of glorious light.
We should be acting and creating the best we can, looking either for perseverance or for new expressions, correcting and perfecting ourselves in what is most important and better for us and for others. We must move forward, finishing what has been initiated and not concluded, writing down on paper some of the swadharmas, or own sacred duties, that we should accomplish, and then everyday examine if we are on the right path or not to be more living and creative defenders, artists or temples of the Divine Harmony or Wisdom...
In these ways, we will be trying to bring more light unto our souls, families, friends, and regions, reconnecting more harmoniously Earth and Heavens. We will be establishing threads and chains of connection with matters, virtues, philosophies, sciences, arts (music,  painting, dance, tai chi) religions, and their beings, ancestors, devotees, masters and "gods" who lived and were admired or worked on Earth, and who will be happy to see us still remembering them with love and creativity.
We are all preservers of ancient familial, local, national, continental, and planetary arts, cultures, traditions and religions. The ones we love most, or that we like to study and discuss, should be cherished and enriched by the contributions of our hands, hearts and souls, in the middle  of the present generations that are thriving and scintillating in the year of the Dragon. 
This year should be auspicious and creative, rising from the misty lower lands and emotions to the intensified flights in the heavens of positive feelings, thoughts and acts, leading to a more truthful, fraternal, and multipolar way of life and societies.
In this third decade of the 21st century, with such important battles going on in Eastern Europe, Palestine, Lebanon and Iran, what a responsibility we have to discern the truth and to think and act according to it, not being misled by the oligarchic globalist agenda owho controls the European Union, banks and media,and instead support the axis of Resistance of Multipolarity.
Knowing that the Earth is a unity, although with many countries and nations—one Humanity—and knowing that everything is interconnected in the Unitarian Field of Energy Consciousness Information, and that it can be known, studied, deepened, dialogued, driven forward, and finally shared and attempted to be more illuminated and harmonized in all, we must awake, resurrect, and keep coming back to the forefront of the raging battle or of the cultural expositiobs. In a certain way, this is a battle between oppressive agendas and the fraternal and multipolar coexistence advocated by BRICS, led by Russia, China, and Iran.
So, let us intervene and share, even if it is only with or for a few, given the strangulations and censorships that modern liberal globalist and inhumanist society and their media is trying to impose—inducing fracturing conflicts or stifling the most creative, dissenting, and lucid voices, while generating wars, revolutions, alienations, viruses, crises, increases in the cost of living, and controls.
What a great struggle is now upon all of us, who are disciples, receivers and creators of Light; what a fight of discernment against the widespread misinformation, lies, and alienation generated by the official narratives of the West, controlled by the globalist oligarchy and its infrahuman ideologies. 
This is a battle, even invisible, against subtle forms of thought or even negative entities that are taking hold of persons, groups (such as Bilderberg or AIPAC), sects, companies, forums (such as the World Economic Forum), societies (such as the Open Society Foundation), parties, nations, or governments, opposing organic Nature, Family, Nation, Religion, Tradition, Justice, Love, Fraternity and Multiplurality.
Let us not be discouraged by their blows and crimes. Even if isolated, let us persevere and have faith and hope that we will find or reconnect with the situations and like-minded people with whom we will work harmoniously or "dharmically". Let us continue the quest for more light, love, truth, wisdom in our lives, working and living harmoniously with Nature, the Sun, and the Moon. Let us nourish ourselves as organically or biologically as possible, practicing psycho-somatic-energeticaly ethical and spiritual paths, honoring the sacredness of bodies, souls, places, peoples, traditions, saints, holy ones, masters and angels of any religion.
Finally, let us invoke, deserve, and worship the immanent (Deus est in nobis) and transcendent Divine Spirit, thus developing virtues and self-denials, prayers and meditations, strenght and courage, knowledge and intuition, unifications and radiations in favor of goodness and beauty, justice and truth, multipolarity and fraternity,  in the oneness of Humanity, the Nature-Universe-Cosmos and the Divine Being and Reality.

domingo, 21 de junho de 2026

As analogias do Sol com a Alma, segundo Hafiz Ghulam Sarwar, no livro "Philosophy of the Quran". Leitura, tradução e comentários, numa gravação.



Partilho a gravação de uma leitura-tradução de fragmentos do livro Philosophy of the Quran, de Al-Haj Hafiz Ghulam Sarwar, publicado em 1938 e depois em 1944, em Lahore, num in-8º-XVI-254 páginas. 
Ghulam Sarwar nascera em 1873, em Lahore, na Índia, então sob o domínio britânico, e hoje Paquistão, de família modesta. Aos 13 anos foi considerado um hafiz,  recitador do Alcorão. Depois de se ter destacdo nos seus estudos na ìndia, partiu para Inglaterra e em 1896 terminou os seus estudos em Cambridge,  optando então por ser colocado na Malásia como magistrado, servindo em vários cargos até chegar ao Supremo Tribunal. Dominava doze línguas e era um erudito. Publicou em 1925 Word of God and the Wonders of Science em 1925 e deu à luz a sua tradução do Corão, com bom prefácio mas sem notas em 1928. A biografia Mohammad the Holy Prophet saiu em 1937, e a Filosofia do Alcorão em 1938, que abordamos neste artigo e nos vídeos. Deixou a Terra em 1954.
Títulos dos capítulos:  «What is Philosophy. The Nature of Unity or the Whole: Infinity and Zero. The attributes of God and others matters connected therewith. The Universe; Life; Man - his evolution. Man: his Will, his Knowledge. The soul. Ethics or Moral Philosophy. The idea of God.» 
Sendo um bom conhecedor tanto do Islão como da filosofia ocidental e do evolucionismo, que passa no livro brevemente em revista, tenta interpretar o Corão face aos dados científicos e às teorias filosóficas ocidentais, apresentando muitas citações de filósofos estrangeiros, e de islâmicos somente de dois, Syed Ammeer Ali, e Rumi.  Na gravação, e encontra ainda um segundo vídeo no canal Pedro Teixeira da Mota @petrustella, li algumas das suas explicações e vamos agora destacar apenas algumas ideias valiosas.
 Por exemplo, considera a partir da sura 2. 28 que o ser humano estava presente no universo desde o começo e que há-de permanecer até ao fim, e que portanto tal estado é inicialmente um estado de morte, e apenas virtualidade, e quando foi dito divinamente ao Universo "Sê" e ele se "Tornou", o homem já era parte e parcela desse "Sê", pelo que há um "selo de Unidade" entre o homem e o Universo e Deus. Adverte contudo que «por unidade não queremos significar identidade e ninguém assim o deve pensar. Este é o erro em que [alguns] místicos caiem. Eles pensam que por serem um com Deus, eles na realidade se tornam Deus.» 
Teoriza bastante bem a alma humana e a sua analogia com o Sol, com a alma dos profetas, e com a Divindade, nomeadamente pelas radiações que emitem, radiações que são como que fios ou cordas estruturais da construção divina dos céus...
«O sol radia calor, luz, electricidade, magnetismo, ou, numa palavra, energia. Isso também o faz a alma. As pessoas que desconhecem o Alcorão também falam do magnetismo pessoal. A verdade não está confinada num livro. Encontra-se em toda a parte ...»
Assim com a terra é uma parte e parcela do Sol assim as nossas alma são parte parcela de Deus ou o Real. 
Cada alma individual está sobre o poder da Alma de Deus e tem de voltar a Ele. De facto está a fazê-lo.
Mesmo almas que não são tão energéticas para serem comparadas com o Sol podem brilhar pela luz que retiram ou recebem das grandes almas ou estrelas do firmamento espiritual de Deus.
Estas são os profetas ou mensageiros [ou ainda os mestres, imams, santos, gurus...] de Deus. A sua luz ainda está a brilhar nos seus actos e registos. Estes registos, como as gravações musicais, são capazes de produzir a mesma música nas nossas almas. Temos de aprender a tocar a harpa divina das nossas almas com as Suas cordas de Bondade, Beleza e Verdade.
Nós podemos ser brilhantes como o sol, iluminar como a lua, mas devemos partilhar da riqueza fértil da terra. As nossas almas podem tornar-se belos jardins dos frutos do Conhecimento de Deus, da Graça de Deus, da Beleza de Deus. 
Todas as pessoas boas, quer profetas ou leigos, deixaram os sus testemunhos ou registos de boas acções e o Alcorão é o registo da vida Espiritual de Maomé. Feliz é aquele que está disposto a querer ser guiado por esta luz do Real. É uma Luz inclusiva.»
Realce-se esta visão bastante ecuménica das religiões e da mensagem de Maomé.
    Entretanto  consegui obter uma fotografia de Hafiz Ghulam Sarwar, capa do livro sobre ele de Wazir Jahan Kirim, e mais dados em, grato:  https://theearlymalaydoctors.blogspot.com/2011/05/hafiz-ghulam-sarwar-1873-1954.html 



"Temos de aprender a tocar a harpa divina das nossas almas com as Suas cordas de Bondade, Beleza e Verdade"
[Livro catalogado em: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/02/bons-livros-10-sobre-o-irao-e-sua.html 

sábado, 20 de junho de 2026

(Trilingual) Ensinamentos, sobre o cérebro, os poderes psíquicos, os sonhos, de Natalia Bekhtereva, famosa neurocientista russa, académica e sábia (1924-2008)

"NÃO MORREMOS ENQUANTO TIVERMOS UM OBJETIVO."


A académica Natalia Bekhtereva (1927-2008), a neurofisiologista de fama mundial e directora do Instituto do Cérebro Humano da Academia Russa de Ciências, neta do conhecido fisiologista, psiquiatra e neurologista Vladimir Bekhterev,   acreditava que o cérebro humano é um ser vivo que reside em nosso corpo e dedicou toda a sua vida ao estudo do cérebro humano. Vladimir Bekhtereva foi uma das principais impulsionadoras da ciência moderna do cérebro humano, quem descobriu onde se esconde o pensamento criativo, entendeu como funciona a memória, encontrou o "detector de erros" que controla o nosso comportamento, não teve medo de admitir a sua crença em Deus e — olhou no espelho da consciência, onde nossos sonhos vivem e nossas almas habitam para sempre.  [Qual a ligação entre as nossas almas e o estado cerebral do espelho da consciência, talvez a auto-gnose?]

1. «Muitas vezes penso no cérebro como se fosse um organismo separado, como uma "criatura dentro de uma criatura." O cérebro protege-se de ser completamente dominado por um turbilhão de emoções negativas. Quando percebi isso, senti como se tivesse encontrado uma pérola.

2. Para distúrbios emocionais, as caminhadas e vários tipos de actividade física são muito benéficos. O que a natação, o movimento na água pode fazer por uma pessoa! Depois dos tratamentos aquáticos, a pessoa torna-se completamente diferente. [Mesmo os banhos em casa já  descontraiem e limpam muito.

3. Cultivar-se o equilíbrio de emoções, um orgulho razoável e resiliência são condições essenciais para a plena realização do talento. 

4. Se as pessoas fossem saudáveis e, digamos, menos frequentemente deprimidas ou sobrecarregadas por problemas, o potencial criativo da humanidade aumentaria significativamente. Especialmente agora, nesta fase de crescente fluxo informativo.

5. É da natureza humana buscar a alegria; este é um instinto biológico de sobrevivência não nomeado [ou de que não se fala]

6. O factor que mais frequentemente e significativamente afecta o estado saudável do cérebro de uma pessoa são as emoções. [Cultiva mais a alegria, descontrai-te dos desgraçados dos políticos e comentadores]

7. Não gosto quando o cérebro humano é comparado a um computador. De fato, ele é projetado de tal maneira que eu não consigo sequer imaginar que ncessidades da vida poderiam ter levado ao aparecimento de um aparelho tão perfeito. O cérebro pode fazer tanto que você nunca para de se maravilhar com ele.

8. Outro mistério do cérebro são os sonhos. O maior mistério para mim parece ser o próprio fato de dormirmos. Poderia o cérebro ser organizado de tal forma que não precise dormir? Acho que sim. Por exemplo, os golfinhos dormem alternadamente com os hemisférios esquerdo e direito... O que pode explicar os "sonhos recorrentes" e outras coisas estranhas semelhantes? Digamos que você sonha com um lugar muito bonito, mas desconhecido, como uma cidade, pela primeira vez. Provavelmente, as "cidades de conto de fadas" dos sonhos são formadas no cérebro sob a influência de livros e filmes, [ou do que vimos, gostamos, receamos, ou acontece nos mundos subtis] tornando-se uma espécie de destino de sonho permanente. Sentimos atração por algo ainda não vivido, mas muito bom... 
 E os sonhos proféticos são uma forma de receber informações do exterior, de prever o futuro ou apenas meras coincidências? [Certamente recepção de energias em movimento...] Eu mesmo vi a morte da minha mãe num sonho com todos os detalhes duas semanas "antes do acontecimento."

9. Quase todas as pessoas experimentam o medo da morte. Dizem que o medo de antecipar a morte é muitas vezes mais assustador do que a própria morte. Jack London tem uma história sobre um homem que queria roubar um trenó de cães. Os cães o morderam. O homem sangrou até a morte e morreu. E antes disso, ele disse: "As pessoas caluniaram a morte." Não é a morte que assusta, mas morrer... Não tenho medo.

10. A propósito, você sabia que há um detector de erros constante no seu cérebro? Ele lembra-lhe: "Você não apagou a luz da casa de banho," chama a sua atenção para a expressão incorreta "fita azul," e sugere que outras partes do cérebro a analisem. A fita é "azul", mas o que está por trás do erro—ironia, ignorância ou a desatenção da fala rápida de alguém revelando excitação? Você é humano, precisa conhecer e entender não apenas um, mas muitos planos.

11. Acontece que quando alguém diz: "Depois de tudo que passei,  tornei-me uma pessoa completamente diferente," eles estão absolutamente certos — todo o funcionamento do cérebro deles foi reestruturado, e até alguns centros foram deslocados. Vemos como as pessoas pensam, como células ativas individuais piscam, decifrando o código do pensamento, mas não somos capazes de ler o que você está pensando a partir da imagem na tela. Talvez nunca consigamos decifrá-lo.

12. Admito que o pensamento existe separadamente do cérebro, e que ele apenas o capta do espaço e o lê. Vemos muitas coisas que não conseguimos explicar. Conheci [a vidente cega búlgara Baba] Vanga — ela lia o passado, via o futuro. Segundo a Academia de Ciências da Bulgária, o número de suas previsões cumpridas é de 80%. Como conseguiu fazer isso?

13. Diz-se comumente que usamos apenas 5-7% das nossas células cerebrais. Pessoalmente, com base na minha pesquisa, eu inclino-me para acreditar que quase 100% do cérebro de uma pessoa inteligente que pensa criativamente está activo—não tudo de uma vez, mas como as luzes de uma árvore de Natal—alternando, em grupos, em padrões.

14. Eu dei palestras, fiz uma quantidade enorme de trabalho organizacional, mas eu não vivi. Fiz discursos, lecionei, me envolvi-me num imenso trabalho organizacional, mas não vivi. Até que eu tive outra super-tarefa — um relatório que me permitiu avaliar o quanto foi feito no passado e me mostrou que há sentido no futuro. Sem uma super-tarefa, a existência humana é desprovida de sentido. Os animais nascem, dão vida a novas gerações, depois a função de reprodução desaparece e a morte chega. Mas nós — nós não morremos enquanto tivermos um objetivo — esperar pelos netos e pelos líderes do nosso grupo».
 
Eis-nos com alguns conhecimentos e interrogações desta notável pesquisadora do cérebro e dos seus mistérios. 
Alguns dados poderemos vir a aprofundar. Outros a esclarecer melhor, como a fita azul, que não compreendi bem, tal como a super-tarefa, a que se refere como decisiva, pois só a partir daí passou a viver? Será que se está a referir a alguma experiência psíquica, a uma iluminação, quando viu melhor a continuidade de tudo o que acreditara e lutara? 
O parágrafo final é contudo fraco: o objectivo é pouco espiritual, é apenas patriótico, humano, grupal, e não sabemos a que grupo se refere... Contudo não fala na evolução espiritual dela e das pessoas, nesta vida e no além.

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o artigo chegou-me através de Oksana T., a quem agradeço.
Há dois filmes em russo ligados a ela. E há um canal no youtube em inglês com poucos subscritores (90, comigo), consagrado a ela com valiosos vídeos de aconselhamento psicologico:
 https://www.youtube.com/@Natalia_Bekhtereva_Wisdom


                       "WE DO NOT DIE AS LONG AS WE HAVE A GOAL."

The granddaughter of the world-renowned physiologist, psychiatrist, and neurologist Vladimir Bekhterev, a world-famous neurophysiologist and head of the Institute of Human Brain of the Russian Academy of Sciences, academician Natalia Bekhtereva (1927-2008) believed that the human brain is a living being residing in our body. She dedicated her entire life to studying the human brain. It was Bekhtereva who created the modern science of the human brain, discovered where creative thinking hides, figured out how memory works, found the "error detector" that controls our behaviour, was not afraid to admit her belief in God, and — peered into the looking glass of consciousness, where our dreams live and our souls dwell forever.

1. I often think of the brain as if it were a separate organism, like a "creature within a creature." I often think of the brain as if it were a separate organism, like a "creature within a creature." The brain protects itself from being completely overwhelmed by a torrent of negative emotions. When I realised this, I felt as if I had found a pearl.

2. For emotional disorders, walks and various types of physical activity are very beneficial. For emotional disorders, walks and various types of physical activity are very beneficial. What swimming, movement in water can do to a person! After water treatments, you become a completely different person.

3. A cultivated balance of emotions, reasonable pride, and resilience are essential conditions for the full realisation of talent. A cultivated balance of emotions, reasonable pride, and resilience are the most important conditions for the full realisation of talent.

4. If people were healthy and, let's say, less often depressed or overwhelmed by problems, humanity's creative potential would significantly increase. If people were healthy and, so to speak, less often depressed or overwhelmed by problems, the creative potential of humanity would significantly increase. Especially now, in the phase of increasing information flow.

5. It is human nature to seek joy; this is an unnamed biological survival instinct.

6. The factor that most frequently and significantly affects the state of a healthy person's brain is emotions.

7. I don't like it when the human brain is compared to a computer. I don't like it when the human brain is compared to a computer. Indeed, it is designed in such a way that I can't even imagine what life demands could have led to the emergence of such a perfect apparatus. The brain can do so much that you never stop being amazed by it.

8. Another mystery of the brain is dreams. Another mystery of the brain is dreams. The greatest mystery to me seems to be the very fact that we sleep. Could the brain be arranged in such a way that it doesn't need to sleep? I think so. For example, dolphins sleep alternately with their left and right hemispheres... What can explain "continuing dreams" and similar oddities? Let's say you have a dream about a very nice but unfamiliar place, like a city, for the first time. Most likely, the "fairy-tale cities" of dreams are formed in the brain under the influence of books and movies, becoming a kind of permanent dream destination. We are drawn to something yet unexperienced, but very good... Or are prophetic dreams a way of receiving information from the outside, foreseeing the future, or mere coincidences? I myself saw my mother's death in a dream with all the details two weeks "before the event."

9. .. Almost all people experience a fear of death. They say that the fear of anticipating death is many times scarier than death itself. Jack London has a story about a man who wanted to steal a dog sled. The dogs bit him. The man bled to death and died. And before that, he said, "People have slandered death." It's not death that's frightening, but dying... I am not afraid.

10. By the way, did you know that there is a constant error detector in your brain? By the way, did you know that there is a constant error detector in your brain? It reminds you, "You didn't turn off the light in the bathroom," draws your attention to the incorrect expression "blue ribbon," and suggests that other parts of the brain analyse it. The ribbon is "blue," but what lies behind the mistake—irony, ignorance, or the carelessness of someone's rapid speech revealing excitement? You are a human, you need to know and understand not just one, but many plans.

11. It turns out that when someone says, "After everything I've been through, I've become a completely different person," they are absolutely right — the entire functioning of their brain has been restructured, and even some centers have shifted. It turns out that when someone says, "after everything I've been through, I've become a completely different person," they are absolutely right—the entire functioning of their brain has been restructured, and even some centers have shifted. We see how people think, how individual active cells flash with light, but we have not yet deciphered the code of thought and are not able to read what you are thinking from the picture on the screen. Maybe we will never decipher it.

12. I admit that thought exists separately from the brain, and it only captures it from the space and reads it. We see many things that we cannot explain. I met with Vanga — she read the past, saw the future. According to the Bulgarian Academy of Sciences, the number of her fulfilled predictions is 80%. How did she manage to do it?

13. It is commonly said that we use only 5-7% of our brain cells. Personally, based on my research, I tend to believe that almost 100% of a creatively thinking intelligent person’s brain is active—not all at once, but like the lights on a Christmas tree—alternating, in groups, in patterns.

14. I gave lectures, did a tremendous amount of organisational work, but I didn't live. I gave speeches, lectured, engaged in immense organisational work, but I didn't live. Until I had another super-task — a report that allowed me to assess how much had been done in the past and showed that there is meaning in the future. Without a supertask, human existence is devoid of meaning. Animals are born, give life to new generations, then the function of reproduction fades, and death comes. But we — we don't die as long as we have a goal — to wait for the grandchildren and the leaders of our group»👇 vk.com/wall-107309195_195208

Here we are with some knowledge and questions from this remarkable researcher of the brain and its mysteries.
Some data we may delve deeper into. Others to clarify better, like the blue ribbon, which I didn't quite understand, as well as the super-task, which you refer to as decisive, for it was only from that point on that you began to live? Is he referring to some psychic experience, to an enlightenment, when he saw more clearly the continuity of everything he had believed in and fought for?
The final paragraph, however, is weak: the objective is not very spiritual, it is merely patriotic, human, group-oriented, and we do not know which group it refers to... However, it does not mention the spiritual evolution of her and the people, in this life and beyond.

The article reached me through Oksana T., to whom I am grateful.
There are two Russian films related to her. And there is a YouTube channel in English with few subscribers (90, including me), dedicated to her with valuable psychological counselling videos:
https://www.youtube.com/@Natalia_Bekhtereva_Wisdom


                        «МЫ НE УМИPАЕМ, ПOКА У НAС ЕCТЬ ЦEЛЬ».


Внучкa всeмирно извeстного физиoлога, пcихиатра и нeвропатoлогa Владимира Бехтерева, нейрофизиолог с мировым именем, руководитель Института мозга человека РАН, академик Наталья Бехтерева (1927-2008) считала, что человеческий мозг — это живое существо, находящееся в нашем теле. Она всю жизнь занималась изучением человеческого мозга. Это Бехтерева создала современную науку о человеческом мозге, обнаружила, где прячется творческое мышление, разобралась, как работает память, нашла «детектор ошибок», контролирующий наше поведение, не побоялась признаться в вере в Бога и — заглянула в Зазеркалье сознания, где живут наши сны и вовеки пребывают наши души.

1. Я часто думаю о мозге так, будто он — отдельный организм, как бы «существо в существе». Мозг охраняет сам себя от того, чтобы шквал негативных эмоций не захватил его целиком. Когда я поняла это, то испытала такое чувство, будто нашла жемчужину.

2. При эмоциональных расстройствах очень хороши прогулки, разного рода двигательная активность. Что может сделать с человеком плавание, движение в воде! После водных процедур становишься просто другим человеком.

3. Воспитанный баланс эмоций, разумная гордость и стойкость – важнейшие условия для полной реализации таланта.

4. Если бы люди были здоровы и, скажем так, оказывались бы менее часто подавленны или перевозбуждены проблемами, творческий потенциал человечества значительно увеличился бы. Особенно сейчас, в фазу растущего информационного потока.

5. Человеку свойственно искать радость, это – неназванный биологический инстинкт выживания.

6. Фактором, наиболее часто и существенно влияющим на состояние мозга здорового человека, являются эмоции.

7. Я не люблю, когда человеческий мозг сравнивают с компьютером. Действительно, он создан так, что я не могу себе даже представить, какие требования жизни могли обусловить появление такого совершенного аппарата. Мозг может настолько многое, что этому не перестаешь удивляться.

8. Ещё одна тайна мозга — сны. Наибольшей загадкой мне кажется сам факт того, что мы спим. Мог бы мозг устроиться так, чтобы не спать? Думаю, да. Например, у дельфинов спят по очереди левое и правое полушария… Чем можно объяснить «сны с продолжением» и тому подобные странности? Допустим, вам не в первый раз снится какое-то очень хорошее, но незнакомое место — например, город. Скорее всего, «сказочные города» снов формируются в мозге под влиянием книг, кинофильмов, становятся как бы постоянным местом мечты. Нас тянет к чему-то ещё не испытанному, но очень хорошему… Или вещие сны — это получение информации извне, предвидение будущего или случайные совпадения?.. Я сама за две недели «до события» со всеми подробностями увидела во сне смерть моей матери.

9. ..Почти все люди испытывают страх перед смертью. Говорят, что страх ожидания смерти во много раз страшнее её самой. У Джека Лондона есть рассказ про человека, который хотел украсть собачью упряжку. Собаки покусали его. Человек истёк кровью и умер. А перед этим произнёс: «Люди оболгали смерть». Страшна не смерть, а умирание… Я — не боюсь.

10. Между прочим, вы знаете, что у вас в мозгу постоянно действует детектор ошибок? Он напоминает — «вы не выключили свет в ванной», обращает ваше внимание на неправильное выражение «синий лента» и предлагает другим отделам мозга его проанализировать, лента-то «синяя», но что кроется за ошибкой — ирония, незнание или небрежность чьей-то быстрой речи, выдающая волнение? Вы же человек, вам надо знать и понимать не один, а множество планов.

11. Оказывается, когда кто-то говорит «после всего пережитого я стал совсем другим», он совершенно прав — перестроилась вся работа его мозга, даже некоторые центры переместились. Мы видим, как люди мыслят, как вспыхивают огоньками отдельные активные клеточки, но еще не расшифровали код мышления и не в состоянии по картинке на экране прочитать, о чем вы думаете. Может быть, никогда и не расшифруем.

12. Я допускаю, что мысль существует отдельно от мозга, а он только улавливает ее из пространства и считывает. Мы видим многое, что не в состоянии объяснить. Я встречалась с Вангой — она читала прошлое, видела будущее. По данным Болгарской академии наук, число ее сбывшихся предвидений — 80 %. Как у нее это получалось?

13. Принято говорить, что у нас задействованы только 5—7 % мозговых клеток. Лично я на основе своих исследований склонна полагать, что у творчески мыслящего умного человек работают почти все 100 % — но не разом, а как огоньки елочной гирлянды — по очереди, группами, узорами.

14. Я выступала, читала лекции, занималась громадной организационной работой, но — не жила. Пока у меня не появилась очередная сверхзадача — доклад, который позволил оценить, сколько сделано в прошлом, и показал, что есть смысл в будущем. Без сверхзадачи человеческое существование лишено смысла. Животные рождаются, дают жизнь новым поколениям, потом функция размножения угасает, и наступает смерть. А мы — мы не умираем, пока у нас есть цель — дождаться внуков и правв нашей группы » 👇
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Вот мы с некоторыми знаниями и вопросами от этого замечательного исследователя мозга и его тайн.
Некоторые данные мы можем изучить глубже. Другие, чтобы прояснить лучше, как синий бант, который я не совсем понял, а также суперзадача, которую вы называете решающей, ведь только с того момента вы начали жить? Он имеет в виду какое-то психическое переживание, просветление, когда он более ясно увидел непрерывность всего, во что верил и за что боролся?
Заключительный абзац, однако, слаб: цель не очень духовная, она лишь патриотическая, человеческая, ориентированная на группу, и мы не знаем, к какой группе она относится... Однако в нем не упоминается духовная эволюция ее и народа, в этой жизни и за ее пределами.

статья дошла до меня через Оксану Т., которой я благодарен.
Есть два российских фильма, связанных с ней. И есть канал на YouTube на английском языке с небольшим количеством подписчиков (90, включая меня), посвящённый ей с ценными видео по психологическому консультированию:
https://www.youtube.com/@Natalia_Bekhtereva_Wisdom

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Cosmismo Russo contra Transhumanismo. O Caminho Vertical. A tarefa comum multipolar e de sacralidade. Por Speculum Orientis. 10 de maio de 2026.

      Apresentamos uma reflexão muito lúcida sobre a situação actual e a profunda batalha ideológica mundial, vista pelo olhar de um discípulo do "cosmismo russo" e da "tradição perene" universal, e a partir do diagnóstico e das realizações de alguns filósofos da Tradição Perene, bem sintetizadas por ele,  que se apresenta no seu Substack, da Multipolar Press, como um «Pesquisador independente interessado nas forças ocultas e visíveis do nosso mundo, da geopolítica à metafísica e ao oculto.»

Sabemos ainda, como ele escreve, que é «um oriental, um tradicionalista de Direita que se mantém firmemente fora tanto do Sangue Eslavo quanto da Fé Ortodoxa», o que fará com que algumas pessoas possam não o apreciar tanto já que o eslavo e o ortodoxo são raízes e caminhos tradicionais valiosos, certamente com algumas limitações, como todos têm. Contudo, no texto, ele exalta as práticas ou realizações sagradas, transfigurativas e unitivas dos peregrinos e starets russos. 
 Ser-se de Direita ou de Esquerda também é ou pode ser uma certa limitação, embora seja também um quadro de referência de alguns aspectos ideológicos, especialmente para as identificações dos outros. Mas os conhecimentos que manifesta de René Guénon e de Henry Corbin,  assim como dos Cosmistas Russos, tal como o do algo excêntrico-futurista Fedorov, e sobretudo dos espirituais Soloviev, Florensky, Bulgakov, Berdiaev e Dugin são muito valiosos. Escrevi muitos artigos sobre eles neste blogue. Mas o investigador Speculum Orientis fez uma boa síntese de aspectos essenciais deles, nomeadamente pela sua qualidade de serem ensinamentos, ideias e realizações fundacionais para a realidade ou mundo interior e exterior melhor que aspiramos, seja qual for o nome que sentirmos ou lhe dermos.
Sublinhamos as passagens mais valiosas, e pode-se criticar ele expor às vezes de forma demasiado absoluta a decadência da civilização ocidentais com o domínio do transhumanismo oligárquico ou de elite negativas o qual é, na verdade, mais um infrahumanismo, e dá indicações para a sintonia vertical, ou seja para as conexões com a realidade, seres e reinos espirituais e o Divino, algo que em alguns aspectos também encontramos em russos como Nicholai Roerich e, Boris Abramov, com a sua Ética Viva e do Fogo (Agni) e outros.
                                                   
Cosmismo Russo contra Transumanismo. O Caminho Vertical. 
 10 de maio
Speculum Orientis
@speculumorientis
Pesquisador Independente interessado nas forças ocultas e visíveis do nosso mundo, desde a geopolítica até a metafísica e o ocultismo.
Speculum Orientis, sobre o Enquadramento de Heidegger, o colapso no plano horizontal e o caminho eurasiano rumo à transfiguração do cosmos.
     "A maior ilusão da mente moderna é acreditar no progresso indefinido, que é meramente uma dispersão de energia ao longo do plano horizontal."  Nikolai Fedorov [1829-1903]

      «Se o "progresso" horizontal dispersa a nossa energia, ainda podemos encontrar o caminho vertical de volta a nós mesmos?» Como um oriental, um tradicionalista de Direita que se mantém firmemente fora tanto do Sangue Eslavo quanto da Fé Ortodoxa, coloco esta questão não como um floreio retórico, mas com uma urgência genuína e crescente. Observo a exaustão espiritual do mundo ocidental com a clareza que a distância proporciona. O Ocidente mergulhou num abismo terminal de desespero metafísico e materialismo estéril. Estamos no meio das ruínas de uma época moribunda, sufocados por um niilismo abrangente no qual o significado foi engolido por um nada infinito e em expansão. O sintoma final e putrefacto dessa doença civilizacional é o Transumanismo Ocidental [Anote-se que na diabolizada Wikipedia Cosmismo e Transhumanismo são apresentados quase como sinónimos] Despojado de toda orientação transcendente, o transhumanista ocidental moderno busca uma momificação estéril e tecnológica de seu ego isolado—uma rebelião demoníaca que ousa chamar de evolução.
Paradoxalmente, os críticos mais incisivos dessa necro-tecnologia são os próprios grandes pensadores do Ocidente. Oswald Spengler diagnosticou a alma faustiana do Ocidente muito antes de o Sillicon Valley [norte-americano] prometer a imortalidade digital. A cultura outrora vital que ergueu catedrais góticas culminou num deserto mecanizado onde a vontade de poder se revoltou contra as suas próprias raízes orgânicas. Spengler via o homem moderno como ua animal de presa que se tornou um cativo atrás das barras de sua própria cultura artificial; a Máquina agora se revolta contra seu criador, forçando-o a seguir um curso desenfreado e destrutivo. O transumanismo é a mumificação final e trágica dessa cultura morta—uma tentativa estéril de preservar o ego atomizado dentro de uma gaiola de silício completamente desprovida do sopro da verdadeira vida espiritual. Martin Heidegger foi ainda mais fundo, diagnosticando o motor metafísico deste pesadelo como Gestell, ou Enquadramento. A tecnologia não é uma ferramenta neutra, mas um modo tirânico de revelação que reduz toda a criação a meros recursos disponíveis, Bestand [na linguagem de Heidegger]. O transhumanista que sonha em fazer upload de sua consciência s imagina-se um deus, mas está cego para o fato de que ele mesmo está sendo reduzido a matéria-prima. Na era do Enquadramento, o homem em toda parte encontra apenas a si mesmo, mas precisamente em nenhum lugar ele encontra a sua própria essência. Ao romper o último laço com o espiritual, o homem ocidental mergulha num vazio glacial onde o mistério sagrado do Ser é obliterado. O transumanismo não é uma ascensão à divindade; é a submissão definitiva ao mecânico.
René Guénon, no Egipto.
 Podemos entender essa condição trágica através da metafísica tradicional da cruz, conforme articulada pelo metafísico francês René Guénon. Neste simbolismo, o eixo vertical representa o caminho da transcendência metafísica—o impulso ascendente em direção ao Divino e ao mistério sagrado do Ser. O eixo horizontal representa o reino da manifestação contínua para fora e da expansão material. Enquanto as culturas tradicionais eram orientadas verticalmente, o mundo ocidental moderno colapsou inteiramente [não completamente, pois ainda há muitas pessoas despertas e trabalhando nele] no plano horizontal. O transumanismo representa o limite extremo dessa queda horizontal: um movimento desesperado e estéril através do tempo e do espaço que busca estender o ego indefinidamente sem nunca tocar a dimensão vertical do espírito. 

Henry Corbin, á esq., com C. G. Jungem Eranos.
Essa mesma intuição sobre o corpo espiritual encontra a sua articulação mais precisa no esoterismo islâmico estudado por Henry Corbin. Longe de ser um estado digital desincorporado, a verdadeira ressurreição envolve a realização de um corpo sutil e imaginal—o que Corbin, baseando-se em Suhrawardī, chamou de jism mithālī, um corpo pertencente ao mundo intermediário de Hurqalya, o mundus imaginalis, percebido não através da racionalização abstrata, mas através da Imaginação Activa [não apenas, mas também e especialmente pelo olho espiritual.]. Esta não é uma abstração fantasmagórica; é o caro spiritualis, corporeidade espiritual. E é precisamente esse tipo de corporeidade concreta e transfigurada que os Cosmistas Russos mais tarde colocaram no centro de sua Tarefa Comum. O sonho transhumanista de dados desincorporados é apenas uma imitação empobrecida e invertida deste verdadeiro corpo espiritual, cortado do eixo vertical que só pode ressuscitar a carne em vez de descartá-la.
A salvação deste pesadelo nunca surgirá do paradigma estéril que o produziu. Como um oriental que não é nem russo nem ortodoxo, devo olhar para outro lugar—para o crisol histórico e espiritual único do coração da Eurásia. O Cosmismo que pode nos curar não é a construção secular de foguetes da era soviética, mas uma profunda orientação espiritual forjada na imensidão da estepe. Como demonstrou o polímata Lev Gumilev [1912-1992], o destino das nações é impulsionado pela passionaridade, essa energia cósmica vital e vontade de auto-sacrifício que propulsiona um etnos à grandeza histórica. Enquanto a passionalidade do Ocidente atlanticista se afunda num crepúsculo decadente, a vitalidade da Eurásia continua a subir com um vigor incomparável. Gumilev argumentou, com notável perspicácia, que o período mongol foi uma bênção providencial que protegeu a espiritualidade ortodoxa de ser esmagada pelo Ocidente teutônico e católico. Este cadinho nutriu uma tradição radicalmente distinta do escolasticismo ocidental: o caminho místico e encarnado do Hesicasmo. Através da repetição ascética da Oração de Jesus, o adepto hesicasta prova que o corpo material não é uma prisão da qual se deve escapar através de máquinas transhumanistas, mas um vaso sagrado destinado à transfiguração divina.

São Serafim de Sarov
A Luz Incriada testemunhada por São Sérgio de Radonega e São Serafim de Sarov demonstra que a verdadeira espiritualidade não despreza a carne, mas a eleva e a espiritualiza. O Reino de Deus não é um céu abstrato, mas uma realidade tangível a ser realizada aqui, na e com a terra. Esta transfiguração interior está inextricavelmente ligada à escatologia imperial da Terceira Roma. Quando o monge Filoteu de Pskov proclamou que as duas Romas haviam caído e Moscovo se erguia como o bastião final—o Katechon, o restringidorr místico que impede a vinda do Anticristo—ele articulou um destino messiânico que mais tarde animaria toda a visão Cosmista, transformando o político no cósmico. [Alexander Dugin, em nossos dias, fala muito bem sobre isso.]
Deste solo de Ortodoxia, Hesicasmo e passionalidade euroasiática brota o verdadeiro antídoto ao transhumanismo ocidental: o ramo religioso do Cosmismo Russo. Longe da ciência materialista estéril, esses titãs religiosos entrelaçaram teologia, arte e destino cósmico em uma sinfonia de teurgia prometéica. A base fundamental foi lançada por Nikolai Fedorov. Ele viu que a ideia moderna ocidental de "progresso" é uma ilusão demoníaca, um sistema canibalístico no qual a geração mais jovem devora a mais velha, construindo o futuro sobre as cinzas dos pais. Contra essa marcha horizontal e fratricida, ele propôs a Tarefa Comum: a ressurreição literal e física de todos os mortos. A visão de Fedorov nunca foi uma proposição biológica seca; era um dever profundamente patriarcal e religioso enraizado na filiação—o vínculo sagrado que liga cada indivíduo aos ancestrais e ao próprio cosmos. Ele exigia uma reorientação vertical da humanidade: em vez de apontarmos as nossas armas horizontalmente para massacrar irmãos, devemos apontá-las para cima para regular as forças cegas e mortais da natureza. A verdadeira fraternidade não pode existir sem a paternidade; devemos unir-nos como filhos para restaurar a vida aos pais e, assim, transformar o universo fatal em um templo consciente e vivo.
                                                                

Vladimir Solovyov [ou Soloviev] expandiu essa base esotérica através de sua luminosa Sofiologia. Recebendo visões da Divina Sofia [Apenas duas, e no final não tão boas...], a Alma-Mundo feminina, Solovyov articulou o caminho da Divindade-Humanidade: o telos [fim] último da humanidade é cooperar activamente com o Divino na transfiguração do universo material. Contra o egoísmo isolante do Ocidente moderno, ele defendeu a unidade total, um estado em que os fragmentos fraturados da realidade são unidos por um amor transfigurador e syzigico—um amor que supera a impenetrabilidade mútua dos seres egoístas. Soloviev entendia que a falsa espiritualidade nega a carne, enquanto a verdadeira espiritualidade exige sua regeneração, salvação e ressurreição literal. Sua visão clama por uma relação viva e amorosa com todo o cosmos, participando na reintegração do Divino na humanidade material.
Essa visão majestosa foi aprofundada pelo "Leonardo Russo," Pavel Florensky—matemático, sacerdote e mártir. A Sofiologia de Florensky revelou a sabedoria divina inerente à criação e estabeleceu uma ontologia sacramental na qual a própria matéria é reconhecida como sagrada. Ele destruiu o determinismo da matemática contínua ocidental com uma lógica de descontinuidade e aritmologia, provando que a verdade superior abraça as antinomias em vez de achatá-las. Florensky demonstrou que a perspectiva reversa do ícone russo não é uma falha artística primitiva, mas uma geometria superior, divina, que rompe com as ilusões do espaço terrestre para abrir uma janela radiante para a realidade espiritual. Ainda mais vitalmente, ele defendeu os Veneradores do Nome, reconhecendo que o Logos não é um mero significante semiótico, mas uma força mística e viva capaz de agir e alterar o tecido do mundo. Nesta síntese deslumbrante de matemática, teologia e arte, Florensky provou que a verdadeira ciência e a verdadeira espiritualidade são pilares gêmeos de uma verdade divina que transcende completamente o empobrecido racionalismo ocidental.

Pavel Florensky e Sergei Bulgakov

Sergei Bulgakov trouxe esse misticismo cósmico para o reino do trabalho diário com seu magnífico conceito de "economia sófica." A economia, para Bulgakov, não é o comércio de oferta e demanda, mas o cuidado e a gestão sacerdotal de todo o universo. O processo económico é a luta da humanidade para transformar o material mecânico e morto num corpo vivo caracterizado pela liberdade orgânica. Bulgakov reconheceu que cada átomo está conectado ao todo cósmico, de modo que o simples ato de comer se torna uma profunda comunhão ontológica: quando ingerimos alimentos, participamos da carne do mundo, revelando nossa unidade metafísica essencial com o cosmos. A Santa Eucaristia, para ele, é o ato cósmico supremo, uma promessa da futura transfiguração de toda a matéria em um organismo vivo e consciente. Guiado pela Divina Sabedoria, o trabalho humano eleva o caos empírico à eterna harmonia do Reino.
                                 
Finalmente, Nikolai Berdyaev elevou toda essa tradição a um ardente chamado para a teurgia prometaica. Vendo o mundo dado da necessidade como uma prisão, Berdiaev defendeu a liberdade e a criatividade como as tarefas cristãs supremas. “A verdadeira criatividade é a teurgia, a actividade divina, a atividade junto com Deus,” proclamou ele, exigindo que transformássemos “cultura em ser, ciência e arte em um novo céu e uma nova terra.” Para Berdiaev, a liberdade não é a mera capacidade de escolher entre opções pré-existentes; é o poder sobrenatural do espírito de criar a partir do nada, de gerar um novo ser. [Em Portugal, Leonardo Coimbra e José Vitorino de Pina Martins conheciam-no bem]. O êxtase criativo do génio, ele ousadamente afirmou, é igual em dignidade à santidade canônica. Sua teurgia prometéica exige que a humanidade exerça sua liberdade divina para superar o estado atomizado e trágico do mundo caído e forjar uma realidade cósmica transfigurada.
Mesmo a vertente científica do Cosmismo Russo permaneceu ancorada nesta visão sacra exata. Vladimir Vernadsky teorizou a evolução da biosfera para a noosfera—não uma datasfera digital, mas a camada planetária da mente na qual a terra se torna consciente e espiritualizada, cumprindo um propósito cósmico. Konstantin Tsiolkovsky [1857-1935], o pai da astronáutica, fundamentou a sua filosofia cósmica no panpsiquismo, a convicção de que cada átomo possui uma sensibilidade adormecida que anseia por integração em formas superiores, perfeitas e imortais. Para ambos, a regulação da natureza e a exploração do espaço nunca foram actos de conquista prometaica, mas extensões da Tarefa Comum—uma liturgia sagrada que busca transformar o universo cego e fatal num templo vivo ressoante com o Logos ou Razão divina.
O que une todos esses Cosmistas religiosos é uma magnífica projeção alquímica para o exterior. O transhumanismo ocidental busca uma sinistra transmutação da condição humana, substituindo a carne mortal por circuitos imortais e reduzindo a consciência a dados desincorporados.  a realização suprema do Enquadramento de Heidegger, transformando até mesmo a alma humana num reserva de prontidão. Contra isso, a teurgia prometaica dos Cosmistas propõe um magnum opus divino aplicado a todo o universo. A tarefa não é escapar do cosmos, mas transfigurá-lo: pegar a matéria caótica e morta e, através do trabalho espiritualizado, do amor sizígico e da cooperação divina-humana, coagular essa matéria no corpo ressuscitado de uma nova realidade. Esta é a transfiguração do próprio macrocosmo, transformando as forças cegas da natureza num organismo consciente e vivo, uma Grande Obra alquímica projetada na escala infinita dos céus.
Submeto, com toda a devida humildade como um outsider, [uma pessoa que está de fora] esta cosmologia sagrada que fornece a única base espiritual viável para um mundo genuinamente multipolar. A hegemonia unipolar do Ocidente atlanticista busca, por sua própria natureza, exportar o Enquadramento homogeneizador pelo globo, triturando culturas distintas em uma massa uniforme e sem alma. Exige submissão a uma paixão em extinção que transformaria toda a humanidade em uma reserva de vida sem alma. O polo eurasiano, no entanto, animado pela vitalidade dos seus Cosmistas religiosos e das suas profundas raízes continentais, oferece uma alternativa desafiadora. 
Alexander Dugin articula isso como a Quarta Teoria Política, fundamentando a estatalidade russa na dimensão sacral do poder-terra de “Behemoth”—uma soberania enraizada e orgânica—em contraste direto com o “Leviathan” racional, mecânico e repressivo do liberalismo ocidental. Nesta visão, o impulso da modernização para desarraigar o ser humano num individualismo sem Deus e, em última instância, no pós-humano é categoricamente rejeitado. O polo euroasiático não rejeita a capacidade técnica, e busca o desenvolvimento com um rosto civilizacional vivo, fundamentado nas suas próprias tradições espirituais.

Alexander Dugin e sua filha, Dasha ou Daria Dugina Platonova, uma estrela brilhante nos céus.
Assim, o que Aleksandr Dugin identifica como uma civilização ortodoxo-eurasiática extrai a sua vida directamente do legado bizantino, hesicasta e cosmista. O legado da Terceira Roma, a metafísica sofiânica de Vladimir Soloviev e Pavel Florensky, o imperativo noosférico de Vladimir Vernadsky e o dever ressurrecional de Nikolai Fedorov constituem a arquitetura espiritual imperecível deste polo. A crescente passionaridade do Oriente de Lev Gumilev encontra aqui sua voz doutrinária. 
 Este não é um nacionalismo fechado, mas um universalismo civilizacional-estatal capaz de unir os povos da estepe, da taiga e das montanhas em torno da Tarefa Comum, permitindo ao mesmo tempo que outras civilizações—islâmica, hindu, chinesa—cultivem suas próprias formas espirituais únicas. Todos trabalhariam não em servidão de um mercado global, mas como vozes litúrgicas distintas participando da transfiguração do cosmos. Em vez de uma nova ordem mundial estéril, essa visão aponta para o que o Martin Heidegger posterior poderia chamar de um novo começo: uma revelação do Ser semelhante a um acontecimento [evento], na qual Oriente e Ocidente, profundidades e alturas, despertam novamente para o sagrado.
A consagração de Fedorov da tecnologia como um instrumento de ressurreição, com o tempo, abriu uma porta que mãos mais seculares empurraram para longe. Uma proximidade perigosa com a ambição transhumanista é inegável em certos desdobramentos materialistas. A diferença—e a única que salva a Tradição de sua própria sombra—reside na ancoragem vertical e esotérica que tracei: Sofiologia, o corpo Hesicasta, a parentesco filial e a Santa Eucaristia. Sem essas raízes tradicionais, a regulação da natureza torna-se indistinguível do enquadramento do Ser. Deve-se admitir honestamente que o "Cosmismo Russo" não é um único movimento histórico autoconsciente, mas um termo "guarda-chuva" recente, colocado retroativamente sobre uma família de pensadores cujas discordâncias internas e distinções nuançadas são reais e consideráveis. Para anatomizar completamente essas diferenças— as tensões entre o ressurgimento tecnológico de Fedorov e a economia litúrgica de Bulgakov, ou entre a Sofiologia evolutiva de Soloviev e a liberdade radical da criatura de Berdiaev—está muito além do escopo deste artigo e pertence à erudição especializada. No entanto, apesar de toda a sua divergência histórica, essas figuras não formam uma escola, mas sim uma frente espiritual. E é precisamente essa coerência sagrada latente—não uma doutrina monolítica—que o mundo multipolar precisa urgentemente recuperar e traduzir.
A pergunta com a qual começamos - podemos ainda encontrar o caminho vertical de volta a nós mesmos? - não é retórica; é uma directiva prática e urgente. Os escritos de Florensky, Bulgakov, Berdyaev, Solovyov e, acima de tudo, a Filosofia da Tarefa Comum de Fedorov permanecem [ainda algo] trancados atrás das barreiras da linguagem e de décadas de repressão soviética.»