sexta-feira, 22 de maio de 2026

Os Mestres do Irão eterno (2): Sohrawardi, o sheikh Ishraqi, ou o sábio da Luz iluminante. Extractos do Kitab Hikmat a-Ishrâq, o Livro da Sabedoria Oriental.

                                                         

Vamos terminar a aproximação aos ensinamentos de Sohrawardi transmitidos no 1º capítulo n seu Kitab Hikmat a-Ishrâq, o Livro da Sabedoria Oriental, traduzindo da versão dada por Henry Corbin, e retomando o  parágrafo 127, no artigo anterior referido abreviadamente:

«127. Outro esclarecimento: Como foi posto em evidência que a realidade do teu Eu pessoal (ana'îya) é uma Luz imaterial conhecendo-se a si mesma e que as Luzes imateriais não se diferenciam entre elas quanto à essência, é preciso então que todas se conheçam, pois o que é necessário a uma coisa é igualmente a tudo o que participa com ela na mesma essência. Isto é uma outra via [provavelmente a intuição-visão da interdependência unitária de todas as luzes imateriais ou espirituais]. Mas porque aprendeste há pouco o que a procedia, podes dispensar esta via ou método.

128 - Tese: Que o existenciador  dos barazkhs (ou espaços intermediários) é um ser [provavelmente a Inteligência celestial que os anima]conhecendo-se a si mesmo.
Pois o que dá à totalidade dos barzakhs a sua Luz e o seu existir é uma Luz Imaterial, pelo que este existenciador é um [ser] Vivo, conhecendo-se a si mesmo, pois ele é uma Luz para si mesmo.

 IX. Sobre a Luz das Luzes.

129 - Admitindo que a Luz imaterial comporta algum tipo de indigência na sua quidade [ou essência, ou coisa em si], o que postularia esta indigência não poderia ser a substância nictifora [ou obscura] privada de vida. Esta, com efeito não tem qualquer aptidão para conferir a existência a algo que seja mais nobre e mais perfeita que ela própria e que não tenha dimensão subtil. Como é que quem leva em si mesmo a noite poderia conferir a Luz? Se a Luz imaterial [ou espiritual] tem necessidade de algo para se tornar realizada será duma Luz subsistente por si mesma.

Isto estando adquirido, a série de Luzes subsistentes (al anwar al-qa'ima) que formam uma hierarquia de graus, não se perde no infinito. Uma prova demonstrativa já te instruiu  de que todo o conjunto serial simultâneo implica um limite. Assim é necessário que o conjunto das Luzes, a Luz subsistente e a Luz adveniente, forme um conjunto finito, e chegue assim tal como os barzakhs e as suas qualidades a uma Luz para além da qual não há uma outra Luz. É esta Luz que é a Luz das Luzes.
Ela é Luz englobante (muhit). Ela é a Luz (substantiadora), eternamente-subsistente (al-qayyûm). A Luz sacro-santa (al-muqaddas), a sublime e suprema Luz (al-a'zam al-'a'la), ela é a Luz toda vitoriosa (al-qahhar).
Esta Luz das Luzes é aquela que se basta ou se satisfaz absolutamente a si mesma, pois para além dela não há nada. (...)

Eis porque a Luz imaterial, autarcica é única, e ela é a Luz das Luzes.  Tudo o que está abaixo dela e tem necessidade dela e recebe dela é a sua existência. A Luz das Luzes não tem igual nem semelhante. Ela reina vitoriosamente sobre todas as coisas. Em troca, nada a pode vencer nem resistir-lhe, pois toda a imperialidade (qahr), toda a força, toda a perfeição, são um dom que provém dele. (...)

130. Por uma outra via: (nenhuma coisa) não postula o seu próprio não ser, senão ela não se realizaria mesmo. A Luz das Luzes é uma e única (wahdani), a sua essência não está submetida a qualquer condição e tudo o que é outro que ela está sob a sua dependência. Pois ela não está submetida a qualquer condição e já que ela não tem contrário, não há nada que possa impedir o seu ser (mubtil) Ela é portanto subsistente e eterna (da'îm).
Além disso, nenhuma qualificação adere à Luz das Luzes, quer seja uma qualidade luminosa ou uma qualidade tenebrosa; não é mesmo possível, de qualquer maneira que seja, que ela possua um atributo (sifa). [É possível que esta afirmação tão radical ou absoluta da Luz, que não suporta sequer atributos, possa ter chocado os clérigos mais racionalistas e ortodoxos, valorizando muito a ideia dos atributos divinos.]

131 - Como a primeira explicação geral, nós diremos isto: se a qualidade tenebrosa fosse imanente à Luz das Luzes, teria de se concluir que, na sua própria essência, há uma dimensão tenebrosa que ela mesmo implicaria. Desde então [ou se assim fosse], ela seria composta, e ela não seria Luz pura (...)

134  (...) Assim, encontra-se estabelecido que a Luz das Luzes está separada de tudo o que é outro que ela própria. Nada lhe pode ser anexada. E não se pode representar que exista algo mais belo do que ela. Enfim, como o conhecimento que uma coisa tem de si volta, no fim de contas, ao facto que ela seja ela mesma revelada a si, e como a Luz das Luzes é a luminescência pura da qual a epifania não é devida a nada mais do que ela mesma, desde então, nem a vida, nem o conhecimento que a Luz das Luzes tem de si, não são algo que se acrescenta à sua essência. Assim também te foi dada precedentemente a prova [de não serem necessários acrescentos] a propósito de toda a  Luz imaterial [ou seja espiritual, menor na intensidade luminosa que a Luz das Luzes, mas a ela se abrindo como sua Fonte]

Embora ao seleccionar apenas alguns parágrafos do Livro da Sabedoria Oriental, esteja a fragmentar o pensamento e ensinamento de Sohrawardi, cremos ainda assim ser visível e compreensível a sua linha de valorização da Divindade enquanto a Luz das Luzes, sem qualquer indigência ou necessidade em si, bem como a impossibilidade de que qualquer e todo tipo de Luz ou de ser, nas suas series, não provenha da Luz das Luzes, a sua fonte. Há ainda uma expressa crítica como absurda da manifestação cósmica provir das trevas, do caos, da noite, dum infinito sem Fonte Primordial.

Importante ainda a afirmação de que o Eu íntimo ou ipsidade nossa é Luz imaterial ou espiritual que deve autoconhecer-se a si mesma como Luz própria e não recebida do exterior, ainda que deve verticalmente conecatr-se ou ligar-se com a Luz das Luzes. O que em geral implicará a mediação da face divina, ou do anjo da guarda, ou do Imam, ou da Inteligência arcangélica.

Possamos afirmar-nos ou reconhecermo-nos como Luz e ser abençoados pela sagradíssima Luz das Luzes, e participarmos sábia ou luminosamente na harmoniosa interdependência da unidade do género humano, pela fraternidade espiritual e a multipolaridade política, tal como o sagrado Irão tanto aspira e luta resilientemente contra as forças da inveja e do ódio. 

Que a Luz do Logos e Amor divino brilhe vitoriosamente em nós e nos iranianos, nos russos, nos chineses, nos que lutam pelo bem da Humanidade. Ou como ecoam milenáriamente as palavras de Shihab al-din  Sohrawardi: - Que a Luz Sacro-santa (al-muqaddas), a Sublime e suprema Luz (al-a'zam al-'a'la), a Luz toda Vitoriosa (al-qahhar), brilhem invencíveis no Irão e nos Ishraqis, os que na multipolaridade sã do mundo  demandam a Luz mais íntima do Oriente Divino e a sua manifestação no polo, eixo ou qutb do Bem e da Verdade

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Os mestres do Irão eterno: Sohrawardi, o sheikh Ishraqi, ou o sábio da Luz iluminante. Extractos do Kitab Hikmat a-Ishrâq, o Livro da Sabedoria Oriental.

                                  

 Sohravardi, ou Shihāb al-Suhrawardī (1154-1191) - um dos mestres iranianos, da zona do Khorasan, que conseguiu fazer a ligação da tradição zoroástrica e grega com o Islão - , aprofundou bastante o caminho da sabedoria, do auto-conhecimento, da Luz espiritual e Divina e no Livro da Sabedoria Oriental, traduzido e estudado por Henry Corbin, transmite muita indicação útil aos peregrinos espirituais, aos que demandam a Luz íntima, auroral ou Oriental, Ishraq.
Já partilhamos no blogue o prefácio que um místico ou filósofo espiritual, seu discípulo, Qotboddin Shirazi, escreveu depois da sua morte e hoje vamos apresentar alguns ensinamentos valiosos dos I livro dos cinco em que se divide o Kitab Hikmat a-Ishrâq, o Livro da Sabedoria Oriental.
Será uma boa oportunidade para os leitores portugueses que aspiram a tornar-se mais auto-conscientes, luminosos, harmoniosos e religados superiormente poderem comungar na Luz, manifestada pelo Sheik Ishraqi,em 1191, Alepo, na Síria,  martirizado pelo famoso Saladino e os clérigos mais reacionários que não apreciavam a sua elevada estação ou altura metafísica e mística e a sua boa relação espiritual com o que não era estritamente corânico, tal os sábios antigos da Pérsia e da Grécia, numa linha de Teologia ou filosofia perene, também chamada a Prisca Theologia

Livro I. Cap. III. p. 109. «A Luz divide-se em Luz que é uma qualidade para um outro que si: é o caso da Luz adveniente (nûr arid) - e na Luz que não é uma qualidade para um outro que si: é a Luz imaterial (nûr mujarrad), a Luz pura (mahd).

A Treva (zulma) não exprime senão a ausência de Luz.

112 - 1ª regra geral. Que a Luz imaterial não pode ser objecto duma indicação sensível
Desde que  sabes que toda a Luz que se pode mostrar é uma Luz Adveniente, logo se existe uma Luz pura, não se a pode mostrar; ela não pode residir num corpo e ela não tem dimensão espacial.

Cap.. V. 114. Tudo o que possui uma ipesidade (dhat), da qual nunca está ausente, não é uma ser da noite, ou nocturno, pois ele próprio esta revelado a si mesmo. Não é também uma qualidade tenebrosa, imanente  a qualquer coisa de outro, pois se a qualidade luminosa ela própria não é já uma Luz para si mesma, com mais forte razão a qualidade tenebrosa não será ela. Portanto o que jamais está ausente de si mesmo é uma Luz pura, imaterial, que não se pode mostrar....

Cap. VI. 115. ... Quando o sujeito julga ou pensa que todo o atributo que se acrescenta à sua ipseidade [ou identidade intima, primordial; ou mónada, ou unicidade] trata-se dum conhecimento ou de qualquer outra coisa pertence à sua ipseidade, é que ele já se conhece a si mesmo, anteriormente a todos os atributos e independente deles. Portanto não é pelos atributos, que se acrescentam à sua ipseidade, que ele terá consciência de si mesmo.

116. Tu não te ausentas de ti mesmo nem do conhecimento que tens de ti. Como não é possível que o acto de conhecer (idrak) se produza por uma forma (sura) ou porque qualquer adicionamento, resulta que não tens necessidade, para te conheceres a ti mesmo, de outra coisa que dessa própria ipseidade, revelada a si, ou seja que não esteja ocultada a ti.
É preciso pois que o conhecimento  que tens de ti mesmo seja um conhecimento que se gera por causa dele mesmo tal qual ele é.  Isto implica igualmente que tu nunca esteja estejas ausente de ti mesmo nem de uma parte de ti mesmo. Aquilo de que acontece a tua ipseidade estar ausente - por exemplo, os órgãos, tal como o coração, o fígado, o cérebro, ou bem o conjunto dos espaços intermediários (barzakhs) e as qualidades tenebrosas e luminosas -, nada disso é o que tu és, em ti mesmo, o sujeito conhecedor (mudrik); pois o que é em ti o sujeito-conhecedor não é um órgão físico, nem uma coisa corporal. Senão nunca estarias jamais ausente, desde que tenhas  tivesses uma consciência contínua, ininterrupta, da tua ipseidade.

Cap. VII. 121. A Luz divide-se em Luz que é em si e para si, e a Luz que é Luz em si, sendo ainda Luz para um outro. Sabes, com efeito, que a Luz adveniente é uma luz para um outro, pois, se bem que seja uma Luz em si, ela não é uma Luz para si mesmo, pois que ela existe para um outro que ela mesma. A substância nictifórica ou nocturna (ghasic), não se revela nem em si nem para si, segundo o que já sabes. Ora a vida é o Agente-Conhecedor. O Conhecimento já sabes o que é. Quanto ao acto que pertence igualmente a Luz, ele é manifesto, pois por essência a Luz é efusiva.
É por isso que a Luz pura é viva, e reciprocamente, todo o vivo é Luz pura.
Quanto ao obscur
o (ghasic), se ele se conhecesse a si mesmo, ele seria uma Luz para si mesmo; desde então ele não seria uma substância nocturna.

Cap. VIII. 127. Como foi posto em evidência que a realidade do teu Eu pessoal (ana'iya) é uma Luz imaterial conhecendo-se a si mesmo e que as Luzes imateriais não se diferenciam entre elas quanto à essência, é preciso que todas se conheçam, pois o que é necessário a uma coisa é igualmente a tudo o que participa com ela na mesma essência....»

E eis-nos com ensinamentos substanciais e profundos de auto-consciencialização luminosa. No 126, Sohrawardi questiona a diferenciação das essências dos espíritos, pondo em causa que além da luminiscência (nurîya) pudesse haver algo de outro que se acrescentasse de exterior à sua essência (haqiqa), e conclui que as «Luzes separadas da matéria não são diferenciadas quanto às suas essências (haqiqa)». 

Creio ser uma visão e posicionamento talvez relacionado com a unicidade de Deus, tawhid, tão absoluta e crucial no Islão, ou melhor, derivada dela para intuir e professar também a unicidade da essência dos espíritos humanos. Talvez disto tenha resultado, ou se favoreça ou propicie, a grande fraternidade islâmica, as orações em grupo grandes, ou mesmo as confrarias ou tariqas iniciáticas...

Continuaremos este trabalho em prol da iluminação, da tradição ishraqi e da vitória do bem e da verdade contra a mentira, o ódio e o assassinato, como estamos a presenciar na agressão à civilização e gente sagrada do Irão.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Firdousi e a Introdução ao Shah nameh. O Elogio de Deus, da Inteligência, da Sabedoria. As versões do preâmbulo por Mohl e Warners.

                            
Comemorando-se, qual o dia de Camões entre nós, o dia   da língua Persa e de Ferdousi, - Abou Laksim Ferdousi, ou Abu’l Qāsem Ferdowsi -, natural de Tus, actualmente Meshad, no Khorassan, c.939-1020], a dia 15 de Maio,  o  Imam ou guia psico-espiritual em 
manifestação Irão  Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei transmitiu uma mensagem (publicada neste blogue) sobre o valor da obra de Ferdousi, o Shah-Nameh, ou Livro dos Reis, escrito em 50.000 dísticos (estrofes de dois versos) e onde as antigas histórias épicas, mitos e tradições do Irão pré-zoroastriano e zoroastriano (especialmente do Zamyad Yasht, o XIX), já em parte postas em verso em pehlavi por outros autoresapós a islamização do país iniciada em 642, foram por Firdousi expandidas e concluídas com genialidade no persa do séc. XI, fortificando a memória identitária da nação ao serem assim preservadas e gravadas para sempre com tanta sensibilidade e qualidade na grande alma colectiva e hierohistórica do Irão. Seyyed Mojtaba Khamenei apelou mesmo a que se erguessem novos Firdausis e escrevessem sobre as lutas recentes travadas contra os traiçoeiros agressores dos USA, Israel e UAE.

Esses mitos, feitos e lutas do Livro dos Reis, transmitidos oralmente, antes de se fixarem pela perseverante labor genial de Firdouzi,   vieram a dar origem a muitas obras de arte, tais frisos de cerâmica mas mais especialmente em livros ilustrados, e ainda em relatos e representações dramáticas, onde sucessivos  reis e heróis brilham, tal como por exemplo, Jamshid (o antigo Yima, do Avesta), com seu reino de trezentos anos de harmonia,  o possuidor do mítico Graal ou, mais evidentemente, de Xvarnah, a força ou Glória de Luz Divina, ou ainda Thraetaona, Ferēydūn, Kaved e sobretudo Rustam (com o seu cavalo Rakhsh, e o pássaro protetor Simourgh, que Attar glosará também na sua Conferência das Aves), em dilemas, provas e aventuras contra os demônios, as forças interiores e exteriores do mal ou Ahriman.

Decidi transcrever o início dessa extraordinária saga da civilização milenar iraniana e da luta entre o bem e o mal, e das escolhas que fazemos, pelo seu valor de glorificação e invocação da Divindade e do seu Logos,  Inteligência e Sabedoria, no cosmos, na obra e em nós, e porque hoje novamente o Irão enfrenta as forças ahrimânicas atuais, os americanos e israelitas, tão cheios de insensibilidade, de hubris e de criminalidade... Oremos para que o Irão vença, triunfe...   

Utilizei a tradução francesa de Julien Mohl, de 1877 - e publiquei-a independentemente em francês no blogue-,  cotejando-a com a de Arthur e Edmond Warner, de 1925, e fazendo uma certa hermenêutica ou leitura interior do sentido espiritual que poderia ressaltar de ambas as versões, a dos Warner claramente mais sensível e transparente à Sabedoria, Hikmat, tão cultivada pelos filósofos e místicos do Irão, tal como Henry Corbin demonstrou com grande abrangência e originalidade, comparatividade e profundidade de hermenêutica. Acabei por fim por transcrever in toto a versão dos Warners do Preâmbulo, para melhor comparação, acessível no Internet Archive, traduzindo-a.

                          Bismillāhi r-Raḥmāni r-Raḥīmi.

                  Em nome de Deus Clemente e Misericordioso.

                                   
«Em nome do mestre  da mente (alma) e da sabedoria (inteligência, além do qual o pensamento não pode ir, do mestre da luz da Glória (Xvarnah), do mestre do mundo, do mestre da fortuna, daquele que envia os profetas, do mestre de Saturno e da rotação das esferas, que acendeu a lua e a estrela da manhã, e o sol; que está acima de todo nome, de todo sinal, de toda ideia, que pintou as estrelas no firmamento. 
 «Se não podes ver com teus próprios olhos o Criador, não te irrites com eles, pois o próprio pensamento não pode alcançar aquele que está além de todo lugar e de todo nome, e tudo o que se eleva acima deste mundo ultrapassa o alcance do pensamento e da inteligência. Se o espírito escolhe palavras, ele só pode escolhê-las para as coisas que vê; mas ninguém pode apreciar Deus tal como ele é: resta-te apenas cingir-te de obediência. Deus pesa a alma e o pensamento; mas  como poderá Ele ser contido num pensamento audacioso? Como poderemos celebrar o Criador neste estado, com estes meios, com esta alma e esta língua? 
 Só te resta contentares-te em crer na Sua existência, e absteres-te de vãs palavras. Adora, e busca o verdadeiro caminho, e está atento para  obedeceres aos seus mandamentos. 
 Poderoso é quem conhece Deus, e seu conhecimento harmoniza o coração dos jovens e velhos; mas a palavra não pode penetrar esse véu, e o pensamento não pode penetrar o Ser Divino.

  Versão de Arthur George Warner e Edmond Warner, Londres, 1925: 
«Em nome do Senhor da sabedoria e da mente, a que nada de mais sublime pode ser aplicado o pensamento, o Senhor de tudo ao qual é nomeado ou designado um lugar, o Sustentador e o Guia de tudo, o Senhor de Saturno e do céu em movimento, que faz Vênus, Sol e Lua brilharem, que está acima de concepção, nome ou sinal, o Artista das joias do céu!» 
A Ele não podes ver, embora esforces a vista, Pois o próprio pensamento lutará em vão Para alcançar Aquele que está acima de todo nome e lugar, Já que a mente e a sabedoria falham em penetrar Além dos nossos elementos, mas operam Em materiais que os sentidos tornam claros.
Ninguém, então, pode louvar a Deus como Ele é. Observa o teu dever: é cingires-te a ti próprio para servir. Ele pesa ou avalia a mente e a sabedoria; Deverá Ele ser Envolto por um pensamento que Ele pesou? Pode Ele ser louvado por tal maquinaria como esta, com a ajuda da mente, da alma ou da razão?» 
 Confessa o Seu ser, mas não afirmes mais, adora-O e ignora todos os outros meios, observando os Seus mandamentos. A tua fonte de poder é o conhecimento; assim, os corações velhos rejuvenescem novamente, Mas as coisas acima do Véu superam em altura todas as palavras: a essência de Deus está para além do nosso entendimento.»

                II Parte. Versão de Julien Mohl, traduzida por mim:
                                         Louvor da Sabedoria
«É aqui, ó sábio, o lugar onde convém falar sobre o valor da sabedoria (Hikmat). Fala e extrai da tua sabedoria e inteligência o que sabes, para que o ouvido daquele que te escuta se alimente disso. A sabedoria é o maior de todos os dons de Deus, e celebrá-la é a melhor das ações. A sabedoria é o guia na vida, ela alegra o coração, ela é o teu auxílio neste mundo e no outro. A sabedoria é a fonte das tuas alegrias e das tuas tristezas, dos teus lucros e das tuas perdas. Se ela se obscurece, o homem de alma brilhante não pode mais conhecer o contentamento. 
 Assim fala um homem, virtuoso e inteligente, cujas palavras alimentam o sábio: «Aquele que não obedece à razão-sabedoria,  despedaçar-se-á a si mesmo pelas suas ações; o sábio chama-o de insensato, e os seus  próximos consideram-no um estrangeiro.» 
 É pela inteligência-sabedoria que tens valor neste mundo e no outro, e aquele cuja razão está partida cai na escravidão. A sabedoria é o olho da alma, e se refletires, verás que, sem os olhos da alma, não se poderá governar este mundo. Compreende que a sabedoria-intelecto é a primeira coisa criada. Ela é a guardiã da alma; é a ela que se deve a acção de graças, graças que deves prestar-lhe pela língua, pelos olhos e pelos ouvidos. É dela que vêm para ti os bens e os males sem número. Quem poderia celebrar suficientemente a sabedoria e a alma? E se eu pudesse, quem poderia ouvir? Mas como ninguém pode falar disso adequadamente, fala-nos tu, ó sábio, da criação do mundo. 
Tu és a criatura do Autor do mundo, conheces o que é manifesto e o que é secreto. Toma sempre a razão como guia, ela te ajudará a  manteres-te longe do que é mau; busca o teu caminho segundo as palavras dos que sabem, percorre o mundo, fala com todos; e quando tiveres ouvido a palavra de todos os sábios, não te afastes um instante do ensinamento. Quando tiveres conseguido lançar os teus olhares sobre os ramos da árvore da palavra, reconhecerás que o saber não penetra até à sua raiz.»

                 Versão de Arthur George Warner e Edmond Warner
     II parte:           Discurso em Louvor à Sabedoria
«Pronuncia, ó sábio, o louvor da sabedoria e alegra Os corações daqueles que ouvem a tua voz,
Como o melhor presente de Deus para ti, exalta o valor da sabedoria, que te confortará e guiará, e conduzir-te-á pela mão no céu e na terra. Tanto a alegria quanto a tristeza, o ganho e a perda, ocorrem  e portanto quando tal desaparece a pessoa sã  não conhece (ou encontra) mais a felicidade. Assim diz o homem sábio e virtuoso da tradição antiga, para que os sábios não busquem em vão frutos nas suas palavras:—"Qualquer pessoa que despreze o conselho da Sabedoria,  ao agir assim, fará o seu próprio coração sangrar. O prudente fala dele como alguém possuído, e "ele não é dos nossos" protestam os seus próximos."
Em ambos os mundos, a Sabedoria recomenda-te, quando as algemas estão nos tornozelos dos loucos; é o olhar da mente. Se não o vires  a tua jornada por este mundo será triste. [Bem desafiante discernimento...]
[A sabedoria] foi a primeira coisa criada, e ainda preside sobre a mente e a faculdade de louvor—louvor oferecido pela língua, ouvido e olho, e todas as causas podem ser de bem ou de mal.
Louvar tanto a mente quanto a sabedoria, quem se atreverá? E se eu ousar, quem me ouvirá mesmo? 
 Portanto, ó homem de sabedoria!  não podes fazer o bem pelas palavras que prossigam, declarem o processo da Criação. Deus  criou-te para conhecer a aparência e a realidade.
Que a sabedoria seja o teu ministro (ou guia)  para proteger a tua mente de tudo que o auto-respeito deve evitar.
Aprende pelas palavras dos sábios como trilhares o teu caminho, percorreres a terra, conversares com todos. E quando ouvires qualquer pessoa de discurso sábio, não durmas, aumenta o tesouro da tua sabedoria. Mas, repara, enquanto contemplas os ramos da palavra, quão longe estão as raízes dela de serem alcançadas.» 
Eis Firdousi humilde ou apofaticamente apelando no fim ao silêncio e à demanda interna dos níveis subtis e profundos da realidade e do Ser e Divindade.

Como vemos duas traduções, bastantes diferentes, a francesa, de Moly bem mais limitada do que a dos  Warner. Esperemos que um dia possamos traduzir com alguém que domine o persa, para discernirmos a realidade que se oculta por detrás das aparências das palavras e traduções, e suas imperfeições, para que a corrente divina que inspirou Firdousi seja mais intuída e assimilada por nós.... 
Firdousi, de uma nobreza rural que mantinha as ligações com as tradições antigas, numa região onde o zoroastrismo e o shiismo predominavam, transpareceu isso aqui e acolá na sua obra, e alguns comentadores justificaram com tal a menor  aceitação da sua obra pelo emir a quem a dedicara, bem como um certo ocultamento dela durante dois séculos, aliás algo no padrão de ocultação do imamat, dos Imams ou polos da luz, shiia ou xiitas, que de modo discreto Firdousi era. Contudo a sua obra prima literária de maestria de ritmos, estilos, formas, e nutrida por grandes valores éticos e imenso amor à pátria e língua (impedindo que a arabização sufocasse o persa), bem como de grande sinceridade, espírito de historiador e preservador de tradições e feitos, mestre do diálogo, justiça e amor, venceria todos os obstáculos e, embora fosse recusado o seu enterro no cemitério sunita, pelas suas ligações zoroástricas e shiias, o seu corpo foi depositado no seu jardim, erguendo-se um mausoléu que desafiará os séculos, tais como as montanhas e as gentes heroicas do Irão tem realizado ao longo da sua história e presentemente contra   adversários tão mentirosos e traiçoeiros como os do eixo do mal que o atacam. Que a República Islâmica do Irão e o seu povo vençam, na luz (Nur) e na glória divina (Xvarnah).

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Firdousi et la introdution au Shah-Nameh. La louange de Dieu et de la intelligence et sagesse. De la version de Jules Mohl.

Comme le 15 de Mai c'est le jour de Firdousi, - Abou Laksim Firdousi, ou Abu’l Qāsem Ferdowsi -, naturel de Meshed, Khorassan, c.939-1020], et de la langue Perse, et que le actuel guide de l'Iran, Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei, a donné pour ce jour une message sur le valeur de l'oeuvre de Ferdousi, le Shah-Nameh, ou Livre des Rois, en 50.000 distiques (strophes de deux verses) ou les anciennes histoires épiques, mythes et traditions de l' Iran pré-zoroastrien et zoroastrien (surtout du Zamyad Yasht, le XIX),  déjà en partie mis en vers en pevlavi par des autres auteurs, aprés la islamization du pays commencé en 642, on été parachevé avec genialité en perse et devenant ainsi preservés et gravés pour toujours dans la grand âme de l'Iran.
Ces mythes, exploits et luttes, premierement transmis oralement, ont donné naisssance a beaucoup de oeuvres d'art, surtout dans les livres illustrés, mais aussi dans  les recits et representations dramatiques, où les grands rois  et héros,  qui deviennent les sucesseurs, par exemple, du mythique possesseur du Graal, ou du Xvarnah, la force de Lumière Divine,  Jamshid (l'ancien Yima), avec son royaune de 300 années de harmonie, tel Thraetaona, Ferēydūn, Kaved et Rostam (et son cheval Rakhsh, et l'oiseau protecteur Simourgh), brillent dans ses épreuves et aventures contre les démons, les forces intérieures et extérieures du mal, du diable ou Ahriman.
 J'ai décidé de transcrire le début de cette extraordinaire saga de la civilization millennaire iranien et de la lutte entre le bien et le mal, et des choix qu'on fait, pour son valeur de glorification et invocation du Logos ou Intelligence en l'oeuvre et en nous et parce qu'aujourd'hui de nouveau l'Iran afronte les  forces ahrimaniques actuels, les americans et israélites, si gonflés de insensibilité, de hubris et des crimes... On prie por que l'Iran gagne, triomphe...
         Bismillāhi r-Raḥmāni r-Raḥīmi.  Au nom de Dieu Clément et Misericordieux.
«Au nom du Maître de l’âme et de l’intelligence, au delà duquel la pensée ne peut aller, du maître de [la lumière de] la Gloire [Xvarnah, Farrah], du maître du monde, du maître de la fortune, de celui qui envoie les prophètes, du maître de Saturne et de la rotation des sphères, qui a allumé la lune et l’étoile du matin, et le soleil; qui est plus haut que tout nom, que tout signe, que toute idée, qui a peint les étoiles au firmament.  [Nur e Nur, la Lumière de la Lumière]
Si tu ne peux voir de tes yeux le Créateur, ne t’irrite pas contre eux, car la pensée même ne peut atteindre celui qui est au delà de tout lieu et de tout nom, et tout ce qui s’élève au-dessus de ce monde dépasse la portée de l’esprit [pensée] et de l’intelligence. 
Si l’esprit choisit des paroles, il ne saurait les choisir que pour les choses qu’il voit ; mais personne ne peut apprecier Dieu tel qu’il est : il ne te reste qu’a te ceindre d’obéissance. Dieu pèse l’âme et la raison; mais lui, comment pourrail-il être contenu dans une pensée hardie? Comment pourrail-on celebrer le Créateur dans cet état, avec ces moyens, avec cette âme et cette langue? 
II ne reste qu’a te contenter de croire a Son existence, et a abstenir de vaines paroles. Adore, et cherche le vrai chemin, et sois attentif à obéir a ses commandements. Puissant est quiconque connait Dieu, et sa connaissance rajeunit le coeur des vieillards [ou donne de la paix-joie aux jeunes et vieux]; mais la parole ne peut percer ce voile, et la pensée ne peut pénétrer jusqu’à l’Étre [divin].
                                                 
                           Louange de l'Inteligence  [ou de la Sagesse]
C’est ici, ô sage, le lieu où il convient de parler de la valeur de l’intelligence [ou sagesse, hikmat]. Parle et tire de ta sagesse-raison-logos-intelligence [au coeur, du coeur] ce que tu sais, pour que l’oreille de celui qui t’écoute s’en nourrisse. 
L’intelligence [ou la Sagesse] est le plus grand de tous les dons de Dieu, et la célébrer est la meilleure des actions. L’intelligence est le guide dans la vie, elle réjouit le cœur, elle est ton secours dans ce monde et dans l’autre. La intelligence-intelect-raison est la source de tes joies et de tes chagrins, de tes profits et de tes pertes. Si elle s’obscurcit, l’homme à l’âme brillante ne peut plus connaître le contentement. Ainsi parle un homme, vertueux et intelligent, des paroles duquel se nourrit le sage: «Quiconque n’obéit pas à la raison, se déchirera lui-même par ses actions; le sage l’appelle insensé, et les siens le tiennent pour étranger.» C’est par l’intelligence que tu as de la valeur dans ce monde et dans l’autre, et celui dont la raison-inteligence est brisée tombe dans l’esclavage. La raison est l’œil de l’âme, et si tu réfléchis, tu dois voir que, sans les yeux de l’âme, tu ne pourrais gouverner ce monde. Comprends que la inteligence - raison sagesse est la première chose créée. Elle est le gardien de l’âme; c’est à elle qu’est due l’action de grâces, grâces que tu dois lui rendre par la langue, les yeux et les oreilles. C’est d’elle que te viennent les biens et les maux sans nombre. Qui pourrait célébrer suffisamment la sagesse et l’âme? Et si je le pouvais, qui pourrait l’entendre? Mais comme personne ne peut en parler convenablement, parle-nous, ô sage, de la création du monde. 
Tu es la créature de l’auteur du monde, tu connais ce qui est manifeste et ce qui est secret. Prends toujours la inteligence-raison-sagesse pour guide, elle t’aidera à te tenir loin de ce qui est mauvais ; cherche ton chemin d’après les paroles de ceux qui savent, parcours le monde, parle à tous ; et quand tu auras entendu la parole de tous les sages, ne te relâche pas un instant de l’enseignement. Quand tu seras parvenu à jeter tes regards sur les branches de l’arbre de la parole, tu reconnaîtras que le savoir ne pénètre pas jusqu’à sa racine. [ou que le savoir n'a pas de fin...]»
  [J'ai fait quelques corrections dans cette version française, malheureusement pas à partir du perse, mais de la version anglaise, en ligne, de Alexander Rogers, de 1907, que me semble bien réussi.]
La France a tenu un role pionnier dans l' orientalisme et dans le iranologie. Si le Gulistan ou l’Empire des Roses, composé par Sadi, prince des poètes turc et persan a étè traduit et publiée en Paris, en 1634, par André du Ruyer de Malezaril, suivi par John Chardin et ses voyages en Persie, Barthelemy d'Herbelot (avec sa Bibliothèque orientale, 1697, ou il parle déjà beaucoup des sufis), Antoine Galland le traducteur des Mille et Une nuits, Louis-Mathieu Langlès (le foundateur en 1795 de l' École des Langues Orientales vivantes, lesquels ont parlé de Firdausi,  sera cependant le perseverant Jules Mohl  le premier traducteur du Shah-nameh, en 7 volumes, parus entre 1873 et 1876, suscitant une grande admiration en France pour Firdousi. Écrivants comme Sainte-Beuve, J. J. Ampére, Lamartine, Victor Hugo, François Coppée, Alfred Delvau, Charles Simond, Maurice Materlink et Abel Bonnard ont utilisé des parties où des histoires et on faite des grands éloges au génie de Firdausi. 
Écoutons Abel Bonnard, l'auteur du Prince Persan,1908, a l'occasion du millénaire de Firdausi: «Dans cette chaîne, de grands poètes par où l'humanité finit sur le ciel, Homerè et Firdausi sont deux sommets fraternels. Mais le grand Persan rassemble à ces cimes neigeuses dont une lumière inefable attendrit la serenité, et dans cet instant où nos tournons vers eux, avec une admiration qui peut aller usqu'a l'extase. Homére pour nous c'est le Mont-Blanc, mais Firdausi c'est le Mont-Rose.» 
Malhereusement, Portugal, par ses gouvernments, a propos de l'Iran et de sa richesse civilizationelle, actuellement sur la menace americaine israelite, est d'un servilisme corrupte, et manifeste un profond oubli de l'ethos et du pathos universaliste de la grande âme portugaise...

domingo, 17 de maio de 2026

Message of the supreme ayatollah or guide of the Islamic Republic of Iran, Mojtaba Khamenei on Firdousi, or Ferdowsi, and the great soul of Iran, on 15 May

Mural painting of Rustam, one of the heroes of Shah-nameh.
                                
From the very good channel of information, not brainwashing people against truth and justice, but sharing true information, Presstv.ir, on 15 May, day of Ferdousi and Persian language, in the year of 2026.
The Leader of the Islamic Revolution Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei has called on Iran’s cultural and artistic figures to rise like the epic poet Ferdowsi and immortalize the story of the nation's latest "sacred defense".
In a message Friday marking the commemoration of [of the great writer] Hakim Abolqasem Ferdowsi and the preservation of the Persian language, the Leader said the Persian language represents a vast capacity to promote Iran's Islamic civilization globally.
"The epic of presence, defense and victory of our dear Iranian nation in the third sacred defense [war of Iraq, and two of USA-Israel] places a great duty on the shoulders of people of culture, literature and art to rise like Ferdowsi and realize the mission of artists in continuation of the mission of the people, and to make the narrative of the nation's great uprising permanent in history," the Leader said.
The third sacred defense refers to the recent 40-day US-Israeli aggression against Iran that began on February 28 and ended through a Pakistan-brokered ceasefire.
The Leader described Persian as more than a tool for speech and writing.
"Persian language, in addition to being a tool for speech and writing, forms the framework of cognition and the connecting thread of thought and the identity borders of Iranians," he said.
"Persian language and literature represent one of the greatest capacities for promoting the rich culture and civilization of Islamic Iran across the global arena."
Ayatollah Khamenei added that the recommendation of the wise and martyred Leader Ayatollah Seyyed Ali Khamenei to strengthen the Persian language serves as "a guiding light for the authority of 'Iranian-Islamic civilization'."
The Leader said the Iranian nation has proven in the third sacred defense that Ferdowsi's mythical stories are "the reality of their lives and their heroic character".
"The human-building, chivalrous and Qur'anic concepts of the [great epic]  Shahnameh bring together all ethnic groups and strata of Iran in preserving their identity, authenticity and independence and in the fight against the transgressing 'Zahhak-likes'," he said, invoking the tyrannical figure from Ferdowsi's epic.
The Shahnameh, Ferdowsi's 50,000-couplet epic completed in 1010 AD, is widely regarded as the cornerstone of Persian language and identity, preserving Iran's linguistic heritage after the Arab conquest.
Its central themes include justice, heroism, and the eternal struggle between good and evil – embodied by the legendary hero Rostam and the tyrannical king Zahhak.
                        Rostam killing the White Div from the Baysunghur Shahnameh (1430 AD)
The Leader said the nation's courageous resistance and honorable victory against the invasion of "demon-worshippers and the devils of the world" has prepared the people to protect their civilizational independence and confront American aggression in language, culture and lifestyle.
Ayatollah Khamenei urged cultural activists to use initiative and innovation to ensure linguistic and discursive defense, as well as the growth and flourishing of children, adolescents and youth.
"With the initiative and innovation of activists in the cultural arena to ensure linguistic and discursive defense and the growth and flourishing of children, adolescents and youth, the nation will traverse the remaining stages to final victory with greater steadfastness – by the grace of God Almighty,"  
So had spoken with his sacred kalima (verb, word) this present Imam of Iran, the chosen one or Mojtaba Khamenei,  that lives under many precautions, as the envious and satanic Netanyahu has said that as he killed his father Ali Khameni he wants also to assassinate this spiritual leader, the qutb, or pole, of Shiia family, Ahl al-Bayt, as he is also a Seyyed, a descendant of the 1ª Imam  Ali ibn Abi Talib and Fatima Zahra...
May Iran's people and army resist, and united and inspired by his sheikhs, imams, qutbs, ichraqiyun, martyrs and heroes, win over the axis of Evil and his treacherous devils....

sábado, 16 de maio de 2026

O prof. Jeffrey Sachs critica a estupidez de Trump e a hipocrisia dos dirigentes europeus críticos do Irão, por este se defender. 2 vídeos curtos, muito elucidativos.

O professor Jeffrey Sachs (n.1954), da Universidade de Columbia, e conselheiro em várias organizações, nomeadamente nas Nações Unidas de 2002 a 2018, e um dos mais conceituados geo-analistas mundiais, tais como o prof. John Mearcheimer (n. 1947),  o embaixador Alastair Crooke,  os militares Douglas Macgregor, Larry Williamson e Scott Ritter (correntemente exilado na Rússia, tal como George Galloway, dada a perseguição que sofreram e sofrem), Chris Hedges, Alexander Dugin, Garland Nixon e muitos outros, critica no 1º pequeno vídeo a estupidez e incompetência do megalómano sociopata Donald Trump, tão manipulado pelos israelitas. E aconselha-o a simplesmente deixar o estreito de Ormuz e a hubris destruidora do Irão e regressar a casa, onde tanta gente está na miséria ou a sofrer, quando se desperdiçam biliões no equipamento militar destruído ou gasto.

No 2º vídeo, critica a hipocrisia dos dirigentes europeus nos dias seguintes ao ataque traiçoeiro de Israel e USA ao Irão, por terem no Conselho de Segurança das Nações Unidas condenado o Irão por estar a atacar os estados árabes da região quando a República Islâmica se estava apenas a  defender contra-atacando as bases militares norte-americanas nesses países, utilizadas para matarem a  liderança religiosa, militar e política do Irão, e as 160 crianças da escola de Minabi. Num crime hediondo ao estilo apocalíptico, tão desejado (e certamente sob as suas instruções de guerra sem piedade e sem regras) pelo secretário de Defesa, o monstruoso Pete Hegseth, e a mestra de Trump, e dos zelotas sionistas dispensacionistas, Paula White. 
Citando George Orwel e os seus proféticos livros, Jeffrey Sachs, bastante indignado com tal sabujice, estava provavelmente a chamar-lhes porcos veladamente, e cita os nomes dos que fizeram declarações expressas hipocritamente condenatórias, tais França, Grécia, Estados Unidos da América, Alemanha, Dinamarca....

https://youtube.com/shorts/-A12fDLjhEY?si=X2mwn8Wwt-O6T6Nr

 https://youtube.com/shorts/O8E47Ib_RoU?si=ZjZd_InA82YD81tW

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Ayatollah Sheikh Isa Qassim, do Bahrain, elogia o martirizado Ayatollah Seyyed Ali Khamenei pelo seu papel no fortalecimento da unidade dos crentes em Allah, em Muhammad e nos Imams.


Extraído de Presstv.ir, com alguns acrescentos: "O mais elevado clérigo do Bahrain, agora exilado no Irão, Ayatollah Sheikh Isa Qassim, elogiou o falecido Líder da Revolução Islâmica, Ayatollah Seyyed Ali Khamenei, como um “homem competente que devolveu a Ummah [a unidade comunitária dos crentes] ao Islão.”

O Ayatollah Qassim teceu os comentários numa mensagem televisionada para a cerimónia realizada na sexta-feira, 15 de Maio,  em Teerão, para se lançar um livro em árabe sobre o líder mártir.
O  Ayatollah Seyyed [que significa descendente do 1º Imam Shhia, Ali, primo de Maomé e casado com sua filha Fátima, e fundador da linhagem dos 12 Imams Shiia] Ali Khamenei foi assassinado num cobarde ataque dos EUA-Israel em Teerão no dia 28 de Fevereiro. Vários membros de sua família também foram martirizados no bombardeamento.
[O Ayatollah Khamenei, que já sobrevivera a um atentado dos seguidores do Shah Reza e dos terroristas do MKV e que lhe imobilizara o braço direito, entrou na tradição dos mártires, pela criminalidade invejosa sionista, sempre a assassinar cobardemente personalidades que denunciam a malignidade e o genocídio.]
“O Imam Khamenei foi um homem competente, capaz e diligente em verdadeira e genuinamente devolver a Ummah [a consciência da comunidade e unidade dos crentes] ao Islão, e conseguiu preservar a unidade da Ummah islâmica ao longo de seu caminho correto, de acordo com os ensinamentos do Islão,” observou o clérigo shiaa do Bahrain.


[Nascido a 1 de Janeiro de 1937, o Sheikh (ou Guia) Isa Qassim, estudou vários anos no Iraque. E de 1990 a 2001 em Qum, no Irão, quando recebeu o título de Ayatollah, bem merecido pois já  com 64 anos e tendo tido como mestres Ayatollah Sayed Mamood al-Qashimi, Ayatollah Sayed Kadhem alHaeri e o Ayatollah Fadhel al-Lankarani. Teve de se exilar do Bahrain devido ao despótico governo anti-shiia e anti-democrático. Hoje com 87 anos continua bem vibrante...]

O Ayatollah Qassim considerou este objetivo e propósito—retornar a Ummah ao Islão e preservar a unidade islâmica e a coesão das fileiras da Ummah—de importância excepcional no curso contínuo da Revolução Islâmica e do governo islâmico.
Noutra parte de sua mensagem, o Ayatollah Isa Qassim referiu-se ao colapso dos sonhos e objetivos maliciosos dos tiranos e das potências imperialistas com a vitória da Revolução Islâmica, e à perda de seus interesses.
Falando sobre o medo que a Revolução Islâmica criou entre eles em relação ao estabelecimento de um governo islâmico, disse: "Não há medo que possa se comparar a isso, porque este sistema é um sistema islâmico que serve como uma testemunha viva e um modelo incomparável de um governo verdadeiro, justo, sábio, capaz e seguro que eleva a vida tanto da alma quanto do corpo; um governo que revive a fraternidade humana e expõe a fraqueza, corrupção, deficiência e injustiça de outros sistemas tirânicos e ignorantes implementados no mundo."
Afirmando que a guerra de hoje está a arder entre o campo da ignorância e o campo da fé, ele realçou: "A liderança do campo da ignorância é assumida pelo tirano americano, pelo sionismo equivocado e por um judaísmo que se rebelou contra a verdadeira religião do Profeta Moisés (que a paz esteja com ele)."
"À frente da liderança americana está o 'Faraó Trump', e à frente da liderança sionista está o 'Faraó Netanyahu.'" Esses dois estão hoje entre os piores dos ímpios, os mais hostis aos valores e sagrados, os mais ensopados de sangue e os mais desafiadores diante de Deus e Suas proibições.
Ayatollah Isa Qassim falou ainda sobre o campo da fé. "Em contraste, está o campo da fé, representado na ampla Frente de Resistência, composta pelos filhos da Ummah Muçulmana, e à sua frente a República Islâmica do Irão] e a sua liderança corajosa, fiel, heroica e sábia, que é mais digna de confiança do que qualquer outra—e mais rigorosa do que qualquer outra—na salvaguarda dos valores, vidas, honra, dignidade humana e todas as santidades.»
Relembre-se que em 2016,  o opressivo governo do Bahrain proibiu o partido shiaa da oposição Wal Wefaq, e, pela sua actividade crítica, retirou  nacionalidade Ayatollah Sheikh Isa Qassim e prendeu-o Em 2018 saiu para o Irão para tratamentos médicos, e onde hoje reside, certamente na cidade santa de Qum, embora seja ainda o mais importante e escutado religioso no Bahrain.
Notícia extraída da valiosa fonte de informação que é a Presst.ir: https://www.presstv.ir/Detail/2026/05/15/768652/Imam-Khamenei-returned-Ummah-to-Islam-Sheikh-Qassim