terça-feira, 1 de setembro de 2026

A crítica de René Guénon ao livro "O Instrutor do Mundo, Krishnamurti", de Ludovic Réhault e a defesa das religiões e vias iniciáticas.

 Em março de 1935, René Guénon publicou na revista Voile d'Isis, uma resenha crítica sobre o livro de Ludowic Réhault - O Instrutor do Mundo, Krishnamurti, lançado em 1934 na editora Les Tables de l'Harmonie, Nice. 

Não lhe interessando se Jidu Krishnamurti (1895-1986) era ou não o Instrutor do Mundo, como os seus tutores quiseram, Ludovic Réhault constatava que «u m homem, de fato, percorre o mundo, convidando os homens a rejeitar o jugo que ainda os mantém curvados, e a libertarem-se definitivamente dos mestres e dos deuses e a se tornarem, eles próprios, a sua própria tocha e o seu próprio guia» e, portanto, considerava-o gerador de efeitos benéficos, comparando-o mesmo a Gauthama o Buddha, e portanto que se devia apoiar o seu apostolado. 

                                               


Já René Guénon (1886-1951) discordava de algumas ideias da obra,  compartilhando o que Julius Evola e outros já tinham contestado (e em uníssono com o seu livro Le Theosophisme), e a orquestração ou fabricação desse novo Messias ou Instrutor do Mundo. E ainda que reconhecendo a Krishnamurti coerência e coragem em se ter libertado dos seus tutores educativos teosofistas, criticava  ideias e ensinamentos, além da função, quando Krishnamurti avançava já como pedagogo desligado seja da missão imaginada, seja das religiões, mestres, ritos e esoterismo iniciático, mais virado para a libertação psicológica da pessoas, ou melhor, para certo descondicionamento delas dos seus passados e projecções e viverem no presente e em amor. 
                                                      

Oiçamos o rigoroso pensador e representante do Tradicionalismo Perene, René Guénon, defendendo sobretudo as religiões e as tradições ou vias iniciáticas, como os meios principais de o ser humano se libertar da ignorância e do egoísmo, e de religar à Identidade suprema, graças às influência vivas que se recebem por elas e à ligação aos níveis superiores espirituais e da Unidade que se podem obter:

«Este livro é sem dúvida o único onde um teosofista ousou expor com toda a franqueza, sem tentar disfarçar ou "conciliar" nada, a divergência ocorrida entre Krishnamurti e os líderes da Sociedade Teosófica [Annie Besant e Charles Leadbeater]; é verdadeiramente terrível para estes, cujo papel aparece extraordinariamente dúplice [ou pouco claro]; e constitui, a esse respeito, um documento digno do maior interesse. Quanto à admiração do autor por Krishnamurti e à sua crença de que ele é realmente o « Instrutor do Mundo » (sem que, aliás, se possa saber exatamente o que se deve entender por essa expressão), essa é, naturalmente, uma questão completamente diferente, sobre a qual devemos fazer as mais expressas reservas. Krishnamurti sacudiu o jugo que eles queriam impor a ele, e certamente se saiu muito bem; reconhecemos muito voluntariamente que para isso ele precisava de uma certa coragem e uma força de caráter à qual não se pode deixar de prestar homenagem; mas isso não é suficiente para provar que ele tenha uma "missão" extraordinária, embora diferente daquela a que seus educadores o destinavam. Que ele tenha aversão a "sociedades" e "cerimônias", isso ainda é muito bem; mas, de lá a se colocar como adversário de toda religião e a repudiar até mesmo toda iniciação, há um abismo; é preciso dizer, e essa é sua desculpa, que ele só conheceu tristes.»

Realce-se a crítica de Guénon à recusa por parte de Krishnamurti das religiões, dos mestres e da iniciação, e ainda a dirigida aos tutores ou instrutores de Krishnamurti, Annie Besant e o reverendo da Igreja Católica Liberal Charles Leadbeater (algo criticado por Fernando Pessoa, como já assinalámos em livro e no blogue), que se atrevera a escrever até um livro, As Vidas de Alcyone , com as últimas 48 encarnações de Alcyone  isto é, Krishnamurti, e das pessoas associadas a ele, muitas então à volta dele de novo. Eram uns tristes, embora bastante sagazes e imaginativos, mas desconectados da ligação à Verdade, à Identidade Suprema ou Unidade Divina, como René Guénon, defendia e afirmava? 
E como estamos nós mais ou menos ligados à Tradição religiosa ou iniciática e à Divindade? Como está o nosso ser consciência espírito?


Efemérides do Encontro do Oriente e Ocidente, da primeira semana de Setembro, para nossa inspiração ou comunhão.

 1-IX. Desce à Terra, segundo a tradição inconfirmável aventada pelo historiador Dhirendra Nath Pal, Sri Krishna, para os Vaishnavas a oitava incarnação de Deus (Vishnu), em Mathura, em 1603 a.C. Ao ser atribuída a virgindade a sua mãe abre de certo modo ou pioneiriza os fundamentos para outras imaculadas concepções, tais como as de Gautama, o Buddha e Jesus, o Cristo. O seu ensinamento principal é dado ao príncipe Arjuna em dezoito cantos do poema Bhagavad Gita, Canto do Bem Amado, o qual foi enriquecido ao longo dos séculos por milhares de comentários valiosos, já que os seus ensinamentos de ética, das vias da Yoga e acerca do ser humano, natureza  e Divindade são bastante belos e elevados. As orações curtas ou jaculatórias (mantras), mais famosas dedicadas a Krishna e sua mulher Radha (avatarização ou manifestação da deusa Lakshmi) são: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare; Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. A mais interna é Om Sri Vishnu Narayana, ou apenas Om Narayana, e todas são cantadas e utilizadas pelos seus devotos denominados Vaishnavas os quais, por desenvolverem bastante a união ou Yoga devocional, Bhakti, são chamados bhaktas. Nas minhas peregrinações pela Índia participei com intensidade espiritual (mumuksha) em algumas dessas exaltações no e ao Amor divino, nomeadamente em locais (com seus templos e ashrams) da tradição Vaishanava, tal o mais carregado da sua presença, Brindaban, donde Krishna teria partido para o mítico e paradisíaco Vaikunta e seu oceano de Amor, numa pioneira ascensão aos céus.

                                      


 Chega a Lisboa, em 1503, da sua segunda viagem à Índia, Vasco da Gama, transportando nas treze naus muita riqueza. Do primeiro ouro trazido de Quíloa mandou lavrar D. Manuel ao genial Gil Vicente um vaso consagrado a Deus, e eis a Custódia de Belém, bela imagem do arquétipo santo Graal, com a ave ou sopro do Espírito Santo perpassando nos doze apóstolos, cavaleiros, signos ou sentidos, uma das obras-primas da ourivesaria lusa, hoje um ícones do Museu Nacional de Arte Antiga.
                                            
António Tenreiro em 1523 parte neste dia de Ormuz, na embaixada enviada ao Châh Esmâ'il da Pérsia. De lá seguirá para o Egipto das pirâmides e Alexandria mas, não conseguindo barco, voltou a Ormuz e Goa. O historiador Gaspar Correia caracteriza-o: «Sabia muitas falas e fora com Baltazar Pessoa ao Xeque Ismael e tinha grande entendimento dos costumes dos mouros e orações, com que se atrevia andar entre eles e era esforçado de espírito», bela definição do arquétipo dos melhores viajantes portugueses, ecuménicos, dialogantes, fiéis ou cavaleiros do Amor, pioneiros da Religião Universal do Espírito e do Amor. Em fim de Setembro de 1528 partiu de novo, a pedido de Cristóvão Mendonça, capitão de Ormuz, para saber o que acontecia com as tropas rumes (turcas) e informar o rei de Portugal, e assim atravessa os desertos arábicos, primeiro só com um guia, depois numa cáfila, cruzando muitas aldeias de muçulmanos e cristãos nestorianos, jacobitas e caldeus. Passou junto do monte Ararat na Turquia onde lhe mostraram no cimo os restos da arca de Noé mas, apesar de instado a descortiná-la, e bem porfiando, só enxergava neve, pelo que se desculpou de ver mal. «Natural de Coimbra, homem nobre», como diz o historiador Diogo Couto, chegado a Lisboa após uma viagem rápida e perigosa de três meses foi bem acolhido pelo rei, recebendo uma tença e o hábito da Ordem de Cristo, mas um dia ao sair da casa do antigo governador na Índia Diogo Lopes Sequeira levou umas estocadas de desconhecidos, a mando do filho de Diogo de Melo, que lhe iam custando a vida. Deixou o seu interessante Itinerário, uma obra prima da nossa literatura de Viagens, da época dos Descobrimentos.
                                    
                                     
Nasce neste dia 1 em Calcutá em 1896 Swami Bhaktivedanta Prabhupada, fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, movimento devocional ou do desenvolvimento do Amor Divino muito conhecido das capitais europeias pelas suas danças ao som repetido do mantra Hare Krishna, Hare Rama e pelo seu ênfase numa vida natural e não-violenta, dedicada a Deus na manifestação ou avatarização de Krishna e da sua consorte Radha. Gerou, até 1977, uma vasta literatura de espiritualidade indiana e da via do Amor, a Bhakti Yoga, destacando-se os seus comentários à Bhagavad Gita e aos Bhakti Sutra de Narada, os quais tenciono também proximamente editar uma co-tradução com Satchitananda Dhar, comentada por mim, assim contribuindo para um aumento de Prem bhakti, do amor a formas pessoais de Deus, a partir da tradição imemorial indiana, hoje ainda viva...
                          
Nasce Armando Martins Janeira neste dia em 1914, em Felgueiras, Bragança, e foi provavelmente o primeiro português a subir ao sagrado monte Fuji (o que eu também realizei, bem arduamente.) Formado em Direito, foi cônsul e  embaixador em alguns países e em especial no Japão, onde viveu dez anos, sendo autor de valiosa obra comparativista e orientalista, e um grande conhecedor e amante da tradição e alma japonesa, e em especial de Wenceslau de Moraes, sobre o qual escreveu, entre vários artigos, opúsculos, livros, uma Antologia, e um magnífico e original livro, o Peregrino, em papel de arroz e personalizado com um postal original escrito por Wenceslau de Moraes, uma típica toalhinha japonesa, uma estampa original do séc. XIX, e publicidade da época de Tokushima, onde Wenceslau vivera os últimos anos. O seu mais extenso e melhor livro biográfico sobre Wenceslau, de 1954, é o Jardim do Encanto Perdido. Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão. Mas o que descreve mais pessoalmente o Japão que conheceu e amou é de 1956, o Caminhos da Terra Florida. A gente, a paisagem, a arte japonesa. Já nas Figuras de Silêncio, de 1981, a sua obra mais  consagradas à história das relações luso-nipónicas, e em particular às principais individualidades portuguesas de tal encontro e aventura, escreve: «O maior problema de Portugal, desde há, pelo menos, um século e meio, tem sido combinar o passado com o presente, isto é, distinguir no passado o que é vivo do que é morto, para incorporar no presente os valores ainda vivos, com força e ricos de conteúdo (...) Deve-se acentuar que em Portugal não existe em lugar público memória alguma de qualquer grande vulto japonês. Já sugeri, para um dos nossos jardins públicos, o busto de Bashô, o maior poeta nipónico. Esperemos que a ideia vá por diante, para assim retribuirmos o carinho japonês às nossas Figuras, e como meio de manter vivo por estas o interesse dos japoneses». Este desejo continua virtual... O centenário do seu nascimento foi há poucos anos comemorado pela Câmara Municipal de Cascais e pela sua mulher Ingrid Bloser Martins, a qual tem mantido a sua memória e obra, em sucessivas mostras e ciclos de conferências. Uma parte  significativa do espólio foi doado por ela, a preparar traduções e edições de inéditos, à Biblioteca da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo. As suas mais de vinte obras contém muita sabedoria e clamam por leitores e comentadores. Para sair à luz neste blogue, escrevi na véspera dos 107 anos do seu nascimento um texto biográfico e bibliográfico que poderá ler...
                                    
Fundado neste dia em 1919, em Pangim, o jornal Diário da Noite passará a ser dirigido em 1950 por António de Meneses, nascido em 1915, um Fiel do Amor da cultura Portuguesa,
mantendo por diversos modos essa chama bruxuleante em Goa, sem nunca ter contudo vindo à terra original lusa. Convivi com ele em sua casa no bairro das Fontainhas em duas das peregrinações na Índia e senti bem a sua alma, tão luminosa quanto a desta «Princesa jovem e bela, sorridente e feliz. Princesa de sonho e de lenda... chama-se Maria Teresa de Bourbon e Parma» e que viera orar, emocionar-se e chorar diante das relíquias de S. Francisco Xavier em velha Goa.
 
2-IX. Diogo Botelho, experimentado piloto mas ambicioso de ser capitão de fortaleza, parte numa fusta com uns poucos de homens de Dabul rumo a Lisboa, em 1535, para dar a boa nova ao rei D. João III do início da construção da fortaleza de Diu, há muito desejada, e para lhe provar o seu valor. Toda a construção do baixel de cinco metros e meio de comprimento e a preparação da viagem foi feita à revelia das autoridades, fingindo Diogo Botelho que ia levar soldados para Diu e depois daí para uma praça perto. Quando se viu com os planos tirados in loco nas mãos, lançou-se a navegar, com uma cota de armas debaixo da camisa para o que desse e viesse da tripulação talvez furiosa com as perspectivas da travessia sempre perigosa de tantos mares em embarcação tão frágil. Com a ajuda de mais dois mareantes, com umas espadeiradas aqui e umas doenças acolá, a viagem épica fez-se e em Maio de 1536 Lisboa via chegar admirada a pequena fusta do ousado Diogo Botelho, que mesmo assim não conseguiu que o rei lhe atribuísse a capitania rendosa duma fortaleza a que se julgava com capacidade e direito, e que só no fim da vida, inchado de tanta água com que se envolvera, é que receberá. O ilustre historiador Quirino da Fonseca, na sua bela obra Viagens Maravilhosas, de 1935, consagrará o 1º capítulo a Diogo Botelho e à sua fusta, mas não se esquecerá do mestre Afonso cirurgião, de Francisco Rodrigues, João Baptista e do corajoso explorador do Tibete, padre Bento de Góis.
                                          
3-IX. Vicente de Santo António, natural de Faro,  que, como disse numa carta, "se criara e vivera em Lisboa nas delícias e ociosidades dela"  mas que "por tão vários caminhos e inopinados rodeios o Senhor guiou a sua alma", chamando-o a religioso e, como era bem dotado intelectual e artisticamente, decide 
embarcar para o México e depois as Filipinas, onde professa na Ordem dos Recolectos de Santo Agostinho, partindo em seguida para missionar no Japão, desembarcando em Cochi em 1623, na província de Kagoshima, donde depois de muitos trabalhos, viagens, disfarces e perigos na partilha do Cristianismo, então já estigmatizado,  é preso, torturado e por fim queimado vivo, em Nagasaki, neste dia 3, de 1632, vindo a ser beatificado por Pio IX em 7 de Julho de 1867. Em 3 de Setembro de 1965, em Albufeira, Algarve, houve grande Festa e cortejo alegórico do Beato Vicente de Santo António, no dia da Bênção da sua primeira imagem, título aliás do livro que o Pároco de Albufeira, Padre José M. Semedo Azevedo, publicou  muito bem ilustrado. Na altura, o edil de Nagasaki, Yoshitake Moroya, associou-se e lamentou o sucedido, garantindo que a memória do beato viverá eternamente no coração de Nagasaki, terra que, bem ou mal, teve a ventura de ser a sua derradeira morada," o sangue derramado ficará embebido em terra de Nagasaki, onde se erguerá a árvore da paz  e da amizade luso-nipónica, cada vez mais crescida e frondosa. Ao morrer, depois de dois anos de cativeiro, o Beato Vicente terá, se é vero, exclamado para os seus companheiros de martírio: "Viva a Fé de Jesus Cristo! Ânimo, soldados valerosos! Ânimo, cavaleiros de Cristo! Viva a sua Santa Fé," expressões invulgares ao invocarem não a fé em Jesus, mas a fé santa ou santificadora de Jesus, e esta tanto quando a manifestara na Palestina (hoje em dia tão assassinada e em genocídio), como perenemente sente, tem, conhece. O que sentiu diante das cerimónias budistas e shintoístas a que assistiu, não sabemos...
Pagela ou santinho do Beato Vicente.
O Arcebispo D. Francisco Garcia, natural de Alter do Chão, e que andou 50 anos na Índia a persuadir hindus e cristãos de S. Tomé dos princípios e doutrinas da Igreja de Roma, para o que estava bem dotado pois sabia grego, hebraico, caldaico, siríaco, canarim, sânscrito e indostânico, já com 18 anos como arcebispo da Serra, entra pelo túnel estreito e simplificador da morte neste dia em 1659. O Homem das 33 Perfeições, editado em Lisboa em 1958 pelo notável jesuíta José Wicki, é a obra que lhe sobreviveu, tecida de contos indianos por ele traduzidos e com pequenas máximas suas. Uma nota biográfica pelo P. Jacinto de Magistris, de 1660, lembra que «cada dia dizia a missa porque, dizia ele, nem queria que as almas do purgatório se queixassem dele (...) Além da missa que dizia, ouvia outra de joelhos, visitando entre dia a sua capelinha. Sendo prelado conservou sempre o exercício da vida religiosa em se alevantar pela manhã cedo, em fazer sua oração mental, exames, ler a lição espiritual e outros exercícios religiosos.» Bons exemplos da aspiração e zelo de fazer o bem e de maior ligação a Deus...
Nasce em Damão, na Índia portuguesa, António Sérgio, neste dia em 1883. Livre-pensador, pedagogo e democrata, com vasta obra de pensador e escritor, foi preso e exilado pelo regime de Salazar, mas mesmo assim a sua obra era lida, discutida e sentida como uma luz na obscuridade política. Foi um grande propugnador dos princípios do cooperativismo em Portugal. O movimento da Seara Nova e a sua revista, onde funcionava justificadamente uma secção Oriental, na qual colaboraram alguns dos nossos indianistas (Adeodato Barreto, Tello Mascarenhas), devem-lhe muito, e as suas tertúlias literárias eram fecundas. Os seus estudos de história e os vários volumes dos Ensaios foram contributos importantes para equilibrar a mitificação exagerada na história de Portugal, embora por vezes sofrendo dum excessivo pendor racionalista-positivista, como aconteceu, por exemplo, nas polémicas acerca do Sebastianismo e do Messianismo, ou sobre Leonardo Coimbra, que no entanto bem exigiam um maior rigor metodológico como ele propugnava. Os seus comentários tecidos à História Trágico-Marítima são dedicados «À memória do Infante D. Pedro, de D. Francisco de Almeida, de D. João de Castro, de Diogo de Couto, de Luís Mendes de Vasconcelos, contrários à ideia de fazer conquistas, de multiplicar fortalezas».
                                       
Sadhu Sundara Sing, um Sikh, nasce em 1889, em Patiala. Recebe na sua demanda o apelo de Jesus, converte-se ao anglicanismo e manifesta a sua poderosa e original ligação a Cristo, missionando por fora da Índia, até desaparecer nos Himalaias numa das suas idas ao Tibete. Dirá: «A terra acumula o calor do sol, e este brota quando batemos uma pedra contra outra. Igualmente, os pensadores cristãos receberam a luz do sol da justiça, e os hindus tem a sua parte no Espírito Santo. Há coisas magníficas no hinduísmo, mas a luz perfeita vem do Cristo. De igual modo, todo o homem, quer seja cristão ou não, vive do Espírito Santo, mesmo se lhe é dado um outro nome. O Espírito Santo não está reservado para um só povo... Nós podemos absorver o Espírito Santo pela oração... Os místicos muçulmanos e hindus cometeram o erro de se querer aniquilar no Espírito universal, como um rio que se deita num oceano. O ideal consiste em viver no Espírito e não em se perder nele». Todavia esta última asserção não se aplica a muitos dos místicos, pois muitos sentiram e afirmaram a imortalidade do espírito humano e a sua capacidade de religação  ou mesmo união com a Divindade...

4-IX. O P. Francisco Xavier recebeu em Goa (1548) o P. Baltazar Gago e apreciando a sua coragem "crística", unitiva, enviou-o para o reino do Bungo (Oita) no Japão (em 1552), onde se notabilizou ao conseguir tornar-se amigo do dáimio, ao evitar que as mães pobres matassem as filhas, ao criar um hospital para leprosos e pobres, ao convencer, depois de longas e repetidas práticas e interrogações dois mestres budistas, que baptizados passam a ser Paulo e de Barnabé, duma melhor lei religiosa do Criador do Mundo, e ao converter uns milhares de japoneses durante muitos anos. Aos 68 anos, o corpo já cansado dos esforços físicos e tensões que custava a vida num país de samurais sempre em guerra e das discussões religiosas, despede-se deste mundo de tão controversas opiniões, já em Goa, neste dia 4, em 1583.
 A 4-IX-, de 1812, em Inglaterra, John Brande Morris, que se destacará como um conhecedor de línguas do Médio Oriente e um apaixonado pelo Cristianismo literal e asceticamente radical, tendo após alguns anos passado do anglicanismo para o catolicismo, onde exerceu as suas funções discretamente até partir desta terra em 1880. Além de  traduções de S. Efrém e de S. João Crisóstemo escreveu uma obra que espelha a sua audácia evangélica: Ensaio para a conversão dos Hindus cultos e filosóficos, em 1843, e que foi premiada pelo Arcebispo de Calcutá, e traduzida até em francês, surgindo em 1849, no tomo XVIII, das Demonstrations Evangeliques. A obra (online no original) demonstra contudo um razoável conhecimento da religião e filosofia indiana, o que não deve ser alheio ao notável sanscritólogo Horace Hayman Wilson (1786-1860), a quem Brande Norris agradece inicialmente, patenteando ainda uma boa capacidade de diálogo maiêutico, estabelecido entre os dois interlocutores, um cristão e um hindu, no qual tenta demonstrar que os Vedas tem uma origem humana, ou então provêm de alguma revelação angélica e que tudo tem de passar pelos sentidos. Crê contudo que tudo o que Moisés disse é infalivelmente verdadeiro, e que houve uma tradição primordial que depois de Noé ficou bastante fendida, embora tanto a tradição grega, pitagórica e platónica como a indiana a reflictam em bastantes aspectos, tentando prová-lo com semelhanças entre a lei mosaica e as leis de Manu, e com várias citações dos primeiros padres da Igreja gregos e latinos. Termina apelando a que, além do incenso material, a Índia possa oferecer o espiritual, e que deixe de adorar o homem mas só o verdadeiro Deus. Este último reparo tem sempre actualidade, já que o culto dos gurus ou pujaris na Índia dos nossos dias é frequentemente exagerado, como podemos comprovar em tantos pequenos vídeos que circulam nas redes sociais.

5-IX. Baptismo de três príncipes mogóis, órfãos, entregues pelo imperador Jahanguir aos missionários jesuítas, em 1610, em Agra, Índia, com grandes cerimónias. O capitão-de-mar inglês Hakwins (1º embaixador de Inglaterra enviado à Índia entre 1609 e 1611, antes de Thomas Roe), apesar de inimigo dos jesuítas, pois era anglicano, resolve participar «para honrar a nação inglesa» levando a cavalo a bandeira de S. Jorge. Em vão esperarão contudo os jesuítas que o imperador Jahangir, filho do universalista Akbar e da princesa indiana rajput cognominada de Mariam-uz-Zamani, de grande beleza, sabedoria e compaixão (na imagem a dar à luz Jahangir) passasse da tolerância e abertura parcial ao cristianismo a uma conversão plena.
                                             


Chega na nau Capitânia à Índia, neste dia 5 em 1673, depois duma viagem áspera na qual muitos dos vinte e sete missionários jesuítas pereceram, o jovem missionário lisboeta, filho de um nobre importante, o 20º governador da capitania do Rio de Janeiro,  e que se tornará, após uma vida abnegada e dura, São João de Brito. Em Goa, João de Brito prossegue o seu noviciado, conclui o exame final de Teologia, adopta o regime vegetariano típico dos brâmanes e yogis e parte corajoso e entusiasta em 1674. para os trabalhos dos missionários na Missão de Madurai. De Setembro de 1688 a Abril de 1690 esteve em Portugal, mas não o conseguiram reter no seu imenso amor à Índia, aos Indianos e certamente à Religião e à Divindade, regressando para receber a palma do martírio em 1693, certamente um dos santos portugueses que realmente mais o foram...
                           
Nasce neste dia 5-IX-1888 o pensador, filósofo e professor Sarveppali Radhakrishnam, que deixará vasta obra de comparativismo religioso e filosófico valorizador da tradição espiritual indiana, tendo-se dado com alguns mestres, nomeadamente o gurudeo Ranade, tal como ficou gravado num filme dos anos 50, agora online. Afirmará ainda antes de ser Presidente da República da Índia, de 1962 a 1967: «Nem o Leste nem o Oeste político receberam a missão de fazer a educação da humanidade. Nós os pensadores, que estamos acima dessa embrulhada, temos o dever, quando todas as pontes estão cortadas, de servir de pontes não só entre o Leste e o Oeste, mas entre as verdades parciais e complementares que cobrem as filosofias opostas... O real é a essência da alma. O objectivo do ser humano é a união com esta realidade, o que será obra não só da razão, mas de toda a personalidade. Devemos abraçar o real não só pelo pensamento, mas de todo o nosso ser. Não se trata de ter ideias, mas de transformar o seu eu e de renovar o seu ser. Pela contemplação, transformamos o homem todo inteiro e assimilamo-lo à natureza do objecto», ou ser espiritual.
                            
Madre Teresa de Calcutá, ao fim duma vida dedicada a servir os
mais fracos e desprotegidos com resultados valiosos, neste dia em 1997, deixa a vestimenta azul e branca das Missionárias da Caridade que cobria o seu pequeno mas valoroso corpo e parte para os outros mundos como alma luminosa e brevemente santificável pela heroicidade com que manifestou as virtudes cristãs perante situações tão adversas e lastimáveis. A grande Índia soube prestar-lhe um funeral de Estado, dando mais uma vez mostras do seu ecumenismo milenário e do seu culto dos mahatmas, as grandes almas, neste caso em amor, compaixão e serviço, e embora não tanto em realização mística mesmo assim confessou-me, quando estive com ela em Calcuta em 1995, que se não fosse a hora de meditação-contemplação matinal praticada não teria forças para aguentar o dia inteiro.

6-IX. Chegam ao porto de S. Lucar na Espanha, ao fim de três anos da árdua 1ª viagem de circum-navegação, em 1522, Sebastian del Cano e 18 tripulantes no navio Vitória, entre os quais está o marinheiro português Francisco Rodrigues e o cosmógrafo humanista italiano António Pigafetta, este o que desenha e descreve a viagem. Pelo caminho desta odisseia tremenda ficaram dezenas de homens, como os destemidos cientistas e sábios capitães Fernão de Magalhães ("conhecia o mar como as suas mãos") e Duarte Pacheco e o contramestre Leone Pancaldo.
                                           
Nasce em 1618, Sant Prannath, em Jamnagar, no Gujarate, Índia. Sendo discípulo de Devchandra Ji Mahraj, o fundador da Pranami ou Nijanand Sampradaya, foi enviado para a Pérsia e países islâmicos, onde conviveu durante cinco anos com muitos mestres e teólogos, compreendendo os pontos de afinidade ou mesmo unidade entre Hinduísmo e Islão. Tornou-se o 2º guru da fraternidade Nijanand, ou Prannath, em 1655 quando o seu mestre o apontou como o seu sucessor. Estudou e praticou a espiritualidade que une as diferentes confissões e crenças e dotado de grande aura espiritual iluminou muitos seres no caminho, nomeadamente na costa ocidental da Índia, tendo contactos com os portugueses e os cristãos em Diu. Em 1668 esteve de novo por quatro anos nas terras e povos do Golfo Pérsico e depois estabilizou com algumas centenas de discípulos na zona de Surate. Perante a política cada vez mais opressiva do fanático imperador Aurangzeb, resolveu transmitir-lhe a mensagem do amor e da unidade das religiões e após 16 meses em Delhi não conseguiu mais que ele se admirasse por haver hindus com tantos conhecimentos do Islão, mas não o recebendo pessoalmente. Não deixou porém até ao fim da sua vida de opor-se ao extremismo e fundamentalismo de Aurangzeb, juntando-se a regentes indianos que lutavam contra ele. Podemos considerá-lo, com Dara Shikoh, um dos pioneiros da Unidade das Religiões através de estudos comparativos linguísticos, filosóficos e místicos ou iniciáticos. As suas obras, tais como Raas e Prakash estão cheias de Bhakti e de Mumuksha, isto é, de amor a Deus e aspiração de iluminação e libertação. Quando se reuniam em Pana os membros do grupo que liderava, também denominado Pranami, não tinham rituais nem diferenças de castas e religiões, liam-se textos do Corão e do Bhagavata Purana e meditavam na Divindade Suprema e no Amor Divino que nos faz ultrapassar as diferenças e separatismos. Algo incompreendido pelo comum islâmico ou hindu, teve a coragem de afirmar sempre a Divindade una e como chegara o tempo de tal Unidade destacar-se da pluralidade religiosa. Mais pioneira corajosa e forte a sua afirmação, bem digna da nossa meditação assimilativa, que o satguru, o verdadeiro mestre, era quem abraçava todas as religiões. Todavia privilegiavam Krishna ou mesmo Adi ou o primordial Narayana, Adinarayana, do qual podemos ouvir uma utilização mântrica actual valiosa em https://www.youtube.com/watch?v=aYZWvbqaq3k . Via o caminho devoto, piedoso ou espiritual tendo como base o amarem-se todos os seres e considerar-se a Divindade como a protectora comum deles. O livro sagrado, emanado dos lábios de Shri Prannathji e recolhido pelos seus discípulos,  intitula-se Kuljam Swaroop, e além de valorizar muito o Amor de Deus e o Amor a Deus, descreve o mundo divino e o que nele há de Lila, jogo de Amor, de Deus com os seus devotos.
  Rui Freire de Andrade, que fora governador de Damão e Chaul, general do mar de Ormuz, costa da Pérsia e da Arábia, vencedor de muitas batalhas, tanto em terra com em mar, «homem capacíssimo por valor, por destreza», ainda que por vezes rigoroso em excesso, um dos defeitos de grandes lutadores e governadores de então, morre em Goa neste dia em 1636. Na época, ele, Nuno Álvares Botelho e António Teles de Meneses distinguiram-se como capitães da armada ao superarem a superioridade numérica dos holandeses e ingleses pela sua perícia, coragem e dedicação. O seu estoicismo era inteiro, como nos conta o historiador da Ásia Portuguesa Manuel Faria e Sousa: numa luta «mandando dar Santiago em copiosos inimigos, respondeu o capitão Vilano que não tinha gente. Passado adiante, voltou a ordenar que dessem Santiago e nessa ocasião lhe penetrou uma bala pela barriga», mas dizia «não é nada, estou são».
                                                
Nasce Helmuth von Glasenapp neste dia em 1891 em Berlim. Orientalista com vastíssima obra publicada até 1963, quando desencarna, foi professor de Civilização Indiana e História Comparada das Religiões em quatro universidades, aprofundando sobretudo o Hinduísmo, o Jainismo e o Budismo, dirá: «A educação é necessária para fazer duma criança submetida a impulsões variadas e contraditórias, um adulto obedecendo às leis de moral... Mas tal faz-se num desenvolvimento progressivo, ao longo de toda a vida, para ela se realizar plena e verdadeiramente. De igual modo a realização espiritual faz-se por graus de disciplina e concentração interior até que a harmonia da alma com o divino se estabeleça».

7-IX. Narra na sua Quarta das Décadas da Ásia o historiador João de Barros que no ano de 1524 havia uma conjunção de todos os planetas na casa de Peixes o que, segundo muitos astrólogos da Europa, prognosticava dilúvio geral ou de muita parte da terra. Sucedendo então neste dia 7 um maremoto na terceira viagem de Vasco da Gama, o almirante vendo os marinheiros atemorizados, berrou: «Amigos, prazer e alegria, o mar treme de nós, não hajais medo, que isto é tremor de terra». Alguns, receavam já não encontrar costa onde desembarcar, mas a voz da Razão, calma e amorosa, do notável comandante Vasco da Gama prevaleceu. Fernando Pessoa na sua Mensagem, poema ritual celebrador e invocador das grandes almas de Portugal, ergueu-o como mítico Argonauta numa ascensão impressionante. Mais recentemente Dalila Pereira da Costa, em 1990, dedicou a aventura e iniciação de Vasco da Gama e seus companheiros um valioso livro, que temos comentado no blogue, As Raízes arcaicas da epopeia portuguesa e camoniana, onde destaca as pré-helénicas, as celtas, as iranianas e Vicena, e as do Fiéis do Amor e Dante.
Na margem do rio Ypiranga D. Pedro (como retrata o quadro de Pedro Américo, já de 1888) lança o brado da Independência do Brasil em 1822. Nascera o milagre duma nova nação, verdadeira síntese de terras, povos, almas e civilizações tão diferentes mas irmanadas daí em diante numa fusão notável, riquíssima de potenciais, muitas já realizadas mas ainda com assimetrias de níveis de vida e rendimentos exageradas. É o Dia da Independência do Brasil.
                                    

                                           
Nasce em Dhamrai, Bengala oriental, hoje Bangla Desh, neste dia 7-IX-1887, Gopinath Kaviraj, um dos melhores intérpretes da sabedoria indiana, nomeadamente shivaísta e advaitica, e que a realizará profundamente. Professor de Filosofia, considera-a apenas como «um degrau para a mais elevada fonte de verdadeiro conhecimento que é a revelação, pois o intelecto só pode remover dúvidas e perversões a fim de tornar a mente pronta a receber a Verdade», que é Uma e está para além de todas as formulações, sendo este mundo relativo o campo de acção do Absoluto. O seu mestre impulsionador no caminho foi um famoso yogui, Vishuddhananda Paramahansa (1853-1937), conhecido pelos poderes psíquicos que possuía e que teve o seu ashram num Tibete então maravilhosamente livre para a circulação dos yoguis das diferentes tradições; depois esteve em Benares ou Varanasi, como Paramahamsa Yoganananda narra na sua sempre recomendada Autobiografia de um Yogi. Na sua vida Gopinath Kaviraj foi sobretudo um scholar, um investigador e, apenas secundariamente,  bibliotecário, reitor, professor. E como cedo se aposentou do funcionalismo do Estado tornou-se um yogui profundo e deixou uma vasta obra publicada onde perpassa tanto o seu grande saber de sânscrito e de filosofia indiana como o amor devocional, bhakti prema. Para ele a Cultura era a Philosophia Perenis, uma Tradição espiritual ininterrupta embora dividida em sectores ou subcampos. Outro investigador e yogui muito semelhante na grande qualidade a ele foi gurudev Ranade (18-I-1842 a 16-I-1901).

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Nicholai Roerich, on Goethe. Texto em russo, português, inglês e francês. Traduções pelo Quillbot, a portuguesa melhorada.

      Partilhamos alguns pensamentos de Toltoi e de Nicholai Roerich, sobre uma grande alma, Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), nascida numa era grande da Europa e da Alemanha, tão ao contrária da actual, decadente ignorante e facciosa.  Grandes elogios são tributados ao poeta, ao cientista, ao orientalista, ao sentimental e apaixonado, ao iniciado, ao portador do fogo universal, o Agni, no cálice do seu coração, na alma tão abrangente. Tanto Tolstoi, como Nicholai Roerich, dois outros génios, captaram bem aspectos essenciais e perenes. Recolhido de Oksana Titova, no Vk.com, no dia do seu aniversário, 28 de Agosto, 1749.  Meditemos nos valiosos ensinamentos e avancemos corajosamente rumo à Luz, à Verdade, ao Amor, à multipolaridade, à Divindade.

     Мы делимся некоторыми мыслями Толстого и Николая Рериха о великой душе, Иоганне Вольфганге Гёте (1749-1832), родившемся в великую эпоху Европы и Германии, столь контрастирующую с нынешним, декадентским, невежественным и фракционным периодом.Великие похвалы воздаются поэту, ученому, востоковеду, сентиментальному и страстному, посвященному, носителю универсального огня, Агни, в чаше его сердца, в такой обширной душе. Как Толстой, так и Николай Рерих, два гения, хорошо уловили важные и вечные аспекты.Собрано от Оксаны Титовой, на Vk.com, в день её рождения, 28 августа 1749 года.  Помедитируем над ценными учениями и смело продвигайтесь к Свету, Истине, Любви, многополярности, Божественности.

We share some thoughts from Tolstoy and Nicholai Roerich about a great soul, Wolfgang Goethe (1749-1832) , born in a great era of Europe and Germany, so contrary to the current, decadent, ignorant, and factional period.   Great praises are bestowed upon the poet, the scientist, the orientalist, the sentimental and passionate one, the initiate, the bearer of the universal fire, the Agni, in the chalice of his heart, in the all-encompassing soul. Both Tolstoy and Nicholai Roerich, two geniuses, captured essential and timeless aspects of Goethe. Collected from Oksana Titova, on Vk.com, on Goethe's birthday, August 28. Let us meditate on the valuable teachings and advance courageously towards, or in, Light, Truth, Love, multipolarity, and Divinity.

Nous partageons quelques réflexions de Tolstoï et de Nicolas Roerich sur une grande âme, Johann Wolfgang Goethe (1749-1832), née à une grande époque de l'Europe et de l'Allemagne, si contraire à la période actuelle, décadente, ignorante et factionnelle. De grands éloges sont décernés au poète, au scientifique, à l'orientaliste, au sentimental et passionné, à l'initié, au porteur du feu universel, à l'Agni, dans le calice de son cœur, dans l'âme englobante. Tant Tolstoï que Nicolas Roerich, deux génies, ont saisi des aspects essentiels et intemporels de Goethe.  Repris d'Oksana Titova, sur Vk.com, le jour de son anniversaire, le 28 août, 1749. Méditons sur les précieux enseignements et avançons courageusement vers et dans la Lumière, la Vérité, l'Amour, la multipolarité, la Divinité.

                                          Н.К. Рерих. ГЕТЕ


“Was nicht das Auge sonnenhaft,
Die Sonne kannt' es nie erblicken”.

“Нe будь глаз солнцеподобным,
Никогда он не увидел бы солнце”.

“Alles konne man verlieren
Wenn man bleibe was man ist”.

“Не беда всего лишиться,
Только б вечно быть собой”.

Солнцеподобность, мощь личности, эти знамена значения Гете сказаны им самим. Опять вовремя смятенному человечеству напоминается непобедимо прекрасный облик, в котором выражена вся сущность времени. Не нужно никаких прилагательных к выражению “время Гете”, или вернее “Эпоха Гете”. Имя Гете стало почетным гербом не только творчества, цельности мысли, глубины познавания, мужества сознания, благородства чувства, — это имя действительно собрало в себе целую эпоху, полную сильнейших выражений духа. Стиль Гете не есть только стиль писателя — не только стиль сильного государства, но есть стиль эпохи. Ни волны моды, ни переоценки, ни новые достижения, ничто не касается гигантов, создателей, выразителей эпохи, как Гомер, Шекспир, Данте, Сервантес, Гете... Нельзя сказать, чтобы они были как вершины одинокие, ибо в них собрался дух времени! Они сделались сверхличностью, ибо олицетворили самое благородное нахождение эпохи. Гр. А. Толстой, проникновенно обращаясь к художнику, говорит, вспоминая образы Гомера, Фидия, Бетховена, Гете:

“Нет, то не Гете великого Фауста создал,
Который в древнегерманской одежде,
Но в правде великой вселенской
С образом сходен предвечным от слова до слова.
Или Бетховен, когда создавал он свой Марш
похоронный,
Брал из себя этот ряд раздирающих душу аккордов?
Нет, эти звуки рыдали всегда в беспредельном
пространстве.
Он же глухой для земли неземные подслушал рыданья.
Будь слеп, как Гомер, и глух, как Бетховен,
Слух же духовный сильней напрягай и духовное зренье.
И как над пламенем грамоты тайной неясные строки
вдруг выступают,
Так выступят вдруг пред тобою картины.
Станут все ярче цвета, осязательней краски.
Стройные слов сочетанья в ясном сплетутся значеньи.
Ты ж в этот миг и смотри и внимай, притаивши дыханье.
И созидая потом, мимолетное помни виденье”.

Такими словами писатель хотел показать всю неземную, нечеловеческую сущность творений Гете. Многих тайных грамот великие строки открылись глазу Гете. Говорят о принадлежности Гете к тайным философским обществам. Не в том дело. Мало ли членов и всяких дигнитариев во всех обществах. Пламя духа, огонь сердца, великий Агни не рассудком, но чувствознанием ввел Гете в тайники вершин. Синтез никакими обществами не дается. Но знаменательно видеть, как Гете, как истинный Посол Истины, не уклонялся от жизни, но находил улыбку ко всем ее цветам. Ограничение не к лицу всевместившему духу.
Мышление Гете, по справедливости, можно назвать пространственным. В нем утверждалась личность, но было освобождение от эгоизма. Агни-Йога! Такое сочетание для малых сознаний даже невообразимо, но оно является верным мерилом потенциала личности. Знал ли Гете учения Востока? Вероятно знал, ибо романтизм не живет без Востока. Не дошло до нас, насколько Гете изучал сокровища Востока. Он не настаивал на них, но ясно, что он знал их; может быть, присущая ему всеобъемлемость открывала легко и эти знаменательные врата.
Говорят: Гете — Посвященный! Еще бы не посвященный, если в пламенных формулах мог прикасаться к самым священным камням, не обжигая руки.
Еще бы не посвященный в законы основ, если без страха проходил все ущелья, полные отсталыми и заблудшими путниками. Еще бы не посвященный, если не искателем, но носителем сокровища миров дальних прошел он свой путь.
У тайновидца Гофмана именно тайный советник архивариус оказывается духом огня.
Поистине Гете был действительным Тайным Советником, только не королевским, а общечеловеческим. Носил он этот чин с легкостью гиганта, который улыбается осколку утеса, упавшему на грудь его. Эта легкость несения нерасплесканной чаши жизни поражает в прохождении крупнейших личностей. То, что иному стоило бы многих морщин, искривлений и вздохов, — для великана просто еще одна неизбежность, которую он встречает весело, чтобы спешить дальше. Сам Гете признается: “Мое стремление вперед так неудержимо, что редко могу позволить себе перевести дух и оглянуться назад”. В этом мощном несении чаши вспоминаются легенды о Христофоре через поток жизни. Как-то особенно солнечно нужно праздновать память Гете.
Как и многие другие, сшитые не по мерке стандарта, Гете для одних остается чуть ли не испытанным сановником, и для других неисправимым революционером. Для одних — устой, для других — потрясатель. Потрясающе само количество комментариев, толкований на Гете. Все разнообразие приписанного и потребованного от Гете дает размеры его творчества.
Конечно, такой ум не мог быть однообразен.
Гете кульминировал время Шиллера, Гердера, Бюргера, Винкельмана, Канта, Лессинга. Великое время и Франкфурт-на-Майне, хорошее место! Лейпциг, Страсбург, Вецлар, Веймар — все насыщено знаменательными встречами. Литература, искусство, наука, законоведение, государственные труды — весь комплекс жизни — лишь углубляют сознание Гете, нисколько не отягощая его могучих, творящих плеч. Всему есть время, всему есть улыбка.
Годы Италии. Дружба с таким же великим духом, с Шиллером: в противоположениях и взаимодополнениях куется неразрывная связь. Наконец, восьмидесятилетняя рука Гете кончает последние строфы Фауста как синтез жизни. Так считает сам Гете, говоря Эккерману, что он понимает остаток жизни как дар. И на следующий год Гете спешит в мир дальний.
Мировой дух “Weltgeist” Гете и, конечно, мировое единство есть его основа. Творчество и критика проявляются в творениях Гете в своеобразном сочетании “решить жить во всеобъемлемости, во Благе, в Прекрасном”.
Гете повлиял даже на Скотта в его “Айвенго”. “Коринфская невеста”, “Лесной царь”, “Бог и Баядера”, “Тассо”, “Эгмонт”, “Ифигения” вдохновили лучшие умы к переводам, переложениям и выражениям в музыке.
А “Мастер Вильгельм” незабываем как образ Культуры, Строения (Bildung) и многим дал жизненный урок.
Свободный от дидактики и сухой морали, давал Гете учения жизни во вдохновенных образах трогательного романтизма, собрав их в символе “Страданий молодого Вертера”.
“Weltanschauung” — миросозерцание Гете неповторяемо, ибо основано на его собственном неповторенном ритме насыщенного, неутомимого действия.
Влияние Гете не только глубоко во всех германских странах, но и в англосаксонских, и в славянском мире, и в Америке. “Nur rastlos bethtigt sich der Mann”. Лишь меняя работу нервных центров, подобно Вольтеру, он не знал, что такое отдых. Его “reine Menschlichkeit” не была чужда бессмертия, так же как “ewig Weibliches” всегда парило в чистых сферах восторга красотою. Вековой юбилей Гете должен быть праздником каждого расширенного сознания. Именно солнечным праздником! Гете близок Аполлону. Близок свету античности. Ключ его мажорный. Красивое представление, красивое издание, в прекрасном кожаном переплете, не ломающееся при первом открытии, с заставками и заглавными буквами. Неопошленный народный праздник, на котором увенчивают благородного мейстерзингера. Так представляется годовщина славного, всем близкого Гете. “Лесной царь” и “Коринфская невеста” были темы одних из моих первых эскизов; и, конечно, Фауст ставился в нашем детском театре.
Гете. Вспоминаем своей учебный стол. Школьное издание Гетца и Вертера; вспоминаем все те хорошие, прекрасные мысли, зарождавшиеся от баллад Гете. Ни от одной из них не приходилось отказаться, и никогда не пришлось постесняться имени Гете. Один восторженный школьник недоумевал: отчего Вольфганг, зачем не Лео, ведь львиная поступь у Творца Фауста!
Не спорить о Гете, но должно радоваться о нем, укрепленными лучшими воспоминаниями. Другу наших духовных накоплений надлежит солнечный праздник.
Чем-то очень торжественным, и задушевным, и созвучным хочется сопроводить праздник Гете. В саду жизни он. И распустились лилеи Мадонны; там собираются внимающие. И от Соломоновой прекрасно-мудрой древности, от “Песни Песней” благоухает этот цветник жизни.
“Куда пошел возлюбленный твой, прекраснейшая из женщин? Куда обратился возлюбленный твой? Мы поищем его с тобою. Мой возлюбленный пошел в сад свой, в цветники ароматные, чтобы пасти в саду и собирать лилии”.
1931
                                                                                                                                                                                         
           

         

                                       N.K. Roerich: GOETHE


"Was nicht das Auge sonnenhaft, Die Sonne könnte es nie erblicken."

"Quem não tem um olho solar, nunca verá o sol."
[ou]
"Quem não tem um olho como o sol, nunca perceberá o sol."

"Tudo pode ser perdido se alguém permanecer o que é."
                                                      [ou]
"Não é um problema perder tudo, desde que se permaneça fiel a si mesmo para sempre."

Como o Sol, o poder da personalidade, essas bandeiras de significado foram ditas pelo próprio Goethe. Novamente, a humanidade atirada no tempo, é lembrada da forma invencivelmente bela, na qual toda a essência do tempo é expressa. Não são necessários adjetivos para a expressão "o tempo de Goethe", ou melhor, "a Era de Goethe". O nome de Goethe tornou-se um símbolo honorário não só da criatividade, da integridade do pensamento, da profundidade do conhecimento, da coragem da consciência e da nobreza do sentimento, mas esse nome realmente incorpora toda uma era, repleta das mais fortes expressões do espírito. O estilo de Goethe não é apenas o estilo de um escritor — não é apenas o estilo de um estado forte, mas o estilo de uma era. Nem ondas de moda, nem reavaliações, nem novas conquistas, nada toca os gigantes, os criadores, os que expressam a sua era, como Homero, Shakespeare, Dante, Cervantes, Goethe... 
Não se pode dizer que eram como picos solitários, pois reuniram o espírito da época! Eles tornaram-se uma superpersonalidade, pois incorporaram a essência mais nobre da era. Gr.  Tolstoy, dirigindo-se profundamente ao artista, diz, recordando as imagens de Homero, Fídias, Beethoven, Goethe:
"Não, não foi Goethe quem criou o grande Fausto, 
Que, em trajes germânicos antigos, 
Mas na grande verdade universal 
É semelhante à imagem eterna de palavra em palavra."

Ou Beethoven, quando estava criando sua Marcha Fúnebre
Tirou ele de si mesmo essa série de acordes que rasgam a alma?
Não, esses sons sempre choraram no espaço sem limites.
Ele, surdo à terra, ouviu os soluços celestiais.

Seja cego como Homero, e surdo como Beethoven,
 Fortaleça porém a sua audição espiritual e a sua visão espiritual.
E, tal como sobre a chama do conhecimento secreto, linhas indistintas surgem de repente,
Assim, de repente, as pinturas aparecerão diante de si.
As cores tornar-se-ão mais brilhantes, as tintas mais tangíveis.
As combinações harmoniosas de palavras tecerão significados claramente.
Nesse momento, você observa e ouve, prendendo a respiração.
E então, ao criar, lembre-se da visão efémera.»

Com essas palavras, o escritor [Tolstoi] queria mostrar toda a essência sobrenatural e sobrehumana das criações de Goethe. Muitos textos secretos revelaram as suas grandes linhas [ou menagens] ao olhos de Goethe. Fala-se da afiliação de Goethe a sociedades filosóficas secretas [iniciado na Maçonaria]. Esse não é o ponto. Há muitos membros e vários dignitários em todas as sociedades. A chama do espírito, o fogo do coração, o grande Agni não levou Goethe aos recantos dos picos através da razão, mas através do sentimento. A síntese não é dada por nenhuma sociedade ou grupo. Mas é notável ver como Goethe, como um verdadeiro Embaixador da Verdade, não se esquivou da vida, mas encontrou um sorriso para todas as suas cores. A limitação não se adequa ao espírito abrangente.
O pensamento de Goethe, justamente, pode ser chamado de espacial. Nele, a personalidade foi afirmada, mas houve libertação do egoísmo. Agni Yoga! [O Yoga do Fogo, recebido, vivido e transmitido em livros por Nicholai e Helena Roerich.] Tal combinação é até inimaginável para mentes pequenas, mas é uma verdadeira medida do potencial de uma pessoa. Goethe conhecia os ensinamentos do Oriente? Provavelmente sim, porque o Romantismo não existe sem o Oriente. Não sabemos quanto Goethe estudou os tesouros do Oriente. [Hoje sabe-se bastante mais, pois leu e foi bem influenciado pelos persas, nomeadamente Saadi, Hafiz, Firdouzi.] Ele não insistiu neles, mas é claro que os conhecia; talvez a sua compreensão inerente tenha facilmente aberto esses portões significativos também.
Dizem: Goethe é um Iniciado! Como ele não poderia ser iniciado, se em fórmulas flamejantes ele podia tocar as pedras mais sagradas sem queimar as mãos?
Como ele não poderia ser iniciado nas leis das fundações, se ele passou por todos os desfiladeiros, cheios de viajantes atrasados e perdidos, sem medo? Como ele não poderia ser um iniciado, se não um buscador, mas um portador do tesouro de mundos distantes, que percorreu o seu caminho.
Na obra do vidente Hoffmann, é precisamente o conselheiro secreto arquivista que se revela ser o espírito do fogo.
Na verdade, Goethe era um verdadeiro Conselheiro Privado, não um real, mas um universal. Ele carregava esse título com a facilidade de um gigante que sorri para um fragmento de rocha que caiu em seu peito. Essa facilidade de carregar o cálice da vida não derramado é marcante na passagem das maiores personalidades. O que custaria a muitos outros muitas rugas, distorções e suspiros, é para o gigante apenas mais uma inevitabilidade que ele encontra ou enfrenta alegremente para apressar-se. Goethe mesmo admite: "O meu impulso para frente é tão implacável [ou poderoso] que raramente me permito parar para respirar e olhar para trás." Neste poderoso transporte do cálice, as lendas de Cristóvão são recordadas através do fluxo da vida. De alguma forma, precisamos celebrar a memória de Goethe de uma maneira particularmente ensolarada.
Como muitos outros, não ajustados à medida padrão, Goethe permanece para alguns quase como um ceifador de flores e colector de lírios.»
Nicholai Roerich. 1931.


                                      N.K. Roerich: GOETHE


"Was nicht das Auge sonnenhaft, Die Sonne könnte es nie erblicken."

"Who doesn' be a sun-like eye, It would never see the sun."

"Everything can be lost If one remains what one is."

"Not a problem to lose everything, As long as one remains oneself forever."

Sun-like, the power of personality, these banners of meaning were spoken by Goethe himself. Again, the time-tossed humanity is reminded of the invincibly beautiful form in which the entire essence of time is expressed. No adjectives are needed for the expression "the time of Goethe," or rather "the Goethe Era." The name Goethe has become an honorary emblem not only of creativity, the integrity of thought, the depth of knowledge, the courage of consciousness, and the nobility of feeling, but this name truly embodies an entire era, full of the strongest expressions of the spirit. The style of Goethe is not just the style of a writer — not just the style of a strong state, but the style of an era. Neither waves of fashion, nor reevaluations, nor new achievements, nothing touches the giants, the creators, the expressers of the era, like Homer, Shakespeare, Dante, Cervantes, Goethe... One cannot say that they were like solitary peaks, for they gathered the spirit of the time! They became a superpersonality, for they embodied the noblest essence of the era. Gr. A. Tolstoy, deeply addressing the artist, says, recalling the images of Homer, Phidias, Beethoven, Goethe:

"No, it was not Goethe who created the great Faust, Who, in ancient German attire, But in the great universal truth Is akin to the eternal image from word to word."
Or Beethoven, when he was creating his Funeral March, Did he draw from himself this series of soul-rending chords?
No, these sounds have always wept in the boundless space.
He, deaf to the earth, overheard the celestial sobs.
Be blind like Homer, and deaf like Beethoven,
But strengthen your spiritual hearing and your spiritual sight.
And like over the flame of secret knowledge, unclear lines suddenly emerge,
So suddenly the paintings will appear before you.
The colors will become brighter, the paints more tangible.
The harmonious combinations of words will weave meanings clearly.
In that moment, you watch and listen, holding your breath.
And then, while creating, remember the fleeting vision.

With these words, the writer wanted to show the entire otherworldly, inhuman essence of Goethe's creations. Many secret writings revealed their great lines to Goethe's eye. They talk about Goethe's affiliation with secret philosophical societies. That's not the point. There are plenty of members and various dignitaries in all societies. The flame of the spirit, the fire of the heart, the great Agni did not lead Goethe into the recesses of the peaks through reason, but through feeling. Synthesis is not given by any societies. But it is remarkable to see how Goethe, as a true Ambassador of Truth, did not shy away from life, but found a smile for all its colors. Limitation does not suit the all-encompassing spirit.
Goethe's thinking, justly, can be called spatial. In it, the personality was affirmed, but there was liberation from egoism. Agni Yoga! Such a combination is even unimaginable for small minds, but it is a true measure of a person's potential. Did Goethe know the teachings of the East? He probably did, because Romanticism does not exist without the East. It has not reached us how much Goethe studied the treasures of the East. He did not insist on them, but it is clear that he knew them; perhaps his inherent comprehensiveness easily opened these significant gates as well.
They say: Goethe is an Initiate! How could he not be initiated, if in fiery formulas he could touch the most sacred stones without burning his hands?
How could he not be initiated into the laws of the foundations, if he passed through all the gorges, full of lagging and lost travelers, without fear? How could he not be an initiate, if not a seeker, but a bearer of the treasure of distant worlds, he has walked his path.
In the seer Hoffmann's work, it is precisely the secret advisor archivist who turns out to be the spirit of fire.
Truly, Goethe was a genuine Privy Councilor, not a royal one, but a universal one. He bore this title with the ease of a giant who smiles at a shard of rock that has fallen on his chest. This ease of carrying the unspilled cup of life is striking in the passage of the greatest personalities. What would cost another many wrinkles, distortions, and sighs, is for the giant just another inevitability that he meets cheerfully to hurry on. Goethe himself admits: "My drive forward is so unstoppable that I rarely allow myself to catch my breath and look back." In this powerful carrying of the cup, the legends of Christopher are recalled through the stream of life. Somehow, we need to celebrate Goethe's memory in a particularly sunny way.
Like many others, not tailored to the standard measure, Goethe remains for some almost a seasoned dignitary, and for others an incorrigible revolutionary. For some, a bastion, for others, a revolutionary. The sheer number of commentaries and interpretations on Goethe is astonishing. All the diversity attributed to and demanded from Goethe gives dimensions to his work.
Of course, such a mind could not be uniform.
Goethe culminated the era of Schiller, Herder, Bürger, Winkelmann, Kant, Lessing. A great time and Frankfurt am Main, a good place! Leipzig, Strasbourg, Wetzlar, Weimar — all are filled with significant encounters. Literature, art, science, jurisprudence, statecraft — the entire spectrum of life — only deepens the consonances, to graze in the garden and gather lilies.
1931.

                                               

Nicholas Roerich:  GOETHE


« Si l'œil n'était pas semblable au soleil,
Il ne pourrait jamais voir le soleil. »

« Ne sois pas un œil semblable au soleil,
Il n'aurait jamais vu le soleil. »

"On peut tout perdre
Tant qu'on reste ce qu'on est."

"Ce n'est pas grave de tout perdre,
Tant que l'on reste toujours soi-même."

Soleil, puissance de la personnalité, ces bannières de signification sont dites par Goethe lui-même. À nouveau, l'humanité troublée par le temps se voit rappeler l'aspect irrésistiblement beau dans lequel toute l'essence du temps est exprimée. Il n'est pas nécessaire d'ajouter des adjectifs à l'expression "l'époque de Goethe", ou plutôt "l'ère de Goethe". Le nom de Goethe est devenu un emblème honorifique non seulement de la créativité, de l'intégrité de la pensée, de la profondeur de la connaissance, du courage de la conscience, de la noblesse des sentiments, — ce nom a véritablement rassemblé toute une époque, pleine des expressions les plus puissantes de l'esprit. Le style de Goethe n'est pas seulement le style d'un écrivain — pas seulement le style d'un grand État, mais c'est le style d'une époque. Ni les vagues de la mode, ni la réévaluation, ni les nouvelles réalisations, rien ne touche les géants, créateurs, expressifs de l'époque, comme Homère, Shakespeare, Dante, Cervantès, Goethe... On ne peut pas dire qu'ils soient comme des sommets solitaires, car en eux s'est rassemblé l'esprit de l'époque ! Ils sont devenus des super-personnalités, car ils incarnaient la plus noble essence de l'époque. Gr. A. Tolstoï, s'adressant avec émotion à l'artiste, dit en se souvenant des figures d'Homère, Phidias, Beethoven, Goethe :

«Non, ce n'est pas Goethe qui a créé le grand Faust,
Celui qui en vêtement germano-ancien,
Mais dans la grande vérité universelle
Ressemblant à l'image éternelle de mot en mot.
Ou Beethoven, lorsqu'il composait sa Marche funèbre,
Prenait-il de lui-même cette série d'accords déchirants l'âme ?
Non, ces sons pleuraient toujours dans l'espace infini.
Lui, sourd à la terre, a entendu des sanglots célestes.
Sois aveugle comme Homère et sourd comme Beethoven,
Mais renforce ton ouïe spirituelle et ta vision spirituelle.
Et comme au-dessus de la flamme d'un écrit secret, des lignes obscures apparaissent soudainement,
Ainsi, des tableaux surgiront soudain devant toi.
Les couleurs deviendront de plus en plus vives, les teintes plus tangibles.
Les harmonieuses combinaisons de mots tisseront des significations claires.
Tu, en ce moment, regarde et écoute, retenant ton souffle.
Et en créant ensuite, souviens-toi de cette vision fugace.

Avec ces mots, l'écrivain voulait montrer toute l'essence céleste et inhumaine des œuvres de Goethe. De nombreux écrits secrets se sont révélés aux yeux de Goethe. On parle de l'appartenance de Goethe à des sociétés philosophiques secrètes. Ce n'est pas ça le problème. Peu importe le nombre de membres et de dignitaires dans toutes les sociétés. La flamme de l'esprit, le feu du cœur, le grand Agni n'ont pas conduit Goethe aux sommets par la raison, mais par la sensibilité. La synthèse n'est donnée par aucune société. Mais il est significatif de voir comment Goethe, en véritable Ambassadeur de la Vérité, ne fuyait pas la vie, mais trouvait le sourire à toutes ses couleurs. La limitation ne sied pas à l'esprit omniprésent.
La pensée de Goethe peut, à juste titre, être qualifiée de spatiale. En lui, la personnalité était affirmée, mais il y avait une libération de l'égoïsme. Agni-Yoga ! Une telle combinaison est même inconcevable pour les petites consciences, mais elle est un véritable indicateur du potentiel de la personnalité. Savait-il Goethe les enseignements de l'Orient ? Probablement savait-il, car le romantisme ne vit pas sans l'Orient. Nous ne savons pas à quel point Goethe a étudié les trésors de l'Orient. Il ne les insistait pas, mais il est clair qu'il les connaissait ; peut-être que son omniprésence innée ouvrait facilement ces portes emblématiques.
On dit : Goethe est un Initié ! Encore pas initié, s'il pouvait toucher les pierres les plus sacrées avec des formules enflammées sans se brûler les mains.
Encore moins initié aux lois fondamentales, s'il traversait sans crainte tous les ravins, remplis de voyageurs retardés et égarés. Encore moins un initié, s'il n'était pas un chercheur, mais un porteur du trésor des mondes lointains, il aurait parcouru son chemin.
Chez le voyant Hoffmann, c'est justement le conseiller secret archiviste qui se révèle être l'esprit du feu.
En vérité, Goethe était un véritable Conseiller Secret, mais pas royal, plutôt universel. Il portait ce titre avec la légèreté d'un géant qui sourit à un éclat de rocher tombé sur sa poitrine. Cette légèreté à porter la coupe de la vie sans en renverser une goutte impressionne dans le passage des plus grandes personnalités. Ce qui coûterait à certains de nombreuses rides, déformations et soupirs, est pour le géant simplement une autre inévitabilité qu'il rencontre joyeusement pour se hâter plus loin. Goethe lui-même avoue : « Mon élan vers l'avant est si irrésistible que je peux rarement me permettre de reprendre mon souffle et de regarder en arrière. » Dans cette puissante élévation de la coupe, on se souvient des légendes de Christophe à travers le flot de la vie. D'une manière particulièrement ensoleillée, il faut célébrer la mémoire de Goethe.
Comme beaucoup d'autres, qui ne sont pas taillés sur le même standard, Goethe reste pour certains presque un fonctionnaire éprouvé, et pour d'autres un révolutionnaire incorrigible. Pour certains, il est un conservateur, pour d'autres, un révolutionnaire. Étonnant est le nombre même de commentaires et d'interprétations sur Goethe. Toute la diversité des attributions et des exigences envers Goethe donne l'ampleur de son œuvre.
Bien sûr, un tel esprit ne pouvait pas être monotone.
Goethe a culminé l'époque de Schiller, Herder, Bürger, Winckelmann, Kant, Lessing. Une époque grandiose et Francfort-sur-le-Main, un bon endroit ! Leipzig, Strasbourg, Wetzlar, Weimar — tout est riche en rencontres mémorables. Littérature, art, science, droit, travaux gouvernementaux — tout le complexe de la vie — ne fait qu'approfondir les consonances, pour paître dans le jardin et cueillir des lys.»
Nicholas Roerich. 1931.