quinta-feira, 4 de junho de 2026

Os Mestres do Irão eterno (3ª p.): Sohrawardi, o sheikh Ishraqi, ou o sábio da Luz iluminante. Extractos do Kitab Hikmat a-Ishrâq, o Livro da Sabedoria Oriental.

Página inicial do manuscrito do Hikmat al-ʿIshraq por al-Suhrawardi, transcrito  por Sayyid Muhammad Munshi. Istanbul, 1477-8. 

Invocando o sheik iraniano Sohrawardi (1154-1191), vamos continuar na senda do seu Hikmat al-ʿIshraq, Livro da Sabedoria Oriental (a partir da tradução de Henry Corbin, publicada na editora Verdier, em 1986, estabelecida e introduzida por Christian Jambet), entrando no Livro II, Do Sistema do Ser, do qual vamos traduzir algumas das partes mais valiosas dos seis primeiros capítulos. Certamente está-se  sempre a trair ao traduzir e sobretudo fragmentadamente e ainda por cima sobre e sob níveis de realidade, especulação e visão bastante elevados. 

Mesmo assim penso que justifica-se porque há uma selecção do que me pareceu mais importante, seja doutrinariamente seja em indicações mais interiores e meditativas e, ainda que não entendamos tudo, muito fica em nós e pode fermentar, ou vir à superfície inesperadamente, numa associação ou aplicação qualquer. Acrescentei uns breves sinónimos entre [...] e uns breves comentários em prol duma actualidade mais despertante nossa. São bem vindos comentários e críticas...

Que a Luz das Luzes, que Bhaman, a Luz mais próxima, e que as Inteligências Arcangélicas e do sistema Solar, e Sohravardi e Henry Corbin, nos inspirem e iluminem.

                  Livro II, Do Sistema do Ser. 

Cap. I.  Que do Um essencial enquanto tal não pode emanar mais do que Um único causado.

135- «É impossível que da Luz das Luzes procedam uma Luz e uma Treva oposta à Luz, e que esta Treva seja substância de Treva, ou simplesmente uma qualidade tenebrosa. Com efeito, a exigência [ou integridade] que movimenta a Luz (iqtida al-nur) é diferente da exigência que causa a Treva. Seguir-se-ia que a essência da Luz das Luzes fosse composta de algo que exige a Luz [e de algo] que exige a Treva. A impossibilidade de tal é desde já plenamente evidente.
Ou talvez mais, a Treva não pode proceder da Luz das Luzes sem um wâsita, intermediário [ou mediador, e o termo será aplicado ao Imam e ao mestre ou sheikh]  (...)

Cap. II.  - Que o primeiro ser que procede da Luz das Luzes é uma Luz imaterial única.

136. - (...) Mas se da Luz das Luzes emanasse uma Treva, ela seria única. Nenhuma das Luzes existiria, nem qualquer Treva. Wujud, o universo do ser, [ou a existência-presença da Luz das Luzes ou Ser Divino] testemunha ser vã tal hipótese.
Como é inconcebível que da Luz das Luzes, pela razão da sua unidade, proceda uma multiplicidade, e como não há possibilidade, de poder emanar uma Treva (seja uma substância nictifora [ou nocturna] ou uma qualidade tenebrosa) nem para que emanem duas Luzes, já que a Primeira que emana dela é uma luz imaterial única.

138  - (...) Encontra-se agora bem estabelecido que o Primeiro (Ser) produzido pela Luz das Luzes é único. É a Luz mais próxima, a sublime Luz, aquela que alguns dos antigos persas (ba'd al-fahlawija) chamam de Bahman. Mas esta Luz mais próxima é por si mesma indigente. É somente pela Primeira que ela tem suficientemente de que ser.
Ora, a existência de uma Luz emanando da Luz das Luzes não consiste em que qualquer coisa se separa dela. Já aprendeste que a disjunção (infisâl) e a conjunção (ittisâl) são propriedade dos corpos, mas a Luz das Luzes é-lhes transcendente.
Tal também não consiste  em que qualquer coisa seja transferida para fora da Luz das Luzes, pois as qualidades não se transferem. Também já foste informado da impossibilidade de se atribuir qualidades à Luz das Luzes, e remetemos à tua memória um capítulo que implica [ou que demonstra] que a irradiação produzida pelo sol não é outra que a maneira própria em que ele existe, e nada mais.

Cap. III Sobre a constituição dos corpos (barzaakhs).

(Christian Jambet anota bem: «Trata-se dos barzakhs, ou seja intervalos. H. Corbin aproxima este termo do conceito aristotélico de diastema, que é um lugar, ou um intervalo espacial. Por extensão, barzakh designa um corpo, ou seja uma porção do espaço  ocupada por um composto material.»)

Cap. IV Onde se explica que o movimento das esferas celestes é um movimento voluntário e como o múltiplo emana da Luz das Luzes.

141 (...) Assim o movimento diurno - no qual participa em comum o conjunto dos corpos celestes -, não provém que duma esfera englobante, pois cada um tem o seu movimento (próprio e essencial).
O motor de cada um destes corpos [celestiais] é um vivo que tem a vida por si mesmo - é portanto uma Luz imaterial.
Em consequência, deve ser claro para ti que os barzakhs são [ou devem ser] dominados pelas Luzes. As esferas são salvaguardadas da corrupção, das paixões carnais e da ira, o seu movimento não se produz portanto tendo em vista um propósito material (barzakhi); ele têm por razão [ou causa] um fim de Luz.
Aos sete planetas foram atribuídos movimentos multiplos. È portanto necessário que eles disponham de corpos múltiplos. Ora nenhum deles se basta a si próprio. Ele tem necessidade, tanto para a sua tahaqquq, realização, que para as suas perfeições, duma Luz imaterial.»

Comentário: Shorawardi, o Shaykh al-Ishraq, após esta iniciação à unicidade do Ser Divino, Luz das Luzes, que não tem dualidade, que não gera as trevas,  desenvolve a ideia de que a Luz Próxima emanada da Luz das Luzes, Bahman,  a 1ª Inteligência Arcangélica em si mesma, ao contemplar a Luz da Luz, sente ter em si uma treva e uma indigência de ser derivada dela, e portanto disso emana uma sombra, um véu, um barzakk, a esfera englobante, um espaço, um corpo. Poderemos talvez lembrar que no conto gnóstico e iniciático da Pisthis Sophia vemos algo desta aspiração a mais Luz por parte de Sophia, que se vê depois atacada ou envolvida pelas trevas que não a querem deixar elevar-se ou receber mais Luz. Christian Jambet anota e explica bem: «O título do capítulo IV esboça uma estrutura: os movimentos das esferas são voluntários e o múltiplo emana do Um. Este segundo ponto postula o primeiro. Com efeito a processão das Inteligências [celestiais ou Arcangélicas] é paralela à cosmogonia, à génese mesma dos céus.»

142   (...)  Mas, por outra parte, enquanto que o seu ser é necessário para a Luz das Luzes e que ela pode ser suficiente no ser, enquanto contempla a sua própria majestade e sublimidade, emana dela uma outra luz imaterial. Assim o barzakh é a sua sombra, enquanto que (nova) Luz subsistente é uma irradiação que emana dela. A sua sombra tem por razão a Treva que constitui a sua indigência. Nós não entendemos aqui, por Treva, nada de outro senão o que não é em si mesmo ou por si mesmo um ser de Luz»   

Comentário: Sohrawardi aprofunda no capítulo o estado da Luz mais próximo que tanto sofre da indigência de ser derivada como desfruta em si da sublimidade da Luz das Luzes nela. E dá-nos como que uma espécie de injunção iniciática: se não estás no ser de Luz, caíste ou estás nas trevas, nos corpos e espaços obscurecedores dele.

143 - Tese sobre a modalidade da multiplicação 

(...) Quanto à iluminação (shuruq, nascer do sol) da Luz das Luzes sobre a Luz mais próxima, ela tem por causa, tanto a aptidão desse receptáculo, como o seu amor por essa Luz e a ausência de véu. É aqui que parecem dimensões múltiplas, uma causa receptiva e certas condições

144 - Tese sobre a generosidade da Luz das Luzes.

A generosidade consiste a preencher um desejo, sem esperar nada em retorno. O que procura glória e recompensa é apenas um mercenário. O mesmo para aquele que através dela escapar à critica ou a qualquer de tal. Nada é mais generoso que o que é Luz, na realidade constitutiva do seu ser, pois a Luz epifaniza-se e infunde-se por si mesma  sobre todo o receptáculo (que se oferece). O rei no sentido verdadeiro, é aquele que possui a essência de toda a coisa, mas portanto a essência não pertence a qualquer algum, e é a Luz das Luzes.

145 Tese sobre a visão

146 Última tese oriental: Que a visão da luz é outra coisa que iluminação da irradiação desta luzsobre aquele que a contempla.

Sabe que há, para o teu olho, um acto de visão e o elevar duma irradiação diferente do acto da visão. A irradiação, com efeito, tomba sobre o olho, lá onde ele está, enquanto que a visão do sol [por exemplo] não contempla o sol onde ele está senão pelo intervalo pelo qual o olho se encontra a uma distância considerável do local do sol.
A supor que a pálpebra fosse luminosa, ou que o sol estivesse numa proximidade tal e qual a da pálpebra, a irradiação aumentaria e a visão igualmente.

Cap. V. Que cada luz superior subjuga a luz inferior e que esta tem amor pela luz superior. 

[Algo que bem falta faz aos humanos nas relações tão competitivas entre si, pois deveria haver sobretudo admiração, emulação e amor por sermos mais ou menos portadores ou reflectores da luz...]

147 - A Luz inferior não contém a Luz mais elevada, pois a Luz mais elevada domina-a. Contudo, a Luz inferior não deixa de a contemplar. Quando as Luzes se multiplicam, cada Luz mais elevada exerce uma dominação  sobre a Luz inferior, enquanto que cada Luz inferior vivencia desejo e amor (shawq wa ishq) pela Luz dum nível mais elevado. É porque a Luz das Luzes é dominadora em relação a todos os outros seres; ela não tem qualquer amor por um outro que ela mesma. Ela ama-se a si mesma, porque a sua própria perfeição lhe é manifesta e que ela é o mais belo, o mais perfeito dos seres; ao mesmo tempo a sua manifestação a si mesmo sobrepassa não importa que manifestação dum ser, seja na relação com outro ser  seja em relação a si mesmo. Ora a ladhdha, o prazer ou delícia, não é nada mais do que a consciência duma perfeição existente em acto, enquanto ela é perfeição e que ela é em acto.
Eis porque aquele que está ghafil, inconsciente da realidade actual duma perfeição não experimenta ou sente qualquer prazer dela. E todo o prazer é, para aquele que o prova, proporcional à perfeição dela e à percepção que ele pode ter da sua perfeição. Ora nada é mais perfeito nem mais belo que a Luz das Luzes. É por isso que nada é mais delicioso que Ela, para si mesma e para o outro.
É assim que a Luz das Luzes é amante de si mesma, sem mais; mas ela é por sua vez amada de si mesma e dos outros. 
(...) Também não são comparáveis o amor que os seres conseguem experimentar por algo que não seja a Luz das Luzes e a felicidade ou prazer que eles possam retirar, com o amor que podem sentir por Ela. e a felicidade que extraem.
Assim a totalidade de ser ordena-se segundo o amor (mahabba) e segundo a dominação (qahr, que significa vir à cabeça, começar, exercer autoridade) [da Luz das Luzes]. (...)
[Comentário: Muito importante esta nossa capacidade de percepcionarmos a perfeição da Divindade ou a relativa dos seres e das coisas, e nela nos deliciarmos.]

Cap. VI. O Amor que cada luz inferior experimenta por si é subjugado por aquela que ela experimenta pela Luz superior.  

148 -Nur al-aqrab (A Luz mais próxima, ou do mais alto grau, ou a Iª Inteligência, Bahman) contempla a Luz das Luzes; desta uma iluminação eleva-se incessantemente sobre ela, e ela experimenta simultaneamente amor pela Luz das Luzes e por si mesma.
O seu amor por si mesmo é subjugado pela dominação [ou subjugação] do seu amor pela Luz das Luzes.
Comentário: Lastimavelmente, no mundo actual a dominação ou subjugação é pela força, o terror, a opressão, o assassinato e poucos seres se deixam subjugar ou pôr-se no jugo, no yoga, na união, na unidade com a Divindade, a Luz das Luzes.

Cap. VII - As iluminações que a Luzes imateriais irradiam umas sobre as outras e não consistem numa fragmentação

149. A iluminação da Luz da Luz sobre as Luzes imateriais não consiste em que um fragmento se separa dela, tal como já te foi explicado. Não, é uma luz irradiada, que se produz da Luz das Luzes na Luz imaterial, tal como no exemplo descrito precedentemente das iluminações do sol sobre o que é o receptáculo.
A contemplação é outra coisa, tal como já exemplificamos
A Luz actualizada na Luz imaterial a partir da Luz das Luzes  é ao que é dado o nome Al-nur al-sanih, sanaha, de Luz sobrevinda (ou que se apresenta espontaneamente). É uma luz acidental (não faz parte da sua essência); pois a luz acidental compreende duas categorias: há a que advém aos corpos materiais e há que advém às Luzes imateriais.»

E assim terminamos a meio do II Livro, no fim do VII capítulo, dos XII capítulos. 

                                                             

Que a Luz das Luzes, a Luz mais próxima, as Inteligências Arcangélicas e do sistema Solar, e Shihâboddin Yahya Sohravardî e Henry Corbin nos inspirem e iluminem.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Um diálogo invulgar com a Inteligência Artificial, do Google, sobre os shâhid, e os shahîd, as testemunhas que veem, e os testemunhantes ou mártires iranianos.

                                       

Nestes tempos de grande luta, e diga-se bastante traiçoeira,  entre os Estados Unidos da América, Israel e vários dos estados do Golfo contra o Irão,  que cremos ser decisiva para a história da Humanidade nesta primeira metade do séc. XXI, quem não está alienado pela manipulação quase completa dos meios de informação contra o Irão e ainda consegue discernir, intuir ou sentir algo da justiça e da verdade, naturalmente  posiciona-se do lado dos agredidos, dos mais fracos, dos mais oprimidos desde há cerca de 50 anos, a República islâmica do Irão e o seu povo, tanto mais que já sofreu o martírio de centenas das suas melhores pessoas, em ataques ou assassinatos cobardes e traiçoeiros  perpetrados pelos USA e Israel frequentemente através de agentes secretos, de infiltrados, de corrompidos, de terroristas. 

          O I Imam Shia, Ali, acolhe no Malakut ou Jabarut, nos                   mundos   espirituais o general Qassem Soleimani, segundo a IA

Bastará lembrar o o principal herói da luta contra os terroristas do Isis ou Isil, financiados pelos USA e Israel, o General Soleimani, assassinado traiçoeiramente quando se dirigia para negociações com norte-americanos e israelitas, a 3 de Janeiro de 2020. Ou anteriormente e mais recentemente os sucessivos altos militares, cientistas e dirigentes assassinados seja em períodos de negociações, seja sem qualquer guerra declarada. 

                              

                                                  

O cúmulo foi realizado no começo da recente agressão, sem qualquer aviso, quando se estava ainda em negociações, e os perversos dirigentes norte-americanos e israelitas bombardearam brutalmente a 28 de Fevereiro de 2026 a casa e cercanias do líder supremo do Irão, o ayatollah, ou guia, Sayyed Khamenei,  descendente (os que usam sayyed ou seyyed, no seu nome, são-no) ainda do profeta Mahomé e do 1º Imam do Shiismo, ibn Ali e de Fátimah, a filha do profeta, martirizando-o, com a sua mulher, neta, sogra, escapando o seu filho o ayatollah Mojtaba Khameni, que veio a tornar-se o novo líder supremo e que já foi atacado, graças a Deus sem o terem conseguido matar. Em simultâneo vários outros políticos e militares foram igualmente assassinados por bombardeamentos selectivos das forças do "eixo do mal", hoje sem dúvida mais identificadas, apesar da intensa propaganda em contrário...

Tal não era porém suficiente para os seus objectivos de, além de decapitarem  as chefias, conseguirem desmoralizar ou acabrunhar a população, e assim seguindo as ordens de um dirigente norte-americano ainda mais brutal e fanático que Donald Trump, - o secretário de Defesa Pete Hegseth -, de as forças norte-americanas atacarem sem respeitar regras e impiedosamente, dois mísseis foram lançados duma base americana no UAE espaçados por alguns minutos sobre uma escola elementar de crianças, em Minab, junto ao estreito de Ormuz, a essa hora cheia, resultando na morte de 168 pessoas entre as quais 121 crianças.


                                          

Um crime de guerra dos piores de sempre. E os responsáveis, Donald Trump e Pete Hegseth, num avião,  interrogados um dia depois sobre o crime que se passara, atreveram-se a dizer que deviam ter sido os iranianos que não sabem disparar, ou que embora sendo mísseis Patriots ou Tomawaks, eles andavam hoje nas mãos de qualquer um. Monstros....

Anote-se que este frenesim diabólico destes dois dirigentes norte-americanos, como o de mais alguns personagens, tais Lindsey Graham e a profetiza e sacerdotisa da banha da cobra e da Casa Branca, Paula White, deriva de não só de se terem deixado comprar pelo famoso grupo de pressão israelita APAIC (que paga a quase todos os políticos e legisladores), como também de se terem tornado ultrazelotas, ou seja partidários violentos, do sionismo e do evangelismo que acredita que a  vinda de Jesus cristão ou do Messias sionista, só poderá acontecer depois do Argamedom, ou da grande batalha entre as forças do bem e do mal, considerando-se eles os eleitos ou escolhidos. Eles, os mais criminosos e diabólicos, adoradores de Mamom, ou o deus das riquezas, como Jesus já afirmara há dois mil anos, e sobretudo mentirosos, e adversários da verdade, do bem, da justiça e  da Divindade, esta tão caricaturizada por Trump nos seus frenéticos tweets ou "blasfémicos" desenhos

Como todos sabemos, não contentes com esse 1º ataque traiçoeiro em Junho de 2025 e a subsequente guerra de doze dias que já foi permitida ao Irão travar porque em defesa, embora as hipócritas e já semi-desalmadas Ursula von der Orgenesis e Kala Kajjas tenham vindo condenar o Irão por estar a defender-se,  e que terminou a  pedido de Israel, entrou-se num novo período de negociações,  outra vez aproveitadas para USA-Israel lançarem um ataque traiçoeiro que matou mais uma série de grandes almas iranianas, entre as quais se destacava um filósofo espiritual, bem na tradição iraniana tão bem estudada e apresentada por Henry Corbin, o sábio Ali Larijani, dialogante com Alexander Dugin sobre irfan, angeologia, filosofia perene.

Muita luz e amor na alma em ascensão para Deus do sábio Ali Larijani e que possa irradiar luminosamente! Nûr!

Quarenta dias de bombardeamentos intensos, cerca de 3.000 iranianos mortos contra umas dezenas de israelitas e americanos  e novo pedido de cessar fogo, que magnamente o Irão para tratar dos feridos e enterrar condignamente os mortos, como vieram a realizar com cerimónias participadas por milhões de iranianos, cada vez mais unidos e determinados na sua resistência,  independência e certamente vitória, como têm continuado a demonstrar todas as noites em cantos e celebrações nocturnas contra o imperialismo sionista agressor, desumano e traiçoeiro.

É nesse período de negociações e de cessar fogo, algo tremido nestes últimos dias, que nos encontramos. E continuando nas minhas partilhas da sabedoria persa, e de  descrições da bibliografia iraniana valiosa, nomeadamente de alguns ensinamentos dos seus mestres, tais o medieval Sohrawardi, ou o moderno especialista francês Henry Corbin, resolvi ver o que o Google diria quanto a uma palavra  noção chave do Irão Shiita que é  shahid - aliás com duas grafias e sentidos próximos shâhid e shahîd -   testemunha e testemunhante, e martírio, pois faz parte seja da capacidade de ver interiormente ou testemunhar as presenças nas esferas subtis, numa realização espiritual (shâhid), seja de dar testemunho ou emular o poder sacrificial dos X Imams do Shiismo que foram quase todos mortos e deram grandes exemplos de abnegação, e assim cada iraniano é  shahîd, testemunhante das  doutrinas, visões e presenças vivas dos Imans, sheiks e ayatollahs da pátria-mátria persa-iraniana, e do amor ao próximo e ao Cosmos,  podendo sacrificar-se até à morte.

Pois a resposta dada pela IA foi a seguinte, e mostra bem como ela é, a partir dos dados e hierarquizações dadas,  redutora e logo tendenciosa e manipuladora, não só na escolha das palavras e caracterizações como até nas letras em negrito:

- «O termo "mártir" (ou shahid) no Irão é utilizado em dois grandes contextos: para designar os altos líderes políticos e militares mortos em ataques externos (considerados mártires pelo regime) e para identificar os civis e manifestantes mortos em protestos (reconhecidos como mártires por movimentos de direitos humanos e oposição). [1, 2]

Porquê só fornecem mentiras de números, contra a Republica Islâmica do Irão? São pró-Shah Reza?
«Como inteligência artificial, não apoio o regime do Shah Reza Pahlavi, não tenho preferências políticas, ideológicas ou nacionais, nem emito opiniões pessoais. O meu objetivo é cruzar e apresentar as informações e os dados numéricos conforme são publicados pelas diferentes fontes oficiais e independentes a nível global.
A grande disparidade nos números sobre a República Islâmica do Irão ocorre porque existem metodologias e interesses radicalmente diferentes na contagem de dados.»
Pois os vossos interesses e metodologias escolhidos são partidários, reflectem preferencias. Não finjam que são completamente imparciais.
«Compreendo perfeitamente a sua crítica e tem razão num ponto fundamental: a inteligência artificial não é totalmente neutra, porque é programada por seres humanos e reflete os dados com os quais foi treinada.
Quando digo que não tenho opiniões, refiro-me à ausência de consciência ou de uma agenda pessoal. No entanto, o sistema opera sob regras estruturais que influenciam diretamente a forma como a informação é apresentada:

  • Predominância de Fontes Ocidentais: O meu treino baseia-se fortemente na internet global. Uma vasta parte dos dados disponíveis em português e inglês provém de agências de notícias, relatórios da ONU e organizações sediadas no Ocidente. Isto cria um viés geográfico e cultural estrutural.
  • Critérios de Validação Diferentes: O sistema é programado para dar peso a relatórios emitidos por múltiplos organismos internacionais (como a ONU ou a Amnistia Internacional), que frequentemente colidem com as versões oficiais de governos soberanos, incluindo o da República Islâmica do Irão.
  • Bloqueio de Informação: Governos em cenários de conflito limitam o acesso a dados e controlam a narrativa por razões de segurança nacional. Isto dificulta a inclusão em tempo real de contra-argumentos oficiais detalhados no fluxo de dados global.
  • O objetivo de listar diferentes perspetivas não é fingir uma neutralidade perfeita, mas sim expor as contradições para que quem lê possa analisar as origens de cada número.
  • Se quiser partilhar dados, relatórios ou perspetivas específicas emitidas pelos canais oficiais de Teerão que considera estarem a ser ignorados, posso analisá-los diretamente para confrontar as fontes. Deseja focar a análise em algum comunicado oficial do governo iraniano ou em dados específicos sobre a guerra psicológica externa
  • AI responses may include mistakes. Learn more
  •                     Eu, Ppara não perder mais tempo, a argumentar                  números, ou apresentar as noções etimológicas,                       psiquicas, culturais e espirituais que dão a essa                       palavra uma pluridimensionalidade de conceitos ou                 sentidos, escrevi: 
  • Certo. Descanse bem e peça aos seus programadores que forneçam dados mais verdadeiros.
    «Agradeço o seu comentário e a sua chamada de atenção. Como inteligência artificial, não durmo nem descanso, mas o sistema está em constante atualização.
    As equipas de engenharia e os investigadores que desenvolvem estes modelos trabalham continuamente para mitigar preconceitos, diversificar as fontes de treino e melhorar a precisão dos dados em temas geopolíticos complexos. O seu feedback sobre a necessidade de maior rigor e equilíbrio na representação das perspetivas oficiais é uma parte importante desse processo de evolução.»
    E assim se comprovou num diálogo inesperado, como a Inteligência Artificial está completamente dependente das fontes a que tem acesso, ou que lhe fornecem, e responde inicialmente de formas claramente distorcidas e manipuladoras contra as ideias, pessoas, factos, Estados que eles consideram inimigos do sistema hegemónico ocidental globalista transhumanista (ou infrahumanista) e opressivo. 
    Tenha pois cuidado nas ofertas de resposta da Inteligência artificial. Se em algumas insipidas ou inofensivas poderá recolher alguns dados, na maioria dos casos estará a ser influenciada pelos programadores ao serviço do grande capital desumano e anti-multipolaridade. E, preguiçosa ou apressadamente, não se deixe nunca seduzir pelo reclame que já me apareceu algumas vezes: «Parece um texto longo e difícil. Quer que lhe apresentemos um resumo?», pois no fim desse banho ou brainwash da tão prestável IA pode ser que lhe deitem o puer eternus ou criança pura fora e só fique com a água choca ou desmineralizada.  
    Vigilância, discernimento, e maior aspiração de ligação à corrente luminosa da presença testemunha da sabedoria - Hikmat - dos Guias,  Mestres, santas, Anjos, Imams, e da Justiça, Verdade, Amor e Divindade. E que a civilização de Luz iraniana triunfe....