quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Mesa redonda na Quinta Regaleira sobre O Esoterismo em Fernando Pessoa. Notas e reflexões no diário de 20 de Julho de 1996.

                                                                   

Dia 20 de Julho 1996, «tarde foi a mesa redonda na [Quinta da]  Regaleira [e creio que o tema seria O Esoterismo em Fernando Pessoa, organizado pelo arquitecto João Cruz Alves], em que participei com José Anes, José Medeiros, Victor Belém e Jorge de Matos. Cada um deu o seu contributo específico. Consegui transmitir algo de uma aspiração e ligação ao Espírito, mas não falei como poderia de Deus e de Cristo, pois isso exigiria uma outra disposição e receptividade das pessoas e do ambiente.

Tive a compreensão que o pertencer a grupos torna as pessoas muito sujeitas a defender os interesses dos seus grupos,  limitando-as, desfigurando-as da sua liberdade e plenitude. 

Fomos feitos ou emanados à imagem e semelhança de Deus e isto significará  ou apelará a que O  manifestemos luminosamente e não que nos agarremos a capelinhas exteriores em que muitas vezes já não se procura a Verdade nem se adora o verdadeiro Deus mas apenas os seus símbolos ou imagens materiais, sem os ligar à realidade superior donde emanam ou têm a sua fonte, ou sem estarem ligados a ela.

O grande problema no caminho da realização espiritual são os hábitos a que nos habituamos, ou que habitamos, e que nos impedem de sentir, ver, intuir a identidade e potencial plenitude dos seres, a totalidade, universalidade e verdade que importa discernir e realizar no presente vertical ou axial de cada momento e de cada estado de consciência do Ser.

Realmente quando dialogamos com um ser não interessa saber como se está  a processar a sua circulação sanguínea, mas sim o que vibra e é mais importante para os dois, o que cada um pode comunicar ou impulsionar no outro de luz, de verdade, de amor, de unidade. 

E muitas vezes  nem sequer vale a pena estarmos na miragem ou afã da demanda absorvente do saber ou transmitir mais, mas sim apenas estar, comungar, nomeadamente em silêncio, em osmose. 

Então o silêncio e  a acalmia unificadora podem gerar ou fazer surgir a admiração, o amor, a unificação, ou mesmo a adoração da unidade divina. 

Quando uma corrente espiritual é sentida como derramando-se ou passando através de nós ou pela nossa palavra podemos considerá-la como uma  iniciação  à unidade do presente com o eterno e o Divino, e felizes os que a conseguem sentir em encontros, conferências e diálogos, realizando o que o mestre Jesus disse: «quando dois ou três se reúnem no meu nome, na vibração da Verdade, do Logos, Inteligência e Amor, então Eu estou presente. »

Meditar nesta frase e quem é este Eu que está presente é muito benéfico e iluminativo.»

Transcrito com algumas melhorias a 13 de Agosto de 2026.


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