quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Sabedoria Persa (2), de Ferdowsi, traduzida e comentada e com música da Simorq Orchestra...

Estátua de Ferdowsi, junto ao seu túmulo, em Tous.

Os versos da segunda participação na Antologia das Fontes da Sabedoria Persa são de Firdousi ou Ferdowsi (940-1025), o poeta da grande epopeia persa, de cerca de 61.000 coplas, o Shahnameh, uma obra tanto histórica e mítica tão cativante, poderosa e que foi ao longo dos séculos ilustrada com belíssimas miniaturas iluminadas de grande qualidade e também musicada, como podemos ouvir no fim num excerto, pela excelente Simorq orchestra

Ferdowsi foi assim um preservador da tradição iraniana pré-islâmica, nomeadamente zoroástrica e da dinastia Sassânida (224-651), ao fazer a sua história e narrar os seus heróis e mitos, com ensinamentos como a Jam-e jam,  a taça de adivinhação, grálica,  e é considerada o pai da língua persa, graças em parte a ele fixada e mantida desde há mil anos, tendo um culto enormíssimo, a par de Saadi e Hafiz, no Irão e nos países e espíritos de cultura e língua persa. 

«Eu atravessava uma noite única
Quando tu viestes, meu amor,
Transformar a noite num dia radioso.
Cantavas e graciosamente deste-me vinho
Dizendo tais palavras divinas inesquecíveis
Que a noite dissipou-se como fumo... »

                   Comentário saído de mim, e agora ampliado:
O encontro entre duas almas pode ser um acontecimento muito luminoso, quando há  complementaridades e raios mais abundantes de certos assuntos, qualidades ou chakras de um partem e  vão-se repercutir no outro, impulsionando-o, elevando-o, nem que seja apenas no momento, embora saibamos que há quem guarde na sua alma e memória encontros e diálogos que as marcaram, ou que nelas se incrustaram brilhantemente. Pena é  não estarmos tão atentos e sensíveis a todos estes planos de interacção nem discirnamos o que poderá frutificar de melhor do face a face, alma a alma, ou então mesmo apenas pelos meios digitais.
Quando há mais amor no encontro, quando a chama da afinidade mútua para certos aspectos ou níveis elevados da realidade coexiste, então os efeitos podem ser mais duradouros e profundos, e há seres que caminham na vida com a alma do ser amado ou dos seres amados, na sua alma e com alguma ou mesmo constante interpenetração, influência, troca, na anima mundi unificadora, dependendo claro das afinidades e reciprocidades vibratórias, e independentemente das distâncias ou dos planos de vida em que se encontram na sua peregrinação eterna.
De igual modo as palavras e sons que brotaram, com as suas entoações e intenções, podem pelas suas dimensões poéticas e anímicas tornarem-se florescências anímicas por onde a seiva do amor cósmico, intensificado pelos dois corações e espíritos em uníssono, circula, aperfeiçoa, auto-consciencializa e espiritualiza.
Relembrar tais palavras, tais mantras por vezes, ao ter havido iniciações, e pronunciá-los, é intensificarmos a luz sobre a luz, a alma de um no outro, magicamente, iluminadora e libertadoramente.
Felizes dos que, se encantando, encantam também e nessa comunhão da unidade do Espírito e do Amor alcançam as fortificações das suas qualidades, desenvolvendo capacidades latentes da alma, diminuindo as limitações dos órgãos sensoriais e da mente ignorante, para assim melhor acolherem as bênçãos divinas e mais fraterna e harmonizadoramente agirem e viverem...
Todavia, os verdadeiros encontros de seres no Caminho deveriam ter os seus momentos de silêncio, de empatia e telepatia, de tal modo que as palavras, vindas das profundezas, e se tinjam do amor, esse vinho que nos exalta no culto ou adoração da Natureza, do companheiro ou companheira, da amada ou do amado, do mestre ou do anjo, ou mesmo da Divindade...

                           

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

A Exposição Alfredo Keil do Amaral, na S. Roque - Antiguidades e Galeria de Arte, à rua de S. Bento, prestes a terminar. Não perca.

Alfredo Keil do Amaral (1850-1907) foi um notável pintor tanto romântico como  naturalista, dotado de interesses científicos e compondo operas. Um génio que infelizmente poucos anos ficou na Terra, deixando contudo ainda assim descendência familiar ilustre e bastantes pinturas e desenhos, ilustrações de livros, óperas (Donna Bianca, Serrana) e a música da Portuguesa, pois indignado, tal como Antero de Quental e muitos outros intelectuais e operários, com o Ultimatum do imperialismo inglês em 1891, imortalizou musicalmente a letra que o oficial da armada e escritor Henrique Lopes Mendonça escreveu nesse ímpeto de luta contra as armas e os canhões do opressor. Com o advento da República, a que ele já não assistiu, a música viria a tornar-se o Hino Nacional.
 
Alfredo Keil do Amaral pintando..

Filho de um alfaiate alemão emigrado, que tendo tanto jeito se tornara o alfaiate real em Portugal e o modelador das modas e roupas de melhor qualidade da época, recebeu bastante apoio do pai seja para os estudos de pintura no estrangeiro, com Kaulbach e von Kreling, seja para os muitos instrumentos musicais e científicos coleccionados e que hoje enriquecem o museu em Viseu dedicado à  vida e obra de doze membros da família Keil do Amaral,  e do qual várias peças vieram para a exposição.
                                 
Em boa hora o responsável da  S. Roque - Antiguidades e Galeria de Arte,  Mário Roque, bem coadjuvado,  entendeu organizar uma exposição, a realizar-se em Sintra mas que, devido aos receios e fraquezas da edilidade, acabou por vir a concretizar-se mesmo num dos corações de Lisboa, o dos antiquários, à rua de São Bento e na própria galeria da S. Roque, que nos seus dois andares conseguiu receber e expor muito bem não só vários óleos, como também desenhos e ainda fotografias, instrumentos, cadernos, blocos de notas e desenhos, dando ainda à luz um sóbrio mas valioso catálogo.

A criança colhendo frutos do gigante

   
"Rio Tejo em Abrantes", numa tarde de Primavera estuante de luz e de algria..
Algumas fotografias tiradas por mim sem grande qualidade servem apenas para partilhar um pouco da riqueza intimista e naturalista profunda que a maior parte da obra de Alfredo Keil exuda, tingindo-nos dos sentimentos profundos que as paisagens, árvores, nuvens, rios e mares ecoaram ou despertaram nele; e neste conjunto de obras expostas, o ser humano surge mais com um pequeno elo da grande Natureza e da sua anima mundi que a tudo e todos penetra e unifica, e que certamente Alfredo Keil do Amaral tanto sentiu e excelente e perenemente plasmou e partilhou.                                           
"Na última pedra". Praia das Maçãs, 1895. Orando pelo peixe face ao Oceano.

"Pinheiro"s ardentes de polén e seiva abraçam-se...

"Marinha". Um belíssimo derramamento da Luz, quase divina...

"Paisagem ao entardecer", o Sol deixa a terra e o céu a arder
"Nuvens", muito presentes na sua obra, certamente sentindo-as e amando-as...
                                      
Série de 3 desenhos de árvores nuas, silenciosas e quedas, pintadas nas florestas da Baviera, 1868


    
Dos conúbios misteriosos e sagrados entre as árvores e as pedras e penedos.....

   
Cena serrana na zona do Zêzere... A alma humana enriquece-nos e enternece-nos na Natureza...


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Sabedoria Persa (1). Pequena antologia em francês de fontes, traduzida e comentada por Pedro Teixeira da Mota.

Os livros em formato pequeno tem essa vantagem tremenda da mobilidade, de poderem facilmente sair de casa, da biblioteca, da estante, da mesinha de cabeceira e acompanharem-nos em viagens, deslocações, saídas, quase como um enchiridion erasmiano (já que Erasmo escreveu um, o Enchiridion militis christiani, na altura com imenso sucesso e eficácia), que é tanto um manual, levado na mão ou no bolso, como um punhal, que corta a ignorância adversária ou as trevas do vazio no tempo que nos cabe atravessar externamente.

                                          

Um livrinho destes, Sources de Sagesse Persane, dado à luz em Genève, por Weber, em 1974, numa mimosa edição, serviu tal fim e nele deixei escrito os diálogos que me brotaram da alma nesses  momentos aurorais de encontro com o pensamento e o ser que os emanaram ou formularam. E encontrando-o agora, não me lembrando sequer das circunstâncias em que o comentei, resolvi transcrever para oferecer assim à alma leitora esta luz sobre luz, já dupla ou mesmo tripla, pois ao transcrever o escrito, houve modificações e acrescentos, e quem sabe se ainda suscitará em si ainda melhores reflexões. Inclui ela textos de Firdausi, Hafiz, Omar Khayyam, Nisami e Saadi, entre outros, e os admiraremos em próximas partilhas.... Que gerem mais paz e saúde, sabedoria e amor em nós e em muitos....

«Há três tipos humanos que devemos valorizar e procurar: um ser sábio cujos actos correspondem ao seu saber, uma pessoa dinâmica cujo coração está sintonizado com os seus actos, e um irmão ou irmã sem defeitos.» Fozeil Ayaz.

                                           

Comentário:
Embora seja difícil encontrares sábios que em todos os seus actos testemunhem a sabedoria, por pequenas falhas facilmente atribuíveis às circunstâncias e condicionalismos humanos e históricos, ainda assim deves tentar sempre harmonizares-te e tornares a tua vida e a dos outros mais desperta, justa, sábia, amorosa, plena e mesmo mais 
divinizante.
Encontrarmos seres em cuja vida se vê ou sente sempre o acordo
entre o coração e os actos não é frequente, mas ainda assim cada um de nós deverá sentir, agir e ser com o coração, ou seja com a sua interioridade e amor, desenvolvendo uma harmonia plenificante a cada momento entre a mente ou pensamentos e intenções, o coração ou os sentimentos, e as acções e posturas, de modo a que estejamos a agir o mais possível em amor, e a amar com sabedoria.
Assim saberás diminuir os teus defeitos e os dos outros, já que há uma constante interpenetração dos seres e das suas emanações subtis e psíquicas entre si e na Alma Mundi que a todos unifica e assiste e que hoje alguns cientistas reconhecem sob a designação do Campo unificado de energia consciência informação, certamente pluridimensional e  ainda em investigação, e por tal nos desafiando a desenvolvermos mais o auto-conhecimento e a realização espiritual clarividente, amorosa ou compassiva, fraterna e na unidade da alma mundi, ou alma da criação, como lhe chamavam Wenceslau de Moraes e Armando Martins Janeira dois dos nossos melhores orientalistas.

domingo, 30 de janeiro de 2022

"Relembrando os que já morreram", oração de Bô Yin Râ para melhor apoiarmos os que partem. Com 2 pinturas suas.

      A Arte de Bem Morrer é dedilhada nesta oração por Bô Yin Râ sugerindo-nos de a pronunciarmos ou meditarmos em intenção dos que já partiram da Terra, para que despertem e avancem luminosamente nos seus corpos espirituais e não fiquem presos a fascínios ou grilhetas terrenas, antes acolhendo as ajudas que os mestres espirituais derramam fortalecendo-os e encaminhando-os, na Luz, para os mundos espirituais. É a última desta série de orações,  intitulado, So Sollt Ihr Beten, Como Deveis Orar e que espero um dia destes [e assim aconteceu em 2024] editar no livro A Oração, Das Gebet, em que as incluiu e que tenho traduzido. Saibamos então orar melhor e mais de coração e sentidamente para os familiares e amigos já partidos...

                   RELEMBRANDO OS QUE JÁ MORRERAM

Vós,
Vós que
Soltos do corpo terreno
Apenas o vosso corpo anímico
Vivenciais, -
Próximos ainda 
Do terrestre,
Contudo 
Levados da Terra, -
A vós
Guie o Amor,
Que plenifica de Luz!

Que o Amor
Desprenda
Do fascínio terrestre!
Que a confiança luminosa
Vos ensine a segurar
As mãos prestáveis
Próximas da Terra
Dos sublimes auxiliadores, -
Seres sagrados de Amor!

Que a limitação terrena
Seja ultrapassada!
A ilusão 
 Seja esquecida!
A vontade desperta!
Liberto
De toda a responsabilidade,
Livre
De todas as grilhetas,
Segui
Em alegre
E sábia orientação
Os Guias plenos de Luz!
Para que vos
Desvendem
Luz perene.

                                                          

 DER ENTSCHLAFENEN GEDENKEND

Euch,
Die ihr
Erdenleibes ledig,
Nun Seelenleibhaft euch
Erlebet, -
Nahe noch
Irdischem,
Dennoch
Erdentrückt, -
Euch
Leite Liebe
Lichter Leitung zu!

Liebe
Löse
Irdischen Bann!
Lichtes Vertrauen
Lehre euch fassen
Hilfreiche Hände
Erdnah verharrender
Hoher Helfer, -
Heiliger Liebender!

 Erdhafte Hemmung
Bleibe zurück!
Wahn
Werde vergessen!
Wille werde wach!

 Enthaftet
Aller Haftung,
Frei
Aller Fesselung,
Folget
In Freude
Weiser Führung
Leuchtender Führer!
Daß bald euch
Erleuchte
Ewiges Licht!

sábado, 29 de janeiro de 2022

"Na Doença e na Dor", "In Krankheit und Schmerzen", oração e pinturas de Bô Yin Râ. Texto bilingue.

Mais uma oração simples mas valiosa  oferecida ou sugerida por Bô Yin Râ para a nossa meditação e prece: a de que os sofrimentos pelos quais passamos na vida deverão aumentar o nosso desprendimento da Terra, e isto com o nosso ser psico.somático o mais unificado possível com o espírito imortal que somos na essência, o Jivatman, para avançarmos para os planos espirituais.

NA DOENÇA E NA DOR...
 
«De bom grado,
Quero eu 
Aceitar sobre mim
O que a minha vontade
Não mais 
Evita,-
Mesmo quando isso,
O que a mim 
Me fere,
Os meus dias terrenos
Termina.

Tudo
O que eu quero
E espero,
É,
Que este tormento terreno
Que eu com paciência
Suporto
Me deixe ainda com tantas forças,
Que eu possa
Claramente realizar:-
Como todo o sofrimento,
Apenas me liberta
Da dependência terrena.»
 

IN KRANKHEIT UND SCHMERZEN

Willig
Will ich
Auf mich nehmen,
Was mein Wille
Nicht mehr
Wendet, –
Auch wenn das,
Was mich
Verwundet,
Meine Erdentage
Endet!

Alles
Was ich will
Und hoffe,
Ist,
Daß diese Erdenplage
Die ich mit Geduld
Ertrage,
Mir noch soviel Kraft belasse,
Daß ich stets
In Klarheit fasse: –
Wie alles Leid
Mich nur befreit
Aus Erdenhörigkeit.

Oração para a Certeza interior, "Um innere Gewissheit", de Bô Yin Râ. Texto bilingue. Iconografia, três obras suas.

Nestes tempos de tanta informação e contra-informação, de tanto egoísmo insensível dos mais ricos ou poderosos, há que procurar estabelecer fundações firmes à nossa alma espiritual, robustecendo-a pelas aberturas e ligações superiores tanto aos mestres, santas e santos, anjos e arcanjos, como à Divindade. É um exercício de fé, de acreditar e de querer que se torna depois uma vivência, uma gnose, originando uma estação da alma mais firme e luminosa, quaisquer que sejam as adversidades que tenhamos de abraçar e vencer, em sabedoria e amor. Neste sentido fluem as orações que o mestre Bô Yin Râ  partilha e eu imperfeitamente traduzo, nesta oração, bela e forte, realçando bem a importância da aspiração a sairmos das dúvidas e sermos abençoados pelos mestres, ou obtermos a certeza em que eles estão...
                                           

PARA A CERTEZA INTERIOR
« Ainda é a minha fé,
Como um
 canavial ao vento,
Sempre a balançar..
Ora direito,
Ora tombado...

 Ora consigo,
 Acreditar
 Como uma criança, -
Ora tudo me
É removido de novo.

Aspirando
Procuro eu
 Terreno seguro,
Duradouro
Como uma fraga
 Onde permanecer...
Tenho a mente  cansada,
O coração ferido,-
Assim não posso
Avançar...

Vós,
Vós que
 Viveis na certeza!
Ajudai-me
A sair deste tormento!
Dai à minha Fé
Firmeza de fundação!
Guiai-me,
Mestre,
Com mão firme
À vossa
Certeza.» 


                                 UM INNERE GEWISSHEIT

«Noch ist mein Glaube,
Wie Röhricht im Winde,
Immerfort schwankend…
Bald aufgerichtet,
Bald niedergedrückt...

Bald kann ich
Glauben,
Gleich einem Kinde, –
Bald ist mir alles
Wieder entrückt.

Sehnend
Suche ich
Sicheren Grund,
Um fest
Wie ein Fels
Zu stehen…
Bin Denkensmüde
Bin Herzenswund, –
So kann es nicht
Weitergehen!

Ihr,
Die Ihr
In Gewißheit lebt!
Helft mir
Aus solcher Pein!

Gebt meinem Glauben
Festen Stand!
Führet mich,
Führer,
An fester Hand
In Eure
Gewißheit ein!»

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Poesia e prosa espiritual. Amor humano e divino. A Divindade. 20-10-20 e 28-01-22.


«Ó tu, que atravessas o Oceano

e vens suavizar as terras e almas,
e que na tua voz e coração
trazes as doçuras da paz e do amor,
serei eu digno da tua bênção?

Terei de atravessar o mar das ilusões,
das amizades e actividades
que se oponham à tua plena vitória,
na minha alma, como aquela que é.

Quanto da tua alma complementará a minha?
Que maravilhas descobriremos nos diálogos
em que de mãos dadas faremos circular
a essência divina do ser, saber e amar?

Quantos anos de nossas vidas se passaram,
Quanto não temos nós para aprofundar?
Quereria que nossas almas no Divino se vissem
E com os sábios e os mestres comungassem.

Tua imensa delicadeza, pureza e sensibilidade
conseguirá inundar meu ser da tua ternura
e tornar-me um cavaleiro firme com a sua dona
peregrinando nos Caminhos das Estrela?

Quanto conseguiremos gerar os dois?
Que intensificações valiosas realizaremos?
Que descobertas conseguiremos clarificar,
nossas almas elevando-se ao espírito e à verdade?

(….) se chama esta discreta musa
e sábia discípula que me vem desafiar,
a dar a mão e avançar no caminho do coração. 

Texto de 27-28.1.2022:
Sobre o Amor direi que cada ser está na sua estação do Amor, embora poucas pessoas se apercebam de tal ardência por barómetro interior e antes sintam no Inverno mais o frio à noite nas pernas que na alma e no sorriso o calor ou não do amor.
Cada ser tem mais ou menos acesso ao Amor em si, no coração, na mente, na aura, nas mãos, no corpo e no espírito e tal intensifica-se pela nossa auto-consciencialização e meditação, e tanto no trabalho, no esforço, como no fluir ou dialogar harmonizador. E, logo, partilha-se, comunga-se, irrradia-se.
O Amor implica sempre um relação, seja de nós com Deus, com o mundo espiritual, com outra pessoa, ou com os seres e coisas  que nos rodeiam. Ou mesmo apenas com o Amor e a sua chama em si e em nós.Mas simultaneamente, conseguirmos estar o mais possível no amor adequado a cada ser e momento é a magna arte, a grande Obra
Quando dois seres se encontram e comunicam, certas energias intensificam-se, circulam e transmitem-se, provocando transformações psico-mórficas, por vezes até bem teofânicas, e como cada ser tem ressonâncias ou afinidades maiores com esta ou aquela alma, deve aproveitar muito bem tais momentos ou conversas para se elevarem verdadeiramente, nos mais diversos assuntos, aspectos e realidades possíveis. É a actualização do dito: Luz sobre Luz....
Estando-se só, ainda com a possibilidades de se encontrar ou surgir a pessoa bem afim, o  mais importante é certamente a comunhão com o espírito interior, os mestres e  anjos, a Divindade, para além de a todo o momento o estado de amor e harmonia em que vivemos, trabalhamos, estamos, partilhamos, dialogamos...
Divindade? Sim, a Divindade é a entidade e fonte primordial que a todos nos emanou e que no coração do Sol espiritual original em que se auto-manifestou nos aguarda, enquanto centelhas ardentes em amor a Ela aspirando e um dia retornando...
Deus, Deusa, Divindade...