sábado, 10 de janeiro de 2026

Alexandre Dugin: A Rússia Deve Quebrar o Status Quo... Pense ou desapareça... Publicado a 10/1/2026.

  Neste texto o notável mestre Alexandre Dugin, pai da mártir Dária Dugina, apela à liderança política da Rússia para que deixe de lutar apenas em defesa dos seus objectivos menores, ou  da preservação da zona russa do leste da Ucrânia, ou do seu status quo no mundo, tão ameaçado pelo Ocidente russofóbico e ganancioso, tão frágil face ao total desrespeito pelo Direito e Ordem internacional que o Ocidente pratica, para se assumir como um projecto civilizacional capaz de se afirmar vitoriosamente no confronto com os seus inimigos, e que não é o resto que vem do passado recente mas que é uma criação pensada e meditada pelos seus filósofos, místicos, poetas e pensadores e assumida pelos jovens - bem esclarecidos e orientados para tal, sem se deixarem apanhar pelas sereias do consumismo modernista decadente ocidental, - a população, o futuro...

Cremos que a liderança política russa tem essa componente de pensamento profundo próprio em vários dos seus líderes, ainda que certamente Alexandre Dugin seja um dos mais valiosos e profundos pensadores, ao ser um sociólogo, um geo-estratega, um filósofo, um religioso ortodoxo, um tradicionalista, multipolarista e  iniciado na Filosofia Perene..

A Rússia Deve Quebrar o Status Quo
Pense ou Desapareça

«Às vezes, pode-se ter a impressão de que estamos a lutar apenas para preservar o status quo, ou simplesmente a afastar os desafios que se acumulam contra nós. Isso é parcialmente verdadeiro, todavia mesmo a resistência reactiva requer vontade. Tivesse sido  a Rússia  conduzida por uma liderança diferente, há muito tempo teria entrado em compromissos e não teria resistido ou lutado, mesmo para preservar o status quo. Foi assim que perdemos a URSS (o Império), depois o espaço pós-soviético e começamos a perder a própria Federação Russa.
Por outro lado, há um plano a nosso respeito, e ele é mortal. Aos olhos do Ocidente colectivo, abandonar o nosso status quo significa o desmembramento da Rússia (oficialmente chamado de "descolonização"), mudança de regime e colapso da soberania. Nós estamos  a resistir activamente a isso. O objectivo é a preservação do status quo, para 
não vir a acontecer o que os nossos inimigos tentam fazer-nos. 
Isso já é metade da batalha. No entanto, está a tornar-se óbvio não ser suficiente.
Devemos ter nosso próprio plano — a rota da grande mudança.
Aqui, preservar o status quo é apenas um ponto de partida; se alguém insistir demais em manter tudo como está e bloquear todos os processos e transformações, isso pode tornar-se um obstáculo.
Não faz sentido apegar-se ao velho mundo, ao direito internacional, à manutenção da ordem estabelecida. Tudo isso desmoronou. O tempo de mudança radical está a chegar — mudança em tudo. Até agora, vemos apenas o lado sombrio e destrutivo dessas mudanças. De facto,  tal é o caso, porque o plano dos nossos inimigos ainda domina completamente. Eles querem mudar tudo, enquanto nós resistimos-lhes e queremos manter as coisas como eram, como são agora.
Mas devemos olhar para isso de maneira diferente. Precisamos do nosso próprio plano para transformações globais, dos nossos próprios vectores e directrizes, dos nossos próprios pontos de referência, e de valores e prioridades afirmados em voz alta e confiantemente.
Presentemente, efectivamente não temos nem ideologia, nem cultura, nem uma visão de futuro. Estamos a viver de fragmentos do passado— atitudes soviéticas e a inércia dos sombrios anos 1990. A elite governante é assim, e, infelizmente, a população também. Estamos terminando a salada Olivier soviética, assistindo de novo a filmes soviéticos ou séries sobre  os anos sem lei da década de 1990.
O que é necessário é algo completamente diferente. As pessoas devem desviar os seus rostos do passado e do presente em direção ao futuro, e empenharem-se na sua criação.
"Arquitectura social" é um bom termo. A construção da sociedade e do estado, o despertar do povo para a participação no seu próprio destino — isto é o que devemos empreender.
É um objetivo completamente falso estudar a sociedade. A sociedade deve ser criada, construída, modelada, educada, despertada, elevada e iluminada.
A sociedade não se forma a si própria; ela é instituída. Não necessariamente pelo poder—mas antes mais por profetas, visionários, arautos, pensadores, poetas, aqueles que dão voz à sua identidade e ao seu destino.
Tudo isso não se trata de tecnologias, mas de ontologias. As tecnologias são importantes, mas não são a essência. Elas podem servir como instrumentos tanto de bem quanto de mal, de despertar e sono, de ascensão e declínio. A salvação certamente não está nelas. A salvação não está na tecnologia, nem nos tecnólogos. A salvação está no espírito, no pensamento, na fé. À nossa elite governante e à nossa liderança falta-lhes criticamente uma dimensão filosófica — reflexão profunda e minuciosa, conversas sem pressa, contemplação e revelações intuitivas. Todas as forças são gastas na gestão do dia a dia e na manutenção do status quo. Isto não é um modo de criar ou antecipar o futuro.
Às vezes, as autoridades guiam  os jovens, mas os jovens são o que a sociedade os fez — ou seja, o que as mesmas autoridades os fizeram. Sozinhos, sem educação e auto-formação, os jovens não conseguem expressar ou construir nada. Eles precisam de uma Ideia. No entanto, certamente não a formularão sozinhos. Em resumo, a questão não é a juventude. Por inércia, eles também defenderão o status quo no melhor dos casos, e no pior, irão vagarosamente na direcção liberal-ocidental. Isso não funciona. Se os jovens forem educados por pessoas do status quo, eles serão jovens do status quo. Deve-se abordar a questão pelo outro lado — pelo futuro. O que importa não é como são os jovens, mas como devem ser. E isso não é decidido por eles.
Num único ano da sua presidência, Trump estilhaçou o status quo americano. Quer isso seja bom ou mau, o velho mundo não existe mais. No novo mundo, nenhum lugar foi reservado para nós. Para existir, temos de vencer. O que significa "existir" não é decidido por uma autoridade ou um tecnologista, nem pela juventude, nem por um portador de pura inércia, m
as pelo pensador.
A Rússia precisa de pensamento soberano. Em vez de um
 status quo onde, infelizmente, não há nem sequer uma aproximação distorcida de algo parecido com isso. Esta não é uma razão para desistir; é um convite para finalmente se começar a pensar seriamente.»

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