sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Mistério e demanda do Espirito. Breve contributo, baseado em meditações e intuições.

                                           
Para podermos ser mais o misterioso espírito ou usufruir das suas capacidades e identidade, convém distingui-lo da alma e personalidade que temos, e estarmos mais conscientes dele. Ou então propiciar que ele esteja mais presente em nós, pois tal como não é fácil separar as águas de dois rios quando se encontram, assim a consciência do eu-alma-personalidade que predomina em nós, mais caudalosa, tende a absorver, superar, silenciar a consciência do espírito em si, impedindo-a de ela ser ouvida por nós, como som ou  voz, ou como luz na visão.
Poucos seres no Ocidente conseguem desejar mais intensamente ou perseverantemente o espírito e cantar-lhe, mantrizá-lo, meditá-lo, assumi-lo, consagrando-lhe mais tempo substancial meditativo ou orativo, e assim o podendo merec
er.
                                        
O espírito é
uma centelha de origem divina, uma partícula de luz divina, uma mónada, um ser individualizado, um eu espiritual. Mas para alguns surgem dúvidas quanto à individualização ser perene, admitindo ou preferindo no fim o regresso da gota ao Oceano.
Sendo o espírito o núcleo do nosso ser, o seu centro e fonte, ele contudo raramente é visto pelas pessoas, e se na história da arte a sua representação não é tão incomum, passe despercebida a quase todos. Encontramo-la, por exemplo,  representada como uma estrela de cinco pontas posta na testa ou sobre a cabeça de pessoas, deusas, ideias personalizadas, a pátria-mátria.
Ora quem medita pode ser agraciado com a sua vista, em geral lá no alto, numa dimensão subtil e longínqua, mas também pode ser sentido como força luminosa na aura e no corpo, nomeadamente no peito e no coração
Onde está localizado o espírito no corpo, é uma pergunta que ocorre mas que deve ser melhorada para: em que níveis ou zonas da minha totalidade e corporalidade ele se pode manifestar mais?
Se estamos, ou se estivemos, em momentos de adoração e culto, ou de mais amor, ele pode intensificar a sua irradiação através dos chakras ou centros de força do peito, não tanto porque ele para aí desça, ainda que tal possa acontecer, mas porque o seu influxo passa por essa zona e reveste-se das vibrações psiquicas que esses chakras fornecem ou a que estão ligados.
Também podemos sentir o espírito por um estado de receptividade e transparência dos corpos subtis e do físico o qual permite tornar-se perceptível a subtil força do espírito.
O espírito vive no plano espiritual e nesse plano as leis do espaço e do tempo são diferentes das que regem o plano físico pelo que a distinção do passado, presente e futuro não é tão fixa, irredutivel e inultrapassável como geralmente se vive no mundo terreno quotidiano.
O espírito pode deslocar-se ao passado e observá-lo e senti-lo ou vivê-lo mas também pode ir ao futuro, sem que contudo o desenrolar dos acontecimentos avistado tenha mesmo que suceder tal e qual. Fica a questão, se é possível, como alguns admitem, que futuro seja alterado pela actividade do espírito que se projectou para ele, entrando e operando psico-energeticamente, nesse tempo ou acontecimento...
Na verdade podemos dizer que há quem tente desde já influenciar o seu momento de morte, pensando que a famosa ars moriendi, praticada ao longo dos séculos por religiosos e filósofos, dos quais um dos últimos mais valiosos e famosos foi Erasmo de Roterdão, era uma preparação que tinha o objectivo de influenciar o futuro, pois o cultivo do desprendimento da vida e da meditação da morte muito antes de se chegar a hora, gerava uma alteração energética consciencial da alma a
o morrer.
                                                      
Pode pensar-se mesm
o que alguns dos que morreram em odor de santidade teriam preparado tal efusão energética mais divina pelas suas vidas purificadas e vivências e orações poderosas supra-temporais, e ao colocarem-se ou viverem mais na sua dimensão espiritual de filho ou filhas de Deus, comungando e manifestando os predicados divinos ou dos mundos espirituais tais como a beleza, a harmonia e amor, tais qualidades acabavam por se manifestar em visões ou sentirem-se como perfumes, de rosas ou de outras flores odoríferas, que os corpos espirituais emanam.
Até a ciência moderna, mesmo que na sua maioria tida como materialista, contribui também para que o espírito hoje em dia seja mais compreensível, sobretudo graças à física quântica pois o funcionamento das partículas ora como partículas ora como ondas aplica-se também ao espírito que tanto é a centelha individual, como também em onda é um corpo ondulatório espiritual.
Esta assunção do corpo espiritual tem uma base importante que é o corpo da alma pois somos além do corpo físico também uma alma com a forma do corpo, e com a qual sairemos do corpo físico à hora da morte. Daqui que muitos mortos nos apareçam, em geral nos sonhos ou em clarividência, quase tal como eram na vida física e mesmo passados muitos anos surgem revestidos e com faces e corpo humano e não tanto como pura energia ou corpo de glória, como se dá com os seres muito evoluídos ou capazes de vibrarem nas frequências mais elevadas de luz e de amor e logo sem medos, nem receios, nem cansaços, escapando da matriz amilhazante e opressiva que tenta reger a Humanidade, impedindo a sua liberdade, multipolaridade e espiritualidade. Por isto tudo, erga-se mais e medite e aja melhor! Lux, Amor, Pax!


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