sábado, 17 de janeiro de 2026

O Amor ou a Amizade é desinteressada, paciente, aperfeiçoante, unitiva, beatificante. Os ensinamentos de Marin Le Roy Gomberville

 Já partilhamos em dois artigos as máximas ou ditos da obra A Doutrina Moral ou dos Costumes, aliás La Doctrine des Moeurs: qui represente en cent tableaux la différence des passions, et enseigne la manière de parvenir à la sagesse universelle, publicada em 1646 por Marin Le Roy Gomberville, que contem sessenta figuras na sua  primeira parte, e  na segunda parte cinquenta e três, cada uma delas com os ditos ou lemas valiosos de serem meditados por quem quer trilhar caminho da Sabedoria humana e divina.
                                              
             ((ARTIGO AINDA a ser finalizado.... Volte mais tarde...))
Foi um manual de sabedoria para muita gente, dando uma base de discernimento do que era o bem e o mal, a virtude e o vício, sem grandes excessos de atemorizações ou rigores e com observações valiosas psico-espirituais. Também os títulos debaixo das imagem, os ditos, lemas ou mantras, e até as quadras, eram facilmente assimiláveis na alma,na sua tão importante faculdade retentiva, a memória, a que se seguia o breve texto explicativo, de página e meia.
Vamos tentar discernir na 1ª parte, na sucessão de dez ditos sobre o Amor se há verdadeiramente indicações originais ou valiosas:
- O homem nasceu para amar. Amando, tornamo-nos perfeitos.
É preciso amar para ser amado. O amor dos Povos é a força dos Estados.
A verdadeira amizade é desinteressada.
O amigo não vê o defeito do amigo.
Respeita o teu amigo e cuida de ti. O Silêncio é a vida do Amor.
A inveja é a morte do amor.
Quem tem o necessário, não tem nada a desejar.
                                               

 1º dito, O homem nasceu para amartem esta quadra boa: 
 O Amor anima das suas chamas,
Todos os que são dignos da luz do dia
As pessoas que não tem amor
São corpos que vivem sem almas. 
Já a explicação é mais moral do que espiritual: Lembrar-nos que temos todos uma mesma Mãe ou fonte Divina, e que no nosso coração está gravado tal origem e logo as suas consequências fraternas:  devemos sentir os outros com mais amor, como amigos, pois só assim poderemos sentir a felicidade recíproca. 
 No 2º dito, Amando, tornamo-nos perfeitos Gomberville mostra que na verdadeira amizade ou amor os defeitos de cada um devem ser iluminados, ajudados, amados pelo outro, para que haja concórdia e aperfeiçoamento recíproco.
No dito 3º, bem desafiante, ígneo mesmo, É preciso amar para ser amado, Gomberville volta à necessidade de suportarmos e apreciarmos os gostos e qualidades do outros, para  nos completarmos na amizade.
O 4º dito, O amor dos Povos é a força dos Estados, é de grande actualidade, e a explicação actualíssima mesmo, lembrando que se os povos estão unidos entre si afectivamente. eles não podem ser presas ou vítimas dos estrangeiros. E vemos como tais divisões destruíram alguns países e como outros, mais martirizados e resilientes se uniram e vão conseguindo vencer os cobiçosos e traiçoeiros inimigos. O caso do Irão. E mesmo em parte a Venezuela, ou Cuba,
O 5º dito  A verdadeira amizade é desinteressadacontém tanto um belo verso, como uma boa explicação, onde realça ser uma infâmia ter interesses em vista ou ser comerciada ou comprada a amizade, pois só o amor compra ou merece o amor. 
O 6º lema O amigo não vê o defeito do amigotem uma quadra de grande sabedoria e que eu já glosei há uns anos numa exposição de pintura e textos na galeria Novo Século do Carlos Barroco e da Nadia, intitulada o Amor é cego, pois só com essa venda é que vemos tudo perfeito no ser ou coisa amada.
O 7º lema  Respeita o teu amigo e cuida de tirelembra como é mal vermos tantos defeitos nos outros e sermos cegos para os nossos. Ora existir tal hipercriticismo para com os amigos ainda é pior. Saibamos lavar os olhos e a alma com a modéstia junta ao auto-conhecimento.
O 8º dito  O Silêncio é a vida do Amor, já abordamos no primeiro artigos dedicado à Sabedoria e à Emblemata em Gomberville, diz-nos que falemos o menos possível das nossas amizades a outras pessoas para não ofendermos ninguém. E cita mesmo os Mistérios das Religiões antigas, introduzindo assim na sua obra a Filosofia Perene ou iniciática, para mim até agora a 1ª menção, e realçarei ainda que rarissimamente cita obras, dando também poucos exemplos históricos.
O 9º dito  A Inveja é a morte do Amor, é simples pois aponta apenas à inveja dos bens ou da prosperidade dos outros, considerando-a como serpentes saindo dos cabelos.
                                       
O 10ª dito e final desta série que selecionamos diz-nos Quem tem o necessário, não tem nada a desejar, e nele Marin Le Roy Gomberville, depois de relembrar que o sofrimento faz metade da virtude, e que a outra consiste na abstinência, explica minuciosamente o simbolismo do desenho, algo que aliás faz em todos os textos, enaltecendo sempre muito o artista,  mostra o sábio contentando-se com um pouco da água da fonte (que algo iniciaticamente lhe é servida por um anjo ou génio ou subtil espírito)  e ao longe um homem que desmedido na sua hubris ou ambição que acaba por ser levado por uma corrente. Quem não pensará em alguns dirigentes?  Ora se nos contentarmos com pouco ou menos, conservaremos a vida física e moral, e a relação divina. No fundo, implicitamente, diz que quem está no caminho espiritual ou da Sabedoria deve estar contente e muito grato ou em amor pelo que a vida e Deus lhe dão, nos dão... Demos graças... Amen....

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