segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

"A Fronteira Russa", título do próximo livro de Daria Dugina. A Santa Rússia, fronteira entre a Terra e o Céu, entre a Humanidade e a Divindade. Texto trilingue.

                                   
Vamos transcrever um breve texto  de Alexandr Dugin, sobre o próximo livro de Daria Dugina, sua filha, intitulado  A Fronteira Russa. Qualquer escrito deles, mesmo pequeno, contém sempre ensinamentos valiosos, e não será em vão que ela morreu mártir se os soubermos ler, apreciar, meditar, e na comunidade dos fiéis do Amor e da Luz procurar avançar na missão de religação da Humanidade com a Divindade, que eles e a Rússia realizam, tal como outros seres e países, na multipolaridade nascente pela qual lutamos. O texto desafia-nos a não nos petrificar ou coisificar, como entre nós propugnava Leonardo Coimbra, um conhecedor e admirador da civilização russa, mas antes despertar para as correntes e veios telúricos, cósmicos e divinos do nosso ser, graças aos quais não nos deixamos normatizar, ou "amilhazar", pelas narrativas oficiais europeias, ou partidárias ou mediáticas, mas antes despertamos para a intensidade trespassante do Amor lúcido, divino e fraterno que desmascara ou supera as falsas justificações de aparências e regências, as ilusórias e opressivas fronteiras e limites, sanções e hegemonias, e nos impulsiona tanto na ascensão intima vertical divina, como na horizontal da comunhão fraterna na Terra Mãe, na família, nas comunidades, na Tradição, sob a Luz do Logos sábio, amoroso e libertador da Humanidade, ao qual Daria tanto se dedicou, ao estudar os mestres planónicos e neoplatónicos, os místicos ortodoxos e os perenialistas como René Guénon, Julius Evola, Henry Corbin e outros, aliás já mencionados em alguns dos artigos consagrados a ela neste blogue, sintetizando-os face à post-modernidade, num optimismo escatológico, título aliás de um dos seus livros, e que devemos fazer nossa tenção ou lema, na linha até portuguesa do Talent de bien faire, do Infante D. Henrique.   Oiçamos então o que nos diz o seu pai, um dos mais notáveis pensadores e escritores actuais, Alexandr Dugin, sobre Dasha:

 «Daria ou Dasha pensava constantemente na borda ou margem, ou melhor, na "fronteira" – essa zona que divide camadas de ser, civilização, cultura e ciência. O seu terceiro livro, que está praticamente pronto, é dedicado a isso, mas ela própria dividiu-o numa série de cursos, ciclos de palestras, apresentações e entrevistas. Já foi denominadoo e será lançado em breve sob o título A Fronteira Russa.
Nela, Daria discute em detalhes as teorias da Nova Direita, que ela encontrou na França e com quem manteve laços pessoais estreitos até ao fim.
E de novo, isto é sobre Tradição.
Dasha aplica o princípio da fronteira, da zona intermediária, da terra de ninguém, à interpretação do fenómeno da Novorossiya (Nova Rússia) e da Ucrânia como um todo. Ela vai mais fundo e interroga-se acerca da metafísica da fronteira – como ocorre quanto à distinção, diferenciação, separação entre um e outro, entre homem e anjo, entre alma e corpo, entre eu e tu. E o mais importante sobre a ideia dela de margem [limite ou borda], é que, ao contrário do entendimento usual de uma fronteira, a fronteira não é uma linha, mas uma zona, um cinturão onde opostos coexistem, discutem, colidem, se reconciliam e se transformam uns nos outros. Nesse caso, não só a Ucrânia se torna uma grande fronteira entre a Rússia e a Europa, mas os próprios russos, como o núcleo da Eurásia, são uma zona especial entre o Oriente e o Ocidente. A nossa profunda identidade é fronteira, somos a Fronteira Russa.
E novamente, não é apenas uma posição geográfica horizontal; somos a Santa Rússia, o que significa que somos a fronteira entre a terra e o céu, entre a humanidade e Deus.
Daria discute tudo isso em seu novo livro, que está a ser cuidadosament
e construído a partir das notas, palestras e rascunhos.»
Breve comentário: Esta expressão da "Santa Rússia, terra de todas as terras, mãe de todas as terras" vem desde tempos medievais, apura-se com alguns santos ou staretz que foram movidos por um grande amor a Terra Russa, terra húmida, terra mãe, e, claro, à Divindade, a Cristo, à Santa Sofia ou Sabedoria e à Igreja, comunidade e corpo místico da Rússia, tais como S. Alexandre Nevsky, Máximo o Grego, S. Sérgio de Radonehz ou Radonega, S. Serafim de Sarov, S. Inácio de Brianchaninov, S. Hilário de Vereya, Silouan e outros. Esta visão atravessou os séculos sempre viva até chegar aos nossos dias, afirmada pelo patriarca Kiril e os sacerdotes e monges ortodoxos. 

                               
Tal reconhecimento divulg
ou-se culturalmente no Ocidente desde o séc. XIX graças aos grandes romancistas Gogol, Dostoievsky e Tolstoi, e aos filósofos Soloviev, Vladimir N. Lossky, Berdiaev, Florensky, Bulgakov e o historiador Dimitri Chizhevski, etc. Aos grande compositores. E a mestres de espiritualidade como Nicholas e Helena Roerich e seus filhos Yuri e Svetoslav, a Boris Abramov,  hoje destacando-se Alexandr Dugin e Dasha, sua filha tão trágica e precocemente sacrificada. Alguns pensadores estrangeiros reconheceram-no,  nomeadamente quanto à sua missão de espiritualizar o Ocidente, ou de conservarem a Tradição Ocidental Perene e cristã viva, tal Rudolfo Steiner, Leonardo Coimbra, Cioran, Edgar Cayce. É nesta tradição que se inserem Daria Dugina e o seu pai, e ela agora verdadeiramente na fronteira dos dois mundos, inspirando-nos.
                                             

«The Russian Frontier... Daria constantly thought about the border, or rather, about the "frontier" – that zone which divides layers of being, civilisation, culture, and science. Her third book, which is essentially finished, is dedicated to this, but she herself has broken it down into a whole series of courses, lecture cycles, presentations, and interviews. It has been named and will soon be released under the title "The Russian Frontier"
Here, Daria discusses in detail the theories of the New
Right, which she encountered in France and with whom she maintained close personal ties until the end.
And again, this is about Tradition.
Dasha applies the principle of the frontier, the intermediate zone, the no-man's-land, to the interpretation of the phenomenon of Novorossiya and Ukraine as a whole. She goes deeper and asks the question of the metaphysics of the frontier – how the act of distinction, differentiation, separation between one and another, between man and Angel, between soul and body, between me and you, takes place. And the most important thing about her idea of the frontier is that, unlike the usual understanding of a border, the frontier is not a line, but a zone, a belt where opposites coexist, argue, clash, reconcile, and transform into each other. In such a case, not only does Ukraine become one big frontier between Russia and Europe, but the Russians themselves, as the core of Eurasia, are a special zone between East and West. Our deep identity is frontier, we are the Russian Frontier.
And again, it's not just a horizontal geographical position; we are Holy Rus', which means we are the frontier between earth and heaven, between humanity and God.
Daria discusses all of this in her new book, which is currently being carefully constructed from notes, lectures, and drafts.

Alexander Dugin

                                                      
Русский фронтир
Дарья постоянно думала о границе или, точнее, о «фронтире» — той зоне, которая разделяет пласты бытия, цивилизации, культуры, науки. Этому посвящена ее третья книга, фактически готовая, но разнесенная ею самой на целый ряд курсов, лекционных циклов, выступлений и интервью. Она получила название и скоро выйдет в свет под заголовком «Русский фронтир»[4].
есь Дарья подробно рассказывает и о теориях Новых правых, с которыми она познакомилась во Франции и с которыми она до конца поддерживала тесные личные связи.
снова здесь речь идет о Традиции.
ша применяет принцип фронтира, промежуточной зоны, ничейной территории, к истолкованию феномена Новороссии и Украины в целом. Она идет глубже и ставит вопрос о метафизике фронтира – о том, как происходит акт различия, различения, разделения между одним и другим, между человеком и Ангелом, между душой и телом, между мной и тобой. И главное в ее мысли о фронтире то, что в отличие от привычного понимания границы фронтир это не линия, а полоса, пояс, где противоположности сосуществуют, спорят, сталкиваются, примеряются, переходят одно в другое. Не только Украина в таком случае оказывается одним большим фронтиром между Россией и Европой, но русские, как ядро Евразии сами по себе особая зона между Востоком и Западом. Наша глубинная идентичность фронтирна, мы и есть Русский Фронтир.
снова это не просто горизонтальное географическое положение, мы – Святая Русь, а значит, фронтир между землей и небом, между человечеством и Богом.
о всем это Дарья рассуждает в своей новой книге, которая сейчас тщательно выстраивается из заметок, лекций и черновиков.
ександр Дугин

 

Sem comentários: