Entre as partituras contidas numa pequena miscelânea do começo do séc. XX, encadernada em tela violeta, destaca-se uma intitulada Rêve d'un Ange, nocturne pour piano, de Francesco d'Orso, acompanhada de uma apropriada ilustração ascensional na capa. Pensei que seria possível estar gravada no Youtube e assim a encontrei, tendo sido escrita em 1894. Começando a ouvi-la, leve e alegre, tendo um bloco de notas ao lado, resolvi escrever um pequeno poema, o que realizei exactamente nos dois minutos e pouco da música.
Como frequentemente estamos distraídos dos Anjos, qualquer momento em que os possamos sintonizar, e com eles o mundo espiritual e divino, é bom, harmoniza-nos, subtiliza os nossos seentidos e assim segue a partilha da música e da oração, invocadores dos Anjos e Arcanjos, estes subtis seres que, com os santos e santas e mestres, nos inspiram à estrela do espírito, ao bem, à compaixão, ao amor, à Divindade...
Anjos, vós a nós sobrevoando
E nós tão distraídos andando.
Que bom chamar e lembrar-vos:
- Anjos, vinde a nós, aqui e agora!
Anjos de voos rápidos,
Estabilizai-nos no coração,
Na esperança e na confiança,
Abertos à vossa inspiração.
Anjo pressentido, Anjo musical,
Entra mais na nossa alma,
E que estes momentos musicais
Se repitam e frutifiquem para todos.
Demos graças à Divindade, Anjos!
Que o nosso coração vos acolha mais!
Que vos consigamos sentir e ouvir
No nosso ser interior zumbir e sorrir!
Anote-se que a miscelânea, encadernada com umas iniciais artísticas a um canto, talvez A. C., contêm outras composições para piano editadas no princípio do séc. XX em Portugal por Neuparth & Carneiro (ou importadas por Lambertini, amigo do meu bisavô materno Higino da Costa Paulino, artista e pianista, e pela casa Sueca, de Adolphe Engestrom,) tais: Saudades, por Aníbal Moutinho, a Historiette, Naiveté musicale, dedicada à Mademoiselle Alice Pereira, por Henry Ravina, as Clochettes Argentines, por Paul Wachs, Les Papilons, por Henry Van Gael, o Fado sem Esperança, de Nuno Santos e o Fado dos Tristes Amores, com versos de Ribeiro de Carvalho e música de Amadeu Raul Dias Taborda.
E talvez um bom melómano saiba discernir algo da personalidade da pessoa (ou do seu professor) que gerou esta miscelânea, certamente para aprender piano, e que já com um século ainda nos encanta... Boas audições e orações, sintonizações e comunhões com os Anjos, os Grandes Seres, a Divindade, o Amor...
Valiosa palestra proferida na Rússia em 1981 pelo meu mestre Swami Ranganathananda.
Foi em 1863, a 12 de Janeiro, que nasceu, em Calcutta, Narendranath Dutta, dum pai céptico mas leitor do grande poeta e místico persa Hafiz e dos Evangelhos, enquanto poesia, e de uma mãe de quem valorizava o domínio sobre si própria, a piedade e o carácter elevado, numa família kayastha,
tradicionalmente ligada à escrita e à administração pública. Levou a sua aprendizagem até ao bacharelato em Artes na Universidade de Calcutá,
destacando-se nos estudos filosóficos e na memória retentiva poderosa. Será no final de 1881, já depois de ter participado, e até como cantor (e por isso no fim deste artigo encontra uma pequena canção dele, moderna, em vídeo), no movimento bengali religioso monoteísta do Brahmo Samaj, de
Ram Mohan Roy, Dwarkanath Tagore e Keshab Sen, que foi aconselhado a
visitar, com outros estudantes, Sri Ramakrishna, como um exemplo dum mestre vivo. Mas ao
princípio ficou renitente em aceitá-lo como mestre, pois este quando o
ouviu cantar entrou em extâse e, depois, levando-o para a varanda da
casa, confessou-lhe ser ele o discípulo que há tanto tempo esperava, e
cultuou nele, com a saudação típica indiana, a divindade Narayana. Já na
sala com os outros devotos, Narendra perguntou-lhe se ele já vira Deus,
respondendo-lhe Ramakrishna que sim, e que quem verdadeiramente
aspirasse a Deus, e chorasse até, O poderia ver. Anote-se que a capacidade visionária de Sri Ramakrishna era invulgarmente poderosa e tem sido assunto de muitos estudos e livros, nomeadamente na obra de Swami Yogeshananda, The Visions of Sri Rmakrishna, onde são relatadas cronologicamente.
Romain Rolland, na sua famosa La Vie de Ramakrishna,
p. 229, que leio num exemplar que tem notas de posse e de leitura do meu irmão
Carlos ( e muita luz e amor na sua alma, pois já partiu para o outro mundo), descreve assim a intuição do mestre:
«No cenáculo dos seus
discípulos indianos, em que todos se distinguiram mais tarde pela fé e
pelas obras, houve um, excepcional, em relação ao qual a sua atitude foi,
também, excepção: pois, ao primeiro olhar, elegeu-o, enquanto que o
jovem homem ignorava-se ainda para o que ele fosse: um chefe espiritual de humanidade: - Narendranath Dutt - Vivekananda. O Paramahamsa [Ramakrishna], com o seu génio de intuição das almas, que via num só
batimento do coração delas desenrolar-se toda a maré do seu futuro,
pensava que ante mesmo de reencontrar o grande discípulo na vida, já se tinha cruzado com ele, na matriz dos Destinos.[Uma subtil idealização-visualização do que pode estar por detrás ou na base causal do desenrolar da vida no plano da incarnação fisico] Inscrevo aqui a sua bela visão. Eu [Romain Rolland] poderia, tão bem como os psicólogos, tentar
explicar pelos meios correntes. Mas que importa? Sim, nós sabemos que
uma vigorosa visão que se impõe, cria e faz nascer o que ela viu. Num
sentido mais profundo, os profetas do que será foram os verdadeiros
criadores do que não era ainda, mas hesitava em ser. [Outra tentativa de aproximação à matriz causal do que sucede na incarnação terren: o olhar quente do mestre jardineiro faz germinar potencialidades, sementes]. A torrente que foi o
destino genial de Vivekananda ter-se-ia perdido nas entranhas da terra
se o olhar de Ramakrishna não tivesse, num golpe de machado, fendido a
rocha que o bloqueava, e pela brecha fazer brotar a torrente da alma.»
Na segunda visita de Narendra (Swami Vivekananda), o mestre, Sri Ramakrishna tocou-lhe e Narendra começou a ver tudo à roda e a
desaparecer, pelo que começou a gritar que tinha os pais em casa para
tratar, obrigando Sri Ramakrishna, rindo-se, a fazê-lo voltar à sua
consciência de vigília normal. Regressando a casa, ainda mais desconfiado
ia em relação a Ramakrishna. Seria um hipnotizador ou um doido? Todavia
na terceira vez que se encontraram ainda foi pior, pois o mestre, tocando-lhe, fê-lo perder a
consciência e aproveitou esse estado para lhe fazer algumas perguntas ao
seu eu espiritual. Narendra, apesar de impressionado fortemente,
continuou com dúvidas e não tinha receio de questionar as visões de
Sri Ramakrisna como sendo alucinações, mas um dia que ridicularizava o
ensinamento não-dual, ou seja, aquele que afirma que Deus ou o Absoluto está em tudo, ou se vê em tudo, ou mesmo é o único que existe em tudo,
Ramakrisna Paramahamsa veio e tocou-o, fazendo-o entrar num estado não
dual, no qual Vivekananda via a Presença Divina em tudo, estado muito expandido de consciência este em que permaneceu alguns dias.
Assim se foi convertendo ao reconhecimento de Sri Ramakrishna como seu mestre, sobretudo após a morte do pai em 1884, realizando que
Ramakrishna era o seu intermediário divino, o guru, e teve ainda
dois anos de aprendizagem e formação, nomeadamente a aceitar e sentir a Divindade feminina, Shakti, Kali, como Deusa pessoal, tornando-se o discípulo
mais querido e principal, embora com vários outros bem próximos, protagonistas de muitos
diálogos e histórias das biografias do mestre, nomeadamente na famosa
obra O Evangelho de Ramakrishna, Sri Ramakrishna Kathamrita, em bengali, escrita por Mahendranath Gupta, uma obra excepcional na sua simplicidade de diário dos eventos e diálogos, e que cedo circulou no Ocidente, seja nos resumos-biografias realizados por Max Müller e Romain Roland, seja pelo próprio Evangelho, traduzido para muitas línguas.
Com
a desincarnação de Sri Ramakrishna em 16 de Agosto de 1886, que mesmo assim antes de morrer iniciara doze discípulos como swamis, monges, os discípulos foram
obrigados a deixar a casa onde se reuniam em Cossipore, já que devotos e
admiradores esfumaram-se e com eles o dinheiro que sustentava o grupo, e
assim uns dispersaram-se, outros assumiram responsabilidades familiares
ou profissionais, e só alguns resolveram manter-se juntos, firmes na
devoção inquebrável ao mestre (tanto mais que tinham absorvido um
pouquinho das suas cinzas...), mudando-se para uma casa de renda barata
que reconstruiram em Baranagar, tornando-se o primeiro mosteiro ou Math.
Será
após a convocação e auscultação dos discípulos e devotos, a 1
Maio de 1887, em Calcutá, hoje Kolkota, que é fundada formalmente a Ordem Ramakrishna, ou Ramakrisna Math, sendo ele
o Presidente, Yogananda o Vice-Presidente, cabendo a Bramananda a
presidência de Belur Math, o centro em Calcutá. O lema ou mote da Ordem
e da Missão escolhido foi e é Atmano Mokshartham, Jagad Hitaya Cha, que pode ser traduzido como: Libertação pela realização do espírito e prosperidade para toda a Humanidade" . Hoje em 2022 há 214 centros no mundo, dos quais 163 na Índia.
Entre
1888 e 1891 andou frequentemente a peregrinar e a meditar pela Índia, sentindo a necessidade de trabalhar tanto o espírito como a pobreza social gritante, até receber a
intuição de que deveria viajar por barco (via Japão, China, Canadá) e
participar (e viria a ser como representante do monasticismo da Vedanta) no Primeiro
Parlamento das Religiões, intuído e projectado por Charles C. Bonney, um discípulo
ou seguidor do notável cientista visionário Swedenborg, e realizado em Boston, USA, em Setembro 1893,
durante 17
dias de sessões, discursando com brevidade e simplicidade mas grande sucesso na
tarde do 1ª dia, 11 de Setembro (que se tornou Dia Mundial da
Fraternidade), perante 7.000 pessoas, transmitindo de unidade
das religiões, pois por todas elas se pode chegar a Deus ou manifestar
as Suas qualidades e de tolerância e universalismo. Interveio
ainda doze vezes, e com tal sabedoria e convicção que o New York Herald noticiou assim: "Vivekananda
é sem dúvida a mais grandiosa figura do Parlamento das Religiões.
Depois de o ouvirmos sentimos quão tolo é enviar missionários para esta nação tão culta (learned)». A mensagem no dia do encerramento, a 27 de Setembro, tornou a ser breve e simples, sete parágrafos apenas, realçando que cada fiel de uma religião devia crescer nela e apenas assimilar o espírito das outras preservando contudo a sua individualidade e o crescimento de acordo com a lei do seu crescimento [o seu swadharma].
Tornou-se
então o
primeiro grande divulgador do Sanatana Dharma, o Dever ou Ordem Eterna, a espiritualidade indiana, no Ocidente
(antes apenas realizada por livros, embora no Parlamento estivessem
vários outros indianos, e tivesse passado um ou outro pela Europa), e em especial
nos USA, onde viveu três anos de grande dinamismo e sucesso, realizando dezenas de conferências e ensinos, fundando a Vedantic Society
em Nova Iorque e publicando vários livros sobre Yoga. Também viajou até Londres duas vezes, em 1895 e em Maio
de 1896, fazendo então amizade com Max Müller e, já na Alemanha, com
outro orientalista importante, Paul Deussen. De tais encontros escreveu pequenos mas belos e entusiásticos artigos para a revista Brahmavadin, elogiando ambos pelo abnegado e frutífero amor ao sânscrito e à Índia. Dirá mesmo que foi um dos episódios mais agradáveis da sua vida a viagem que fez com Paul Deussen, após se ter juntado a ele em Kiel, através da Alemanha e da Holanda até Inglaterra. Foi mantendo constante correspondência com os outros monges indianos,
apoiando-os de diversos modos e em 16 Dezembro de 1896, parte de Londres
e, via França, Itália, Suez e Ceilão, chega à Índia no
final de Janeiro 1897, sendo recebido com grande entusiasmo e veneração por uma população no fundo crescentemente aspirando também já a uma liderança
libertadora da colonização inglesa. Irá pronunciar consecutivos
discursos, de Ceilão a Calcutta e a Almora, para milhares e milhares de
almas, o primeiro em Madras tendo ficado memorável pela envolvência
feérica, estimulando a auto-estima dos indianos. Como escreveu Jawahardal
Nehru, em Discovery of India, p. 400, «Enraizado no passado e
cheio de orgulho na herança indiana, Vivekananda era todavia moderno na
sua aproximação aos problemas da vida, e era uma espécie de ponte entre o
passado da Índia e o seu presente».
Funda
então em 1 Maio de 1897 a Missão Ramakrisna, destinada ao karma yoga
ou trabalho social, mas que trabalha em estreita ligação com a já referida Ordem
Ramakrisna e com os seus swamis ou monges e presidentes, a sede de ambas
sendo em Belur Math, a uns quilómetros de Calcutá, junto ao rio Ganges e que eu bem conheci. Funda ainda jornais e
mosteiros e desloca-se a numerosos locais e instituições. Em Junho de
1899 apesar da saúde fragilizada, decide voltar ao Ocidente para apoiar a
obra na USA, onde funda mais centros, e para participar no novo
Parlamento das Religiões, ou melhor, Congresso de História de Religiões que se realiza em Paris em 1900.
Deste Congresso parisiense Swami Vivekananda dará ecos numa carta impessoal para a revista Udbodhana nas quais assinala a resistência ao diálogo em pé de igualdade da Igreja Católica, dominante em França mas que num Congresso recente em Chicago não conseguira afirmar-se como a melhor religião, e que decidira que neste de Paris não havia lugar para «discussões sobre as doutrinas e as vistas espirituais de cada religião». E assim diz que «da Ásia havia apenas três pandits Japoneses presentes no Congresso. E da Índia o Swami Vivekananda.» E menciona então, como observador imparcial, como Swami Vivekananda se erguera para refutar as teorias sem base do alemão Gustave Opert, quando ao culto do Shiva Lingam, expondo o que os dois disseram. Quanto à sua palestra, Vivekananda falou sobre a evolução histórica das ideias religiosas da Índia e como todas derivariam dos Vedas, mesmo as que os negavam. Afirmará também a contemporaneidade, se não mesmo a anterioridade, da Bhagavad Gita em relação ao grande poema em que foi incluída, o Mahabharata, destacando ainda nela a inexistência de qualquer referência ao Budismo.
Regressando
em 9 Dezembro a Calcutta, estabilizará então na casa mãe de Belur Math e,
embora viajando ainda até ao mosteiro de Almora e aos grandes
locais de poder Bodhigaya e Varanasi, já não sentirá forças para
participar no Congresso das Religiões de 1901, a realizar-se no Japão. E em 4 de Julho
de 1902, seja por causa da saúde em que os diabetes, a asma e até
insónias fizeram o seu desgaste, ou porque chegara a hora de partir,
depois de ter dado aulas, dialogado e meditado, retirou-se para o quarto
e terá morrido enquanto meditava, seja por um aneurisma cerebral, seja
porque o seu ser e corpo espiritual abandonou o corpo físico pelo chakra ou centro de forças
do topo da cabeça.
Nascido
numa família culta, desde novo com uma capacidade muito grande de
leitura, memória, oratória, sensibilidade espiritual e preocupações
sociais, os toques sucessivos de Sri Ramakrishna e o discipulado ascético
abriram Swami Vivekananda
cada vez mais ao Divino e ao serviço da Humanidade. Foi assim um pioneiro do encontro do Oriente e do Ocidente e da divulgação do Sanatana Dhrama ou sabedoria indiana, em especial do Vedanta e do seu mestre
Ramakrishna mundialmente, pois, embora tendo estado sobretudo na USA, as
suas principais obras, em especial o Raja Yoga, saído à luz em
1896, foram traduzidas em toda a parte, nomeadamente em Portugal, nas
segundas e terceiras décadas do séc. XX na Editora A. M. Teixeira, onde
Fernando Pessoa publicou as traduções de livros teosóficos de influência indiana. Mas foi o Brasil e a sua Editora O Pensamento (e também a Editora Ananda, com O Ensinamento Espiritual de Ramakrishna) quem se encarregaram de
divulgar mais o Evangelho de Ramakrishna (do qual podemos
apreciar a bela capa da 3ª edição, de 1936), o qual Swami Vivekananda ecoou e continuou, certamente com diferenças, apesar de ele
ter dito que o melhor que ele falara era o que mestre nele dizia...
Entre
nós outros seres conheceram sri Ramakrishna e Vivekananda e assim em 1931
era impresso em Leiria um opúsculo A Universalidade da Sociedade Vedanta, do swami Prakashananda, traduzido pelo professor Joaquim Morais da Silva, um leiriense de quem se sabe pouco e que foi membro da Societé Psychique Internationale, e publicou ainda um estudo sobre os casos de levitação.
Também Luzo Bemaldo, co-autor em 1919 de um livro de Esperanto e director de uma revista de Esperanto em 1926, traduziu e publicou em 1935 um belo livrinho de Jean Herbert, de quem parece ser um admirador (e conviria saber quem ele foi), e com razão pois Jean Herbert foi dos melhores orientalistas, intitulado Alguns Grandes Pensadores da Índia Moderna, contendo dois capítulos dedicados a Vivekananda e a sri Aurobindo e donde extraí a bela imagem colorida de uma fotografia de Sri Ramakrishna Paramahamsa...
"Impressionante fotogravura a cores de Ramakrishna", no dizer sábio da divulgação na revista Ísis, da "primorosa publicação", como partilhou o caro amigo e espiritual Alberto Ferreira.
Devemos mencionar ainda Rajarama Pundolica Sinai Quelecar, um goês que, tendo publicado uma tradução da Bhagavad Gita,
recentemente reimpressa entre nós nas Publicações Maitreya, a
instâncias de Maria Ferreira da Silva e a partir dum exemplar meu, escreveu e deu à luz
também em Goa, na Imprensa Nacional, em 1963, um esboço biográfico de
Swami Vivekananda, valioso, donde selecionamos o prefácio: «A Índia celebra hoje o
centenário do Nascimento de Swami Vivekananda, um dos seus mais
eminentes filhos, que foi mestre espiritual de muitos Indianos,
Americanos e Ingleses. Inteligência viva e penetrante, memória
prodigiosa, vontade de ferro, clareza na exposição e discussão das
questões difíceis, esse homem que, depois dos Upanishads, foi o único
que deu vigor ao pensamento Indiano, proclamava bem alto o seguinte: "Ó
jovens, antes de tudo, sede viris. Não esqueçais nunca a glória da
natureza humana. Nós somos Deus. Os Cristos, os Budhas não são senão
vagas no Oceano Imenso que Eu sou." Palavras maravilhosas encerrando o
sentido lato do homem. Julgo-me feliz, por ter tido ocasião de prestar a minha homenagem a esse grande homem que venerei e continuo a venerar, publicando em poucas linhas, a sua biografia para a geração nova ocidentalizada». Entre nós, Agostinho da Silva, dedicou-lhe uma pequena biografia, provavelmente a partir da leitura da obra de Romain Rolland, onde diz, numa percepção com influência franciscana e panteísta:«o grande fervor religioso que frequentemente o fazia entrar em êxtase e romper em louvores da Natureza e de Deus não o distraía da criação de escolas, de Universidades vivas em que se estudassem com um espírito novo os grandes problemas da humanidade, de centros de socorro, de instituições médicas; oferecia-se com os seus missionários para as tarefas mais humildes, sem querer saber a quem beneficiavam, certo sempre que, em última análise, só poderiam dar a todos maior força espiritual». Anote-se que a edição das Obras Completas de Swami Vivekananda, está publicada em oito volumes, compreendendo os seus discursos, conferências, cursos, poemas, ensaios, traduções, com cerca de 500 páginas cada, e na introdução se explica que a sua obra baseou-se nas Shastras (textos sagrados), na terra mãe e no Guru ou mestre. E os meios de realização principais do espírito eram para Vivekananda a fé (shrada), a força (virya) e jnana ou conhecimento acerca do espírito. Mas são milhares os livros com os ensinamentos e as vidas tão abnegadas de Sri Ramakrishna Paramahansa e de Swami Vivekananda. Esperamos consagrar mais alguns textos dedicados à imensa e tão valiosa obra dos dois.
E para finalizar, dando graças, contemplemos e inspiremo-nos com esta bela fotografia antiga de Swami Vivekananda meditando... Que ele, Sri Ramakrishna e os demais mestres e swamis desta linha espiritual nos impulsionem ou abençoem.... Aum Jivatman Om...
Numa outra oferta da arte da oração, Bô Yin Râ apresenta-nos uma prece pela iluminação, pela aspiração a sairmos da noite escura da alma, com a ajuda das mãos, bênçãos ou correntes de sabedoria e amor dos mestres, santos e anjos que nos possam orientar ou impulsionar na senda escarpada da comunhão com a graça do Espírito Divino e a sua Luz e Amor.
Pela Iluminação. Um Erleuchtung.
«De toda a consolação abandonado Chamo eu, Chamo eu por Ti: - Tu Luz da Eternidade! Tu Luz da Vida, - Luz do Amor!
Não deixes Em negra falta de luz Obscurecer A alma E o sentido.
Aclara O nebuloso! Ilumina A escuridão! Deixa-me A iluminação Alcançar Em Ti.
Envia Os que na Tua Luz Iluminam
Me No meu Caminho!
Dizei-lhes que olhem Pela minha procura: A minha procura De Luz.
De boa vontade sigo eu A mão orientadora! De boa vontade subo eu A escarpada senda.
Levai-me Para longe Da terra sombria! Conduzi-me Na Luz: - Ao brilho Da Graça!»
L'Homme aprés la Mort, O Ser humano após a Morte, é o título da obra colectiva publicada nas Éditions Montaigne, Paris, em 1926, e colaborada por dezassete pensadores, embora o coordenador Fernand Divoire no prefácio refira ainda quinze nomes que por uma razão ou outra acabaram por não participar, tais Maurice Blondel (por questões de saúde), Chesterton («extremamente ocupado»), Chestov («a questão posta é muito delicada e complexa») e G. Wells («põe-me uma grande questão»)... Das dezassete colaborações destacam-se a do prof. Ehrhardt, teólogo protestante, numa boa tentativa de leitura espiritual das visões cristãs do além, rejeitando a concepção materialista da ressurreição dos corpos carnais; o breve e intenso texto metafísico de Nicolas Berdiaev e os extensos textos teosóficos de B. P. Wadia e de Eduard Caslant, embora certamente outros sejam também valiosos. Seleccionei Paul Masson-Oursel (5-IX-1882 a 18-III-1956), por o conhecer há já algum tempo, e ser um valioso e pioneiro comparativista das religiões, um orientalista com bons conhecimentos linguísticos e filosóficos, e por a amiga Ana Salema ter aberto um portal dedicado a ele, onde recenseou e digitalizou centenas de documentos, livros, artigos. Como têm morrido recentemente algumas pessoas directa e indirectamente conhecidas, como refiro na gravação, e possuíndo o livro, resolvi ler o texto e simultaneamente traduzir, comentar, gravando, em três vezes, das quais partilho neste espaço do blogue a 1ª delas, onde Paul Masson-Oursel refere brevemente as visões judaico-cristã e grega, e detendo-se pouco no Egipto e na China, entra finalmente
na Índia, a civilização e filosofia que conhecia mais profundamente. Destaquemos dois momentos do texto e gravação, o 1º quando diz: «Os mistérios helénicos, como os mistérios egípcios, visavam imortalizar o indivíduo por ritos [e ensinamentos, iniciáticos]; mas os Cristãos, herdeiros do teocracismo judaico, fizeram depender do arbítrio divino a sorte dos seres humanos; eles deram tanta importância[ao ser humano] que aos olhos deles não era demasiado uma criação especial para explicar a sua chegada ao ser com o nascimento, nem uma duração sem fim para retribuir as acções realizadas durante esta vida. Brotando de uma seita que esperava com muita brevidade o fim do mundo, é certo que o Cristianismo admite um julgamento último com a ressurreição dos corpos, mas não vê nisso senão uma selecção de diversos valores humanos, sem fazer resultar a persistência ou o desaparecimento das almas criadas. O Islão trouxe uma nova afirmação da dependência absoluta em que se encontra a criatura perante o criador». Vemos assim Masson-Oursel desvalorizar de certo modo o exagero de um absolutismo e determinismo Divino sobre o ser humano...
O segundo, quando refere o valor de harmonização do microcosmo com o macrocosmo realizado na China, não só pelo Imperador mas pelas práticas populares ou «procedimentos empíricos, tais os do Taoístas: cumprir ritos, certamente, e sobretudo aqueles que sustentam ou nutrem a vida universal, através da alternância os dois princípios antitéticos, o yang masculino e quente, o yin feminino e frio; mas também economizar, mesmo capitalizar a vida do Filho do Céu; fazer que os seus sopros vitais [chi, prana] sejam conservados o mais longamente possível por uma ginástica respiratória apropriada, que o harmonizam ao Tao [Ordem cósmica] universal; e obter por uma droga ou preparado alquímico o indefinido prolongamento da existência. Aqui nenhum monopólio real da imortalidade; cada um pode recorrer a ritos, à ascese, a preparações mercuriais para prolongar a sua vida [e desenvolver luminosamente a sua alma], e correr o risco de aceder às Ilhas Bem-aventuradas». Anote-se que entre nós subsistem textos medievais alcobacenses, traduzidos ou gerados no Mosteiro de Alcobaça, com raízes célticas, que falam dessas viagens imaginárias ou astrais pelos mares até às ilhas misteriosas ou paradisíacas, tendo a notável escritora portuense Dalila Pereira da Costa estudado algumas delas, tal a Visão de Tundâlo, o Conto do Amaro, e a Viagem de S. Brandão, em especial numa das suas melhores obras Dos Mundos Contíguos. Todavia, chegar ou passar por tal viagem não é um perigo a evitar-se, mas algo que todos devemos querer, já que elas
significam não apenas a imaginação de paraísos que compensam a violência egoísta, mas a sobrevivência no além, e sobretudo a entrada consciente e
interactiva em níveis subtis harmoniosos do Universo quando deixarmos o corpo
físico. E para isso as práticas taoístas e indianas, de respirações e concentrações meditativas ou contemplativas, que encontramos também nos místicos cristãos e islâmicos, são essenciais... Boas orações e meditações imortalizantes, nomeadamente para os espíritos amigos partidos nestes dias, em especial o pai do Nuno e o Manuel Afonso, mestre do Gerês...
Mais uma oração de Bô Yin Râ, com um segundo verso bem difícil de se traduzir, apontando para o auto-conhecimento mais profundo, o da estrela espiritual em nós e que somos, e a quem Bô Yin Râ ora, e que nós, persistentemente, dia e noite, devemos apelar, aproximar, aspirar e unificar. E mais do que nunca nestes tempos de tão grande desilusão da civilização ocidental, cada vez mais manipulada e oprimida... Perseveremos... Invoquemos as bênçãos Divinas... Vençamos...
Para uma pessoa se encontrar...
Vida mais íntima! Meu próprio Ser! Vós, brilhante Estrela, Luz primordial Divina, Na escuridão terrena! Vós,
Cuja "Imagem", Eu sou,- Terrenamente entrelaçada No terreno, - De mim próprio Não compreendido: - Apenas em ti Por ti Afirmado!
Longínquo Tornei-me eu, - Assim, tal como sou Em vós, - Para longe de mim me Afastei.
Onde está o meu Caminho? - O meu caminho Para mim, - Tal como eu Eternamente Sou Em ti!?
Ó ajudai-me! Não deixai a vossa "Imagem" Pelo terrestre Deformar-se!
Ó deixai-me de novo A mim próprio Me encontrar!--- Em direcção a vós, Vós, Luz em mim!
Desprende O meu auto-entrelaçamento! Liberta Da servidão do erro, O que apenas convosco Unido A Vida pode encontrar ...
Natana
Gopal, ou de seu nome completo Sriman Natanagopala Nayaki Swamigal, foi
um notável místico, yogi, poeta e músico do sul da Índia, nascido a 9 de
Janeiro de 1843 na Palmal Cross Street, em Sourashtrapuri, parte sul da
famosa cidade de Madurai, em Tamil Nadu, filho de Rengariyar e Lakshimi
Ammal, uma família de brâmanes Sourashtra,
os tecelões, tendo recebido o nome de Rama Bhadran.
Desde cedo foi atraído para o mundo espiritual não ligando muito à
escola, nem depois, aos dez anos, ao trabalho de tecelão que
naturalmente no modo de vida das castas lhe pertenceria, já que não
queria estudar. Aos dezasseis anos resolveu desprender-se do trabalho, para o
qual não sentia vocação, sentindo-se chamado para outros voos e,
despedindo-se dos pais, retirou-se para a natureza e as montanhas a fim
de se dedicar mais plenamente à renúncia do mundo e à realização
espiritual. A
dado momento, por sonho, recebeu a indicação de procurar um guru, Nagalinga Adigal, em Paramakuti, onde foi bem recebido, aprendendo
rapidamente o dialecto sindhi e recebendo na iniciação o nome de Sadhananda
Siddhar.
Teve contactos com personagens públicas importantes que, atraídos
pela sua fama ou o queriam ver ou testar, saindo bem sempre dos testes.
Foi também iniciado na tradição já não dos Sidhas mas dos Vaishnavas,
os devotos de Vishu. O mestre ou acharya foi Vadapathraararyar, que na
iniciação lhe deu o nome de Natana Gopal, com o qual ficará conhecido, e manteve
pelo mestre grande amor ou respeito, acrescentando o seu nome em quase todos os
poemas devocionais que foi compondo, e dos quais poderemos ouvir um no fim. Leu muito os poemas dos 12 místicos
Alvares, contidos na famosa compilação, do séc. IX, Divya prabandam, que alberga 4.000 versos de alta devocionalidade e espiritualidade yogi e vaishanava, isto é, devotos de Vishnu Narayana, Krishna, Radha, caracterizados por muita Ananda, beatitude...
A sua rotina diária em Madurai no seu ashram, onde recebia discípulos, devotos e visitantes, incluía, cantos, música e satsanga,
isto é, diálogo ou palestra em grupo e sob a invocação da verdade. Um
dos nomes divinos que mais utilizava e recomendava era Govinda, que significa tanto o Deus Krishna como o Senhor da terra e das vacas, ou ainda dos Vedas. Sendo levado
nos dois anos antes de morrer, no dia de anos, em procissão de
elefante e de palanquim, anunciou então que no próximo ano já o iriam
levar morto. E assim foi libertou-se do revestimento físico, no mesmo dia em que nascera, a 9 de
Janeiro, de 1914.
O meu mestre de Madras, Shudhanda Bharati, na fotografia em cima (em jovem, tendo-o eu conhecido já bem mais tarde), escreveu um livrinho sobre Natana Gopal, e começa-o assim: «Fui
convidado a escrever sobre um santo que viveu em Madurai, a cidade das
artes e da beleza. Eu vi este santo e os seus êxtases espirituais na
minha infância. Ele vivia, movia-se e tinha o seu ser em Deus. Ele
despertara Deus na argila humana. Eram dias em que a educação inglesa
apressava-se a tornar os homens meros robots pragmáticos. O ozono do
fervor espiritual estava viciado pelo gás da impertinência agnóstica. O
sexo era em excesso. O espírito era enterrado no estômago. O estudo era
sem alma, a vida era sem espírito. A escola era enganar as pessoas
levando-as a pensarem que a vida era feita para ganhar e gozar, comer e
beber, guiar carros, e afirmar: Eu sou rico, e o que tenho é grandioso.
Os intelectuais estavam apanhados no beco sem saída de desespero moral. A
civilização era mecânica, como um carro guiada por um obstinado
condutor embebedado em direcção a uma crise grave. As pessoas estavam
hipnotizadas pelo colorido exterior da vida, pondo de lado as delícias
ontológicas e os níveis profundos de consciência psíquica.»
Narrando
depois como o irmão do seu avô, o yogi Purnananda o iniciara na via espiritual
e na busca do contacto com mestres, Shudhananda Bharati relembra-se de
tê-lo visto com Natana Gopal no jardim onde aquele dispunha de uma pequena
cabana, e conta o episódio quando tinha 11 anos: «de repente uma alma
emocional entrou no jardim, luminosa, ágil e cheia de vida. Tinha um
fogo subtil nos seus olhos e um encanto doce feminino na sua face. Era a
verdadeira imagem da devoção fervorosa a Deus. Hari Om, exclamou
o meu Mestre erguendo-se para o abraçar. Era Swami Natana Gopal. Eu já
vira este Swami. As suas canções devocionais e danças extácticas
tinham encantado a minha alma. Natana Gopal sorriu para o meu ser.
Durante cinco minutos, ele sorria e olhava-me e, batendo-me as nas
costas, disse: Lopala undi pandu, Recolhe-te interiormente e
amadurece. Falava num excelente Telugu com o meu Mestre e foi uma
festa para o coração escutar a conversa deles.»
Em
seguida narra parte da conversa e como o seu tio avô, e seu mestre
inicial, Purnananda, que afirmava que o caminho espiritual se deveria basear
na Gita, Jnana e Nama, algo bastante comum nos mestres indianos, ou seja, lerem-se e meditarem-se os valiosos ensinamentos do poema em diálogo BhagavadGita, depois Jnana, discernimento, conhecimento, sabedoria acerca de quem somos realmente e o que usamos transitoriamente e, por fim, Nama,
nome, subentenda-se de Deus. Ou seja, recomenda praticar a invocação de
Deus numa ou noutra face, ou nome divino, que nos mais atraia, pondo em
acção o amor e a aspiração, e conseguindo uma certa unificação das
forças anímicas e uma religação ao espírito e a Deus, que se manifestará
eventualmente por algum tipo de graça. Sem dúvida uma boa base
programática, por exemplo também muito praticada e recomendada por guru
Ranade, um mestre acerca de quem já escrevi neste blogue.
Por fim
«Natana Gopal cantou um kirtan melodioso emocionalmente e cuja substância era: "Canta o nome de Hari ( Harinam) incessantemente e
caminha humildemente para os seus pés"», conselho que Shudhanada
Bahrati seguiu à letra, peregrinando muito e praticando bhakti e
kirtans, e que me transmitiu também, já que durante os três meses que
estive com ele encaminhou-me com cartas de recomendação para o ashram de
Tiruvanamali, de Ramana Maharishi, para a comunidade de Auroville e
para o centro de Aurobindo em Pondichery, onde dialoguei e meditei.
Alguns ensinamentos desse seu livrinho biográfico de Natana Gopal mostram bem a qualidade devocional da sua via yógica, a da bhakti,
ou da devoção, em que o amor a Deus na forma escolhida pelo discípulo é
perseverantemente dedilhado, cantado: «Pára a mente que passeia e fixa-a no
coração do amor... Medita no que habita no coração, noite e dia e
vencerás a morte... A repetição do nome de Deus (japa, namdev, satnam) abre o
coração... Mantém a Luz do Amor de Deus ardendo com brilho no coração...
O corpo murcha sem comida. A sabedoria tremeluze sem a devoção
amorosa...».
Nestes tempos em que tanta mentira e opressão política, científica e mediática nos envolve, saibamos acender e erguer mais em nós e à nossa volta, o amor, tanto em discernimento como devocionalmente, isto é, em aspiração aos seres celestiais, aos mestres, santos e santas, ao espírito, ao Amor e à Divindade, sob que forma ou nome mais A amarmos e adorarmos...
Segue-se mais uma prece do livro Das Gebet, A Oração, de Bô Yin Râ. Nela se exalta a Divindade, fonte de todas as alegrias e a sua Luz e o seu Amor eternos que se derramam pelo Cosmos e a Humanidade, nomeadamente com a ajuda dos Espíritos celestiais e Mestres. Que possamos merecer a sua ajuda, tão necessária nos nossos conturbados dias, em que o discernimento da verdade é bem difícil de se manter a menos que pratiquemos bem a oração, a meditação e a contemplação, e neste último sentido juntámos as duas pinturas de Bô Yin Râ...
Boas inspirações. E, claro, ao orar (...), pode alterar a ordem de um ou outro verso, já que fiz uma tradução bastante literal... Lux!
NUMA GRANDE ALEGRIA
Agradeço-te Fonte de toda a Alegria, - Luz primordial eterna Amor doador da Vida, - Causa Do que eu Posso vivenciar, O que hoje Me torna feliz,- De toda a queixa Liberto agora, - Preenchidos estão Esperanças e sonhos!
Porém mal compreendo Como o obtido Se tornou realidade.
Vós porém: Seres de Amor, No Espírito, Vós, Que o vosso Caminho E veredas conhecei Vós, Que o Vosso Amor Chama a ajudar Enviai-me, Ajudantes, A vossa força.
Ensinai-me A discernir Como eu A minha alegria Posso merecer!
Deixai tornar-se-me uma bênção O que neste dia me iluminou!
Ó não me deixais Só! Só com a minha Alegria! Protegei, Protectores, A minha alma, Para que de presunção