segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

As Quadras ou Cantigas (2ª p.) de Antero de Quental, nas "Primaveras Românticas". Com vídeo.

Segunda e última parte da leitura comentada (em vídeo, no final) das quadras de À Guitarra, escritas em 1864, e publicadas no jornal o Século XIX, de Penafiel, em 7.XII.1864, e inseridas nas Cantigas, das Primaveras Românticas, de Antero de Quental, 1872, antecedida pela transcrição de algumas delas:
                            

II
«Guitarra, minha guitarra,
Quem as cordas te estalou?
Acabe-se esta cantiga
Aonde o amor se acabou!
III
Lindas águas do Mondego,
Por cima olivais de monte!
Quando as águas vão crescidas
Ninguém passa além do ponto. 

Ó rio, rio da vida,
Quem te fora atravessar!
Vais tão cheio de tristezas...
Ninguém te pode passar!

Mas dize tu, ó Mondego.
Pois todos levam seu fado,
Tu que foges e eu que fico
Qual de vós vai mais pesado? 

Tu, ao som dos teus salgueiros
Levas as tuas areias...
Eu ao som dos meus desgostos
Levo estas negras ideias... 

Debaixo do arco grande,
Onde a água faz remanso,
Tem paz qualquer triste
Que ande à busca de descanso.

O luar bate no rio;
Tem um mágico fulgor...
Não há assim véu de noiva
Nem há mortalha melhor!
(...)
Lindas areias do rio!
Uma trás d'outra a fugir
Vão direitas dar ao mar...
Ah quem  pudera dormir
(...)
Lindas águas do Mondego,
E os salgueiros a cantar!
Quando a cheia é de tristezas
Ninguém a pode passar!»

Saltamos entretanto várias quadras e concluímos com a última, embora na gravação tenham sido lidas todas...
VI
                               «Guitarra, minha guitarra,
                                  Já que a corda te estalou
                                  Pode acabar a cantiga
                                  Aonde o amor acabou!»
 
Segue-se a leitura comentada da À Guitarra, algo longa mas com alguns comentários espirituais bons....
                      

As Quadras ou Cantigas (1ª p.) de Antero de Quental, nas juvenis "Primaveras Românticas". Com gravação delas.

Primaveras Românticas, Versos dos vinte anos (1861-1864) é o livro das composições líricas de Antero de Quental, criadas entre os 19 e os 23 anos, e por ele dadas à luz primeiro num pequeno livro, Beatrice, 1863, e em publicações periódicas de Coimbra  e de Penafiel, sendo finalmente recolhidas sob este título já só em 1872, quando estava a chegar aos seus 30 anos, com Duas Palavras prefaciais onde afirma «... não me envergonho de ter sido moço. Ter sido moço é ter sido ignorante, mas inocente./ A luz intensa e salutarmente cruel da realidade dissipa mais tarde as névoas doiradas da fantasiadora ignorância juvenil. Mas a inocência, a inteireza daquele indomato amore com que abraçamos as quimeras falazes dum coração enlouquecido pelo muito desejar, essa inocência é a justificação sagrada daquelas ilusões, o que as torna respeitáveis...»
 As Duas Palavras prefaciais concluem assim, quando Antero de Quental estava na sua fase mais revolucionária (as Odes Modernas, que a iniciaram, tinham saído já em 1865)  mas não desdenhava do que, quinze anos depois, em 1887, na carta autobiográfica a Wilhelm Storck considerará "poesias de amor e fantasia" mas também "du Heine du deuxième qualité":«Depois, desse passado de ingénua e quase sublime ilusão, há ainda um ensino prático, imediato, a extrair para a vida real, para a vida real, para a vida da acção e da justiça. Essas ilusões como que nos estão dizendo de contínuo, na sua linguagem misteriosa: «Fostes crianças: sois já homens. Pois sede agora homens tão lealmemte, tão completa e resolutamente como soubestes ser crianças. Ponde nas acções fortes a alma, o ardor intrépido que pusestes nos sentimentos apaixonados... e não teremos existido debalde».
Se isto é assim, encontrarão ainda os espíritos justos alguma utilidade moral nestes versos de rapaz.»
A obra contém a Beatrice, Peppa, Idílio Sonhado, Maria, Cantigas e, finalmente, Poesias Diversas. Ora foram as Cantigas, que estão divididas em três partes, intituladas À Guitarra, Ao Luar e Limoeiro Verde, contendo cada uma várias quadras, que escolhemos para ler e comentar...
Lemos e comentamos em duas gravações as quadras da À Guitarra, publicadas inicialmente em Penafiel, em Dezembro de 1864 no jornal O Século  XIX, fundado pelo pai de Joaquim de Araújo, Rodrigo Teles de Menezes e Germano Vieira de Meireles, e transcrevemo-las aqui, tanto mais que elas não estavam ainda disponíveis digitalmente, a não ser num Pdf e nos extractos que a  Amazon mostra nos resultados do Google, numa açambarcadora propaganda opressiva de qualquer concorrência, mesmo que apenas divulgativa.
 I
«Três cordas têm a guitarra
Uma d'ouro, outra de prata...
A terceira que é de ferro,
Todos lhe chamam ingrata.

Ninguém faça ramalhetes
Com flores que hão-de murchar...
Ninguém tenha cordas d'ouro
Se não as quer ver estalar.

Aprendem todos comigo
O que pode acontecer
A quem canta os seus amores
Num cabelo de mulher...
Das três cordas da guitarra
Só a terceira dá ais...
Bastou-me um amor na vida,
Um só amor e não mais!
Quantas folhas tem a rosa?
Quantos raios tem o sol?
De quantas ervas do monte
Faz o ninho o rouxinol?
Quantas ondas d'água amarga
De tantas que andam no mar,
Quantas ondas são precisas
Para um homem se afogar? 

Dizei-me, ó rosas do monte,
E ondas que andais a fugir,
Quanto amores se querem
Para um peito se partir?

Não sei quantos peitos tenho,
Nem já quantos corações...
Mas não cabem dentro deles
Minhas grandes aflições!

Quem tem vida para isto
Mais valia não a ter!
Palavras leva-as o vento...
Quem as podera esquecer!

Das três cordas da guitarra
Uma chora, outra dá ais...
Bastou-me um amor na vida,
Um só amor e não mais!» 
 
Segue-se a leitura, comentada. Numa 2ª gravação foram lidas e comentadas as restantes quadras d' À Guitarra", também neste dia, 17.II.2020.
                      

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Dia de S. Valentino. Do Amor humano, mundial e angélico. Dos anjos e do Arcanjo de Portugal.

     Para além do amor horizontal aos seres humanos e aos animais, à natureza e às coisas, a ligação ou comunhão vertical e interna com os Anjos, santos e mestres - que se pode chamar também comunhão dos santos, corpo místico da Humanidade, Igreja triunfante, Satsanga, Sanga, Awali - é certamente fundamental na harmonia bem orientada  da humanidade multipolar, dos países e tradições, e de cada um de nós...
Ao contrário das comunicações entre os seres humanos, que pelas palavras, o abraço, o telefonema, o e-mail fácil e vídeo-chhamadas reciprocamente realizam trocas de informação e energia do que querem ou precisam, a comunicação com os Anjos  é bem mais difícil de se alcançar pois implica merecermos conseguir sintonizar com tais níveis subtis e seres invisíveis, e perseverar no tempo consagrado a tal
Poucas pessoas meditam ou rezam  ao seu Anjo da Guarda ou mesmo ao Arcanjo de Portugal, pelo que muito raramente obtêm  vivências interiores, pois estão mais num plano de religiosidade e sentimentalidade e não tanto de espiritualidade, pouco conscientes ainda da sua identidade espiritual, e mais identificados às necessidade corporais e  à personalidade ou à alma mutável e, embora com mais ou menos fé nas suas crenças, santos e Deus, em geral pouca estabilidade e silêncio alcançam nas suas mentes para conseguirem sentir ou ver interiormente o Anjo.
Não há assim um centro, um auto-conhecimento da centelha espiritual em nós, e  o corpo espiritual não é consciencializado nem desenvolvido, os sentidos espirituais pouco estão despertos ou activos e os níveis mais instintivos predominam ainda. Ora para conhecermos, vermos ou termos a certeza da existência dos Anjos, o olho espiritual tem de estar a funcionar, a luz subtil tem de circular, e a nossa vida deve permitir a descida de tal graça...
  É necessário praticarem-se formas de harmonização, leitura, oração, meditação, contemplação, canto, além da vida coerente, sóbria, ética, harmoniosa, para podermos, através de tais concentrações e orientações energéticas e conscienciais, diminuir a agitação dos pensamentos e focar e orientem  as forças anímicas para estados,  níveis e seres subtis, com amor e persistência, e acedendo-se então aos planos espirituais.
Além do amor aos pais, aos amigos, à amada ou amado, aos próximos, também o amor ao Anjo da Guarda, ao Arcanjo de cada país, ao mestre de cada um, à Divindade nossa, são fundamentais de se desenvolver, pois não deixam diminuir ou apagar a chama do Amor em nós, e se conseguirmos perseverar nas tentativas de recolhimento, sintonização e comunhão com eles, obteremos ou  desenvolveremos vidas mais harmoniosas, justas, criativas, perenizantes...
Quanto ao Arcanjo de Portugal, que não é um anjo nem o arcanjo S. Miguel, como alguns queriam errada ou dolosamente, e que as pessoas rezam e invocam, ou que  evocam para salvar o país, devemos lembrar-nos que temos de merecer  pessoal e interiormente tal inspiração ou bênção, o que implica aspiração perseverante nossa (e a dispersão actual  da vida, e a opressão dos media, diminui-a), e simultaneamente trabalharmos para que tais bênçãos ou presenças e qualidades, tal a serenidade, a subtileza, a gravidade, estejam mais vivas em nós e logo em Portugal ou no meio ambiental em que vivemos.
A harmonização externa é na realidade um trabalho hercúleo pois sabemos bem como a manipulação e a alienação tanto política e financeira, como mediática, médica,  cultural e  psico-espiritual é grande e, espalhada pelos meios de informação e redes sociais, arrebata, manipula, aliena, amilhaza a maioria. 
Assim orarmos, meditamos e contemplarmos o Anjo da Guarda, o Arcanjo do nosso país, e a Divindade é um trabalho simples, directo e fundamental tanto para a "salvação" ou salutificação ou harmonização individual, como para a nacional e mundial...
Possamos nós intensificar diligente ou ardentemente o amor, a atracção unitiva com tais seres elevados, de modo a que as suas energias e consciências mais luminosas e expandidas estejam mais activas em nós e entre nós...
 Possam o dia e a noite de S. Valentino  alcançarem, tocarem  ou inspirarem amorosamente não só os seres mais amados na Terra, tal o amado ou a amada ou as pessoas mais queridas,  como também os dos planos subtis e espirituais, mormente os mestres e santos e o Arcanjo de Portugal, dispondo-nos, ao contrário da maior parte dos políticos e gestores, a trabalharmos mais abnegadamente e luminosamente pelo bem, por Portugal, pela Humanidade multipolar ligada ao Amor e à sua Fonte Divina...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Joaquim Leitão, "A Mulher e os Livros": das finas mãos das monjas às bibliotecas vivas...

Joaquim Leitão (Porto, 1875 - Lisboa, 1956), formado em medicina, dedicou-se ao jornalismo, à escrita, à bibliografia, exercendo cargos administrativos e públicos importantes. Deixou vasta obra, nela se destacando, como tradutor, uma dúzia de livros de Tolstoi vertidos do francês, como historiador, os estudos sobre o palácio de S. Bento, a revolução de 5 de Outubro e as revoltas monárquicas, e como escritor vários títulos, alguns regionalistas. 
 
Este pequeno opúsculo, pela sua curiosidade e pelo amor aos livros e bibliotecas foi fotografado e partilhado dispensando grandes comentários pela sua sensibilidade, cultura e  amor tanto à mulher como aos livros, com os quais fez de certo modo a sua vida. 
Quanto à sua mulher, D. Amélia de Abreu de Lima Tavares Cardoso Leitão, a quem dedica a obra, embora não leiamos  elogios nem a ela nem às musas, observamos a esperança que Joaquim Leitão tinha nela e suas amigas de virem a ser impulsionadoras das bibliotecas populares, sonho que acaba por ser o tema principal do opúsculo, exceptuando a parte inicial em que elogia com grande sensibilidade e conhecimento as monjas ou sorores que iluminaram os códices antigos, ou os livros religiosos, das suas congregações e conventos.
Ressalve-se o ter sido escrito na época do Estado Novo, e logo e ter na parte final o preço do aprobatur expresso na fé na raça, no regime da época e nos alfacinhas... 
Mas como tudo passa e a luta pela liberdade, a cultura, o amor e a beleza continua, leiamos Joaquim Leitão no seu elogio das artes caligráficas femininas, tão necessárias face à tecnologia digital, e elogio das bibliotecas populares, hoje de facto, a não serem acompanhadas de interactividade presencial, dialogante e até museológica referida, e portanto já ultrapassadas pelas bibliotecas municipais, em geral bem equipadas e com a biblioteca universal em rede digital,  e que são ainda peregrinadas pelas cultoras e cultores das belas letras embora não de muitos estudantes de vilas descentralizadas e sem elas... 
Já quanto à cruzada laica pela estimulação da leitura, advogada por Joaquim Leitão na linha de Guarino, sem dúvida que será sempre necessária, face a tanta absorção do templo livre pela tão manipulada e alienante televisão...
Ler na receptividade pura e lúcida, escrever infundindo a luz, a verdade e o amor...

 











domingo, 2 de fevereiro de 2020

Antero de Quental: da Filosofia e do Budismo ao suicídio e à realização espiritual e Divina.

Quando equacionamos as vastas leituras, reflexões e diálogos a que Antero de Quental (1842-1891) se consagrou, desde jovem, em especial Michelet, Proudhon, Hegel, Kant, Hartman, entre muitos outros, somos levados a pensar que talvez tenha valorizado demais a busca filosófica, dentro de conceitos e doutrinas, como o meio principal para a compreensão do ser humano e dos mistérios da vida, em vez de a tentar (ou pelo menos culminar) pela meditação, a intuição e a comunhão, já entrando numa dimensão não apenas racional e objectiva mas religiosa e sobretudo espiritual.
Antero de Quental constantemente surge-nos como alguém que ficou num "no man's land", numa terra de ninguém, num umbral entre a terra e o céu, entre a vida e a morte, a realidade psico-física e o absoluto ou o divino, com quem não conseguiu estabelecer a relação interior ou vivida de amor e conhecimento, em parte também pela doença psico-somática que o enfraqueceu...
Toda a sua afectividade natural, tão pujante na adolescência para a mulher, idealizada mesmo como Beatrice de Dante, e depois para a humanidade livre, com todas as suas aspirações de justiça e de revolução, expressa em belos e poderosos poemas começou a enfraquecer, a esfumar-se, conseguindo-a sublimar contudo nos imortais Sonetos, que retratam os caminhos filosóficos de luta entre a aspiração e a dúvida, a vida e a morte, o fatalismo e a liberdade, o deus vingativo e o deus amoroso, o vazio e o amor, rumo a uma luz e unidade  apenas levemente entrevista.
Morta a fase poética, desiludido da política, restou-lhe a filosófica, que sempre tivera mas pouco realizara por escrito apesar de vários programas ou projectos, que consegue todavia no último ano da sua vida culminar ou cumprir no seu testamento As Tendências gerais da Filosofia na segunda metade do século XIX, publicado em três números da revista Portugal
Certamente que restava a grande fraternidade idealista com vários amigos, com maravilhosas ou sábias cartas enviadas, e o amor para a família e as duas crianças adoptadas.
Mas isso não era suficiente e o seu coração foi cada vez diminuindo na irradiação equilibrante necessária face aos problemas da saúde nervosa e ao isolamento ambiental profissional, social e de missão.
 Uns meses antes de morrer ainda respondeu presente a um apelo estudantil da invicta urbe portuense para presidir a uma causa nacional, na efémera Liga Patriótica do Norte, contra o imperialismo inglês, mas aí viu de novo surgir em si a amarga desilusão e partiu do continente já sem desejos nem esperanças, como nos narrou Guilherme de Vasconcellos Abreu no seu contributo para o In Memoriam, a propósito de um sutra sânscrito do Hitopadexa que discutiram:
«Tudo estudou, aprendeu tudo e tudo executou, quem voltou as costas à esperança e se ampara descansado em nada esperar.»
Antero ficou mais sombrio depois de lermos este aforismo sanscrítico, e por vezes interrompia-me dizendo:
"-É exacto!... Não tinha consciência deste facto!"
Digo interrompia-me porque ele pouco falava, queria-me ouvir acerca do panteísmo hindu, acerca do pessimismo, do nirvana.»
Certamente se Antero de Quental tivesse estudado mais a tradição vedântica, em especial das Upanishads e na linha dwaita, ou seja, a que aprofunda a individualidade humana e a sua capacidade de uma relação pessoal com a Divindade, ter-se-ia iluminado, e vivido, mais...
Antero de Quental podia ou deveria ter aprofundado  a realização espiritual pelo coração, pelo amor, para com a Fonte, tanto dentro de si como no mundo espiritual ou mesmo no Absoluto, por uma busca e consciencialização do espírito e da Divindade.
Por múltiplas razões, e embora Antero tivesse raízes familiares religiosas e sensibilidade mística, e tivesse até lido os místicos alemães medievais, como refere mais de uma vez (a theologia germanica), esse cristianismo porque demasiado pietista ou devocional e excessivamente dependente de Jesus não lhe podia servir, seja como estudante de Coimbra, ou apóstolo de um socialismo idealista, ou já depois tão aberto ao ecletismo que o caracterizava e mesmo ao panpsiquismo, de que vimos uma alusão de Vasconcellos Abreu e de que a sua correspondência por vezes fala, tal como com Carlos Cirilo Machado...
Por outro lado o pessimismo e sobretudo o budismo, se por um lado o desapegavam do egoísmo e o tornavam mais moral  e ético, por outro lado, com as suas limitações de realização amorosa, espiritual e divinal, acabaram ainda por enfaixar mais Antero em liamas e numa linha de renúncia, de perda do eu e de desesperança. 
E assim o caminho espiritual iniciático interior que se baseia muito na meditação e contemplação, na consciencialização do espírito e na religação amorosa a Deus não foi suficientemente discernido como fundamental e realizável por Antero de Quental.
Quando o corpo enfraqueceu demais e a inserção positiva na sociedade, na sua missão de vate ou pensador se esfumara, as amizades de uns poucos de amigos distantes não chegaram para deixar de sentir-se demasiado desiludido do seu tempo e sociedade, sobretudo, quando regressado no fim de tudo à sua ilha dos Açores, as duas jovens adoptivas foram retiradas da sua tutela e teria de regressar para Lisboa envelhecido e quase sem nada nem ninguém...
Para o peregrino que sempre fora, as amarras quase estavam cortadas e o balão da sua alma balançava-se aos ventos atlânticos, sob o capacete algo opressivo da atmosfera coberta pelo que Antero, provavelmente após uma certa luta interior, se faria bem se faria mal, cortou as amarras da sua âncora e partiu samuraicamente, simultaneamente desesperançado e sob a Esperança...
Escrito na noite de 02.02.2020, após uma ida ao jardim da Estrela onde uma estátua o comemora...
Luz e Amor para ele, rumo à Divindade, no corpo místico da Tradição Espiritual Portuguesa...

2-2-2020, (ou 02022020), um dia e um mês de mais Amor Divino e Unidade.

                      
O dia 2 do 2 de 2020 (ou 02022020, cf. P.s.) é certamente um dia belo para se trabalhar o Amor, a energia que subjaz a manifestação e que gera a atracção e repulsão entre as partículas, os elementos, os seres e os mundos e logo proporciona a coesão, a unidade, a fecundidade, a Vida, o Cosmos ordenado e belo.
É um dia que deve ser bem comemorado seja com meditações, orações, cogitações, escritas e projectos, seja com diálogo e, se possível, com comunhão amorosa, fortificando-se e irradiando-se a energia do Amor na Terra, que tanto necessita dela pelas pragas do terrorismo, do imperialismo norte-americano mais aliados e da oligarquia financeira mundial que domina e manipula  grandes sectores das sociedades, nomeadamente a banca, os meios de informação e distracção, as indústrias dos armamentos e as grande corporações, enganando, explorando, oprimindo ou mesmo matando tantos seres humanos, como vemos em particular no Médio Oriente e na América Latina...
 Como já escrevera ao início da manhã,  acompanhado de duas imagens, caracterizáramos o dia e o mês assim: 
"Que o seu dia e mês seja mais plena e luminosamente a dois: com a sua alma afim ou mesmo gémea, ou ainda com o seu mestre ou o seu Anjo. Ou mesmo o seu Deus...
Logo, medite mais, aprofunde tal relação e, acima de todas as falsidades e injustiças, alienações e violência, viva mais o Amor e a Terra Lúcida... 

Lux, Amor, Spiritus, Theos!"
 Aprofundar o Amor é reconhecer a sua primordialidade cósmica, é sentir e ver como ele é da mais íntima essencialidade divina e como  se derrama dos sucessivos Sóis macrocósmicos até chegarmos ao sol interior de cada um de nós, em alguns completamente apagado pelas trevas da mentira, da maldade e violência, noutros brilhante, irradiante, como amor, solidariedade, compaixão, caridade, empatia, aspiração ao bem, luta pela verdade e a justiça. A isto somos chamados....
Uma das imagens, a pintura de Bô Yin Râ, Emanação, extraída da série incluída no seu valioso livro Mundos, Welten, mostra no plano espiritual a irradiação Divina amorosa e é. tal como toda a sua obra pictográfica e escrita, digna da nossa melhor atenção, estudo e contemplação.
 A outra imagem, pintura religiosa do séc. XVIII, da escola conventual carmelita de Beja, pouco conhecida e muito bela e amorosa, lembra-nos que não estamos sós nem limitados ao plano físico sensorial, mas que os mundos subtis e espirituais existem e neles se encontram seres com quem o Amor pode ser desenvolvido e trabalhado, recebido, concentrado e irradiado, dos antepassados aos espíritos celestiais.
Assim que o nosso Anjo da Guarda possa ser mais invocado ou consciencializado na oração, na meditação e na acção e nos estabilize mais no Amor e na abertura e ligação Divina. 
Que o Arcanjo de Portugal possa ser mais bem invocado e saudado, merecido e partilhado.
Arcanjo de Portugal, que não é o Arcanjo Miguel, como alguns quiseram por razões diversas, tal como também não é verdadeira a relação de um anjo para cada dia do ano, que regeria ou acompanharia as pessoas nascidas nesse dia, sendo patranhices os nomes dados por sucessivas gerações de mistificadores, dos quais alguns dos últimos foram Haziel, Monica Buonfiglio, Sylvia Browne e Doreen Virtue, com os seus livros de banha de cobra angélica, nomes que as pessoas repetiam como decretos quase que forçando os Anjos, ao estilo do que fazem alguns com mestres Ascensos, que falam tu cá tu lá com qualquer auto-iludida ou intrujona, o que tem constituído outra praga recente da Nova Era, esta também tão mistificada, com as suas grandes mudanças e entradas em altas dimensões sucessivamente adiadas.
 O que está também relacionado com as quase sempre falíveis projecções e previsões astrológicas, em que mesmo minúsculos planetas descobertos não há muito, Quíron (não confundir com as invenções de canalizações de Kryon), já têm livros e doutrinas dos seus efeitos nos humanos e nas sociedades, sem que haja  o mínimo de objectividade estatística científica, ou de visão espiritual mais desperta ou profunda.  
 Sabermos despertar ou redescobrir o Amor com outros seres (nomeadamente fazendo das dualidades, unidade), com a natureza e com as pessoas com quem o Amor circula ou perpassa mais particularmente, é então fundamental, e não devemos, apesar de desilusões, deixar tanto de receber do alto Graal o fogo do Amor como de o manter, partilhar e irradiar.
                                    
A frase do mestre Jesus "onde dois ou três se reúnem em meu nome [ou na vibração amorosa, na presença do amor espiritual], eu estarei presente", será então sempre um incentivo paradigmático, apesar de todo mal e violência opressiva, a sentirmos e comungarmos a continuidade dos Mestres e dos cavaleiros ou poetas do Amor na Terra, ou seja da Tradição Perene, numa inserção no Campo unificado de energia informação consciência em que todos temos o nosso ser, e que a ciência moderna vai confirmando e que proporciona ou desabrocha portanto nos seus níveis mais elevados na comunhão no corpo místico da humanidade mais espiritual, denominada seja Igreja mística, Satsanga ou Awliyāyi Khudā.
Possa então este dia e este mês, ver realizarem-se mais uniões e projectos amorosos, mais consciencializações do Amor, que ajudem a melhoria da Humanidade e da nossa Terra.
                             
P.S. Importante: Via Joaquim Marreiros, e da autoria de Ieda Alcantara: " 02022020 . Palíndromo cuja soma é 8, símbolo do infinito e da prosperidade." Certamente, dentro da subjectividade das numerologias.....
Lemniscata da ligação infinita entre os mundos, o oito deitado ou dois corações espirituais plenamente sintonizados...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Diálogos com José V. de Pina Martins em Sintra, em 1996: Erasmo, Lefèvre d' Étaples, Bataillon, Asensio e Margolin.

Transcrição de partes de um diálogo com o prof. José V. de Pina Martins, registadas no livro que me ofereceu  então, com alguns acrescentos de agora entre colchetes:
             José de Pina Martins a ler,  numa das vezes que me visitou, na década de 90.
Às 11:35 do dia 6.X.1996, estava à porta da sua casa [na rua marquês de Fronteira, nº4, em Lisboa] para o trazer, com sua mulher Primula, para um passeio por Sintra. Fomos então até Monserrate, apreciando a bela natureza do Outono serrano no caminho ondulante nas tonalidades mágicas de luz e verde. [Entramos no parque, fomos até ao palacete, detivemo-nos na espécie de varanda sobre o pequeno monte onde se ergue o palacete e aí desfrutámos da paisagem e do arvoredo]. Com sua mulher Primula falou-se do espinho na carne, referido por S. Paulo nas suas Epístolas, apontando-lhe eu para o aspecto sexual, o que ela nunca pensara, admitindo antes referir-se a qualquer doença.
O professor Pina Martins referiu um belo poema sobre o plátano redigido por um humanista português, Estácio de Sá e, lembrando-se da tapada de Amares, de Sá de Miranda [onde estivera em peregrinação pelas terras de Basto uma semana no Verão de 1971 com Eugenio Asensio, e mais tarde outra], transmitiu a frase correcta deste «maior humanista português» sobre os escravos:«Espíritos vindos do céu lançados na praça publica», [citação que mais de uma vez proferia em defesa da dignidade e fraternidade humana].
             Francisco Sá de Miranda (1481-1548), o poeta filósofo das terras de Basto, numa gravura de Martins da Costa, e a sua assinatura autógrafa.
Durante esta viagem a Sintra frequentemente lembrou-se do seu grande companheiro Eugenio Asensio, «o único que tinha para falar destas coisas»  e que vezes sem conta foi seu acompanhante em palestras peripatéticas pelas paisagens que atravessávamos da serra e do mar, [pois ambos partilhavam o mesmo amor pela sabedoria, os humanistas e os livros]. Dizia-se Asensio um aristotélico, um homem que apreciava a boa comida e vida, enquanto que Pina Martins seria mais platónico [ou seja, menos materialista e realista e mais dado à ascese, à contemplação, ao idealismo dos mundos e ideias subtis e espirituais].
Entre as obras que Asensio publicou importantes [tais como relativas a Portugal, até então perdidas, Do Príncipe Claudiano de Baltasar Dias, o Desengano dos Perdidos, de D. Gaspar de Leão, e a Eufrosina, de Jorge Ferreira de Vasconcelos] uma foi a raríssima edição espanhola [Sevilha, 1519] do Sermão do Menino Jesus, de Erasmo, que era recitado na noite do Natal, depois de ter sido decorado, por uma criança, pois pensavam que assim poderia penetrar mais nos auditores [ou mesmo, atrair mais bênçãos ou graça eficaz do mundo angélico ou divino, direi eu.]
Das relações de Erasmo com Lefèvre d'Étaples [1455-1536, notável humanista, trilingue e pietista, pioneiro da pré-reforma francesa, pois estivera em 1492 em Itália com Pico della Mirandola, Marsilio Ficino e Ermolau Barbaro ] conta como houve confrontos fortes, sobretudo sobre certas passagens das epístolas de S. Paulo, nomeadamente a Ep. aos Hebreus, cujas interpretações não coincidiam. Já com Lutero ainda mais forte foi tanto a discussão como o triunfo de Erasmo. 
[Neste último caso focando-se na defesa do livre arbítrio humano, contra o determinismo fatalista de Lutero. Quanto a Jacques Lefèvre d'Étaples relembre-se que foi o 1º tradutor em francês do Novo Testamento, 1523 (condenada por uma comissão Inquisitorial em 22.VIII.1525; e que utilizara a versão de Erasmo), e do Antigo Testamento, 1528, e por isso foi muito atacado, nomeadamente pelo famoso "sicopante sorbónico", Nöel Béda, que durante anos  "rosnara" contra Erasmo (sobretudo por ridicularizar a escolástica, não respeitar a versão da Vulgata e querer que as Escrituras chegassem a todos e mesmo nas línguas vulgares), valendo a protecção que o Papa Leão X, um humanista, que fora condiscípulo do nosso Aires Barbosa, lhe deu].
       1ª pág. da edição de 1519 da versão grega e latina do Novo Testamento, de Erasmo.
Com efeito, Erasmo, nas anotações à sua versão do Novo Testamento, na versão inicial, de 1515, intitulado mesmo arrojadamente Novum Instrumentum, explicava as divergências em relação à versão comentada de S. Paulo, de Lefèvre d'Étaples, de 1513, nomeadamente no passo da Ep. aos Hebreus, II, 7º onde ele lia que "Cristo tinha sido feito menos que Deus", enquanto Erasmo preferia o "menos que Anjo", pois estes seriam impassíveis e Jesus sentira e sofrera; e que descera a uma posição ínfima, qual pequeno verme, havendo ainda alguns pontos melindrosos na assunção de Jesus ser plenamente Deus.
Lefèvre achava tal liberdade de linguagem e de busca interpretativa perigosa e contra-atacou com certa indignação tanto mais que Erasmo considerava que a Epístola aos Hebreus nem sequer seria de S. Paulo e não fora redigida em hebraico. Erasmo replicou-lhe com grande sabedoria e até ironia. Houve neste debate algo do confronto entre um ser mais independente na sua racionalidade e crente na existência da alma e do espírito humano contra a mera fé salvífica nas Escrituras (e sua leitura) e o menosprezo do valor ser humano, o que tanto caracterizará Lutero e os protestantes.
Da Hierarquia Celestial, do pseudo-Dionísio, comentada por Lefèvre d'Étaples
 Também houve  desacordo em relação à existência de Dionísio Areopagita, discípulo de S. Paulo, arcebispo em Paris, o fundador da divisão clássica da hierarquia angélica no Cristianismo, obra editada e comentada por Lefèvre D'Étaples e que Erasmo considerava um pseudo-discípulo, sendo a sua visão dos Anjos, podemos nós hoje dizer, meramente teórica e baseada no neoplatonismo de Proclus (412-485), com a sua teologia platónica, e os seu vários níveis da Realidade, emanados desde o Um inefável.] 
Almoçamos comida vegetariana depois de uma breve oração, proferida primeiro por Primula, de agradecimento a Deus e de lembrança dos pobres; e outra dele, de mãos dadas os quatro [Maria, estava também]. Curtos momentos para o que poderia erguer-se como coluna de Amor entre a Terra e o Céu, mas que, nos momentos de silêncio numa das faldas ocidentais da serra (onde nos encontrávamos, embora dentro de uma casa alugada onde vivíamos], se pode de certo modo mais facilmente realizar-se. E até já antes quando contemplávamos os glóbulos [ou partículas] de prana [do sânscrito, energia vital] junto ao convento dos Capuchos, [tal ligação se sentira.]
Falámos da teoria do androginato, contando ele algumas partes do Banquete, de Platão, [que especulam pioneiramente sobre tal primordial mistério] e Primula ouviu mais atenta às minhas explicações sobre o que significava "tornar-nos crianças", nas quais citei mesmo o Evangelho de S. Tomé, concordando na sua ideia de confiança de uns para com os outros, e realcei a ideia de intuição [ou seja, que se formos transparentes e puros, pouco carregados de má informação ou desinformação, e se meditarmos com regularidade, podemos captar mais a verdade dos factos ou o interior dos seres...]
Já no regresso, perto de Lisboa, acerca do livro de António Damásio, O Erro de Descartes, criticou tais fanfarronadas  improcedentes, embora reconhecesse que cientificamente até já Pascal provara alguns erros nas obras de Descartes, mas o princípio cogito, ergo sum (penso, logo existo ou sou) mantinha-se [válido.]
 
 Referi-lhe alguns dos platonistas ingleses [do séc. XVII, em especial de Cambridge, que li mais, tais como Henry More e Ralp Cudworth, grande conhecedores da sabedoria antiga e das dimensões subtis que subjazem a triplicidade corpo, alma e espírito, e logo anti-mecanicistas e espiritualistas] e defendi a primazia do ser e do ver espiritual sobre o pensar, julgo eu com concordância dele [mas certamente não de António Damásio que creio continuar a não reconhecer um eu espiritual, um centelha imortal no ser humano, considerando tal noção subjectiva do eu como uma mera manifestação de coerência inter-relativa de zonas cerebrais e sinapses, tal como me respondeu há já alguns anos numa conferência pública em Sintra nas duas perguntas que lhe fiz...].
Blaise Pascal (1623-1662) vivera só até aos 39 anos e a autópsia revelou que era quase milagre ter vivido tantos anos com um corpo tão doente. Daí a minha resistência ao pensamento tão angustiado, conflituoso e jansenista de Pascal (filósofo  cristão que Pina Martins gostou muito na sua juventude, publicando algumas obras sobre ele, sob o pseudónimo Duarte Montalegre, com que aliás assinou os seus livros de poesia...] 
[Relembro ainda que] aceitou a ideia de se editar Erasmo em português e referiu que  tinha já uma grande parte de uma obra [...] traduzida. Lembrou a defesa que Erasmo fez de Reuchlin e como conseguira que os dominicanos [mais extremistas] do Papado não fossem avante na destruição dos manuscritos pagãos [e hebraicos]. [Esta situação e defesa de Reuchlin teve o seu momento mais alto quando ele morreu em 1522, pois Erasmo consagrou-lhe logo um dos seus famosos Colóquios, A Visão, ou Entrada no Céu de Johann Reuchlin Capnion.]
Marcel Bataillon e Pina Marins. Com Eugenio Assensio, dialogaram muito, entre 1972 e 1977.
Contou ainda como conhecera pela primeira vez [um dos melhores conhecedores de Erasmo e do erasmismo] Marcel Bataillon [1895-1977, quando era estudante, em 1946, na Faculdade de Letras em Coimbra], puxado [no corredor para a sala da palestra] pelo [sábio professor] Joaquim de Carvalho [1892-1958, "uma espécie de Marcel Bataillon português"], que queria arranjar pelos menos uns vinte alunos que o ouvissem, e como Bataillon, vestido de cores escuras, lhe tinha parecido um eclesiástico a falar sobre as epístolas de S. Paulo [uma das obras  por Erasmo parafraseadas, ou seja, comentadas e partilhadas para muitos em toda a Europa, a par da sua versão anotada do Novo Testamento (200 edições no séc. XVI, desde a edição princeps em 1516), no seu afã de apresentar o que ele chamava a philosophia christi, o amor da sabedoria que unge, o amor de Deus e do próximo, em bom senso, não-violência e piedade, livre de superstições, ritos e observâncias, tal como o mestre Jesus vivera e exemplificara].
Já Jean-Claude Margolin [1923-2013, outro grande especialista de Erasmo, senão mesmo o maior, com vasta e valiosa obra publicada], quando veio a Portugal ficou muito satisfeito por ver imensos alunos com um ou outro dos seus livros nas mãos.»
                           
Aqui termina o registo muito abreviado de umas horas dialogantes com José V. de Pina Martins e sua mulher, e em que participei eu e a escritora Maria, com quem vivia então e que ficou escrito na página branca inicial do livro que Pina Martins me oferecera nesse mesmo dia, com a simpática dedicatória: «Ao Dr. Pedro Teixeira da Mota, espírito sensível às revelações (...) oferece "Eugenio Asensio Doutor honoris causa pela Universidade de Lisboa" - opúsculo em que se presta homenagem sincera a um outro grande espírito que já contempla directamente a presença divina. Com um abraço do seu muito amigo gratíssimo, José V. de Pina Martins, 6.X.96»

Última fotografia do notável humanista Sebastião Tavares de Pinho e sua mulher, numa homenagem em Lisboa, no centenário do nascimento de Pina Martins, no dia 23.I.2020. Luz e Amor para a sua alma!
 Possa esta comunidade ou corpo místico de sábios ou grandes almas, da qual invocamos  Erasmo, Lefèvre d'Étaples, Marcel Bataillon, Joaquim de Carvalho, Eugenio Asensio, Pina Martins, Jean-Claude Margolin e agora Sebastião Tavares de Pinho, inspirar-nos no ora et labora, no studium, acima de todas as correntes manipuladoras, conflituosas e desanimadoras que tanto destroem as melhores possibilidades dos seres e dos eco-sistemas, religando-nos mais à Divindade e à sua Unidade e fraternidade...
Hagia Sophia, ora in gloria pro nobis!