domingo, 27 de outubro de 2024

Comemorações do aniversário de Erasmo em 2024. Breve biografia e aproximação ao seu ser e mensagem humanista, transpessoal, espiritual e perene.

                                                         
Se considerarmos a vida de Erasmo de Roterdão (28.10.1467-12.6.1536), filho ilegítimo de Gerard, um sacerdote itinerante dos Países Baixos (então pertencentes ao ducado de Borgonha), e de Margarida Brand, filha de um médico, e portanto praticamente  educado sem pai pela mãe  e desde os quatro anos nas escolas religiosas da região, e desde os onze, em Deventer, na época grande centro de tipografia nascente (editaram-se 450 incunábulos), na escola dos Irmãos da Vida Comum, que lançaram  o movimento da Devotio moderna, menos escolástica e formalista e mais afectiva, piedosa e aberta ao estudo da Antiguidade, e onde ensinavam mestres humanistas, tais como Alexandre Hegius e Rudolfo Agricola, observaremos que cedo desabrocharia o seu génio literário,  impulsionando-o para um mundo mais elevado de valores e princípios, e uma visão do mundo bastante mais ampla, culta,  espiritual.
Sensível, inteligente,  muito auto-consciente, teve de entrar pela morte da mãe e do pai, em 1484, para o mosteiro dos Agostinhos em Steyn, onde professa e utiliza bem o remanso conventual para os estudos tanto religiosos como clássicos, escrevendo então duas obras que só publicará mais tarde, o De Contemptu mundi, Do Menosprezo do mundo, onde escreve já com grande universalidade:"os pagãos que só conheciam a luz da Natureza não estavam na escuridão pois eram iluminados pelos raios que brilhavam da luz imortal e nós podemos usá-los como escadas. Porque aquele que tenta escalar as ameias do céu cai no desagrado de Deus, mas o que sobe degrau a degrau não será derrubado". E o Antibarbarorum, onde defende os estudos da antiguidade clássica e a combinação da erudição profana com a religiosa e a elegância de língua e estilo, atrevendo-se mesmo a interrogar magistralmente os mais conservadores: "Dizes-me que não devíamos ler Virgílio porque está no inferno. Achas que muitos cristãos, cujas obras lemos, não estão no inferno? Não nos compete discutir se os pagãos antes de Cristo não foram condenados. Mas, se me autorizarem a raciocinar, ou eles estão salvos, ou então ninguém se salva"...
É ordenado sacerdote pelo arcebispo de Utreque, em 1492, e pouco depois o bispo de Cambrai, Hendrik van Bergen, nomeá-lo-á seu secretário e começará (primeiro, durante dois anos com ele),  a sua vida itinerante e de estudioso (desiludindo-se com o escolasticismo da Universidade de Paris e só em 1506 doutorando-se na Universidade de Turin), tutor e pedagogo, escritor, tradutor, e por fim conselheiro de reis,  imperadores e papas, viajando constantemente,  e indo a Itália, Alemanha e Inglaterra (a 1ª vez, em 1499, a convite de um dos seus alunos, encontrando-se com Thomas More), em geral de cavalo ou burro, os quais por vezes enalteceu em cartas divertidas para os seus amigos correspondentes.

O que busca ele ao princípio: a combinação das letras antigas greco-romanas com o cristianismo. Uma educação mais moderna, menos impositiva e escolástica, mais atenta à natureza, ao sentimento, à descoberta própria, ao conhecimento objectivo, para isso contribuindo com vários manuais escolares e livros educativos, e com a recolha dos Adágios (1ª edição de 1500, com 800, e a última, 1533, com 4.151) que se tornará o grande tesouro de Minerva ou da Sabedoria antiga ao dispor dos estudantes e humanistas, com traduções em toda a Europa, e os Colóquios (1ª edição, sem a sua autorização, em 1518, última em 1533), e que ao longo das sucessivas edições acrescentadas se tornam cada vez mais divertidamente críticos da sociedade e da religião praticada, chegando por isso a entrar no Índice dos Livros proibidos, tal como outras das suas obras causticadas pelos  teólogos mais ortodoxos e reaccionários, tais como os franceses Noël Beda e Petrus Sutor, o dominicano castelhano López Zuñiga, o dominicano inglês Edward Lee e o veneziano Girolamo Aleandro, violento repressor do protestantismo.
Girolamo
Aleandro que esteve presente e furibundo ao ter de assistir  ao auto de Gil Vicente, hoje perdido (certamente por isso), o Jubileu dos Amores, representado 1531 em Bruxelas, na casa do embaixador português D. Pedro de Mascarenhas, corajosamente já que Aleandro era legado papal e a peça troçava das indulgências e excomunhões de que Aleandro tanto gostava. Outros tempos, quando Portugal era independente e tinha cavaleiros do Amor escritores como Gil Vicente, Damião de Goes, D. João de Castro, Camões, Jorge Ferreira de Vasconcelos, Fernão Álvares do Oriente ou mesmo António de Sousa Macedo, citando Erasmo e a Prisca Teologia ou a Filosofia Perene.

O expurgador inquisitorial deste exemplar da Cosmografia de Münster não resistiu a molestar a efígie do sábio e determinado Erasmo. A sanha costumeira contra a sua lucidez, ou a de outros considerados heréticos, era "autor danado".
Erasmo esforça-se por uma renovação do Cristianismo, pelo regresso às fontes e por uma leitura mais frequente e viva dos Evangelhos, recuperados, cotejados, rectificados, anotados, propondo mesmo que sejam traduzidos em línguas vulgares, o que na altura suscitou grande oposição, nela se destacando o cartusiano Petrus Sutor, ou Pierre Costurier, teólogo sorbónico que publica em 1524, com forte e bela portada, o De Tralatione Bibliae, et novarum reprobatione interpretationum, muito indignado com as inovações e propostas de Erasmo, que tentou em vão por correspondência convencê-lo da utilidade de mais pessoas terem acesso às Escrituras sacralizadas.

Erasmo, por Hans Holbein, o jovem, numa gravura oferecida pelo prof. José Vitorino de Pina Martins.
A visão de Erasmo era profunda e sincera: houve e há uma Filosofia de Cristo. Uma boa nova, uma mensagem acessível a todos, uma piedade douta praticável por qualquer um, enquanto amor ao próximo e a Deus, e um conhecimento mais aprofundado do relacionamento entre o divino e o humano, que certamente deve culminar em virtudes e graças, ou mesmo estados de sublimidade e êxtase, tais os que o apóstolo Paulo menciona.
É pela disposição anímica de seguir correctamente o Cristo, «que é caridade, simplicidade, paciência, pureza, ou seja, tudo o que ele ensinou», que o crente em Deus, no Cristo e no corpo místico da Igreja avança na vida e no aperfeiçoamento, para se tornar também um Cristo, que significa um ungido: «todos os que renasceram em Cristo, são Cristos»,  dirá mesmo no Da Concórdia amável na Igreja, escrito para harmonizar os conflitos intra-cristãos e uma das suas últimas obras, de 1534, tal como o Da Preparação para a Morte, a qual virá na noite de 11 para 12 de Julho de 1536, as suas últimas palavras sendo: "Amado Deus", ou se quisermos "Querido Deus", e pronunciadas na sua língua natal, que nunca usava, na linha do renascer ao morrer, ou no dito grego tão glosado entre nós (por Antero de Quental, Joaquim de Araújo e Fernando Pessoa, e já desenvolvido no blogue)  "Morrer é ser iniciado"... 
Como contrapartida de tal espiritualidade directa houve desde cedo a  desvalorização dos votos ("o hábito não faz o monge"), das cerimónias, dos sacramentos, dos jejuns, das peregrinações e das superstições populares, pois a religião é sobretudo interior, intenção, aspiração, paz, comunhão, expansão, e logo universalidade, comunhão com os vivos e os mortos e sobretudo com a Divindade. 

Observa a constituição tripla do ser humano, corpo, alma e espírito, ou ainda a dualidade da alma terrena e a alma celestial, esta dotada dos sentidos subtis espirituais e várias vezes exprime-a vigorosamente, tal como no Enchiridion, o Manual do cavaleiro Cristão (1ª edição, 1503) que tantos efeitos teve em Portugal e Castela (como nos nossos dias Marcel Bataillon e Pina Martins demonstraram), e onde nos adverte com tanta actualidade: «quando os olhos do coração estão obscurecidos para que não vejas a Luz evidentissima que é a verdade, quando não captas com teus ouvidos interiores a Voz Divina, quando careces completamente do sentido do absoluto, pensas que a tua alma estará viva? (...) Se o teu próximo é mal tratado, porque é que a tua alma não sente nada?» Que actualidade tremenda, face a tanta pessoa aceitando impávidas, indiferentes ou até apoiando a crueldade dum genocídio racial... 
O  caminho cristão é ascendente mas solidário com o próximo, e a passagem do mundo material ao espiritual, pela contemplação, a oração, a meditação, o jejum, a simplicidade, implica sempre a empatia e compaixão, pois o ser humano é uma grande família, a fraternidade é a realidade original e que se clama diariamente na oração do Pai Nosso, sendo o Cristo o amor que conglomera todos os seres num só ou na Unidade.
Salientemos os grandes valores transpessoais para Erasmo: a unidade humana e europeia, o corpo místico da humanidade, o Logos, Sermo ou Palavra de Deus que vive nas escrituras sagradas e que está imanente nos seres, e que pelo diálogo e colóquio lhes permite entenderem-se e evoluírem na compreensão mútua e do Universo.
Deveremos distinguir realidades e valores humanistas espirituais dos transpessoais, ou são basicamente muito semelhantes ?
Na época a palavra transpessoal não existia: a psicologia transpessoal é dos nossos dias e representa uma tentativa de incorporar na ciência da psicologia tanto níveis e experiências outrora presentes sobretudo no corpo mágico, religioso e iniciático como teorizações e comparações de estados modificados de consciência como ainda  observações e resultados da física moderna e das neurociências, deixando para trás o termo espiritual e tentando ir para além da persona, mas contudo não conseguindo grandes impactos nas consciências e sociedades humanas, caindo em teorizações e equivalências excessivas de estados psíquicos não vivenciados (caso de Ken Wilber) e vindo a surgir mesmo, no vazio das religiões, e sobre as novas eras, canalizações, transmissões galácticas e adorações da ciência,  um travestimento do transpessoal e do humanismo, com o denominado transhumanismo (que é mais um infrahumanismo diabólico) da Nova Ordem mundial, e do super-egoísta Fórum Económico Mundial oligárquico. O que poderemos fazer, de acordo com a alma genial de Erasmo e dos seus confabulatores, como foi o nosso Damião de Goes, já na altura entrando em defesa dos Lapões e dos Etíopes vitimas de certas opressões hoje de novo rampantes?
Quando aprofundou o fenómeno religioso, a mensagem de Jesus  e o estado da Cristandade, Erasmo valorizou o poder transformador do estudo, do esforço, do amor, e realçou a importância da congregação ou união de sensibilidades, aspirações e valores afins, e portanto do trabalho em grupo, realçando a magia da oração, por Cristo expressa axiomática e perenemente no dito: "onde dois ou três se reunirem no meu nome ou vibração, eu estarei entre eles". Este estar (com discernimento) em rede de pessoas e grupo afins, para resistir, regenerar e elevar, é então fundamental tarefa dos nossos dias, tal como também a comunhão espiritual com o corpo místico da Igreja e da Humanidade, o que devemos fazer pelas nossas meditações.

 No seu Modo de Orar a Deus (1ª edição, 1524) que eu publiquei nas edições Maitreya, há um bom trabalho de discernimento das modalidades de relação do ser humano com a Divindade, ou a sua concepção de Deus, e como devemos chegar à experiência da Presença divina em nós. Também da sua vida, temos alguns registos de experiências espirituais que observou ou que lhe aconteceram e mencionaremos duas delas. A primeira está  no que nos diz nas biografias de Jean Vitrier, John Colet e Thomas More,  enquanto seres de realização espiritual, e profundamente cultores da religião do coração e do espírito, e exemplificaremos com o guardião franciscano, em Saint-Omer, Jean Vitrier, com quem esteve um ano entre 1501 e 1502: "era um ser cheio de ardor pela piedade, entrava quase em êxtase nos sermões e fazia senti-lo aos ouvintes. O seu sucessor no convento disse dele que toda a sua vida não era senão um sermão sagrado."
A segunda é a valorização da psique e do que nós chamamos algo limitadoramente inconsciente, nomeadamente dos sonhos que por vezes narra, tal o da visita de S. Francisco de Assis que o considerou um amigo da ordem Franciscana, e lhe disse que fazia bem em criticar os frades e que prosseguisse no seu caminho. Erasmo apresenta o sonho com uma grande naturalidade, interpreta-o como uma experiência espiritual normal, evidenciando que os mortos para o corpo físico e a Terra e os vivos, mas em geral mortos para os mundos espirituais, podem comunicar nos sonhos.
Nos nossos dias quantos conseguem ter tais sonhos e senti-los e interpretá-los como vivências das almas, não limitadas pelo corpo e o cérebro físico?
E não será que tal se torna cada vez mais difícil não só pela descrença em relação à comunicação anímica ou telepática mas também pela acumulação de lixo que as pessoas deixam estabelecer-se nas cabeças e almas com tanta informação e desinformação televisiva, internética e audiovisual?
Valoriza então a sobriedade (e hoje não ver televisão ou sobretudo noticiários e comentadores avençados é fundamental), a disciplina, a ordem, a purificação, tão presentes nas tradições e ensinamentos religiosos e iniciáticos para que o ser espiritual possa emergir da personalidade humana aperfeiçoada, mais completa, harmoniosa, individualizada, algo de que Erasmo estava bem consciente, nomeadamente quando afirmava que devia ao seu amor e dedicação aos estudos não se perder na profanidade dos meros prazeres do mundo. E nesse sentido, ele dizia “O ser humano não nasce, faz-se”, o “Faz o que amas, ama o que fazes” e ainda “O que tens de melhor, partilha-o com os outros”.
O erasmismo, enquanto livre indagação e interpretação das escrituras e dos ensinamentos religiosos, enquanto valorização da vida interior e da piedade douta, enquanto combinação do conhecimento profano e do sagrado, enquanto lucidez e bom senso na vida social, e enquanto predominância do espiritual sobre o material, nomeadamente nos aspectos culturais e religiosos, não morreu com Erasmo e continuou em muitos pensadores, religiosos e criadores. 

Erasmo visto e desenhado por Albrecht Dürer.
Em termos artísticos poderemos dizer que Hans Holbein, Albretch Dürer, foram dois pintores que receberam as suas influências já que o pintaram, já que estiveram expostos à irradiação serena do mestre do Humanismo, quanto este posou para eles, e de Dürer sabendo-se que instou para que interviesse mais nos conflitos de então, e quem sabe se a icónica Melancolia deve algo a isto. É interessante referir que Erasmo teria achado que não o tinham captado bem, e isto remeter-nos-ia para a imagem ou imagens que fazemos de nós, como elas são proteus, e como ora resistem ora se alteram com o tempo e o amadurecimento, e como no fundo tal se relaciona com o mito e missão que nos atribuímos, com nosso papel e a nossa imagem, no fundo o arquétipo ou estrutura funcional principal em nós, e que em certos seres está mais próxima da verdade essencial ou íntima deles, da sua vera identidade monádica, em Erasmo muito ampla e profunda na manifestação.
Certamente que uns conservam uma imagem generosa de si mesmos enquanto doadores ou beneméritos, outros de belos Donjuans, outros de ferozes Quixotes ou Torquemadas, mas difícil é vermo-nos como somos na realidade actual e na temporalidade pluridimensional: corporal, seja emocional, mental, anímica e espiritual e inserida na interactividade karmica com todos os seres que afectamos ou nos afectam.
Uma ilustração de Hans Holbein para o Elogio da Loucura: um sorbónico opositor do conhecimento livre e de Erasmo, que teve no  síndico da Universidade de Paris, a Sorbone,  Noël Beda, o expoente máximo.
O auto-conhecimento, a gnose, é fundamental, o ver-nos sem ilusões, com o olho simples e nesta linha o  genial Elogio da Loucura é um apelo a que vejamos por quantos lados ou facetas estamos desequilibrados, manipulados, egoístas, violentos. Ver-nos lúcida e desmitificadamente, e sabendo desmistificar os outros, as instituições, as doutrinas, os dogmas, as modas, as narrativas oficiais é fundamental
Erasmo neste aspecto foi exigente e ousado: criticou reis, teólogos, frades,  não-pacifistas,  gananciosos,  aduladores,  hipócritas, os Descobrimentos de conquistas e negócios, os pseudo-mestres e santos, a exploração da credulidade pública, a arrogância, a brutalidade.
Para haver a metanóia propunha um coração sincero virado para Deus e a sua invocação misericordiosa sincera ou unânime na alma, pelo que criticou o excesso de imposições sobre o que devíamos acreditar, valorizando antes o coração puro, simples, que arde por si mesmo em aspiração pelo bem e a verdade.
Criticou a oração a Jesus, a equiparação de Jesus e do Espírito Santo a Deus, pois a sua visão da Trindade não era a mesma da teologia da época. As interpolações que se fizeram por causa do Espírito Santo, nomeadamente o versículo em Mateus, 28, 16-20: "Ide (...) e baptizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito", foram por ele desmontadas, já que não existiam nas versões manuscritas mais antigas.
Propôs pois a relação directa com a Divindade, denominada por Jesus Deus Pai, e um estado de ânimo puro e logo de oração ininterrupta, que poderemos explicar como de plena atenção e boa vontade. E a desidentificação ao corpo físico como sendo a totalidade do nosso ser, e antes a assunção de um corpo psico-espiritual, com os sentidos subtis da visão e da audição.
Valorizou com o tempo e talvez face ao protestantismo a comunhão com os santos, com os anjos, o corpo místico colectivo da humanidade, a antiga alma mundo, e  a existência de uma tradição perene, de uma sodalidade de conhecedores e espirituais ao longo dos séculos, que Marsilio Ficino e Pico della Mirandola, no humanismo italiano, tinham bastante desenvolvido. 
Marsilio Ficino, Pico della Mirandola e Angelo Poliziano, num fresco pintado em 1488 por Cosimo Roselli e ainda hoje contemplável na igreja de Sant'Ambrogio, Florença.
 Valorizou os arcanos dos textos sagrados, nos aspectos filológicos, históricos, e sobretudo espirituais ou anagógicos deles, ou seja, os que remetem para o mundo do além
depois da morte e o celestial, , ou mesmo neste mundo, para o corpo subtil e os seus sentidos, órgãos e capacidades espirituais. E aqui e acolá o êxtase, a expansão da consciência, a união com a Divindade, a sensação do infinito, a comunhão com o Amor primordial, a saída do corpo, a inspiração da alma mundo, surgem.
Dos erasmianos, ou dos leitores, que o prosseguiram encontramos alguns místicos que estiveram em Portugal, tais como Francisco Monzon e Frei Luís de Granada, que o leram e citaram  e que ainda puderam, por breve tempo, valorizar a meditação, a contemplação, a ligação directa, que cedo, com a Contra-Reforma, seriam consideradas perigosas ao poderem ser conducentes às heresias do quietismo, dos alumbrados, do iluminismo.
Deste
modo a tarefa das pessoas tomarem por si mesmas o conhecerem-se, de se ligarem a Deus, de salvarem-se, acabou outra vez por ser diminuída e enfraquecida pelo ênfase na condição de pecadores, e da necessidade da ascese, dos sacrifícios, dos jejuns, das cerimónias, dos sacramentos e penitências, que frequentemente  afastaram os cristãos da possibilidade de respirarem o espírito, antes se curvando demasiado sob a carga e a cruz que lhes foi posta às costas, ainda que sem dúvida Erasmo valorizasse o esforço, o sacrifício, o sofrer dores, purificadoras e estimuladoras, tal como dizia: Ego aliam artem notoriam non novi nisi curam, amorem, et assiduitatem, " Eu não conheço outra arte de conhecimento que o curar, amar  e perseverar.” 

O seu Enchiridion milites christiani, o Manual do cavaleiro cristão foi na época uma revolução. Era como se de novo Jesus falasse na Terra. Não era que não tivesse havido já a Imitação de Cristo, proveniente dos Irmãos da Vida Comum, onde Erasmo estudara, ou as obras de S. Agostinho e de outros a apelarem à conversão e à ligação a Deus. Mas foi a obra de Erasmo, com a nova versão traduzida do grego para latim em 1515 (e bem anotada) do Novo Testamento, e sobretudo com as Paráfrases aos Evangelhos e Epístolas, que abriu nas pessoas os corações para a humanidade e sabedoria de Jesus e os olhos para a riqueza espiritual da leitura dos Evangelhos, algo que os protestantes assumiram posteriormente com força, ainda que se tenham deixado cristalizar em dogmatismos redutores da afectividade humana e da intermediarização dos santos e anjos e ainda do valor das leituras ou hermenêuticas espirituais, reduzidas portanto às literais e a uma fé quase cega, algo que Erasmo sempre considerou insuficiente pois havia uma mensagem oculta que era preciso encontrar, com o esforço do livre arbítrio bem utilizado.
Há ainda erasmismo nos dias de hoje? 
- Sim, certamente: há os que escrevem sobre Erasmo e traduzem-no, mesmo que se mantenham nas balizas das doutrinas e dogmas da Igreja e não na livre investigação erasmiana, e na não subordinação a capelinhas, dogmas e imposições exteriores. Outros estudam as suas obras com adesão a Erasmo, ainda que certamente o seu Erasmo até possa não ser o dele. Outros que o leem regularmente estimam-no como um grande ser, um amigo para eternidade, um mestre que cruzou os céus ocidentais numa época de charneira, tentando manter a unidade e universalidade de uma Europa culta, unido pelo latim, o culto das belas letras e o cristianismo ético e são.
Erasmo continua a ser hoje um modelo de independência, de livre busca da verdade, da resolução dos conflitos pelo diálogo, pela paz, dentro do reconhecimento da unidade das religiões e povos, na época pondo em causa a guerra contra os Turcos ou as conversões que se faziam nos Descobrimentos quando os próprios religiosos é que se deviam converter antes em si mesmo e a Si mesmo.
Com o seu nome dado ao programa europeu de intercâmbio estudantil, com as suas obras a serem ainda reeditadas, com um espólio fabuloso de mais de 3.000 cartas, temos de reconhecer que ainda há muito por fazer para que as suas compreensões e mensagens possam ser mais assimiladas pela humanidade dos nossos dias e este texto para o aniversário de Erasmo em 2024 insere-se nessa continuidade de erasmianos e cumpre assim, de seu amigo John Colet, deão do colégio de S. Paulo em Londres, e para o qual Erasmo escreveu um belo sermão do Menino Jesus, que nos nossos dias Eugenio Assensio e José V. de Pina Martins estudaram e muito apreciavam, a profecia de que "o nome de Erasmo nunca perecerá". E por nome, entendemos tanto a memória do seu ser, vida e obra, como a essência que se filtra ou destila através da leitura e reflexão sua e dos textos sagrados que traduziu ou comentou, e ainda a inspiração, comunicação e comunhão que possamos ter com ele enquanto espírito imortal, quem sabe se tão irónico e crítico (para nós) quão lúcido e clarividente.

Sancte Erasme, ora pro nobis, ora cum nobis. Aum, Amen. Deo gratias!

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Dizer a verdade é um acto de heroicidade: as declarações do Presidente do Kazakastan, sobre a invencibilidade da Rússia e a necessidade de se procurar rapidamente o fim do conflito.

                                   

 Foi recentemente, a 17 de outubro, que o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev (17-V-1953), na sessão plenária do tão dialogante e valioso Fórum Astana Think Tank, afirmou que a força militar da Rússia  fundamenta-se na sua história e reside no seu povo, o qual apoia praticamente a 100% o que o seu presidente Vladimir Putin (7-X-1952) está a realizar.

 Declarou ainda este sábio e afável presidente que "durante as minhas conversas com o Chanceler Alemão Olaf Scholz (14-VI-1958) disse-lhe que a Rússia é militarmente invencível. Isto é confirmado pelas suas capacidades militares, pelo apoio da população às políticas do presidente russo Vladimir Putin e pela própria história. Portanto, consideramos necessário procurarem-se opções para uma solução pacífica do conflito e apoiamos os planos pragmáticos de todos os países, incluindo a China e o Brasil,
A paz é a única opção para não se destruírem mutuamente. Não há outro modo. A alternativa seria uma guerra de extermínio mútuo. Talvez algumas potências mundiais queiram ver isso acontecer, mas tal caminho levaria a um abismo, o que tem de se evitar tanto mais  que esforçar-nos pela paz por meio de negociações construtivas é um sinal de prudência estratégica, não um sinal de fraqueza."

Não pensam assim os mais extremistas ucranianos nem  maioria dos dirigentes da União Europeia e dos Estados Unidos que estão comprometidos e corrompidos pelo Fórum Económico Mundial e a sua agenda anti-russa. É pena, é mesmo trágico, pois já morreram inutilmente mais de um milhão de ucranianos  e a Rússia, embora lentamente e sofrendo baixas, vai avançando e libertando Donbass, que poderia ter ficado na Federação Ucraniana, se tivesse sido cumprido o tratado de Minsk, assinado em Setembro de 2014, mas  assim vai ficar na Federação Russa.  Busque-se a Paz...

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

A doutrina esotérica de Leonardo Coimbra e da Universidade de Letras do Porto, segundo Álvaro Ribeiro. Uma dedicatória perdida, de 1953. O Orientalismo do Aristotelismo. A Oração como convívio com o sobrenatural.

Dalila Pereira da Costa, Sant'Anna Dionísio e Pedro Teixeira da Mota, na igreja de Rio Mau, vila de Aves, anos 80.

Nos anos oitenta, no Porto, convivi bastante com Dalila Pereira da Costa (4.3.1918 a 2.3.2012) e com Sant'Anna Dionísio (23.2.1902 a 5.5.1991), um discípulo dilecto de Leonardo Coimbra (30.12.1883 a 2.1.1936), ele  já aposentado do ensino e do jornalismo, eu dando aulas de Agni Raj Yoga no Suribachi. Ia visitá-lo, em geral sozinho, mas uma ou outra vez levando alunas ou pessoas amigas, e eram sempre  momentos numinosos, por vezes com silêncios e interrogações mudas, outras vezes com boas comunicações na sua doce e suave voz. É pois grato que  testemunho os nossos encontros e diálogos, dos quais já partilhei no blogue alguns momentos.

 Há dias, arrumando uma prateleira, após uma conversa telefónica com o Alberto Castro Ferreira, amigo sábio de longa data, e que foi discípulo directo de Álvaro Ribeiro (1.3.1905-9.10.1981) no movimento da Filosofia Portuguesa, dei-me com um livro deste, intitulado Leonardo Coimbra (apontamentos de biografia e de bibliografia), um in-8º de 95 páginas, impresso em Lisboa, em 1945  e, ao abri-lo, deparei-me com uma meia folha de papel onde transcrevera, em casa de Sant'Anna dum livro (hoje perdido, pois a sua biblioteca dispersou-se, tragicamente) que lhe fora ofertado por Álvaro Ribeiro em 1953, provavelmente a Apologia e Filosofia, dado à luz exactamente nesse ano algo esotérico (tal como também assinalou Dalila Pereira da Costa, sibilinamente, na sua obra sobre as Margens do Douro) de 1953. Ei-la:

"Ao Sant'Anna Dionísio, na hora de reconstituir a doutrina esotérica da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, oferece cordialmente este modesto tentame o seu colega, leitor, admirador e amigo Álvaro Ribeiro. 1/VI/1953."
                                
Uma dedicatória históric
a, mencionando a época à volta do  ano de 1953 como o da "hora de se reconstituir a doutrina esotérica da Faculdade de Letras do Porto", e portanto do ensino de Leonardo Coimbra, de que sabemos algo através dos seus discípulos.  O que houve nessa época seja de publicações de livros ou revistas mais significativo, ou mesmo de celebrações?
Em 1951 fora dad
o à luz o esperado e volumoso In-Memoriam de Leonardo Coimbra, organizado exactamente por Álvaro Ribeiro, Sant'Anna Dionísio,  e ainda A. Casais Monteiro e José Marinho, o qual trouxe ao de cima, através de testemunhos de quarenta almas o valor do mestre Leonardo Coimbra e do seu ensinamento. A primeira  contribuição  é  a de Teixeira Pascoaes, confessando: «Leonardo Coimbra era, e é, um espírito das alturas, que, pairando, sobre todas as coisas, contempla para além delas, o infinito. Esse além é uma fonte inesgotável...». Como abordei os vinte primeiros testemunhos no blogue, eis a ligação para o primeiro desses artigos: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2024/01/leonardo-coimbra-testemunhos-dos-seus.html

Leonardo Coimbra (1883-1936) e Teixeira de Pascoaes (1877-1952)

Sabemos que as tertúlias filosóficas em Lisboa conhecidas começaram nos anos 40 com Fidelino de Figueiredo, e nos anos 50 com Álvaro Ribeiro, José Marinho e Sant'Anna Dionísio, vindos do Norte,  no café Brasileira, no Rossio, de Lisboa, e depois no café Colonial, aos Anjos, como me contou o embaixador e amigo perenialista Jorge Preto, que nelas participou. Ora Álvaro faz a sua oferta-dedicatória em 1953, quando as tertúlias já funcionavam. E tanto podemos  então pensar que foram estes os três meios (In Memoriam,  tertúlias e livros) de se estar a reconstituir a doutrina esotérica de Leonardo e da sua Universidade, como também considerar que o esotérico neste caso não será propriamente referência a um nível mais interno ou iniciático, mas num sentido apenas simbólico de pouco exteriorizada, tanto mais que a Faculdade fora encerrada em 1928, embora até 1931 funcionasse de modo a concluírem-se as licenciaturas já iniciadas.
Todavia, com
o por mais de uma vez nos seus livros Álvaro Ribeiro considerasse a existência do lado esotérico do aristotelismo, mesmo sem certezas absolutas sobre o sentido do "esotérico" empregado, o melhor será transcrevermos (tanto mais que não se encontra na web) o que Álvaro Ribeiro, aluno e discípulo de Leonardo, escreve na pág. 17, subcapítulo Atitude Religiosa, numa leve aproximação ao esoterismo de Leonardo, e do qual muito mais se poderia dizer, como o fizeram em parte Sant'Anna Dionísio, ou outros, ou como eu posso testemunhar ao ter alguns exemplares de livros ou revistas desse cariz assinados por Leonardo ou endereçados a ele, para além de ter assinalado e comentado em artigos no blogue as passagens mais espirituais presentes nos livros de Leonardo Coimbra, nomeadamente no seu trabalho sobre Antero de Quental e no valioso Luta pela Imortalidade : https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2020/12/leonardo-coimbra-e-luta-pela.html). Oiçamos então o que diz Álvaro no seu Leonardo Coimbra, 1945.

«A vida religiosa de Leonardo Coimbra consistia principalmente em perscrutar os mistérios do Universo, numa série de interrogações à natureza e ao Espírito [interrogações mas também práticas psico-espirituais], e em admitir progressivamente a revelação de Deus.
Leo
nardo Coimbra afirmara-se sempre cristão; transferindo, porém, o seu conceito de cristianismo, do plano moral para o plano religioso, foi levado a admitir a divindade de Jesus, e a aceitar a teologia católica [parte dela]; o espírito de Leonardo Coimbra não pertencia à família dos impenitentes heterodoxos, como Teixeira de Pascoaes [que sempre foi também  penitente, e na sua heterodoxia aceitava muitos aspectos da Bíblia...], nem à dos ocultistas lunares como Fernando Pessoa [embora templariamente também fosse mais solar...]: todo ele era alvoraçada procura do sol da ortodoxia [ou do verdadeiro Sol, que a ortodoxia por vezes espelha...] Não teve, pois, mero carácter episódico e sentimental esta discutida conversão religiosa [uns dias antes de morrer de acidente de automóvel, sendo o Padre Cruz o confessor]; tem o correspondente movimento intelectual registado nos escritos de diversas fases, o que garante a profunda sinceridade do pensador; filósofo católico com Maurice Blondel, Edouard Le Roy ou Jacques Chevalier, mas pensador de raiz português, se tivesse podido continuar a sua actividade espiritual, não seguiria o movimento neo-escolástico das Universidades de Lovaina e de Milão», nisto apontando para uma tendência não escolástica, não exotérica, mas afectiva, intuitiva, mística, espiritual de Leonardo Coimbra e logo do seu ensino universitário e que frutificará depois em alguns dos seus discípulos de 1ª e 2ª geração.

Álvaro Ribeiro explica depois  como a conversão religiosa de Leonardo não fora inesperada e, entrando em seguida no subcapítulo O Orador e professor, diz-nos que o seu discurso «era gradualmente transcendente (e logo esotérico, interiorizando para a imanência transcendentalizável, direi...] e nunca superficial ou pragmático», e caracteriza-o: «Leitor infatigável, abrangia todos os domínios da cultura humana, desde as matemáticas superiores aos romances de visão poética ou de intenção messiânica; à prova de todos os assuntos resistiam a sua inteligência penetrante, a sua assimilação completa, a sua exposição exacta e brilhante. Dotado de imaginação poderosa [nado e criado entre o rio Tâmega e a serra do Marão], familiarizado com a paisagem e o além, Leonardo Coimbra transfigurava os seus conhecimentos nas mais belas miniaturas de expressão verbal que encontramos frequência nos seus escritos.»...

Será na penúltima página que Álvaro Ribeiro aponta de novo para o que permitia a ressurgência esotérica: "Intitulando o seu esboço de sistema filosófico "O Criacionismo", Leonardo Coimbra não procedia por mero arbítrio. Opunha-se ao materialismo e ao formalismo em que via agrupadas as teorias do conhecimento dominantes, porque nem a matéria nem a forma são princípio explicativos de uma actividade. Confiava na espiritualização crescente da sociedade humana e postulava um optimismo transcendente, como garantia da ação moral". 

Neste sentido estava com o que escreveu e desenvolveu a filósofa russa platónica Daria Platonova Dugina, nomeadamente no seu Optimismo Escatológico, que Leonardo Coimbra certamente apreciaria muito, e hoje só podemos desejar que nos planos espirituais possam conviver, dialogar e nos inspirar.

                              
                                                 
Quanto ao livro
 Apologia e Filosofia publicado  em 1953 e donde terei copiado certamente a dedicatória, encontramos nele (como noutros) valiosos contributos do Álvaro Ribeiro para a elucidação do emprego do adjectivo "esotérico", nomeadamente no capítulo 18º e final, que mereceria até ser todo transcrito, que  começa assim: "A filosofia aristotélica é uma filosofia da razão intuitiva, embora tenha sido muito interpretada como filosofia da razão discursiva. Filosofia de compreensão mais do que filosofia de apreensão, o aristotelismo indica, através do Organon os exercícios espirituais que adormecem na alma humana a vontade de contradição dialéctica e militante e que nela despertam a adoração da verdade. Mas para entender o aristotelismo convém reflectir sobre o significado autêntico da compreensão. (...) Compreender é prender [ligar] mentalmente o meio com o fim, o efeito com a causa, o acidente com a substância [actividades que culminam em intuições], acto simbólico que se traduz no logismo, na tese ou na proposição. Compreender não é, pois, relacionar ou compor noções do mesmo plano de entendimento".

Eis-nos com uma boa partilha de Álvaro, mostrando que o esoterismo do aristotelismo reside na dinâmica ascensional da consciência, na importância da razão intuitiva,  buddhi da filosofia Vedanta, e no facto de propor "exercícios espirituais" que "adormecem" ou acalmam a mente irrequieta ou dialéctica"  e despertam nela a aspiração ou "adoração da verdade". Terá Álvaro Ribeiro lido os Yoga sutras de Patanjali, onde encontramos esta mesma visão e caminho, nos aforismos iniciais, yoga citta vritti nirodha, a união é obtida pela acalmia, adormecimento ou extinção das ondulações mentais?

Mais à frente vai mais longe na aproximação (numa unidade do platonismo e aristotelismo) ao esoterismo: "Nos livro reunidos sob o capítulo de Metafisica é que o platónico Aristóteles nos diz ter a filosofia origem no sentimento de admiração, e nesses mesmos livros aproxima a filosofia da filomitia, pelo que nos convence  de que o sábio não pode limiar-se ao estudo do que nasce e morre, ao estudo da Natureza, mas deve fazer por que a sua inteligência ascenda à intelecção do sobrenatural."

Quanto ao estudo e conhecimento sobrenatural, Álvaro Ribeiro parece estar a par dos perigos de certas práticas (mágicas, yoguicas), advertindo "que o convívio com o sobrenatural exige predicados delicadíssimos, os quais se resumem no que a doutrina cristã estabeleceu serem as virtudes teologais", a Fé, Esperança e Caridade, esclarecendo, com certa originalidade, que os exercícios espirituais visam obter essas virtudes, e que o magistério da Igreja se deveria exercer no sentido de defender tais virtudes. 

Os dois últimos parágrafos são bem valiosos quanto ao seu modo de ver o esoterismo e a ligação com o sobrenatural, com o divino, e neles afirma a sua confiança na persona, dotada de cabeça e de coração: O espírito finito que é o homem está em relação com o espírito infinito que é Deus, e por misteriosa que seja essa relação de transcendência não podemos deixar de a [meditar e a] conceber na ordem do pensamento e do sentimento (...) 

O último parágrafo é riquíssimo de sugestões interiores, e faz-nos pensar como seriam as orações do Álvaro Ribeiro, e lamento, tendo ainda visitado a sua afável mulher em sua casa em Campo de Ourique, não lhe ter perguntado por tal:

 "A oração, que nos incita a ascender da Letra para o Verbo, e do Verbo para o Espírito, é, por isso, um processo de culto  que rejuvenesce a cultura. A oração mental é o mais puro convívio com o sobrenatural. Elevando assim a palavra, o pensador cumpre o primeiro preceito da arte de filosofar."

Possamos pelas nossas orações-meditações comungar com o Espírito e com estes nossos amigos que já estão mais religados a Ele e à Divindade...  

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Soror Mariana do Rosário, clarissa em Évora: no aniversário da sua libertação da Terra a 16 de Outubro de 1649, em Évora.

 Os Desposórios do Espírito celebrados entre o Divino Amante, e sua Amada Esposa, a venerável Madre Soror Mariana do Rosário, Religiosa de Véu Branco no Convento do Salvador da cidade de Évora, composto por Frei António de Almada, Religioso dos Eremitas de Santo Agostinho na Província de Portugal, jubilado na Sagrada Teologia, foi dado à luz em Lisboa em 1693 e reimpresso em 1766, e transmite-nos bastantes aspectos da meritória vida da soror Mariana do Rosário, que em  Évora brilhou fulgurantemente como resiliente alma face às dores e como mística ardente na união ao espírito e ao Divino, além de mestra de noviças na via espiritual. O Padre Mestre Francisco de S. Maria, no seu incontornável Anno Histórico, Diário Português, noticia abreviada de pessoas grandes, e cousas notáveis de Portugal, de 1744, consagra-lhe uma breve mas bem suave notícia, onde diz: «Mariana do Rosário, natural de Évora, Religiosa leiga do Mosteiro do Salvador da mesma cidade. Cresceu tanto em virtudes, e participou tantas luzes da Terra, que foi assombro daquele sempre religiosíssimo Convento. Depois de padecer com grande humildade, paciência e resignação gravíssimas enfermidades, securas, participou nesta vida muitos favores soberanos. Predisse muitas coisas, que todas se verificaram. Obrou Deus por ela evidentes milagres, e não foi o menor escrever a sua vida, por mandado do seu director espiritual, sem saber ler nem escrever. Faleceu suavissimamente neste dia [16], ano de 1649».
Começara aos dez anos (nascera a 4/4/1615) a ter oração mental sem ser ensinada, mas será bem mais tarde que passará da oração à contemplação. Foi aos 18 anos que professou, mais exactamente no dia 10/6/1633 e que alegria imensa sentiu por se consagrar plenamente a Deus e ao mestre Jesus. Embora curta a sua vida, e sofrida de muitas penitências e enfermidades, desenvolveu as virtudes e dons e foi  favorecida por um permanente estado abrasado de amor e por constantes graças divinas, tais como visitas do seu "Esposo" e transportes a planos ou estados subtis e intensificados de consciência. 

Monja da ordem do Santo Espírito. Que Ele nos ilumine e aumente o nosso discernimento.

 Foram na realidade apenas trinta e quatro anos de vida florescida na Terra mas dezasseis deles iluminando as suas condiscípulas sorores clarissas do convento do Salvador em Évora, com as suas virtudes e dons, alguns inatos, como ela nos conta:«de dez anos comecei a ter oração mental, sem alguém me ensinar mais que as inspirações divinas, e tomar Deus esta alma à sua conta (...)  e considerava com gosto que não cansava cansar-me nem afligir-me por amor de Deus "». Hoje estranharemos esta aspiração a Deus tão intensa e precoce, pois estamos tão cheios de informações, conhecimentos, posses, prazeres e capacidades, que conseguirmos arder de amor por Deus é algo muito raro, apenas uma ou outra alma mística o alcança, pois cada vez menos se encontram os apoios de ambientes familiares, escolares e sociais propícios, já que a sociedade post-moderna ocidental tende a  manipular, desidentificar, despiritualizar e massificar as pessoas.
                                           
Soror virtuosa e mestra de noviças, atribuía o mérito ao Senhor pois «para isto me ensinou este Senhor duas coisas ou ciências, que me servem, e servirão de grande proveito: uma delas foi ler no Livro das Criaturas, onde aprendi a mais alta ciência, que se pode imaginar; a segunda foi fazer conta que aquela era a última hora da minha vida», e assim afirmava, primeiro, o seu discernimento dos sinais e correspondências entre o interior e o exterior, o psíquico e o físico e, segundo, o seu desprendimento do corpo, do ego, da vida terrena, diariamente morrendo em asceses e esforços, em jejuns, vigílias e orações, pelos quais vencia e transmutava a personalidade e o apego ao corpo e renascia para o espírito, para a compaixão e abnegação.
A sua devoção ao mestre Jesus, o seu amor e entrega, foram constantes e, testemunhando o progresso no caminho do amor devocional, caracteriza o subir da meditação algo esforçada, que durou dez anos, para o descanso e gozo da contemplação: "daí por diante se me mudou outro modo de oração, que era como dois amantes que não podem estar um sem o outro. Aos pés deste Divino Mestre e amante aprendi a mais alta ciência que já mais se pode imaginar», explicitando mesmo o que nesta graça unitiva via e o estado ardente com que era agraciada: «Todo este tempo estive vendo coisas, que a língua humana não pode declarar. Eu bem me sentia, mas não podia sair daquilo; e se alguma pessoa fora falar-me, não pudera responder. Vi nesta ocasião a meu Senhor, como uma pessoa que está muito saudosa de outra, abrindo-me os braços e apertando-me com muito amor. Todo este tempo interiormente lhe pedia não quisesse que alguém me sentisse. Saí daquela fogueira divina, como quem sai dum forno ardente: isto tudo foi desde o jantar até que foram nova horas da noite, a qual não pude dormir, porque não se acabou o fogo Divino. Quem o pudera imprimir em todo o género humano.”
                                          
Este esta
do ígneo do seu centro subtil cardíaco e de todo o seu ser, pelo amor que sentia e dirigia ao mestre e a Deus, foi bem assinalado ainda quando afirmou então magistralmente: «sempre meu coração está uma brasa viva.... Dois anos há que trago uma brasa viva no coração...»
Dentro desta mesma
linha de grandes místicas portuguesas, uma  outra das nossas sorores do séc. XVII exclamava, "Ay amor, Ay amor", quando sentia mais intensificada a sua devoção divina, na Índia denominada como via ou caminho, bhakti yoga.
                                           
Em 1648, depois de um gr
ande estado de amor unitivo, e já sabendo que em breve iria desencarnar, transmitiu ao seu confessor «que Deus nosso Senhor por sua infinita bondade era servido prometer a todas aquelas religiosas a salvação das suas almas, e que assim mandava as publicasse a todas juntas em comunidade»
Soror Mariana
do Rosário, com a sua clarividência dos mistérios da vida e ascensão das almas no além, corajosamente e generosamente afirmada em tempos de Contra-Reforma, entrava assim na legenda pura e flamejante das destemidas místicas portuguesas capazes de arrastar no seu fogo muitas almas, dos purgatórios, para as cercanias luminosas e amorosas divinas.
                                                          
Finalizemos com um episódio
bem significativo da sua vida e vidência, a respeito das  festivas e tão apreciadas procissões e da subtil e íntima omnipresença divina. Conta-nos a Soror Mariana do Rosário (e que pena não haver a sua vera efígie e termos de tentar a comunhão cognitiva pelo coração), que estando em união com o Mestre Jesus, ao ver passar no adro da igreja do Convento de São Salvador uma procissão em dia de Corpo de Deus, reparou que o Senhor também participava, e exclamou então espantada:«"É possível que tenha eu a meu Senhor comigo, e que o veja ir ali tão perfeitamente!" as quais palavras foram nascidas da singeleza do seu ânimo e não de dúvida alguma que tivesse em os Mistérios daquele Santíssimo sacramento [acrescenta o seu biógrafo]. Mas o Senhor que em tudo queria satisfazer a sua serva respondeu: - "Mariana, nisso fecha os olhos e crê que muito mais pode fazer a minha omnipotência"».
                                    
Glosemos este
 caso com as descrições indianas dos amores e dança das Gopis com Sri Krishna, na Bhagavata Purana, e lembremos ainda um outro episódio de ubiquidade na vida das nossas sorores,  citado pelo historiador Lino de Assunção, acerca duma freira do convento de Semide que, durante um incêndio, foi vista em vários sítios simultaneamente, ajudando e guiando as sorores mais timoratas.
Sejamos então seres mais ar
dentes no amor à Divindade, ou ao Mestre, que sentirmos no nosso coração, e logo mais corajosos e persistentes na vivência do caminho da Verdade, do Amor, do Bem...

Com cartoons: até quando o Ocidente apoiará o psicopata anti-russo disposto a matar todos os ucranianos para o seu sinistro ego brilhar? Uma notícia da Tass.com ecoa a desconfiança crescente em relação à idoneidade e exequibilidade dos seus projectos e no fundo dele próprio...

 

Mais de um milhão de ucranianos e 300 mil russos desincarnados precoce e violentamente. Lux, Pax!

«WASHINGTON, 16 de outubro. /TASS/. O chamado plano de vitória do presidente ucraniano Vladimir Zelensky é considerado inviável tanto pelos EUA quanto pela Europa, à medida que a fadiga em relação ao conflito ucraniano continua a crescer, informou o The Washington Post.

                                  

 De acordo com Ishaan Tharoor [um indiano nova-iorquino] colunista do jornal, "o plano de vitória de Zelensky provavelmente estará longe da 'vitória' absoluta que muitos esperavam, à medida que o cinismo e a fadiga se instalam entre os aliados ocidentais da Ucrânia", [tanto mais que outra frente de batalha mais importante se abriu, a defesa, no Israel genocida, do sionismo da oligarquia mundial detentora da banca, do dólar e do euro, agora ameaçada gravemente pelo BRICS e a crescente desdolarização da economia mundial]

Entretanto, "há um consenso fracturante entre os governos ocidentais acerca de quanto da 'lista de desejos' de Zelensky deve ser concedido." Mas Kiev, na melhor das hipóteses, espera que o Ocidente lhe possa dar o maior impulso possível numa futura mesa de negociações," observa Tharoor. O autor acrescentou que em dezembro de 2022, quando Zelensky foi "celebrado como um herói em uma sessão conjunta do Congresso," apenas alguns republicanos "desdenharam" da recepção que lhe foi dada e das vastas somas de dinheiro dos contribuintes dos USA que estavam a ser empregues na defesa da Ucrânia, enquanto esse cepticismo se tornou um ponto de vista comum à medida que as realidades de 2024 se foram concretizando. Além disso, esta opinião é enfatizada tanto pelo candidato republicano Donald Trump como pelo seu companheiro ou vice presidente, o senador James David Vance [nisto discordando do partido  Democrático, liderado por Biden, Kamala, Pellosi, Obamas e Clintons, completamente envolvido em jogos sujos na Ucrânia.]

O conselheiro do chefe do escritório do presidente ucraniano, Sergey Leshchenko, afirmou anteriormente que Zelensky apresentaria um "plano de vitória" na Verkhovna Rada em 16 de outubro. De acordo com declarações de representantes ucranianos, o plano inclui o aumento do fornecimento de armas para o exército ucraniano, ataques com armas de longo alcance no território russo, um processo acelerado para a adesão da Ucrânia à OTAN e o envolvimento de países ocidentais na reconstrução da Ucrânia. Alguns meios de comunicação dos USA e da Europa citaram fontes indicando que a reação dos aliados de Kiev a essas propostas foi bastante discreta. [Pudera, completamente irreais, provindas de um autor, outrora um comediante e agora um autor de filmes de mortandade e terror, tal como está a fazer com Ucrânia e os seus cidadãos obrigados a morrer por ele e a sua clique extremista.]
                                         
 
O irresponsável e vaidoso Boris Johnson é, com Victoria Nuland, um dos principais responsáveis pela mortandade eslava, ao ter pressionado Zelensky para não aceitar o acordo negociado com a Rússia, na Turquia, no início da operação militar...

                                                             

Moscovo criticou repetidamente a chamada fórmula de paz, que está sendo proposta por Kiev, como irrealista e apontou para a necessidade de levar em conta as realidades no terreno. [Mais do que evidente, pois a Rússia nunca mais deixará Donbass a zona resgatada da opressividade extremista do regime de Zelensky - neste momento a exercer o poder autocraticamente, pois está já fora do prazo da sua presidência -, por muito que mintam e manipulem os avençados Milhazes, Rogeiro, Cruz, Pontes e Pinheiro...] 
 
O presidente russo Vladimir Putin enumerou as condições para a resolução do conflito, incluindo a retirada das Forças Armadas Ucranianas de Donbass e Novorossiya e a recusa de Kiev em aderir à NATO. Moscovo considera também que todas as sanções ocidentais contra a Rússia devem ser levantadas, e que a Ucrânia se deve comprometer com um estatuto de não alinhamento e livre de armas nucleares.»
 
 
 
 Entretanto porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov comentou estas últimas notícias: "Desde há muitas semanas tem havido conversas  acerca dum mítico plano de paz … Muito provavelmente, é o mesmo plano Americano de lutar "até o último ucraniano", que Zelensky disfarçou e chama de 'plano de paz', disse o porta-voz, acrescentando "Não há outro plano" .
O porta-voz
enfatizou que ainda existem possibilidades de uma resolução pacífica, sob condições específicas: "Um plano verdadeiramente pacífico pode existir para a Ucrânia," afirmou Peskov, que "implicaria que o regime de Kiev reconhecesse a futilidade de suas políticas atuais, aceitasse a necessidade de uma abordagem mais realista e entendesse as causas subjacentes que levaram ao conflito em curso".

Removam Zelensky, removam Netanyahu, e os seus sequazes, e as duas guerras terminarão...

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Os estados conscienciais post-mortem. Para onde se vai quando se morre? Como nos prepararmos? Breve indagação. Em actualização...

Para onde vão os seres ao desencarnarem, ou que morrem fisicamente, é uma questão enigmática há milénios, gerando muitos pensamentos e sentimentos, teorias e esperanças, ritos e práticas mas sem  se terem estabelecido até agora certezas claras, seja para os que acreditam piamente, seja para os que têm estudado ou investigado, embora haja excepções, com alguns investigadores do psiquismo a obterem experiências e a gerarem teorizações que, pelo menos a eles e a alguns que as conhecem, satisfazem mais ou menos plenamente.
Nos últimos anos as ex
periências de quase morte (near death) têm sido bastante estudadas e embora algo se possa deduzir e generalizar tal serve apenas para confirmar a existência da vida humana, fora do corpo físico, no mundo subtil do além e algumas das possíveis ocorrências no acesso a certos níveis e seres dele.
As hipóteses principais para a pessoa que acaba de morrer, que abandona definitivamente o seu corpo físico, parecem ser:1 - Ficar adormecida ou inconsciente,
2 - Ficar semi-acordada e sentindo-vendo algumas memórias, ou mesmo obtendo algumas percepções ambientais, num estado próximo do sonho terrestre,
3 - Ser levada ou ir para um local de descanso e recuperação, por auxiliares ou guias, e que pode ser mesmo um tipo de hospital,
4 - Estar bem desperta e poder discernir os guias, e avançar para as zonas para onde é atraída pelas suas afinidades, seja quais forem, e ditas "boas" e "más", as boas as que corresponderão a planos de mais luz, amor e liberdade de ambiente, movimento e diálogo.
5 - Ser recebida ou encontrar as pessoas amigas ou familiares e reunir-se a elas, conviver, aprender a funcionar no além
6 - Ser encaminhada por elas para a sua zona ou mesmo para a instalação seja numa casa própria, seja
7 -Elevar-se aos planos já não astrais e psíquicos, mas para os espirituais e divinos, o que acontecerá aos raros seres que ao longo da vida desenvolveram uma forte, criativa e abnegada realização da sua identidade espiritual e religação divina. E é possível que se possa ir para fora do ambiente aurico e anímico da Terra, passando para mundos distantes...
Que toda esta evolução depende do que se fez, desenvolveu, assimilou, sentiu e realizou em vida não haverá dúvida, embora saibamos como há milhares propostas de trabalho espiritual, de práticas religiosas e espirituais ou então simplesmente de regras para bem viver na Terra e no Além, tanto mais que os efeitos nunca são matemáticos e universais e antes tudo depende bastante do sujeito ou observador, numa rede entretecida de influências recíprocas infinitas.
Admitamos então que alguma vida moral e de serviço foi desenvolvida, bem como uma prática religiosa ou espiritual e que pessoa quando morre já sabe que há uma vida depois da morte, que tem um corpo psico-espiritual com o qual funciona, e que neste ora sente e vê como um todo, a partir de todo ele, ora utiliza certos órgãos subtis mais ou menos despertos, ora funciona com uma réplica do seu antigo corpo físico, com a idade em que se sente...
A pessoa sente com o seu coração espiritual e vê com o seu olho espiritual os seres de luz que lhe são afins, pode ouvi-los mesmo, e seguir os seus conselhos....

Uma questão reside na localização da alma: fica a pairar no espaço, arrasta-se em paisagens próximas das terrestres, ou há casas, moradas para as almas, mansões no além? Vai para um quarto de uma casa de alguém, ou para a casa própria, ou constrói mesmo ela essa casa, numa substância subtil?
Vive aí sozinha? Com que noção de tempo e de horários? Com que necessidades e obrigações? Com que actividades colectivas seja de educação, seja de serviço, ou ainda de culto, se vai envolver?
Para prepararmos um destino melhor há então que vivermos em amor, sabedoria, justiça e sermos criativos, harmoniosos e intensificdores da religação espiritual e divina através das consciencializações, práticas e acções que conseguirmos.
Que podemos nós lembrar como adequado de práticas?
1- Orar com regularidade para os familiares e amigos que já partiram.
                               
 2. Praticar com regularidade a abertura ao Cosmos, aos Mundos Distantes, ao Infinito, e igualmente o desprendimento deste corpo físico, afirmando-nos como seres espirituais e cidadãos cósmicos.
3 - Meditar com regularidade e aspiração na ligação ou comunhão com a Fonte Divina, qualquer que seja a forma com que a imaginamos ou conceptualizamos.
4 - Desenvolver a saudação, comunicação e comunhão com o seu anjo da guarda, com os seus auxiliares e mestre e com antepassados e amigos com quem sente mais afinidade e ligação
5 - Estar atento aos sonhos, perceber as suas cenas e imagens simbólicos, discernir os desejos e carências, afinidades e aspirações que se manifestam, e harmonizar-se e melhorar-se em função deles..