quinta-feira, 14 de março de 2024

Uma oração e invocação, dialogante, da Divindade, algo pictográfica, hermética ou mesmo hieroglífica, mas sábia, sentida, realizada.

 Uma oração e invocação dialogante com a Divindade sentida e realizada entre quatro e as cinco horas da tarde do dia quatorze de Março de 2024, em elevação do coração e de todo o ser a Deus, escrita de seguida linha a linha, com diferentes esferográficas e sobre um papel de revestimento de parede bastante texturizado e levemente colorido. Não transcreverei o texto, oração, poema, senão na parte inicial, pelo menos por enquanto, pois até poderá decifrá-lo... Ora, lege, lege, relege, labora et invenies...

A DIVINDADE, sagrada, maravilhosa, fonte do AMOR, da SABEDORIA e do PODER,

CONTEM-NOS, TRASCENDE-NOS, AMA-NOS, INSPIRA-NOS, GUIA-NOS

quando a Ela nos abrimos e a tentamos sentir, invocar, adorar, merecer, chamar.

DEUS é o Ser Consciência e Alegria, realizaram alguns sábios orientais

SAT CHIT ANANDA, assim se pronuncia e invoca em sânscrito.

Esta essência da Divindade e dos seres devemos adorar, amar, cultivar, semear

Senti-la como jorrando do Oceano Divino a que o nosso peito se consegue abrir

Eu Sou o Ser espiritual, a centelha divina, o Atman, desenvolvendo uma personalidade harmoniosa.

(...)

(...)

 

quarta-feira, 13 de março de 2024

Dos trabalhos interiores e harmonizadores das gerações actuais, quando há tantos seres mal individuados e muito manipulados

                                     

Cada um de nós é uma alma, uma psique, entre o corpo animal e o espírito subtil, puxada por um pelos instintos e  pelo outro pelos ideais e aspirações, e assim se dividindo, de certo modo, numa alma mais animal, noutra mais racional  e noutra mais espiritual...

Cada um de nós é assim um campo de batalha entre as diferentes almas a todo o momento da vida no corpo físico, obrigando a equilíbrios entre a satisfação de  prazeres e desejos e a dos chamamentos ou imperativos do eu espiritual,  este com a sua capacidade racional, compassiva, abnegada, a função harmonizadora e a dimensão interiorizante e espírito-divinizante.

O Eu que detém as rédeas da vontade ora se submete mais ao corpo e alma animal e segue as suas impulsões e desejos, forças e fraquezas, ora tenta controlá-los  e realizar mais as suas capacidades de harmonia interna e externa, ou mesmo de paz, intuição, adoração, gratidão, amor, unidade, abnegação, tão necessárias nos nossos dias de tantos conflitos mundiais e pessoais, e em que por vezes temos mesmo que levantar a voz contra tanta hipocrisia e maquiavelismo da elite oligárquica ocidental e seus ineptos, insensíveis e corruptos dirigentes políticos, que, por exemplo, tanto usam erradamente o dinheiro público para armamento e vacinas  como causam tanta mortandade eslava e até palestiniana.

Para suplantarmos tal, a  oração, a meditação e a respiração psíquica são os meios principais pois, a qualquer momento, através deles, tentamos libertar-nos ou amainar as ondulações mentais reactivas e sintonizar mais com a nossa alma espiritual, mais próxima do espírito, e dos planos subtis a que temos acesso pelas afinidades, tendências e linhas de força desenvolvidas e, logo,  daí podendo recebermos influxos luminosos e restauradores.

Uma vida justa e de aspiração ao aperfeiçoamento, de labor pelo conhecimento e  sua partilha, e de atenção à voz da razão ou da consciência interna, outrora também chamada a voz do daimon, génio ou Anjo, e que subitamente nos clarifica, sugere ou aconselha por dentro, fortificam uma maior sintonia com a ordem e justiça na Terra, o Dharma indiano e o Tao chinês, e com o mundo espiritual, e ajudam-nos a estarmos mais norteados na nosso caminho e peregrinação da vida.

No meio de tanta informação e desinformação, de tanta manipulação e alienação da verdade, de tanta opressão e guerra, conseguirmos controlar a nossa curiosidade e ingestão de notícias, e a consequente reactividade psíquica tantas vezes desanimadora e negativa, é fundamental para não nos dispersarmos e enfraquecermos, para não desistirmos da nossa missão de luz, amor e sabedoria na Terra...


No meio de tantos factores ambientais artificiais, stressantes  e enfraquecedores, conseguirmos controlar a nossa constante oscilação psico-somática, ou ainda das gunas, como se dirá na Índia,  é pois uma tarefa e arte que exige uma discriminação constante do que devemos deixar entrar em nós de alimentação-informação, do que conseguimos aguentar ou assimilar, do que devemos apoiar, ou ainda do que deverá ser a nossa reacção ou síntese face ao que vemos, ou nos dizem, ou nos fazem.

Nada fácil é estarmos abertos à humanidade viva, sobretudo em conflito ou sofredora,  e sabermos reagir e actuar com compaixão, coragem  e justiça e simultaneamente preservar  a  saúde psico-somática tão facilmente afectada pela violência, o discernimento mental, e um certo desprendimento derivado da compreensão da dificuldade de haver muita unidade no meio de tantos seres pouco individuados e muitos manipulados pela Educação e os meios de informação e comunicação social, estes acrescentando ainda censuras ao que não interessa ao belicismo racista e autoritário da oligarquia financeira ocidental.

O contacto com a Natureza, a boa leitura, dialogo e escrita, a alimentação biológica, o trabalhar e agir em amor e compaixão, o recolhimento, o fechar os olhos, o sentir-nos no interior do corpo, o respirar consciente, profunda e retentivamente, o sentir o coração e as suas aspirações e orações, o invocar o Anjo da Guarda ou o Mestre, o adorar alguma forma de manifestação ou face da Divindade, são ainda os melhores meios de harmonização psico-corporal e  social  que podemos dispor para tentarmos religar-nos mais aos mistério do Espírito e da Divindade e para acrescentarmos mais luz aos nossos corpos espirituais que vamos talhando na vida terrena...

terça-feira, 12 de março de 2024

Oração a Antero de Quental: reflexões anterianas diante da sua estátua no jardim da Estrela. Com vídeo, e partes das cartas mais imortais, a António Molarinho e a Fernando Leal.

No dia das eleições legislativas, 10 de Março de 2024, após cumprir o direito e dever cívico, resolvi ir ao jardim da Estrela e, apesar do bruá-bruá ou chilrear das crianças, gravar uma  homenagem a Antero de Quental, que no fundo são reflexões sob a sua inspiração, ditas talvez com solenidade a mais, mas com alguns horizontes belos da Natureza, mesmo que limitada num jardim. São 17 minutos.
Nelas cogito que, embora nós não possamos saber ao certo o que Antero de Quental diria do conflito da Ucrânia, da destruição e genocídio de Gaza ou ainda das eleições legislativas, se lermos e meditarmos os seus ensinamentos, discerniremos melhor a verdade e a justiça e poderemos assimilar tais forças e logo pensarmos e agirmos melhor ou bem. Mais à frente do improviso, contextualizo com as confirmações científicas modernas de Dean Radin e de Rupert Sheldrake as intuições de Antero de Quental quando à unidade panpsíquica do Cosmos e ao corpo colectivo e subtil da Humanidade.
E como mencionei as cartas de Antero de Quental a Fernando Leal, a António Molarinho, a Jaime de Magalhães Lima e a António Azevedo Castelo Branco como constituindo das suas mais valiosas transmissões éticas e espirituais, resolvi transcrever para este artigo parte de duas cartas, a António Molarinho e a Fernando Leal, a quem saudamos luminosamente...

                            

I   Da carta a António Molarinho, inserida no livro póstumo, 1921, Lira Romantica. Meridionais, onde Antero de Quental, após ter elogiado os poemas que este lhe enviara considerando-os belos, valiosos e que ficarão sempre como testemunho da sua fase da juventude idealista e sonhadora, afirma a sua descrença da sobrevivência da poesia nos novos tempos históricos,  embora conclua com um  valioso enaltecimento do Bem e Amor que podemos gerar no Universo, numa bela visão. [ António Molarinho: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2018/08/a-carta-de-antero-de-quental-antonio.html]

I - « (...) E todavia essa iminente condenação da poesia pelo destino da história é talvez, no fundo justa. Quero, pelo menos, crer que o seja, para não renegar da fé nas leis superiores do desenvolvimento da humanidade. Essa pesada democracia, esse mundo de trabalho material e de ciência quase tão material como ele, esse monstro de esforço e cálculo, brutal e sem estranhas como agora nos parece, traz talvez em si alguma grande ideia da justiça, que compense à farta as delicadezas e as ternuras que lhe faltam. A poesia tem embalado, com a sua divina melopeia, as dores da humanidade, tem adormentado o sentimento acerbo das suas inenarráveis misérias; mas essas dores, essas misérias não as pode ela suprimir. A ciência e a democracia suprimi-las-ão talvez. [Que belo idealismo, utópico, de Antero....] Como não sei. Ninguém sabe. Mas é essa a fé deste século audaz, e a fé tem sido sempre o pressentimento dalguma grande renovação histórica, dalguma nova revelação da humanidade. Quero ter eu também essa fé e quase direi com Tertuliano: credo quia absurdum. Com tudo isso, meu caro poeta, o momento presente é triste, é amargo. Sentimo-nos tão deslocados! Parece-nos este mundo tão pouco o nosso mundo! Quase que temos a consciência duma gradual fossilização, da transformação lenta da nossa carne e do nosso sangue numa substância estranha, morta, mineral, sentimos que alguma coisa nos soterra e a pouco e pouco nos reduz ao estado de seres paleontológicos, representantes dum período já obsoleto na sucessivas estratificações históricas da humanidade.

É que somos, com efeito, os representantes duma espécie prestes a desaparecer - e é força que se cumpram os decretos do destino...
Desapareçamos pois de bom grado. Não se aflija. No fundo do verdadeiro poeta há sempre um crente. Apele para as energias superiores da sua alma, pense que a arte, por bela e sedutora que seja, não é ainda assim mais do que um reflexo, um símbolo do ideal supremo da vida moral, e que esse ideal, subsistente por si, não precisa de formas, caducas afinal ainda as mais esplêndidas, para se afirmar, pois o que é tira-o de si, da sua substância inesgotável, espiritual, infinita.
Depois a vida, a nossa vida individual e humana, é tão pouca coisa! Se não pode passar cantando, passa-se de outro modo. E ás vezes vale mais isso. Creia que a virtude pode mais e é mais que a arte. E dura mais também: dura eternamente. As obras do bem, ligadas indissoluvelmente à substância do Universo, absorvidas, desde o momento da sua produção, para nunca mais saírem dele, vinculadas, pela cadeia duma casualidade superior, a todas as suas evoluções através dos tempos, dos espaços, dos mundos, vão aumentar o tesouro da energia espiritual das coisas, fecundá-las nos seus mais íntimos recessos e, sempre presentes, sempre activas, eternizam, nessa sua perene influência, a alma donde uma vez saíram. O Universo só dura pelo bem que nele se produz [sublinhado nosso]. Esse bem é às vezes poesia e arte. Outras vezes é outra coisa. Mas no fundo é sempre o bem e tanto basta.
Ame pois a poesia, mas não ponha nela senão aquela parte da sua alma e do seu coração que razoavelmente se pode pôr nas coisas frágeis e caducas deste mundo. Fazendo assim, a poesia o consolará de muitos desgostos e não lhe dará nenhum.
Creia-me muito do seu coração,
Praia da Granja, 26 de Agosto de 1889
Anthero de Quental.
»
                                                                  
https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2014/10/fernando-leal-oficial-cientista-e-poeta.html
  II - Da carta de Antero a Fernando Leal, de 1880, e que brota do mesmo fundo profundo espiritual e ético de Antero de Quental, tal e qual Sócrates e o seu Daimon, voz da consciência ou do Logos, Génio ou Anjo da Guarda:
«(...) É bom, é até necessário passar pelo Pessimismo, mas não se deve ficar nele por muito tempo. O
 Pessimismo não é um ponto de chegada, mas um caminho. É a síntese das negações na esfera da natureza, a luz implacável caída sobre o acervo de ilusões das coisas naturais. Mas, para além da natureza, ou, se quiser, escondido, envolvido no mais íntimo dela, está o mundo moral, que é o verdadeiro mundo, ao qual a harmonia, a liberdade e o optimismo são tão inerentes como ao outro a luta cega, a fatalidade e o pessimismo. Afinal, não vivemos verdadeiramente senão na proporção do que partilhamos desse mundo íntimo e perfeito, ou, mais exactamente, da parte dele que desentranhamos de nós mesmos e fixamos nos nossos pensamentos, nos nossos sentimentos e nos nossos actos. Já vê que a existência tem um fim, uma razão de ser, e o Fernando, embora diga sinceramente o contrário, no fundo não o crê. Lá no fundo do seu coração há uma voz humilde, mas que nada faz calar, a protestar, a dizer-lhe que há alguma coisa por que se existe e por que vale a pena existir. Escute essa voz: provoque-a, familiarize-se com ela, e verá como cada vez mais se lhe torna perceptível, cada vez fala mais alto, ao ponto de não a ouvir senão a ela e de o rumor do mundo, por ela abafado, não lhe chegar já senão como um zumbido, um murmúrio, de que até se duvida se terá verdadeira realidade. Essa, meu amigo, é a verdadeira revelação, é o Evangelho eterno, porque é a expressão da essência pura e última do homem, e até de todas as coisas, mas só no homem tornada consciente e dotada de voz. Ouça essa voz e não se entristeça.»
Face de Antero, revestido de toga greco-romano, qual Sócrates, com quem ele declarou mais de uma vez as afinidades que os uniam... Que possam agora dialogar...
E a gravação no olisiponense e tão histórico e harmonizador Jardim da Estrela.

                             

segunda-feira, 11 de março de 2024

Mistérios dos seres. Prosa poético-espiritual sobre as almas e seus corações e caminhos.

Texto escrito há uns anos, quando trabalhava a mística portuguesa antiga mas perene
                                                Mistérios dos seres.

Talvez sejam menos do que pensamos, e o que subsiste e é mais importante seja o que fizeram, se tornaram, levaram consigo...

Os que já morreram, quem saberá precisar, condensar, limitar o que já em vida era imagem e aparência, intimidade e mistério?

Reis e freiras, que motivos os moviam, que amor e humanidade alcançaram, que projectos, ambições e desígnios geravam, pois isso era o que seriam e consigo levariam?

Ah, os homens e mulheres, cheios ou vazios, mas tão frágeis e limitados, embora por vezes tão valiosos e luminosos...

Como os comparar com a Lua cheia, o Sol da meia noite, senão apenas na consciência que neles se quer tornar luz, verdade, perenidade e por vezes atinge essa grande intensidade iluminante...

Para saber e conhecer, quantas vigílias e esforços, frequentemente infrutíferos e inglórios, desconhecidos, vilipendiados?

Mas o auto-conhecimento é o de quem somos sós, em si, isolados. E tão frágeis no nosso vazio de fome, de certezas, de plenitude.

Mas quando as almas se conhecem o pouco ou nada que são, o Pleno manifestou-se nelas e a Luz, o Amor ou mesmo o Mestre surgia.

Bem-aventurados seremos um dia, perguntavam algumas almas mais lançadas nos caminhos dos recolhimentos e conventos?

Quem sou eu? Pecador ou filho de Deus? E se filho, por herança ou por adopção?

Alma espiritual, esta sim sou eu, um coração que aspira, um ser que se pode simplificar no olho interior e unificar na luz.

O mistério do coração. Tão submergido nas confusões e inquietações do pensamento reactivo ao mundo. Respiremos profundamente e sintamo-lo: sístole diástole, movimento repouso, 1 e 2. Fazer do Dois Um, das polaridades complementaridades, eis o segredo.

Aspira o coração à à alegria, à plenitude. Por isso chora lágrimas que lavam seus olhos, clarificam a sua psique e fazem-no descer dos planaltos as vales e ao húmus da terra e da humildade

Corações de místicos e de místicas de outrora, não são agora cemitérios de expansões mas fogos ardentes, invencíveis e imortais.

Solitários, os corações afirmam-se, e irradiam como cometas, sulcando os ares nas suas orações e escritos, poesias e afeições.

Fechados nas salas e compartimentos familiares e profissionais, os corações tendem a cerrar-se, e com as censuras das redes sociais ainda mais desanimam, quando tão vasta e criativa pode ser a alma no mundo convivial, imaginal e  espiritual...

O Tempo está encoberto, senhores e senhoras. O eEncoberto sonhado já não virá, apenas podereis afastar ou destruir as nuvens e os seus causadores, políticos, comentadores, censuradores...

Se não quereis ter saudades nem lamentos, reconhecei as frustrações do presente e diminui as esperanças adolescentes do futuro, e antes agi no que vos compete, o melhor possível, criativamente, amorosamente...

Linguagem dura a do auto-conhecimento, mas só ela nos purifica e lucidifica e, para tal recebermos, tanta leitura, oração e meditação há que se erguer...

No fim de contas, no coração é a Divindade quem renasce e não nós a de lá fugir. Saibamos desenvolver a sensibilidade e aspiração profunda...

Pôs-se a noite serena, não há viração no ar, e o coração diz: -  Deus.

No turbilhão das galáxias e mundos infinitos pensa-se que a Humanidade esteja só, mas subtilmente há espíritos e mestres, santas e santos, anjos e arcanjos e outras entidades. Que vasta fraternidade ou corpo místico da Humanidade.

O Mestre, esse está contente quando não nos deixamos limitar pelas circunstâncias: em vez de sermos um poste e lampião em rua deserta, acendemos o farol do mar alto que fende as trevas e silêncios. E por isso deseja que a sua Luz desça sobre a nossa luz, nas nossas orações e meditações, ou na simples comunhão mística com os lírios e as aves, ou as almas mais necessitadas..

A noite vai longa, o mistério dos seres sorri e atravessa em rápido som interno as orelhas, receptoras dum Cosmo subtil e infindável.

Tanto por realizar, pensar, escrever, partilhar, ajudar, amar, adorar...

Quem somos nós, oh Deus? - Irmãos. E os mortos e amigos a espreitarem por detrás dos ombros, ou como sombras purgatoriais do semi-despertamento. E, por isso, por eles oramos...

Abrir a janela do peito. Deixar que o Sol, Fogo, Deus brilhe mais...

E sobre que dragão montar no voo celeste do sistema solar, diurno e nocturno?

Entre o poder, o Eu, o amor, o jugo ou yoga doce do Mestre e da Divindade, que escolher?

Meditação: - Eu Sou ... e que seja sob a Luz Divina, sob a Estrela, que eu gere todo o resto criativo que o  coração ardente me inspirar e o tempo confirmado pelas Parcas e pelos Mestres e Anjos nos conceder...

                                       Aum, Amen, Hum.. 

 

domingo, 10 de março de 2024

Da Sabedoria e do seu desenvolvimento vivo e imortalizante em nós.

                                                      

A Sabedoria pode ser discernida, vista, demandada e realizada por diversos caminhos, modos, estados de alma, e assim foi ao longo dos tempos entendida como uma característica ou qualidade dos seres derivada da sua psique, uma ideia ou um arquétipo, uma deusa ou um atributo divino, no fundo uma realidade subtil, imaterial, psico-espiritual pluridimensional, e vamos então invocá-la para que nos inspire e nos permita acolhê-la ou desenvolvê-la por entre a tão grande agitação de informação e de desinformação que reina nas mentes humanas, por entre a exposição a tantas visões contraditórias da vida e da missão e deveres de cada ser  na Terra, por entre tantas hipóteses de deliberação, de opção, de decisão.

Se a Sabedoria, Sophia, em Grego, pode ser vista como harmonia ou reflexo da Harmonia cósmica nos seres humanos,   também a Sabedoria pode-se apresentar muito simples e modestamente como o fazer bem manualmente, ou a aspiração humilde de querermos melhorar, de querermos avançar no discernimento e conhecimento do que é verdadeiro, justo, bom, esforçando-nos por viver sob a sua égide, ou manifestando-a, de uma forma fluida e equilibrada, atenta e criativa. 

Tal visão da Sabedoria desafia-nos a abrir mais a consciência à pluridimensionalidade de cada momento da vida e a estarmos atentos a não nos deixarmos envolver ou prender demasiado num nível, perdendo o todo, ou descurando o que é mais importante para nós, ou o que é justo e necessário para os outros, dentro da empatia universal e das regras da sociabilização de respeito, reciprocidade e amor.

Ora da mais importante actividade da Sabedoria que podemos desenvolver é cultivar o estado do coração, da nossa interioridade, e portanto da qualidade das energias psíquicas que nele habitam ou irradiam, nomeadamente a capacidade de discernimento, moderação, paciência, compaixão, abnegação,  aspiração, gratidão, adoração, amor.

Os seres que manifestam mais estas qualidades são os sábios, os sophoi, seres luminosos, estáveis na sua ligação tanto à sabedoria inata íntima como à harmonia cósmica, à musica das esferas planetárias ou mesmo ao nível de sabedoria que entendem provir ou fazer parte da misteriosa Divindade. São portanto fiéis do Amor, constantemente morrendo e renascendo, realinhando-se, orientando-se, esforçando-se, adorando, comungando de tal qualidade e unidade.

Há quem chame à Sabedoria a Luz do Oriente, pois tal como o Sol surge vindo do Oriente, assim a Sabedoria vem do Oriente espiritual Divino, do Sol da Divindade, e os que meditam e adoram mais esta Divindade flamejante, seja contemplando-a no nascer do Sol matinal seja apenas invocando-a interiormente, são aqueles que acabam por receber mais os seus raios, e que se tornam forças de sabedoria, de intuição, de agir bem, de trazer mais luz às vidas humanas e à Terra, a exemplo do Sol, diariamente dando luz, calor, vitaminas, forças, inspirações, glóbulos de prana, ouro filosofal.

Os sábios orientais mesmo que ocidentais são os que cultivam mais esta fonte primacial tanto externa e transcendente como íntima e imanente, e fazem a saudação com as mão juntas sobre o peito e fortificam-se nas suas meditações e comunhões com o fogo do Espírito e da Divindade que depois  emanam para os outros, partilhando essa ligação sentida interiormente e aprofundada na aspiração, na oração, no rito, na meditação, na comunhão, realizando-a, concretizando-a na pluridimensionalidade das suas vidas corporais, posturais, respiratórias, sentimentais, mentais e espirituais...

Assim a aspiração e o culto da sabedoria aguçam os sentidos e o discernimento e dinamizam o corpo e a vontade em harmoniosa acção, em justa intenção, em firme determinação, num processo de constante equacionamento, que brota do centro ou fonte de tal realização; a  auto-consciencialização interna, respiratória e meditativa, que permite o discernimento do posicionamento justo ou certo em qualquer nível e a determinação e acção que intensificaráa afluência ou a influência da harmonia, da verdade, do bem, da beleza e do Amor.

A Sabedoria atinge os níveis mais elevados quando o sábio, o sophos, controla a psique humana entretecida de pensamentos e sentimentos, e procura reconhecer-se e unir-se à sua essência mais íntima, ao espírito e ser nele ou por ele iluminada.

O ser que atinge a sua essência própria, subtil e íntima e se conhece e se vê como entidade espiritual, mergulhada por mil fios e ligações no oceano da existência  cósmica e dela recebendo eflúvios,  pode mais facilmente orar ou cultuar a Divindade, ou os seus mensageiros ou Anjos, e assim comungar com a Sabedoria e Amor e Poder divinos, e logo  irradiar ou partilhar mais a luz da harmonia, do bem, da verdade.

O ser sábio, o sophos da antiga Grécia, que cultua essa harmonia e mestria que se designa como sabedoria, e que tem a luz dela mais acessa em si, é naturalmente pela sua cosmicização e enraizamento no harmonioso, no beatífico, no sagrado,  uma pessoa mais calma, alegre, simples, confiante, pois sabe pela  sua vasta experiência que tudo é transitório no corpo e alma humana e que é a sua sintonia com a Sabedoria, a Inteligência, a Ordem e Amor Cósmico e Divino e   formação e destilação dum corpo espiritual, com os subtis sentidos internos desenvolvidos, o que lhe permite avançar melhor na Verdade, no Bem, na comunhão mais consciente com os seres espirituais, vivos ou mortos, os Mestres, os Anjos, os Deuses e até a misteriosa Divindade.

A paciência ou ponderação antes de agirmos ou reagirmos (precipitada ou desadequadamente) será nestes tempos tão agitados e conflituosos actuais uma das facetas brilhantes e importantes do cristal  da Sabedoria, em relação à  qual o dito "de manhã é oiro, de tarde prata  e de noite mata", quanto a comermos os pomos de ouro, tem uma analogia nas qualidades das nossas actividades, que são abençoadas mais na aurora, na luz matutina, do que nas horas crepusculares, seja em cada dia, seja no da duração da nossa existência terrestre, o que apela ao nosso trabalho espiritual de religação desde novos e não apenas quando já estamos enfraquecidos, idosos ou prestes a deixar a Terra.

A Sabedoria é assim uma  arte de saber viver e  morrer bem, uma luta  para conseguirmos trazer constantemente ao de cima o bem, o belo, o verdadeiro, o justo, seja na acção, no pensamento, na intenção, no sentimento e na palavra. 

De Nicholai Roerich, a Santa Sofia, a Sabedoria Divina, muito cultuada na Rússia (Soloviev, Berdiaef, Florensky), protegendo as terras, monumentos e pessoas em tempos de perigo.

Que saibamos então em todos estes níveis estar numa vibração de sabedoria, de  harmonia, de crescimento para mais luz, perfeição, força e beleza em todos os seres, é o desejo da santa ou hagia Sophia, Sabedoria,  Dona, Musa, Shakti e Deusa nossa.

sábado, 9 de março de 2024

Uma poesia à Divindade, para que a Sua Luz e Verdade resplandeçam mais em nós e nos fortifiquem...

Poema escrito já há algum tempo, num caderno quase livro... Imagem provinda do valioso  Vk.com,  de uma alma orante ou meditante, agraciada intensamente, interna e externamente... Tat Twam Asi... Tu és tal...
  

 POESIA À DIVINDADE
 
Ser Divino e iluminante,

flameje em nós o teu fulgor,

não cedam os passos aos hábitos

e antes abramos a cruz do peito

em rosa de luz resplandecente.


Companheiros e peregrinos todos somos,

ardendo o coração de aspiração a Deus.

O que não conseguiremos fazer, sobretudo

quando dois ou mais se reúnem no Nome santo?


Seres por quem perpassa o Verbo Divino,

pontífices, augures, profetas, mestres, poetas;

somos alguns hoje, uns poucos mais amanhã,

por isso lutamos transmitindo a Sabedoria.

 
Que é a humilde aprendizagem, disciplina

e exaltada comunhão anímica com a Luz,

que desce sobre nós e enche o nosso vaso,

tornado Graal resplandecente e valoroso.


Assim trabalha a Lua Cheia de Aquário ou outra

para que as luzes do Alto desçam sobre todos,

e possamos avançar no caminho fraterno da Verdade,

sábia, lúcida, criativa, amorosa e vitoriosamente.
 
Vitória, por Bô Yin Râ.... Aum, Amen, Hum, Hri!

sexta-feira, 8 de março de 2024

Sobre a oração: "Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia". Com três Anjos em vitrais de Almada Negreiros

 A tão conhecida oração do "Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia" é ainda hoje recitada por milhares de portugueses ou lusófonos, embora não se possa saber o seu número ao certo nem os efeitos que eles sentem ou recebem...

Sejam pouco ou muitos, conseguirmos senti-la e aprofundá-la é  uma tarefa útil a nós e a alguns desses devotos e crentes nos Anjos, que porventura venham a ler este texto.

Pronunciá-la diariamente, aprofundá-la, meditá-la, é uma prática  que nos torna participantes mais conscientes da companhia angélica. 

 Eis então algumas intuições de aprofundamentos orativos e meditativos:
                                    
1ª Ao rezarmos a or
ação, não estamos apenas a pedir, imaginar, sentir, visualizar o Anjo ao lado ou por cima de nós, num corpo espiritual mais subtil, luminoso e poderoso que nós, mas também ou sobretudo a senti-lo, a vê-lo (com a visão interior), como presença interna no espaço espiritual contido no centro do nosso peito. É aqui que o podemos sentir mais e que a sua presença se torna mais sensível e real, nesse espaço mais íntimo e incontaminado pela agitação exterior...

2º O Anjo da guarda não estará então como vigia e em guarda externa, mas mais como presença interna, como presença duma consciência, dum campo de energia, que emana e nos inspira, no  nosso peito e templo espiritual.

3ª Quando sintonizamos com o Anjo da Guarda, quando estamos mais atentos ou sensíveis à sua presença ou influência, então estamos  mais capazes de nos abrir à Divindade, e podemos com ele, na sua irradiação e compenetração, invocarmos e adorarmos mais a Divindade, a Fonte perene, primordial, luminosa e vibratória da Vida e dos seres.

4º Bons momentos para orarmos mais compenetrada ou demoradamente são ao deitar e ao levantar, tanto ainda deitados como já erguidos, preparando-nos assim para  dormir bem ou para agir no novo dia melhor, mais alinhados, abençoados e inspirados.

5º A oração do Anjo tem em si a potencialidade das variantes, o que a torna mais rica, apropriada e fluida. Por exemplo, pode começar-se apenas com a versão mais simples da primeira afirmação: "Anjo da guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia",  e depois pronunciá-la com as variantes mais conhecidas ou que brotarem de nós no momento: «Anjo da guarda, minha doce companhia..., Anjo da Guarda, minha íntima companhia, Anjo da Guarda, minha sábia companhia, Anjo da Guarda, minha querida companhia, Anjo da Guarda, minha inspiradora companhia,...». E, claro, bem importante será sentirmos e criarmos essa dimensão amorosa de religação e invocação.

4º A palavra companhia é muito rica, pois tanto nos dá a ideia de companheiro, de quem nos acompanha, como alarga e estende a dimensão dele e nossa, para nos tornarmos uma companhia, uma fraternidade de seres dedicados à mesma campanha ou empresa, já que há outros anjos da guarda e outros seres que comungam com eles, e somos todos um todo, uma comunidade, um corpo colectivo ou místico na Humanidade. E, claro, há ainda que mencionar, como lembrou recentemente a Isabel Alves de Sousa, as boas companhias, as boas amizades, de coração, e que podem ser a contraparte pequena, humana e simples, da compnhia mais íntima e subtil do Anjo...

Exemplos ocidentais das companhias: as militares, e eu pertenci a algumas ao longo dos seis anos no Colégio Militar (camaradagem forte, conforme o mote Um por todos, Todos por um", e as religiosas, tal a Companhia de Jesus (Ad majorem gloria Dei), os Jesuítas, tão activos na doutrinação e controle (e manipulação...) do ensino e das mentes, ou ainda, beneficamente, na suas grandes aventuras missionárias no Oriente, companhias em que os seres se sentiam ou sentem mais ou menos pertença de um todo unificado, de uma comunidade, com muito em comum e que tinha e tem sempre os seus superiores hierárquicos, tanto humanos como já  heróis, santos, mestres, Anjos.

6ª A companhia adquiriu espiritualmente uma utilização mais alargada e vivida no Oriente indiano, com a palavra sanga  que nomeia, e que se notabilizou na sanga budista, comunidade dos monges e leigos, e na espiritualidade indiana, na satsanga, companhia da verdade, Sat, e que designa seja a associação de seres na busca da verdade, seja o discurso e o diálogo entre um mestre e os seus ouvintes ou mesmo discípulos, e em muitos participei. Em ambos os casos encontramo-nos com um todo unificado, quase com a formação de uma alma colectiva e que pode ter associado a ela entidades espirituais nomeadamente mestres anteriores dessa tradição ou então anjos, para além dos que possam estar nas pessoas.

7º Saber pronunciar com regularidade e ânimo a oração, com energia amorosa e sentindo-a interiormente,  seja na sua formulação original, seja na suas variantes mais alargadas, tal como por exemplo, «Anjo da Guarda, minha íntima companhia, inspira a minha alma aqui e agora», é então recomendável para singramos cada dia mais luminosa benéfica e espiritualmente.
                                            
Saudações e boas orações e meditações na sanga ou companhia angélica...