quinta-feira, 7 de março de 2024

Discurso de Vittoria Alliata di Villafranca sobre as testemunhas e mártires do Amor e Compaixão: Sumayyah, Rabia, as padroeiras da Sícilia e Daria Dugina Platonova.

 A princesa siciliana Vittoria Alliata di Villafranca (23.1.1950), a 1ª tradutora do Senhor dos Anéis de Tolkien para italiano, activista dos direitos humanos e femininos, defensora da civilização convivial do Mediterrâneo e em particular do mundo árabe, esteve presente no Fórum de Multipolaridade realizado em Moscou, a 26 de fevereiro de 2024, com a participação de grandes almas de todo o mundo, e pronunciou um discurso, que pude ouvir em directo online, um privilégio dado a vibração intensa anímica que conseguiu manifestar, o qual, embora encerrando algumas imprecisões que anotamos, contém  linhas de força valiosas que vai poder ler, de homenagem aos seres que são testemunhas (shahida ou syahid) vivas ou mesmo mártires, do Amor, da Compaixão, da Divindade, e no caso Sumeyha, Rabia, as Santas padroeiras Ágata, Luzia e Rosália e Daria Dugina Platonova...
A transcrição do discurso provém da tradução publicada
pela Nova Resistência, com pequenas correcções e anotações, além de todas as imagens. O discurso encontra-se online, vibrante, em: https://paideuma.tv/en/video/speech-princess-vittoria-alliata-di-villafranca-multipolarity-forum-moscow-26-february-2024#/?playlistId=0&videoId=0

Oiçamos então Vittoria Aliatta di Villafranca: 
«A compaixão de que estamos a falar, essa Rahma que marca o início de cada surata do Alcorão ["Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso", Bismillah ar-Rahman ar-Raheem], foi traduzida como “verdadeira caridade” ou “o mais puro amor ” por famosos [ou alguns] prelados católicos e teólogos franceses do século XVII [aludirá a que em 1647 apareceu a 1ª tradução em francês do Corão realizada por André Du Ryer]. [Conta a lenda] que eles tinham ouvido falar [ou tinham lido] acerca de uma grande santa descoberta pelos cruzados entre os sarracenos da Palestina e, acreditando que ela era cristã, dedicaram elogios monumentais a ninguém menos que Rabi’a al-‘Adawyya, [716-801] descrevendo-a como o “retrato da verdadeira compaixão”. Essa mulher notável, cujos poemas apaixonados ainda são memorizados e cantados da Malásia à Mauritânia, é conhecida no Islão como shahidat al-‘ishq al-ilahi, a verdadeira testemunha do amor de Deus.

Mas shahid não significa apenas testemunha em árabe. Assim como no grego, onde a palavra martys – que significa testemunha – se torna mártir no Novo Testamento, a palavra shahid no Alcorão denota alguém que morre por devoção a Deus. O primeiro mártir do Islão foi uma mulher, Sumeyah [ou Sumayya, mulher de Yasir, 550-615]. Foi a sexta pessoa a abraçar a fé, logo após o início da Revelação ao Profeta Maomé. Foi torturada durante dias pelos politeístas de Meca sob o sol escaldante e, por fim, esfaqueada e empalada com uma lança em frente ao seu pequeno filho. Mas permaneceu firme e morreu como mártir, a primeira testemunha eterna do Islão.

Sumyyah ou Sumeyah, a 1ª testemunha e mártir da fé intimamente realizada.

No meu país, a Sicília, as santas padroeiras, [S. Agata, m. 250, S. Luzia, m. 304 e S. Rosália, m. 1166], [são tidas como] curandeiras milagrosas cujos véus sagrados protegem de terremotos, erupções vulcânicas, cancro de mama e estupro, são [ou foram] todas mulheres, jovens virgens [duas delas] mortas pela fome, e cegas, queimadas vivas ou despedaçadas [mas mártires da sua fé] por sua força e determinação. O caminho luminoso delas ainda está muito vivo no nosso povo. [Há grande devoção a elas e às suas estátuas, festas e celebrações, no fundo o politeísmo que sobreviveu no catolicismo, algo talvez ligado até a uma íntima aspiração de pessoalidade na religação à Divindade, através das diversas nossas Senhoras, por exemplo, ou das santas e santos...]
                                         
                                                   Santa Ágata em Catana, Sicília.
Portanto, parece que ao longo dos tempos e em todas as religiões, tanto no Ocidente quanto no Oriente, as virtudes da compaixão, do amor verdadeiro, de testemunhar a Verdade e de morrer por ela foram reconhecidas como uma vocação essencialmente feminina.
                                      

E, no entanto, quando há um ano e meio Daria
Dugina [15.12.1992 a 20.8.22], uma jovem filósofa que representava o melhor da Europa, com sua capacidade de fundir a metafísica grega e a tradição cristã [e a filosofia perene], foi brutalmente assassinada em um ataque terrorista, nenhum prelado romano a celebrou como campeã da devoção, nenhuma feminista indignada pediu sanções internacionais pelo crime, nenhuma Organização não governamental a propôs para um prémio de direitos humanos.
                                 
                       Daria Dugina, com o seu pai, o filósofo Aleksander Dugin..
Por quê? Será que é só porque Daria era russa e tinha orgulho de fazer parte de uma nação que ela descreveu como “capaz de compaixão e empatia”? 

                                    
Será que é porque, segundo ela, ao contrário do concorrente “homem-lobo” ocidental, a alma russa tem uma suavidade, uma falta de racionalidade rígida, que ela transforma em força, reconectando o mundo e curando suas feridas? 

                                      
Não, não é assim. Ninguém havia se dado ao trabalho de ouvir essa extraordinária filósofa poliglota, que também era uma mulher atlética, elegante, artística e moderna. O desejo de perfeição e beleza de Daria e sua ânsia de contemplar a essência absoluta da Verdade estavam simplesmente escondidos por trás da aparência de uma jovem jornalista. Como todos os seus predecessores martirizados, ela era uma ancilla abscondita, uma devotada serva de Deus protegida por trás de um véu de normalidade.

Foi somente quando, confrontando o Império do Caos, Daria levantou seu nome Platonova como uma bandeira para afirmar que ser mulher hoje significa escolher entre dois arquétipos opostos, que finalmente o inimigo a notou. Porque ela havia revelado a escolha imperativa que aguarda todas as mulheres de hoje. O confronto mortal e convincente que deveria ter permanecido oculto sob as questões de género e as queixas feministas. 

Ou se deixar seduzir [conforme narra a Eneida] pelo modelo triunfante de Dido, a rainha fenícia que invocou as forças do submundo para amaldiçoar com um ritual satânico o seu amante Enéias, mas que ela não conseguiu desviar de sua missão divina. 

Ou seguir, correndo um tremendo risco, o caminho sagrado da Beatriz de Dante Alighieri, o Ser Perfeito que conduz o seu homem além dos níveis mais altos do Paraíso, até a contemplação do Trono Sagrado  [ou seja, numa imagem crua tomada da realeza e que equivale a contemplar a essência ígnea e luminosa da Divindade».

Pintura de Bô Yin Râ: a Realização.

quarta-feira, 6 de março de 2024

A demissão de Victoria Nuland, peca por tardia. Maria Zakharova aponta o seu trágico papel. E a de Ursula, quando será? Dimitri Peskov mostra a sua inépcia...

O mundo alegrou-se com o facto de uma das mais anti-russa e warmonger (belicista) diplomata e política norte-americanas, Victoria Nuland, uma kazhari judaica da Moldávia, trinta e cinco anos de serviço diplomático-militar na secretaria de Estado norte-americano e a responsável por mais de dez anos da estratégia norte-americana em relação ao países do Leste, e em especial a Ucrânia e a Rússia, a líder sub-reptícia da revolução colorida de Maidan em 2014 que causou a demissão do governo ucraniano democraticamente eleito, e levou ao poder a extrema direita anti-russa e iniciou as perseguições em Donbass,  ter-se finalmente demitido.
E sabe
ndo-se como ela é anda hoje uma fundamentalista do excepcionalismo norte-americano e da sua vitória na Ucrânia, demitiu-se por ter sido forçada a tal pelo seu chefe (ela era a nº3), o secretário de Estado Antony Blinken, que ainda assim a elogiou na hora da declaração do pontapé final, por ser cada vez evidente o falhanço e a mortandade causados pela sua estratégia: a Ucrânia está ficar muito destruída e quase vencida, a Rússia mais forte, e uma aliança forte, contra os semi-vencidos norte-americanos, de povos e Estados que estavam afastados, emerge e desenvolve-se a grande velocidade: Rússia, China e Irão, ou mesmo Brasil e África do Sul, Etiópia, Egipto, etc., com o BRICS e o novo mundo Multipolar e o não da velha Nova Ordem Mundial ocidental, que tenta resistir cada vez mais violentamente, tentando envolver a Europa no conflito russo-ucraniano...
                        
 A porta-voz do Kre
mlin, Maria Zakharova, na sua excelência de qualidades que diferença em relação às vozes, olhos e presenças das porta-vozes norte-americanas, afirmou com todo o conhecimento de causa que Victoria Nuland "não se dedicou à diplomacia, mas sim à ingerência nos assuntos internos de outros países, principalmente do nosso país, da Ucrânia, da Europa Oriental e Ocidental", algo que está até provado por gravações que  feitas das conversas com o embaixador norte-americano Geoffrey Pyatt, como se detalha em https://www.youtube.com/watch?v=R0IpUKm3jxw. 

Maria Zakarova disse ainda: «A contribuição da subsecretária de Estado para os Assuntos Políticos dos EUA, Victoria Nuland, para minar as relações entre Moscovo e Washington foi colossal, já que se esforçou ao máximo por destruir o diálogo entre os dois países.»

Com Boris Johnson, um crápula do piorio, responsável pelo quebrar das negociações entre os povos irmãos ucraniano e russo, no começo da resposta russa em 2022, Victoria Nuland pode orgulhar-se de ser uma das principais responsáveis pelos mais de 600.000 ucranianos e russos separados violentamente do corpo e lançados não preparados nos mundos astrais... Que desgraças não haverá por lá.... Tremendo... Pax, Lux, Amor!

 Terá consciência este ser diabolizado do mal que fez, ou continuará fanática, tal como outros extremistas do imperialismo anglo-americano, como John Mccain, Hillary Clinton, Madeleine Albright's, Tony Blair e Boris Johnson, certamente todos psicopatas que deveriam ter sido ou ser ainda psicanalizados e tratados, não em Guantanamo mas noutros locais?
Teremos de aguardar até vermos o que se passa nela, mas provavelmente continuará a destilar o seu ódio à Rússia, ao Irão, a Belarussia, já que sabemos que não foi um mea culpa, fruto de um auto-conhecimento, mas que foi apertada pelas cúpulas norte-americanas insatisfeitas com os seus resultados e as suas fake news quando ia a Kiev, pois anunciava com grande convicção próximas derrotas "bonitas e surpreendentes" dos exércitos russos. Oremos para que se acalme, se torne mesmo mentirosa e odiosa e que se consciencialize mais da justiça e da verdade e acolha a dimensão fraterna e espiritual dos seres...
É caso para perguntarmos, quanto a outra política desgraçada, Ursula von der Leyen, tão inepta na condução da política europeia, tão corrupta quanto às vacinas covidescas em que o seu marido é um dos principais directores da Pfizer, tão pró-Isarel e apoiante do genocídio que Joseph Borrel já afirmou que as suas atitudes e afirmações não representam
a União Europeia e que têm custado um preço duro na apreciação mundial da geopolítica europeia, quando se demitirá ela, para evitar mais destruição da Europa e da sua tradição e valorização, embora saibamos que vai ser reeleita para o segundo mandato? [E assim foi, no dia 7, um dia depois deste artigo e que acrescento agora, recebeu no Parlamento Europeu 400 votos a favor, e 89 contra. Oitenta e nove pessoas com consciência viva, ética, não corrupta nem alienada. Os outros, fraquinhos, embora recentemente 800 deputados escrevessem uma carta protestando contra as suas posições excessivas pro-israelitas e de quase indiferença ao sofrimento do povo palestiniano.]

Esperemos e oremos para que não demore muito a ser questionada e demitida e que os políticos assalariados do Fórum Económico Mundial, de George Soros e da oligarquia financeira que é dona do dólar e permite o euro, controlado, saiam progressivamente da sua sanha transhumanista ou melhor infrahumanista, anti-tradicional, anti-russa, anti-multipolaridade, e entrem outros seres, melhores, mais servidores da causa pública, dos trabalhadores e empreendedores, dos jovens e dos necessitados, da solidariedade e fraternidade mundial, tal como há dias George Galloway, que conseguiu ser eleito e entrar como membro do Parlamento Britânico...
                             
Vejam-se as consequências da estratégia de sanções à Rússia, cozinhada p
or Ursula e Borrel e outros apaniguados e vaidosos, como Macron, na sua hubris que iriam destruir a Rússia e divulgada tão ameaçadora como triunfadoramente pelos meios de informação vendidos: não só lançaram para o desemprego milhares de pessoas, e para a falência e diminuições de receitas milhares de empresas, como produziram o contrário na Rússia, cada vez mais forte e próspera apesar de já levar à sua conta treze pacotes pesados de sanções. Leiamos a notícia de hoje, 6 de Março:

«SIRIUS /Território Federal/, 6 de março. /TASS/. A Rússia está a receber dividendos do Ocidente sob a forma de mobilização interna da economia e de instalações de produção doméstica, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
"Nós, os líderes do nosso país, o nosso presidente, o nosso governo, fizemos com que começássemos a receber dividendos das sanções. Dividendos sob a forma de mobilização interna de todos os nossos recursos, mobilização interna para o crescimento da nossa produção e para a intensificação de esforços de domínio novas tecnologias de modo a implementá-las na produção e por todos estes meios compensar sectores da economia onde os estrangeiros se retiraram. As empresa russas estão a desenvolver-se alegremente nesses nichos vazios", disse Peskov, [aludindo às novas oportunidades criadas pelo desaparecimento dos grandes gigantes do capitalismo mundial do mercado russo, agora bem mais internamente e auto-resiliente (o swadeshi indiano, tolstoiano, gandhiano) fluindo...]
A Rússia criou ainda um sistema único de formação de gestores que já está a dar frutos, disse o porta-voz do Kremlin aos jornalistas.
"Estão a aparecer imensos gestores jovens, dotados, conhecedores e profissionais", observou Peskov. O sistema único de ensino de gestão, formação avançada e  reciclagem foi criado e está a desenvolver-se pro-activamente no país", acrescentou ainda o notável e bem humorado político, desde 2012 secretário de Imprensa de Vladimir Putin.

terça-feira, 5 de março de 2024

A destruição da Europa pela inépcia dos seus dirigentes e a ressurreição da Rússia pela união do povo e dos empreendedores com a liderança sábia de Putin e do Kremlin.

A Europa conseguirá libertar-se da gente mesquinha e caquética, de Biden a Ursula, que nos desgoverna e oprime?...

 Todos reconhecem que a inepta presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen und Pfizer tem diminuído muito o nível de vida dos Europeus, ainda que pressionada ou manipulada pelos anglo-americanos, com uma péssima política anti-russa, com pacotes e mais pacotes de sanções (já vão em treze), que levaram à falência de milhares de empresas e ao aumento generalizado do preço dos combustíveis e do custo de vida.

Todos sabem como tenta ainda destruir a própria agricultura, em especial em relação ao leite, às vacas e às suas proteínas, ao que parece apostando mais nas baratas, grilos e outros insectos como fontes proteicas, seguindo as directivas de Bill Gates e de Klaus Schwab, seu mestre ou patrão do Fórum Económico Mundial, com a sua agenda 2030 transhumanista-infrahumanista.

                                     

Ora bem, poucos ocidentais saberão mas os dois países mais sancionados, marginalizados e atacados pela cruzada oligárquica ocidental, a Rússia e o Irão, têm conseguido desenvolver-se extraordinariamente a todos os níveis, de tal modo que estando antes dependentes do Ocidente em tantos aspectos se tornaram praticamente auto-suficientes e auto-resilientes (o swadeshi, tão essencial na doutrina e movimentação gandhiana) e com performances notáveis, educativas, culturais, religiosas, tecnológicas, industriais e até comerciais de exportação, muitos dos seus bens chegando mais caros ao Ocidente através de terceiros não sancionados...  

É caso para se dizer: "benditas sanções, que criaram povos mais resistentes, auto-subsistentes e independentes", e "malditos os dirigentes ineptos ou estúpidos ocidentais", sobretudo norte-americanos, canadianos, ingleses e da União Europeia, que tanto têm destruído o futuro das novas gerações, cada vez mais limitadas nos seus começos de vida, profissão e casa própria pela inflação galopante de muito do que outrora se produzia bem e barato entre nós, e com menos tempo para a criatividade, a cultura e o lazer, devido à intensificação da manipulação, opressão e luta pela sobrevivência.

                                                      

Eis o meu pequeno e rápido prefácio contextualizante da notícia que certamente custará a engolir aos dirigentes e jornalistas ocidentais ineptos, ignorantes, corruptos que andam há meses a repetir que a Rússia está de rastos, e não são só os Milhazes, Pinheiros e  tolinhas nossas mas também os Steve Rosenberg e Faisal Islam da BBC, a British Brainwashing Corporation, e de tantas outras, agora de repente em nova onda de ataque ao nóvel membro do Parlamento Britânico, o brilhante e acutilante George Galloway, uma esperança para um mundo melhor, e que com os seus dois programas semanais na internet, The Mother of All Talk Shows, e o Moats, de grande qualidade e audiência, tem animado e inspirado muita gente.

A notícia não vem do Irão, mas sim da Rússia que, mesmo apertada com a operação militar e a aliança Ocidental contra ela, está a conseguir a múltiplos níveis uma melhoria de vida e de produtividade, causadora de inveja nos governantes ocidentais, detestados na maior parte dos casos pelas suas populações, tais Olaf Scholz e Annalena, Macron, Trudeau, Sunak e Biden, ao contrário de Vladimir Putin que desfruta dum apoio maçico, mais de 70% da população, caso único certamente e bem edificador, seja pelo grande avanço harmonioso da sociedade russa nas últimas décadas, seja pela  acção abnegada e liderança da Rússia na batalha da emergência duma Humanidade multipolar e fraterna ser cada vez mais reconhecida como necessária e valiosa.

 Oiçamos então a notícia, que traduzimos da edição em inglês da Tass.com, a fonte informativa a que podemos ter ainda acesso (a par da recente Russian news), já que a mais antiga e dinâmica RT.com foi proibida no Ocidente pseudo-democrático, vítima de dirigentes avençados a outros interesses  que os do  direito dos cidadãos europeus a uma informação não só manipulada e russófoba...

De uma notável jornalista, Caitlin Johnstone: «Os poderes ocidentais não censuraram os meios de informação russa para proteger as mentes dos cidadãos europeus da propaganda russa, mas censuram os meios de informação da Rússia porque isso interfere com a propaganda Ocidental», e nisso seguem o velho slogan salazarista: "A Rádio Moscovo não fala a Verdade", mas sim a CNN e a BBC, SIC e o Milhazes...

A Rússia perene: a tão esperançosa e luminosa Daria Dugina Platonova correndo num bosque... Muita luz e amor na sua alma e nas dos seus pais... LUX!

«SOLNECHNODOLSK /Região de Stavropol/, 5 de março. /TASS/. A Rússia tornou-se o quarto país do mundo em termos de exportações agrícolas, com receitas que atingem 43,5 mil milhões de dólares, disse o Presidente Russo, Vladimir Putin, na terça-feira, visivelmente satisfeito...

                                                
"Tornámo-nos o quarto país do mundo em termos de exportações de produtos agrícolas e o primeiro país do mundo em termos de trigo. As receitas da venda de produtos nos mercados estrangeiros ascenderam a  43,5 mil milhões de dólares", afirmou.
Putin acrescentou ainda que as receitas da Rússia provenientes das exportações de produtos agrícolas aumentaram 30 vezes. "No ano passado, as receitas das exportações atingiram 43,5 mil milhões de dólares. O volume aumentou 30 vezes - não apenas numa percentagem, pois as receitas de exportação aumentaram também 30 vezes", disse o sábio preside
nte Vladimir Putin.
Na sua opinião, tais res
ultados "ainda recentemente pareciam absolutamente irrealistas". "Se em 2000 tivessem dito que teríamos 43,5 mil milhões em receitas de exportação, ninguém teria acreditado, pareceria uma espécie de fantasia. Mas estas são as realidades actuais", enfatizou Vladimir Putin.

Festas do equinócio da Primavera, na Rússia pagã antiga, pintura de Nicholai Roerich...
O presidente da Federação Russa lembrou ainda que em 2022, 157 milhões de toneladas de grãos foram exportados, e em 2023,  147 milhões de toneladas. E  observou que as exportações russas de grãos podem totalizar até 65 milhões de toneladas métricas no ano agrícola de 2023-2024. "Na minha opinião, as nossas exportações de grãos foram de cerca de 50-53 milhões de toneladas métricas na última colheita, em 2022-2023, e subirão, provavelmente, [a Divina Providência o permita], até 65 milhões de toneladas métricas em 2023-2024", confessou o líder russo e impulsionador  da fraternidade e multipolaridade do BRICS e que em ano de Dragão chinês vai certamente brilhar mais luminosa e beneficamente para a Humanidade no seu todo e Caminho...

segunda-feira, 4 de março de 2024

A Mística Portuguesa, por Dalila Pereira da Costa. No dia dos seus 106 anos. Breve hermenêutica do I cap. dos "Místicos Portugueses do século XVI".

A Dalila, sábia, doce, sibílica, na sua sala-biblioteca do andar-térreo na Av. 5 de Outubro 444, Porto, parte duma fotografia tirada por mim.
Publicada em 1986, a obra Os Místicos Portugueses do século XVI contém posicionamentos ou afirmações que cremos terem sido aprofundados, corrigidos ou melhorados pela Dalila Pereira da Costa (4-3-1918 a 2-3-2012), durante os 20 anos ainda activos das suas realizações, compreensões e publicações antes de partir para o mundo espiritual em 2012.
                                   
Assim, no 1º parágrafo do 1º capítulo, intitulado A Mística Portuguesa, Dalila mitifica ou exagera um pouco o domínio da Mística, 1º, ao caracterizar o objectivo do conhecimento a atingir "como visão e usufruição da Realidade última, ou Absoluto", algo que na realidade pouquíssimos místicos terão alcançado, e 2º, ao citar o ocultista francês, maçónico e teúrgico Louis Claude Saint-Martin: "Todos os místicos falam a mesma linguagem porque vêm do mesmo país", o que é algo inexacto, pois há uma muldimensionalidade psíquica, espiritual e divina tão grande que, reflectindo-se em múltiplos países, tradições e linguagens, gera diferenças grandes tanto no que se realiza como na capacidade de entendimento pelas palavras, pois as mesmas aludem ou exprimem realizações diferentes de acordo com as tradições e religiões.

Entrando na religião e mística portuguesa, Dalila, sempre navegando ou voando também em si mesma entre o fundo pagão e o cristão, reconhece que nas suas manifestações poéticas a mística lusa assumiu formas panteístas, embora sempre (ou quase, pois houve heréticos e heréticas...) "dentro das normas do catolicismo e da sua teologia", para logo umas linhas mais abaixo afirmar «mas na religião dos portugueses, para além do catolicismo e sua estrutura e dogmas, nela haverá oculto um fundo naturalista, antiquíssimo, vindo de sua religião arcaica, primevamente ligada à Terra-Mãe; e fundo persistindo desde os milénios pré-históricos até aos históricos em formas de piedade, indo desde o culto dos mortos ate às celebrações festivas da fertilidade, em coloração telúrica, cristianizados ambos». E este campo foi por ela muito bem investigado em muitos dos seus livros, e destacaremos a Corografia Sagrada, 1993, e As Margens Sacralizadas do  Douro através de vários cultos, de 2006.

                                                           

Em seguida, após ver bem que neste seu típico panteísmo e naturalismo a nossa mística se situa em oposição à mística do espírito renana, tal do mestre Eckhart, tece duas comparações, uma não sendo tão exacta, a de que a mística portuguesa se aproxima do monismo, próprio da mística da Índia, pois creio que não será tanto do monismo, o Advaita, mas mais do Dvaita, do monismo dual, em que além da unidade omnipresente do Brahman ou Divindade, se reconhecem e cultuam as formas pessoais da Divindade. E tece uma antevisão bastante corajosa numa época em que dialoguei com ela nessa ligação do Oriente e do Ocidente, sob a oposição de um ou outro dos seus amigos ligados à Filosofia Portuguesa. Oiçamo-la:«Portugal, como fronteira, traço de união, por opostos, entre o Ocidente e o Oriente, surgirá como o país de cunho mais oriental do Ocidente. (...) Anunciando um novo Oriente-Ocidente, nele se darão combinações novas, de pensamentos (e aqui, de místicas), desconhecidas no Ocidente. E que assim, a este surgirão, como suspeitas, ou insólitas»

Realçará depois os principais afloramentos desse veio de "uma religião naturalista pagã" sublimada, em Frei Agostinho da Cruz, com a sua mística franciscana acrisolada no amor pela serra da Arrábida e por Maria nossa Senhora, e patente ainda em Teixeira Pascoaes e Guerra Junqueiro, aos quais deveremos acrescentar Leonardo Coimbra, nas suas obrinhas Jesus e o S. Francisco de Assis: visão franciscana  da vida.

Dois parágrafos bem importantes seguem-se, no 1º considera que a concepção filosófica e a mística portuguesa não conseguiram na sua escatologia e ascensão abandonar o mundo terrestre e o anímico astral, nem sair do tempo e da continuidade lunar das metamorfoses e gerações, para "uma imortalidade na eternidade celeste" e a "total reabsorção no Espírito", ficando-se por formas de imortalidade limitadas, o que contudo me parece bem mais realista e possível de ser realizado do que essa mítica extinção. E no 2º parágrafo, analisando o pensamento europeu, nomeadamente nórdico e alemão, na sua característica "racional e discursiva", originadora de "sistemas abstractos e idealistas", opostos à natureza, esta vista como força cósmica negativa, e que «assumiu no puritanismo seus exemplos derradeiros, extremados e radicais, e no pensamento germânico, formas de absoluto desprezo e ódio, tal como as que surgem, notadamente em Kant, em Portugal surgiria o contrário desse protestantismo: a exaltação, cântico de louvor e adoração do homem perante a Natureza», bem patente por exemplo em Teixeira Pascoaes, e em especial no livro e personagem Marânus, em que a distinção entre Deus, o ser criado e o mundo se desvanecem, ou em Frei Agostinho da Cruz, onde a Natureza segreda-lhe os segredos divinos, ou eleva-o à fonte da Formosura, privilegiando Maria, como avatarização da Terra sagrada, como a Mestra intermediária da ligação entre a Terra e o Céu.

Frei Agostinho da Cruz, num painel de azulejos do convento da Arrábida..

Admirar-se-á contudo por haver entre nós, como no resto da Europa, «raros casos de formas acabadas e finais de conhecimento místico, como estados unitivos. Conhecimento como aquele que se opera de forma imediata, por via racional, por intuição e via experimental de união com o Absoluto. Via [ou caminho] que, na sua realização perfeita terminará nesse estado de beatitude, como união actual e contínua da alma do homem com Deus».

Estas compreensões-visões enfermam de um certo idealismo, o da possibilidade da tão limitada ou condicionada alma humana, e para não falar do cérebro, poder unir-se com o Absoluto, ou com Deus, e em especial continuamente, se mesmo Jesus, o mestre dos mestres ocidentais, sofre, pede ao Pai que afaste o cálice, e diz que não pode responder a uma pergunta (e ainda por cima sobre a 2ª vinda...) pois só o Pai sabe. Expressões como "realização perfeita", "formas acabadas e finais de conhecimento místico" são absolutizações de realizações bem mais limitadas que alguns místicos ou iniciados conseguiram de religação (num tempo e espaço, ainda que a sua percepção seja alterada ou então desapareça momentaneamente) ao seu espírito, ao mestre, àa forma pessoal de Divindade ou Deus, ou ainda com a presença do Espírito divino como força cósmica e de amor. Quanto ao Absoluto ou à reabsorção no Espírito que alguns admitem tão facilmente, também parece ilusória enquanto o Cosmos estiver em manifestação.

Do último parágrafo citado, passa a Dalila Pereira da Costa outra afirmação nascida do seu grande amor por Portugal e da sua inserção na corrente mitificante da excepcionalidade providencial da missão de Portugal e dos portugueses que teve como corifeus, por exemplo, o P. António Vieira, Fernando Pessoa, António Quadros e outros. Diz-nos então nessa mitificação exagerada de Portugal: «que outro povo do Ocidente seria o mais indicado para criar formas superiores de um conhecimento experimental, aqui de Deus, tal o da mística, como o português? Ele tão dado a essa forma de conhecimento no mundo e preferentemente usando mais as formas não-racionais, como a intuição e o sentimento, do que as racionais, discursivas? Usando mais o coração do que o intelecto no acto de conhecer», acrescentando uma transcrição da teórica inglesa do misticismo, hoje algo ultrapassada, Evelyn Underhill e outra do tratado anónimo inglês do séc. XIV The Cloud of Unknowing que apenas reafirmam que o intelecto ou a razão não podem pensar o Divino e que este apenas pode ser amado, ou realizado pelo coração, na nudez e obscuridade mental.

Dalila interroga-se em seguida porque teria o português se confinado demasiado à alma e não atingido o espírito, e pensa até, creio que erradamente, que «a mística, na sua forma última, realiza-se justamente na anulação de toda a forma e imagem, para além desse mundo da alma: no mundo do espírito onde, por uma ignição derradeira, toda a forma imaginária [mas não a verídica e essencial...] é anulada, na única luz deslumbrante, como fulguração de Deus: "Na tua luz nós veremos luz", Salmo 35, 10,» como esta citação final que pouco diz e de uma fraca autoridade de realização mística unitiva, que aconteceria entre o salmista e o temível e cioso Jehova.

A inexactidão da Dalila neste passo, creio eu, é a de pensar que nos planos do espírito não há formas e apenas luz, uma posição comum a vários estudiosos do esoterismo, misticismo, budismo e do comparativismo religioso, mas que a ser real impediria a existência dos espíritos individualizados durante a criação ou a fase de manifestação....

Aborda a nossa querida Dalila em seguida e com originalidade o povo português, pois "pertencendo étnica e culturalmente ao contexto céltico ou celtizado da comunidade europeia norte-atlântica, aceitando e usando na Idade Média e  Renascimento os livros de aventuras no mundo da alma que lhe vieram desse Norte, de brumas e claridade, a diferença e inovação por ele concedida a essa comunidade e sua antiga civilização milenária [e Dalila sentia-o genética e animicamente pela sua ancestralidade maternal irlandesa]", é que ele seria o primeiro a transportar essa aventura, antes vivida no mundo da alma, e só a ele até então confinada, ao longos desses milénios de civilização, para o mundo da terra visível e acção nela realizada: e pela primeira vez integrando-a na história da Humanidade».
E valoriza então os místicos escritores e poetas que tiveram as suas intuições, visões e imaginações, taisl D. Manuel de Portugal, Frei Sebastião Toscano, D. Hilarião Brandão e o P. Manuel Bernardes, na Nova Floresta, e as transmitiram com "uma exposição e ordenação" "clara, rigorosa e obedecendo às leis e exigência da ratio, sem nada em si de confuso e obscuro", aos quais acrescenta os profetas Bandarra e Fernando Pessoa que teriam visto o futuro, e que foram capaz de intuir o divino na História e de o transmitir, e que foram elos duma tradição visionária e profética imemorial. Aqui Dalila exagera ou mitifica um pouco a veracidade das suas imaginações ou visões, ao considerar que «a profecia é outra forma afim da mística, e nela se encontrará também essa mesma nitidez e ordenação de uma intuição primeira [ou mera imaginação ou mistificação, diremos]. Bandarra, além da veracidade [?] de suas visões, impressa [e tão manipulada] e declarada na sua mensagem...», e acredita mesmo, exagerando-mitificando, algo seguindo Fernando Pessoa que também à luz, estilo e  imaginações de Bandarra consagrou muitas páginas e até  belos versos, que «os oráculos do sapateiro de Trancoso, serão realizados numa comunhão com a história [certo]; como estado afectivo levado aos limites do poder humano, onde ele se transmutará no divino [exagero]; é sempre partindo duma intuição [ou desejo e imaginação] que aqui se atinge e transmite um conhecimento. Conhecimento que se fará como adivinhação do divino [ou do futuro desejado] na história.»

Observando a inexistência entre nós de místicos que foram teólogos, ressalvando apenas, e com as sua limitações, Frei Tomé de Jesus e sua teologia cristológica baseada na vida, paixão e ressurreição de Jesus (e que Frei Tomé sofreu santamente no cativeiro e morte), Frei Agostinho da Cruz e uma teologia de ascensão Mariana, sentida na intrínseca beatitude unitiva e franciscana, acentuará que na vivência da Trindade entre nós e os nossos místicos há predominância quase total do Filho, de Jesus Cristo, e que se alguns escritores com o P. Manuel Bernardes, Frei Amador dos Arrais e Frei Heitor Pinto abordam a mística e os mistérios da Trindade fazem-no especulativamente como teólogos e não pela vivência ou união sentida dos místicos, pela intuição ou visão, algo que ela reconhecerá contudo em Frei André Dias, um beneditino do séc. XV, estudado e publicado entre nós pelo Padre Mário Martins bom amigo da Dalila, e sobre cuja obra Dalila faz uma boa hermenêutica das suas vivências e ensinamentos mais importantes, com certa comparatividade europeia até, e transcrevendo os passos mais importantes.

As páginas seguintes e que finalizam o I capítulo são bastante valiosas na tentativa de contextualizar a mística portuguesa nas suas características de quente ou do coração e nos seus níveis mais elevados de conhecimento ou união com Deus, com a Deidade ou Divindade e com o Absoluto, baseando-se nos místicos já mencionados e em D. Manuel de Portugal e Frei Hilarião Brandão (que abordará mais detalhadamente noutros capítulos), em Frei António das Chagas, e ainda Nuno Álvares Pereira, Gil Vicente e Leão Hebreu, para além de consagrar algumas páginas belas e sentidas à serra da Arrábida como local desde os tempos islâmicos, já que rabida é nome para convento sufi, que ali existiu, num local telúrico e marítimo eleito ou propicio à aproximação à Divindade, sobretudo  a partir do seu espelhamento na Natureza pura....

Nos restantes quatro capítulos do livro Dalila contextualiza e compara com outras tradições, e aprofunda alguns dos autores citados, trazendo à luz algumas das suas importantes realizações, intuições, efusões e ensinamentos, oferecendo-nos sem dúvida uma obra bem importante quanto ao conhecimento do caminho místico, subtil, espiritual e divino, clarividente, vivencial, amoroso e unitivo, em Portugal.

Muita luz e amor, alegria e Divindade na sua interioridade, na alma de Dalila, e que ela nos possa inspirar! 

                                          

domingo, 3 de março de 2024

Nos 221 anos do Colégio Militar: história, alunos e ex-alunos, cerimónias e video do clarim no claustro, na homenagem ao fundador e aos que já partiram.

Fachada da parte mais antiga do Colégio Militar, antigo Hospital da Nossa Senhora dos Prazeres, junto à igreja da  Luz, construído entre 1601 e 1618, por voto e testamento da filha de D. Manuel I e de D. Leonor,  "a princesa muito sábia e virtuosa" Dona Maria, e que foi de administração nobre e misericordiosa dos frades e cavaleiros da Ordem de Cristo.

Fundado há já 221 anos, o Colégio Militar perdura  e se nos interrogamos quanto às razões da sua tão duradoura vida, teremos de reconhecer a qualidade do ensino e da formação dos ânimos que nele foi sendo prestada e impulsionada por notáveis professores e receptivos alunos

Pintura do fundador Marechal Teixeira Rebelo, exposta na Biblioteca, e infelizmente fotografada com algum desfocamento.

Fundado em 1803, como Colégio Regimental da Artilharia da Corte, e conhecido como Colégio da Feitoria, junto ao forte de S. Julião da Barra, pelo abnegado  oficial de artilharia então coronel António Teixeira Rebelo (17-12-1750 a 6-10-1825), um transmontano de Santa Marta de Penaguião, vizinho do Marão, filho de agricultores e que se elevaria às mais altas funções militares no país, com uma folha de serviços notável, o Colégio da Feitoria, destinado aos filhos dos oficiais do seu regimento, e com magros rendimentos iniciais, sobreviveu graças à protecção in loco do príncipe D. João, e só em 1813 se torna Real Colégio Militar sendo em 1814 transferido para o Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, na Luz, tendo estado em p Mafra entre 1835 e 1859 .  

Começara apenas com uns poucos jovens filhos de militares do seu regimento,   e ao crescer, passando a cem, aberto a outros alunos, filhos de heróis ou necessitados, foi mantendo os seus objectivos elevados, desenhados ou arquitectados pelo seu fundador e primeiro director (de 1813 até à sua morte em 1825), de criar bons militares, almas fortes, conhecedoras, corajosas, solidárias, disciplinadas, com ética, ideais, abnegação e capazes de servir a Pátria ou Mátria com dedicação, criatividade e excelência.  

E assim os professores e alunos se dedicarão ao longo de muitos anos criativamente a essa maravilhosa actividade humana que é a educação, o preparar do desabrochar  para o exterior as melhores potencialidades do corpo e da psique em formação, crescimento e desenvolvimento. 

Um dos directores, num quadro na Biblioteca do Colégio.

Grandes ou notáveis directores, professores e alunos distinguir-se-ão ao longo dos tempos, não só como militares mas em várias outras actividades sociais, e entre eles uma sã camaradagem perdurará sempre, certamente inspirada ou enraizada no princípio "Um por Todos, Todos por Um" que ficou como lema do Colégio do Militar, e de algum modo em cada um de nós, dando-nos um sentido de fraternidade muito grande, dedicação, esforço, desenvoltura, já que tínhamos de fazer muito ou quase tudo por nós, e éramos todos iguais uns com os outros, aparte as diferenças de anos ou cursos, e a existência dos graduados, que do 6º e 7 ano regiam as quatro companhias, as quais que por sua vez tinham depois quatro turmas com os seus chefes de turma. Acrescentava-se pois a essa fraternidade de base, manifestada no que era igual ou comum a todos, nas roupas ou fardas, alimentação e refeições, banhos, horários, tratamentos, saídas, férias, uma noção de hierarquia e portanto de uma disciplina e obediência a regras que se aplicavam a todos e se dirigiam ao bem comum, e que eram implementadas pelos superiores hierárquicos, por vezes com pequenos castigos, individuais ou colectivos, as firmezas, que fortificavam os músculos das pernas...

A forte componente de desportos, com competições renhidas anuais e presenteadas com medalhas,  e que se realizavam ao ar livre nos vários campos de jogos e onde pontificavam bons professores, ou então no interior, tal como o xadrez, as damas, o ping-pong, estimulavam as faculdades psico-somáticas requeridas a tais práticas, que complementavam a formação militar com tiro, cavalos, e acampamentos e marchas na tapada de Mafra.

A tais estímulos fora do currículo estadual liceal ou colegial civil, acrescentava-se um filme por semana, quarta-feira à noite, mensalmente as visitas voluntárias a famílias carenciadas da zona, em colaboração com as conferências de S. Vicente de Paula, e as  confissões para quem quisesse num seminário de belíssimo jardim acidentado e próximo, que sendo de noite davam uma  sensação de entrada noutro mundo de fantasia. Mas havia uma capela  no andar acima dos claustros, não longe da biblioteca, e onde alguns de nós podiam exprimir a sua devoção e aspiração ao bem e à Divindade divino, pela oração a qualquer hora livre e a missa ao Domingo.

Havia ainda as visitas de estudo sempre muito apreciadas mas raras,  a feira do livro anual junto à biblioteca (onde me lembro de ter comprado e muito apreciado gozado o livrinho a Conquista do Everest por sir Edmund Hillary,) e o armário de livros ou biblioteca de cada companhia, onde muitos de nós tomaram consciência dos escritores contestatários da época, seja os neo-realistas Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e Fernando Namora, seja o presencista  José Régio, ou ainda os mais modernos Sttau Monteiro, José Cardoso Pires e Bernardo Santareno, habilitando-nos a discernir melhor a luta contra o que estava mal no Estado Novo e que esses escritores descreviam e apontavam. Mas havia outros autores e se esta foi a minha formação de leitura aos 14 anos outros ter-se-ao deliciado ou viajado por outras autorias, paragens ou mensagens.

Nesse in illo tempore, quando entrei para o Colégio Militar nos meus 10 anos, tal como era a  regra desde 1803, comecei uma aprendizagem  e convivência bem valiosa por seis anos escolares (já que chumbei o 1º ano e depois saí no 5º ano, para ir para Letras) em regime de internato, com uma saída semanal, entre o começo da tarde de sábado e o começo da noite de domingo, dois términos-inícios semanais, certamente intensos em todos, ao passarem-se no curto espaço de tempo de um dia e pouco, em que reeencontravamos a família e os seu ambientes, e os nossos pequenos mundos pessoais.

Formados, decorridas algumas décadas de crescimento, trabalho e amadurecimento, realizou-se este encontro dos muitos sobreviventes do curso, embora só estivessem presentes cerca de 37, com a deposição de uma coroa de flores de homenagem  ao fundador, o Marechal António Teixeira Rebelo, tendo sido pronunciados no fim os nomes dos que já partiram para o misterioso além, subtil e espiritual, com o toque de clarim.  Gravei essa cerimónia de fora do salão onde se encontra estátua do Marechal (pela exiguidade do espaço e por ter sido dos três últimos a assinar o livro do curso na biblioteca),  e  assim acompanhei o que se ouvia de dentro e sobretudo o som do clarim ressoando pelo claustro e pelas almas, lembrando-me um pouco desse belo poema de Fernando Pessoa, em que ele invoca a tradição militar, heróica, poética e iniciática portuguesa:

(...) «Vibra, clarim, cuja voz diz
Que outrora ergueste o grito real
Por D. João, Mestre de Aviz,
E Portugal. (...)

A Todos, todos, feitos num
Que é Portugal, sem lei nem fim,
Convoca, e, erguendo-os um a um,
Vibra Clarim!

E outros, e outros, gente vária
Oculta neste mundo misto,
Seu peito atrai, rubra e templária,
A Cruz de Cristo.

Glosam, secretos, altos motes,
Dados no idioma do Mistério
Soldados não, mas sacerdotes,
Do Quinto Império. (...)»

Vinde aqui todos os que sois,
sabendo-o bem, sabendo-o mal,
Poetas, ou santos ou heróis
De Portugal.»

  Este encontro, permitiu ver alguns antigos colegas e amigos que desde que saíra do curso tinham desaparecido, e nos quais  a matriz facial ora se manteve pouco alterada e me foi fácil sentir o reconhecimento identificador, ora noutros foi mais alterada pelas vicissitudes da vida, pelo que sem o acesso à fotografia da época não podia discernir facilmente as continuidades identificadoras, de modo que cumprimentava sem reconhecer bem a ligação da perenidade de cada um desses antigos colegas ao longo das décadas, tanto mais que a maioria deles avançou no mesmo curso, enquanto eu, chumbando (tristeza forte sentida, contrastada com alegria buliciosa da maioria,   ao meter a roupa e os poucos pertences na mala das férias onde tinha escrito, "mala em uso, sinal das férias") passei a ter outros companheiros de curso, e a  ser chefe de turma deles por três anos.

                             

Foi na bela e valiosa biblioteca do Colégio que ouvimos antes de tudo os discursos de dois membros importantes da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, o general Rositas e o actual director Filipe Soares Franco, e o do ilustre coronel e actual sub-director do Colégio Militar, que delineou a adaptação conseguida aos novos tempos do funcionamento da centenária instituição, bem como os professores, pessoal militar e tipo de alunos que têm, já não só rapazes nem só internos, e ainda os valores e metodologias que têm permitido aos alunos do Colégio  classificar-se com elevado nível nas classificações escolares nacionais e sobretudo prepararem-se adequada e valiosamente para os desafios da vida moderna. 

O novo edifício onde se realizam as aulas...
Na Biblioteca, após os discursos iniciais do sub-director do Colégio, e do general Rositas, fala o Filipe Soares Franco, director da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, apontando as necessidades e dinamismos actuais e como a Associação tem sido importante em tal.   

Houve ainda um encontro com os alunos ou alunas que têm os números que nos couberam outrora e foi com muita alegria e carinho que vi uma ou outra criança com os olhos a brilharem com muita luz e alegria, seja apenas da suas alminhas seja de poderem usar a farda e o barrete, de serem alunos da centenária instituição.

A criança de olhos talvez mais luminosos, sucessora de um dos ex-alunos com quem dialogaria durante o almoço, numa mesa animada...

A Beatriz, sucessora do José Cortês, grande amigo de um comum amigo o ilustríssimo livreiro e escritor Luís Burnay, como descobriríamos mais tarde.
Dialoguei brevemente com uma Beatriz, dos seus seis anitos, que tinha o número do amigo José Cortês (aquele com quem conversei mais, e que se esquecera de trazer-lhe um presente, como fora recomendado) e que não sabia da Divina Comédia, nem de Dante e de Beatriz, e foi iniciada nessa tradição dos Fiéis do Amor, "ao de leve, levemente",  recebendo um belo cristal do quartzo do Gerês, tal como entreguei outro a uma professora, a fim de dar à minha sucessora, ausente numa visita de estudo.

Valiosa a passagem pelos belos azulejos oitocentistas do jardim da enfermaria, que fotografei, já que são pouco conhecidos, com uma bela e bem instalada estátua da Deusa, quem sabe se Diana, Vénus ou a Tétis dos Lusíadas, a caminho, e casualmente conversando com o director do Colégio Militar. 

 Assistimos então ao desfile, de cerca de oito minutos,  do batalhão do alunos e alunas, que passaram em continência diante do seu director e dos antigos alunos, que gravei e pode ver no youtube

Por fim, houve o almoço e as conversas amistosas, ora de memórias divertidas e dos professores que tivemos, ora dos trabalhos, conhecimentos e gostos que fomos adquirindo ou desenvolvendo ao longo da vida.

Os alunos, fim da refeição em comum, entoam em uníssono o famoso grito Zacatraz...

Ofereci um exemplar de um dos livros que escrevi, certamente o mais apropriado à biblioteca do Colégio Militar e a poder ser lido  instrutiva e agradavelmente por algum professor ou aluno, dado à luz em 1998, no V centenário dos Descobrimento do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama e seus nautas, sob o título Livro dos Descobrimentos do Oriente e do Ocidente, e que se encontra hoje online no meu blogue, dividido em doze partes ou meses, com o título Efemérides do mês de.... do Encontro do Oriente e Ocidente, e que  tem sido acrescentado  com muitas outras efemérides, nomeadamente dos nascimentos e mortes dos seres que se destacaram  na comparação e união do Oriente e do Ocidente, dos estudiosos do Orientalismo, dos mestres sociais, culturais e espirituais, e onde brilham assim tanto biografias como efemérides de grandes navegantes e militares, escritores e filósofos, mestres, reis e santos.

Sala de armas, museológica, do Colégio Militar.

Embora não tivesse seguido a carreira das armas, como o meu pai, oficial de engenharia e que chegaria a Brigadeiro,  e antes me formasse em Direito, que  também deixei pela aprendizagem na Índia do Sanatana Dharma ou dever perene espiritual, no caso sobretudo o Yoga e meditação, do qual fui professor durante uns doze anos, não poderia estar senão grato pelas aprendizagens, experiências e camaradagem do Colégio Militar (e com o aluno 189, Gustavo de Mello Breyner Andersen, mantendo-se ininterruptamente até ele partir para o mundo espiritual), pelo que na dedicatória do livro que dei ao coronel sub-director do Colégio Militar, no fim do simples mas animado ágape, escrevi,  «à Biblioteca do Colégio Militar oferece o 265, Chico, grato, e com votos de perenidade valiosa». 

Sob a égide da Ordem de Cristo e da sua cruz ígnea, e do princípio Feminino da Divindade, perenes, entram, formam-se e avançam na vida os alunos do Colégio Militar....

 E agora  pode ouvir então clarim tocando belamente em homenagem "àqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando", e estimulando-nos a perseverarmos corajosamente na manifestação e defesa dos valores e ética universal e do Colégio Militar e da tradição militar e espiritual portuguesa.