sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Poema do Rio e da Espada.

Escrito há uns anos, e bastante melhorado.

POEMA DO RIO E DA ESPADA

A espada atirada ao rio,
levada pela corrente a dentro,
ora boiava ora mergulhava,
a espada viva navegava.

Ao tocar no fundo,
alegrava os seixos,
remexia-os e arejava-os,
como cobra, dragão ou peixe.

Mas a espada continuava,
raspando a lama do fundo,
chocando com as fragas,
fendendo a correnteza,
brilhando na sua inteireza.

Num torvelinho maior,
a espada emergiu do rio
e, ninguém a empunhando,

 caiu e sumiu-se nele.
Agora, onde estará ela,
para onde correrá nele?

Entoam as aves os seus cantos,
ao ritmo duma calma viração
que ondula as margens
e pergunta às nossas almas:
És o rio, és a espada, és?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

"Poetizar", a Poesia percorre a Terra em busca de quem a ame e ligue a Humanidade e a Divindade sábia e criativamente.

Calíope, por Bertel Thorvaldsen.  Poetizar foi escrito a pedido da Cláudia Luna para uma antologia no Brasil, em 2022, e finalizei-o em Fevereiro de 2024.

         POETIZAR

Poetizar na nossa perturbada idade
é querer resistir às adversidades,
erguer a alma acima de transitoriedades,
singrar nos céus e ideais da Humanidade.


Não estamos sós ao orar, meditar ou escrever,
muitos raios, ondas e partículas podem chegar
de seres, energias e causas dinâmicas e afins
que c
onnosco se querem realizar e completar.

Não deixes pois de sentir, criar, lutar
e no papel ou écran teu sangue derramar,
pois não sabes a importância da mensagem,
nem que alma com ela se fortalecerá e sorrirá.

Que cada jornada te encontre criativo e sereno
e possa  ser agraciada com a inspiração clara,
dos espíritos, anjos e mestres que te abençoarem,
e a ser no corpo, alma e espírito realizada.

Junta ainda à prática criativa da po
esia
o silêncio, a meditação e o fogo da as
piração,
para melhor desabrocharem as ideias e palavras
que inspirarão os que contigo comungarem!

A Poesia percorre a Terra em busca de quem a ame.
Serás uma cavaleira ou cavaleiro, fiel do Amor,
e a Ela te dando com persistência e ar
dor?
Então, na criatividade, invoquemos a
Divindade!

~~~~~~~***~~~~~~

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Um breve poema à Cruz de Cristo, de 2005, e agora levemente modificado.

                                                    

 Ó Cruz de Cristo!

Não sei que admirar mais,

se o rasgão teu no espaço sem fim,

se as gotas de sangue derramadas

e no Santo Graal recolhidas,

se a flor templária que no teu seio nasceu

e agora  no teu peito arde como no meu.

 

Cristo Jesus, senhor do Ocidente,

mestre dos mestres, luz do íntimo Oriente!

Que os raio do teu espírito ígneo

dissolvam o que é baixo em nós

e ressuscitem-nos imortais e vibrantes!

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Cada ser é um livro, cada livro é um ser, e todos devemos contribuir criativamente para o grande Livro e Ser da Humanidade.

                                     
                                      
Cada livro é portad
or de múltiplas informações, energias e ideias, e manifesta ou transmite ainda algo de quem o escreveu, dependendo do que ele mais é, incarna, deseja ou pensa, bem como do nível, mais ou menos egóico, ignorante ou puro, a partir do qual ele gerou as suas ideias, intenções e palavras, que se consubstanciam na alma e letra do livro.
Sim, cada ser é em si mesmo um livro, escrito pela vida e os seus mil acidentes, e legível pelos outros, e assim ao lermos um livro lemos também um pouco o seu autor, ou mesmo uma biblioteca quando ele leu ou escreveu muitos livros, ou a sua família e amigos, quando os transparece no que escreve
Mesmo sendo escritores, somos também escritos por tudo o que percepcionamos, sentimos, pensamos, sonhamos e intuímos, pelo que devemos discernir com cuidado o que deixamos entrar pelos nossos sentidos e alma, em especial tendo em conta a comunicação social actual tão baixa e manipulada, ou mesmo tanto livro atraente aparentemente mas oco ou danoso substancialmente.
É sobretudo a imersão televisiva e comentarística que em geral gera a destruição das antenas e capacidades subtis do ser humano, inquina o seu interior, petrifica-o, coisifica-o, vulgariza-o, fá-lo perder o sentido de orientação, o poder de ter a fina ponta do seu discernimento apontada ao norte, ou ter os pés assentes na terra, no ventre, na respiração profunda e natural e não na isolante e oprimida televisiva. E perder o amor, pelo medo que infundem...

Cada ser é um microcosmos, e no interior da sua alma  está subtilmente o acesso a toda a natureza e seus elementos, e se pouco disso nos aflora, a não ser nos sonhos, imaginações e intuições, é  a vida social e informativa dispersante e desagregadora que nos faz perder ou enfraquecer  tanto a intuição e visão espiritual como o discernir da verdade e o sentir da unidade com o que vemos e contemplamos.
                                            
O trabalho espiritu
al  criativo, assente tanto na karmicidade ou causalidade, como na ético ou moralidade da nossa vida, visa alcançar a elevada qualidade e dignidade humana espiritual, e é um processo de religação entre o inconsciente, a consciência, a auto-consciência e a supra-consciência, esta podendo ser também denominada, apesar de pluridimensional, numa abrangência geral ou de fundo, Luz, Alma do Mundo, Logos, e à qual temos acesso em certos momentos mais iluminados ou agraciados
Nos melhores ou mais elevados se
res e livros estão os que aceitam e demandam esta geografia interna e procuram unir os planos ou níveis mencionados, receber as suas intuições e iniciações, expor os seus princípios, apurar as verdades das lendas e dissipar ilusões e mistificações. Esta é a verdadeira escrita criativa, a que gera Luz, a que ilumina as almas, provinda dos bons seres e escritos excelentes, dentro da Ordem Divina do Universo e do seu pluridimensional campo unificado de energia, consciência, informação que perpassa, subjaz ou entretece tudo, ainda que bem subtilmente, quanticamente.
Saibamos pois determ
inar-nos a sair da mediania manipulada ou zombificada, das narrativas oficiais  ou das dogmáticas, aprofundando certos assuntos ou certas capacidades da alma para que a nossa palavra oral e escrita possa contribuir para a melhor qualidade luminosa dos seres e da grande biblioteca da Humanidade, e portanto para a formação e transmissão de uma sabedoria perene dinâmica e activa, que as pessoas podem aplicar, viver e aprofundar no quotidiano sobrevivendo às infrahumanas tentativas de novas ordens mundiais ou outras fantasias e alienações exploradoras.

"Sabe o que é o melhor da imunidade natural [fortalecida pela alimentação biológica e as ervas medicinais, a respiração consciente, os exercícios, a oração e meditação, a comunhão com a natureza, o amor e a gratidão, o silêncio e a luz] é que não mata [e proporciona o realizar-nos mais plenamente...]"

Que as páginas do teu diário, do teu livro e da tua aura psico-espiritual, quando caminhas pelas ruas, batido pelo vento e o sol, ou na natureza ouvindo as aves, desprendam palavras, mantras, ideais, energias e impulsões valiosas, e que elas possam impulsionar e inspirar as pessoas a despertar, a resistir, a fortificar-se e a religarem-se orgânica e multipolarmente, espiritual e divinamente.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Uma carta do Prof. Manuel Ferreira Patrício, um espiritual, agradecendo o "Modo de Orar a Deus", de Erasmo. E a sua última entrevista, em vídeo.

Muita luz e amor na sua alma e coração espiritual!
Manuel Ferreira Patrício nasceu em Montargil, Portalegre, a 23 de Setembro de 1938. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa  em 1966.  Foi professor do Ensino Primário e do  Liceal até 1984, quando se doutorou em Ciências da Educação. Exerceu numerosas funções na Universidade de Évora até chegar a professor catedrático ( 1993 -2006) e a reitor (2002-2006).
Escreveu várias obras de Filosofia, Pedagogia, Educação, Música, e Cultura portuguesa, nomeadamente sobre Leonardo Coimbra e Fernando Pessoa, e deixou muita colaboração em jornais, actas e revistas, tendo fundado e dirigido algumas destas, para além de ter fundado um coro e ser um bom conhecedor de música e canto.
Encontrei-me com ele algumas vezes ao longo dos anos, e
m especial em exposições, colóquios e conferências, e em alguns dos meus diários anuais tenho registos de diálogos, que espero um dia transcrever.
Partiu pa
ra os mundos espirituais de Elvas 2021, com 82 anos. Uns meses antes, em Setembro de 2020, fui visitá-lo com a sua colega no Liceu Normal de Évora, e hoje também doutorada em arte pela Universidade de Évora com uma pioneira tese Percursos Têxteis em confronto, continuidade e roturas, Maria Dulce Santana a sua vasta casa ajardinada e com notável salão biblioteca, em Montargil, tendo gravado uma parte, fragmentada mas substancial,  do nosso diálogo, com confissões muito valiosas da sua espiritualidade, como pode ouvir no Youtube: https://youtu.be/cD11Ars02Nw 

                                   

«Montargil, 30 de Janeiro de 2009

Estimado Amigo:
Conforme me
tinha anunciado, recebi a semana passada o livro Modo de Orar a Deus, do nunca esquecido Desidério Erasmo. Agradeço-lhe a oferta.
Até agora, só havia
lido de Erasmo o Elogio da Loucura, editado entre nós pela [Editora] Guimarães do Francisco Cunha Leão. Só o facto de a presente obra vir enriquecer a estante erasmiana na língua portuguesa basta para tornar o seu aparecimento como acontecimento memorável.
Depois, Erasmo está
ligado a nós com alguma profundidade. Logo a seguir, através da sua amizade com Damião de Góis. Depois ainda, por via indirecta, através da sua amizade com Thomas More, em cuja UTOPIA estamos presentes explicitamente. Finalmente, para mim, através dos estudos longamente continuados de José Pina Martins, que culminaram há uns anos - tanto quanto me é dado saber - com a sua obra UTOPIA II, no meio do qual vejo palpitar o espírito crítico de Erasmo (e, como entende António Lopes [?], também o de [P. António]Vieira).
Mas esta obr
a tem um interesse excepcional, pois [é, (não decifrei..) ?] do Erasmo religioso. Ora, afinal, é muito mais religioso do que muitos dos seus intérpretes me têm dito e, de igual modo, muito menos ambíguo. Ao que me parece, evidentemente. Lembro-me neste caso de que a certa altura escreveu André Malraux, o autor da Condição Humana: " O homem do século XXI será religioso, ou não será". Eis como Erasmo, com a presente obra, chega a tempo, talvez, só com o atraso dos oito anos já passados [do século XXI]
Estou a ler a sua obra com todo o inte
resse. A edição agora publicada entre nós deve-lhe a si, só, muito. Pela participação na tradução, pela valiosa Introdução e, finalmente, decerto pela iniciativa de a publicar.
Por tudo queira receber o meu obrigado
O brev
e texto da carta das publicações Maitreya que acompanha a oferta da obra é de uma simpatia imensa para comigo. Não mereço uma palavra, evidentemente, mas gostava de a merecer. Mas assim fiz na vida até aqui: procurar, de facto, a verdade, a seriedade e o bem dos outros, tudo no horizonte do sentido da transcendência. Fiz, todavia, bem pouco. Cheguei, todavia, bem perto de aonde estou e bem longe de aonde está o que  [mais]  importa.
Muito obrigado pela simpatia com que m
e tenho sentido sempre acolhido por si. Essa simpatia é retribuída.
Peço-lhe, finalmente, que transm
ita os meus agradecimentos à Maitreya.
Um ab
raço do Manuel Patrício.»

 Realcemos para concluir, o ambiente tão simpático e pleno de amor que Manuel Ferreira Patrício transmite na relação de amizade comigo, as referências admiradoras de Erasmo e de José V. de Pina Martins, nosso comum e excelente amigo (e sob a sua égide nos encontramos uma ou duas vezes na Academia das Ciências) e, sobretudo, no que sentimos na carta quase como já o testamento da sua vida ética e espiritual, sobretudo agora que ele já partiu para o além: «procurar, de facto, a verdade, a seriedade e o bem dos outros, tudo no horizonte do sentido da transcendência. Fiz, todavia, bem pouco. Cheguei, todavia, bem perto de aonde estou e bem longe de aonde está o que  [mais]  importa.»  Que beleza de sabedoria humilde e profunda...

Enviemos pois as nossas orações e raios anímicos para Manuel Ferreira Patrício, desejando que vá estando agora cada vez mais próximo, no seu interior, da Divindade, "que é o que mais importa"....

                                   

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Poema da demanda da Divindade, inscrita na aspiração íntima. With english translation.

    

DEUS,
só ele
sabe plenamente

na luz 
sábia
e dinâmica

quem é.

 E nós,
nós somos o Ser
e o não-Ser
e, portanto,
ora somos
ora não somos,
mas aspiramos a ser
mais plenamente;
e eis as Religiões
e Espiritualidades.

A busca da entrada
na nossa intimidade
onde está a Divindade
é altamente valiosa
e harmonizadora,
em tudo e todos.

Eis o que inscrevemos
aqui e agora:
Aspira a que Deus
desça mais em ti,
nasça mais em ti!

Aum, Amen, Hum.

English translation:

GOD,
He alone
fully knows
in the light
wise
and dynamic
who is He.

 And we,
we are Being
and non-being
and therefore
sometimes we are
and sometimes we are not,
but we aspire to Be
more fully;
and these are the religions
and spiritualities.

The quest to enter
into our intimacy
where Divinity is
is highly valuable
and harmonising
in everything and everyone.

This is what we inscribe
here and now:
Aspire for God
to descend more in you,
to be born more in you!

Aum, Amen, Hum.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Metamorfoses da procura da palavra perdida, e da realização espiritual do Logos na Terra e em nós, vencendo-se as limitações ambientais, criativamente.

                                                      

Um texto batido à máquina há muitos anos e agora metamorfoseado, aprofundado....

 A recorrência do exterior está como que já dentro de nós, de modo a moldar-nos constantemente sob as formas e ideias ambientais, ainda que tal se passe bastante inconscientemente, já que não discernimos as ondulações energéticas emitidas por tudo o que existe ou nos rodeia, nem os impactos das subtis formas do pensamento, seja nossas, dos outros e nacionais, seja televisivas e digitais.
Mesmo quando fechamos os olhos, o espaço, o ambiente, as formas físicas e subtis, os sons e aromas que nos rodeiam impactam subtilmente sobre o nosso corpo psicofísico e na sua aura e emanações.
Ao fechá-los é mais fácil libertar-nos ou desinfluenciar-nos, mas outras formas e energias, as das ideias, sentimentos, memórias, habitam  e constituem-se no nosso ambiente interior. Em geral quem medita sabe por experiência própria que leva tempo e é preciso uma certa aspiração ou mesmo Graça espiritual para deixarmos de estar tão condicionados e atravessados pelas ondulações de pensamentos, desejos e preocupações e podermos entrar em momentos de maior silêncio ou de intensificação dum pensamento, oração, sentimento, imagem, que são estabilizadores e elevantes e,  finalmente,  recebermos bênçãos luminosas.
A escrita pode ser um exercício de catarse das formas ambientais físicas e psíquicas que nos influenciam ou que connosco habitam, pois ao escrevermos concentrados e com uma intencionalidade boa, faz-se ordem no nosso ser e ficamos mais abertos a intuições, associações de ideias, gerando plasticizações neuronais positivas. E não vamos sequer falar do que vem dos mundos subtis, do além, seja dos Anjos seja dos espíritos já partidos, ou das forças anímicas que eles deixaram no interland e que interagem por vezes connosco sob formas ou meios insuspeitados.
Foi por isso que resolvi ir mais fundo e tentar chegar ao grande Livro da Vida, em que todos entramos, e descobrir  a folha que me corresponde, e talvez compreender se o meu percurso e currículo de vida está próximo dele e, portanto, discernir se o que eu escrevo, faço, sinto, penso e sou na actualidade está certo, e não me lamentarei mais tarde de me ter desviado e não ter sabido moldar-me pelas formas correctas e luminosas,  de forma a conseguir reunir-me ou ligar-me com as energias mais apropriadas a todos os níveis que constituem a nossa multidimensionalidade numa orientação aperfeiçoante, plenificante.
Começa assim esta minha história e escrita e que é também a vossa, e que é, foi e será: a procura da autenticidade, de sermos nós próprios, a demanda da Luz espiritual e Divina e da verdade alegre interna.
Certamente que as palavras pensadas, faladas ou escritas não chegam, não chegam,  para traduzir ou explicitar níveis por tão ricos e subtis, tanto mais que não as conhecemos em si e nas suas energias, nem as que precisávamos mais de saber e usar, pois utilizamo-las frequentemente num nível superficial e rápido, entretecido ou contaminado com tanta palavra oca, distorcida, falsa, interesseira, negativa, manipuladora.
Também chegam tarde frequentemente as palavras, quando as ideias feitas e manipuladas são já irremovíveis, quando os mal entendidos já cavaram fundas ravinas entre as pessoas ou entre entre os povos e só por grandes esforços é que a palavra curadora sarará as feridas e estabelecerá as novas estradas de comunicação e conexão luminosa e libertadora.
Chegam tarde as palavras se foram pensadas ou intuídas e não as pronunciamos apropriadamente e acertadamente no tempo e espaço, entoação, ritmo e intenção. Assim, numa das legendas ou versões da tradição do santo Graal, mesmo quem consegue merecer ver passar a procissão com o santo vaso, se não sabe fazer a pergunta, não recebe a desvendação própria.
As palavras morrem
ao dar à costa, mesmo provindas do oceano animado de uma boa pessoa,  quando lidas ou ouvidas, não são bem acolhidas, assimiladas, aprofundadas ou aplicados, ou ainda porque não nos deixamos modelar e aprofundar com elas.
Por isso em  todas as tradições se valoriza muito o saber de cor algumas orações, litanias, poesias, frases e que podem ser dedilhadas sobre o corpo e alma sempre que necessitarmos ou nos parecer apropriado, para nós e pelos outros na terra e no céu.
Mas saber discernir as palavras mais justas, necessárias, próprias, que nos possam fazer despertar ou ver a nossa essência e missão não é fácil e leva sempre muito tempo, tal como qualquer grande, larga e poderosa árvore que liga o céu e a terra, pois estamos habitados por demasiadas palavras inúteis, superficiais, mecânicas, conflituosas e há pouco silêncio e transparência no nosso interior.
A maré dos nossos ouvidos e da nossa psique, senão praticamos o 
trabalho atento, o recolhimento, o silêncio, a meditação, a contemplação, a caminhada imersiva na natureza,  tem apenas uma baixa mar relativa quando adormecemos, e mesmo aí os sonhos e as interelações astrais também falam e influenciam, com pesadelos a poderem gerar-se.
O planeta, o sistema solar, a galáxia, o Universo enquanto Cosmos (que significa em grego "um todo belo e ordenado") tem uma linguagem, um Logos, sentido, inteligência, razão e sabermos descobrir, acolher e ler as palavras e as ideias, ou seja, a sua linguagem que dá sons e nomes às formas e energias é um desafio grande pela sua subtileza. Mas que nos atrai naturalmente, seja por sermos mais sensíveis ou poetas, seja porque todos ansiamos melhorar, saber mais, aperfeiçoar-nos, sermos mais plenos, embora frequentemente nos deixemos moldar, desviar ou prender por slogans, enganos, ilusões,
hábitos, auto-limitações, para não falarmos das infinitas manipulações dos meios de informação ou dos grupos políticos, religiosos e espirituais.
Embora seja imensa a beleza do Universo criamos tantas palas e obstáculos à sua visão e assimilação que nos tornamos quase que cegos, surdos e amnésicos face a essa linguagem subtil logóica da alma do mundo e da natureza e que tem como sua substância princípios, valores e ideias, originando nas formas a sua maior ou menor simetria, beleza, harmonia e transparência divina.
Na viagem da vida, o tempo e o espaço, com todos os seus conteúdos,  tendem a moldar-nos e limitar-nos e devemos por isso tentar transcende-los em criativas espirais de movimentos e paragens, ritmos e intensidades, procurando sincronizar a nossa percepção consciencial deles com os horizontes, os céus estrelados, as vastidões cósmicas ou mesmo o infinito divino, sem dúvida esta última uma meta muito elevada para conseguirmos mais de que uns vislumbres indirectos, ou então alguns minutos de transcendência de tais limitações, graças à ampliação da nossa consciencialização espaço-temporal, num estado de consciência mais expandido, e algo sensível ao infinito e perene.
Naturalmente deveremos  viver em comunhão com os elementos, seja o sol, a lua, o fogo, o vento, a terra, a chuva, mas também com os elementos psíquicos,
sabendo superá-los, e não nos deixando dominar pelas alegrias e  tristezas, dores e  prazeres, pois só assim somos livre em nós próprios e conscientes da interpenetração harmoniosa com a Ordem do Universo, com a evolução ou manifestação pluridimensional dos espíritos no Cosmos...
Assim vamos desenhando, gerando, fortalecendo um corpo subtil psico-espiritual, sobre a base do nosso melhor molde ou forma física. E com o livre-arbítrio ou a  liberdade pessoal harmónica com o coexistente ou ambiente natural e dos nossos deveres
(swadharma), e tal realização da potencial identidade espiritual em sincronia com ambiente vai dando os seus sinais e frutos de discernimento, conhecimento, justiça, coragem, independência, liberdade, amor, sabedoria.
Os arcanos celestes, os arquétipos, ideias e ideais da Humanidade espiritual, podem e devem ser realizados por vários caminhos, por vários meios, por várias formas, entrecruzando-se as palavras e as linhas que aspiram e sobem ao céu do inteligível e inefável, passando e fortalecendo-se nos centros subtis do coração, da garganta e da cabeça, e gerando  as palavras justas, as orações eficazes, as interrogações apropriadas, as decisões benéficas que  causam a clarificação, o descobrirmos e caminharmos melhor nas nossas ressonâncias, afinidades e linhas de ascensão,  gerando a descoberta e plenificação do nosso verdadeiro ser, som, nome. Ou seja, a mítica Palavra perdida, esquecida talvez ao descermos do alto e nascermos, para que então a paz e a claridade mental possam estabelecer-se, permitindo ao nosso eu consciencial essencial espiritual realizar-se e manifestar-se criativamente e, com alegria, amor, luz e conhecimento  comungar sábia e amorosamente da Unidade. Aum...

Pintura de Bô Yin Râ: Lux in Tenebris!