terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Sabedoria Persa (7). Um dito: "Se uma palavra te queima a língua, deixa-a arder", comentado. por Pedro Teixeira da Mota.

                                        

Eis-nos na sétima frase ou poema da Sabedoria Persa, esta anónima, recomendando-nos a sábia paciência de deixarmos certas palavras emotivas ou ardentes serem pronunciadas só depois de terem  amadurecido e do nosso ser de algum modo ter ardido com elas. Um dito muito rico quanto a leituras possíveis, e que na antologia Sources de Sagesse Persane vem acompanhado de uma bela miniatura persa da colecção Kofler-Truniger, em Lucerne.


«Se uma palavra te queima a língua,
Deixa-a arder.»

Comentário: As palavras são por vezes sentidas em nós como entidades ígneas, fortes, e de quando em quando receamos transpô-las para a palavra falada ou mesmo para a escrita.
Sabermos senti-las, sopesá-las, saudá-las antes de sabermos o destino que lhes vamos dar é importante, embora frequentemente as pessoas, impacientemente, não consigam mantê-las no seu interior o tempo suficiente para as envolver de mais valiosas energias e intencionalidades.
É no fundo a questão da palavra justa, mágica, que bem pronunciada tem efeitos seja de invocação seja até de evocação do que foi nomeado. Daí que as palavras-nomes que se atribuíram aos Deuses foram tão dedilhadas, mantrizadas, cantadas, oradas.
Por vezes penso quando estou a repetir uma palavra sagrada, quantas pessoas o estarão a fazer nesse momento, ou quem foi aquele ser que as pronunciou mais vezes, ou quem melhor a conseguiu assimilar e
ser um com ela.
Saibamos então escolher e cultuar alguns nomes ou palavras, com tal consciência e concentração que saibamos até inflamá-los antes de os pronunciarmos, pois por tais modos enriquecemos o pecúlio do nosso saber de cor, que segue no coração e ser subtil nosso, pela eternidade a dentro.
Neste sentido houve as tabuinhas com orações e nomes para intensificar a consciência no caminho do além, ou para invocar os protectores e guias celestiais, que os devotos ou iniciados egípcios, persas, gregos e romanos levavam ou sabiam de cor.
Certamente que este dito da sabedoria persa, como acontece sempre, é pluridimensional e, logo, podemos fazer outra hermenêutica mas catártica: Se no teu coração ou interior houver vozes, gritos, orações ou apelos exprime-os, ora em silêncio, ora com a voz. Para que, desbloqueada a tensão, o rio do Amor divino flua por ti e pela unidade dos seres e do mundo, e para que possas depois no silêncio ouvires as respostas do Universo, ou do teu próprio espírito...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Da arte de bem morrer e orações por Joaquim Veiga, amigo que hoje da Terra visível partiu. Com video dos Yogis do Tibet.

Pintura de um pré-rafaelita: da escuta da voz subtil...
                                                          
A morte de um amigo, o Joaquim Veiga, com quem convivemos algumas vezes, e nos recebeu mesmo em sua casa, em Bagueixe, Bragança, subitamente, é sempre uma tristeza, uma abalo, um cortar de fios de afectividade humana, uma voz que desaparece ou pelo menos se subtiliza...
Como estará a mulher, provavelmente arrasada ou entristecida, e ele mesmo, já nos planos subtis? 

Estava ele bem preparado, a sua consciência íntima de si mesmo atingira o nível do espírito e do seu corpo espiritual? 
As suas reflexões e meditações serviram para fortalecer a sua consciência de ser um espírito que um dia deixaria o corpo físico para trás e avançaria pelos mundos subtis, rumo aos mundos espirituais a que pode chegar?
As perguntas, dúvidas e questionamentos de si mesmo terão desperto nele uma capacidade de ouvir interiormente e de receber as respostas necessárias, que o farão agora estar sem medo, confiante e desperto?
Conseguiu ele ir-se aperfeiçoando espiritualmente e aprender a arte de morrer em vida e logo estar já bastante desprendido da terra, pronto a partir, sem olhar para trás, sem tristeza, sem estar preso a nada, antes apenas aspirando à ligação à verdade, ao bem, aos seres e mundos espirituais?
O que poderemos nós fazer por ele, agora que, sem o corpo físico, paira na sua interioridade de alma mais ou menos luminosa e desperta, com dois caminho ou focos de atenção e volição abertos: o da Terra donde se libertou e a que se prenderia, e o dos mundos subtis e espirituais, ainda com os seus patamares mas que ascende às verdadeiras realidades, rumo à Fonte Divina?
Vai a sua consciência, agora sem o corpo físico, conseguir aperceber-se do corpo ou organismo espiritual em que vive agora e na qual se deve unificar é o meio para tomar consciência de si mesmo enquanto centelha espiritual?
Tem ele suficiente calor de amor para não se sentir frio?
Amou ele abnegadamente, expandidamente, para agora poder ter acesso às regiões espirituais elevadas dos seres de amor próximo do dito amor incondicional, ou que seja do amor a todos os seres?
Creio que sim. As vezes que com ele dialoguei (e foi à volta da tradição espiritual portuguesa, numa palestra que fiz no Porto há anos acerca da Dalila Pereira da Costa que o conheci pela primeira vez), quando o visitei e me hospedou, a sua doçura de tracto, a sua boa relação com a mulher (que certamente se manterá subtilmente, animicamente), irmãos e sobrinhos, o seu grande amor aos livros patente numa excelente biblioteca, os trabalhos que realizou com grande qualidade em França, os bons vizinhos, a terra e o jardim que tratavam (e dos quais tirei excelente fotografias) e a sua lúcida crítica das ditaduras sanitárias, dos apartheids e opressões na Terra Santa e do imperialismo, sinalizam-no como um Fiel do Amor e por isso só podemos desejar e orar para que o Joaquim esteja desperto, aberto aos guias, antepassados, anjos ou mestres que o inspirarão ou acompanharão nas melhores vias ascensionais rumo à Divindade, e para que Ela vá brilhando mais nele.
 
Pintura do mundo espiritual de Bô Yin Râ.
Muita luz e amor, sentidamente, para ti, Joaquim. É a tua Hora! És um espírito luminoso, num corpo espiritual ágil! Avança para o alto  e o mundo divino!
O "documentário sobre os Yoguis do Tibete" foi uma das suas últimas partilhas no Facebook. Saibamos sê-los, pois yogui significa religado, reunido ao seu espírito imortal... Que o Joaquim o possa vivenciar plena e luminosamente... Amen, Aum...

                        

Sabedoria Persa (6), de Hafiz, um ghazal traduzido e comentado, e com música e voz de Meher Angez

É com um breve excerto da fabulosa obra de Hafiz, de Shiraz, que convivemos nesta sexta fonte da sabedoria persa. Hafiz, com Saadi, Rumi, Firdowsi e Khayyam, é o quinteto poético mais apreciado e cultuado no Irão de hoje e no mundo dos amantes da poesia e sabedoria persa.
Hafiz (1315-1390) é um dos mundialmente mais conhecidos e valiosos poetas do Amor, humano, espiritual e divino, fogo luminoso no qual todas as barreiras se diluem ou se desvanecem para que as essências e as melhores qualidades venham ao de cima. O seu diwan, a sua antologia de ghazals, muito usada para se abrir à sorte ou à fortuna, istixara, é uma das mais famosas e lidas no mundo e entre nós Antero de Quental e Fernando Pessoa mencionam-na. Quando estive no Irão em 2011 fiz uma conferência sobre ele numa universidade em Teerão. Que este breve excerto nos desperte mais a nossa e fortifique

 «E dei conta de mim a gritar:
- Ó Fortuna, o Sol levantou-se e tu ainda dormes!
E a Fortuna respondeu-me:
- Apesar de tudo, não desesperes». 

Comentário: A plenitude, felicidade ou fortuna que todos desejamos ou aspiramos não surge nem se instala facilmente, pois é antes o resultado lento da maturação de múltiplas sementes desabrochadas em árvores e que darão os seus frutos fragrantes e nutritivos capazes de tornarem felizes os que as souberam cultivar ou os que os receberão..
Tal como o Sol nasce no horiz
onte nas sucessivas estações em horas diferentes, assim cada alma vê o Sol nascer ou brilhar mais na sua vida na hora ou época apropriada, embora em cada novo dia o Sol 
visível e invisível possa derramar sobre nós influxos bem luminosos e benéficos.
A perseverança na manutenção de uma consciencialização espiritual e de certas práticas harmonizadoras psico-somáticas intensificadoras do nosso acolhimento venerativo da luz e das irradiações criativas e felizes é a base da esperança que o Sol do Espírito e do Amor brilhará mais afortunadamente na nossa peregrinação da vida.
- Levantei-me de manhã, virei-me para o Oriente e orei para as montanhas mais elevadas e os raios dos Mestres e da Divindade: - Possai vós inspirar-me a conseguir fazer a Fortuna brilhar mais na Terra....

-  Quel amour l'Amour nous donne avec tant de Fortune....

                            

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Sri Ramakrishna e a Harmonia das Religiões (1ª p.). Palestra de Swami Siddheswarananda, traduzida e comentada por Pedro Teixeira da Mota, com vídeo.

Uma palestra de Swami Siddheswarananda, da Ordem de Ramakrishna, proferida em França, no centro de Gretz, em 1944, veio a ser publicada e, quando eu estive em França nos anos 80, com o sucessor de Swami Siddheswarananda, o simpático Swami Ritajananda, recebi-a dele num livrinho intitulado Sri Ramakrishna e a Harmonia das Religiões. Ao fim destes anos todos, e depois de ter estado seis meses em Calcuta no Ramakrishna Institute e de ter recentemente feito uma palestra sobre o encontro luso-nipónico e a Religião Universal, resolvi-o ler-traduzir e comentar. O livro em formato pequeno, um in-12º,  foi só lido e comentado nas sete páginas iniciais, das quarenta e quatro que tem, e poderá ouvi-las em seguida. Nelas o Swami Siddheswarananda  sobrevoa bem  a universalidade religiosa indiana, e os seus ensinamentos no plano individual e colectivo. 

Seguem-se no livrinho algumas considerações sobre o cristianismo, mencionando até os missionários jesuítas que no tempo dos portugueses receberam influências indianas, tal o P. Roberto da Nobili. Depois Swami Siddheswarananda  discerne bem como as influências greco-romanos predispunham a Europa para aceitar a cristianização, mas «quando o cristianismo veio, no seu zelo, bater à porta dos "gentios" [os indianos], ele deveria apresentar Jesus como uma Incarnação [Avatar] divina, e falar da sua presença no meio dos homens, guardando-se de impor ao mesmo tempo concepções judaicas. A esta linguagem, todos seriam sensíveis pois, se os místicos católicos vivenciaram esta Presença bem-aventurada, os hindus que não eram baptizados, também beneficiaram do mesmo favor.»
Depois desta crítica forte à judaização do Cristianismo que tanto
mal fez à mensagem de Jesus, o Antigo Testamento, com o seu Jehova violento, inquinando bastante o Novo Testamento, com o seu Pai de Amor,  Swami Siddheswarananda faz também um ataque muito forte ao exclusivismo e logo facilmente fanatismo do Islão, escrevendo por exemplo, que ao contrário dos cristãos e sobretudo dos hindus «para adorar Deus, o Islão toma uma atitude intolerante; não transige com os seus princípios teológicos; recusa-se a fazer a mais pequena concessão». Mas, depois de  dar mais provas disso, concluirá pedindo «para não julgarmos o valor do Islão segundo as suas conquistas e as suas conversões! A religião muçulmana produziu místicos comparáveis aos das outras religiões; as tradições do Islão, tal como as das outras religiões, permitiram aos humanos atingir as alturas da Consciência divina, de imergir a sua alma em Deus, e de saborear a serenidade e a felicidade que não passam!» 

No livrinho vêm em seguida algumas páginas consagradas às vivências espirituais ecuménicas ou universais de sri Ramakrishna, bem instrutivas, e que leremos numa próxima gravação. Oiça então esta primeira parte, que tem um bom resumo da tradição indiana, por um monge sábio de Kerala, Swami Siddheswarananda (1897-1957), o fundador do 1º centro vedântico em França.

                     

Sabedoria Persa (5), "se queres ser louvado, morre ou viaja", comentada por Pedro Teixeira da Mota.

Eis-nos com mais uma, a quinta, fonte de Sabedoria Persa, neste caso anónima, do povo, e de facto fruto de uma constatação da tão frequente ingratidão ou inveja dos que nos são contemporâneos e vizinhos: - "Se és um ser criador valioso espera pela morte para te louvarem"; ou então:  - "Move-te, emigra, estrangeira-te, se queres ser apreciado"... Assim tem sucedido ao longo dos séculos e por isso muitos artistas ou mesmo génios sofreram, embora hoje, dado o aumento de audiências e a sua globalidade, já não seja tão, tão fatal o dito ou tal fatum, entre nós, por exemplo, expresso no "ninguém é profeta na sua terra":
«Se queres ser apreciado (ou louvada, amada),
Morre ou viaja.»


Comentário meu, provavelmente dedilhado numa viagem de autocarro em Lisboa, e portanto com todas as limitações de ser apenas uma intuição de fragmentos de verdade:
A eventual plenitude da nossa relacionalidade com as outras pessoas não dependendo tanto da racionalidade dos julgamentos e apreciações, mas antes de factores de afinidades psíquicas e de sincronias de encontros, em geral tende a ser passageira e transitória e só raramente se aprofunda e se torna duradoura, conduzindo então a uma apreciação reciproca estimuladora e intensificadora da nossa plenitude.
Vasto deve ser então o teu horizonte e a tua pátria não pode limitar-se a um torrão de terra mas deve ser a Terra Lúcida dos que aspiram à Verdade e ao seu conhecimento e que a tentam viver, aprofundar e partilhar.
Um Rhyton, do séc. V a. C., persa.

Deves então saber morrer nas desilusões e incompreensões e renascer nas movimentações e novos encontros e horizontes que vão surgindo sempre nos que se conservam peregrinos ou peregrinas do Amor e da Divindade, quem sabe por vezes conseguindo partilhar o vinho do cálice do seu coração e espírito com quem verdadeiramente o aprecia e o assimila.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Sabedoria Persa (4), de Ferdowsi, traduzida e comentada, e com voz de Hooman Khalatbari e a Simorq Orchestra, همایون شج...

Nesta quarta entrada da antologia em francês das Fontes da Sabedoria Persa, reencontramos o grande Ferdowsi (940-1025), com um pensamento simples frontal acerca da instabilidade da deusa Fortuna, ou do severo Fatum ou Destino, nas nossas vidas, e como somos por ela provados ou testados com regularidade, para provarmos o nosso valor, nos desprendermos e nos aperfeiçoarmos, religando-nos mais ao amor, à fraternidade, à Divindade. Diz-nos então Ferdowsi, seguindo-se o meu comentário, escrito numa viagem de autocarro e agora melhorado:

Firdowsi oferecendo a sua epopeia Shahenameh, o Livro dos Reis.

"Assim são as vias do destino neste mundo severo:
Hoje põe-te docemente sobre a sela
E amanhã tens a sela sobre os teus ombros."
 

Comentário: A vida é, na unidade de consciência espiritual que possamos manter, como um fio que une as contas de cada dia do rosário da existência, feitas da sucessão de múltiplas dualidades, tais como a noite e o dia, o Inverno e a Primavera, o prazer e a dor, a atração e a repulsão, a alegria e a tristeza e das nossas vivências anímicas delas.
Sábio é o ser que consegue com calma e discernimento, paciência e esperança, suportar, amar e cavalgar todos esse contrários ou opostos mantendo um estado equânime e confiante de ligação ao bem, ao amor e à Divindade.
Saber dominar a atração e a repulsão e equilibrá-las harmoniosamente, nomeadamente nesses momentos mais duros ou difíceis, de modo a que a alma não seja perturbada e desalinhada do seu eixo vertical e interior, é então um dos objectivos desta vida de contrastes rumo à Unidade e fonte Divina que a subjaz e donde provimos. E que certas músicas e cantos tanto o exprimem, como pode ouvir no fim...
Sabermos suportar as dores do mundo, quando nos cabem, faz parte do Caminho, embora as devamos vencer e desvalorizar, afirmando as qualidades mais divinas, ou afins do espírito e da Divindade, como o amor, a paz, a fraternidade, a unidade. Muitas forças e Luz, Nur!

                         

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Sabedoria Persa (3), popular, traduzida e comentada por Pedro Teixeira da Mota.

A terceira frase da Antologia da Sabedoria Persa ou Iraniana exprime uma percepção do devir causal da vida humana que encontramos em todo os povos e tradições. Basta lembrar-nos do nosso "quem semeia vento colhe tempestades", ou "o que semeias colhes". Na tradição indiana a palavra Karma (da raiz Kr, que significa fazer), foi mesmo aplicada a uma via de união ou yoga, o Karma Yoga, yoga da acção, e valorizado no seu aspecto de acção desinteressada, abnegada, sendo com muita frequência citado o verso tens direito à acção, mas não aos frutos dela, no sentido de aumentar o nosso desprendimento e da nossa possessividade, sem dúvida características que nos podem dificultar o Caminho de avanço e realização espiritual.
O dito Persa da Antologia, naturalmente anónimo, é a coalescência de uma sabedoria natural e simples da lei do karma aplicada à palavra, sem dúvida um dos meios principais da interacção humana e diz-nos:

«Quem fala, semeia
Quem escuta, colhe»

                                  

Comentário meu.
Sabermos ouvir com sensibilidade, atenção e persistência é indispensável para conseguirmos tanto compreender bem os outros como alcançarmos as ligações subtis ou superiores e, portanto, em
ambos os casos gerar ou colher frutuosamente.
Saber ouvir interiormente implica tentarmos alcançar o silêncio, ou seja, aquietarmos as ondulações mentais, para que possamos receber transparentemente o que possa chegar aos nossos ouvidos físicos e psíquicos, este infelizmente muito ignorado e não cultivado, pesem algumas tradições espirituais bem importantes que o mencionam ou implicam mas que a civilizacionice ocidental desdenha e até dificulta com o seu culto ao ruído. E poderíamos mencionar a música das esferas, a voz da consciência ou do silêncio, e yogas como o Shabda e o Nada .
Pelo lado já não feminino da receptividade e da audição, mas domasculino e da acção, devemos consciencializar-nos bem que cada acto nosso é uma sementeira e ainda que o vejamos apenas como um acto isolado, efémero e transitório, ele dá contudo sempre frutos, tem consequências maiores ou menores, pelo que deveríamos de algum modo intuí-las, prevê-las, para evitarmos o que não seja bom para nós, para os outros, para o ambiente, para o Cosmos.
Na realidade cada um de nós é como uma árvore, que conforme as raízes, a nutrição e crescimento irá dar folhas, flores e frutos, benéficos ou destrutivos...
Neste provérbio persa a sementeira expressa é a da palavra, falada, escrita ou pensada, pois por todos estes meios a nossa energia psíquica afectiva, mental e intencional transmite-se e gera efeitos em quem a sente, ouve ou lê.
Ora sendo tão grande a responsabilidade, como é que há tanta gente a escrever barbaridades ou o que tem tantos efeitos negativos nos outros, para já não falarmos dos que o realizam por actos ou materialmente?
Creio que é sobretudo o egoísmo e insensibilidade aos outros, e a ignorância da lei do Karma e que há uma vida depois da morte na qual estaremos muitíssimo condicionados pelo que fizemos no corpo físico enquanto estivemos na Terra, as causas principais de tal erro e ilusão. Será então ouvindo a Sabedoria perene, a Perennial Philosophy, como lhe chamou Aldous Huxley na antologia que o meu mestre Swami Kaivalyananda, de Rishkesh, me fez ler como introdução ao Advaita Vedanta, nomeadamente persa-iraniana- indiana, entre outras, seja dos livros seja directamente de pessoas que
a tentam estudar e meditar, aprofundar e viver.
Hajam então muitas semeaduras biológicas, puras, luminosas para que as colheitas sejam mesmo boas para a Ordem do Universo e os seres e campos unificados de energia consciência informação.

Xvarnah