quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Aniversário do Infante Dom Pedro, das Sete Partidas, um heróico Fiel do Amor e do Dever, do Saber e do Ser.

É a 9 de Dezembro  que se cumprem os anos do Infante D. Pedro, o das Sete Partidas, nascido de D. João I e D. Filipa de Lencastre, em 1392, como segundo filho vivo, o 1º tendo sido D. Duarte. O corpo da sua empresa foi uma balança, com a divisa Désir, ou seja, sobre uma base de equilíbrio e justiça, flameja o desejo-aspiração-amor do Amor e do Bem, entre ramos do áspero carvalho, uma das árvores mais características de Portugal, resistente, forte. Fernando Pessoa cantou-o ou celebrou-o na Mensagem, com grande mestria ética, quase que numa Oração da dignidade humana, íntegra, heróica:

«Claro no pensar, e claro no sentir,
E claro no querer;
Indiferente ao que há em conseguir
Que seja só obter;
Dúplice dono, sem me dividir,
De dever e de ser».

Não me podia a Sorte dar guarida
Por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
Calmo sob mudos céus,
Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo o mais é com Deus!»

Saibamos também nós, hoje, ser fiéis às ideias tidas e às palavras dadas...

Estudioso, culto, esforçado, e armado, cavaleiro em Ceuta em 1415 e depois da batalha nomeado Duque de Coimbra, ducado que bem geriu vários anos, casado com Isabel de Urgel de quem teve descendência, peregrino do conhecimento e do valor pela Europa de 1425 a 1428, foi contudo infausto no final da sua valiosa regência de Portugal, para a qual fora aclamado pelas cortes de 1438, ao ser morto em 20 de Maio de 1449, quando se dirigia para Lisboa, na batalha de Alfarrobeira, desproporcionada numericamente quanto às forças, pelas tropas do seu sobrinho, o rei D. Afonso V, de 15 anos de idade então, e do invejoso (já que era filho bastardo ou natural de D. João I) Afonso, 8º conde de Barcelos pelo seu casamento com a riquíssima filha de Nuno Álvares Pereira, e feito até por Dom Pedro 1º duque de Bragança, sem dúvida o principal culpado da morte trágica de tal príncipe, que ficou no campo da batalha três dias, antes de ser levado às escondidas para Alverca e depois Abrantes, até ser  sepultado na capela própria da família no mosteiro da Batalha em 1455, graças à desgraçada da sua filha Isabel, casada com o tão manipulado D. Afonso V. O próprio cronista real Rui de Pina dirá na Crónica de El-Rei D. Afonso V: «o juízo del-Rei por sua não madura idade e pelas falsas opiniões em que a criavam, andava de todo emnovoado». 

Foi uma governação benéfica aos portugueses e na qual ouviu e respeitou as vozes municipais, concluiu e publicou as Ordenações Afonsinas, impulsionou traduções, reformou a Universidade, fez mecenato das artes e apoiou o começo dos Descobrimentos, seja trazendo  de Veneza o Livro de Marco Polo e um mapa mundi, seja apoiando a descoberta de novas terras em vez das conquistas do norte de África, em tudo prudente, sábio e independente, tal como afirmou no conselho reunido para deliberar a ida falhada a Tânger: «O principal intento é servir a Deus; peço-vos por mercê que saibais como o deveis fazer, e não como quereis ou podeis». Tinha por isso também como empresa um rochedo atravessado por uma espada, empunhada por uma mão saindo das nuvens, símbolos da união da sua vontade, activa na matéria mais densa, com a vontade Divina, ou seja, da sua acção sob a intuição e comunhão com o Alto e o Divino, a tal ideia ou visão tida...

Deixou-nos o Livro da Virtuosa Benfeitoria, a arte de fazer e viver o bem firmemente, em grande parte uma tradução de Cícero (transcrita de manuscritos e dada à luz só em 1910 graças ao labor de Sampaio Bruno), e em cuja dedicatória belamente começada: «Vosso servidor por obrigação de sangue e de nação, e pura vontade; vossas mãos beijando humildemente, em mercê e bênção vossa me encomendo: Senhor muito nobre de grande alteza, porém que de bosques de muitos cuidados e de grandes rochas de feitos estranhos seja cercado o vosso coração», lembra a seu irmão e rei D. Duarte que«o sabedor de feitos alheios não tem em costume julgar de ligeiro (...) e assim as nossas vontades sempre fundemos em as perfeições mais altas e maiores das nobres virtudes».                                                                   

O Livro das Sete Partidas do Infante D. Pedro, já de um misterioso Gomes de Santo Estevão, não datado mas impresso em Sevilha provavelmente 1515, ou mesmo de antes pois há citações anteriores da sua existência, nomeadamente na Biblioteca de Cristóvão Colombo,  narra fantástica e simbolicamente a sua longa peregrinação-viagem com doze companheiros, na qual  passam pelas cortes sucessivas de Castela, Veneza, Turquia, Arménia, Babilónia, lugares santos da Palestina e  Egipto, e ainda peregrinam ao túmulo de S. Tomé,  ao convento de S. Catarina no Sinai, à terra das Amazonas para finalmente chegarem ao tão mirífico quão mitificado reino do Preste João, o qual, após algumas semanas de diálogos e visitas, entregará à despedida a D. Pedro uma carta de apelo à união dos reinos cristãos e bem mitificadora do seu reino e poder, para os seus irmãos de Hespanha, aonde os treze chegarão via Fez e Sevilha. Será um livro de imenso sucesso na Península Ibérica durante quatro séculos, embora a 1ª edição portuguesa seja apenas de 1602, como um  livrinho de cordel muito popular mas cheio de informações (muitas fantasiosas mas também com simbolismos) sobre o mundo, ao estilo  de relação de viagem e de cavalaria  de conhecimento e de devoção mas não de guerra, ou não fossem 12 companheiros ou discípulos e Dom Pedro, e  assim o próprio D. Quixote, de Miguel de Cervantes, paladino dos últimos Cavaleiros andantes, tal como entre nós foi Jorge Ferreira de Vasconcelos, nomeadamente no seu Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda, o citará, numa mensagem perene do  valor da viajem ou peregrinação livre e de sabedoria e fraternidade...
Nas últimas décadas muitos estudos  têm sido dedicados ao nobre infante D. Pedro, que preferiu morrer lutando com nobreza do que viver espezinhado e a maus seres subordinado, tendo sido publicadas as Actas do Congresso Comemorativo do 6º Centenário do Infante D. Pedro, 1992, in-4º de 550 páginas, com vinte e sete comunicações de reconhecidos historiadores, e entre muitas outras obras mencionaremos ainda as  de Lita Scarlatti, Artur Moreira de Sá,  Baquero Moreno, Júlio Gonçalves, Fernanda Durão Ferreira e Alfredo Pinheiro Marques, estes dois últimos autores com os valiosos e relativamente recentes, Gomes de Santo Estêvão e o Livro de D. Pedro, e  A Maldição da Memória. Do Infante Dom Pedro  e as  origens dos Descobrimentos Portugueses, a primeira bastante arriscada em algumas das suas propostas de identificação da narrativa das sete partidas...
                                        
 Na verdade, o Infante Dom Pedro das Sete Partidas, um cavaleiro ou fiel do Amor, é um dos mestres da grande Alma Portuguesa e da sua tradição espiritual. Que saibamos merecer ser por eles inspirados nestes tempos tão turvos ou, como outrora, emnevoados por fraquezas e ambições, ganâncias e manipulações, e por isso mesmo mais desafiantes e despertantes...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Bô Yin Râ. "Das Gebet", "Da Oração": Na escuridão profunda... Texto bilingue, tradução de Pedro Teixeira da Mota

                                              

 In Tiefer Finsternis                   Na Escuridão Profunda

 «Nich mehr betten,                                      Não mais rezar,

Nich mehr rufen, –    –                                 Não mais apelar,

Schreien…                                                   Bradar ...

Kann ich nur                                                Posso eu só

Um Licht!                                                    Pela Luz!


Verwirrt,                                                    Perturbado,

Verirrt,                                                        Perdido,

Vermag ich nicht                                         Eu não consigo

Mich noch                                                   Mais

Zurechtzufinden                                          Reencontrar-me

Im tiefen Dunkel                                         em funda obscuridade envolto.

um mich her.                                               .


Zerqualt,                                                       Atormentado,

Verängstet,                                                   Atemorizado,

Schreie ich: –                                               Grito eu:

Schreie                                                         Chamo

Um Licht!                                                    Pela Luz!


Lichte Liebende                                             Iluminados seres de amor

Last nicht allein                                             Não me deixem só

Mich in Marter                                              No martírio

Wilder Verzweiflung!                                    Da desolação tremenda!

Trostberaubt!                                                 Privado de consolação!

Selbst vom Scheine                                       Mesmo do brilho

Scheinbaren Trostes                                      Da aparente consolação

Langst verlassen!                                          Há muito abandonado!

 

O betet Ihr fur mich,                                      Ó,  orai  vós por mim,

Die Ihr                                                           Vós que

Im Lichte lebt, –                                            Na Luz viveis,

Denn ich – –                                                  Porque eu 

Kann nicht mehr                                            Não consigo mais

Beten!                                                            Orar!


Hört mich!                                                         Ouvi-me!

Erhoret                                                               Escutai

Meinen Schrei!                                                  O meu clamor!

Ich schreie zu Euch, –                                        Eu clamo por vós, – 

Schreie                                                               Grito

Aus meiner tiefen,                                             Das minhas profundezas,

Tiefen Not                                                         Profunda necessidade

Um Licht, –                                                       De Luz,

Auf das ich…                                                    A partir da qual eu...

Wieder…                                                           De novo...

Beten konne!! »                                                 Possa orar!!

                                           

domingo, 5 de dezembro de 2021

Peregrinações a monumentos, mistérios e encantos da Beira transmontana. Vilar Maior. 26-29-XI-2021.

A Beira Alta abriu-se-nos durante quatro dias para demandas e diálogos históricos, artísticos e sociais, filosofais e espirituais, organizados por Miguel Esperança Pina, advogado e investigador de história e genealogia, sendo a Casa de família em Vilar Maior a base das peregrinações a vários locais, de que ficaram registos nas fotografias. Os convidados foram Teresa Rebelo, livreira antiquária e investigadora, Duarte Seabra Calado, decorador, e eu. O seu colega Castro e Sola, além da sua mulher Helena e o seu filho Rodrigo (do qual gravei dois vídeos a tocar piano, já no Youtube), a pintora e restauradora Joana Burnay (a trabalhar em campanha ao estilo medieval), bem como a sua vizinha frontal, a professora Mariazinha, participaram também. Dos locais, apenas Sortelha, já que a gravei um vídeo, será contemplada num outro artigo do blogue. A curta selecção de imagens mostra bem a qualidade  histórica e estética que as zonas da Beira transmontana  percorridas oferecem, seleccionadas pelo Miguel: Vilar Maior, com o seu castelo, casas nobres e arredores, Miuzela, Reigada, Almeida e Freineda, quartel-general de Wellington nas invasões francesas, e zona onde ocorreram tantas lutas fortes. Nem todos os mistérios que nos desafiavam foram esclarecidos, embora sem dúvida vestígios, inscrições e sepulturas medievais ou anteriores, bem como desenhos geométricos coloridos no chão, dentro de uma mansão filosofal, foram reconhecidos, contemplados e interagidos. Iniciamos com imagens de Vilar Maior, da casa e terreno, e do seu castelo, importante na Restauração e que primitivamente fora um castro ...

Restos de um monumento antigo, ou apenas pedreira com uma obra inacabada?


   A arte maravilhosa de preparar as pedras e erguer os muros duradouros e belos...
Uma inscrição ainda misteriosa, para alguns ligada a Cid el Campeador...

                                                      


                                                    
                   Espiral em cimento, que foi às subtis espirais telúricas, com alguma beleza,  acrescentada, talhada assim sobre e num campo mórfico ressoante pré-existente..
          
A Teresa Rebelo investigando ou mesmo contemplando os mistérios da luz e da sombra, bem vertical.

 A Torre de Menagem despida dos travejamentos e andares interiores, deixa porém entrar raios de luz bem inspiradores...

Algumas marcas dos pedreiros construtores destacavam-se pela sua originalidade...

            Vilar Maior e os seus belos solares cheios de histórias e afectividades, que se respiram, sentem e tocam, sobretudo quando por eles somos bem guiados...
Aspirações devocionais ou sentimentais bordadas por mãos delicadas, pacientes, talhando suas vestes imortais e de paz...

Simbólica das ligações ou encontros energético-conscienciais  entre a terra e o céu, sobre um leito antigo, num culto do Amor perene...

Relicários protectores há séculos em uso, para doenças humanas e animais, ou não fosse a fé uma energia que, poderosa, voluntariosa, facilmente atrai as inspirações e bênçãos curativas... Jesus e Maria, em gravura do séc. XVIII, e um relicário com restinhos de seres santificados... 
Contemplar o mundo da varanda virada ao sul é sempre uma abertura à luz e à esperança, e dela se podem abençoar ou animar os outros...

A fertilidade da Natureza prolongando-se pelo Outono a dentro com as suas belas cores douradas desvanecendo as sombras das chuvas: marmelos que já só os pobres, peregrinos e donas de casa mais diligentes os recolhem e trabalham
    A bela vila fortificada ou amuralhada de Almeida visitada de noite...

               Uma casa nobre do séc. XVIII, em Reigada, e que se manteve na mesma família sem perturbações e revelando uma continuação de objectos e livros amados, animados animicamente pelos seus possuidores ou leitores..

                Uma das salas bibliotecas, com ambiente ainda do séc. XIX. Alexandre Herculano e Victor Hugo pontificam. Gerações e gerações  aqui leram e dialogaram deixando também manuscritos  significativos...
Ambientes culturais de livros enriquecem-se com pequenos objectos significativos, por vezes de grande delicadeza e carregados de afectividade e amor.
  Encantos em bisquit, que guardam os seus segredos a quem os souber discernir e sentir interiormente clarividentemente.
                                            Arredores de Vilar Maior e seus vestígios antigos...
                                                                Sepultura antropomórfica...
         Um dos belos carvalhos da zona. Castanheiros, nogueiras, oliveiras e marmeleiros abundam...
Peregrinar, per agre, pelos campos ir e das bênçãos divinas se impregnar...

                                           
                                             Uma casa em Miuzela, um alto local miguelista e filosofal...

                        Desenhos geométricos muito perfeitos, cheios de energias subtis e espirituais.
                                                             
                     El-Rei D. Miguel, inspirador de um dos lados da família de Miguel Pina...
            
A ponte de uma das entradas de Vilar Maior..
A casa mór, em Vilar Maior, com partes já existentes no começo do séc. XVI, bem harmoniosa e acolhedora para os melhores diálogos e refeições..
 
                              A casa da Reigada com a sua ampla lareira convivial...
Fotografia da Teresa Rebelo: à direita o Duarte, ao centro o Miguel, e eu.
Finalizemos, invocando as bênçãos da Tradição Espiritual Portuguesa e da Beira transmontana...

Bô Yin Râ. "A Oração": Face a uma tarefa difícil. Tradução do alemão por Pedro Teixeira da Mota

                                                                 

VOR SCHWERER PFLICHT             ANTE UMA TAREFA DIFÍCIL.

Lenker im Lichte!                                  Guias na Luz!

Seht mich bereit!                                    Encontrai-me pronto!

Bereit im Willen!                                    Pronto na vontade!

Bereit                                                       Pronto

Alle Muhe                                               A vencer

Zu uberwinden!                                       Toda a dificuldade!

Zur Tat                                                      Pronto

Bereit!                                                       A agir

                                    

Pflicht erkennend                                    O dever reconhecendo

Werde ich wirken,                                    Irei trabalhar

Was werden will                                       O que se quer manifestar

Aus meiner Kraft!                                    A partir da minha Força!

                  

Was ich vermag,                                      O que posso

Und nicht vermag,                                   E o que não posso

Kommt nun zutag.                                   Vem a cada dia.

 

Das Eure Kraft                                           Que o vosso Poder

Vollendung schaffe,                                    Complete a realização

Wenn ich erschlaffe                                     Se eu fraquejar.


Ist meine Bitte:                                           Eis meu pedido:

Ist mein Gebet!                                           Eis  minha oração!

  

Last mich                                                  Induzi--me

Nichts schlecht tun!                                  A não fazer o mal!

Last alles mich                                          Induzi-me em tudo

Recht tun!                                                  A agir bem!

Last mich nicht wanken!                       Não me deixai vacilar!

Lenkt meine Gedanken!                       Guiai os meus pensamentos!

Lehrt mich                                                    Ensinai-me

Vollbringen!                                                 A realizá-los!

Lasset das Werk                                            Possa a obra

Durch mich                                                   Através de mim

Gelingen!                                                      Triunfar!

Ihr hohen Helfer!                                   Vós altos Ajudantes!

Ihr Lenker                                                    Vós Guias

Im Licht!                                                      Na Luz!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Bô Yin Râ. Orações: Em provação. "Das Gebet": In Versuchung. Com pinturas de Bô Yin Râ.

Em Provação

«Grandes ajudantes!

Guias da Luz!

Poderosa,

Invisível

Para eu Ser. -

Eu chamo-vos

Da minha angústia!


  Eu clamo por salvamento!

Eu não quero

Perder-me!


Oh!

Possa um

Estar junto a mim,-

Tornar-me

A mim próprio

Livre! --

Um

de vós!

 

Segurar-me

Não me deixar, -

Resgatar-me

Da má ligação

A laços penosos!

Libertar-me 

Da ansiedade e agitação!


Possa ele expulsar

O  flagelo infernal,

O discernimento turvado,

 O engano praticado,

 A desgraça imposto,

 Ao mal conduzindo,

 A mente desnorteada,

A vontade desconcertada!


Ajudai-me

Mestre!

Dai-me mão!

Até eu

a mim próprio

da ilusão

me arrancar.»


IN VERSUCHUNG

Hohe Helfer!

Lichteslenker!

Machtig,

Unsichtbar


Um mich zu sein. –

Euch rufe ich

Aus meiner Pein!

Ich rufe um Rettung!

Ich will nicht

Verloren sein!

Ach!

Das doch Einer

Bei mir sei, –

Mache mich

Von mir selber

Frei! – –

Einer

Aus Euch!


Mich fasse,

Nicht lasse, –

Mich rette

Aus boser Bindung

Qualvollen Banden


Mich lose

Aus Drang und Trieb!

Das er verjage

Hollische Plage,

Die Urteil trubt,

Betorung ubt,

Unheil verhangt,

Zum Argen drangt,

Sinn verwirrt,

Willen beirrt!

Helfe mir

Huter!

Halt’ meine Hand!


Bis ich mich

Selbst

Dem Wahn

Entwand!»