segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Livros (7º) sobre Sonhos. Marie Coupal, Le Guide du Rêve et de ses symboles. 2004. Apreciação de Pedro Teixeira da Mota.

                                      

Marie Coupal, na sua obra Le Guide du Rêve et de ses symboles. De A a Z, tous les sens de vos rêves, publicada em Ottawa, em 2004, num in-8º pequeno de 567 páginas, embora com alguns optimismos new Age quanto aos mundos e realidades subtis, ou exageros valorativos do Judaísmo e do Cristianismo, no extenso dicionário interpretativo de 500 páginas revela a leitura de Jung, Adler, Freud, além de boa sensibilidade mas, como todos os dicionários, dá várias vezes interpretações muito pessoais, ou imaginativas, ou limitadas a imagens ou símbolos que noutras pessoas teriam ressonâncias, leituras e  causas ou fontes bem diferentes.  Já a Introdução, de 40 páginas, é mais valiosa, embora com afirmações superficiais ou preconceituosas, e com alíneas sobre: Linguagem simbólica e projecção pessoal; símbolos inatos e adquiridos; princípio feminino e masculino; símbolos gerais, cores, aspectos musicais [elevar-nos-iam menos que as cores], arquétipos, dos povos antigos, do alto e do baixo, de palavras inductoras, sonhos recurrentes. Conteúdo manifesto e latente («o sonho desenha as nossas ideias, desejos, concepções, emoções, recalcamentos, obsessões, motivações, complexos e libertações»). Fenómenos   de censura e de repressão. A deslocação, a condensação e a inversão. Personagens simbólicas: a sombra, o animus e a anima. Os tipos de sonhos. Sonhos em cores, e a preto e branco. Porquê trabalhar os sonhos. Para bem analisar o seus sonhos (Possuir algumas noções de psicologia, e Falar dos sonhos e pesadelos). Meditação.

Embora estas quarenta páginas introdutórias,  resumidas acima pelos títulos das alíneas, sejam em geral valiosas, vamos transcrever algumas partes que sendo mais instrutivas são contudo por muita gente ignoradas, embora haja distinções que não se podem tomar à letra como regra geral ou verdade absoluta, tal como a autora tende a afirmar. Vejamos então o mais original:   1º  Os tipos de sonhos. Diferenças entre o sonho mental e o astral:  «O sonho mental é um produto de tudo o que toca as preocupações terrestres: amor, sexualidade, família, profissão. Ele estende-se à matéria e ao tempo. Os que só sonham em branco e negro devem-se questionar, pois estão a conjurar esta zona. Já o sonho astral é um produto de tudo o que nos religa ao cosmos numa comunicação mística, durante a qual o divino desce gradualmente no humano e vem progressivamente apagar o ego. Tal sonho toca o sobrenatural e o que nunca terminará. As suas vibrações estendem-se no espaço». 

Há algum exagero no "Divino descer gradualmente", ou na utilização da palavra já em si tão polivalente de "mística", mas interessa tentar discernir melhor o que ela entende pelo sonho astral, e assim, após explicar que o sonho mental,  nascendo de deduções racionais e preocupações,  utiliza símbolos a partir de experiências do passado, para prever (ou prevenir) e que nos fazem reagir com o ego,  e para afirmar-nos e defender-nos, escreve que já «o sonho astral relaciona-se com as preocupações de crescimento divino em nós. Todos temos a mesma e única profissão, a de nos tornarmos completos e divinos» e para esse reencontro com a Luz e o Divino vamos sendo preparados por lutas e iniciações, em que vamos vencendo o astral baixo e penetrando na Luz, até que o Si (ou Eu pleno) substitui progressivamente o ego, a humildade faz o orgulho render-se e o desprendimento terrestre impõe-se», certamente bons objectivos e ideais na vida e que de alguns modos vamos tentando e algo conseguindo realizar...

 Na alínea do "Porquê trabalhar os sonhos", diz-nos sobre as vibrações que desencadeariam os sonhos: «Nós recebemos constantemente vibrações que são também mensagens. Elas são-nos dirigidas e se queremos não viver  como hipnotizados, devemos aplicar-nos a reflectir, a analisar estas ondas que se transformam em imagens ou em intuições pelo milagre do funcionamento genial do nosso cérebro. É um modo de cessarmos de viver passivamente e inconsideradamente. Nós lembramo-nos dos sonhos se nos interessamos por eles, quando compreendemos que o sonho é uma mensagem que nos diz respeito pessoalmente, então surge um interesse que nos ajuda a memorizá-los». E, sem dúvida, conseguirmos discernirmos se essas vibrações (e logo sonhos, encontros e eventos) são do nosso inconsciente, ou se são do Cosmos, ou se são provenientes de outros seres ou entidades, é tão importante quão difícil, aliás que ela pouco também consegue discernir.

 Da alínea final, "Meditação: um retorno às fontes", à qual se segue ainda uma pequena oração invocadora do Amor universal, transcrevemos como instrutiva uma parte: «É muito importante saber retirarmo-nos pelo menos uma vintena de minutos, conforme o degrau de tensão,  para reentrarmos no nosso Eu universal. Nós compomos o ovo humano que está  a eclodir progressivamente para a Divindade. Somos todos chamados a esta dimensão divina.
O sonho responde aos nossos pe
nsamentos e avaliações quotidianos. O sonho responde ao que questionamos. Essa parte do sonho que é chamada acertadamente o sonho paradoxal permite uma reprogramação do potencial genético humano em cada noite. Saídos do nosso corpo físico, os nossos corpos subtis em crescimento recebem ajuda de conselheiros protectores. No estado de vigília nós compreendemo-los pela intuição. Este fenómeno que permite o diálogo  com a Luz, é o sonho astral, enquanto que o sonho mental é um diálogo com nós próprios e o que nos rodeia.»  

Esta afirmação de que saímos do corpo físico, quando sonhamos ou pelo menos, algumas vezes, é importante de destacar, pois pode significar  apenas que o mundo astral e subtil dos sentimentos e emoções entra mais em jogo ou acção em nós e no sonhos. Mas com a frase anterior, e que sublinhamos, Marie Coupal, posiciona-se numa valorização dos corpos subtis e espirituais dos humanos que podem ser responsáveis por encontros e sonhos, tanto mais que logo no segundo parágrafo da obra escreve que durante as milhares de horas que dormimos durante uma vida, trabalhamos para nós próprios e «viajamos astralmente noutras esferas, noutros lugares e comunicamos a diferentes níveis, e juntamo-nos àqueles que o espírito [melhor dizer, o eu] consciente não nos permite reencontrar por causa do peso das nossas vibrações carnais.»
Já  consagrara dezoito linhas ao sonho paradoxal, quase no início da Introdução, nas "Fases do Sonho", onde é apresentado como a 5ª e última fase de cada ciclo e onde (esquematicamente e creio que em muitas pessoas não sendo assim, sobretudo nas durações), a 1ª seria o período  Alfa e que duraria cerca de 20 minutos, com sonhos; a 2ª fase Theta, estaríamos mais conscientes dos sonhos; na 3ª Delta seria mais profunda, cerca de 20 m, e dificilmente há lembrança dos sonhos; 4ª , a mais profunda e inconsciente, e finalmente a 5ª a do sono paradoxal, denominada R.E.M,  Movimentos Rápidos Oculares,  próxima do estado de vigília, com o coração a bater mais e a haver maior irrigação sanguínea cerebral, durando de 14 a 19 minutos.
Passando as pessoas cerca de 13 a 18% do seu sono, a sonhar, Marie Coupal considera tal tempo muito necessário ao ser humano pois, e nomeadamente no paradoxal, seria verdadeiramente «o local de aprendizagem de novos instrumentos para a psique». Mesmo as crianças nos fetos já recebem as vibrações do invisível que em parte vão gerar os sonhos, e quem está  sofrer ou a lutar, mais sonha. Discutível é a sua ideia que os cinco minutos antes de se adormecer são determinantes na tónica dos sonhos, de tal modo que estes podem ser influenciados, dando para isso certos exercícios de visualizações que dissipariam problemas, sonhos recorrentes ou pesadelos.  
"A sua visão da meditação como um retorno às fontes e origens" , ou "que cada dia é um novo julgamento", nos sonhos, ou que "somos livres de reconhecer a nossa missão de crescer, ou de sermos preguiçosos e continuarmos na indiferença, dando prioridade ao material", quando há o karma e as contas, são certamente afirmações desafiantes. Tal como algumas das contextualizações e interpretações dos símbolos dos sonhos, ou das realidades que neles se espelham, da qual escolheremos o 1º parágrafo de uma das mais extensas entradas, a da Água: « A Água foi a nossa primeira morada, o nosso primeiro toque. Crescemos na água e fomos aspergidos na água como testemunho da fé. Lavamo-nos na água; as Ondinas que ela contém limpam quotidianamente o nosso corpo físico e etérico, e graças à agua que nos bebemos, continuamos a viver». 
Saibamos pois lavar-nos com as cores astrais da água, já que as ondinas dificilmente se conjuram a partir de uma torneira de agua canalizada, ou beber das fontes e cascatas em que elas ainda possam, quais as Tágides de Camões e de Bocage, inspirar-nos...
Uma ondina a dar um anel a um pescador napolitano, por William Turner.

domingo, 6 de novembro de 2022

Is the West becoming full of globalists-neocons-nazis, or it is just because their presence in Ukraine against Russia, or because World Economic Forum wants?

                       

 Is the West becoming full of globalists-nazis-fascists, or it is just because they want to support their presence in Ukraine against Russian people, or because World Economic Forum and their allies want?  

Answer from a dangerous "russian affiliated source"...

«A text at the United Nations condemning the glorification of Nazism was only previously opposed by the US and Ukraine. But a UN resolution opposing the celebration of Nazism and related ideologies has met now with significant resistance from the US and its allies, with 52 countries voting against it on Friday, 4-XI-2022...»

This shows that their positions are pure crap. Since WW2, all the West have preached against Nazism. But now that they are backing Ukraine, fascism is great. So if any country other than Russia had introduced the anti-Nazi resolution, it would have been just fine. This means that if you condemn neo-Nazis, you are against the Ukrainian Western war effort because Ukraine has neo-Nazis in their government and armed services.

The West has a Nazi problem. 52 countries sponsoring a Nazi dictator within the most corrupt country, with no opposition but a Nazi regime that kill its own people because they are Russians since 2014. An ethnic genocide sponsored by US Deep state and allowed by EU. The West just loves to use the mentally underdeveloped Nazis for their own atrocious goals of global control. Isn't this proof of western hypocrisy and anti democracy!

The so-call western democracy is just a lie. Those western globalist elites are only concern with the collapse of their imperial hegemony and are very much in desperation, and that's why we hear all their shameless term and stupid narratives. A sad precedent. What goes round comes around. I bet if Russia proposes the condemnation of state sponsor of terrorism, these same group of evil-minded hypocritical US-led rogue states will vote against it with the same argument.

                               

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Livros (6º) sobre Sonhos. H. Schultz-Hencke, Analyse des rêves. Apresentação comentada por Pedro Teixeira da Mota.

                                                          

HENCKE, H. Schultz-. ANALYSE DES RÊVES. Paris, Payot, 1954. In-8º de 251 p. 

Psicanalista heterodoxo com dezenas de anos de experiência e mais de 50.000 sonhos analisados, com uma vida bastante dinâmica, tendo-se adaptado bem tanto ao nacional socialismo, como depois da derrota da Alemanha ao comunismo soviético, Harald Schultz-Hencke, partilha as suas teorias, nas quais os sonhos se integram com a vida imediata e as pulsões internas, numa obra bem profunda e valiosa que dividiu em: A - Noções de Antropologia; B - Sonho, espelho da vida de vigília; C - Ambiente natural do sonho; D - O Sonho em condições artificiais; E - Tabela de modelos de sonhos, esta parte final bem extensa e com várias alíneas de tipificações, tendo como base um tríade: Desejos de posse (de possuir, de guardar), Desejos de superioridade (de superioridade e agressivos) e Desejos sexuais (ternos, de abandono ou dedicação, sexuais, eróticos), e que manifestam tanto as necessidades mais simples de desejos infantis como as necessidades já condicionadas posteriormente.
 
 Ora na 1ª parte, depois de apresentar as pulsões como o centro da experiência vivida humana, distingue as Pulsões e necessidades, Prazer e desprazer, Prazer e felicidade. Pulsões primárias, ambivalências, necessidades de ordem superior e inferior, o medo e a culpabilidade, As antinomias das interrelações humanas,  a antinomia entre o homem e o mundo. E, por fim, As formas de domínio da ambivalência: 1 - a Satisfação progressiva da necessidades, 2 -  Sublimação  3 -  Compromisso  entre as pulsões e as necessidades ambivalentes, 4 -  Renúncia, 5 - Inibição. 6 - Resumo e vista de conjunto sobre o sonho, donde, por exemplo, transcrevemos acerca da ambivalência ou  dualidade que nos confronta: «Os instintos e necessidades do ser humano colocam-se no centro das suas experiências vitais. Uma parte destes instintos vêm das profundezas obscuras. São originais, primários, outros respondem as experiências perceptivas do mundo. Os instintos superiores, espirituais, e os inferiores, animais, diferenciam-se nitidamente uns dos outros.» 
Foi nesta valorização dos instintos ou necessidades de ordem superior, espirituais, que houve discordâncias em relação a Freud, e de facto a sua compreensão faz muito sentido, tal como quando escreve, em choque com o reducionismo pansexual freudiano: «o ser humano experimenta entre outras necessidades o prazer  e a felicidade da contemplação pura. Este desejo pode ser inconsciente, mas é geral a todos. É vivenciado mesmo por aqueles que nada sabem disso e pensam que estão absorvidos totalmente pelas necessidades de ordem material do quotidiano. Ora aquele que está feliz por vivenciar tal sensação e que a procura, atinge a escala superior, considerada como pertencendo já ao domínio religioso. Do domínio das necessidades puramente físicas, o ser humanos eleva-se até à beleza, até à contemplação do universo, até à emoção religiosa». Ora como os sonhos reflectem todas estas necessidades humanas, são frágeis as teorizações e explicações parcelares ou limitadoras, pois o ser humano mais até do que ambivalente é multivalente, nomeadamente na sua «procura de prazer, de calma e de felicidade». Certamente que há  frequentemente colisões entre «a forte necessidade sexual e as necessidades de ordem espiritual (segurança, ordem, paz)» a criarem problemas interiores e conflitos, geridos mais ou menos harmonizadoramente e que se reflectem nos sonhos.
É original o seu critério de distinção entre os valores superiores e inferiores: «é a duração, a perseverança. Certas satisfações físicas das necessidades e instintos de ordem inferior, tem um carácter relativamente fugidio. Há portanto uma concorrência entre a satisfação das necessidades espirituais, duráveis, e as das necessidades físicas, geralmente mais violentas», e ao contrários destas mais dificilmente evocadas pela memória, as psico-espirituais podem ser lembradas muito depois de gozadas, num tipo de reminiscência. Em grande parte o medo nasce do receio de perda da satisfação das necessidades que ele gosta, e da hostilidade contra elas, nomeadamente até de pulsões internas, disso nascendo sentimentos de culpabilidade, ou mesmo de falta ou pecado, quando as pulsões instintivas diminuem a sua vivencia mais plena e durável, a qual engloba ainda a sua forte necessidade de relação satisfatória afectiva social. Acerca desta dirá mesmo: «A necessidade social faz parte da vida humana interna, do mesmo modo que as necessidades de ordem, de paz, de segurança, de beleza, de contemplação pura». Mas face a antagonismos dos outros seres e ambivalências internas  o ser humano acabará por ter ora de sublimar, ora de fazer compromissos, compensações, reorientações, discernindo ou consciencializando-se gradualmente dum Eu mais emocional e dum Si, ou Eu superior: «Ao procurar um compromisso para os seus instintos ambivalentes, o ser humano não o faz apenas com medo de perder o amor, por receio de punição, etc., mas ao princípio também porque ele deseja a constância, a unidade, da sua experiência vivida sob a direcção do Si mesmo, [Soi], [do seu verdadeiro ou mais pleno Eu]. E considerará que ela designa qualquer coisa que está consciente de certas verdades, ou que em todo o caso é capaz de tomar decisões geralmente com respeito ao «Bem» e ao «Mal». Enquanto não se fazia a distinção entre as verdades racionais, lógicas e existenciais dum lado, e do outro as verdades respeitantes aos valores,  e portanto também não entre a razão e a inteligência, pensava-se tomar as decisões no domínio moral da mesma função que no domínio racional», pelo que realçara como a psicologia e a psicanálise tem de aprofundar, sem moralizações, tais aspectos da ambivalência do ser humano criadores de conflitos e culpabilidades e, citando ele próprio Carl Gustav Jung, realçará ainda que «existe um medo originário, primário, modo de desordem, do caos, da oposição, da perda da homogeneidade, dum choque ou da desaparição da «individuação» (Jung) da sua própria personalidade». 
 Fará ainda outras interessantes e originais correlações, nomeadamente entre o Tao, o Dao e o Si mesmo (o Soi, em francês), ou Espírito ou Eu Superior, pois considera que "a imponente concepção antropológica" de Lau Tseu vale perenemente, mesmo se devemos admitir hoje que se serviu de mitos tradicionais, nos quais Dau, deusa dos animais, desempenhava o papel de Magna Mater, a Grande Mãe, papel análogo àquele dos mitos gregos que Goethe conheceu e de que se serviu no Fausto  [As Mães].»
Em seguida  H. Schultz-Hencke abordará em duas páginas também muito valiosas "o Si mesmo e a centelha", que esperamos talvez traduzir ou ler, em texto independente. Seguem-se algumas páginas sobre a Renúncia na experiência perceptiva e representativa; a fuga diante do desejo; a repressão (censura); a diminuição de importância; o humor; a brincadeira; e finalmente a inibição. E terminará esta parte introdutória, antes de entrar na 2ª ou B, intitulada, o Sonho como espelho da vida desperta [eveillé, ou ainda de vigília], realçando como o ser humano tem no trabalho sobre si e nos sonhos os meios de manifestar e integrar as suas ambivalências internas e as suas antinomias externas (resultantes das experiências perceptivas do mundo) sendo muito importante nessa harmonização de necessidades ou instintos primários ou das profundezas obscuras, nomeadamente os espirituais e os animais com os adquiridos relacionalmente, os métodos de  sublimação e da inibição, ainda que certas tendências e necessidades inibidas possam causar desequilíbrios internos, que podem formar depois nevroses, tais as patentes nas «pretensões grandiosas».
 A visão  Harald Schultz-Hencke é optimista: «O ser humano tem a  possibilidade de passar das tendências inferiores físicas para as tendências espirituais e intelectuais, tem também o dom de poder renunciar  às suas tendências inferiores, e ainda por cima graças à inibição das suas tendências inferiores ele pode alcançar conscientemente realizações sublimadas»,  papel
este da sublimação muito importante também tanto no domínio dos mitos como na vida dos sonhos....
 Bom, e se chegou até aqui é porque é uma das 2 ou  3 pessoas que me leem no blogue, um "privilégio", direi sorrindo e agradecendo, pois há dois  fui bloqueado mais uma vez pelo vendido e opressivo  Facebook, e desta vez por 30 ou mais dias, já que pode aprender um pouco mais, com o Harald Schultz-Hencke (Luz e amor para ele),  sobre as ambivalências e multivalências, e sobre Si mesmo... Aum...
Bons sonhos, meditações  e realizações!

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Are we entering more and more in the III great War? "Who’s afraid of US troops in Ukraine?", from Indian Punchline...

                       


Are we entering more and more in the III great War? Yes, that is what Ukraine, USA, NATO and European Union want. And they are escalating that. The only two questions are: will the war  expand beyond the borders of Ukraine and Russia? Will it be launched some nuclear bomb? Misteries. 

Let us escape from TV manipulations, and be vigilant, awakened and praying, meditating, acting wisely and in some ways fighting for the survival of the western humanist tradition, a universal one.


 A very wise and good article about all that, received in VK.com, from the friend Tyler MacDonald:

«Indian Punchline > https://www.indianpunchline.com/whos-afraid-of-us-tro..

"In effect, though, President Biden is eating his own word not to have ‘boots on the ground’ in Ukraine under any circumstances. There is always the real danger that the clutch of Americans on tour in Ukraine may come under fire from the Russian forces. In fact, the US deployment comes against the backdrop of intense Russian missile and drone attacks currently on Ukraine’s critical infrastructure.

Plainly put, wittingly or unwittingly, the US is going up the escalation ladder. So far, the US intervention involved deployment of military advisors to the Ukrainian military command, supply of intelligence in real time, planning and execution of operations against Russian forces and allowing American mercenaries to do the fighting, apart from steady supply of tens of billions of dollars worth weaponry.

The qualitative difference now is that the proxy war may turn into a hot war between the NATO and Russia. The Russian Defence Minister Sergey Shoigu estimated today [https://tass.com/defense/1531539] at a joint board meeting of the Russian and Belarusian defence ministries that the number of NATO forces in Eastern and Central Europe had risen by two and a half times since February and might increase further in the near future.

Shoigu underscored that Moscow understands fully well that the West is pursuing a concerted strategy to destroy Russia’s economy and military potential, making it impossible for the country to pursue an independent foreign policy.

He flagged that NATO’s new strategic concept suggested moving from containing Russia “through forward presence” to creating “a full-scale system of collective defence on the eastern flank,” with the bloc’s non-regional members deploying troops to the Baltic countries, Eastern and Central Europe, and new multinational battalion tactical groups being formed in Bulgaria, Hungary, Romania and Slovakia.

It may not be a coincidence that Washington acknowledged the presence of its military personnel in Ukraine at a point when the Russians have alleged the participation of British intelligence [https://tass.com/politics/1530247] in the recent sabotage act on the Nord Stream pipelines and the drone strikes on Saturday at the base of Russia’s Black Sea Fleet at Sevastopol.

There are grey areas, historically speaking, in the so-called “special relationship” between the US and the UK. The chronicle of that relationship is replete with instances of the tail wagging the dog at critical moments. The point is, interestingly enough, on the attack on Sevastopol, Moscow is pointing the finger [https://tass.com/politics/1531173] more at the MI6 operatives than at Kiev. (here: https://tass.com/politics/1529621 and here: https://tass.com/politics/1531173)

The US-UK calculus was originally to get the Russians bogged down in a quagmire in Ukraine and to incite an insurrection within Russia opposing ‘Putin’s war.’ But it failed. The US sees that over 300,000 trained ex-military personnel from Russia are being deployed to Ukraine for launching a major offensive to end the war in the coming 3-4 months.

That is to say, the roof is coming down on the entire edifice of lies and deceptive propaganda that formed the western narrative on Ukraine. The defeat in Ukraine could have disastrous consequences for the US’ image and credibility as a superpower not only in Europe but on the global stage, undermine its leadership of the transatlantic alliance and even disable NATO. Curiously, however, it cannot be lost on Washington that even at this juncture, Russia has offered peace talks to the Kiev regime.

The Biden Administration made a terrible mistake in assuming that the war would lead to a regime change in Russia ensuing from the collapse of the Russian economy under the weight of western sanctions. On the contrary, even the IMF admits that the Russian economy has stabilised.

The indicators show that the Russian economy will be registering growth by next year. The comparison with the western economies that are sinking into high inflation and recession is far too glaring to be missed by the world audience.

Suffice to say, the US and its allies have run out of sanctions to hit Russia. The Russian leadership, on the other hand, is consolidating by pushing ahead with the shift to a multipolar world order and a de-dollarised international financial system. If these processes proceed further, it will dent the status of the American dollar as “world currency.”

Fundamentally, it is the capitalist system itself which is responsible for this crisis. We are currently suffering under the effect of the longest and deepest crisis the system has known since the redivision of the world that took place in World War II. The imperialist powers are once again preparing for war to redivide the world in the hopes of getting out of their crisis, much as they prepared prior to World War II.

The big question is what Russia’s response is going to be. It is all but certain that Moscow hasn’t been caught by surprise at the revelation in Washington regarding the presence of US troops in Ukraine. It is highly unlikely that Russia will resort to knee-jerk reaction.

The so-called ‘counter-offensive’ by Ukraine has fizzled out. It made no territorial gains or any significant breakthrough. But the Ukrainian military suffered heavy casualties in the thousands and huge losses in military equipment. Russia has gained the upper hand and it is conscious of that. All along the frontline, that is becoming evident.

On the other hand, the fact remains that neither the US nor its NATO allies are in a position to fight a continental war. Therefore, it will be entirely up to the American troops moving around in the steppes of Ukraine auditing the US-made weaponry to stay out of trouble and keep their body and soul together. Who knows, the Pentagon may even work out a ‘deconfliction’ mechanism with Moscow, as in Syria!

That said, seriously, the auditing of US weaponry on Ukrainian soil per se is not a bad thing at all. Ukraine is a notoriously corrupt country, after all. There is real danger that the weapons supplied by the US may reach Europe and turn that beautiful manicured garden into a jungle (like Ukraine or America) — to borrow the colourful metaphor used recently by Josep Borrell, EU’s foreign policy chief."

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Julio Evola (2º parte), Shaktismo e Fiéis do Amor. Do livro "O Yoga Tântrico". Vídeo da tradução comentada por Pedro Teixeira da Mota.

Julio Evola e Maria de Naglowska, russa...

De Júlio Evola (Roma,1898-1974) do seu livro Le Yoga Tantrique, 1971, do anexo final intitulado Shaktismo e "Fiéis do Amor", 2ª parte e final da leitura e  tradução simultânea do francês, por Pedro Teixeira da Mota, no fim da tarde de 1 de Novembro de 2022, com alguns comentários do momento. Como fundo, sempre a mesma imagem de uma tanka indo-nepalesa-tibetana, representando a união de Shiva e Shakti, Consciência e Energia, excepto nos três minutos finais que foi aproximada e onde mostrei também a obra de Antero de Quental, Beatrice, pois nela Antero refere mesmo os Fiéis do Amor.  Também valiosa a parte final em que Júlio Evola transmite algumas práticas tântricas ocidentais, menos conhecidas, dos Fedeli d'Amore.

                      

Julius Evola. (1º). Shaktismo e Fiéis do Amor. Do livro "Yoga tântrico". Vídeo da tradução comentada por Pedro Teixeira da Mota.

                                                         

 De Julio Evola (Roma, 1898-1974) e do seu livro Yoga Tantrique, do anexo final intitulado Shaktismo e Fiéis do Amor, 1ª parte da leitura em tradução do francês, realizada por Pedro Teixeira da Mota, na madrugada de 21 de Outubro de 2022, com alguns comentários do momento. Como fundo, sempre a mesma imagem de uma tanka indo-nepalesa-tibetana, da união de Shiva Shakti, Consciência Energia, Masculino Feminino. 

Neste artigo curto, de cinco páginas Júlio Evola estabelece o paralelismo entre a tradição espiritual indiana tântrica da via iniciática e culto da shakti, mulher, energia, deusa, iniciadora, exterior e interior, com o que Dante e os Fiéis do Amor cantaram e realizaram, e citará sobretudo a Vita Nuova e alguns textos dos poetas das Cortes do Amor.  Anote-se que todo livro, de cerca de 300 páginas, é um dos melhores tratados ocidentais sobre o Yoga Tântrico, baseado em múltiplos textos sagrados indianos, nos comentários a eles, e na sua experiência e inteligência.  Como não lera o livro ainda, na dedicação a uma melhor união entre o Oriente e o Ocidente, resolvi gravar a tradução do seu anexo final, e por o estar a ler pela primeira vez traduzindo e gravando simultaneamente, houve leves hesitações....

Transcrevemos algumas partes do valioso texto de Julius Evola:

«O papel que jogou a mulher na literatura dos cavaleiros e trovadores, nas «Cortes de Amor» e na tropa dos poetas  que foram justamente chamados os Fiéis do Amor é bem conhecida. Mas as histórias correntes da literatura nem sequer pressentiram, por causa do espírito académico e  profano dos seus autores, o esoterismo que está presente nessa matéria, e que é como água entre os dedos. De nada serviu que um Eugène Aroux e um Dante Gabriel Rosseti tivessem chamado à atenção o conteúdo escondido de muitas das composições [de tais poetas] e sobre a sua linguagem polivalente [ou metafórica]. Em Itália de Luigi Valli sobre Dante e Il linguaggio segreto dei Fedeli d'Amore [obra na qual a mulher representa ou incarna a inteligência transcendente, e que está online], conduzido com um rigor crítico  analítico, não existe para os meios [académicos ou] oficiais, como se nunca tivesse sido escrita.»

                   

domingo, 30 de outubro de 2022

Poesia espiritual, escrita num autocarro no Porto, no livro "Poesias", de João Vasconcelos e Sá, há já uns anos e agora transcrita..

Tendo estado a rever e a arrumar obras poéticas deparei-me no meio do livro póstumo de João Vasconcelos e Sá (1880-1944), Poesias, em duas páginas, dois frágeis ou incipientes poemas escritos por mim, deslocando-me de autocarro no Porto, já há uns anos largos, e resolvi fotografá-los, com os poemas de João Vasconcelos e Sá ao lado, estes tão claros e lúcidos, profundos e perfeitos, seja históricos ou intemporais, seja de amor ou  austeridade. E partilhá-los. Anote-se que as Poesias, editadas em 1959, foram prefaciadas por Maria de Carvalho, que biografa o distinto militar e monáruico, e pelo filho do celebrado autor do fado O Castanheiro e nunca mais e da canção Margarida vai à Fonte, da qual pode ouvir uma versão bem curiosa e antiga, 1908, e que ele escrevera em 1898, e assim viajar no tempo:  https://www.youtube.com/watch?v=dzoVItQHS8w

 

Por entre as ruas do Porto,

no meio dos transportes públicos,

senti, ó Deus que enfim 

era a Ti que eu queria,

que meu anseio apontava a ti.  

 

Sorri, quando debruçado na alma,

a Tua Presença serena senti.

Vinhas ao fim de longos anos

inesperado, calmo e feliz.

 

Meu ser, porém, do futuro interroga:

Quando tempo estarás Tu dentro de mim?

Sei que é o tempo luminoso do Natal

e que as austeridades abriram-Te caminho.

 

Sorvo o ar em golos interiores,

poderia este autocarro nunca mais parar,

que a minha alma estaria feliz

em sentir-te em mim pousar. 


Enfim, peço-te que veja tudo em Ti.

Calmo, sereno, a Tua luz derramando,

na voz sábia e justa, o claro propósito

de abrir e passar a visão da Verdade.  

 ******


Saberias correr pelos campos

cabelos ao vento,

Traçando mil pensamentos

num sorriso de contentamento?

 

Teu olhar doce e sereno

as ondulações agitadas acalmam.

Ó Tu que inspiras a minha alma

não deixes mais o meu ser.

 

Rasgões em todas as pessoas

ecoam suas dores e fomes.

Nossos corpos, um dia cinzas,

alimentarão a flor dum pessegueiro.

 

Contudo, tal como o sol circula nas veias

e nas faces brilha ora a aurora ora o poente

bom seria as nossas almas alagarem as cidades

deste oceano de Amor que nos une...