domingo, 16 de outubro de 2022

Livros (1º) sobre Sonhos. LIVRO COMPLETO DOS SONHOS. Lista de livros em português, anotada ou comentada por Pedro Teixeira da Mota

 Porque se geram milhares de sonhos na nossa vida e das suas causas e motivos sabemos tão pouco, e porque sonhando bastante tenho ao longo dos anos registado muitos e ajuntado livros sobre eles, eis uma pequena primícia. Que ela possa gerar melhores sonhos e frutos na nossa alma....


LIVRO COMPLETO DOS SONHOS. O Verdadeiro Oráculo da Noite. Explicação dos Sonhos e Visões Nocturnas, compreensíveis a todos, segundo os cabalistas mais notáveis da antiguidade e seguido de Cartomância ou Arte de Ler o futuro nas cartas. 4ª edição. Lisboa, Guimarães Editora, s/d (habitual nas edições da Guimarães, por causa dos impostos). In-8º de 112 págs. Br. Nota de posse de 1958. Embora o dicionário dos sonhos seja fraquinho, e as treze finais de cartomancia e astrologia fraquíssimas, o prefácio é curioso e mostra algo do anónimo autor-compilador: «Desde a mais remota antiguidade que os sábios tem pretendido saber a verdadeira significação dos sonhos. Neste ramo de ciência, como muitos outros, notabilizaram-se os antigos egípcios, cujos cabalistas acreditaram ter descoberto o segredo da interpretação dos sonhos e visões nocturnas. Dos trabalhos que até nos chegaram  desses cabalistas, compilámos o nosso livro, não sem o modernizar nalguns pontos, de conformidade com as últimas descobertas científicas. Não deixará de haver quem duvide que os sonhos sejam o aviso misterioso, o sinal de que está para suceder num futuro mais ou menos próximo; mas esses, que querem negar à espécie humana a vida do espírito, a emanação do poder divino, equiparando-nos aos irracionais, esses mesmo terão que render-se à evidência, se dedicarem a estes estudos a atenção que eles já merecem às pessoas mais cultas e ilustradas de todos os países»

Depois desta apresentação optimista quanto ao interesse moderno pelos sonhos, e valorizadora da tradição egípcia, que de facto já em 1350 a. C. compilara num papiro denominado Chester Beatty uma série de sonhos, imagens e suas interpretações, o que de facto encontramos neste livro são mais as linhas vulgarizadoras europeias, pelo que certamente  o "modernizar"  por causa de "últimas descobertas científicas" terá sido apenas corrigir  pelo bom senso do séc. XXI. Mais valiosa e certeira é a sua defesa ou afirmação do ser humano ter ou ser um espírito, ou uma "vida de espírito", o qual é uma "emanação do poder divino". Enuncia por fim antes das suas entradas de dicionário, a sua [ou extraída de quem?] visão quadrupla dos sonhos: que propriamente o «Sonho é aquele que debaixo de certas figuras nos representa a verdade, e no qual a pessoa que sonha toma parte mais ou menos importante. A Visão é uma espécie de relação, que durante o sono nos é feita, quadros animados que simbolicamnte nos apresentam futuros acontecimentos. O Pesadelo é causado por comoções violentas que atacam o cérebro quando dormimos, e encontram o espírito vigilante. Então o que nos aconteceu durante o dia ocupa-no igualmente de noite; quem se receia de algum mau encontro, sonho que ele se verifica; o que teve alguma discussão acalorada, questiona ainda, dormindo; o avarento sonha com o seu tesouro; e o que ceou reguladamente, sonha com os prazeres da mesa. [Mais fraca é a sua visão d'] A Aparição não é mais do que um fantasma que se afigura aos espíritos fracos [ou sensíveis] geralmente criado pela imaginação [ou clarividência] dos velhos e da crianças.»  Só os dois primeiros deveriam ser tomados em consideração, os que não são relembrados é porque não tem valor, e só aqueles que ocorrem depois da meia noite devem ser interpretados, já que «até essa hora [variáve], todos os nossos sentidos estão executados com o trabalho da digestão.»

Do dicionário, uma das entradas, sempre esquemáticas e limitadas: «MAR:recebereis notícias que já não esperáveis com respeito a uma rica herança. - Tranquilo: auxílio de parentes ou de amigos. - Agitado: perigo, aprendei a orar. - Claro: não enriquecereis. - Transparentes: achareis objectos perdidos. - Furioso: cólera fatal. - Cair ao mar: acidente terrível.»

Bons sonhos e visões!

Visão dos mundos espirituais, por Bô Yin Râ, desperto! 

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Who are the terrorists in Europe and in the world? The Council of Europe (PACE) says: Russia. But, in facts, the true ones are USA, NATO and now EU.

                                        

«The move has been cheered by top Ukrainian officials as a “powerful signal” to the world. The Parliamentary Assembly of the Council of Europe (PACE) adopted a resolution on Thursday, urging its member states to “declare the current Russian regime as a terrorist one.”......... No big deal. In the US, Pro-lifers and political dissenters are being hauled off to jail and labeled as domestic terrorists. If everyone is a terrorist, then nobody is. Sadly, these pathetic hypocrites lacked the same distaste for war when the US and its NATO lackeys were up to their knees in blood and still are, as it was they who threw the Ukrainian people into the fire.

                                             

But not the UK, US and Ukraine. Not Germany, not France (Rainbow warrior-New Caledonia-African coups and Libya). Oh, good one. We now know the colors of Europe and its legitimization of terrorism when conducted in the name of their states. What a surprise, the side fighting against Russia wants to call them terrorists. Coke snorting Zelensky had to let his stupidity show once more, saying it's a Powerful signal to the western world.

But the West is not the World, tell these people if they do not know already that many in this same world do not care about what they say and decide and therefore do not feel concerned at all. Stop speaking for the entire World, you fascist globalist puppet. PACE selling out to the US globalist elite is a harbinger of the EU's collapse. What a bunch of hypocrites these people are. It really doesn't get any more delusional than this.

                                           

For centuries, the Western European Christians have been terrorizing the people of all continents from Africa, to Asia, to South America. It takes a great deal of historical ignorance for them to feel they have any legitimacy to point the finger at Russia as a 'terrorist regime'. The UK and US, Canada —--bombed destroyed —---> Libya, Syria, Iraq, Afghanistan, Kosovo, South America, Africa. Iraq the WAR where George Bush and Tony Blair were convicted for WAR CRIMES, where is justice for these criminals? Where is justice for the Anglo criminals NATO and the US are the real terrorist states.

                                              

Let me get this straight. The 2014 Nazi coup in Kiev orchestrated by Obama, Biden and the EU and the murder of thousands of Russians in the Donbas, continued By Trump and Brussels, the last eight years is finally being put to an end by Russia and THEY are the terrorists ? The good news is the degenerate West is committing suicide in real time with the continuing support for Nazi infested Ukraine and the sanctions on Russia. The world rejoices.

Yet not Ukraine!!!! Amazing, simply amazing, even after bombing and shelling the Innocent people for 8 years in Donbas and Luhansk. I can only conclude Ukraine has threatened the EU with dire consequences, too. This is why every Western institution seems to be already corrupt, or corruptible under pressure from the US. In other words, they may as well all be ignored by the rest of the World. Europe is fast sinking into total insignificance as far as world geopolitics are concerned. It will soon be just a backwater recipient of US welfare. It will be very funny to watch when these overpaid, arrogant bastards beg this "terrorist regime" next spring to sell them gas.»



                                                              PEACE... JUSTICE...

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Um poema na tradição espiritual de Hafiz e da Pérsia, por Pedro Teixeira da Mota, nas vésperas da peregrinação ao Irão em 2013.

Hafiz de Shiraz, 1315-1390

Um poema na linha da tradição persa ou iraniana do Amor e de Hafiz, escrito na preparação para a peregrinação ao Irão, em Abril de 2013.

Fotografia obtida na lápide de Hafiz, no seu mausoléu em Shiraz, em 2013.

Esta tradição do Amor intenso,

que circula discreta e sem rubor,

chama-nos de dentro do coração

a entrar e a cantar a comunhão.


Sermos artesões criativos do Destino

que liga, harmoniza e une terra e céus,

erguendo-nos para além das dúvidas e trevas,

eis a sorte de participarmos nas mil aventuras

da criação amorosa-sábia que em nós se zela.


Hafiz bebeu o vinho do Amor eterno

e extasiou-se na Natureza e na Mulher.

800 anos depois continuamos peregrinos

amando a Natureza Divina, a Mulher e o Amor.


Ergo o meu coração, semi-cerro o olhos,

invoco a Divindade, lanço a oração

que cruza os ares, as horas e cansaços

e entro firme na divina contemplação,

aquela que nos traz a plena satisfação

de sentir bem a Fonte do Amor no coração.


Antero de Quental e o casamento como via de superação e iluminação. A carta a Jaime de Magalhães Lima, de Maio de 1889.

O mistério perene das potencialidades da união entre o homem e a mulher foi por Antero de Quental sentido mais romanticamente enquanto jovem, e vários poemas, em especial dos coligidos nas Primaveras Romântica, ecoam as emanações  ígneas e esperançosas do Amor pelo seu coração e ser. Temos além disso duas indicações substanciais na sua valiosíssima correspondência sobre o que ele pensou sobre o tema.   

 Numa carta escrita em 1868 de Ponte Delgada para Alberto Sampaio, Antero de Quental manifestou desassombradamente nos seus 26 anos de idade, as reservas que sentia perante a instituição do casamento, ou como ele designa, influenciado pelos seus estudos de Direito, o artigo do matrimónio. 

                                                          
                                                        Alberto Sampaio (1841-1908)

Mas vinte anos mais tarde a sua visão mostra-se bem mais profunda, como veremos. Oiçamos então primeiro Antero em 1868 confessando o que sentia, já licenciado e após a Questão do Bom Senso e do Bom Gosto, o trabalho em Paris como tipógrafo, e  as estadias em Lisboa e Ponta Delgada,  escrevendo com alguma ironia para Alberto Sampaio : «Os nossos amigos estão implacáveis no artigo do Matrimónio. Já deves saber do casamento do Eduardo [de Almeida Andrade] que me enviou dois bilhetes artisticamente unidos por um fio de retrós azul-celeste, cor de esperança, como sabes. O João Machado [Faria e Maia] casa dentro em uma semana, com uma rapariga de muito notável espírito, que ainda assim não é o esprit dos romances ou dos folhetins, mas posto modestamente ao serviço duma natureza extremamente amável e boa. Pasmo sempre com estas coisas, porque não sei como ainda se acha no mundo quem disponha de seriedade suficiente, a ponto de casar para valer e por conseguinte, para valer tomar a vida e todas as ocas coisas dela. O casamento é uma bela coisa (conquanto não tão bela como a têm feito nestes nossos tempos alguns filósofos bem casados de mais para filosofarem com sangue frio) mas é uma bela coisa em tese, como se diz em Coimbra. Mas hoje e para quem conhece o mundo actual parece-me que só como coroa de um largo e tolerantíssimo humorismo se pode admitir. O casamento sem reserva, sem restrição mental, acho-o uma monstruosidade de boa fé.»

 Após esta manifestação de fortes reservas ao casamento, católico provavelmente pela sua indissolubilidade, que já no século XIX lhe parecia uma ingenuidade algo perigosa, provavelmente dadas as dificuldades de se encontrar a pessoa certa e conseguir manter a relação numa complexa sociedade, sobretudo para um filósofo peripatético, algo asceta e estóico, como em parte ele era.

Será já de 1889 que descobrimos uma mais original aproximação à união da mulher e do homem, ou seja ao casamento, como via de realização, elaborada por um Antero Quental  bem mais amadurecido, estabilizado pela experiência até da vivência quotidiana durante uns anos com a viúva de Germano Meireles e as duas filhas deles, em Vila de Conde, e que está transmitida nessa carta escrita em 28-V-1889, dois anos antes de morrer, para o tolstoiano e vegetariano Jaime de Magalhães Lima (já abordado neste blogue), dezassete anos mais novo e seu discípulo.

  Jaime de Magalhães de Lima, numa fotografia oferecida a Avelino de Almeida, e Antero.

 Nela se congratula com a nova fase na vida, pois ia casar-se, afirmando-lhe mesmo que «o dia do seu casamento será para mim uma verdadeira alegria», e dando-lhe em seguida um quase que sermão de iniciação na vida do amor a dois, ainda que mais na linha sacrificial do ego e no alcançar da impersonalidade do que na valorização dos estados unitivos e expandidos que os casais podem realizar se verdadeiramente se unem nos vários níveis dos seus seres com o máximo de amor e abertos à Divindade e à Unidade, algo que contudo Antero na sua vida de bacharel e celibatário pouco conseguira desenvolver, tanto mais como já vimos o seu receio e desconfiança expresso na carta a Alberto Sampaio, escrita há vinte e três anos.

 Como esta carta é muito valiosa e como ainda não está transcrita na web vale a pena fazê-lo em grande parte. Ora nela, Antero de Quental, depois de afirmar que há alguma razão  por detrás da declaração bíblica de que "não é bom que o homem esteja só", encara a valorização do matrimónio por uma via mais filosófico, moral e espiritual, e como natural na evolução, maturação ou individuação das pessoas, e fazendo-o a partir da sua própria experiência de vida, que contudo não lhe permitiu o enlace mais profundo ou duradouro com ninguém: «tomando a coisa por outro lado, dir-lhe-ei que só é verdadeiramente livre aquele que sabe limitar voluntariamente a própria liberdade.  A liberdade é um ideal, que, como todos, precisa ser corrigido pela realidade tem a sua pedra-toque. Os ideais da nossa mocidade, absolutos e no fundo muito egoístas, são fantásticos, e é por isso que nos atormentam tanto. E quando cerceamos, em proveito dos outros, uma parte dessas desmedidas ambições, reconhecemos então com pasmo que essa amputação, em vez de nos diminuir, nos engrandeceu. Parece-me dever concluir daqui que a nossa verdadeira grandeza é toda interior e subjectiva; o que somos e fazemos importa relativamente pouco; a relação da nossa vontade consigo mesmo é que é o essencial.

[Comentário: Eis uma importante valorização da força de vontade, unificando as nossas tendências divergentes, para os objectivos que consideramos mais elevados, o que constitui na realidade a base do caminho iniciático ou da unificação das nossas forças anímicas.]

Chegados a um certo estado de espírito, não de cepticismo ou de abatimento, mas de verdadeira compreensão da nossa natureza e do nosso fim (regnum meum non est hoc mundo, "o meu reino não é deste mundo"), aquelas imensas ambições da mocidade fazem-nos sorrir. Não compreendo pois porque emprega duas vezes a palavra resignação: quisera que a riscasse do vocabulário dos seus sentimentos.   

[Comentário: Ou será que o casamento não era sentido numa tão grande de unidade  de corpo, alma e espírito, entre Jaime e sua noiva Maria Cardal, filha do 1º conde de Condeixa?]  

A transição do egoísmo idealista e da falsa liberdade, para a realidade moral e a verdadeira liberdade, é um progresso e até, em meu conceito, o máximo progresso: não pode ser pois matéria de resignação; antes, de exultação. 

 [Comentário: Vemos assim Antero conceber o casamento no fundo como uma via de auto-domínio, de superação do egoísmo, de desenvolvimento de solidariedade e universalidade, de felicidade de se estar livre dos idealismos juvenis algo egóicos. Não há contudo uma valorização unitiva do casamento, seja numa linha de recuperação do estado de unidade com o seu ser polar ou complementar, seja numa linha tântrica (via indiana de união dos princípios masculinos e femininos da consciência e energia, pela meditação, o ritual e o acto sexual) em que os momentos mais intensos de união e fusão podem abrir e expandir a consciência dos níveis sensoriais e sociais para os espirituais ou mesmo divinos.]  

Mas talvez lhe esteja fazendo aqui uma chicana de palavras, por causa duma que provavelmente empregou num sentido diverso daquele em que eu o tomei. Por isso não insisto. Entrou meu caro amigo,  num caminho em que todos os dias irá sentindo o chão mais firme debaixo dos pés, mais lúcido o pensamento, mais serena a consciência.

[Comentário: Mais forte o amor e a ligação espiritual e divina, teria sido bom se Antero tivesse também sentido e escrito]. 

Vivendo cada vez mais para os outros, sentindo morrer em cada dia dentro de si mais uma parcela do eu egoísta que tanto nos ilude, tanto nos faz sofrer e errar, irá entrando gradualmente naquela região da impersonalidade que é a verdadeira beatitude».

Reflexões finais: Este último parágrafo transcrito regista bem a elevada e tão  e difícil de se realizar visão anteriana da missão do ser humano, e como o caminho estreito para a verdadeira felicidade ou beatitude passa por vencermos o nosso eu egoísta, e irmos  entrando gradualmente naquela região da impersonalidade.  

Perguntaremos, conseguiu Antero de Quental entrar pouco, razoavelmente ou muito em tal região da impersonalidade?  Tinha consciência disso em alguns momentos da sua vida, tal como decisões, sacrifícios, escolhas de pensamentos ou mesmo de linhas de escrita ou de poesia?  

Dá-nos a entender que sim, pois teria sentido, ou aconselha teoricamente,  a prática diária da morte de uma parcela do eu egoísta. É uma linguagem forte, dura, ascética, que podemos quase conectar com a Arte de bem morrer que filósofos e religiosos ao longo dos séculos valorizaram e, na realidade, quando evitamos determinado acto que o nosso eu mais primário, instintivo e egoísta desejaria, nós estamos a fazê-lo morrer, ou melhor, a diminui-lo, controlá-lo, e assim fortalecendo o desprendimento recomendado para a morte como libertação do corpo e dos desejos da vida na Terra e logo o acesso a níveis mais luminosos e conscientes. 

Mas quando Antero de Quental se limita a afirmar a impersonalidade, esse não ser uma personalidade ou a personalidade, numa linha de origem nele algo budista ou advaitica vedanta, e da filosofia do inconsciente de Hartman, não acolhe nem ilumina contudo o ser substante identitário que tem de haver, pois a felicidade sentida implicaria uma consciência, um eu, certamente mais subtil ou profundo que escapa à maioria dos seres, e que alguns místicos ou iniciados conheceram.

Este ponte no caminho espiritual sentimos que não foi cruzada por Antero: a realização do espírito, como eu espiritual e núcleo central e imortal da sua alma, não foi alcançada, e assim pese a sua ascese, sofrimento, bondade, impersonalidade, que era também "impassibilidade estóica" que mais de uma vez referiu, ficou na sua sensibilidade tão imensa e facilmente perturbada pelos seus frágeis nervos e má e escassa alimentação (frequentemente um só vez por dia, em condições de difícil fortificação pelo amor, a paz, a harmonia para os embates, frustrações e desilusões da vida. Vendo  Jaime de Magalhães Lima, bem mais novo,  com 29 anos, mas já bem consciente e sapiente só lhe podia recomendar as linhas de força que ele aprofundara e desenvolvera com grande trabalho e dor nos Sonetos e na Tendências Gerais da Filosofia na segunda metade do século XIX : ir dominando o eu egoísta,  desenvolvendo a felicidade e a liberdade de ter menos ego, acolhendo o casamento como boa via para tal tarefa iniciática... 

E nós, já no séc. XXI, onde estamos nestas batalhas internas e externas?

Vencendo o eu instintivo ou egoísta, acolhendo e sentindo, e afirmando até mais o eu espiritual e a sua exaltação ou exultação no amor, na fraternidade, na sapiência e sobretudo até na aspiração à Verdade e à Justiça que tanto ardeu genialmente em Antero, apenas lhe faltando, como já mostramos, por via da influência do budismo, a consciencialização da centelha espiritual,  e por via da influência do cristianismo, a religação à Divindade que não já o Jeohova que tanto criticara e repudiara...

Possam a Luz e o Amor divinos brilharem nas almas de Antero de Quental, Alberto Sampaio e Jaime de Magalhães Lima! E nos que tentam aprofundar os mistérios do Ser e da união polar... Aum....

Pintura de Bô Yin Râ.... Mundos espirituais....

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Poesia espiritual: Dos mistérios e efeitos da poesia no coração. Por Pedro Teixeira da Mota...


O mistério da poesia está no imprevisto:

quando começamos pouco sabemos

do que dentro de nós se quer expressar

e rompendo o potencial-virtual se afirmar.


Há uma poesia de demanda espiritual

que busca desvendamento e intuição ,

que sintoniza com o  ser e o coração

e aspira à Divindade, amor e verdade.


Quem entra nesta correnteza arde e sente

no ouvido interior o crepitar da vibração,

  a chama flamejante no íntimo coração,

 a mente calma na consciência presente.


Se pela natureza, pessoas, livros e afectos

nos inspiramos e entusiasmamos com razão,

Se musa e mestre quase tudo é um pouco,

então desperta e intensifica mais o coração,

E vive mais em comunhão....

 

1ª imagem, pintura de Bô Yin Râ. O poema, já começado há algum tempo, finalizado hoje.

domingo, 9 de outubro de 2022

Poesia espiritual. Da alma peregrina ou guerreira. Por Pedro Teixeira da Mota. Com duas pinturas de Nicholai Roerich

Com duas pinturas do russos Nicholai Roerich e Svetoslav, seu filho, acrescentadas ao passar o poema para o blogue
 

Os guerreiros têm por vezes de parar

mas eles nem sabem bem porquê:

Muitas vezes são-no sem  realizar

que toda a vida é incessante lutar.


Escrevias o texto e o vaticínio certeiro

recolhido na torre meditativa mais alta,

Esquecias-te que eras ainda assim guerreiro

e de quando em quando o sangue tem de voar.


O grito do ulema e do alcorão da mesquita,

ou o sino grave do esguio campanário,

não cantam mais alto ou longe no seu fadário

que o teu grito lancinante, ò alma no caminho.


É tão difícil chegar à Terra dos Imortais

Que os seres a colocaram num distante céu,

Mas é no sofrimento e aspiração, ò peregrino,

que galgas limites e te aproximas do Templo.


Na tua imobilidade forçada e ao meditar

sente a tua espada retemperar-se e vibrar

para o teu corpo-alma na Luz ressuscitar.


Sendo tantas as lesões e as manchas roxas,

 que a serenidade amarela da face e da mente

acolha a visitação da morte e renascimento.


Ao passares pelas memórias acumuladas

e nódoas de sangue a esponja do Amor,

Conseguirás doar ao teu corpo o seu frescor

e à mente a finura transparente ao Espírito?

 - Luta e medita, escreve e ama, ajuda e adora!

                  O Mensageiro, de Svetoslav Roerich, um notável representante da grande alma Russa unida à da Índia, para o bem e a beleza da Humanidade em luta de libertação. 

Da anima mundi, ou fábrica do Universo, e dos encontros, relacionamentos e irradiações sob a sua égide.

   A 1ª versão, fotografada, foi escrita no 1º dia do ano de 2006 e tendo sido repescada hoje, 9-X-2022, debaixo de um móvel, foi actualizada. E em 23-1-23 melhorada.... Boas inspirações...

Os encontros e os relacionamentos entre os seres,  na maravilha das suas causalidades, afinidades e finalidades, podem fazer parte da fábrica do Universo, da anima mundi, do entrelaçamento das mentes no campo unificado de energia-consciência-informação, sobretudo quando esses seres conseguem libertar-se de véus e agitações que lhes obscurecem a Luz ou lhes tapam a visão e a sensibilidade espiritual, conducente a uma consciência mais firme na luz e na verdade e na invocação da Fonte Divina, o Bem, a Divindade...

Trabalhar para o domínio ou unificação interior da matéria, do corpo e da mente pela consciência penetrante do Espírito, ser-se sacerdote ou sacerdotisa, imperador ou transmissor do Espírito santo, ancorando e assimilando, partilhando e distribuindo riquezas e inspirações aos outros, se é realizado sábia e perseverantemente, sem desânimos nem rendições, pode abrir-nos as portas do Templo Divino na Natureza, no ser Humano e no mundo Espiritual.

Quando tal sucede, também a Mulher se torna Papisa, e o princípio Feminino reconhece-se como Espírito Santo, ou a Shakti indiana, que anima e ilumina as almas e lhes dá ou intensifica o entendimento, o amor, o entusiasmo, mas também o calmo ver e ouvir com o coração.

Haverá então casais alquímicos, seres capazes de aprofundar a unidade da complementaridade divina polar e, assim, tanto expandirem as suas consciências para além dos limites corporais, físicos e egóicos  como  trabalharem para a entrada no mundo espiritual e no seu Templo Divino, tornando-se melhores e mais conscientes portadores do santo Graal, derramadores da sua graça fluida, intensificando as subtis vibrações e virações súbitas ou brandas do espírito na terra e na humanidade, abrindo o arco-íris por entre os céus cinzentos....

Pintura por Bô Yin Râ....