Bernardo Moreira de Sá (1853-1924) foi um notável violinista, maestro, professor e conferencista, nascido em Guimarães e, destacando-se precocemente no meio artístico nacional, mereceu uma biografia de outro artista, Higino da Costa Paulino, meu bisavô materno, publicada na revista que dirigia com Josefine Amann, A Gazeta Musical, no nº 21, de 15.XII.1884. Com a ajuda da arquitecta Maria Antónia Bacelar Antunes, amiga portuense investigadora e que conhecendo a importância de Moreira de Sá na urbe invicta se prontificou a dactilografá-la, podemos hoje oferecê-la.
Livros, Arte, Amor, Religião, Espiritualidade, Ocultismo, Meditação, Anjos, Peregrinar, Oriente, Irão, Índia, Mogois, Japão, Rússia, Brasil, Renascimento, Simbolismo, Tarot, Não-violência, Saúde natural, Ecologia, Gerês, Nuvens, Árvores, Pedras. S. António, Bocage, Antero, Fernando Leal, Wen. de Morais, Pessoa, Aug. S. Rita, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva, Dalila P. da Costa, Pina Martins, Pitágoras, Ficino, Pico, Erasmo, Bruno, Tolstoi, Tagore, Roerich, Ranade, Bô Yin Râ, Henry Corbin.
domingo, 7 de junho de 2020
Bernardo Moreira de Sá, biografia por Higino da Costa Paulino e uma carta de Antero de Quental e uma dedicatória de António Arroyo..
Bernardo Moreira de Sá (1853-1924) foi um notável violinista, maestro, professor e conferencista, nascido em Guimarães e, destacando-se precocemente no meio artístico nacional, mereceu uma biografia de outro artista, Higino da Costa Paulino, meu bisavô materno, publicada na revista que dirigia com Josefine Amann, A Gazeta Musical, no nº 21, de 15.XII.1884. Com a ajuda da arquitecta Maria Antónia Bacelar Antunes, amiga portuense investigadora e que conhecendo a importância de Moreira de Sá na urbe invicta se prontificou a dactilografá-la, podemos hoje oferecê-la.
"Ami, cache ta vie et repands ton esprit", dizia Victor Hugo a um poeta. Tal conselho, porém, apenas encontra seguidores exactamente nesses que trabalham pelo amor do trabalho, que lutam por uma ideia pela própria ideia, sem ao seu esforço generoso misturarem um vislumbre sequer de interesse pessoal.
Afinal acabou por se fixar no Porto, que em questão de arte, não sendo o mais esterilizador do país, não é dos mais avançados da Europa. A educação musical que recebeu na infância, boa ou má, serviu-lhe ainda assim para se infundir mais tarde naquela região luminosa, embora para tantos ainda obscura, onde, desde Gluck a Wagner, se tem ido acumulando todas as sublimes belezas da arte de hoje.
Anote-se que António Arroio (1856-1934; e a vinheta final deste artigo é do seu livro) publicou em 1901 a narrativa algo fantasiosa da Viagem de Antero de Quental à América de Norte, onde a desilusão lúcida dele com a civilização capitalista norte-americana é evidente e profética, e que Joaquim de Negrão, o dono da embarcação e organizador da atribulada viagem e em que Antero calhou entrar, narrara a Bulhão Pato, e este publicara no I volume das suas Memórias. Entre outras obras, em 1909 António Arroio publicará O Canto Coral e a sua função social e em 1917 Singularidades da Minha Terra (na Arte e na Mística), num in-4º de 347 páginas e onde, após narrar belamente suas viagens ao norte, ao Sameiro, a Camilo Castelo branco, num dos capítulos, intitulado Em S. Carlos, aborda bastante a música, a mística e Beethoven, Berlioz, Wagner e Massenet.
sábado, 6 de junho de 2020
Poesia Espiritual: da Natureza a Deus, do Universo ao Cosmos, a essência do Caminho espiritual.
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| Poema escrito já há uns anos e reconstruído ou aperfeiçoado em 6-VI-2020, ilustrado comd uas Pinturas de Bô Yin Râ. Poetizar a participação e comunhão da Humanidade e Divindade no Cosmos... Aum... |
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Poema de invocação do Espírito santo, subtil e misterioso.
Os Mestres do Irão e seus valiosos ensinamentos: Najm al-din Kûbra, ou Kobra. Por Pedro Teixeira da Mota.

O ensinamento de Najm al-din Kûbra, ou Najmodin Kobrâ, (1145-1221, Konya. Possa ele inspirar-nos), divulgado no Ocidente principalmente por Henry Corbin (em geral e sobretudo no aspecto das cores que se revelam na meditação), Fritz Meier e Paul Ballanfat, é inegavelmente portador de grandes forças espirituais e está de acordo com a realidade espiritual vivenciável pelo peregrino sincero de qualquer tradição boa, pelo que conhecê-lo é útil e valioso.
São indicados dois percursos energéticos, aquando da repetição ou invocação do nome de Deus (Allah, e Huwa, Ele), ou da sua unicidade lâ ilâha illâ ‘llâh, não há deus senão Deus, aliás presentes em muitos dos ensinamentos dos mestres sufis: lâ ilâha repete-se subindo do ventre para a cabeça, e o illâ ‘llâh, descendo para o coração, ou então as mesmas palavras, a 1ª subindo pelo lado direito e a 2ª descendo pelo lado esquerdo para o coração, este de afirmação do senão Deus (amor, luz), que vai entrando no coração. Outro percurso conheço pessoalmente, que me ensinou um sufi alfarrabista turco em Istambul, que traduzira Ibn Arabi para turco.
Se feita com atenção e amor, esta prática pode gerar vários resultados, desde a substituição da dominação
do coração pela nossa alma e as suas relações com o mundo, pela
de Deus (e a consequente iluminação do coração até então
entrevado) até à abertura da visão espiritual e à descoberta da
consciência secreta, ou cimo do nosso espírito. Estas recomendações são bem valiosas de se lembrar, quando no Ocidente e em alguns grupos de Yoga pratica-se demasiado mecanicamente o Om e outros mantras
domingo, 31 de maio de 2020
Do Espírito individual e do Espírito Santo... Aproximações amplas...
Admitimos alguns, mais na sua demanda, que tal espírito seja uma centelha espiritual vivendo numa dimensão superior às nossas quatro dimensões e às suas leis do espaço e do tempo e que portanto possa até manifestar-se ora como partícula-centelha, ora como onda-corpo, dentro e fora do nosso corpo físico...
A resposta mais comum e de quase todas as tradições e povos é pela meditação, a contemplação, a oração, ou mesmo a acção.
Por estas actividades concentramos a nossa energia psíquica e conseguimos nessa unificação torná-lo mais mais visível ou perceptível para nós e por vezes até para os outros.
Por exemplo, o entusiasmo, que etimologicamente significa estar possuído por Deus, estar em Theos, pode ser visto ou sentido como uma manifestação maior do espírito.
Assim esse carisma que algumas pessoas têm, nomeadamente de poderem mais facilmente se entusiasmarem e inspirarem, foi considerado um sinal espiritual, algo do qual se dizia que era a estrela dessa pessoa, tal como o grande poeta persa Saadi o poetiza no seu Gulistan, estrela do espírito que vai perpassar por muitas tradições e legendas, como a de Belém, hoje tão tingida de sangue...
Trabalhando, vivendo e meditando bem, realizando-o portanto mais permanentemente, deveremos reconhecer que as mãos, os chakras e os olhos se tornam meios, janelas ou portais de passagem de energias das dimensões psico-espirituais para a humana corporal física...
Pelo Amor que emana do centro (chakra) de forças subtis do coração as pessoas sentem sentimentos-energias beatíficas ou benfazejas tanto a estarem, entrarem ou a irradiarem, tal como pelos olhos também algo do espírito, e da transparência maior ou menor nossa à luz divina, passa e se transmite em bons olhados...
Uma acção, grupal, ritual, teatral, performativa ou sacralizadora, que ponha todos estes níveis em harmoniosa interacção, certamente terá bastantes efeitos na irradiação do espírito, e sabemos como as religiões e tradições desde os mistérios gregos ao cristianismo trabalharam bem estes factores para tornar mais possível a intensificação da percepção da alma em relação ao espírito e também da manifestação qualidades mais elevadas do ser humano, consideradas dons divinos, tais como a fortaleza, a sabedoria, a piedade, a pietas, esta nuance de amor íntimo, tão valorizada por Erasmo, como mostrei nos comentários ao seu Modo de Orar a Deus, que publiquei entre nós.
Lisboa, escrito em grande parte no dia de Pentecostes, 31.5.2020.
sexta-feira, 29 de maio de 2020
Aurora canora, na sacra Lisboa. Com 36 segundos de vídeo final.
Aurora
Pingos Fluídos.
e sejamos cavaleiros do Graal do Amor.
De braços bem abertos ao astro divino,
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Dos Diários, de 1994. Amor, Livros, Cruz e Barroco.
Amor é um forno ou vaso alquímico onde se fundem corpos, almas, espíritos.
Fundem, fusionam, sublimam ou desintegram-se.
Saber preservar a energia central, elevar as potências sensitivas, intelectivas e voluntárias a pontos ou níveis superiores, eis a obra.
Um despertar interior, um domar as serpentes, a vara de Hermes.
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Livros - Quando são tocados pelas mãos, arrumados e interiormente sintetizados pela nossa visão actual eles ganham nova vida, força, verticalidade. Nas prateleiras onde estão ganham brilho e permitem uma maior nitidez ou irradiação do seu valor para connosco, e talvez mesmo para um visitante que chegue.
Os livros enviam-nos das suas lombadas comprimidas algumas emanações dos seus conteúdos, como mensagens subtis ou ténues, que em geral não nos apercebemos. Mas deveríamos com alguma regularidade fitar uma ou outra estante e sentir que livro nos chama e quer nas nossas mãos transmitir-nos algo.
Os livros são como peões, ou por vezes peças mais importantes, no tabuleiro do nosso jogo de xadrez da vida e da morte, do bem e do mal.
Cada dia há jogadas negras e brancas e nem sempre são só as nossas as brancas, nem sempre são as melhores as que vencem e devemos saber aceitar desprendidamente o que se vai passando ainda que lutando para chegarmos aos objectivos e missões que nos vão sendo oferecidos no desenrolar do jogo da vida. Bons livros auxiliam-nos a jogarmos bem.
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Cruz – O seu significado principal é o de sinalizar-nos que no centro do nosso ser, da nossa cruz, está o espírito, o Divino em nós e que esta descoberta e vivência é a missão principal da nossa vida. Tudo o mais será dado por acréscimo.
Barroco – Uma época marcada pelas reformas e lutas religiosas, os progressos de enriquecimento e da burguesia, produzia uma movimentação tremenda de novidades, de engenho, de esforço, de sensualidade, de individualidade, bem patente na arte, arquitectura e na literatura.
Majestade, Império no topo da hierarquia, mas também florescimento, desejo de libertação, iluminação, ascensão, triunfo em todos os actores do grande teatro da vida. Democratização pois, com a arte a tratar cada vez mais do quotidiano e do corriqueiro com foros de sagrado, com uma mística a tornar-se cada vez mais a estrada estreita mas para todos, nomeadamente pelo culto apaixonado dos intermediários, santos e santas, Anjos, Jesus e Maria, cada vez mais ao alcance de qualquer freira ou devoto, em livros, exercícios, pinturas e estampas
Lágrimas e risos, Demócrito e Heraclito, tensões de opostos e dos paradoxos, assumidos e bem cultivados mentalmente, argutamente mesmo, o ser humano encaminhava-se sob muitos condicionamentos e artifícios para o alargamento da consciência, a liberdade, para o amor mais universal, para a emancipação da religião e do despotismo absoluto.
Os escritores mais iniciados, no Barroco, são os que vêm mais longe, para trás e para a frente e chegam a uma gnose mais profunda de si mesmos e da realidade que observam, intuindo os níveis subtis em que se manifesta a essência humana, a alma do mundo e a previdência divina e apoiados nessas correspondências e analogias, nessas leituras das simbólicas substanciais do Universo se projectam em sonhos, obras e aspirações para uma Humanidade e um futuro melhor, agindo como criadores, cientistas, democratas, livres pensadores, humanistas, universalistas, ecuménicos.
Entre nós, Rafael Bluteau, Manuel Faria e Sousa, o P. António Vieira, D. Francisco Manuel de Melo e soror Violante do Céu foram alguns deles. E a soror Josefa de Óbidos, representada com esta imagem final, do trânsito feliz da amorosa Maria Madalena, tão consciente ou acompanhada dos Anjos na sua entrega libertadora final.







