sábado, 4 de julho de 2026

O Mestre ou guru Nicholai Roerich, visto por Raúl de Sepúlveda Fontes. Com um artigo seu para a revista Estudos Psíquicos, de 1947.

                                  

Raul de Sepúlveda Fontes nasceu em Pondá, Goa, a 11 de Outubro de 1915,  e foi desde novo um dinâmico jornalista e comunicador, colaborando em numerosas revistas e jornais portugueses e ingleses, brasileiros e indianos. Publicou duas obras místicas ou espirituais: By the Candle of the Light, tales of mystical fancy, Bombay, 1942 e Nicholas Roerich. Análise de um génio, Nova Goa, 1946, pois correspondera-se com o notável pintor e mestre espiritual russo, que com a sua mulher Helena lançou o ensinamento da Ética viva e do Agni Yoga. Raul Fontes exprimiu-se assim  «a minha Mãe, que foi meu alento e meu guia até partir para as Regiões do Além, dedico este livro sobre a obra de Roerich, grande alma e grande guru.» 
No fim do prefácio, escrito na Índia em 1945, diz-nos: «Pouco antes de eu terminar este livro foi declarada a Paz Mundial. Neste momento os que conhecem o trabalho de Nicholas Roerich em prol da Paz lembrar-se-ão com certeza do Pacto Roerich firmado em Washington em 15 de Abril de 1935 que tem por fim salvaguardar os monumentos históricos e artísticos dos horrores da guerra. Esse Pacto fora aprovado pela Liga das Nações que também adoptara a bandeira sugerida por Roerich: três esferas em um círculo vermelho simbolizando a religião, cultura e arte./ O Mestre bendiz a paz./ Nicholas Roerich crê na missão da mocidade que, devidamente orientada e educada, poderá vir a ser um dos factores a assegurar a paz universal. Trabalhemos, pois, para tornar uma realidade o sonho do mestre: paz Perpétua ao Mundo sob a bandeira da Arte e da Cultura. Pax per Cultura

Ora em Janeiro de 1947, nº 1 do sexto ano da revista Estudos Psíquicos, publicou um artigo interessante, onde expressa o seu entusiasmo por Nicholas Roerich, o seu mestre. Como é praticamente desconhecido, e é um dos poucos testemunhos dos portugueses que conheceram a vida e obra da genial família Roerich, vamos transcrevê-lo:
                                       ROERICH, O GURU,
por Raúl de Sepúlveda Fontes, Redactor-correspondente da revista Estudos Psíquicos na Índia Portuguesa
      «Nicholas Roerich, o célebre artista, poeta e filósofo russo, sócio honorário do Instituto de Coimbra, cujas telas grandiosas se encontram nos principais museus da Europa, América e Ásia, vive ao presente na Índia, em Naggar. Na solidão dos montes, o grande mestre espiritual da humanidade, medita, cisma e cria, visando unicamente o progresso espiritual dos homens.
Como filósofo, Roerich prega uma religião universal, tendo por base a crença em Deus e na alma, reflexo da alma cósmica. Ele crê que a humanidade atingirá a perfeição só pelo culto do belo e do amor. Só então será possível a paz entre os homens 
[Mais do que a crença, dir-se-á a vivência consciente da alma  e espirito e de faces ou aspectos da Divindade. Quanto à Alma reflexo, da alma cósmica, não será melhor dizermos parte da Alma Cósmica? E como nem daqui a cem ou duzentos anos, ou se calhar nunca, se chegará à perfeição, a paz seria impossível. Mas não cremos que tal seja necessário e a paz, uma certa paz, pode estabelecer-se.]
Quando percorro as páginas das obras de Roerich, quando medito nos seus ensinamentos e nas suas experiências, julgo ver a luz que brilha através do véu de Ísis... É a ele que devo em parte, o meu regresso à concepção do universo, a ele, o Guru (mestre espiritual) da Índia, do mundo...
Quem ler as obras de Roerich, ficará surpreendido com a vastidão do seu saber e, acima de tudo, com a recolha imensa que ele fez durante as suas viagens na Ásia. Um facto que passo a narrar há-de por força interessar todos os espiritualistas.
Durante a sua permanência no Tibete, Roerich verificou o seguinte facto surpreendente: Os Lamas Tibetanos podem deslocar-se para onde querem, não em corpo material, mas em corpo astral. São capazes de assistir a qualquer reunião religiosa, em corpo astral, descrevendo depois pormenorizadamente, tudo o que se passou nessa reunião. Os yogis indianos (segundo experiências feitas por Mrs. Hilda Wood, esposa do prof. Ernest Wood, um dos candidatos à presidência da Socieade Teosófica Internacional, após o trespasse de Annie Besant, e de quem fui defensor sincero na imprensa da Índia Britânica), também podem visitar qualquer pessoa em corpo astral, durante o sono, dando depois a prova evidente de terem feito essa visita.
No caso de Roerich, o mundo inteiro conhece a sua probidade, a agudeza do seu espírito crítico e analítico e o seu profundo saber. Com Mrs. Wood dá-se o mesmo.
Entre os tibetanos, entre os menhires, entre os buriates [povo da Sibéria e da Mongólia], Roerich colheu elementos valiosos de grande alcance espiritista. A sua visão da vida e das coisas é tão imbuída de espiritualismo, que ele próprio atingiu as raias da pureza budista, sendo considerado pelos lamas um ser superior, lendário, a reencarnção de Ghessar Khan. [Há aqui algum exagero de Raul Fontes. Além das pinturas, há várias referências a Ghessar Khan na sua obra, tal: https://www.roerich.org/roerich-writings-himavat.php]
Ghessar Khan foi várias vezes pintada por Roerich
Roerich prega e pratica o Evangelho do Belo e da Perfeição, tendo como princípio básico a espiritualidade da vida e do universo. Para ele, Deus é a alma do Cosmos e nós reflexo dessa alma; portanto, imortais, como Deus. [Outro modo de exprimir a relação do ser humano com a Anima Mundi, e com Deus, imprecisa...]
Em toda a Índia, no Tibete distante, na Mongólia, quando se fala de Roerich, dizem: - Ele é o nosso Guru.»
Índia, 1946.
No nº 7 de Julho de 1947, na mesma revista, Raul Fontes transcreve uma passagem do livro a tal zona mística na Mongólia, «onde foi descobrir a morada de inúmeros yogis que se dedicam ao estudo da Suprema Sabedoria.» 

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