sábado, 14 de dezembro de 2024

Do diário de 2014: meditações, realizações, sonhos, interrogações, alquimia, mantras, ciência, a demanda do Graal, o espírito, a Divindade...

Peregrinos nas montanhas, por Nicholai Roerich.
Do diário de 2014, escrito no computador, oito fragmentos:
 I - A meditação solsticial matinal perto das 6 horas foi boa, pois vi uma descida de luz nuvem neve branca sobre uma crista montanhosa branca ao longe, no olho espiritual. Realizei também a consciência como interface dos vários planos e níveis.
Depois, quando me deitei, o olho espiritual começou a manifestar-se bastante, e vou relembrar alguns momentos: uma espécie de paisagem ou horizonte de neve estriada em cristais, que se movia; depois uma mulher que me pareceu uma amiga, como uma artista-dançarina-escultora indiana forte, e via-se de perfil ou com a cabeça inclinada para baixo. Tinha o corpo forte [e esteve] duas vezes em movimento.
Houve também forte [a compreensão de que] a [usual] noção de cinco sentidos foi uma limitação estupidificante sobre os humanos e pois a consciência do corpo [e a partir do corpo] era um sentido global, e que dele se passa facilmente para a consciência do corpo subtil espiritual.

E [que esta extensão da pluridimensionalidade dos sentidos] é importante, como validei de manhã na cozinha, relembrando-a [ao emergir da memória do subconsciente] e [se conseguirmos manter esta consciência maior] então estamos mesmo incarnados e não [semi-] anestesiados ou alienados apenas no corpo. O 6º sentido é então o da totalidade do nosso ser [nos seus corpos], e o sétimo o da consciência.
Acordei também com um clarão de luz no horizonte, amarelo e vermelho, um nascer do sol espiritual. Algo parecido com um desenho estilo antroposófico mas  grande, largo e mais amarelo-cor de laranja.»

II - Dou graças a Deus. Mais consciente do corpo espiritual, olho mais aberto ou unido ao Divino, o qual nas nas minhas orações, meditações e aspirações, flui mais e é sentido no centro do peito...»

III - Andei no [youtube a ver vídeos de] Rupert Sheldrake, Lothar Schafer, Bruce Lipton, mas embora bons não têm tanta espiritualidade ou consciência das ligações subtis que se passam entre a Divindade, a Mente Cósmica e a mente humana. Eu diria mais até: entre a mente a funcionar normalmente e a mais interiorizada, sensível, expandida, subtil, ligando-se ao corpo espiritual e suas capacidades...
Falou a Rosa Maria e virá cá sexta de manhã, desiludida das vigarices do Veiga, da Federação de Yoga... Devia escrever sobre isso...»

IV - Uma das grandes questões que se põe hoje em termos espirituais face aos múltiplos mestres e ensinamentos é congraçar a existência de um espírito individual e a dita não-dualidade, que certamente se pode admitir, seja em termos de unidade de toda a matéria como da consciência.
Se esta dualidade [conceptual normal nas pessoas] está sendo ultrapassada pelo reconhecimento que mesmo a matéria dita inorgânica está dotada de consciência, ou que energia-consciência é a grande substância do Cosmos, mesmo assim não há dúvidas que existem diferenças entre os grau de consciência que os átomos de um cristal de quartzo leitoso, um protozoário, um rouxinol e um ser humano detém, [ou conseguem manifestar, pois mesmo no ser humano podem surgir grandes hiatos ou quebras dela].
Será talvez então exagerado ou despropositado crermos que a realização [máxima espiritual] do ser humano seja a sua extinção, seja num nirvana seja num não-ser, mesmo que possa surgir como libertação em relação ao sofrimento e ignorância em que estava.
Se olharmos para a humanidade, observaremos que mais de 90% das pessoas estão a milhas ou anos de luz de um estado pleno de equanimidade e de libertação e que mesmo ao longo séculos, pese a grande plêiade de santos, santas e mestres, poucos seres atingiram tais níveis de unificação em si próprios e de libertação de desejos no mundo, que possam (ou queiram) extinguir-se "libertadoramente" no fim das suas vidas terrenas. Para quê tanto anterior trabalho, esforço, amor?
Por detrás desta questão espreita-nos outra, a que se prende com as origens e fins da vida humana, nomeadamente se as alma vêm à Terra para aprender, participar, unir-se a Deus, libertar-se da manifestação seja terrena seja subtil, e se depois se extinguem, ou antes continuam noutras dimensões, ou ainda, se pelo contrário, reincarnam na Terra. E sabendo-se pouco disto com segurança ou objectividade, nem que seja pessoal, também as respostas embora muitas são pouco firmes ou seguras...
Embora as experiências de morte temporária, as famosas near death experiences deem já alguns vislumbres, embora os relatos de espíritas, clarividentes e mestres apresentem contributos valiosos, inegavelmente sabe-se pouco dessa vida no além e do tipo de consciência que sobrevive.
Onde a investigação tem mais avançado é no campo da consciência, nas neurociências e na física quântica, começando a adquirir-se uma visão bem mais profunda e fidedigna da natureza dos fenómenos que nos rodeiam e da constituição dos seres, e suas partículas e ondas. Mas ainda há uma clivagem forte entre os que creem que a consciência e o pensamento são produzidos pelo cérebro, e os que afirmam a natureza supra-corporal e cerebral da consciência humana, abrindo-se à existência do espírito subtil independente do corpo físico, e que sobrevive à morte do invólucro terreno.
A realização ou consciencialização deste espírito (que se pode dizer divino) e a assunção das suas qualidades e capacidades é de certo modo o caminho espiritual, a demanda do santo graal.

V - Sentir mais o espírito divino no coração, o ponto de luz que se adora e que as mãos juntas sinalizam (invocam, propiciam) assim senti mais nestes dias e nesta meditação.

VI - Conseguirmos lembrar os sonhos com amor, lucidez e acurácia é aumentar a consciência, é recuperar energias e mensagens dos nossos níveis mais profundos  que jaziam perdidos ou desconhecidos, é comungar com os planos internos pessoais e universais e trazer deles ao de cima da nossa consciência, à da vigília, e  sentirmos que podemos mesmo ao dormir estar a trabalhar com actos, sentimentos, pensamentos, ritmos, impulsões, seja apenas cerebralmente seja em corpo subtil
Respeitamos pouco os nossos ritmos internos, e a vida interna e exterior, em toda a sua delicadeza e riqueza, menos ainda.
Os seres puxam-nos para fora, para uma superfície de aparências demasiado transitórias mas também somos nós que os puxamos para esse níveis reactivos, e não estamos  verdadeiramente plenos, unificados,
Vou sentindo uma certa inutilidade de nos ligarmos frouxamente aos outros, ou que não vale tanto a pena preocupar-nos com eles, e com o que se passa no mundo e que pouco podemos influenciar...
Temos muitos ritmos no interior do nosso ser multidimensional, e quando forçamos alguns temos de os reequilibrar depois. É na auto consciencialização silenciosa ou meditativa, de olhos fechados e respirando lenta e profundamente que sentimos o estado dos nossos órgãos e chakras e que energias ou movimentos eles precisam, o que em geral podemos realizar pela respiração energética para tais zonas e a eventual visualização ou imaginação da partículas energéticas entrando neles. Quanto tempo, com que regularidade, cada ser tem que descobrir por si e ser sincero, e perseverar.
 
Heinrich Khunrath. O Anfiteatro da Sabedoria eterna, 1595. O alquimista no seu laboratório e oratório.
VII - A alquimia interna tem no nosso espírito o fogo, tem no vaso, cadinho ou retorta a nossa alma, e no inconsciente e potencial vital a matéria prima para realizar a grande Obra.
O fogo é a força de vontade, o pensamento-palavra, o sopro, a visão, o corpo espiritual e as ligações superiores, a pedra filosofal, inata ou como pó de projecção ou irradiação
A retorta ou vaso é a nossa alma e aura, o que vamos pensando e sentindo e gerando de corpo psíquico nosso, e que é alquimizado ao rubro nos momentos de lutas, testes, amores ou então de orações, meditações, aspirações.
A matéria prima são tanto as partículas materiais ou subtis, como a energia vital que nelas passa ou elas contém, e que vai sendo trabalhada, gasta, renovada pelos nossos trabalhos, intenções e consciencializações.
Constantemente estamos a modelar os nossos corpo subtis e a estabelecer relações e irradiações luminosas ou não.

VIII - Acordei cedo às 7 e pouco e fiz meditação boa, com o mantra indiano de invocação de Shiva, a felicidade divina: Aum namo Shivaya, tão cantado ou recitado na Índia...
Repetir um pouco um mantra, senti-lo em diversas partes do corpo e aura e sobretudo pronunciá-lo lentamente e conscientemente a partir do coração, com aspiração à Divindade invocada, e para beneficiar ainda alguém ou o mundo, é uma das práticas mais recomendadas nestes tempos mais agitados e violentosque atravessamos e que tanto nos desafiam a estarmos lúcidos e nem manipulados nem demasiados envolvidos. 
                                     Pax, Lux, Amor, Aum...
De Bô Yin Râ.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

O líder do Islão na Rússia, o Grande Mufti Tadzhuddin, explica a luta actual e valoriza a missão da Rússia multi-étnica, multi-religiosa e multipolar

Talgat Safich Tadzetdinov, o Grande Mufti (jurista religioso) da Rússia, proferiu um discurso bem pensado e inspirado, poderoso mesmo,  durante uma cerimónia de homenagem aos indivíduos de vários sectores que se notabilizaram, no serviço público, religioso e governamental, e que foram condecorados por Vladimir Putin. 


Talgat Safich Tadzetdinov (n. 1948) começou por saudar o "respeitado e querido" Vladimir Putin, realçando uma frase pronunciada por este há poucos dias numa homenagem aos heróis da luta actual, na qual captara bem o espírito da nossa sociedade e do nosso tempo: «é impossível conquistar ou quebrar a Rússia», considerando-a bem provada ao longo dos séculos, tal como a frase  de que «temos o poder das armas e a força do espírito do nosso lado». «Todos nós  habitantes da Rússia, islâmicos e adeptos de várias religiões sentimos que venceremos de certeza, pois a verdade é nossa, e a força do espírito é nossa», disse em seguida. E interrogando-se acerca da proveniência da Verdade, explicou que cada ser tem a sua verdade, mas nós de qualquer religião na Rússia, herdamos e seguimos os valores morais e espirituais, recebidos do Deus de todo universo, e não estamos só a reclamar as terras que são nossas, pois o nosso país é vasto, englobando dois contimentes, tendo os Urais como coluna vertebral. 


 "A verdade vem de Deus", disse, e congratulou-se com tal realidade estar agora reconhecida na constituição russa. Considerou que estão protegidos por Deus  e salientou como a pedra angular da Rússia são de facto os valores espirituais e morais da nação, enraizados nas fés tradicionais das diversas religiões existentes na Rússia e que com pequenas diferenças, secundárias ou terciárias, estão unidas no culto da Divindade Original e da Mátria e Pátria, como recentemente salientara o patriarca Kirlov. E a força do nosso espírito vem de Deus pois é dele que veio a nossa alma [explicação numa visão religioso-espiritual não muito exacta...]

 Salientou a unidade de todos os cidadãos russos, incluindo os muçulmanos, na defesa da sua terra e da sua cultura,  com as armas, e abordando  as tensões mundiais, manifestou confiança em que a Rússia perseverará contra qualquer ameaça externa, num mundo em torvelinho, afirmando que para além da Rússia corajosamente estar  a defender a sua terra, campos, rios e populações onde estão todos a crescer, assentes sobre o pó dos pais, avós e antepassados, está também a defender a multipolaridade justa mundial e que chefe ou país algum conseguirá destruir a Rússia ou fazê-la perder a sua paz interior e soberania. Criticou o que se passa na Palestina e realçou o perigo do terrorismo absoluto brotar agora (destruição do estado Sírio pela Turquia e Israel e os rebeldes ocidentais) do Médio Oriente para a Ásia central e o resto do mundo. 

E respondendo à pergunta de muitos se haverá um Apocalipse ou uma III grande Guerra afirmou que como crentes sabemos que  o fim dos dias  é uma experiência individual: diariamente amigos, familiares e bem amados morrem e passam para o mundo sempre presente ou eternidade,  mas um Apocalipse global só pode ser arranjado por Deus não pelo colectivo ocidental ou a América, não importa quão grande seja a sua arrogância.

«Um mundo multipolar existe e a grande maioria das pessoas e nações que aspiram a valores morais e espirituais, à fé e à moral ética, olham para a Rússia unida. O   BRICS e o recente encontro Kazan, bem como maioria dos países islâmicos, manifestam-no claramente. O patriarca Kirlov disse recentemente num encontro internacional: «Nós não temos medo do Apocalipse», e não devemos  tremer quando se fala do Apocalipse nos noticiários da Televisão. Os cientistas discutem o universo em expansão e que um dia colapsa. Nenhum mensageiro do Todo Poderoso, incluindo o profeta, Maomé disse que haverá um apocalipse enquanto houver um ser na Terra que creia verdadeiramente em Deus e  se volte para ele e o chame: "- Meu Deu, meu Deus";  mas mesmo se ele viesse, se tiveres  uma semente na mão, planta-a e isso ser-te-á contado.   

No campo da batalha, nenhuma força colectiva, nem sob a liderança de quem se imagina o faraó do mundo,  nos poderá derrotar. Isso tem sido provado ao longo dos séculos. O nosso multi-étnico e multi-confessional país preservar-se-á internamente e não sucumbirá a qualquer provocação. A nossa tarefa mais importante e sagrada  é manter paz e tranquilidade dentro do nosso país e preservar  a unidade, liberdade e soberania da nossa terra natal. Graças...»

No fim do seu discurso, depois de dar glória à Divindade Toda Poderosa, realçou que entramos no novo século, e que é um século em que a Rússia crescerá bem e que a actual Operação especial providencia um tremendo exemplo  e experiência para a juventude,  concluindo com o: - Que Deus vos abençoe...

                             

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Das almas místicas e do valor perene da sua aspiração e ligação a Deus. Vídeo de 20 minutos.

 

                                   

Gravação matinal de 12 de 12 de 2024.

                             

sábado, 7 de dezembro de 2024

Ícones esculpidos da Divindade Feminina, ou da Mulher como incarnação Divina, ou da seidade e energia divina feminina.

 Esculturas sagradas da Mulher como incarnação Divina,  manifestação do Princípio Feminino Divino, a grande Deusa na antiguidade, apoiando-se ou brotando da concha do Oceano (samudra), de Vishnu Narayana, a Divindade primordial na tradição indiana, Sanata Dharma.

 Da tradição antiquíssima indiana, a Shakti devi, Maa, a Deusa Mãe Terra, em argila-pedra...
Da tradição portuguesa e ibérica, a rainha Santa Isabel e a sua irradiação ou partilha das rosas da alma, pelo amor, a compaixão, a fraternidade, a criatividade e o culto fraterno e multipolar do Espírito Santo.
     Do Egipto milenário e perene, Ísis, protectora do Conhecimento e do filho Divino, e que chegou a ser cultuada em Lisboa.
O culto de Maria, Nossa Dona, foi levado pelos portugueses até ao Oriente e foi bem aceite pois já haviam muitas deusas, pois a Shakti era adorada interna e externamente... Ave Maria, Ave Mater, Om Shakti Om!

Pelos longos cabelos de Shri Lakshmi ecoam as litanias divinas, como as dos sargaços ondulando maviosamente nas águas e que o nosso Leonardo Coimbra tão bem soube cantar, no seu livro Adoração, um hino à Divindade na mulher sagrada e sacralizadora, tão próximo e dentro dele através de, e na, sua mulher...
Lakshmi abençoa milhões de indianos que encontram nela a face divina deles e a cultuam como a energia da Divindade suprema, doadora ou inspiradora da beleza, fidelidade, prosperidade..

Coimbra, nas margens do rio Mondego, sacralizou a rainha Isabel, Is-abel, santificada pelas diplomacias e milagres de cura que a fé dos seus devotos operou  tanto da matéria prima em decomposição do seu corpo como do brilho do seu espírito inspirador e terapeuta.

Kuan Yin, uma das deidades do Budismo, numa imagem da tradição Tibetana,  talvez próxima das que o Padre António de Andrade viu em Chaparangue em 1624 e pensou ser um vestígio da revelação do Cristianismo, embora esta não tenha um menino ao colo e, bem concentrada, poderosa, segure o vaso do elixir da imortalidade numa das mãos, e tendo o rosário (mala) com caveiras, e a energia da sua cabeça, cabelos e ara, centralizada numa coroa com simbologia ascensional... Ao alto, pela compaixão forte e firme...
           Ísis, is-is, Ihs, Iao, sons sibilantes, tal como Shri, singrando na música das partículas e esferas, pelos ouvidos físicos e subtis...
 Harmoniza-te, medita, ora, persevera e intensifica a ligação entre o Céu e a Terra, o mundo espiritual e o humano. com o Ihs do Logos, na Luz divina, e o fogo Agni, Ignis, no coração.
 
      Abre-te mais à luz do Amor e Logos, aspira a ela, flui nela, comunga nela....

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Nos 401 anos de Soror Mariana da Purificação, uma mística abrasada de amor, do convento da Esperança, de Beja.

Soror Mariana da Purificação nasceu numa família numerosa devota, a 5 de dezembro de 1623, em Lisboa, filha do ourives António de Azevedo e de Maria da Cruz, os quais proporcionaram aos filhos uma boa educação, frutificada em dois irmãos religiosos e duas irmãs sorores. Cedo fora atraída para a religiosidade, a Divindade, pois já aos cinco anos, talvez com algum exagero do seu biógrafo e sobrinho, pedia a Deus para lhe abrasar o coração nos incêndios do seu amor divino, e ser santa, mas só aos quarenta anos, depois de ter gerido a educação dos irmãos mais novos, por morte precoce da mãe, é que recebeu o hábito de religiosa carmelita, prostrada no chão do Coro do Convento da Esperança de Beja, onde o seu irmão era confessor, professando no ano seguinte, e vivendo trinta e dois anos de hábito religioso, por duas vezes mestra das noviças, tornando-se a prioresa em 1680, o que exerceu até deixar a Terra com sinais de bem-aventurança, em 8 de dezembro de 1695, dia de N. Senhora da Conceição. Foi biografada, conforme os cadernos escritos por ela (e o que ele alterou), pelo sobrinho Frei Caetano do Vencimento, num in-4º volumoso, dado à luz em 1747, onde se destacam as suas austeridades, sofrimentos, êxtases, visões e revelações, que o seu primeiro confessor frei António Escobar a incumbira de escrever. Posteriormente, em 1802, Frei Miguel de Azevedo publicou mais concentradamente o Memorial das instructivas palavras e edificantes obras da muito virtuosa Madre Marianna da Purificação, acrescentando informação relevante recolhida nos manuscritos da venerável soror Mariana.

Foi uma das místicas biografadas de setecentos que mais manifestou o fogo do Amor, descrevendo como o sentia e patenteando ainda certas capacidades, tais como discernir o interior das pessoas, e logo conseguir aconselhar e até vaticinar.
A sua pessoa e vida, por denúncia de ter gerado falsas previsões ou prof
ecias (em grande parte espalhadas em seu nome por um criado  hostil a ela) e por dúvidas da veracidade das suas vivências, foi investigada em 1669 pela Inquisição de Évora, a qual, embora não a condenando por fingimento, pôs em causa a fonte divina das visões e locuções recebidas e proibiu que ela fosse tida como santa e publicitada. Contudo Frei Caetano do Vencimento garantia cinquenta anos depois, em 1747 que a sua virtude fora reconhecida e que Deus obrava maravilhas através dela, dando ainda como prova o facto que depois de morta, por quatro vezes, em quarenta anos, o seu túmulo fora aberto e o corpo encontrado incorrupto, com grande concurso de povo e curas miraculosas. Anos depois o próprio historiador e insuspeito Frei António do Cenáculo confirmava tal após novo exame. Na biografia Frei Caetano Vicente faz crer que ela ainda poderia ser beatificada, afirmando que a imagem (ou relíquias) da Venerável Mariana circulavam, inspiravam e curavam, o que Frei Miguel de Azevedo em 1802 confirma. De tais registos, sobreviverão três na arca da Biblioteca Nacional... 
Era muito forte em jejuns e abstinências - sustentando-se mais da hóstia ou da Chaga do lado e, na essência, do amor a, e de Jesus - ou então por vezes de pão, e azeitonas ou um ovo -  e mesmo quando se batia e feria com disciplinas  dizia que sentia fortemente amor e a vontade de ir pelo mundo apregoar o amor Divino de Jesus. Durante os jejuns, ou diante de registos ou santinhos que tinha dentro do breviário, recebeu fortes visões interiores do Menino Jesus ou mesmo locuções com uma voz de tal suavidade que ficava como que alienada dos sentidos, arroubada, ou fora de si.
Nesses estados extáticos chegou a ser vista com a cara resplandecente e na face uma Estrela, o que seriam, a ser verdade, possíveis sinais de visão da aura mais luminosa e da centelha do espírito. Narra o biógrafo, fazendo sem dúvida apostolado da causa, que para a sua irradiação espiritual e intercessão divina podiam servir de veículo o seu terço, se alguém rezasse por ele, bem como uma cruz que tinha na sua cela e emprestava, algo que no processo inquisitorial, que não acarretou qualquer declaração pública, tinha sido proibido de se fazer ou divulgar. Em 1802, Frei Miguel de Azevedo confirma tal  dizendo que um crucifixo pequeno dela e que estava em seu poder era o que de mais valioso tinha.
Quando estava em estado intensificado energético-consciencial, ou agraciada divinamente, quase desfalecia ou saía de si por causa do calor do amor, 
ou então ora  ria muito, ora consolava e aconselhava as noviças, ora despachava benignamente as petições que lhe faziam, o que encontramos, num comparativismo religioso, na tradição indiana com a mítica árvore (Kalpa Vriksha, ou Kalpataru) que satisfaz todos os desejos ou aspirações espirituais  justos, e que Sri Ramakrishna Paramahamsa manifestou num dos últimos dias de vida, a 1 de Janeiro de 1886, no jardim de Kashipur, para os seus discípulos e devotos.
Na vasta cerca do convento, hoje um aprazível e florido jardim no centro de Beja, para além de ter instado para que se abrisse um poço a dinamite, com sucesso, sendo mesmo a sua água buscada como mezinha, conseguiu que se construísse uma ermida do Deserto, também chamado Empireu do celestial Esposo, deserto ou gabinete da venerável Mariana, onde se pintaram (nascimento de Jesus, Elias e S. Teresa) e receberam belas imagens, relíquias, poemas, e onde à volta as religiosas cultivavam (biológica ou naturalmente, claro...) ervas aromáticas e medicinais e vistosas flores que, com os afectos dela, serviam ao culto ao Divino Amor que realizavam na Ermida. Valorizava as flores, pois nas suas visões os Anjos levavam coroas ou capelas de formosas flores, por vezes com tochas de velas acessas, sinais das irradiações subtis e divinas, naturais em tais espíritos...
Sentia em geral o seu Anjo da Guarda dar-lhe a mão e ampará-la nas deslocações e em especial durante a missa,  na qual vivenciava intensos estados amorosos na comunhão, tendo chegado a ser elevada ao mundo celestial. Outras vezes a presença de muitos Anjos, de diferentes tamanhos, ou a suavidade de vozes suaves e finas, era vista ou sentida com os olhos da alma.
Eis alguns dos seus mantra
s ou jaculatórias, dedilhados em momentos difíceis ou gratos: “Jesus, nome de Jesus seja comigo”. “Minha alma, meu bem e todo meu amor”. “Seja Deus muito bendito e louvado nos céus e na terra.”1

Considerava-se uma discípula de S. António e de sua mestra S. Teresa de Jesus mesmo antes de ser freira, pois tinha-lhes grande devoção e lera-a muito , assimilando-a e imitando-a. E por vezes via-os, ou aconselhavam-na, intensificando-lhe os impulsos ígneos, fazendo-a desejar que todos se abrasassem naquele fogo de amor.
Tendo sido mest
ra das noviças por duas vezes, é valiosa a visão interior da transmissão de mestra a discípula, quando rezando as matinas num dia   viu, com os olhos da alma, de um resplendor dourado de oito raios na sua cabeça, saírem oito fios para as oito noviças, com resultados diferentes nelas conforme a harmonia anímico-espiritual que tinham.
A afirmação de que nos dias do
Apóstolos, de N. Senhora e dos Santos de quem era mais devota, o Senhor Jesus Cristo lhe dissera que fazia-lhe a mercê de levar muitas almas ao Céu por meio de suas orações, foi pelo Inquisidor considerado como uma ilusão de poder intercessório, conforme os autos processuais hoje em grande parte já conhecidos, embora tal capacidade seja frequentemente afirmada por muitas almas agraciadas nas suas orações. Também, na sua biografia, talvez não plenamente fidedigna e até contrariando as recomendações do Tribunal, diz-se que a veneração e a fé com que relíquias das suas vestes, pedaços de papel escritos por ela (engolidos até...), a sua imagem em gravura ou pintura e outros objectos foram acolhidos como meios de graça curativa e operaram milagres atestados na época, algo sem dúvida possível pois a crença e fé são bem poderosas frequentemente 2. Durante muitas décadas a devoção a ela e ao seu corpo tido como incorrupto foram grandes.

Finalizemos com três dos seus testemunhos: “Nesse dia comungando com grande consolação da minha alma me recolhi logo no coração do meu Esposo, que é o meu perpétuo lugar: nele logrei os costumados favores (…, e, cumpridas as rezas,) me tornei a recolher ao meu Coração do meu Jesus, que meu lhe posso chamar, ainda que indigna, pois nele vivo sempre, sem desejo de outras coisas desta vida.” Eé tão grande o fogo que arde no meu peito, que me parece sentir estar ardendo, sem poder valer-me, e desejo deitar de mim todas as roupas, e assim ando adiando, e desejando voar por este mundo a apregoar este amor, que com tanta força arde em meu peito e coração”. E na linha da religiosamente multipolar compresença divina: “Vivo, e muitas vezes me parece que já não vivo, se não que vive em mim Deus, vive em mim seu amor, sua glória, sua bem-aventurança...” 

Bibliografia: VENCIMENTO, P. M. Fr. Caetano do. Fragmentos da prodigiosa vida da muita favorecida, e amada Esposa de Jesus Cristo, a Venerável Madre Marianna da Purificação, Religiosa Carmelita Calçada (...) no convento da Esperança da Cidade de Beja ... Lisboa, na Officina de António da Sylva, 1747.

Notas: 1 - VENCIMENTO, P. M. Fr. Caetano do. Fragmentos da prodigiosa..., p. 159.
2- RANGEL, Leonardo. Esposas
de Cristo: Santidade e Fingimento no Portugal Seiscentista. 2018.

Que as sorores nos inspirem na luz e amor Divino

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Escritos no diário de 2004: da morte e partida da mãe para os mundos espirituais e da perenidade do amor unitivo...

Pintura dos mundos espirituais pelo mestre Bô Yin Râ...

Escritos no diário de 2004, Inverno, 2 de Janeiro, cerca de noventa dias após a morte da mãe, ou partida materna para as dimensões subtis deste Cosmos maravilhoso, todavia bastante diabolizado pelo egoísmo e crueldade de muitos, sobretudo dos políticos ocidentais que tanto desgraçam os cidadãos, a justiça, a fraternidade, o Bem, a Verdade e a Terra, Gaia, Gea...
«Escrevo sobre a mãe.
Alguma dor de ausência, que ainda não sentia, talvez por estar só afectivamente-intimamente, ainda que em projectos e actividades. Mas [sinto-me] literalmente só, [e] não sei se é por ela estar mais longe, se é por vaga sensação de desprotegimento, se é pelo meu isolamento relacional...
Gostava de não pensar em nada deste mundo e apenas nas bênçãos divinas para a mãe, num mundo ou plano espiritual de luz e em que estejam o pai, a mãe e o mestre. E que das minhas mãos e coração, ao orar por eles, a minha melhor energia anímica se eleve e chegue até eles.
Ondas e fios de luz viajando pelo universo e através deles fluindo amor, afectividade e força, banhando as suas almas e introduzindo nos seus corpos subtis mais umas partículas de aspiração espiritual e de religação divina.
Leve dor, leve marejamento, amor que se foi enquanto presença física, época de convivialidade e de família que já desapareceu da vivência actual. Mas creio que quem ou o que amamos nunca se perde, continua vivo e recuperável na memória anímica do coração.
Como as fotografias antigas do séc. XIX que me fascinam na beleza de almas individualizadas em corpos de que já nada existe senão a imagem fotográfica e o nosso poder de as admirar e, ao senti-las, fazê-las renascer na nossa alma, em sintonia com certas forças e imagens existentes nas dimensões subtis e ligadas às suas entidades.
Aqui registo esta leve sensação de frio exterior, de dificuldades exteriores, de ausência da presença carinhosa e protectora da mãe, quem sabe se agora mais perto mas por estar invisível gerando esta sensibilidade dupla.
Quem sabe o que quererá dizer? Quem sabe se nesta dualidade do frio da ausência e do calor amor que sabemos unir os espíritos que se amam, esteja um ensinamento, um estímulo ou impulsão para cultivarmos mais na meditação e oração verticalizante o fogo do coração espiritual e a irradiação da energia psíquica e amorosa dele?
Muita luz e amor para a mãe, o pai e os outros espíritos que com eles estão ou convivem!
Aum, Amen, Lux, Amor, Theos, Ishta Devata...

                                                               

A má calculada incursão dos terroristas de Idlib, apoiados pelo Ocidente, a Turquia e Israel, no coração martirizado da Síria


 

Na martirizada Síria o autêntico "eixo do mal" (USA, NATO, Turquia e Israel), cometeu um erro, um mau cálculo (tal como aconteceu com a recente invasão de Kursk, na Rússia, por parte do regime de Kiev) dando ordem de avançar aos terroristas rebeldes que estavam acantonados com segurança de paz em Idlib (por um acordo, agora estilhaçado para mal deles), e embora tenham entrado em Hama e em Aleppo e matado, destruído (em especial imagens de Assad e cristãs) e saqueado à vontade, agora os sírios, com apoio dos aviões russos e das milícias populares dos iranianos e iraquianos, estão avançar e a reconquistar, para além de terem começado a destruir os centros dos terroristas em Idlib. Pensaram que podiam aproveitar o desgaste que Israel tem infligido na região com os assassinatos em série dos militares e dirigentes dos países que se lhes opõem, mas podem ter-se enganado e por tal mal cálculo poderão pagar seriamente. 

Um sinal da mão norte-americana, turca, israelita e da União Europeia que suporta e financia a vida dos terroristas no território ocupado e rico em petróleo de Idlib, pode ler-se na Tass.com, vindo do comando militar norte-americano, ou seja, o famigerado Pântá[gon], que informou que activaram o canal de comunicação com a Rússia sobre os desenvolvimentos na Síria, com o porta-voz do Pentágono, Patrick Ryder, a dizer: "Não entrarei em detalhes sobre essas conversas, excepto que temos esse mecanismo de comunicação para prevenir possíveis erros de cálculo."....

Julian Assange, um Cristo dos tempos modernos, pioneiro no desmascarar da monstruosidade do imperialismo do Pentágono...

Erraram e a lei do Karma funciona sempre, seja neste mundo, seja nos outros planos de multidimensionalidade da vida cósmica e divina, e a hubris ou arrogância da impunidade, invencibilidade, excepcionalismo e hegemonia norte-americana, israelita e ocidental não tem direito (humano e planetário) nem razão (cósmica e divina) de continuar a fazer sofrer milhões e milhões de seres...

Uma táctica que Israel, considerado pelo Ocidente vendido como o país mais democrático do Médio Oriente, tem aplicado no seu diabólico genocídio e urbanocídio dos povos e terras que o rodeiam.

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Talvez quem tenha perdido mais seja Erdogan, desmascarado, subserviente a Israel e à NATO, e atraiçoando a amizade com a Rússia, a principal defensora da Síria livre desde há muitos anos. Da acção e intenção israelita fala-se num bom canal: https://www.presstv.ir/Detail/2024/12/02/738344/Kedar-Israel-Syria

Amen, Aum, Hum, Hri...

Entretanto no Vk. com, uma rede não controlada pela oligarquia opressiva ocidental, onde estou e que recomendo, o amigo Tim Anderson, português, partilhou a notícia do bem informado grupo que se intitula The Oval Office:
«Notícias do amigo sírio "J" que está próximo do SAA», isto é, do Syrian Arab Army, do sábio, resiliente e ecuménico presidente sírio Bashar al-Assad... Muita luz, força e paz no povo sírio!

"Após quatro dias de choque, começámos agora o contra-ataque, e os terroristas foram impedidos de entrar em Hama, e o exército recuperou o controle de algumas cidades no campo norte de Hama em direção a Idlib. Aviões sírios e russos estão a atacar os principais centros do Front Al-Nusra na área de Al-Ghab e dentro da cidade de Idlib e nas principais cidades da Província de Idlib, e o Exército Árabe Sírio está a caminho de retomar o controle de Khan Shaykhun, Maarat al-Numan e Saraqib... Os terroristas estão a chamar e a gritar para serem salvos nessas áreas. O Exército Árabe Sírio está a mover-se com cautela em direção a Aleppo porque há muitos civis dentro da zona, no campo e nas cidades, mas já conseguiu controlar Athariya, e acredito que Khanaser, e está a caminho de libertar Al-Sfira também... Há poucas notícias sobre a frente de Aleppo devido à gravidade da batalha, mas posso garantir que nos próximos dias ouviremos boas notícias. Aqui na Síria, a nossa moral está muito elevada, e esta será a nossa última batalha. Venceremos e derrotaremos  o terrorismo e os seus apoiantes." 
Adenda no dia 8. Infelizmente o ataque terrorista triunfou e cremos que a integridade da Síria será retalhada, pois o seu governo, dos terroristas dos mais fanáticos, está vendido ao Turcos, Israelitas e Norte-americanos....
 
                                  

 Entretanto o  Conselho dos Sheikhs e Notáveis das Tribos e Clãs Sírios no Distrito de Al Hasakah afirmou o seu apoio ao exército e à liderança e que " colocamo-nos à sua disposição para confrontar o terrorismo.". @SNNenglish...  Adenda, do dia 8: Infelizmente quantos destes serão mortos...