terça-feira, 26 de maio de 2020

Poema a Joaquim Agostinho, ciclista, na sua morte. Do diário de 1984, no Porto, no meio das aulas de Yoga..

Na minha adolescência Joaquim Agostinho foi um dos pequenos heróis, que nos Verões nos animava nas suas batalhas contra si próprio, os elementos e os outros ciclistas, e as estradas com montanhas empinadas e descidas perigosas. 
Um pouco antes de ele morrer tão precocemente (1943-1984), quando estava na Índia e numa viagem de bicicleta mais difícil de alguns quilómetros de Auroville, a cidade do futuro que então nascia do sonho de Sri Aurobindo e da Mãe, e à qual me enviara o meu mestre de então, o Kavi Yogi Shudhananda Bharati), para Pondichery e volta, foi com o seu nome como mantra que consegui esforçar-me mais e fazer a tempo tais trajectos. 
Por isso, quando ele teve um acidente que se antevia fatal, estando eu a orientar aulas de Agni Raj Yoga no restaurante dietético e espaço alternativo Suribachi (ainda hoje a funcionar à rua do Bonfim, Porto), registei-o numa folha de diário de 1984. E, nestes tempos de relativo confinamento e arrumações de papéis, veio ao de cima e transcrevo o que senti, pois é uma homenagem poética e espiritual, qual oração, a Joaquim Agostinho. 
Muita luz, amor e ligação divina para o seu ser, onde estiver.
             «1 de Maio. 
Trovoada e granizo na cidade. 
Meditações, escritos, movimentação, refeição, ida ao cemitério e conversa com adventistas (um pouco fanatizados). Choro com um filme na TV, e há invocação do [mestre] Morya por não o estar a acompanhar.
 Oro por Joaquim Agostinho, um companheiro em coma.
 Sinto gratidão pelo que o Porto me tem dado de coisas e de pessoas.
Foi uma estadia passageira mas com alguns ensinamentos feitos a pessoas nas aulas de Yoga:
Maria Emília e João Aidós, despertaram.
Maria Elisa e Manuela.
Maria Augusta, [as duas professoras] Manuela e Eugénia e [a enfermeira] Fernanda.
Conversas frequentes com Sant'Anna Dionísio e Dalila Pereira da Costa.
Textos que dei para as aulas
Escritos para jornal.
Preparar melhor os alunos.
(...)
Próximo ano vou dar só seminários intensivos em fins de semana, procurando antes estabilizar e trabalhar a terra e o céu. Preciso de trabalho físico, contacto com espíritos da natureza. Aqui na cidade asfixia-se. Depois preciso de independência, de criar o ambiente e os horários naturais. É certo que ainda sou apenas um discípulo, um indivíduo a disciplinar o seu eu inferior. Por isso, mais ainda preciso de fortificar este estado, para poder mais tarde veicular as transmissões divinas.
Começar a dar mais coisas e estados às pessoas...
*-*-*
  «Joaquim Agostinho, um dos maiores heróis portugueses dos últimos tempos, morre lentamente. Minha alma está triste. A própria natureza chora em raiva impotente. É um campeão que se esvai. Um descuido, um pequeno esforço a mais e eis uma vida desfeita.

Salvé, Agostinho, valente escalador das montanhas,
destemido aventureiro de músculos rijos
e decisões fortes e firmes.

Salvé, Joaquim Agostinho, 
que os Anjos e os Mestres estejam contigo,
que as bênçãos de Deus te iluminem,
que a Luz e Amor te guiem, amigo.
Rotas cruzadas na terra, agora eleva-te no éter,
transforma a tua força em aspiração a Deus.»

Pintura de Bô Yin Râ. O caminho para a montanha divina, Himavat. Que Joaquim Agostinho a possa contemplar ou mesmo subir, tal como nós. Aum...

domingo, 24 de maio de 2020

Às Musas, Tágides e almas afins, no Graal da Poesia e do Amor...

 Mais uma recolha de um poema, escrito há uns 4 anos antes de ir participar numa tertúlia poética, de certo modo invocando a inspiração, o mistério da poesia, da musa, do fogo do espírito e do entusiasmo, e entregue às Tágides nossas e almas afins...

A poesia é uma musa
Que cada ser tem em si
Mas como pouco a sintoniza
Dispersa-a sem a Luz sua.

Quis então rasgar o peito
e encontrar-te no coração
Desconhecia que me envolvias
e que tua alma é uma com a minha. 

Musas somos todos uns dos outros,
caminhamos espargindo clarões
na noite escura da indiferença,
e que felicidade há na comunhão.

Perguntei ao Espírito
que me inspirasse mais
e ele mandou-me
a ti me dirigir.

Assim tracei esta poesia
e num barco de papel
entreguei-a às Tágides
e ela aí vai rumo ao Oceano.

Comungar de uma tertúlia
é sempre muito auspicioso.
Quem sabe que musa ou graça
Desce dos céus e nos ilumina.

Assim dediquei esta poesia
às almas luminosas e afins
que neste Graal da Poesia
fazem o milagre da Unidade
e cultivam o Fogo do Amor
que a todos os intensifica
e em todos quer arder mais.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Um poema de ensinamento espiritual, de Pedro Teixeira da Mota.

                                              
Diz-me, persistes tu no ritmo certo
que te leva às profundezas e às altitudes
que desvendam as potências do ser na vida
e te abrem as portas do mundo espiritual?

Tens de persistir na subida da montanha,
tens de bater repetidas vezes no portão
que se abre para dentro do teu coração
se queres ver mesmo amanhecer a Verdade.

Tens de humildemente orar e silenciar,
Invocar e contemplar em aspiração,
até o mundo espiritual te poder abençoar
e ficares feliz com a desejada unitiva visão. 

Comungar com o anjo da Guarda subtil,
contemplar a mística estrela pentagonal
e por fim comunicares com os mestres,
eis as etapas no caminho para o divinal,
para que vivendo tu em verdade e a amar
Deus possa renascer em ti e te plenificar.
Vale!
Escrito. 0o:04 de 22.V.2020. E corrigido às 21:33.

Um poema espiritual à Divindade, por Pedro Teixeira da Mota.

   Mais recolhas de poesia, esta de 5.X. 2019:


«Meu Deus, eu te amo dentro de mim,
Dentro dos MadreDeuses que te cantam,
Dentro dos que visito em doenças.

Como gostaria de onde chegar,
Com quem estivesse a conversar,
Transmitir a tua irradiação viva,
Acima de obstáculos e intrigas.

Meu fundo e centro ignoto,
Dá-me forças para a ti me doar,
Dia e noite a ti consagrado,
Capaz de arrancar pessoas das trevas
E pô-las em melhor sintonia contigo.

Centro íntimo de cada alma viva,
Sim, eu te adoro servindo-te
Nesta rutilante aventura da vida
Em que ora sofremos ora rimos.

Danças, gemidos e paralisias,
Partos e rasgares do peito,
Amor a sair pelas janelas do peito,
Fogo ardendo pelos céus acima,
Queimando distâncias e limitações,
Unindo almas e solidões.

Chegar ao fim do dia
E o coração ser um vulcão.»

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Ensinamentos do Amor, em postais.

                             Abrirmos as portas do coração, da alma, da confiança, do amor...
Oh tu, alma amada,
 distante no espaço
embora possamos comungar na telepatia, 
que liga quem se ama.

Gostar é já o começo da possibilidade
 do amor se intensificar,
do virtual desabrochamento do centro do coração
que se abre e derrama a essência do nosso ser para o outro,
tingindo-nos dele. 
 
O Amor é assim estarmos em unidade sacrificial e graciosa.
Parte de vários níveis, os principais sendo
o coração como sede do afecto
e da irradiação subtil do enlaçamento
ou harmonia desejada com os outros,
sendo a aspiração a Deus, ou Amor a Ele,
fonte de Amor, a sua base e o seu pináculo.

O amor humano é uma tentativa 
de se alcançar a comunhão do Supremo Bem com outro ser,
o que é então uma tentativa de dois seres
assumirem a Divindade neles.
O Amor une então dois seres à Divindade,
ao Amor Primordial.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Da demanda espiritual por entre o espólio de Fernando Pessoa: um poema espiritual e rosicruciano, de Pedro Teixeira da Mota.

A minha peregrinação no espólio de Fernando Pessoa, na Biblioteca Nacional de Lisboa,  começou no ano de 1986 e foram três anos de muitas horas dedicadas a decifrar e a ler os seus papéis dispostos em pastas e que ia transcrevendo para um e depois dois cadernos, a que se juntavam fotocópias de numerosos documentos, em especial os mais difíceis e valiosos, resultando disso após moroso e amoroso trabalho a impressão de quatro livros de inéditos e vários textos e conferências. 
No ano de 2020, graças ao confinamento, pude ordenar melhor o imenso arquivo de escritos soltos, ou de diários. Ou então de cadernos temáticos, como esses dois dos documentos de Fernando Pessoa.
Ora por entre as transcrições de poemas ou sobretudo textos ocultistas, ia escrevendo algumas reflexões ensaísticas ou mesmo poéticas, de algum modo lançando as minhas flechas semi-poéticas e tentando sondar os mistérios do ser e da espiritualidade, em geral, em Fernando Pessoa, em mim, na Tradição Espiritual Portuguesa. 
No meio da tarefa de decifração e entendimento da opus pessoana, tais momentos auto-criativos eram como um súbito respirar por mim próprio, na elevação vertical que as minhas forças geravam em diálogo com a demanda de Fernando Pessoa e a Tradição Perene,  muito certamente sinais da comunhão no fogo comum que alimenta, inspira ou intensifica os peregrinos e espirituais. 
Eis um deles, embora a transcrição fiel de 2020 deu lugar a uma melhorada em 2021, como pode discernir pelas diferenças efectuadas:

«Participando da mensagem de Pessoa
somos então emissários dum Oriente oculto,
mistério traçado nas linhas invisíveis do futuro.
Acreditamos então na vida, este jogo sem fim de se erguerem
histórias contadas das dores e alegrias
sem fim do mundo,
Em nós então recuperando tábuas de salvação de comunhão.
Remos traçando rotas nos desertos das multidões de pensamentos,
Solitários  cavaleiros esquadrinhando horizontes infinitos,
sob a calma abóbada divina ora silenciosa ora esfuziante de sons.
Assim participamos nesta vida invocando a sagrada consciência,
esta chama que em nós relampeja e dá calor ao corpo e luz à vida,
e ousamos então ressuscitar nossas almas, séculos oprimidas,
levantá-las em comunhão com o que Pessoa revelou na intuição
de que afinal a demanda do santo Graal é aceitar de Deus o sinal
 da descida da luz poderosa, em nós subindo a gratidão amorosa.
Assim vivemos a Rosa da cruz, o Amor vencendo o sofrimento
Olhos irradiante para que os males sejam dissipados pela Luz,
Elevando-se o nosso ser à irradiação da Glória e do Amor Divinal.»


terça-feira, 19 de maio de 2020

Poesia da Natureza e do Espírito, com desenhos simbólicos. De Pedro Teixeira da Mota.

Nestes tempos de maior recolhimento, e logo de arrumações e ordenações de milhares de escritos, em papéis soltos por vezes com desenhos, gerados ao longo dos anos, alguns vêm ao de cima e pedem-me para os salvar do anonimato ou mesmo da destruição e lançá-los antes ao graal de almas amigas (e da posterioridade...), as quais poderão talvez recebê-los com algum benefício, tal como o de lerem (palavras e símbolos, estes algo subtis...) e contemplarem ou comungarem a mensagem poética, depositada tão fragilmente em papel azul leve mas contudo invocadora das potencialidades e perenidades de cada alma, na Unidade e no Infinito... 
                                        Aum... 1 à UM.....



«As poesias
Cantigas,
árvores e o vento
Lamentos da chuva.

Em cima da mesa a uva
E do tanque a frescura.

Passa a hora
na planície
E só o viajante passa
Está só de si mesmo
É parte do todo.»


"1 à Um"    "Viajantes serenos na Unidade de tudo"   *