quinta-feira, 17 de maio de 2018

"Pôs-te Deus sobre a fronte a mão poderosa". Soneto amoroso de Antero de Quental, na edição de Sténio..

Foi em Dezembro de 1861 quando Antero de Quental era estudante de 19 anos em Coimbra que os seus primeiros sonetos brotaram à luz em livro. O editor, rezava o frontispício, era Sténio, pseudónimo de Alberto Teles Utra Machado (1840-1923),  amigo açoriano de Antero, então líder dos estudantes  mais desassossegados ou despertos e que nesses sonetos expressava tanto o seu grande amor como  as aspirações, dúvidas e idealismos da sua geração.  
Um dos raros exemplares e que passou pela Eclética Livraria Alfarrabista em 2015.
Após um poema de Alberto Teles de apresentação, Pela mão vos trago o vate, surgem oito páginas dedicadas a João de Deus, doze anos mais velho do que ele, nas quais Antero transmite a sua teoria poética, enaltecendo a simplicidade e beleza do soneto, a importância do sentimento - o instinto da alma - e a penetração da inteligência-consciência no íntimo da alma até formar as ideias, que serão depois revestidas das formas buriladas e perfeitas do soneto, no qual ritmicamente se converge para o fecho, a chave de ouro. Por fim, mostra os principais elos da tradição espiritual do soneto em Portugal, apresentando Camões, Bocage e João de Deus.
São vinte e um os sonetos apresentados, número que poderia ser simbólico na sua relação com o Tarot e o arcano XXI, a Coroa ou Mundo, mas que Antero desconhecia provavelmente, dedicados aos amigos, Ad Amicos, em geral, mas sendo depois alguns nomeados especificamente, destacando-se pela quantidade, sete, ao Ignoto Deus e quatro a M. C., para alguns iniciais de Mariana da Mota Porto-Carrero, ainda sua prima, contudo muito nova então, com 13 anos, para outros Maria do Carmo, mulher casada de Coimbra.
E entre estes sonetos destaca-se um iniciado por "Pôs-te Deus sobre a fronte a mão poderosa", que transcrevemos e interpretaremos no fim, certamente dos mais belos e amorosos, pois Antero de Quental, então nas dezanove primaveras, brilhava com grande energia e sensibilidade, consciência e aspiração, intensificado pelo amor sentido para com a mulher, mas também dedilhado fortemente na demanda filosófica e mística da Divindade Ignota, em sete poemas...
                            
Passados dois anos estudantis, em 1863, com 21 anos, Antero publica um livrinho na Imprensa da Universidade de Coimbra intitulado Beatrice, com quatorze poemas e um soneto, este de novo o já dedicado a M. C., "Pôs-te Deus sobre a fronte", com mínimas correcções formais.
                                 
Escrito sob a égide de Dante (1265-1321), tem uma valiosa citação inicial de Lamennais (1782-1854), na linha dos Fiéis do Amor, que Eugène Aroux (1793-1859) tanto desenvolveu, acerca de Beatriz, musa e símbolo da demanda da Verdade do Amor humano e divino, infinito e perene.
                         
E segue-se uma dedicatória, A..., sem se desvendar o nome da Beatriz portuguesa, e por quem Antero de Quental sente e testemunha a intensidade, imensidade e inefabilidade do coração em  Amor.
                              
Passado nove anos, Antero cristaliza a sua antologia de poesia juvenil, quando está para perfazer os trinta anos, em Fevereiro de 1872, publicando na Imprensa Portuguesa, do Porto, aparentemente a contra-corrente da fase mais política e revolucionária que atravessava, um conjunto substancial da sua tão sensível poesia lírica e amorosa As Primaveras Românticas, Versos dos vinte anos (1861-1864), explicando nas Duas palavras prefaciais «não me envergonho de ter sido moço. Ter sido moço é ter sido ignorante, mas inocente./ A luz intensa e salutarmente cruel da realidade dissipa mais tarde as névoas doiradas da fantasiadora ignorância juvenil. Mas a inocência, a inteireza daquele indomato amore com que abraçamos as quimeras falazes dum coração enlouquecido pelo muito desejar, essa inocência é a justificação sagrada daquelas ilusões, o que as torna respeitáveis (...) ». 
                        
O plural empregado da palavra quimera aponta para mais do que um amor ou enamoramento de Antero, e sabemos por uma carta não datada mas provavelmente do começo de 1866 a João Machado de Faria e Maia que havia essas duas mulheres para quem seu amor mais se tinha comunicado, a de Coimbra, Maria do Carmo, e a de Tomar, Mariana, mas que às duas cidades não iria.
Mas já em Maio de 1866, quando estava a trabalhar há oito dias como tipógrafo na Imprensa Nacional, em carta, algo dilacerada de hesitações, ao seu íntimo amigo António de Azevedo Castelo Branco, parece que resta já só uma: «eu tenho preso ao coração um amor que não sei (talvez porque não quero, nem ele o merece) como tirar daqui. Ele me simboliza toda uma vida segundo a natureza; vulgar... e bela, como qualquer árvore de primeira colina que o sol e os ventos visitam: quero dizer, aquilo que todo o homem tem o direito de exigir, porque nenhum homem tem direito de exigir mais...»
Diga-se de passagem que nunca se conseguiu até hoje clarificar bem a vida sentimental de Antero de Quental, dada a sua grande reserva íntima sobre tais aspectos, apenas confessando algo a um ou outro amigo mais confidente, conhecendo-se os nomes, e em certos casos alguns aspectos, de uma Maria do Carmo, da família dos seus amigos Faria e Maia, de Mariana Porto-Carrero e da tal Maria do Carmo, de Coimbra e, por fim, da  baronesa Seillière, por quem se apaixonou nas simpáticas termas de Bellevue, em 1877 e por algum tempo, que se estava a divorciar mas sem resultados para Antero.

                                  
As Primaveras Românticas desenvolvem-se em 202 páginas, com vinte e oito poemas, o primeiro Beatrice, espraiando-se em vinte e duas páginas, nas quais se inclui o "Pôs-te Deus sobre a fronte a mão poderosa", já sem dedicatória a M. C., embora terminando essa série com uma confissão muito bela e perene: "Se te posso esquecer?!... Quando teu filho/ A teus olhos de mãe o olhar volver,/ Pergunta a esse olhar se o amor se esquece,/ Se quem te um dia amou pode esquecer!..." 
Para um ou outro amigo de Antero de Quental, tal como Fernando Leal, ou um ou outro anteriano posterior, tal como José Bruno Carreiro (com Ana Maria Almeida Martins, os dois incontornáveis biógrafos de Antero) esta referência ao filho não seria futurante, mas representaria um amor por uma mulher já casada, a coimbrã Maria do Carmo.
É porém nesta 3ª edição do soneto que surge uma primeira modificação substancial, na descrição do olhar da amada, apontando provavelmente para uma diminuição do amor sentido, seja para Maria do Carmo, por desistência face à dificuldade ou ilicitude do avanço extra-matrimonial, seja  para Mariana, porque entretanto esta se casara em Novembro de 1868 com o seu colega de curso, Filomeno da Câmara de Melo Cabral, sabendo nós porém que serão sempre amigos, sendo este mesmo o seu médico nos Açores na crise de 1874 e dando um
testemunho muito sábio e exacto sobre Antero no In Memoriam, publicado só em 1896, considerado «como a inteligência mais poderosa, o espírito mais original e prometedor do seu tempo». 
 E em 1886, quando se dá a edição completa ou definitiva dos Sonetos, encontramos de novo o mesmo belo e significativo soneto, logo o terceiro na ordenação, de novo sob dedicatória M.C., com duas novas modificações, uma importante pois a mão poderosa de Deus ameniza-se ou dulcifica-se na piedosa.
                               
Podemos então considerá-lo um dos sonetos mais presentes ao longo das metamorfoses da sua vida, amorosa mesmo, e reflectindo-as.
Ei-lo então, na transcrição da sua versão original de 1861, e dedicado à sua principal Beatriz,  M. C., e fiquemos no mistério da sua real identidade...

                                                                    A M. C.
Pôs-te Deus sobre a fronte a mão poderosa:
O que fada o poeta e o soldado
Pousou em ti o olhar d'amor velado
E disse-te: «mulher, vai! sê formosa!»

E tu, descendo na onda harmoniosa,
Pousaste neste solo angustiado -
- Estrela envolta num clarão sagrado,
Do teu olhar d'amor na luz radiosa -

Ah!... quem sou eu, para poder merecer-te?
Deu-te o Senhor, mulher! o que é vedado,
Anjo! deu-te o Senhor um mundo à parte.

E a mim, a quem deu olhos para ver-te,
Sem poder mais... a mim o que me há dado?
Voz para cantar... uma alma para amar-te!

Um poema simples, religioso e amoroso, no qual realçaremos apenas a visão de síntese platónica e cristã que assume e que lhe permite ver a descida da amada do mundo espiritual e divino num corpo-alma, com a fronte abençoada por Deus, enviada em ondulações harmoniosas para a Terra, onde chega como estrela em radiosa luz.
No soneto, Deus, com a mão poderosa ou, na versão final, piedosa, que abençoa tanto o poeta inspirando-o, ou o soldado fortificando-o, derrama o seu olhar de amor e infunde em Beatriz a Beleza: "Sê formosa."
É uma original visão anteriana da criação de um espírito humano, neste caso a mulher que ele ama. Neste , ressoam o grego Ei (que deu mesmo origem a um dos tratados morais do sábio Plutarco, 46-125), o corânico Kun, o Fiat Lux cristão, título aliás dado por Antero a outro livrinho da mesma data do Beatrice, 1863 e escrito no Buçaco, e do qual restaram poucos exemplares, por Antero pouco depois não gostar tanto dele, tal como se passou com a própria edição dos primeiros sonetos, denominada de Sténio. 
A passagem da mão "poderosa" a "piedosa" pode reflectir até uma projecção de Antero, ou como ele vê Deus na génese da alma da amada: já não a criando (ou fadando-a para Antero) com a mão poderosa do amor mas com a piedosa da compaixão...
E que quererá dizer Antero com estrela, sinónimo da amada? Que imagem teve ele diante do seu olhar interior? É uma alegoria, uma imagem simbólica do seu brilho e amor?
                                     
Ou será mesmo que teve a intuição ou visão interior que cada ser é uma estrela, uma centelha espiritual, depois revestida de partículas e ondas anímicas e finalmente do corpo físico, tornando-se a pessoa que conhecemos ou mesmo amamos, e que no caso traz o dom inato de ter sido abençoada pelo olhar amante de Deus, para ser uma mulher de amor, suscitadora de entusiasmo, de desejo de agradar, de ser amada, musa inspirando e harmonizando à sua volta, tal como alguns dos outros poemas desta fase juvenil de Antero espelham?
 
E quando escreve: «Estrela envolta num clarão sagrado// Do teu olhar d'amor na luz radiosa», quer Antero dizer: Estrela flamejante sagradamente, e que do amor nos olhos irradia ainda mais luz?  Ou será antes: Na luz radiosa em que vives, o teu olhar de amor brilha?
Mariana Porto Carrero...
Creio que, independentemente da intuição-visão da estrela do espírito, inicialmente Antero de Quental valorizou mais a irradiação do amor luminoso do olhar de M. C., e que ele sentia e amplificaria, tanto mais que a segunda das três modificações substanciais sofridas pela soneto surge neste verso, pois o que fora ainda na edição de 1872 "Do teu olhar d'amor na luz radiosa", passa a ser na versão final em 1886  "Do teu límpido olhar na luz radiosa". Poderemos interpretar tal como a sublimação da antiga corporização do seu ideal de amor na ex-namorada, ora indissoluvelmente ora já casada, deixando o seu olhar de ser visto como de amor para apenas de limpidez, pureza.
Estamos a ver um soneto vivo, obra em aberto, em constante metamorfose, até que na versão final tanto a amada como Antero já não sentem nos olhos o amor paixão mas o olhar límpido. Não será também desapropriado neste sentido relembrar Na Mão de Deus, o último poema dos Sonetos, onde Antero exclama: «Depuz do Ideal e da Paixão a forma transitória e imperfeita».
Tal transmutação poderemos considerar de novo um bom ensinamento de um Fiel do Amor pois embora a relação tenha falhado na sua continuidade, em parte porque Antero foi descobrindo que não teria, ou não conseguira desenvolver, a vocação ou o dom do casamento, tendo Antero até confessado o seu sofrimento a amigos mais íntimos, para os dois o que permanece, além dos sentimentos comungados e poemas gerados, é um amor puro ou límpido, e não despeito, recriminação, como sucede tanto nos nossos dias.

Há ainda uma zona misteriosa no soneto que requer alguma interrogação hermenêutica:
O que é que deu Deus de vedado à mulher?
Será a sua nudez bela, ou mesmo o seu sexo, que durante a virgindade se encontra vedado?
Teremos de novo uma visão platónica da união do corpo e da alma, da descida do espírito angélico para ser alma no corpo humano- animal terreno?
E finalizando o soneto, que teve também leve modificação na sua evolução, que recebe Antero, o Homem?
Olhos para a admirarem e se encantarem, voz de poeta para a cantar e elogiar, acariciar e modelar. E alma, ser anímico, psique, para a compreender e amar, abraçar e ser um com ela nas criatividades e fecundidades comuns, em invocação ou sintonia com a Divindade e a Sua vontade e amor.
Certamente um soneto belo e  amorosamente vivido por Antero, pois na sua juventude sentiu e poetizou bem o amor tanto humano como místico. Depois em odes e sonetos tal vivência somática e psico-espiritual exerce-se mais ao
nível das ideias, ideais e filosofias, com construções  belas no domínio da forma e da estética, ora revolucionárias ora pessimistas, sendo poucos os que podemos considerar frutos de intuições e realizações espirituais elevadas e perenes, e que ele desejava serem a sua mensagem inovadora e final em termos de demanda espiritual, mística, filosófica, estética, social e ética. 
Este soneto transmite e inicia-nos num sentimento de ligação e aproximação à graça do Amor Divino, criadora ou emanadora de seres de amor e pureza ou limpidez, capazes de poetizar e lutar, cantar e amar.
Que a nossa fronte, ou olho espiritual, seja mais abençoada pela Luz Divina e o nosso coração, olhos e ser a assimilem bem e irradiem corajosa e criativamente, em comunhão amorosa com o corpo místico da Humanidade e. se possível, com a alma mais amada, ou mesmo a gémea, se nos couber tal graça...

terça-feira, 15 de maio de 2018

À Alma órfica e à palavra irradiante de poder de Luama Sócio, artista brasileira.

Cada ser é único e merecedor de muito respeito e amor, tendo o seu caminho próprio de peregrino ou peregrina na Terra por uns tantos anos, com esta ou aquela missão. E depois parte e leva consigo como alma espiritual não só o que pensou e viu, sentiu e agiu, ligou e realizou, mas também os sons e músicas que proferiu e ouviu e assim avançará pelos mundos subtis e espirituais rumo à sua plenitude comunicativa e união com a Divindade.
Somos seres de palavra, de conversa, de diálogo aprofundante e por isso em várias religiões se diz que o mundo nasceu da Palavra divina, do som, da vibração primordial, que ainda ecoa na música das esferas quase silenciosa no nosso ouvido interno mas que por vezes se solta mirificamente no interior ou que mais facilmente brilha no en-cantamento imenso, ondulado e rítmico das cigarras nocturnas no Verão quente de mil estrelas no céu.
A Palavra foi então considerada mágica desde a mais alta Antiguidade, pois ela reflectia o poder criador Divino e o que era dito podia tornar-se realidade, podia manifestar o que se evocava, se fossem cumpridos certos requisitos ou se houvesse tal dom ou graça. 
Os Egípcios desenvolveram muito o que eles chamavam o poder irradiante das palavras, dos nomes divinos, e a palavra pronunciada justamente, que constituíam a base das suas orações, liturgias e até ritos com que se procuravam dotar a almas vivas e as já desencarnadas com as forças ascensionais e libertadoras que as palavras em papiros ou em cantos continham e derramavam iluminadoramente  nos seus caminhos no além...
No conhecimento e mestria dos sons sagrados, dos hinos  védicos e depois mantras yoguicos, devocionais e das iniciações, a Índia excedeu-se a todos os povos e ainda hoje os seus mantras em sânscrito são diariamente recitados por milhões de seres, nomeadamente o Aum e a Gayatri, certamente em litanias madrugantes e encantantes do mundo espiritual na terra e nas almas...
Orfeu, na Grécia primordial, é talvez, a ser mais do que um nome colectivo, o primeiro mestre ocidental individualizado reconhecidamente dessa tradição, em pouco antecedendo Pitágoras, sendo um shaman, um comungante de braços abertos às energias e seres da terra e do céu, um ser espiritual consciente das energias que do seu corpo, alma e  mundo espiritual emanavam com as palavras, e como com tal se poderia acalmar e curar, inspirar e despertar e, em especial, tocando simultaneamente música, a harpa ou lira. 
 
 A tradição Órfica atravessará os séculos, conhecendo-se historicamente dela as lamelas em ouro que alguns iniciados levavam no peito com as palavras mágicas que os guiariam no além, e ainda os belos hinos órficos, e serão os poetas, as musas e os trovadores os que mais se filiarão  nela, mas também escritores e pintores, filósofos e teólogos, tal como o florentino Marsilio Ficino, que no final do séc. XV valorizou muito Orfeu como um dos elos da transmissão do que ele chamava a Prisca Religião, a Filosofia Perene que antecedera as Religiões do Livro, e que em vários dos seus livros ou nas cartas abordou, tanto mais que  também dedilhava a lira, seguindo os conselhos pitagóricos que estudara.
Dos elos notáveis na tradição Espiritual Portuguesa nomearemos somente as Cantigas de Amigo, tão cheias de amor, Camões e Jorge Ferreira de Vasconcelos, Bocage, Antero de Quental e Fernando Pessoa, todos eles assumidamente Cavaleiros ou Fiéis do Amor e da palavra mágica, mas muitos outras almas podiam ser chamadas, evocados da comunidade de língua portuguesa que une tantos povos e seres por em cima dos oceanos, e em especial do Brasil.
Nos nossos dias do séc. XXI, infelizmente a mentira tornou-se rainha e sobretudo na classe política e financeira já não há quase promessa ou afirmação verdadeira e que se cumpra, fazendo decair o próprio valor da palavra usada por todos os seres, tal como vemos nas notícias falsas, na manipulação, ou no paradigmático controle exercido pela aliança anglo-americana-israelita-saudita e que origina tanta morte, sofrimento e desilusão no mundo. 
 A magia da unidade pelo Bem comum torna-se um ideal que paira bem acima das organizações internacionais tão manietadas, ainda que algumas certamente brilhem com alguma eficácia compassiva. Quanto a agrupamentos de pedagogos, cientistas, activistas, escritores,  esoteristas, poetas, filósofos e ecologistas que consigam formar-se e irradiarem luminosa e eficazmente são precisos bem mais...
Necessita-se então de mais palavra irradiante de poder, órfica, brotando dos livros e das músicas, dos festivais, das conferências e satsangas, com pessoas aptas a serem tocadas e impulsionadas luminosamente e para que a Terra seja mais harmonizada e feliz... 
Assim, não mentirmos, sermos verdadeiros, não recearmos dizer a verdade, desmascarar as mentiras e cobardias, unir-nos pelo bem comum é fundamental, para que depois pela nossa vida justa e por uma prática psico-espiritual que nos ligue à nossa identidade mais profunda e à solidariedade humana, numa unidade espiritual supra-religiosa, o ser-palavra possa também, porque repudiou o mal da manipulação e da alienação, da mentira e da violência, receber o bem e a paz, o Divino e o amor,  e logo manifestá-los e transmiti-los, tocando no interior das pessoas, nessa unidade energetico-psico-espiritual caracteristicamente mais vivenciada pelos elos da Tradição Órfica ou Espiritual e que hoje vários cientistas mais sensíveis designam num certo nível como o Campo Unificado de energia, informação e consciência, com as suas sincronias, ressonâncias e telepatias...
Porque por vezes algum ser nos surpreende na imensa planície por vezes alcantilada dos seres humanos e nos encanta pela sua voz e face, mensagem e alma, brotou  este poema à palavra, à poesia, à música, ao diálogo, ao esforço em grupo  pela Verdade, o Amor e o Bem e, mais, concretamente à Luama Sócio, e seu grupo musical, e em especial à sua música e poema À Alma, uma obra-prima, recentemente publicado no seu CD O Bárbaro ( www.luama.com/o-barbaro) e que de certo modo inspira este poema...
.
"Ouvia a tua voz e ora trabalhava com ela,
Ora partia com sua harmonia num voo divino,
No céu azul e na sonoridade cristalina
Que nos purifica, harmoniza e reintegra,
Na plenitude desejada e agora realizada:
Descobrir que a música e a voz da alma
Ajudam a recuperar a nossa identidade,
Nossa ligação ardente com a Divindade.


Não mais cairia nem recearia,

Não mais mentiria nem desanimaria,
Apenas comungaria na Verdade,
No Amor e no aprofundamento 

Do mistério Divino em todos nós.

Cantaria contigo, com a tua voz

Abrindo primaveras no horizonte das almas
Viva e mortas, próximas ou longínquas,
Ou não fossem a música e o canto
Eixos luminosos ligando os mundos 

E tornando-nos seres de braços abertos 
Às melhores invocações divinas
E que pelos nossos olhares e palavras
Se derramam magicamente pelo Cosmos.


Rituais de celebração de cada dia
Como um novo começo primaveril, 

Tantas possibilidades e esperanças
Na participação no Plano Divino
.


Sopraria também docemente sobre ti
Os melhores mantras orientais,
Ou as preces do coração português,
Descendente dos antigos navegadores,
Que demandaram os mares e distâncias
Para encontrar portos, terras e diálogos,
Tal como nós, separados pelo Oceano,
Neste momento órfico realizamos,
Pelos raios dos nossos corações,
Gerando asas em arco-íris de sons,
Cascatas de palavras belas e inspiradoras,
Vibrações subtis e iluminações fulgurantes,
Na comunhão sacra dos Anjos e Espíritos,
Na imensa mas também íntima Divindade." 

sábado, 12 de maio de 2018

Das Frésias contempladas, cheiradas, sentidas, amadas e poetizadas.

O nascimento de uma frésia e a sua presença dentro de uma casa é certamente uma graça divina, ou da grande Deusa Natura, e pode tornar-se inspirador para fotografias, um vídeo e, por fim, um hino ou poema. Ao escrever isto aqui, apesar de estar a metro e meio dela, o seu perfume vem-me tocar ou banhar, envolver ou penetrar, como se ela tivesse uma respiração e que pode soprar ou orientar para onde quiser e assim suprir a nossa incapacidade de gravar e enviar, além das imagens ou vozes, o perfume que dela se depreende e que nós bem gostaríamos que chegasse a algumas pessoas mais amigas, quem sabe a si...
Talvez o milagre da sincronia, telepatia ou comunhão dos seres no campo unificado de consciência energia permita a algumas das leitoras ou leitores captar ou intuir este perfume tão sagrado e divino, subtil e intenso e assim se assumir mais no seu corpo e ser espiritual, bem mais amplo que o meramente delimitado pelo cerebral e físico..
Que o perfume e a frésia, e tudo o que delas se manifesta e emana, possa ser sentido e recebido por nós no cálice da eternidade, denominado Jaam-e Jam na antiga Pérsia, e que é  nosso coração mais profundo, aí onde a Frésia primordial e Divina deve despontar e irradiar paz e amor para a humanidade, que tanto necessita tal, eis os nossos votos..
Deixe-me dizer-lhe ainda, antes de entrar nas fotografias e quem sabe em receber algum dom de perfumes subtis, que no fim de tudo encontrará o vídeo gravado há pouco e, antes dele, o poema que dediquei a esta frésia encantadora e às frésias e por analogia às almas mais amigas ou amadas.

Um cálice luso-persa do santo Graal, luso da frésia e localização, persa da madeira e origem.
Um dia antes, a frésia embrionária, serpentina mas toda ela já fremente de se derramar perfumada no ar universal e em algumas almas que a acolham e, quem sabe, dêem mais vida à sua subtil fada...
 

Como de um ser humano, em sangue ou em amor, e aspirando à Luz divina em que seu espírito tem origem.
Um Harai-gushi do Shintoísmo desenhado para evocar a descida zizagueante da luz divina harmonizadora
Om mani padme hum. Mantra ou oração budista e universal de invocação espiritual e divina: a consciência espiritual está na tua flor mais íntima.
Liga-te à floração divina e sê destemido, perfumado no amor, tal como a frésia.
Estátua animada do Japão, com bênçãos de Amaterasu omikami
 

Mandala sufi da Turquia, das comemorações de Rumi.
Dragão-espada dos Himalaias
Os Anjos gostam que abramos os braços e os corações para eles como flores perfumadas sopradas pelas melhores aspirações...
Os Anjos, tais como os devas ou espíritos da natureza, estão muito próximos das flores
Chakras pintados por Teresa Mester, professora de Yoga
 

                                          Hino às Frésias...
        

         Tão delicadas, tão sensíveis, tão formosas e fragrantes,
     Lembram-me as mulheres de quem mais gosto presentemente
    Mas também as consigo oferecer às almas queridas já partidas.

      Meditar numa frésia é entrar num mundo de tal delicadeza
      Que todo o nosso ser fica encantado a tremelicar e tremeluzir.


           Embora imóvel, a frésia toda ela está fremente e movente,
           No seu desabrochar ardente para o mundo ignoto,
           Atraída para a luz do sol quente que a janela coa,
           E sem saber que olhares e corações a vão acolher.

               Parece uma ave em fogo a querer levantar voo,
               As asas bem realçadas são também vasos do cálice
               Em que ela se torna e se nos oferece e entusiasma.

               Que privilégio o dos seres que têm frésias consigo
               E sentem toda a casa, jardim ou a aura perfumada
               Por uma só frésia colorida desabrochada e amada.

               Mil beijos, mil carícias, mil poemas e cantos
               Merece cada frésia, cada amada, neste universo
                De tanta riqueza e pobreza, mistura caótica
                Da qual a frésia nos eleva, ilumina e abraça.
 

Fechar os olhos e deixar que o teu corpo ou ser de fada
Ao meu olhar e sentir interior desponte primaveril
E me alegre, rejubile e abra mais o coração subtil.

Que as fontes e matrizes da Divindade, da Shakti,
Desabrochem as nossas melhores potencialidades!
        Perfume e amor das Frésias para as almas mais amigas!
 

Imagem de Anjo no interior da Frésia. Ou quem sabe, uma imagem miniatura, espelhada pelo olho túnel telescópio espiritual, do Anjo da Frésia... Pax-Amor-Theos...
                                                                                                                                  

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Rabindranath Tagore, "Stray Birds", "Aves Vadias", tradução e paráfrase de Pedro Teixeira da Mota.

 Rabindranath Tagore, em Stray Birds, Aves Vadias, dada à luz em 1916, já depois de ter recebido o prémio Nobel de Literatura em 1913, oferece-nos um ramalhete de frases poéticas e espirituais condensadas, maduras (completara os 57 anos), valiosas, das quais escolhi algumas, traduzindo-as da edição inglesa antiga. E entre chavetas, a seguir às traduções, encontra  comentários, ou seja, como é que parafraseei o seu ensinamento poético-espiritual.
 Já estavam em gestação estas Aves Vadias no artigo de homenagem ao seu aniversário  http://pedroteixeiradamota.blogspot.pt/2017/05/156-aniversario-de-rabindranath-tagore.html, e retirei-as de lá, completei-as (a numeração corresponde à edição original), juntei-lhe as pinturas dos últimos dezassete anos de Tagore (uma vocação de pôr-do-sol mas fecunda: mais de 2500 obras, com uma exposição internacional em Paris em 1930), e autonomizei-as para que voem primaverilmente com a alma de Rabindra e a nossa, inspirando-nos, soprando também nossas asas multicoloridamente, divinamente.
          
3. O mundo tira a sua máscara de vastidão para o seu amante. Torna-se pequeno como uma canção, como um beijo do Eterno. 
 [Ama mais a Natureza, diminui o teu ego e ela envolver-te-á amorosamente.]

6. Se derramas lágrimas então perdes o sol, e perdes também as estrelas.
 [Luta para vencer as tristezas, desilusões e medos, e para que o Sol do Divino Amor chegue até ti, ou irradie através de ti.]
                                     
 18. O que tu és não vês, o que vês é a tua sombra.
[Desconhecemos muito ainda da nossa dimensão psico- espiritual.]

25. O ser humano é uma criança recém-nascida, o seu poder é o poder crescer.
[Não te satisfaças, nem te limites, e aspira sempre a desabrochares mais.]

28. Ó Beleza, encontra-te a ti própria no Amor, não no espelho lisonjeador.
[Sê mais activo e irradiante de Amor e a tua beleza natural e verdadeira brilhará.]

35. A ave deseja ser uma nuvem. A nuvem deseja ser uma ave.  
 [Aceita melhor a forma de consciência e de vida em que estás e com ela participa no grande jogo cósmico (lila), soprando bem nas tuas asas ou aspirações.]
 38. Mulher, quando te moves no serviço da casa os teus membros cantam como um regato montanhoso entre as suas pedras.
[Deixa-me dizer-te, amada, nas  lides domésticas não te deixes prender pela rotina ou a frustração mas encontra criatividade e habilidade, fluidez e canto alegre.]

41. As árvores, como as aspirações da terra, estão em bicos de pé para espreitar o céu.
[Eleva-te em aspirações e realizações espirituais, universais, divinas, comungando, flutuando ou nadando no oceano e céu azul da Unidade.] 
43. O peixe na água está silencioso, o animal na terra é barulhento, o pássaro no ar está cantar. Mas o ser humano tem em si a capacidade do silêncio do mar, o barulho da terra e a música do ar.
[O ser humano tanto pode degradar-se como elevar-se a ser um epítome da natureza inteira, unindo ecologica e harmoniosamente todos os reinos e elementos, tal como afirmou Pico della Miranda, na sua famosa Oratio.]

46. God finds himself by creating. A Divindade descobre-se ao criar, ou por criar.
[Sê um criador, exerce o poder divino de uma ou outra forma, participa na Criação historicamente, dharmicamente]
***
51. O teu ídolo é destroçado em pó para provar que o pó de Deus é maior que o teu ídolo.
[Não cries ídolos terrenos, a natureza imperfeita ou perecível virá ao de cima. Valoriza e ama mais a Divindade, em si, em ti e nos outros.] 
                            
56. A vida é-nos dada, e nós merecemo-la ao dá-la. 
[Saibamos dar-nos, sacrificar-nos, dedicar-nos, pois assim a Grande Vida mais passará por nós.]

61. Bebe o meu vinho, no meu próprio cálice. Ele perde a grinalda de espuma quando derramado no de outros.
[O cálice do amor do amado ou amada deve sentir-se no  coração psico-espiritual e aí comungar-se em  entrega e recebimento recíproco e íntimo de consciências unidas. E há também nesta ave vadia ou livre um apelo à criatividade própria e à intimidade mais plena com o espírito e a Divindade.]

73. A castidade é uma riqueza resultante da abundância de amor. 
[Se estamos mais em amor, conseguimos estar menos frustrados e,  ora satisfeitos ora sublimados, gerando criatividade e alegria, em constância e fidelidade.]
143. Mulher, com a graça dos teus dedos tocaste as minhas coisas e a ordem brotou como uma música.
[Encontrarmos o ser cuja aura e toque nos harmoniza como harpa é uma graça divina.]

174. As nuvens enchem as taças de água do rio, escondendo-se a si mesmas nos montes distantes.
[Embora longe ou separadas, as nuvens dos nossos afectos preservados podem regar os campos ou engrossar os rios das nossas almas.]

185. Eu sou a nuvem outonal, esvaziada de chuva; vê a minha plenitude no campo de arroz maduro.
[Sabermos dar-nos adequadamente é certeza da felicidade do dever cumprido ou da graça do amor partilhado.]

220. Faz de mim o teu cálice e que a minha plenitude seja para ti e para os teus.
[Eis uma plena e, logo, bela dedicação seja a Deus, seja à amada ou ao amado.]

227. O movimento da vida tem o seu descanso na sua própria música.
[Sabe manteres-te consciente da dimensão subtil, musical, dos teus trabalhos e ritmos.]

242. Esta vida é o atravessar o mar, onde nos encontramos no mesmo acanhado barco. Na morte atingimos a outra margem e vamos para mundos diferentes.
[Será assim para todos, ou desejamos sempre encontrar alguns companheiros para a viagem ou mesmo para vida no além? Penso que sim, o amor e  a afinidade interior aproximar-nos-á, juntar-nos-á com alguns seres.]
245. O canto do pássaro é o eco da luz da manhã vinda da terra.
[A osmose entre cada ser da natureza e os múltiplos aspectos e energias dela deve-nos desafiar a sabermos também gerar os melhores cantos, actos e sonhos, comungando das melhores vibrações, luzes e intenções do Universo.]

248. O ser humano é pior que um animal quando é um animal.
[O ódio e a crueldade não existem no reino animal e rebaixam portanto abaixo dele o ser humano que os vivencia, nutre e em especial os causa pela sua insensibilidade e violência.] 

249. Nuvens escuras tornam-se flores do céu quando beijadas pela luz.
[Se verdadeiramente beijamos alguém esse ser é transmutado, harmonizado, iluminado, transfigurado. E assim também as nuvens podem ser tocadas e transformadas em anjos e arco-íris.]

251. O silêncio da noite, tal como uma lamparina profunda, está a arder com a luz da Via Láctea.
[Noites ardentes e silenciosas, geram se aprofundadas nas suas interelações no campo unificado de energia e consciência tanto belas comunhões com os mundos distantes como a unificação interior do som silencioso e da luz subtil.]

262. As folhas trémulas desta árvore tocaram o meu coração como os dedos de uma criança.
[O tacto sensível e amoroso transfigura os corpos e almas. Para a alma sensível e pura, para o coração aberto, a natureza é fonte de maravilhosas sensações, percepções e intuições.]

272. Cheguei à tua margem como um estrangeiro, vivi na tua casa como um convidado, deixo a tua porta como um amigo, minha terra.
[Sem ter de voltar, grato e pleno amor de perene. Graças muitas te dou pelo que me ensinaste a amar ó terra, ó ser amado, ó humanidade, ó Divindade.]
273. Que os meus pensamentos cheguem até ti, quando eu me for, como os reflexos luminoso do pôr do sol na margem do silêncio estelar.
[Assim também os mestres transmitiam os seus mantras ou sons sagrados em iniciações que eram meios de conservar a comunhão para além das barreiras das distancias da vida e da morte. Possamos nós passar algo de valioso aos outros ou ao Cosmos e comungarmos nos sons e palavras, cantos e músicas.]
 276. O dia de trabalho está realizado. Esconde a minha face nos teus braços, Mãe. Deixa-me sonhar.
[Bem raro o ser que consegue sonhar nos braços da Mãe Terra ou da Mãe Divina. Para chegarmos a adormecer nos seus braços, ou mão, como desejou Antero de Quental pelo menos no seu famoso soneto, quanta oração não lhe devemos fazer?]

277. A lamparina do encontro arde longamente; apaga-se todavia num instante no momento da separação.
[Alguns de nós conseguem manter o ardor do amor encontrado mesmo separados. Infelizes os que subitamente apagam a chama do amor recíproco tão longamente preparado].
278. Uma palavra, ó Mundo, conserva para mim no teu silêncio, quando eu morrer: «Eu amei.»
[Que ligações, que transfigurações, que realizações flamejantes ou humildes continuarão a ressoar na terra após a nossa partida? E que ecos serão como que braços abertos para nós no Cosmos? Que o fogo do Amor divino arda bem em nós.]

284. O amor é a vida na sua plenitude, como a taça com o seu vinho.
[Um fiel do Amor está sempre a gerar no seu corpo e alma o suco do amor luminoso.]

285. Eles acendem as suas próprias lamparinas e cantam as suas próprias palavras no seus templos. As aves, porém, cantam o Teu nome na tua própria luz matinal, - pois o teu nome é alegria (joy, ananda).
[Sabermos discernir qual é a acção, pensamento e sentimentos justos e beatificantes, que brotam do coração mais profundo, é a arte real da harmonia e é por ela que nos unimos ao mundo  e ao ser Divino.]
286. Conduz-me ao centro do teu silêncio para encher o meu coração de canções.
[Possa eu entrar no silencio profundo, na intimidade máxima de mim mesmo e aí me inspirar e encher, descobrir-te e adorar-te.]
287. «Que eles vivam, os que o escolhem, no seu próprio mundo de fogos de artifício assobiantes. O meu coração aspira às tuas estrelas, meu Deus».
[Felizes os que sabem não se perder nas aparências e egoísmos ilusórios e aspiram às estrelas e ao Sol Divino, com perseverança.]
 291. I have seen thee before in the light of the earth, in the love of man...  
Vi-te antes na luz da terra, no amor humano. Um dia cantarei para ti no nascer do sol de algum outro mundo. 
[Grande graça quando, vendo alguém pela primeira vez, intuímos que já a conhecêramos, ou que a víramos na luz e no amor divinos.]
292. Nuvens vêm de outras vidas flutuando até à minha vida já não para derramar a chuva ou desencadear tempestade mas para dar cor à atmosfera do meu pôr do sol.  [Intuições de energias e relações vindas de um passado imemorial passam por nós, mas sabiamente as acolhemos levemente.]
297. A doçura do teu nome enche o meu coração quando eu esqueço o meu - tal como o teu sol matinal quando a névoa se vai dissipando. [ Teu nome é em minha alma uma fonte de amor, seja quando me dedico plenamente a ti seja se afligido só esteja.]
301. Deixa-me sentir este mundo como o teu amor tomando forma, então o meu amor ajudá-lo-á.
[Todos nós somos chamados a fazer aumentar o amor e a felicidade na vida e a diminuir o sofrimento e a ignorância dos outros e nossa. Se o fizermos como aliados ou amigos de Deus, máximo]
                                                       
304. Atravessas desertos de terras áridas para chegares ao momento de realização plena.
[Saibamos perseverar na aspiração aos nossos mais elevados fins].
307. Não me deixes envergonhar-te, Pai, tu que manifestas a tua glória nas tuas crianças.
[Saibamos honrar ou continuar toda a cadeia dos nossos antepassados ou ascendentes até chegarmos à Divindade e que ela se sinta alegre com a nossa acção no mundo],
313. Saberemos um dia que a morte nunca nos poderá roubar aquilo que a nossa alma ganhou, pois os seus ganhos são um com ela.
[A consciência de que somos almas espirituais e que continuaremos após a morte do corpo físico ajudar-nos-á a manter a consciência nesse momento da transição para o além e também avançarmos mais radiosamente para os mundos espirituais].
                                     
315. Quando todas as cordas da minha vida estiverem sintonizadas, meu Mestre, então a cada toque de ti sairá a música do amor. 
[Fortalece-me, unifica-me, para que diante todas as situações saiba estar em amor e sabedoria e gerar a luz e a música, em unidade].
316. Deixa-me viver verdadeiramente, meu Deus, de modo a que a morte para mim se torne verdade.
[Felizes os que saberão chegar à hora da morte sem medos, prontos a partir desprendidos e abertos à verdade que ela revelará de nós e dos nosso futuro].
326. Que esta seja a minha última palavra: eu confio no teu amor.
[Que esta seja a minha palavra: Ó Deus, eu amo-te tanto que espero avançar sempre contigo e que o nosso amor comungue o ser dos outros seres nesta Unidade que nos liga a todos e da qual tu és a fonte e fundamento.]