domingo, 16 de outubro de 2016

Tarot XVI. O Raio, a Torre, a Casa de Deus. Significado dos seus arcanos, consciencializações energético-espirituais.

O arcano XVI, a Casa de Deus, ou a Torre fulminada, ou o Raio, nesta carta (e sem nome) de uma das versões mais antigas do Tarot, o milanês Visconti-Sforza, desenhado por volta de 1450, que se encontra na colecção Cary-Yale, mostra-nos uma energia celestial a abater uma torre e a precipitar as pessoas no solo, transmitindo-nos, entre outras sugestões ou mensagens que, subitamente, uma desgraça, uma tempestade, uma guerra pode desabar e devemos estar preparados ou saber lidar com tal. Ou que devemos consciencializar-nos e ter cuidado ou zelo com o nosso corpo e com as nossas edificações exteriores e interiores, e logo com os nossos actos, e as construções ou casas anímicas onde vivemos de sentimentos e pensamentos, de modo a antevermos se estamos a causar ou a provocar a queda delas e de nós próprios, e ainda se conseguirmos cair ou sair correctamente.
A representação dum tipo de fogo, labareda ou raio que desce dos céus e quebra o cimo, as ameias ou a coroa de uma torre, projectando dois seres, ou uma dualidade (homem-mulher, rico-pobre), para o solo, num primeiro nível de hermenêutica, recorda-nos as leis da causa e efeito (karma), e da impermanência e mudança, pelo que devemos constantemente saber observar o que se está a gerar no mundo, e igualmente julgar-nos e avaliarmos a solidez e a justeza tanto das fundações, acções e oposições, como das ligações aos seres, aos elementos, ao mundo físico, subtil e espiritual Divino.
Nas representações mais antigas francesas (Noblet e Vieville), que vieram condensar-se na versão definitiva do Tarot de Marselha, é mais a torre ou a árvore que são destruídas e não as pessoas, pois estas têm apenas de sair delas e escapam, provavelmente simbolizando a necessidade de não deixarmos limitar e aprisionar em confortos ou protecções mas sabermos sair das rotinas, posses e identificações para nos renovarmos e evoluirmos.
Court de Gebelin, um dos primeiros escritores ocultista e maçónico a escrever sobre o Tarot, em 1773, considerou esta carta  um aviso contra a avareza, já que o que cai de uma torre-depósito é moeda, ouro, dinheiro, e relacionou-a com uma história contada por Heródoto de um príncipe egípcio, país que ele considerava ser (algo infundada ou incomprovável) a origem do Tarot. Outras hipóteses históricas ou míticas foram também apresentadas.
Numa versão diferente, nos Tarots italianos da Etrúria, os Minchiate, com maior número de arcanos, realça-se a mulher, ou talvez a parte feminina da totalidade dual humana, a sair apressada de uma torre em queda ou em fogo, levando atrás de si um homem, ou seu par, e com as mãos apontando para o fogo celestial, o qual parece cumprir uma função purificadora e os obriga a sair de um estado ou de uma estabilidade pouco evolutiva, petrificante ou mesmo desagregante. É então um fogo renovador e a imagem não tem de ser temida, pelo que numa consulta  é necessário intuir bem o que envolve uma pessoa ou situação e que se deve aconselhar...
É pois um arcano de mudança e de renovação, para equacionarmos os nossos conservadorismos, excessos, teimosias e posições menos equilibradas face às que serão as mais justas, fundamentadas e adequadas à dinâmica nossa, individual ou colectiva,  com o ambiente natural, social, mundial, espiritual e Divino, por vezes surgindo bastante desafiante ou mesmo atemorizante e obrigando os seres a darem o melhor de si....
Num Tarot francês dos finais do séc. XVII, o arcano mostra-nos uma cena que pode ser a ocorrência de uma trovoada no campo, num panorama bem mais natural e com um raio vindo da nuvem-céu-sol a cair sobre uma árvore, junto a um pastor de mãos abertas para o alto, talvez como sinal de oração ou de entrega confiante, mais do que de espanto, com o seu rebanho ali perto. 
Poderemos pensar que a iconologia desta versão de novo nos lembra ou adverte dos possíveis karmas e acidentes, pondo-nos em guarda acerca das nossas falsas seguranças ou confianças, ou ainda nos nossos apoios, ou sob quem nos protegemos, já que mesmo as grandes e seguras árvores, em casos de tempestade, podem acabar por servir de pára-raios atractivo perigoso...
Por detrás deste arcano podemos, no nível psíquico colectivo, intuir tanto entidades invisíveis como as egrégoras (coalescências energéticas, ou ainda almas colectivas) e os psicomorfismos dinâmicos, ou seja, as ideias e crenças, as doutrinas e grupos que gostamos e logo alimentamos, os quais por seus defeitos, ou por excesso de confiança, submissão ou dependência nossa, podem ora cair energeticamente sobre nós e ferir-nos, ora desequilibrar-nos e fazer-nos tombar. Ou podemos ainda ler o aconselhamento a sairmos de um hábito, situação, mentalidade ou grupo, que não é o mais indicado para o nosso estado potencial no caminho evolutivo....
Há todavia na simplicidade e à vontade do aldeão, perante o raio que cai e o trovão que se ouve, a sugestão que devemos aceitar com naturalidade os acidentes e desastres naturais, ou o que acontece na sua inevitabilidade, vivendo-se uma vida trabalhadora, harmoniosa e meditativa e, logo, ora previdente ora então da melhor adaptação possível a tais súbitas ocorrências ou mesmo estados calamitosos...
No Tarot de Marselha, o nome dado a este arcano é A Casa de Deus remetendo-nos para uma intenção ou um estatuto sagrado, que é tanto exterior como interior, o qual não estaria a ser cumprido, no todo ou em parte, por alguns ou por muitos, como se pode deduzir das partes, pessoas e dinheiro do edifício que são destruídas ou arremessadas para fora... 
Será que a Casa de Deus quer lembrar-nos que qualquer construção, corporação, função (e logo as pessoas) e instituição deve estar ligada ao Todo, ao Bem, ao Divino, sob pena de poder ser abalada ou deitada abaixo?
Certamente, pois se a lâmina do Diabo nos alertava para não nos deixarmos prender por medos e instintos, frustrações e paixões violentas, a Casa de Deus avisa-nos que a Justiça Cósmica, a Providência Divina agem a qualquer momento e põe em causa as fundações, acções e aspirações incorrectas, ou os falsos paraísos, fazendo as pessoas caírem tanto em si como no solo da realidade, já despidas (ou para que se dispam) de tais excessos e avarezas, arrogâncias e violências e, no fundo, como que obrigando-as a libertarem-se.
É portanto um arcano que nos impulsiona a julgar-nos ou a avaliar-nos em vários aspectos a fim de discernirmos como poderemos harmonizar-nos melhor com ambiente, o campo unificado de energias e consciências em que vivemos e que em tantos níveis interagimos ou somos influenciados, mais ou menos conscientemente.
Já na versão do Tarot de A. Edward Waite (o livro na imagem anterior), realça-se o isolamento, a altitude desmesurada, a fundação pouco sólida, a hibris ou ambição arrogante que move seres, grupos e países, os quais acabam por ser castigados ou, se quisermos, impulsionados a corrigirem-se pela lei do karma e da Providência, através de vários tipos de perturbações, pois o que se semeia no exterior também se colhe no interior. A cena internacional tem certamente múltiplos casos deste emaranhamento causal vibratório, embora se tenda a separar tudo e não haja um discernimento como um país que bombardeia, oprime e interfere constantemente nos outros acaba por se tornar um monstro imperialista pesado na aura planetária e que fatalmente algumas das suas torres irão tombando aqui e acolá, dentro e fora. Não é pois por acaso que a violência doméstica dos USA é a que apresenta maior mortalidade mundial, e para tal tanto a iliteracia, as desigualdades sociais, o racismo e sobretudo a facilidade em se adquirirem armas sejam determinantes...
Arthur E. Waite propõe que esta carta seja ainda um aviso contra a materialização da espiritualidade, um fenómeno a que assistimos crescentemente com a edificação e desenvolvimento de grandes igrejas, seitas e corporações, frequentemente exploradoras das pessoas e materializando a espiritualidade em crenças literais e por vezes falsas dos textos, em emocionalismos e curas grupais de auto-sugestão algo contagiosas, em práticas e feitos mitificados e exageradamente valorizados. Por fim, acrescentemos as milhares de fantasiosas iniciações, mediunidades, contactos, canalizações e curas a que se entregam tantos pseudo-instrutore(a)s ou mestres, arrastando ou enganando e confundindo muita gente incauta ou pouco conhecedora, assim desviada do seu Caminho real por um tipo de carnaval da nova Era, perigo que três lúcidos mestres do séc. XX apontaram: Bô Yin Râ, Renè Guénon e Julio Evola.
Um desenhador do Tarot, e do XVI arcano, fabuloso...
Com efeitos, a materialização ou a mistificação da espiritualidade gerada por pseudo-canalizações, por ensinamentos duvidosos ou de fraca qualidade, os quais por vezes são vendidos a preços bem caros, fazem  a Casa de Deus tornar-se uma Torre  de egos e vaidades, falsidades e obsessores, a qual precisa de ser fulminada ou transmutada....
Esta lâmina alerta-nos portanto para termos cuidado com os grupos e práticas a que nos ligamos e também com as ideias e doutrinas que coroam as edificações psíquicas e físicas nossas e dos que nos rodeiam e que, sendo erradas ou injustas, nos aprisionam e que terão de ser mais tarde ou mais cedo abaladas ou destruídas,  por vezes tendo nós de cooperar corajosamente nessa denúncia dos falsos pastores ou gurus, e tantos são os que nos rodeiam, ainda que muitos seguidores...
Se nos arcanos ou trunfos anteriores não havia indicação de forças fulminantes ou destruidoras provindas da Terra, e que causam os terramotos das casas e pessoas, esta versão da Torre, no Tarot de Aleister Crowley, denominada A Guerra, tem uma maior amplitude de causalidades destruidoras mas também transformadoras, realçando-se ainda nas pessoas, que caem da Torre guerreira, a sua desumanidade corporal, como que quadriculadas e postas em figuras esquemáticas e geométricas. 
As guerras (sempre violentas e a evitarem-se) e os acidentes naturais podem ser vistos no seus aspectos positivos como processos causando a detenção de pessoas maléficas-criminosas e a destruição de estruturas injustas, obsoletas, opressivas, ou seja, processos temporários e transmutadores, nesta versão do Tarot sendo tal sugerido tanto pela serpente da prudência e da energia ascensional interna, como pela pomba da pureza e da paz, tudo sob a omnividência Divina. e o Seu olho que vê tudo.
A Casa de Deus alerta-nos, poderemos ainda dizer por outra face do prisma, para a necessidade da abertura e desenvolvimento do nosso olho espiritual, sob as bênçãos dos mestres e da Divindade e para uma Humanidade que se deseja mais pacífica, fraterna e sábia. Devemos sair da nossa preguiça, nomeadamente de rotinas, sono e  sonhos, para despertar a nossa ligação íntima espiritual e, simultaneamente, através da concentração do pensamento e da acção, contribuirmos para causas que melhorem  o discernimento, claridade e felicidade das pessoas e do mundo.
Terminemos a nossa visitação deste arcano XVI, como orientação anímica a partir de uma cultura arquétipa e iniciática (e em especial no dia 16 de cada mês), com duas versões bem modernas e simples, uma sobretudo ecológica e optimista de cariz utópica, pois o que predomina é a exuberância colorida e fecunda da Natureza, em contraste com a Torre edificada egoística, artificial e desarmoniosamente e que por isso é  abanada ou destruída pelo conjunto das forças da Natureza, do Cosmos e da Providência, ou o Dharma indiano, no que pode acontecer seja numa calamidade exterior seja até numa revelação, êxtase, súbita abertura à Luz da Verdade, a qual pode atingir-nos como raio destruidor das nossas concepções ou rotinas obstaculizantes e que nos cegam ou ensombram...
                                         
Há certamente na intencionalidade de quem concebeu e desenhou modernamente este arcano o objectivo de nos fazer religar mais à Natureza, sairmos das cidades e dos seus edifícios e ambientes, por vezes tão estreitos, poluídos e opressivos, ainda por cima tão densificadas e manipuladas pelos meios de informação, com o Covid e suas vacinas, por exemplo, tão excessivamente atemorizadores, e pelas correntes do pensamento quotidiano, bem em contraste com a vida e o trabalho no campo, onde as forças e Espíritos da Natureza (tais como os duendes, fadas e devas) se manifestam mais, desvendando-se por vezes até em ventos, nuvens ou visões, e ajudando a tornar-nos mais plenos e felizes, numa Terra cultivada cada vez mais biológica, ecológica e justamente e, logo, mais amada, bela e salutar, qual a Terra Lúcida da Tradição espiritual Persa, tão bem estudada por Henry Corbin no séc. XX.
Eis-nos agora com a versão muito sensível, bela e libertadora da Torre que nos é dada pela pintora búlgara Rumi Rilska,  a viver ora em Portugal ora na sua bela terra natal, na qual representou a alma humana conseguindo soltar-se da Torre dos medos e opressões que lhe são lançados ou impostos, no fundo o labirinto e a prisão desgastante da vida moderna no plano físico e no tão conflituoso séc. XXI, e que se eleva livre para os mundos da criatividade, da beleza e da espiritualidade, ou mesmo do Sol da Divindade.
Para irmos concluindo, relembremos o conhecido dito: "se caíres noventa e nove vezes, levanta-te cem", para aspirarmos e avançarmos na felicidade, no amor, na Divindade.
Para finalizar mesmo, uma visão ainda possível deste arcano, e tida há pouco numa intuição, é a de que por vezes, neste dia, ou na sintonia deste arcano, podemos  ouvir ou ser o fogo do amor, a luz clarificadora, a voz esclarecedora, que deita abaixo os muros e permite o ser e força íntima e verdadeira virem ao de cima.
Ou seja, sermos nós a conseguir contemplar, ou mesmo a fazer descer, ou ainda a irradiar, as libertadoras dimensões, forças e formas do céu e do espírito, da verdade e da justiça em nós e sobre situações e instituições, hábitos e doutrinas, quem sabe se no país, em uníssono com o Arcanjo de Portugal, ou no mundo, por vezes tão necessitado de diálogo esclarecedor e consenso justo e pacificante...  
Aum Shanti!

sábado, 15 de outubro de 2016

Escrita criativa, de auto-conhecimento, iniciática, e a sua supra-temporalidade ou perenidade iluminativa...

      Escrita criativa, Escrita iniciática e Literatura Perene.

A possibilidade da escrita ser ou tornar-se um exercício psico-espiritual que leve a mente e o ser de quem escreve a estados mais conhecedores, ampliados ou melhores de auto-consciência ou hetero-consciência tem sido alcançada e praticada por muitas pessoas ao longo dos séculos, ainda que não seja fácil por vezes ao leitor discernir posteriormente o que foi mera criação  mental literária sem grandes efeitos interiores e o que foi experiência e visão, ou seja, uma vivência real que ultrapassou o plano da personalidade discursiva para níveis mais subtis ou profundos.
Uma das potencialidades mais valiosas na escrita é a de entrarmos em contacto com o vasto campo unificado de consciências numa elevação qualitativa pela qual  intuímos, recebemos e compreendemos novos aspectos da tessitura do Cosmos e do Ser, e em especial os que estão afins das nossas tarefas e investigações e porventura serão úteis à evolução e melhoria nossa e do ser humano em geral.
Estes aspectos subtis que desejaríamos compreender e ver melhor, dos níveis subtis do ser humano e do Universo, do Microcosmos e do Macrocosmos, ou seja, das energias, partículas ou ondas que  interagem com o  corpo consciencial psico-espiritual e o conectam melhor ou pior com a Humanidade, o Universo, o Sol e a Lua, os espíritos e os Anjos, e a Divindade.
Poderemos então dizer que a escrita verdadeiramente criativa é a que gera ligações entre o papel, as palavras, as ideias e o mundo subtil  nos seus diversos níveis, e que poderemos especificar ou designar, para além de campo unificado de energia consciência informação,  como o inconsciente colectivo, o supraconsciente, o mundo imaginal, o mundo dos arquétipos, a inteligência cósmica, o espírito em nós, os espíritos, a Divindade.
A escrita é então criativa ao abrir canais e rasgar caminhos novos que permitem a desvendação de arcanos ou mistérios, de arquétipos e de símbolos das ideias e seres do universo não visíveis materialmente, ou dos quais há dúvidas quanto à realidade ou constituição.
A escrita criativa será a que consegue sair do conhecido, ultrapassar a barreira do consciencializado ou deduzível e intuir ou pressentir as respostas correctas às questões com que se inicia o acto de escrita e as que vão vindo ao de cima no decorrer dele. 
A nossa visão dos mundos psíquicos que nos envolvem ou, se quisermos, da atmosfera mental em que pensamos e temos o nosso ser escapa-nos ainda demasiado.
Não temos ideias dos múltiplos fios e canais de ideias e sentimentos, de apelos e de comunicações que atravessam os céus ou ares e unem as almas. Nem do que bloqueia, atravanca, dispersa ou enfraquece tal dicernimento, ainda que saibamos que em geral a exposição à comunicação social, televisiva, radiofónica ou internética seja do pior...
Uma pena, pois por vezes haveria muitos trabalhos luminosos que se poderiam realizar mas que, devido à nossa inconsciência das melhores afinidades, nos escapam, e depois porque há esse ruído de fundo e vendaval de imagens e emoções grande, e muitas pessoas, que pouco têm verdadeiramente a ver com o trabalho de melhorar a humanidade,  cruzam-se connosco, dialogam ou ligam-nos e fazem-nos perder tempo, se não é que nos distraem ou enfraquecem.
Escrita criativa e meditativa. 25-VII-2017
Temos então que não nos deixar levar ou influenciar demasiado pelo ambiente psíquico nacional, europeu e do sistema capitalista, com todas informações que os meios de comunicação e as redes passam manipuladora e constantemente, desde as catastróficas e bélicas às astrológicas e da chamada nova era.  
Temos de chegar por nós próprios, e abrirmos os canais interiores às fontes interiores e também universais, ainda que com a nossa especificidade única e suas linhas de irradiação ou serviço.
A escrita criativa tem de ter algo de heróico, nascendo de recusarmos as medianias e os seguidismos e de afirmarmos a nossa própria individualidade espiritual, única e irrepetível na História da Humanidade, e portanto ela deve constantemente equacionar a nossa essência e activar as suas melhores capacidades, o que se faz em simultaneidade diária com uma prática de meditação interiorizante.
A escrita criativa é então uma ponte entre o individual e  o universal, entre o ser em demanda e o Graal adivinhado ou pressentido, um percurso no caminho iniciático da vida, o de unificar forças corporais, sentimentais e psíquicas mais intensamente nesse momento da escrita, em uníssono com o Todo acessível, galvanizando a sensibilidade, a inteligência e a consciência. 
Tal pode ser ajudado até com certas técnicas ou metodologias, meditativas, contemplativas, sonoras, gestuais, de modo a se intensificar a interiorização e entrar-se em ressonância e acolher-se o que chegar dos níveis interiores ou superiores ressoantes.
Certamente que é sempre uma questão difícil de se clarificar de onde brotam as palavras que vamos escrevendo, se da boca, do coração, da memória, das associações de ideias, do Cosmos, ou se antes da primordialidade e intencionalidade pré-escrita, ou das alturas equilibradas do Logos ou Inteligência amorosa que nos permeia, e talvez mesmo vinda uma parte das profundezas do inconsciente obscuro, onde o nosso ser de luz no acto da escrita, remexendo e agitando a lava incandescente  em sua pena ou digitalização, lança no papel, ou nos écrans receptivos, as palavras ora sábias ora ardentes que dinamizarão e iluminarão  quem as ler com sintonia. Fica em aberto a questão da diferença entre a escrita manual e no computador, algo que só cada um poderá sentir e responder, por vezes privilegiando-se acertadamente a manual.
A escrita criativa tem pois sempre algo de uma ascese, de uma saída da rotina ou da superficialidade e uma descida ou subida dentro da alma, independentizando-a do exterior, alma que vai nesses momentos de pesquisa criativa auto-conhecer-se, fundamentar-se, fortificar-se, coerentizar-se e assim gerar nexos íntimos entre a palavra escrita e as forças conjuradas do escritor órfico, que o posterior leitor mais sensível  eventualmente pressentirá ou receberá como forças, aspirações e realizações as quais, num dado momento luziram dentro de um ser e foram perenizadas na escrita até ao seu coração de leitor chegarem e o alegrarem, alertarem ou iluminarem, numa visão ou comunhão transcendente das barreiras do espaço e do tempo.
São esses laços subtis que, trabalhados e aprofundados durante algum tempo,  tanto fecham a obra com a sensação que finis coronat opus, ou seja, as energias chegaram ou coroaram o cimo do ser e sobretudo da cabeça, como dão a possibilidade do autor continuar a aprofundar a metodologia e as intuições ou resultados obtidos e assim com mais regularidade escapar aos condicionamentos superficializantes e distractivos do quotidiano, comungando mais do conhecimento e criatividade dos níveis psicoespirituais ou mesmo levemente divinos, partilhando-os depois com os seus pares ou dialogantes, vivos ou mortos.
A escrita é então o exercício ou a resposta a uma vocação, a um apelo, a uma demanda, de conhecimento, de verdade, de descoberta, de autenticidade, a inserção numa continuidade duma Tradição Cultural e Espiritual tanto nacional como universal. Perene, pois por ela retornamos a nós próprios e, centrados mais no coração ardente, poderemos então sintonizar mais com tal continuidade e comungar com os seres e arcanos subtis do conhecimento e da vivência do espírito e do divino, no nosso corpo e alma na Terra.
Cada acto de escrita é uma irradiação no nosso corpo espiritual, por vezes com mais esforço e sangue outras inspiradamente, gerando-se novas linhas  no Grande Livro dos Livros da Vida, esse onde estamos todos inseridos e sempre com uma página em branco, à nossa frente e dentro de nós, e que nos vai encaminhando para a religação e contemplação silenciosa e maravilhosa espiritual e divina.

Tarot, XV, o Diabo. Imagens arquétipas e símbolos energéticos, iniciações conscienciais e lutas actuais.

Eis  o arcano XV, o Diabo, um dos que mais atemorizam qualquer pessoa ao tirar as cartas, tal como se passa de certos modos com a Morte, o Enforcado e a Casa de Deus, pois o mistério do Mal, a sua iconografia e as associações mentais dos Ocidentais,  influenciados pelo Catolicismo, levam a descortinarem-se e logo adivinharem-se forças do Mal, desequilíbrios e aprisionamentos sexuais, sujeições a tendências ou forças opressivas. Assim, dada a vasta soma histórico-filosófica-religiosa de ideias sobre o Mal, ou sobre um ser que o incarna ou o lidera enquanto oposição ao Bem ou à Luz, deveremos reconhecer as nossas limitações e tentar contextualizar realidades, crenças e ideias, representações e iconografia, discernindo as que podem ter convergido para este arcano do Tarot, ou as que podem  ser por ele melhor clarificadas ou compreendidas, quando o contemplamos, o meditamos, o consultamos.
Não recuaremos tanto a conceptualizações e representações mais ou menos antropomórficas muito antigas do Mal, ou  seja, de um dito ser mau ou opositor de Deus, ou dos deuses, tais como nos ensinamentos de Zoroastro  da Pérsia encontramos em Ahriman ou Angra Mainyu, o espírito que mata, em luta com o resplandecente Spenta Mainyu (espírito vivificante) e Ahura Mazda (o Ser sábio), e que no fim será vencido; ou posteriormente de Mani (216-277), para quem o Mal era a matéria com o seu movimento desordenado (e que veio a influir muito no Catarismo medieval, quase uma sua derivação, também fortemente dualista), nem falaremos por hora das visões egípcias e depois gregas, possivelmente presentes nas raízes deste arcano, nomeadamente com o deus Hades, das profundezas da Terra, nome que designava tanto o reino dos mortos (na Mesopotâmia, o Arallu, com 65.000 ukukku, ou demónios) como o rei desse inferno ou mundo subterrâneo (e que contudo frequentemente era demandado pelos iniciados ou heróis). Nem do Oriente falaremos...
Também não entraremos em cultos modernos tolos ou malignos do Mal e do Diabo,  Satan ou Lúcifer, chefes duma  hierarquia de entidades e forças do mal, em geral mistificadoramente apresentada com tantos nomes inventados, pois embora existam entidades negativas e perigosas tanto humanas como não-humanas nos mundos invisíveis de modo algum estão tipificadas e individualizadas nas tabelas demoníacas, nomeadamente de origem cabalista e ocultista, e que ao longo de séculos têm iludido as pessoas, tal como aliás os nomes das entidade angélicas, muito exploradas por autores como Haziel e &, ao estilo superficial e auto-sugestões da literatura dita da nova Era.
Tentemos pois clarificar algumas noções básicas de origem religiosa e equacionar o que contemporaneamente mais de mal ou diabólico existe e que devemos discernir, denunciar, evitar ou mesmo lutar contra, tanto mais que muitos seres, e em especial políticos, financeiros, farmacêuticos e jornalistas, são instrumentos dessas forças negativas, quer as consideremos entidades ou seres subtis (influenciando as suas marionetas na Terra), ou apenas como ideologias e visões sociais opressivas e artificiais da Humanidade, e que já nos meados do séc. XX algumas obras literárias apresentaram, tais as de Aldous Huxley e George Orwell,  e que hoje em dia vemos concretizarem-se de forma controladora e asfixiante sob a designação de New Reset, sob a batuta do Fórum Económico Mundial.
Carta XV, o Diabo: aproximemo-nos então da palavra  Diabolos, escolhida  na primeira versão grega do Antigo Testamento, a Septuaginta, para traduzir Satan, palavra hebraica significante de adversário,  acusador, e que podia ser utilizada tanto para referir tal função num homem (Salmos, 108, 6) como já um ser invisível, espírito ou anjo, surgindo neste sentido no episódio de Balaão (Núm. 22.22), e no Livro de Job, aqui Satan sendo um dos filhos do deus hebraico Jeová, que pediu e obteve permissão para testar a paciência de Job face às provações que lhe seriam e foram sendo enviadas. 
Com o tempo, com as manipulações interpretativas posteriores, tal como em relação a Ezequiel, 28, que nada tem a ver com ele, ou ainda com Isaías, 14, em que o rei da Babilónia é apresentado como  Helel ben Shahar, Estrela da manhã, Vénus, ou Anunciador da Aurora, designação traduzida na Septuaginta grega por Heosphoros (portador da luz matinal), a  qual, por S. Jerónimo, se traduz na Vulgata latina por Lúcifer, vai este nome surgir como uma nova personificação do mal ou dum adversário, tal como  Satan, e que Lutero, segundo ele tão visitado ou perseguido pelo Diabo (ou entidades demoníacas), assinalou na sua tradução pioneira para alemão do Novo Testamento
Será porém só com o Livro de Enoch (uma manta de retalhos de sonhos,  visões e profecias, numa base judaica apocalíptica, composto entre os século III e I a. C) que Satan, de anjo servidor de Deus (como vemos no Livro de Job) passa a ser Lúcifer, a estrela caída, o anjo rebelde, o inimigo de Deus. Algo que terá muito acolhimento nos povos e pessoas, sempre assustados com entidades negativas e com o que fora erguido a chefe delas,  vindo  portanto a surgir em biografias de santos, sermões, lendas e literaturas  popular e na mais erudita e espiritual, tal como observamos sucessivamente na Divina Comédia de Dante, no Paraíso Perdido de Milton e no Fausto de Goethe. Anote-se a visão original do intuitivo e visionário Rudolf Steiner (1861-1925), que posicionou o Cristo entre  dois extremos de entidades do Mal, a de Lúcifer, o individualismo e fuga da Terra, e a de Ahriman, o materialismo e aprisionamento na massa e na máquina, tão presente actualmente.
Assim, se Satã significava no Antigo Testamento apenas aquele que divide, que é  acusador num processo, ou já caluniador ou mentiroso, mas que obedecia nessa função ao deus hebraico Jehová e era um dos seus anjos-ajudantes (um ben-Elohim), ele acaba por se tornar no Novo Testamento não só "o Diabo", tentador do mestre Jesus (e, se obedecia a Jehova ou não, e o que é que o misterioso Pai pensava disso, não ficou escrito...), mas também, tal como Jesus exprime quanto seus contemporâneos e perseguidores judeus, na fala que nos chegou  em S. João, VIII-44:  «Vós sois do vosso pai, o Diabo; e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o início, e não estava  na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele diz uma mentira, fala do que lhe é próprio, pois é um mentiroso e pai da mentira. Mas, porque eu digo a verdade, não acreditais em mim.».
Estas afirmações são de tal modo fortes e misteriosas,  que bastantes gnósticos e cristãos entendendo que Jesus se referia a Jehová, consideraram-no  apenas um demiurgo ou criador imperfeito, ou então uma concepção de Deus primitiva hebraica (baseada em muitas fontes ou deuses do Médio Oriente) que se tornara uma egrégora, uma forma de pensamento, ou mesmo uma entidade maléfica, opressiva.
Gravura de Dürer. S. Miguel luta com o dragão no fim dos tempos, conforme as imaginações fantasmagóricas do Apocalipse
Com efeito no Novo Testamento,  no seu texto final o Apocalipse, e ganhando alguns traços provindos  do Antigo Testamento, nomeadamente do Génesis, da enigmática serpente (nahash) do mítico Éden, e das referências a Vénus, a estrela da aurora, dá-se a junção personificadora e identificadora de Satan, ou o Diabo, ou o Adversário,   com um  alto ser celestial ou anjo caído, o Príncipe das Trevas. Embora haja um leve antecedente no Evangelho de S. Lucas, 10, quando se escreve que Jesus teria dito aos 72 discípulos, que se gabavam de ter expulsados demónios em seu nome, que teria visto cair dos céus Satanás (uma afirmação que necessitaria de boa investigação textual - e Erasmo já trouxe à liça nas suas anotações ao Evangelho a versão diferente registada pelo religioso búlgaro Teofilato -, pois é mais curial serem apenas entidades negativas, estilo lemuróides, denominadas demónios..), tal é afirmado plenamente somente no já tardio Apocalipse (12.9), atribuído incorrectamente ao discípulo S. João, tal como Erasmo bem provou, mas que tanta fortuna terá no Catolicismo, na arte e na literatura, dadas as suas imagens e cenas espectaculares e enigmáticas, dando azo a tanta interpretação imaginativa e errada, sobretudo em termos de previsões e profecias. 
Livro do Apocalipse que gerou uma perda de tempo quase infinda e que, como uma doença, apanhou tantos cérebros e almas, com tais sobreposições ou interacções entre as entidades maléficas, profecias e fins do mundo ou das eras, permitindo-lhe sobreviver ainda nos nossos dias em cultos e pregadores, os mais fraudulentos atemorizando, por exemplo, para venderem os seus livros ou para recolherem  o dízimo ou mais, em nome de uma universal aldrabice de Reino de um apenas imaginado Deus, tão dependente ainda do tribal e vingativo Jeová, o qual de certo modo é, senão uma entidade maléfica, como já referimos, sobretudo uma concepção, aura ou egrégora ainda com muito exclusivismo, violência e vingança, sobretudo se a compararmos com a do Pai, de Jesus.
É de espantar como esta forma de concepção ou crença em Deus, tão limitada e mais do que ultrapassada, ainda é agitada como um espantalho atemorizador em Igrejas e Assembleias  com tantos ingénuos seguidores, tão crentes quão carentes, tão alienados quão manipulados, algo muito visível em igrejas pseudo-evangélicas mais recentes, e nas suas derivações de pastores descarados ou de banha da cobra, com multidões arrebanhadas e auto-iludidas.
Nessa obra imaginativa acrescentada ao Novo Testamento e que é o Apocalipse encontramos uma série de visões fantasiosas de um mítico  fim dos tempos (cap. XII, 7) que se acreditava estar muito próximo, declarando-se antes que o anjo ou arcanjo Miguel e os seus anjos guerrearam contra o Dragão e os seus anjos e este «foi derrotado, e não se encontrou mais um lugar para eles no céu. E que aquele magno dragão, a serpente antiga, que se chama Diabo e Satanás, que seduz toda a orbe da terra, foi projectado na Terra com os seus Anjos».
Embora sendo uma imaginação de um futuro histórico que nunca acontecerá como é descrito, este Apocalipse cheio de contradições, atribuído ao discípulo mais amoroso de Jesus e que certamente negaria tal autoria, fruto de meios messiânicos judeo-cristãos, nas lutas e dúvidas do começo do Cristianismo e que pensavam que o fim do mundo e o regresso de Jesus o Cristo estava eminente, ainda hoje é utilizado por mistificadoras igrejas ou esoteristas para justificar doutrinas, sonhos e utopias e sobretudo manipular os fiéis, os crentes, os aprendizes com medos do fim do mundo, ou de catástrofes, de origem nuclear até, tal como foi anunciado por exemplo porElizabeth Claire Prophet e seus mitificados mestres ascensos, para 2-10-1981. Curiosamente, acerca do Covid não consta que qualquer astrólogo, pastor ou clarividente, dos milhares e milhares encartados, sinalizasse tal pandemia, bem como as mortíferas vacinas e a derrocada da convivialidade livre devido aos múltiplos controles e vacinações quase obrigatórios que se instalaram e que, mesmo tendo passada a pandemia para uma leve endemia, qual gripe normal, continuaram a ser impostos pelos governos mais autoritários e opressivos, com múltiplos efeitos nocivos nas pessoas mas que são ou continuam a ser muito encobertos, silenciados pelos media e as pulhigrafices de certas redes sociais...
Regressando aos tempos antigos, é importante referir-se que vários conhecimentos, especulativos ou fundados, acerca do Além e as entidades invisíveis e mesmo as angélicas, tais como os Querubins, ou que Satan seria um chefe dos Querubins, foram recebidos pelos hebreus durante o cativeiro da Babilónia, onde tiveram contacto com as tradições religiosas e mágicas  da Mesopotâmia e da Pérsia, havendo ainda influências das tradições egípcias (Sata, a serpente do mundo subterrâneo) e gregas, nomeadamente com os daimons e os agathos, espíritos ou génios.
Posteriormente, ao longo de séculos, a  visão, crença ou adivinhação de espíritos invisíveis gerará, com profetas, magos, teurgos, cabalistas e ocultistas, uma salgalhada de nomes de entidades e hierarquias negativas e positivas, sendo o caso mais flagrante o dos 365 nomes de Anjos para cada dia do ano e aos quais se poderiam dar ordens, tal como neste século XX um mistagogo com o pseudónimo Haziel propagou em tantos livros, inaugurando um culto superficial e enganador, estilo feira pseudo-angélica, em tanta literatura e eventos da movimentação social denominada Nova Era, que sobretudo desde os anos 60 se desenvolveu no Ocidente.
A luta contra o Mal e o Diabo e os seus demónios foi introduzida nos sacramentos do Cristianismo, nomeadamente no Baptismo, na renúncia que se faz a Satan e a sua "pompa", a qual dizia respeito tanto à entidade principal do Mal como ao Mundo profano (e pagão), a pompa não sendo só vaidades mas referindo-se ao cortejo quantitativo das entidades negativas. Também os exorcismos, ainda hoje praticados, e por vezes realmente eficazes na limpeza psíquica do paciente, testemunham a existência seja de energias, seja de espíritos perturbadores, embora o que se veja nas igrejas evangélicas e pentecostais, sobretudo brasileiras e outras, seja mais para fazer rir, tais os embustes, ou então auto-sugestões, praticados.
Se interelacionarmos as tentativas de
compreensão mais filosóficas, psicológicas e sociológicas da origem e da constante gestação do Mal e do sofrimento na Terra, com as mitologias e metafísicas do Bem e do Mal em luta, que se foram criando em muitos povos e religiões e que ainda hoje, por vezes até fanaticamente, influenciam pessoas, compreenderemos a extensão e força deste símbolo e arquétipo e que conforme as épocas foi fortalecido ou nutrido pelas formas e ideologias de que se tem revestido a potencialidade do Mal, ou seja da oposição ao Bem (ou do que se considerava o correcto, o autorizado, o admissível, a Ordem Divina, o Amor), e que são principalmente o egoísmo, o ódio, a violência e a opressão, sentidos ou exercidos pelo ser humano e as sociedades, governos, partidos, grupos.
Ora sendo o Tarot um programa humanista de ensinamentos históricos, morais e iniciáticos, com origens mediterrânicas e até dos mistérios greco-romanos e com fortes influências do Cristianismo, com o tempo tendo-se tornado um jogo, e depois uma técnica ou arte de aconselhamento, reintegração  e  adivinhação, as diferentes versões simbólicas do Tarot naturalmente tentaram transmitir algumas linhas de força sobre o que consideraram ser o Mal, ou um possível ser que o personificaria ou mesmo o lideraria, com os seus agentes ou afins denominados demónios, alertando-se assim para certos aspectos da realidade que sendo invisíveis tendem a ser cada vez menos tidos como possíveis...
  Assim  o Diabo, a personificação ou individualização do Mal no Ocidente, era um ser muito temido na época em que nasce o Tarot, no fim da Idade Média e começo do Renascimento, conforme até afirmava e desenvolvia a doutrinação teológica respeitante aos três inimigos da alma, o Mundo, a Carne e o Diabo (e que no séc. XX Fernando Pessoa reflectirá por escrito várias vezes), e que as visões de alguns padres e místicos, e os sermões e pregações exploravam  com os medo dum destino terrível ou infernal no além, aumentando-se assim ainda mais a crença e medo face ao dito "opositor de Deus". 
Neste sentido uma das versões das cartas mais antigas, renascentistas do Tarot mostra um Diabo que tem encadeado aos seus pés um casal, seja de diabinhos, seja de pessoas, apontando para esse temor do inferno e numa imagem bem antitética com o  arcano V, o Papa, já que este lidera ou abençoa um par de sacerdotes. Em termos da evolução das cartas e seus números faz até bastante sentido: o V, o Papa, que intermediariza para Deus e tem as chaves da gnose, ao qual se acrescenta a Roda da Fortuna, o X, das vicissitudes da Vida, de que resulta XV como o seu oposto ou complementar, o que intermediariza o ser humano seja com o seu inconsciente, instintos e sexualidade, relação que pode ser fortificadora como fatal, encadeadora, violentadora, e por isso talvez este arcano vem após o  XIV da Temperança, o do equilíbrio fluido das polaridades e dos contrários.
A plurivalência do que era visto nos seres visíveis e invisíveis como mal, o menos bem, ou a oposição à ordem, à moral e a Deus, sendo bastante grande ou extensa, criaram-se então múltiplas imagens do Diabo e de uma luta entre o Bem e o Mal pelo que vamos encontrar na escultura românica e gótica, em especial nos capitéis e pórticos das igrejas e catedrais, na iconografia de gravuras ou pinturas, em livros de miniaturas iluminadas ou bestiários, representações que ecoam essas diferentes concepções e  intenções dos seus criadores, de acordo com as suas mundividências e com o objectivo, em geral e por exemplo, de  as pessoas não se enredarem  nos defeitos ou vícios que se consideravam submeterem a alma individual ao Mal, ao Diabo ou aos demónios, do qual pouco se sabia embora algo se sentisse, e com o qual muito se ameaçava...
                                          
Esta representação do Diabo, provinda de um dos primeiros Tarots, do
séc. XV, mostra os traços mais clássicos ou repetidos ao longo dos séculos: uma figura meia humana meio animal, semi-nua, algo hermafrodita ao ter seios, dotada de cornos seja shamânicos seja da fecundidade, com ar negativo ou atemorizador, tendo aos seus pés, presos de um modo ou outro, dois seres, homem e mulher, por vezes  com alguns traços animais e com umas asas mais de morcego que de anjo e que poderão aludir à queda de Lúcifer, que seria um alto espírito angélico mas que se revoltara contra Deus. No Islão, Iblis, o Diabo, foi apenas um Anjo elevado que se recusou a adorar Adão quando este foi criado.
Uma exegese simples da mensagem deste arcano é a de que os seres humanos quando se deixam controlar por instintos, hábitos, forças, sentimentos e ideias mais negativas, ou seja, egoístas e violentas, falsas e fanáticas, para o qual os media vendidos às elites tanto contribuem,    podemos dizer que estão dominados pela  sombra, ora receosa ora violenta, da pessoa, e até por egrégoras, entidades ou seres negativos, ora brincalhões ora opressivos, dominadores ou destrutivos. Ficam assim algo subordinadas a energias do caos, do ódio, da exploração, da crueldade, da violência, o que sem dúvida pode considerar-se do domínio do Mal, ou seja de um possível campo de forças negativo, ou mesmo duma entidade Diabólica, e que do ódio, dos sofrimentos e dissensões se alimenta e que nas nossas sociedades crescentemente repressivas se acentua e que mais recentemente tanto vemos no seu extremismo total na tentativa de genocídio do povo da Palestina.
Houve ainda na representação ou image
m comum do Diabo uma diabolização ou negativização das forças da natureza e sexuais, ou mesmo do Paganismo e em especial do Dionisismo, e até provavelmente o Deus Pan estaria a ser visado. Mas também foi o temor a tais forças que as diabolizou, ou seja, ora tal receio faz com que as pessoas considerem como mal instintos e actos naturais - e sabemos como nas épocas medievais a noção do pecado original tendia nesse sentido e precisava de uma fonte primordial (Serpente-Diabo) e de um destino final  (Inferno) -, ora faz as pessoas perderem o seu livre arbítrio e lucidez, deixando-as presas ou viciadas em situações, hábitos e modos de ser negativos,  dependências instintivas ou temperamentais e por vezes capazes de grande violência, ódio e logo falta de empatia e compaixão sendo na insensibilidade e crueldade verdadeiramente diabólicos, isto é, adversários do Bem, do Amor e do Ser Divino e do seu Cosmos, como vemos tão tragicamente na actualidade
De modo geral os seres humanos estão, em um ou outro aspecto da sua vida, algo encadeados, subordinados, submetidos, insensibilizados, alienados e como tal, afastando-se da luz e do amor do Bem e da Fonte Divina, criando em si ou ficando numa zona instável e altamente manipulável que pode facilmente tornar-se mesma diabólica, nos casos de seres mais egoístas e fanáticos, violentos e cruéis, como em períodos de conflitos e guerra se pode verificar...
                                           
Esta versão do Diabo com a forquilha (do Dick Tarot), muito medieval e que nos faz lembrar
os fabulosos autos de Gil Vicente, remete-nos para uma concepção paralela ou convergente com a entidade arquétipa Diabo e que é a de haver um local para onde as almas negativas são dirigidas após a  morte e onde o Mal, enquanto ausência do Bem, da Luz e do Amor, está mais concentrado e onde espíritos maléficos "tratariam" dos que não se portaram bem em vida. 
Tal ideia (tão geradora de artísticas imagens imaginadas ou então sonhadas) do Inferno, tão ameaçadoramente pregada mesmo no Renascimento italiano, como o fez o exaltado frade dominicano Savonarola, na Florença dos Medici, de Pico della Mirandola, Marsilio Ficino e Botticelli, subjaz também a este arcano e embora nesta versão bastante simples, sem necessitar do casal escravizado, e só com uma figura,  algo de carga atemorizadora ainda subsista, embora o Diabo pareça até cansado ou amargurado do seu ofício de levar fardos de palha seca para a fogueira, quem sabe pelo carácter brincalhão ou mesmo céptico do desenhador do Tarot.   
É claro que sempre houve descrentes, seja no Diabo como um Anjo caído, seja no Purgatório (caso dos Protestantes, pois tal doutrina foi em grande parte formulada no Cristianismo por S. Agostinho e S. Gregório, o Grande), seja mesmo no Inferno, pois o Purgatório e o Inferno admite-se serem mais zonas do Cosmos subtil e interior povoadas por entidades negativas, e alimentadas pelos estados psíquicos criados por cada alma ao longo da vida e que em sintonia com tal vai dar ao seu lar doce lar, seja ele uma taberna ou um grupo. Assim, após a morte física, as pessoas serão atraídas pela afinidade de desejos e estados de consciência para essas dimensionalidades subtis com os seus diferentes locais mais infernais, purgatoriais e paradisíacos, muito poucas se aproximando despertos e aptos a circularem nos mundos espirituais e Divinos, pois não trabalharam bem nem despertaram suficientemente a sua identidade e dinamismo espiritual.
Assim para o inferno e o paraíso haverá tanto uma origem  na consciência de cada um, como pela constituição vibratória da alma que será levada para o ambiente correspondente, como também ainda pelo constatar ou observar o estado em que se está, num  julgar-se pelo que de negativo ou positivo cada um fez aos outros, algo que tem já um eco anunciador, na vida terrena, no que foi denominado a Voz da Consciência, a voz no silêncio interior (pluridimensional), por exemplo entre nós tão trabalhada por Antero de Quental, recomendando, por exemplo  em carta famosa, ao seu grande amigo Fernando Leal que a tentasse meditar com persistência, a fim de a poder ouvir e intuir, enquanto fonte de Bem, de dinamismo e de luz espiritual. Antero de Quental que foi um lutador pelo Bem, a Liberdade, a Revolução justa, muito patente nas Odes Modernas e que nos nossos dias seria uma voz poderosa e importante, se o deixassem ser ouvido. Tambéma A famosa voz ou som do daimon ou génio de Sócrates, que lhe se lhe apresentaria num sentido dissuasor, aponta para tal ligação espiritual consciencial.
                                            
Algumas versões antigas do Tarot de Marselha,  sob as asas de morcego do Diabo ou Anjo Caído, sempre representado com traços humanos e animais, hermafrodita, com peitos femininos, órgão sexual masculino e com o ventre qual cabeça olhando para baixo, mostram duas pessoas presas com sinais de órgãos animais, tal a cauda e as orelhas, os cornos e os cascos, sugerindo que a entrega cega aos instintos naturais, tal a gula que faz ventre ser a cabeça que manda, ou a servidão às forças  instintivas e de violência e ódio, tem consequências negativizantes, densificantes, isto é, de mal, atraso ou retrocesso evolutivo.
Ora, das forças negativas que prendem e manietam nos tempos actuais, das que  tentam atemorizar, manipular e oprimir, quais serão as que deveremos mencionar e interrogar?
A exposição e a aceitação da violência por tantos meios de informação, cinema e jogos? O egoísmo e pragmatismo da luta pela sobrevivência a par de uma dispersão consumista virtual? A alienação provocada pela informação-desinformação imensa, por vezes tão eficaz na sub-animalização das pessoas? As violências, preconceitos, exclusivismos, racismos e imperialismos? O egoísmo dos grandes milionários? As tentativas de novas ordens mundiais regidas por elites financeiras insensíveis e desumanas? Os laboratórios de guerra biológica (trinta e seis ucro-americanos destruídos recentemente na Ucrânia) e os vírus? As tentativas de desnaturarem os seres humanos e a sua sexualidade, com os desequilíbrios das mudanças de sexo, tão perigosas no futuro? As implantações de chips e a tentativa de fundirem o ser humano com a máquina? A ganância desmesurada de poder e dinheiro? As seitas e os grupos mistificadores de esoterismo, auto-cura, sucesso, nova Era? O excesso da alimentação carnívora, o álcool, as drogas? A dispersão nas redes sociais? A falta de contacto com a Natureza, a ausência de invocação e de ligação aos Mestres, aos Anjos, à Divindade? A falta de realização do espírito e de estarmos mais em amor, fraternidade e criatividade num Universo fabuloso?

Talvez se deva referir a pandemia do virus corona 19 (uma obra diabólica, se tiver origem humana laboratorial, mesmo por descuido, e há quem o defenda), e que feriu, fez sofrer e matou milhões, fazendo com que tantas as pessoas ficassem mais à mercê do mal, nomeadamente pela artificialidade de vida, a falta de liberdade e convivialidade, a obstrução da respiração e da face humana mascarada, o aumento de apreensões e medo, a diminuição dos cuidados de saúde, a entrada na pobreza de muita gente desempregada, o enfraquecimento pelas vacinas, algumas delas mesmo danosas, com a agravante de que tal crise tem permitido aos governos e "media" a capacidade de  controlar, subjugar e desequilibrar milhões de pessoas. 
E, talvez por fim, o excesso de imagens desequilibradas, falsas, inúteis, excitadas, violentas que os meios de informação e as redes sociais, além dos jogos, estão sempre a emitir e que vão lançando sementes de violência e confusão nas mentes e o embaciamento, assombramento e desgaste da visão, que as vão tornando incapazes de verem interiormente, de discernirem pela sua bússola interna, ou mesmo de irem limpando e abrindo o seu olho espiritual ou, que seja, apenas de verem com compaixão, com a luz do olho e do coração espiritual, o que impediria certamente tanta da insensibilidade humana e crueldade diabólica na Palestina.
                                              

O clássico Tarot de Marselha, na forma definitiva da tipografia Grimaud, sugere alguns aspectos de tal servidão, ao destacar mais a dualidade homem-mulher aprisionada e ao mostrar o Diabo com uma espada sem punho e de duas lâminas empunhada pela mão esquerda, enquanto a da direita se ergue numa posição neutra mas de saudação, em contraste com a postura do arcano V, o Papa, na qual há o gesto ou mudra abençoador e para o alto, para o espiritual e Divino, sendo também, como já referimos, semelhante a representação da polaridade dos que os ouvem ou seguem nas imagens das duas cartas. E há também relação com arcano I do Mago, o qual recebe, pelo lado esquerdo receptivo, do alto e dinamiza os seres no mundo através da mão direita.
Uma das interpretações possíveis desta interacção tripla (casal e Diabo) é a de vê-la como uma denúncia da violência que anima o Diabo, o Diabolismo, ou do que é a essência do Mal, ou dos seres maus-violentos-falsos, e que todos podemos ser, mais ou menos, em certos momentos da vida, pois o arcano sugere que se pode usar da espada sem se magoar a si próprio enquanto simultaneamente os seres humanos a ele sujeitos estão aprisionados, limitados, ameaçados, submetidos e oprimidos, em sofrimento.
O mal ou diabólico é então aquilo que em nós fere os outros, violenta as suas crenças e expectativas, não os ouve, o que corta as esperanças, o que atraiçoa, abandona, oprime, explora, engana, abusa, mata...
É diabólica a postura enganadora de quem, detendo algum poder ou autoridade sobre os outros, baseia-se na violência, na opressão e na desinformação manipuladora para atingir os seus fins egoístas.
Tal é de outrora como é de hoje (e muito, basta citar os exemplos de cadeias de informação como a CNN, e já hoje a infectar Portugal, ou a BBC, British Brainwashing Corporation), e foi denunciada ou desmascarada como diabólica, já no século XVI, com grande divulgação ou sucesso nos seus Adágios, pelo ousado e irónico Erasmo, pondo em causa, entre outros aspectos, a guerra então eminente, com um texto sobre dito antigo: dulce bellum inexpertis, "a guerra é boa para os que não a experimentaram", algo que as pessoas hoje se esquecem, ao aceitarem, verem e consumirem passivamente as notícias televisivas de tantas criminosas actividades de governos ou grupos, em tantas opressões e sanções, assassinatos, conflitos e guerras...
Assim, nos tempos modernos, por muitos modos, podemos estar a ser vítimas e canais de forças ou sugestões maléficas, orgulhosas, mentirosas, violentas, opressivas, dominadoras, imperialistas, caóticas, seja passivamente seja activamente, tantas são as formas de nos ligarmos, prendermos ou submetermos ao dito não Bem, ou ausência ou diminuição, que é o Mal ou mesmo à sua entidade Diabólica e aos seres invisíveis negativos, negando ou recusando a vontade ou intencionalidade Divina de Amor e Sabedoria, que potencialmente e nos níveis elevados nos interliga no Campo unificado de energia informação que consubstancia psico-energeticamente e invisivelmente a Humanidade e a vida planetária, tão violentadas e desarmonizadas...

                                        
O Tarot de Arthur Edward Waite, já do começo do séc. XX,   recriação ocultista (e bastante influenciada pelo imaginativo Eliphas Levy) de uma versão de que há apenas algumas cartas do século XVI, mostra-nos, tal como ele próprio escreve no livro em que apresentou o seu Tarot, o Diabo, na figura do «"Bode Cornudo de Mendes" [do deus egípcio Banebdjedet, da cidade de Mendes]) com asas de morcego», «empunhando uma grande tocha flamejante invertida para a terra», com a qual acende a energia dos instintos nos seres humanos que estão encadeados ao cubo-rectângulo da matéria (ou ara-altar) sobre a qual ele está e domina.
A ideia de Mal brota intensificada das cores sombrias, o ar atemorizador do Diabo, o encadeamento do par com caudas e cornos animais e o pentagrama invertido que está entre os cornos e a cabeça, o qual, com os ocultistas franceses do século XIX, demasiado mistagogos e egóicos, foi considerado um sinal de magia negra quando antes assinalava mais, ou sobretudo, a descida das energias para a manifestação terrena e o corpo material. Mas certamente é certo que a tentativa de se pensar que não há bem nem mal (já Fernando Pessoa termina a sua Mensagem, com a lamentação de que ninguém sabe o que o bem e o mal) e que tudo é permitido, leva frequentemente senão mesmo inevitavelmente as pessoas a ficarem presas a forças negativas, ou mesmo a entidades invisíveis negativas que constituem o Mal, mesmo que o neguem ou as ignorem por falta de clarividência..
Contudo, afastando esta interpretação, Arthur E. Waite, no livro de explicação do seu Tarot,
The pictorial key to the Tarot, lança a analogia com Adão e Eva, e que a figura central pode significar simplesmente o Guardião do Umbral, esse ser que é uma egrégora ou entidade psico-energética fantasmática e auto-criada que nos condiciona ou barra o acesso ao mundo espiritual e sobre a qual alguns ocultistas, tal como Rudolfo Steiner e o seu discípulo Edouard Shuré, bastante imaginaram ou intuíram, e escreveram.
A possibilidade de vencermos a nossa natureza, tanto animal como egoísta, bem como as forças exteriores astrais negativas, é talvez sugerida pelas posturas e faces "mimosas" ou joviais do par encadeado-enlaçado, que poderiam a qualquer momento libertar-se pelo Amor-Sabedoria ou mesmo a Graça do Alto...
                                         
Já outro Tarot ocultista do séc. XX, o de Alesteir Crowley, que veio a Portugal e se tornou amigo (frater) de Fernando Pessoa, realça a energia sexual e fecundante, com figuras em posições alegres e dinâmicas no uso de tal energia, da qual o mago ocultista Crowley, que se considerou representado nesta imagem,  abusou, destruindo-se com o uso simultâneo de drogas e de formas violentas de relacionamentos, além de invocações algo mistagogas em rituais desequilibrados e perturbadores.
Os cornos ou presas de veado nesta versão são
amplificados para indicarem, como já vinha das mais antigas religiões (shamânicas e pagãs), ligação ao alto, fertilidade, força sexual e longevidade. O caduceu de Hermes ao meio sinaliza a importância da coluna vertebral e da circulação da energia vital, da qual a sexualidade é um dos aspectos mais fortes ou importantes, mas que tem o seu ponto mais elevado na sua relação de amor e comunhão com a Divindade, o Deus que Aleister Crowley não quis aceitar, ou submeter-se, tal como Fernando Pessoa, escreveu num pequeno apontamento, acerca de ele não dobrar o joelho diante de Deus.
                                         
O Diabo veio a ser então frequentemente ligado à oposição a Deus e a desregramentos sexuais, perversões ou sucubos (ou seja, intervenções sexuais de seres invisíveis, que existem de facto..), algo em parte proveniente de puritanismos, mais ou menos excessivos ou então, ao contrário, de histerias colectivas e orgiásticas, algo que a sexualidade nos dias de hoje pode ainda assumir em certos grupos, sobretudo nos USA, por vezes claramente em ondas de irracionalidade, excessos e violência e, logo, de Mal.
Não haverá muitas dúvidas que a mais real expressão do Mal ou das forças diabólicas nos seres humanos é a a arrogância, o racismo, a violência, a mentira, a opressão, o assassinato, ou seja, a falta de palavra e de ética, de diálogo, respeito e amor recíproco, como nas últimas décadas se têm vindo a acentuar na cena política mundial, com o egoísmo e o maquiavelismo de alguns países, governantes e gestores, ligados a petrolíferas, bancos, indústrias dos armamentos, fármacos e agro-química, frequentemente  apoiando-se e encobrindo-se mutuamente, e explorando e destruindo pessoas, países e partes do planeta, causando guerras, grandes sofrimentos e retrocessos evolutivos em partes significativas da Humanidade. Veja-se a tragédia do Yemen, vítima do regime imperialista mais que sinistro e criminoso da Arábia Saudita. Ou o Iraque, a Líbia, a Síria, a Palestina e o Irão vítimas de guerras e lutas muito manipuladas ou dirigidas pelo Ocidente. Isto tudo, encadeando-se na lei do karma, da acção reacção, ódio e vingança,  gato e  rato, gera situações quase insolúveis como vemos no Médio Oriente, em especial na relação oprimidíssima da Palestina sob a limpeza étnica de Israel. O que a USA e o Ocidente apoiaram na fascização da Ucrânia e no seu consequente enfrentamento com os ucranianos russos e a Rússia é outra manifestação evidente de forças do mal e do ódio em acção.
                                             
Na realidade esta é uma face muito actual do Mal e do Diabo no século XXI, com infinitas consequências, e embora o imperialismo norte-americano tenha apelidado do eixo do mal outros países, sem dúvida têm sido antes eles e os seus aliados e coligados a gerá-lo e a apoiá-lo com repetida e grande intensidade, sobretudo no Médio Oriente, e agora mais recentemente na Ucrânia contra a Rússia, em vez de apoiarem as reivindicações justas, as negociações e o fim do expansionismo ameaçador da NATO. Cabe pois denunciar tal face como maléfica, e tentar corrigi-la e não apoiá-la, pois são demasiado os seres e recursos que estão a ser oprimidos e destruídos pela ganância de domínio de recursos e terras, e pela supremacia imperialista, claramente ambas orgulhosas ou diabólicas.
Já o francês Hadès, meu primeiro instrutor (por livro) no Tarot, fazia nos anos 60 a ligação entre o arcano XV e a bomba atómica, citando a frase, julgo que de Oppenheimer: "Fizemos a obra do Diabo". O que não diria ele hoje dos perigos da energia nuclear, tanto a das ogivas como a pacífica (Chernobyl (1986), ou a de Almarnaz posta pelos espanhóis "bucolicamente" junto ao rio Tejo dos peixinhos e banhos e explorada para além do seu tempo seguro de uso, como têm denunciado muitos ecologistas, nomeadamente o António Eloy com o seu último livro Almarnaz e outras energias más, 2017, onde também fui um dos colaboradores, e que a qualquer momento pode ser accionada na própria União Europeia, cada vez mais enfraquecida pela sua escravização à USA e à sua NATO.
Talvez seja lícito interrogar-nos que países ou práticas governamentais, científicas, biológicas e empresariais são mais maléficas e até onde irá a hybris (arrogância desafiante) do sistema mundial financeiro e imperialista (com os armamentos, a serem a principal indústria), seja a explorar os recursos e destruir a Natureza (por exemplo com os arboricidas e "glifosáticos" portugueses municipais), seja ao tentar bloquear e dominar, e tentando destruir os que lhe resistem (o caso da Rússia, de certo modo muito mais europeia que a USA - algo que em Fevereiro de 2022 entrou em fase de erupção - , mas também a China, Irão, Síria, Cuba e Venezuela) e levando atrás de si a tão desorientada, vendida e até desumanizada  direcção da União Europeia, atraiçoando-se assim o humanismo e a convivência fraterna dos povos europeus. E assim desde 2022   presenciamos uma grande  batalha (e no dizer de Aleksander Dugin entre o satanismo do Ocidente e o tradicionalismo da Rússia), da qual que ainda não se conseguem ver claramente os resultados para Ucrânia e a Rússia, a Europa e a Humanidade e cada um de nós, para além de uma ampla hipocrisia política, mortandade e destruição a que o Ocidente já só estava habituado a ver longinquamente, e ainda, no microcosmo pessoal, a fracturas grandes de amizades, conforme o lado a que uma pessoa adere mais. Oremos para que  se consigam amenizar os egos e teimosias,  a verdade e o discernimento venham ao de cima, e haja a expulsão ou condenação dos mais criminosos governantes e responsáveis, para que as negociações e o consenso se estabeleçam brevemente...
                                             
As cartas-arcanos do Tarot, tanto na sequência como nas ligações, apontam-nos soluções pedagógicas fundamentais para vários problemas do mal, pois mais do que entortar a coluna vertebral das crianças e dos povos com o peso de muito joio e palha, de muito consumismo ou alienações, de violências e opressões, dever-se-ia ceifar, varrer e queimar tais inutilidades. E ajudarmos os jovens, cidadãos e  povos a desabrochar os dons e capacidades científicas, éticas, ecológicas e espirituais, livres de estagnações, opressões, violências e medos e em diálogos e práticas norteados pela justiça e a verdade e numa multipolaridade justa e fraterna mundial.
Saibamos pois ver os nossos defeitos e limitações e vencê-los, saindo da esfera da estagnação em frente da televisão, da insensibilidade face às maravilhas da natureza e dos outros, dos medos pandémicos, das russofobias ou outras  e da falta de consciência espiritual, para cada vez mais vivermos de modos mais higiénicos, despertos e fraternos e comungarmos no Bem, com os que nos rodeiam, e em especial mais elevadamente com os seres que ncessitam, os afins, os mestres, os anjos, as grandes causas e o Divino em nós, vivendo no fogo do Amor....
                  Comparemos agora três arcanos bem interligados:
                                  
A contemplação psicomórfica destes três arcanos pode sugerir que o caminho da evolução humana passa primeiro por uma educação psico-religiosa ou religante à solidariedade e ao Amor, ao espírito e ao Divino, e em segundo pelo desprendimento e libertação em relação a todo o tipo de servidões, seja as grupais religiosas, nacionais e partidárias, seja as diabólicas de abusos e violência, medos e silenciamentos, seitas e alienações, e que é pelo desabrochar de uma consciência mais pura, amorosa, vasta e livre, onde o Amor, o Espírito e o Anjo estejam mais presentes, que a religação divina e ecológica-paradisíaca (do sânscrito paradesa, ou do persa pardes, jardim, parque) desabrochará mais.
É o Amor-Sabedoria verdadeiro e solidário entre os seres e povos que reverdecerá a Terra, ainda que apenas aqui e acolá, em pequenos grupos, famílias e comunidades, e que poderá conter, cercear ou transmutar o  Sistema opressivo e os seus donos e agentes egoístas e repressivos, e que permitirá aos seres humanos uma maior harmonia e auto-realização. Mas tudo ainda requerendo uma luta grande, pois tanto as eleições em geral, e quando são respeitadas, só geram frequentemente mais oportunistas egoístas e pouco ou nada trabalhando para o Bem Comum, embora na América do Sul alguns governos mais sociais e humanos estão a ganhar, como também as crises graves que a Humanidade enfrenta são manipuladas pelos "media" ao serviço de obscuros interesses e grupos financeiros, farmacêuticos, militares e imperialistas. E isto perante a inexistência e força quase nula de instâncias neutras e sábias internacionais que moderassem os extremos em luta e procurassem e partilhassem a verdade e a justiça, como seria tão necessário face aos conflitos mais violentos que continuam, por vezes em forma clamorosa e inadmissível como vemos no Médio Oriente, as Nações Unidas sendo uma sombra do que deveriam ser...
Com efeito a capacidade tremenda dos meios de comunicação e das imagens,  do dinheiro ou da forças armada, gerarem egrégoras poderosíssimas de certo modo numa magia moderna deveria ser usado correctamente para o bem da Humanidade multipolar e não para vantagens hegemónicas e quase exclusivas de certos países, grupos de pressão e minorias.
O Mal, proveniente do afastamento do amor e do divino, e do desenvolvimento ódio e da vingança, e o Diabo, da
destruição e opressão, com seres e forças visíveis e invisíveis, têm de ser vencidos pelas forças do Amor, da Cultura e do Bem que desenvolvermos em nós, em rede virtual ou de mãos dadas com os outros mais afins, na grande comunhão do Corpo Místico da Humanidade...
Avancemos na Luz, no Amor, no Bem!
Saibamos discernir o Mal em nós e evitá-lo e externamente desmascará-lo corajosamente e assim sairmos da sua esfera e libertando-nos dele e dos seus agentes soturnos, mecânicos, burocratas, insensíveis, mercenários, pulhígrafos, opressores e destruidores das terras e árvores, seres e povos, culturas e liberdades naturais...
Saibamos também fortalecer-nos corporal e psiquicamente para enfrentar e vencer, ou pelo menos repelirmos, as forças e entidades negativas invisíveis, que existem nos mundo subtis e que tentam manter as pessoas enganadas e exploradas, frequentemente em muitos grupos pseudo-espirituais ou religiosos, ou então que possuem ou vivem em  instituições, pessoas e grupos vendidos a várias formas de mal, sendo mentirosas, sectárias, violentas, opressoras e diabólicas...
Saibamos reconhecer na matéria mais rígida e distante da Fonte Original Divina, e no egoísmo mais violento e cruel, o Mal em si, e saibamos ainda discernir o que é sermos justos ou sermos vingativos, pois nestas questões muito do que é o mal, ou o diabólico, se esconde ou espreita...
Saibamos reconhecer e abrir-nos às bênçãos dos Mestres, e nomeadamente de Jesus Cristo (morto pelo mal da inveja e dos interesses sórdidos da elite religiosa e política hebraica, mas ressuscitado espiritualmente), pelo muito que eles têm feito e inspirado, vencendo o mal, ou seja, o egoísmo, o ódio, a crueldade, o racismo.
Meditemos, entremos bem dentro de nós, e estejamos abertos e conscientes do Amor, do Espírito e do Ser Divino, mais livres de medos e fanatismos, persistentemente, com sabedoria, coragem e criatividade, para que o Bem, a Divindade e a Fraternidade resplandeçam mais, em nós e em todos...

                                   
De Bô Yin Râ, a irradiação do Bem Primordial, Palavra, Verbo, Sermo, Pranava, Aum.