domingo, 21 de junho de 2026

As analogias do Sol com a Alma, segundo Ghulam Sarwar, no livro "Philosophy of the Quran". Leitura, tradução e comentários, numa gravação.



Partilho a gravação de uma leitura-tradução de fragmentos do livro Philosophy of the Quran, de Al-Haj Hafiz Ghulam Sarwar, publicado em 1938 e depois em 1944, em Lahore, num in-8º-XVI-254 páginas. 
Ghulam Sarwar nascera em 1873, em Lahore, na Índia, então sob o domínio britânico, e hoje Paquistão. Aos 13 anos foi considerado um hafiz,  recitador do Alcorão. Em 1896 terminou os seus estudos em Cambridge onde escolheu ser colocado na Malásia como magistrado, servindo em vários cargos até chegar ao Supremo Tribunal. Dominava doze línguas e era um erudito. Publicou em 1925 Word of God and the Wonders of Science em 1925 e deu à luz a sua tradução do Corão, com bom prefácio mas sem notas em 1928. Mohammad the Holy Prophet saiu em 1937, e a Filosofia do Alcorão em 1938. Deixou a Terra em 1954.
Título dos capítulos:  What is Philosophy. The Nature of Unity or the Whole: Infinity and Zero. The attributes of God and others matters connected therewith. The Universe; Life; Man - his evolution. Man: his Will, his Knowledge. The soul. Ethics or Moral Philosophy. The idea of God. 
Sendo um bom conhecedor tanto do Islão como da filosofia ocidental e do evolucionismo, que passa no livro brevemente em revista, tenta interpretar o Corão face aos dados científicos e às teorias filosóficas ocidentais, apresentando muitas citações de filósofos estrangeiros e islâmicos somente dois, Syed Ammeer Ali, e Rumi.  Na gravação, e gravei ainda um segundo vídeo como encontra no canal Pedro Teixeira da Mota @petrustella, li algumas das suas explicações e vamos agora destacar apenas alguns aspectos mais valiosos.
 Por exemplo, considera a partir da sura 2. 28 que o ser humano estava presente no universo desde o começo e que há-de permanecer até ao fim, e que portanto tal estado é inicialmente um estado de morte, e apenas virtualidade, e quando foi dito divinamente ao Universo "Sê" e ele se "Tornou", o homem já era parte e parcela desse "Sê", pelo que há um "selo de Unidade" entre o homem e o Universo e Deus. Adverte contudo que «por unidade não queremos significar identidade e ninguém assim o deve pensar. Este é o erro em que [alguns] místicos caiem. Eles pensam que por serem um com Deus, eles na realidade se tornam Deus.» 
Teoriza bastante bem a alma humana e a sua analogia com o Sol, com a alma dos profetas, e com a Divindade, nomeadamente pelas radiações que emitem, radiações que são como que fios ou cordas estruturais da construção divina dos céus...
«O sol radia calor, luz, electricidade, magnetismo, ou, numa palavra, energia. Isso também o faz a alma. As pessoas que desconhecem o Alcorão também falam do magnetismo pessoal. A verdade não está confinada num livro. Encontra-se em toda a parte ...»
Assim com a terra é uma parte e parcela do Sol assim as nossas alma são parte parcela de Deus ou o Real. 
Cada alma individual está sobre o poder da Alma de Deus e tem de voltar a Ele. De facto está a fazê-lo.
Mesmo almas que não são tão energéticas para serem comparadas com o Sol podem brilhar pela luz que retiram ou recebem das grandes almas ou estrelas do firmamento espiritual de Deus.
Estas são os profetas ou mensageiros [ou ainda os mestres, imams, santos, gurus...] de Deus. A sua luz ainda está a brilhar nos seus actos e seus registos. Estes registos, como gravações musicais, são capazes de produzir a mesma música nas nossas almas. Temos de aprender a tocar a harpa divina das nossas almas com as suas cordas de Bondade, Beleza e Verdade.
Nós podemos ser brilhantes como o sol, iluminar com a lua, mas devemos partilhar da riqueza fértil da terra. As nossas almas podem tornar-se belos jardins dos frutos do Conhecimento de Deus, da Graça de Deus, da Beleza de Deus. 
Todas as pessoas boas, quer profetas ou leigos, deixaram os sus testemunhos ou registos de boas acções e o Alcorão é o registo da vida Espiritual de Maomé. Feliz é aquele que está disposto a quere ser guiado por esta luz do Real. É uma Luz inclusiva.»

[Ainda  acrescentarei umas linhas...]
[Encontra-o catalogado em: https://pedroteixeiradamota.blogspot.... ]

Sem comentários: