

Continuando a trabalhar pela sabedoria e a verdade e em prol do Irão e da sua sabedoria e nação, face à investida israelo-americana, com artigos no blogue, um sendo bibliografia iraniana comentada (https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/02/bons-livros-10-sobre-o-irao-e-sua.html ), vamos prosseguir a tradução da parte inicial do IX capítulo do importante livro de Paul du Breuil, Zarathoustra et la Transfiguration du Monde, intitulada Zoroastrismo e Judaísmo, tanto pelo seu interesse para a história da Religião como pela sua extrema actualidade face à luta tremenda imposta ao Irão desde há tantas décadas e que agora finalmente parece terminar em parte. Despois de descrever como os judeus tanto deveram à protecção que os Iranianos lhes deram, e como autores cristãos e judeus quiseram ocultar quanto as suas religiões devem ao zoroastrismo, passa aos orientalistas que reconheceram e valorizaram a tradição religiosa e gnóstica iraniana:
«Em contrapartida, os trabalhos dos orientalistas confirmavam o que se destaca claramente de uma leitura atenta da Bíblia, especialmente em sua fase pós-exílica, e dos apócrifos judaicos pré-cristãos, a saber que a amizade secular entre a Pérsia e Israel havia beneficiado os filhos de Abraão com uma imensidade de conceitos científicos e teológicos iranianos e mesopotâmicos. Desde o começo do séc. XX o célebre A. V. William Jackson, nos seus Zoroastrian Studies, escrevia: «A influência do zoroastrismo sobre o judaísmo e sobre o cristianismo não foi suficientemente reconhecida e apreciada (p.206).» Estudos desenvolveram esse ponto de vista e, paralelamente aos de L. Mills, Stave, E. Böklen, especialistas como E. Meyer e W. Bousset demonstraram a influência determinante exercida pelo pensamento religioso iraniano sobre o judaísmo, especialmente a partir do exílio da Babilônia (Die Religion Des Judentums... Tubingen, 1926. Die Entstehung des Judentums, Halle, 1896). Por sua vez, no seu estudo bem erudito, Charles Autran analisou a evolução da religião de Israel antes e depois do Exílio, em especial na sua escatologia, angelologia e demonologia, nas suas ideias sobre o paraíso, o gehena ou inferno e o purgatório e, por fim, sobre a ressurreição e o julgamento final. Em 1938, os estudiosos J. Bidez e F. Cumont publicaram suas reflexões sobre os numerosos paralelos entre textos judaicos e mago-zoroastrianos, numa obra que ainda hoje é considerada de referência máxima (Les Mages Hellenisés, 1938). Finalmente, o eminente especialista dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947, A. Dupont-Sommer, resumiu pertinentemente a importância da influência inegável das doutrinas de Zoroastro sobre o pensamento religioso de Israel após o Exílio (L'Iran et Israel, p. 71). Além deles, o grande arqueólogo do planalto iraniano, R. Ghirshman, notou igualmente a contribuição da cultura aquemênida e da religião zoroástrica nas doutrinas judaicas e até na teologia cristã (L' Iran des Origines, p. 181).
No entanto, todos esses trabalhos raramente alcançaram o público e apenas uma minoria de eruditos reconheceu o interesse desse problema, sem conseguirem sempre medir as consequências determinantes que ele teve na formação do pensamento teológico e da moral judaico-cristã. Muitos outros livros mencionaram essa influência de passagem, especialmente obras especializadas em iranologia (tal Ormazd et Ahriman de J. Duchesen-Guillemin, que examina as «Semelhanças iranianas no judaísmo» (cap. VI); e As Religiões do Irão de Widengren, que, após notar a «enorme influência» desenvolvida pela escatologia e apocalíptica iraniana (p. 130), considera a Contribuição do Irão pré-islâmico ao conjunto das religiões do Oriente Próximo (p. 392 s.).... ), mas poucos tentaram situar o problema na sua amplidão e consequências históricas, nem que fosse em relação à originalidade da fé cristã. Não é, portanto, injuriar o judaísmo, no qual o espírito profético soube fecundar essa influência, revelar a origem das fontes zoroástricas judaizadas e tão longamente ocultadas poelas razões que esta obra se esforçará por apresentar.
Além disso, é justo prestar homenagem a uma minoria religiosa ainda muito notável, cuja sorte na história não foi muito mais invejável do que a de Israel, a dos Zoroastrianos Parsis da Índia e do Irão que, por trás do gigantesco véu da expansão esotérica da doutrina de seu Profeta, mantiveram, no silêncio e no exílio, a rectidão dos ensinamentos zoroástricos. Não se pode, aliás, em última análise, senão apreciar a continuidade que a tradição judaica e seus profetas pós-exílicos garantiram, pelo florescimento de seus escritos, aos temas zoroástricos, permitindo-lhes, a partir de uma fecundação críptica, culminar em pétalas de uma magnífica flor na qual a ética de Jesus poderia ter desabrochado se, fiel aos seus vectores esotéricos, o cristianismo não tivesse combatido o seu próprio ímpeto gnóstico e todas as formas do dualismo, para considerar apenas o seu passado bíblico.
Então, de onde vem esse silêncio milenar sobre um aspecto tão capital da fé? Claro, do orgulho teológico sobre a originalidade exclusiva das revelações, mas também, sobretudo, porque a história está repleta de fronteiras. E cuidado com aqueles que as abolirem! Como se a história humana não fosse escrita com a participação de todos os povos e cada um entendesse conservar o etnocentrismo de sua verdade, para impô-la a todos. Para muitos historiadores, era necessário que a Pérsia fosse a inimiga do Ocidente e que o mazdeísmo fosse a heresia inimiga do cristianismo, assim como para os nossos monges cronistas da Idade Média, era necessário que o Islão aparecesse apenas sob a forma de hordas selvagens de "Sarracenos". Somente a mentira, arma de Ahriman, poderia derrotar Zaratustra por tantos séculos. Se, segundo o ditado de Eurípides, «a mentira não envelhece», foram finalmente as ciências orientalistas que puseram fim a uma cumplicidade do silêncio mantida por uma tradição judaico-cristã, inquieta por perder um pouco de seu exclusivismo teológico.
No entanto, essa tradição influencia tanto a psicologia dos pesquisadores, que muitos não levam em conta a ascendência persa sobre a Grécia clássica e são mais favoráveis à ideia da influência helenística sobre o judaísmo (em parte por causa de Fílon de Alexandria). Sofrendo o peso da história grega sobre a cultura ocidental e do pensamento helenístico sobre os [primeiros] Padres da Igreja, poucos argumentos os fazem inclinar-se para as fontes esxternas ao mundo greco-romano, que por tanto tempo foi adversário da Pérsia e dos "Bárbaros", porque isso contraria o conforto do pensamento escolástico. Assim, achamos normal que mais de meio milênio de ascendência iraniana sobre o judaísmo não conte tanto quanto os dois séculos e meio de helenização da Síria-Palestina (de 312 a 63). Os longos laços de amizade real entre o mundo iraniano e Israel não compensam a helenização forçada da Judéia refractária e as perseguições da dominação grega, cujas marcas trágicas a Bíblia carrega (cf. Dupont-Sommer, L'Iran et Israel e W. Durant, Histoire de la Civilization, cap. Judeia e Pérsia). No entanto, qual é a medida comum entre a glorificação de Ciro por Isaías ou a parte importante reconhecida ao protetorado persa pelos livros de Esdras e Neemias, e o severo julgamento dirigido a Alexandre pelo livro dos Macabeus (I.Mac.1/9). Além disso, não só a Bíblia permanece em silêncio sobre os eventos gregos que abalaram o mapa político da Síria-Palestina em 332/331, mas se o pano de fundo histórico do livro de Habacuque se refere, como se pensa, à expedição de Alexandre, trata-se de um conquistador tirano ameaçado pelo julgamento de Deus (Cf. M. Noth; K Elliger, Das alte Testament Deutch, 1950, pp. 135 s.; B. Duhm, Das Buch Habakuk, 1906).
A literatura religiosa de Israel é de tal riqueza que a tradição mosaica, a mais refratária às ideias estrangeiras, pôde moldá-las à sua própria medida e, sobretudo, conservar em paralelo à sua identidade própria, uma imensidade de conceitos exóticos. São eles que enriqueceram notavelmente o profetismo pós-exílico e o que qualificamos de cripto-judaísmo, ou seja, esse duplo da religião legalista que se alimentou ao longo dos séculos de um esoterismo considerável, principalmente adoptado da gnose zoroastriana e adaptado ao estilo lírico inimitável dos livros proféticos e dos apócrifos judaicos. Esse corrente críptica fecundará a alma muito particular do essenianismo [dos essénios] e permitirá a eclosão do cristianismo. Antes de abordar uma ampla retrospectiva dessa mutação prodigiosa, notemos que, com a evolução de sua concepção monoteísta, o judaísmo também herdou da escatologia e da apocalíptica zoroástrica, o que trouxe novas crenças tão capitais quanto as da imortalidade da alma, da ressurreição dos corpos e das repercussões post mortem dos actos da vida. « É um fato bem conhecido, observava já Max Muller, que essas doutrinas estavam ausentes, totalmente ou quase, da religião dos Judeus em sua fase mais antiga (Theosophy or Psychological Religions) ». Ver-se-á, no desenvolvimento que se segue, que o fundo das crenças mosaicas revelou-se na maioria das vezes em completa contradição com os elementos exóticos trazidos pela gnose zoroastriana, e que, a longo prazo, amadurecidos entre certos grupos de judeus, eles suscitaram cismas, como a fé na ressurreição dos mortos que dividiu fariseus e saduceus, ou, com outras ideias iranianas, gerou o cisma essênio para culminar finalmente numa nova forma religiosa não assimilada [ou recusada violentamente] pela tradição autêntica de Abraão», ou seja, o Cristianismo».
O subcapítulo seguinte deste extraordinário livro de Paul du Breuil, que se encontra online - e que bem merecia a tradução ou o resumo e a sua divulgação para diminuir tanta ignorância e fanatismo-, intitula-se Monoteísmo e Judaísmo iranizado, e nele história e demonstra a evolução da concepção inicial de Yahveh, dum culto pré-israelita duma deidade atmosférica da chuva, tempestade e geada, como ainda se vê em Exodo 9.23, próximo dos deuses cananeus Baal e El (donde o El Shaddai, deus das montanhas, como lhe chama Abraão), e do deus guerreiro sumério Anu, e do Enlil-Bel, deidade babilónica da tempestade e da fecundidade, e até do deus egípcio Seth, para, a partir do contacto com a civilização e religião zoroástrica, se gerar uma progressiva desmaterialização, desbrutalização e eticização. Paul du Breuil realça mesmo como embora já tivesse recebido alguns elementos monoteístas egípcio do culto solar, sobretudo de Aton, em 1375, é só a partir do contacto com o grande culto persa à divindade única de Ahura Mazdha, que surge em Isaías e Jeremias uma espécie de paixão furiosa por Yahve tão esquecido ou desconhecido dos judeus. E cita Dupont-Sommer: «Foi precisamente no séc. VI a. C, , algum tempo depois de Zoroastro, que se reencontram as primeiras formulações explícitas do monoteísmo judeu». E depois de explicar as profusas manipulações históricas e teológicas de Esdras no seu livro bíblico, e como o contacto com o império aqueménida deu uma dimensão universal bem como uma dimensão qualitativa ética decorrente da gnose zoroástrica, «ao antigo deus tribal Yahve, cujo totemismo roda à volta da Tenda da Reunião (Lv. 8.4), dum povo nómada, em guerra perpétua contra os seus vizinhos que o deus-totém vai esforçar-se por exterminar»....
Que actual esta caracterização do Judaísmo sionista, ainda nos nossos dias activa e tão hubricamente perseguindo genocidicamente todo o mundo à sua volta, com o projecto enfabulado do Grande Israel e do seu Deus inventado mas que graças à Pérsia ou Irão foi desmascarado na desumanidade criminosa dos seus dirigentes, meios e fins.
Faltará os cristãos e, claro, muito em espacial os mais alienados ou fanatizados dos protestantes, pentecostais, dispensacionalistas norte-americanos, brasileiros e & abrirem os olhos e deixarem de formatarem-se na adoração do Yahve tribal e violentíssimo dos primórdios do Judaísmo (ou mesmo Mamom, o deus-demoónio das riquezas, como Jesus os repreendeu) e que ainda está tão vivo entre os que se dizem cristãos e que frequentemente do amor fraterno e divino de Jesus o Cristo nada vivem ou têm acesso nas suas alma., desprovidas assim da luz do corpo da glória que, ensinada por Zoroastro, os Ishraqiyum e Jesus, deveria chegar e irradiar nelas.
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