Theodore Terestchenko (1888-1950), um russo nascido em Kiev, foi um engenheiro, designer e construtor aeronáutico, que com a revolução bolchevique emigrou para França, onde se destacou seja no seu trabalho, seja compondo musicas e interessando-se pelo esoterismo, onde aprofundou e desenvolveu os seus conhecimentos matemáticos e científicos, creio que praticando não só a astrologia, a numerologia, a geomancia e a radiestesia, como a alquimia e o ritual, conforme transmite nos seus livros.
Em 1946, tendo já publicado já sobre astrologia e geomância, quatro anos antes de partir para os mundos subtis, deu à luz o livro, Initiation, nas Éditions Cahiers Astrologiques, Nice, sendo o VIII livro da colecção Maitres de l' Occultisme, e dizendo nessa obra que em parte ela provinha dos papéis dum seu amigo e mestre, que lhe pedira que transmitisse ainda no fim dos seus ensinamentos uma lista dos autores que o auxiliaram na travessia "do labirinto dos escritos da ciência oculta", sem dúvida uma adequada expressão, o que fez consignando cinquenta autores. E, como era melómano e compositor, acrescentou «alguns músicos cujas obras são especialmente de se recomendar e escutar em meditação», e que eram Wagner, Lizt, Schumann, Bethoven, Bach, Franck, C. [Ernest] Chausson, Debusy, Lequer, dos quais Chausson et Lequer são os menos conhecidos
Se analisarmos as suas predileções de leitura e cogitação, para além duns poucos clássicos da Antiguidade, pois cita apenas Platão e Pitágoras não mencionando Apuleio, Plotino, Jâmblico, Porfírio. Notamos os autores principais da Sociedade Teosófica, Blavatsky, Besant e Leadbeater, com todos os seus defeitos; ou os clássicos do ocultismo francês, hoje em dia tão ultrapassados, como Eliphas Levy, Papus, Sy Yves de Alveydre, Stanislau de Guaita. Há ainda a linha antroposófica com Rudolf Steiner, Edouard Schuré e depois o autonomizado Max Heindel. Já erradamente, consigna como sendo dois autores tanto o divulgador da sabedoria yoguica Ramacharaka, que era o norte-americano William W. Atkinson, o mentalista, como ainda Aleister Crowley, apresentando além dele o mestre Therion (Maitre) que Crowleyafirmara ter canalizado mas que era provavelmente ele próprio. Bem informado, regista o seu novel discípulo de então Israel Regardie. Cita alguns autores recentes da investigação psíquica tais Maxwell, Myers, Mulford, Bué, Rochas, Richet, Lancelin, P. Jagot, e é natural que tenha conhecido alguns deles. Talvez os melhores, citados, sejam Paracelso e Vivekananda, além dos clássicos: As Mil e Uma noites e as Legendas da Távola Redonda. Menos conhecidos são Bourrut, M. Bull, Caslan, Girod, Ingaleses, Marillier, Padmore, Paviot, Alexandre Rouhier, Courson Turnbul.
Quem recomendaria eu hoje - Platão, Pitágoras, Paracelso, Vivekananda, Rudolf Steiner.
Ora a colecção Maîtres de L’Ocultisme publicara autores ou temas, tais como: d a astrologia, obras de Gerardo de Cremona, A. Volguine, Henri Ratzau, Pezelius, Xavier Kieffer; da maçonaria, de Ragon e Cagliostro; e as obras de ocultismo de Claude de Saint-Martin, Eliphas Levy, Marc Haven, Goblet d’Alviela, Poinsot, Lenain. Certamente as melhores seriam de Confucio, Le Milieu Invariable, apresentado por Marc Haven e Daniel Nazir, e os Sete livros do Archidoxe Magique, de Paracelso, traduzidos e prefaciados pelo Dr. Marc Haven. E as duas obras de J. H. Probst Biraben, um amigo de René Guénon, tal Les Mysteres des Templiers, salientavam-se ainda.
O fim do séc. XIX e a primeira metade do séc. XX foram muito ricos de busca psíquica pelos meandros do magnetismo, psiquismo, espiritismo, ocultismo, esoterismo, hermetismo, mística, orientalismo, etc. Em 1947, por exemplo, a revista Hermes, no seu nº 1 dedicado às Lettres Françaises et la Tradition hermétique, estudava num nível mais académico Maurice Scéve, Belay, Rabelais, Joseph de Maistre, Victor Hugo, Gerard Nerval, Vigny, Baudelaire, Rimbaud, Saar Peladan, pois eram centenas de anos com grandes autores. Noutro caso, e dezenas haveria, já em 1950, os Cahiers La Tour Saint Jacques, dedicavam um volumoso caderno ao Iluminismo do séc. XVIII com artigos de bons investigadores sobre os alquimistas, rosacruzes, Swedenborg, William Law, Gichtel, Franz von Baader, William Black, Joseph Maistre, Cazot, Pasqually, Saint Martin e Willermoz.
Curiosamente nestas três livros não há referências particulares a René Guénon, talvez por este ter discordado, logo de inicio do seu percurso, em 1908, das posições do grão mestre e médico abnegado Papus, e talvez por ter sido muito exigente, pela sua formação natural e filosófica, no nível qualitativo do esoterismo da época, criticando fortemente o Espiritismo, a Teosofia, em dois livros, e tendo até pensado num terceiro sobre o Ocultismo,
| Uma carta original de Terestchenko |
Ora sendo Theodore Terestchenko um maçon, astrólogo, numerólogo (onomancia), radiestesista, estudioso das religiões e mitologaias, cabala, ocultismo e do simbolismo e provavelmente até praticante da alquimia, o livro, que li algo rapidamente, tem ensinamentos curiais e narra algumas experiencias visionárias que podem ou devem ter acontecido e que são bem explicadas, uma das quais referindo os livros da biblioteca
A obra está constituída por 199 pensamentos ou ensinamentos, alguns mais valiosos outros mais simples, mas homenageemos Teodoro Terestchenko e transcrevamos alguns: 27. - Todo o pensamento é estéril, se ele não for vivificado pela emoção ou o sentimento. Ele assemelha-se a uma concha vazia. 28. - A oração dita da ponta dos lábios é ineficaz, Mas a emoção, a exaltação fazem vibrar quem ora e a sua oração irradia e eleva-se na razão directa das vibrações. 29. - Um diapasão faz vibrar as coisas à volta de si, Aquele que vibra, comunica o seu entusiasmo.
51 - Já que queres ousar, pois já sabes que há um outro mundo e que se pode ir até ele sem se morrer aqui, dir-te-ei o grande arcano. Chama a tua alma pelo seu nome, permitindo ao teu corpo adormecer. Ela obedecerá a tua voz, ela abandonará o teu corpo por algum tempo e poderá ir ao mundo das realidades, donde verás o teu, tecido de ilusões. Mas quando retornares ao teu corpo, arama-te duma grande coragem, pois terás perdido as tuas ilusões e não terás talvez ainda percepcionado a realidade da Vida. .
88 -89 Cada coisa física tem a sua imagem no Astral, que lhe é idêntica. Esta imagem não é de matéria, mas feita de Luz astral. Mas a Imagem astral é tão real e viva, senão mais que a coisa física. Ela é como o molde que é preciso preencher de modo a torná-la tangível aos nossos olhos. (... Aprende a conceber o astral de tudo. Tenta compreender esta verdade. Procura ver a imagem das coisas.
120-21. - O que é no alto é como o que está em baixo. Todo o pensamento ou todo o acto é no astral uma realidade viva. O astral é configurativo, ou seja todo o pensamento modela no astral uma forma que representa exactamente o pensamento. Esta fora será tanto mais nítida e precisa que tua a terás tornado precisa e que terás emitido um numero de vezes maior. E eis o que o homem não sabe: Toda a forma terrestre tem a sua imagem no Astral. Mas todas a imagem do Astral tem a sua forma materializada na Terra, ou se não a tem, ela cria-a. Todo o acto executado no astral repercute-se na Terra. O que está em baixo e igualmente como o que está no alto.
121. - Agora já podes compreender porque é que uma pessoa tendo medo dum acontecimento, e que pensa nele frequentemente angustiada, esse acontecimento certamente acontecerá. Ela terá ou receberá, aquilo de que tem medo, pensando repelir.
127. - Os sentimentos do ser humano no astral são como nuvens coloridas e luminosas. A pessoa emocionada está rodeada de uma aura luminosa, provindo das vibrações da sua emoção. De acordo com a intensidade da da sua luz e da sua tonalidade, aquele que vê no astral, julga da emoção e da sua intensidade.
128. - Quando pessoa cessa de estar emocionada, a nuvem luminosa da sua emoção desprende-se dele e flutua no astral, dissolvendo-se progressivamente, tendo transmitido à volta dela as suas vibrações.
Mas se tal emoção é constantemente alimentada pela pessoas, essa nuvem, que é uma força, pode tornar-se uma força formidável, sobretudo se se junta a outras nuvens semelhantes. Que o homem desconfie de criar forças, das quais não será depois o mestre e que poderão aniquilá-lo em primeiro lugar.
140. - Emprega nas invocações os nomes bárbaros das divindades, pois eles foram imantizados ou magnetizados pelas orações das multidões, escreveram os Iniciados.[Quais estaria a pensar mais?]
Um nome pronunciado tem uma consonância sonora que produz vibrações. Estas vibrações põem o astral em movimento, elas desencadeiam forças insuspeitadas e formidáveis.
O nome de cada deus põe em movimento as forças precisas (ou exactas) das quais esse deus é o símbolo.
O deus único de Moisés tinha 72 nomes que representavam cada um dos seus atributos, qualidades, ou forças de manifestação neste mundo. [Tal como os, bastantes mais conhecidos e trabalhados, 99 nomes ou atributos de Deus, Allah, no Islão].
142.- Quando te exerceres na tentativa de clarividência emprega a ideia ou imagem da escada, tal a dos shamanes, ou de Jacob, ou de S. João Clímaco. Sobe, desce e verás mundos diferentes. Pois tu podes ver uma mesma coisa nos mundos diferentes , e ela apresentar-se-á ao teu olho maravilhado, em cada um desses planos, duma maneira diferente. Num poderás ver a coisa em si mesma, num outro, o seu princípio ou o seu efeito, ou o símbolo que a representa, ou o nome que lhe corresponde, ou o numero que a caracteriza na sua essência escondida. E assim compreenderás essas coisas, sob muitos aspectos [Transcrito com pequena melhoria.]
Concluamos com os 143 a 145. Quando meditas, projecta a tua própria imagem. Trabalha a ver-te nitidamente, diante de ti, como se um duplo tivesse realmente saído de ti mesmo e que tu o vês viver e agir. [Para quem sentir que interessa, e com cuidado, não se venham a gerar tendências dissociativas involuntárias.]
144. - Não percas jamais de vista durante os teus trabalhos que um deus não é um Deus, mas uma das manifestações do Deus único. Os templos falaram para que o ser humano compreenda melhor o Deus único, sob os seus múltiplos aspectos.
145.- Sabe que há entidades de Luz que assumem o trabalho relacionando-se com os princípios dos diversos deuses. Esses seres, tu podes invocar com as suas legiões. E se uma obra tem sucesso, é a força deles e não a tua.
Sabe igualmente que há entidades da Sombra, com as suas legiões, que nasceram por antagonismo e por inversão.
O Pentagrama e a Cruz atraem a Luz e fazem fugir a Sombra.»

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