Após o Fórum Económico Internacional de Saint Petersburg de 2026, realizado de 3 a 6 de Junho, no qual tantas grandes almas russas, e estrangeiras da multipolaridade, participaram, unidas no reconhecimento do Estado-Civilização da Rússia, desde há muito teorizado e divulgado por Alexander Dugin e outros intelectuais, e do seu papel ou missão benfazeja no mundo, e sobre o qual Dugin escreveu um bom texto de resumo que já partilhei em inglês (e pode traduzir com o QillBot), face à derrota cada vez mais evidente do colectivo ocidental por detrás da testa de ferro ucraniana, e que já hipocritamente ou não está a começar a finalmente a sair da sua posição belicista e a pedir negociações, com uma súbita deslocação a 12 de Junho de três enviados da França, Alemanha e Reino Unido a Moscovo, aparentemente independentes da orientação extremista da desgraçada direcção da União Europeia, Alexander Dugin resolveu elevar mais uma vez a sua voz prudente e sábia mas firme e exigente, alertando para os perigos que se encontram por detrás de uma aceitação da paz envenenada que pode estar a ser oferecida.
Há uma ou outra posição nele que se podem discutir, decorrentes do seu enraizamento muito forte no Cristianismo Ortodoxo e do conhecimento profundo do marxismo como filosofia, e na história e sociedade russa, e logo criticando os seus defeitos. Certamente que é mais metafisicamente que Alexander Dugin se posiciona, apresentando até as suas referências principais, tais os valiosos representantes da Filosofia Perene no séc. XX René Guénon e Julius Evola, bem críticos tanto do liberalismo consumista ocidental como do comunismo materialista e totalitário.
Cremos que Alexander Dugin, salvo de ter serido assassinado pelo martírio em sua vez da sua angélica filha e grande promessa filosófica Daria Dugina, tem vindo a ganhar um reconhecimento crescente pela sua valiosa visão do que constitui a civilização russa, e contribui significativamente para o tesouro comum das ideias e ideais, princípios e objectivos da civilização russa, interagindo com todas as esferas da sociedade e bastante em sintonia com o Vladimir Putin, embora talvez tenha de reconhecer mais, e seguindo nisso o seu Presidente Putin, a aceitação e valorização da coexistência do paganismo-shamanismo euro-asiático, do Budismo e do Islão, na grande alma russa ortodoxa, ecuménica e multireligiosa.
De qualquer modo um excelente texto, com um discernimento lúcido e corajoso dos aspectos mais negativos e insidiosos do Ocidente neoliberal globalista anti-tradicional, dos perigos que dele resultam, e muito apropriado para ser escrito e divulgado no dia nacional da Rússia.

Alexander Dugin condena qualquer compromisso com o Ocidente pós-moderno e insiste que a abordagem civilizacional da Rússia é o único paradigma possível.
«Não estamos simplesmente em guerra com o Ocidente. Estamos em guerra com o Ocidente moderno (e pós-moderno)—com o Ocidente que, desde o século XI, se desviou do nosso caminho cristão comum e tem avançado cada vez mais, esforçando-se para alcançar o fim da noite, cada vez mais fundo no crepúsculo exterior.
As condições metafísicas para uma trégua são as seguintes:
Ou o Ocidente, permanecendo moderno (e pós-moderno)—exatamente como quer ser e como actualmente é—nos deixa em paz (mas isso é descartado, impossível, e não é seriamente considerado por ninguém lá—Satanás não para);
Ou o Ocidente muda drasticamente a direção de seu movimento e, seguindo o caminho do Retorno Eterno, volta decisivamente para suas próprias raízes (cristãs, greco-romanas). Essas raízes são comuns a nós dois (acontece apenas que o Ocidente se afastou muito, muito delas, enquanto nós não). Isso é altamente improvável, mas não teoricamente impossível (afinal, Nietzsche, Husserl, Spengler, Heidegger, René Guénon e Julius Evola também representam o Ocidente—apenas o Ocidente certo e são, não possuído pelo progresso, liberalismo e perversões).
Um ponto importante sobre a abordagem civilizacional. Agora rompemos a barreira: a abordagem civilizacional está finalmente sendo levada a sério e sem os anteriores escárnios e troças. Mas há uma nuance subtil aqui. Todos foram pressionados a aceitá-lo—mas apenas como uma abordagem. Ou seja, agora é permitido dizer que as civilizações existem no plural, que são diferentes, únicas, e que cada uma faz o que quiser no curso de sua própria produção (tanto de coisas quanto de significados). Agora é uma abordagem oficialmente permitida.
Mas vamos pensar sobre isso: como seria qualquer outra abordagem?
E aqui descobrimos o aspecto mais interessante: uma abordagem não civilizacional é a crença na universalidade e na natureza obrigatória do caminho de desenvolvimento ocidental—em outras palavras, um juramento de lealdade a uma visão de mundo centrada no Ocidente. No Ocidente de hoje, o liberalismo (capitalismo burguês em sua forma pós-moderna—daí a ideologia LGBT, a imigração em massa, e assim por diante, todas banidas na Rússia) reina supremo, com uma dominância confiante, até mesmo totalitária. Portanto, uma abordagem não civilizacional hoje significa concordância com a hegemonia ocidental e, nas condições actuais, com o liberalismo. Uma vez que estamos em guerra com o Ocidente na Operação Militar Especial, uma abordagem não civilizacional é simplesmente uma quinta coluna do inimigo na guerra cognitiva pela consciência pública dos russos.

Claro, o marxismo clássico permanece como outra opção não civilizacional (a sua teoria da sucessão universal de formações socioeconômicas—exatamente como no Ocidente). Mas, na verdade, só atrapalha e joga nas mãos dos liberais. O próprio Marx estava, afinal, alinhado com a burguesia nas etapas em que ela estava derrubando o cristianismo, os feudos e os valores tradicionais. Ele acreditava que, depois, o proletariado (“nós”) derrubaria a burguesia (“eles”). Sabemos como isso terminou. Por um tempo, até parecia estar funcionando (graças à grandeza do povo russo e ao poder essencialmente imperial e centralizado de Stalin). Mas então veio de novo a acumulação primitiva de capital—os anos 1990, o capitalismo selvagem, jaquetas de framboesa, ladrões, assassinos contratados e agentes da CIA no governo russo.
Assim, a relativização da abordagem civilizacional é:
Ou uma tentativa de justificar o liberalismo globalista totalitário (este é o caso mais comum)—em outras palavras, uma operação em grande escala dos serviços de inteligência ocidentais na guerra cognitiva. Nos últimos 30 anos, os nossos estudantes de humanidades passaram por todas as etapas de recrutamento sistemático: bolsas, conferências, ofertas que não podiam recusar, publicação em índices de citação ocidentais, reformas educacionais, e assim por diante;
Ou o marxismo inercial—a dor fantasma de uma ideologia quimérica meio apagada.
No primeiro caso, isso abeira a espionagem descarada. Vemos tal nos casos de agentes estrangeiros como Sineokaya e Shulman (2). Está tudo claro aqui. Um liberal é um inimigo do povo, praticamente um terrorista feito ou pronto.
No segundo caso, são as alucinações da geração mais velha, das quais devemos ser tolerantes, mas que não devem ser levadas a sério. E se forem novos marxistas, então é mais provável que seja espionagem novamente—significando que se deve procurar um manipulador estrangeiro (masculino ou feminino).
Portanto, a abordagem civilizacional não é apenas uma abordagem. É o único paradigma possível se a Rússia é uma civilização-estado, e Putin e as autoridades afirmam que é exactamente isso que ela é. Consequentemente, o pluralismo deve ser buscado não fora do paradigma civilizacional, mas dentro dele, mas apenas se forem direitistas e esquerdistas civilizacionais (russos, euroasiáticos). Na verdade, para todos—mas dentro do paradigma. Fora dele, há escuridão total. O crepúsculo externo. Não se deve ir lá. O mal espreita lá.
(Traduzido do russo, e do inglês.)
Notas do tradutor, 1: "Jaquetas framboesa" (малиновые пиджаки) é uma referência simbólica aos blazers atractivos e vermelhos brilhantes usados pelos novos-ricos "Novos Russos"—frequentemente criminosos ou empresários sombrios—como um emblema estereotípico da vulgaridade e do capitalismo criminoso selvagem dos anos 1990.
2: Yulia Sineokaya e Ekaterina Shulman são intelectuais liberais russas bem conhecidas e que o estado Russo designou como agentes estrangeiros. Elas exemplificam a "quinta coluna": liberais que foram sistematicamente recrutados pelo Ocidente através de bolsas, conferências e redes acadêmicas, e que trabalham ativamente para minar a soberania civilizacional da Rússia, de dentro. Ambas estão agora no exílio e são considerados em círculos patrióticos como representantes típicos da oposição ideológica pró-Ocidental.
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