1-X. Carta do missionário jesuíta António Ceschi, escrita neste dia em 1653, na corte mogol em Deli, Índia, descrevendo o príncipe Dara Shikoh (filho do imperador Shah Jahan, o construtor do Taj Mahal), vestido com pobreza no meio de 500 nobres de vestes resplandecentes e joias, muito amigo dos padres cristãos, e vivendo numa demanda espiritual profunda e de sentido universalista e, tal como disse François Bernier, um dos famosos escritores viajantes que o conheceu, sendo «hindu com os hindus, cristão com os cristãos». Místico, sufi, iniciado ou discípulo de dois reconhecidos mestres de então, Mian Mir e Mullah Shah, profundo conhecedor dos caminhos de realização do espírito e da Divindade, deixou-nos obras de mística e de pioneiro comparativismo religioso. Uma delas. A mistura ou junção dos dois Oceanos, traduzi-a oralmente e encontra-se em vídeos no Youtube. Deveria ter sido Dara Shikoh, enquanto primogénito, o herdeiro do trono do imperador Shah Jahan, o criador de Taj Mahl, mas as tendências e forças ambiciosas fanáticas do irmão mais novo Aurangzeb não permitiram, sendo assassinada esta grande alma.
Neste dia em 1877, a escritora Maria Amália Vaz Carvalho, sócia da Academia das Ciências de Lisboa, casada com o poeta Gonçalves Crespo, amiga por correspondência de Antero de Quental, escreve uma carta a António Lopes Mendes, sobre o livro que este tão bem escrevera e ilustrara pela sua própria mão, Índia Portuguesa: «Mais feliz do que eu, você foi buscar a inspiração que lhe faltava aqui, nessas regiões misteriosas em que a terra é tão pródiga de esplendores que fascinam».
Neste dia em 1885, Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, chegados das suas travessias dos amplos territórios africanos, dão uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa perante o rei e a corte sobre os aspectos científicos e humanos da expedição. Roberto Ivens escreverá que «à Europa, e em geral ao homem que nunca viajou nos sertões de África, não é dado compreender o que se sofre ali, quais as dificuldades a vencer a cada instante, qual o trabalho de ferro não interrompido para o explorador». Em 1886 sairá o emocionante relato da expedição em livro, De Angola à Contracosta.
Discurso do 1º ministro indiano Jawaharlal Nehru (1889-1964) neste dia, em 1958, no Sikkim, ao inaugurar o Instituto de Tibetologia: «Encontramos-nos hoje numa encruzilhada, em que talvez para se encontrar a solução para os problemas criados pelo avanço da Ciência e Tecnologia, temos de ir para algo fora das aproximações normais do mundo físico. Temos de ir para outro nível, chamemos-lhe domínio do espírito. Temos de ir para outras dimensões do pensamento, talvez para a 4ª dimensão. A ciência libertou já enormes forças que parecem ir além da 3ª dimensão, e assim para o homem as controlar, ou compreender correctamente, tem de começar a pensar noutros níveis, chamemos-lhes 4ª dimensão ou o que quisermos». Donde a necessidade do espírito científico do budismo e do Instituto de Estudos Tibetanos que ele inaugurava.
2-X. Na reforma da Ordem de Cristo estatuída no convento de Tomar neste dia em 1449 determina-se, entre outras regras, que os cavaleiros só podem comer carne três vezes por semana e que devem rezar diariamente as Horas de Santa Maria, ou sessenta Pai Nossos e sessenta Avé Marias, escalonadas por horas, se o puderem fazer. No Capítulo da Ordem, ja de 1503, reunido em Tomar, serão equacionados
Discurso do 1º ministro indiano Jawaharlal Nehru (1889-1964) neste dia, em 1958, no Sikkim, ao inaugurar o Instituto de Tibetologia: «Encontramos-nos hoje numa encruzilhada, em que talvez para se encontrar a solução para os problemas criados pelo avanço da Ciência e Tecnologia, temos de ir para algo fora das aproximações normais do mundo físico. Temos de ir para outro nível, chamemos-lhe domínio do espírito. Temos de ir para outras dimensões do pensamento, talvez para a 4ª dimensão. A ciência libertou já enormes forças que parecem ir além da 3ª dimensão, e assim para o homem as controlar, ou compreender correctamente, tem de começar a pensar noutros níveis, chamemos-lhes 4ª dimensão ou o que quisermos». Donde a necessidade do espírito científico do budismo e do Instituto de Estudos Tibetanos que ele inaugurava.
2-X. Na reforma da Ordem de Cristo estatuída no convento de Tomar neste dia em 1449 determina-se, entre outras regras, que os cavaleiros só podem comer carne três vezes por semana e que devem rezar diariamente as Horas de Santa Maria, ou sessenta Pai Nossos e sessenta Avé Marias, escalonadas por horas, se o puderem fazer. No Capítulo da Ordem, ja de 1503, reunido em Tomar, serão equacionados
preceitos que eram então pouco cumpridos. E hoje em dia, com tantos templários e templarices, quantos rezarão ou meditarão uns minutos que seja?

Nasce na Itália em 1550 o P. Rudolfo Aquaviva, filho do duque de Atri. Será uma das grandes almas das missões de diálogo ecuménico à corte mogol, por ter aprendido a língua persa e pelos seus escritos, austeridades, orações e sabedoria, o que lhe vai grangear a amizade de Akbar e dos seus próximos. Insistindo o imperador Akbar no seu desejo de participar numa missa, realizou-a o P. Aquaviva com grande fervor e lágrimas, mas Akbar no fim queixou-se-lhe um pouco amuado e alguma razão: "Comeu e bebeu, mas não me convidou". Uma pena, "a letra que mata o espírito", pois um ritual invocativo e mágico que, condensado num formulário litúrgico e canónico reservado a católicos, ainda que celebrado com a ardência mística de Aquaviva, não foi aberto e alargado à comunhão de nobres e espirituais almas, de outra religião...
O P. Bento Fernandes, de Borba, recebe a palma do martírio em 1633, em Nagasaki, a cidade erguida e administrada pelos jesuítas, com vinte anos de trabalho intenso e difícil de tentativas de converter, encaminhar ou estimular os japoneses nas vias cristãs. Barbosa de Machado noticiará na sua extensa e incontornável Biblioteca Lusitana a existência de um manuscrito seu na Biblioteca de Évora, de comentários ao Evangelho de S. Lucas.
Nasce em Nova Iorque Francisco Stuart de Figaniére, em 1827, filho do embaixador de Portugal na USA e de uma escocesa, e virá a ser um diplomata em vários países e autor duma das primeiras obras portuguesas com bastantes dados da sabedoria da Índia, embora seguindo em parte as divulgações teosofistas da época, Mundo, Submundo e Supramundo, impressa na livraria Chardon no Porto, sem dúvida uma das mais ousadas incursões em tais níveis entre nós. Recebeu o título de Visconde em 1870. Foi diplomata de Portugal em Inglaterra, Brasil e na sagrada Rússia. Viverá até 1908, desincarnando em Paris onde vivera os últimos anos, e deixará outras obras valiosas, de carácter histórico, bem como artigos em revistas estrangeiras e nacionais, tal como no Panorama. Entre nós, o notável publicista Pinharanda Gomes traçou-lhe uma biografia.

Em Calcutá, em 1866, nasce Swami Abhedananda, discípulo de Ramakrishna e condiscípulo de Swami Vivekenananda, que o envia para a U.S.A, onde estará à frente da Missão Ramakrisna durante vinte e cinco anos. Deixou uma vasta obra de conferências e de ensaios. Dirá: "O dever da verdadeira religião é alargar a mente, abrir os olhos espirituais, conduzir a humanidade à realização da unidade com o supremo Pai no Céu, e reprimir todas as lutas sobre os dogmas e credos".
Mohandas Karamchand Gandhi, o apóstolo da não-violência (ahimsa), auto-subsistência (swadesh) e auto-governo (swaraj), o pai da Índia independente, nasce em 1869, em Porbandar, no Guzerate. Depois duma luta pioneira de anos pelos direitos humanos na África do Sul, regressa à terra-mãe em 1915, para participar num Congresso em Madras sendo acolhido entusiasticamente no discurso de Subbier Subramania Iyer, que enaltecerá a sua determinação e metodologia de não-violência, ahimsa. Além de líder humano e político, Gandhi viveu numa demanda espiritual exigente e transmitirá frequentemente ensinamentos valiosos, incendiando de aspiração libertadora e fraterna quem contactava com a sua grande alma: "A minha afirmação de ouvir a Voz de Deus não é uma asserção nova. Infelizmente não há maneira de a provar excepto através dos resultados. Deus não seria Deus se tivesse de ser um objecto de prova para as Suas criaturas... As diferenças de opinião não devem significar hostilidade. Se assim fosse, a minha mulher e eu seríamos inimigos jurados... Toda a verdadeira arte deve ajudar a alma a realizar o seu Eu interno". Guru Ranade foi um dos mestres e filósofos que escreveu sobre ele, tendo o místico e comparativista Jacques de Marquette traduzido a sua obra em francês.

Nasce na Itália em 1550 o P. Rudolfo Aquaviva, filho do duque de Atri. Será uma das grandes almas das missões de diálogo ecuménico à corte mogol, por ter aprendido a língua persa e pelos seus escritos, austeridades, orações e sabedoria, o que lhe vai grangear a amizade de Akbar e dos seus próximos. Insistindo o imperador Akbar no seu desejo de participar numa missa, realizou-a o P. Aquaviva com grande fervor e lágrimas, mas Akbar no fim queixou-se-lhe um pouco amuado e alguma razão: "Comeu e bebeu, mas não me convidou". Uma pena, "a letra que mata o espírito", pois um ritual invocativo e mágico que, condensado num formulário litúrgico e canónico reservado a católicos, ainda que celebrado com a ardência mística de Aquaviva, não foi aberto e alargado à comunhão de nobres e espirituais almas, de outra religião...
O P. Bento Fernandes, de Borba, recebe a palma do martírio em 1633, em Nagasaki, a cidade erguida e administrada pelos jesuítas, com vinte anos de trabalho intenso e difícil de tentativas de converter, encaminhar ou estimular os japoneses nas vias cristãs. Barbosa de Machado noticiará na sua extensa e incontornável Biblioteca Lusitana a existência de um manuscrito seu na Biblioteca de Évora, de comentários ao Evangelho de S. Lucas.
Nasce em Nova Iorque Francisco Stuart de Figaniére, em 1827, filho do embaixador de Portugal na USA e de uma escocesa, e virá a ser um diplomata em vários países e autor duma das primeiras obras portuguesas com bastantes dados da sabedoria da Índia, embora seguindo em parte as divulgações teosofistas da época, Mundo, Submundo e Supramundo, impressa na livraria Chardon no Porto, sem dúvida uma das mais ousadas incursões em tais níveis entre nós. Recebeu o título de Visconde em 1870. Foi diplomata de Portugal em Inglaterra, Brasil e na sagrada Rússia. Viverá até 1908, desincarnando em Paris onde vivera os últimos anos, e deixará outras obras valiosas, de carácter histórico, bem como artigos em revistas estrangeiras e nacionais, tal como no Panorama. Entre nós, o notável publicista Pinharanda Gomes traçou-lhe uma biografia.

Em Calcutá, em 1866, nasce Swami Abhedananda, discípulo de Ramakrishna e condiscípulo de Swami Vivekenananda, que o envia para a U.S.A, onde estará à frente da Missão Ramakrisna durante vinte e cinco anos. Deixou uma vasta obra de conferências e de ensaios. Dirá: "O dever da verdadeira religião é alargar a mente, abrir os olhos espirituais, conduzir a humanidade à realização da unidade com o supremo Pai no Céu, e reprimir todas as lutas sobre os dogmas e credos".
Mohandas Karamchand Gandhi, o apóstolo da não-violência (ahimsa), auto-subsistência (swadesh) e auto-governo (swaraj), o pai da Índia independente, nasce em 1869, em Porbandar, no Guzerate. Depois duma luta pioneira de anos pelos direitos humanos na África do Sul, regressa à terra-mãe em 1915, para participar num Congresso em Madras sendo acolhido entusiasticamente no discurso de Subbier Subramania Iyer, que enaltecerá a sua determinação e metodologia de não-violência, ahimsa. Além de líder humano e político, Gandhi viveu numa demanda espiritual exigente e transmitirá frequentemente ensinamentos valiosos, incendiando de aspiração libertadora e fraterna quem contactava com a sua grande alma: "A minha afirmação de ouvir a Voz de Deus não é uma asserção nova. Infelizmente não há maneira de a provar excepto através dos resultados. Deus não seria Deus se tivesse de ser um objecto de prova para as Suas criaturas... As diferenças de opinião não devem significar hostilidade. Se assim fosse, a minha mulher e eu seríamos inimigos jurados... Toda a verdadeira arte deve ajudar a alma a realizar o seu Eu interno". Guru Ranade foi um dos mestres e filósofos que escreveu sobre ele, tendo o místico e comparativista Jacques de Marquette traduzido a sua obra em francês.
3-X. Vasco da Gama, em 1502, na sua 2ª viagem à Índia, na qual se vinga, ou exerce a justiça reparadora, do que lhe fizeram na primeira, persegue e ataca uma nau de Calecut vinda de Meca e carregada de comerciantes, mulheres, crianças e grande riqueza. Já depois de saqueados e rendidos, imploraram piedade mas, como fora decidido pegar-lhe fogo, lutaram bravamente durante um dia até serem mortos, recolhendo-se apenas 20 crianças. Acerca deste brutal acto, o fraterno jornal Brado de Damão em 1898 lamentará «que D. Manuel, célebre pelas suas gigantescas aventuras marítimas, a ponto de converter em empório do mundo um microscópio tracto do extremo ocidente, que apenas continha um punhado de gente, não tivesse sabido cimentá-lo com os indestrutíveis elementos de humanidade, generosidade, liberdade...» Esta tragédia foi uma das que infelizmente ensombraram a expansão portuguesa no Oriente, geradora de violência sobre violência, sobretudo ao rivalizar com o poderio islâmico no domínio da economia de mercado livre que fluía no Oceano Índico. Actos escusados, mesmo em estado de guerra, eram frutos das tensões gerais que só por grandes seres poderiam ser manobradas correctamente. Pouco depois, Vasco da Gama fez outra mortandade e enviou-a sob a forma de presente para o Samorim de Calecut, «dizendo que aquela morte era piedosa comparada com a que guardava para os executores do feitor Aires Correia» (segundo a narrativa do historiador Faria e Sousa). Na sua 3ª viagem para a Índia, tendo descoberto em Moçambique três mulheres no navio, mandou-as açoitar «porque com todas as suas forças havia de punir os maus, para que não crescessem os males que fazem os que não temem a Deus, que nunca em mim terão senão crueza e punição». Afonso de Albuquerque fez cortar narizes nas costas da Arábia e enforcar na verga da nau o capitão Rui Dias que namorara uma das prisioneiras mouras que ele queria enviar para a rainha. E muitos outros praticaram crueldades, por vezes sem sequer qualquer motivo de justiça, tal como Domingos Mesquita, Pedro de Barreto, Duarte de Eça, ou que entraram em traições, assassínios. Mas, quando se insiste neste lado mais sombrio, deve-se relembrar que nos outros povos também medrava a ferocidade ou crueldade, e que houve muitos portugueses que viveram apenas em diálogo e amor.
4-X. Em 1214, S. Francisco de Assis teria entrado em Portugal e estaria em Braga, Ponte de Lima e Bragança, segundo certas crónicas, algo lendárias. Ao longo dos séculos muitos irmãos franciscanos cruzarão as fronteiras das limitações, das inimizades e diferenças, tentando manifestar o Espírito santo em diálogo e simplicidade, paz e amor. No Oriente destacar-se-ão no princípio da expansão portuguesa, de tal modo que Jaime Cortesão considerou serem o espírito de Cavalaria e a fraternidade Franciscana os dois pilares do templo dos Descobrimentos. Com o tempo, o relaxamento e as rivalidades entre as ordens (nomeadamente no Japão com Jesuítas) diminuirão a pureza, desinteresse e abnegação da Ordem, e o culto flamejante amoroso do Espírito santo escapa-lhes de certo modo das almas e quase que se apagaria senão fossem alguns irmãos do Amor que, isolados e dispersos, atingiram e viviam a sua Unidade, Quanto povo português, na sua base mais genuína e pura, sempre franciscano, no sentido de comungante com a natureza, quase panteísta, fraterno, simples e dotado de grande fé e capacidade de dádiva, nas últimas décadas devido a entrada na União Europeia globalista e no mundo da informação manipulada tem dado graves sinais de estar já muito fracturado, alienado, e logo ignorante e violento.

Dr. Venkataratnam Naidu nasce neste dia em 1862 em Uttar Pradesh. Filho dum soldado recrutado pelo exército colonial inglês da casta inferior dos sudras, e que pelos códigos do hinduísmo não teria direito ao conhecimento das Escrituras, foi estudando contudo persa, árabe, urdu, sânscrito, inglês, dominando culturas e religiões até chegar a professor e a vice-chanceler da Universidade de Madras. Aderindo ao Brahmo Samaj de Rammohan Roy, tornou-se um dedicado pedagogo e reformador social ao que aliava uma vida espiritual mística e ecuménica. Lutou contra a prostituição sagrada, que nascia em grande parte da casta dos sudras, contra a intocabilidade de milhões de párias, contra o alcoolismo, contra os casamentos caros, e os infantis. Como experimentado pedagogo, conhecedor da importância da cultura e da moralidade, dirá: "A assunção básica da Cultura é que o interior do ser humano é uma mina de poderes misteriosos. O grande objectivo da verdadeira educação é pôr o ser humano na posse consciente destes poderes, dos quais o primeiro é a percepção, a capacidade de ver com uma mente investigadora". Depois, pela disciplina e o exercício, ele frutificará em discriminação, sabedoria e iluminação. "A Ética — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes temporais — elevar-se-á irresistivelmente em Espiritualidade — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes eternos". E dirá ainda: "A vida só se realiza e cumpre se é inspirada e ordenada pela adoração a Deus, que nasce da consciência de que o Universo é a emanação do Amor, da delícia (ananda) divina, do ser Supremo".
5-X. Luís de Almeida, cristão-novo, comerciante, cirurgião («entendia muito bem de cirurgia arrazoada latina») e capitão rico no Extremo Oriente, condoído com a pobreza e doença no Japão, vende tudo o que tem, põe-se a seguir Jesus, aprende a falar japonês, funda uma creche e um hospital em que introduz a medicina ocidental e a cirurgia no Japão, e onde dá aulas preparando assistentes japoneses. Curando muitos corpos, «tem conhecimento de ervas e de outras mezinhas com que os cura», converte também muitas almas como padre e jesuíta. Amigo de Fernão Mendes Pinto, deixou-nos uma importante História do Japão e belas cartas antes de arder em amor e febre e morrer neste dia em 1583, na casa do seu amigo dáimio D. João Amakusa Hisatane. Nas cidades de Oita, Hondo e Nagasaki encontram-se monumentos a ele, dizendo uma lápide da última martirizada cidade: "Luís de Almeida. Médico e Missionário. O Primeiro Português que chegou a Nagasaki.1567". Armando Martins Janeira escreverá bastante sobre ele nas suas valiosas obras O Impacte Português na Civilização Japonesa, e Figuras do Silêncio, que estudei já no blogue.

Dr. Venkataratnam Naidu nasce neste dia em 1862 em Uttar Pradesh. Filho dum soldado recrutado pelo exército colonial inglês da casta inferior dos sudras, e que pelos códigos do hinduísmo não teria direito ao conhecimento das Escrituras, foi estudando contudo persa, árabe, urdu, sânscrito, inglês, dominando culturas e religiões até chegar a professor e a vice-chanceler da Universidade de Madras. Aderindo ao Brahmo Samaj de Rammohan Roy, tornou-se um dedicado pedagogo e reformador social ao que aliava uma vida espiritual mística e ecuménica. Lutou contra a prostituição sagrada, que nascia em grande parte da casta dos sudras, contra a intocabilidade de milhões de párias, contra o alcoolismo, contra os casamentos caros, e os infantis. Como experimentado pedagogo, conhecedor da importância da cultura e da moralidade, dirá: "A assunção básica da Cultura é que o interior do ser humano é uma mina de poderes misteriosos. O grande objectivo da verdadeira educação é pôr o ser humano na posse consciente destes poderes, dos quais o primeiro é a percepção, a capacidade de ver com uma mente investigadora". Depois, pela disciplina e o exercício, ele frutificará em discriminação, sabedoria e iluminação. "A Ética — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes temporais — elevar-se-á irresistivelmente em Espiritualidade — a resposta correcta do ser humano aos seus ambientes eternos". E dirá ainda: "A vida só se realiza e cumpre se é inspirada e ordenada pela adoração a Deus, que nasce da consciência de que o Universo é a emanação do Amor, da delícia (ananda) divina, do ser Supremo".
5-X. Luís de Almeida, cristão-novo, comerciante, cirurgião («entendia muito bem de cirurgia arrazoada latina») e capitão rico no Extremo Oriente, condoído com a pobreza e doença no Japão, vende tudo o que tem, põe-se a seguir Jesus, aprende a falar japonês, funda uma creche e um hospital em que introduz a medicina ocidental e a cirurgia no Japão, e onde dá aulas preparando assistentes japoneses. Curando muitos corpos, «tem conhecimento de ervas e de outras mezinhas com que os cura», converte também muitas almas como padre e jesuíta. Amigo de Fernão Mendes Pinto, deixou-nos uma importante História do Japão e belas cartas antes de arder em amor e febre e morrer neste dia em 1583, na casa do seu amigo dáimio D. João Amakusa Hisatane. Nas cidades de Oita, Hondo e Nagasaki encontram-se monumentos a ele, dizendo uma lápide da última martirizada cidade: "Luís de Almeida. Médico e Missionário. O Primeiro Português que chegou a Nagasaki.1567". Armando Martins Janeira escreverá bastante sobre ele nas suas valiosas obras O Impacte Português na Civilização Japonesa, e Figuras do Silêncio, que estudei já no blogue.
Nasce em Langres, Champagne, Denis Diderot (1713-1784), que fará uma notável carreira como escritor, pensador e filósofo, com muitos altos e baixos na vida, valendo-lhe em grande parte a imperatriz da Rússia, Catarina, a Grande que o nomeou bibliotecário por toda a vida e lhe pagou dívidas, casas e ordenados fabulosos, permanecendo entre 1773 e 1774 cinco meses em S. Petersburgo em diálogos diários com ela. A sua maior produção foram as 7.000 entradas (das 70.000) para o Dicionário Enciclopédico, que co-fundou com Alembert, de 1751 a 1765, em 28 volumes, e que de algum modo fizeram avançar o racionalismo e prepararam a Revolução Francesa. Em 1973, o Dr. Manohar L. Sar Dessai, escreveu em francês no Boletim do Instituto Menezes de Bragança, um valioso artigo, L' Inde dans l'Enciclopédie Française, onde sumariza muito bem as referências nela à Índia, na sua maioria inexactas e frequentemente contraditórias, já que por exemplo, três autores, Chevalier de Jaucort, Diderot e o abade Mallet, escreveram sobre os Brâmanes de modo tão desencontrado que o leitor desprevenido pensará que há três tipos de brâmanes. Discernirá que «votado à acção prática e desconfiando de toda a contemplação estéril, Diderot atacou o quietismo das Índias. Assim não simula qualquer admiração pelo Gimnosofistas tão elogiados pelos Antigos. "Estes pretensamente sábios que se estavam sempre sobre só um pé, fitavam o sol dum olhar firme e imóvel desde o seu nascer até ao pôr, tinham os braços elevados toda a sua vida, olhavam incessantemente para a ponta do nariz e sentiam-se cheios do favor celeste sempre que se apercebiam uma pequena chama azul [Muito curioso, terem sabido dos fotismos no olho espiritual]", eis extravagâncias completamente incríveis, exclama Diderot, e se foi assim que os brâmanes adquiriram o nome de sábios, só pode ser porque os povos que lhes deram estes nomes eram mais tolos que eles. Diderot deprecia também os Jogigueles e jnani jogis modernos que vivem na solidão, que consideram o mundo como uma ilusão, o nada como o estado de perfeição, trabalhando da manhã à noite em se embrutecerem, a nada desejarem, a nada odiarem, a nada sentirem, e que depois de terem atingido este estado de estupidez completa, onde o presente, o passado e o futuro foram para eles aniquilados, consideram-se sábios, homens perfeitos. A conclusão tirada por Diderot é: "Onde quer que o homem saindo do seu estado se proponha como modelo ser imortal, imóvel, impassível, inalterável, terá que descer abaixo do animal. Já que a natureza te fez homem, sê homem e não Deus." Em relação aos sacerdotes do Deus Fo, os budistas (mas a que chama brachmanes), Diderot diz que "asseguram que o mundo é apenas uma ilusão, uma prestidigitação e que os corpos para existirem verdadeiramente devem cessar e confundirem-se com o nada, que pela sua simplicidade faz a perfeição a todos os seres. É o profundo adormecimento do espírito, a calma de todas as potências, a suspensão absoluta dos sentidos que causa ou faz a perfeição».

O mestre Ramalinga nasce neste 5 de Outubro 1823, num Domingo, em Chidambaram, Índia. Não ensinado, ele ensinou sabedoria. Por processos de meditação, nomeadamente numa chama em frente ao espelho, e por uma vida austera e abnegada, acendeu o seu génio a uma fulgurância tal que milhares adoravam com ele a Graça Divina no Templo da Luz, em Valadur, cantando o mantra "Viva a Luz da Graça Suprema, Viva a Compaixão". Reformador social, criticou as diferenças de castas e religiões e intensificou em muitos a tomada de consciência da Unidade amorosa e beatífica Divina. Em 1874, conforme anunciara ou prevera despediu-se dos discípulos, dizendo que fechando-se num quarto desapareceria. E assim sucedeu, ficando um mistério a sua desincaranção, embora ele os sossegasse que voltaria a incarnar na terra, num corpo ainda de maior luz. Entre os que escreveram sobre ele destacarei o Kavi Yoga Shuddhananda Bharati, no ashram de quem estive alguns meses em Madras, e me iniciou, realçando no livrinho que lhe dedicou as suas realizações e e quarenta ensinamentos espirituais. Eis o décimo: «Contempla o espírito interno! Através da acção, da palavra e do dinheiro ajuda os outros. Saúde [aclama ou invoca] a glória Divina. Reflecte acerca da Verdade de Atman, o espírito. Confessa as tuas falhas e fraquezas diante da Divindade e ora. Assim será a matéria purificada.»

O mestre Ramalinga nasce neste 5 de Outubro 1823, num Domingo, em Chidambaram, Índia. Não ensinado, ele ensinou sabedoria. Por processos de meditação, nomeadamente numa chama em frente ao espelho, e por uma vida austera e abnegada, acendeu o seu génio a uma fulgurância tal que milhares adoravam com ele a Graça Divina no Templo da Luz, em Valadur, cantando o mantra "Viva a Luz da Graça Suprema, Viva a Compaixão". Reformador social, criticou as diferenças de castas e religiões e intensificou em muitos a tomada de consciência da Unidade amorosa e beatífica Divina. Em 1874, conforme anunciara ou prevera despediu-se dos discípulos, dizendo que fechando-se num quarto desapareceria. E assim sucedeu, ficando um mistério a sua desincaranção, embora ele os sossegasse que voltaria a incarnar na terra, num corpo ainda de maior luz. Entre os que escreveram sobre ele destacarei o Kavi Yoga Shuddhananda Bharati, no ashram de quem estive alguns meses em Madras, e me iniciou, realçando no livrinho que lhe dedicou as suas realizações e e quarenta ensinamentos espirituais. Eis o décimo: «Contempla o espírito interno! Através da acção, da palavra e do dinheiro ajuda os outros. Saúde [aclama ou invoca] a glória Divina. Reflecte acerca da Verdade de Atman, o espírito. Confessa as tuas falhas e fraquezas diante da Divindade e ora. Assim será a matéria purificada.»
Helena Roerich, em S. Petersburg, a mulher de Nicholai Roerich, mestra do ensinamento da Ética Viva e dos livros do Agni Yoga, que terá recebido inspiradoramente de um mestre nos planos espirituais, Morya, desincarna neste dia 5 de Outubro de 1955, com 76 anos, em Kalimpong, Índia, deixando uma obra notável, que tem vindo ser publicada gradualmente, nomeadamente cartas e registos diários, e que gerou milhares de grupos ligados a ela, sobretudo na Rússia, como nos podemos aperceber no Vk.com, a valiosa rede social russa. O seu filho, Svetoslav, arqueológo, ensaísta e fabuloso pintor, numa entrevista deu alguns traços como a sua mãe, tal este: «Helena Ivanovna era uma personalidade absolutamente excepcional. Desde muito jovem, ela tinhajá uma ideia clara do que gostaria de [alcançar] na vida. Era dotada de muitas [propriedades que] hoje ainda chamamos de "sobrenaturais", como clarividência e clariaudiência, que eram muito desenvolvidas nela. Desde o início, ela teve uma direção bastante organizada na vida. Nisso, ela foi, sem dúvida, uma assistente notável de Nikolai Konstantinovich Roerich. Como vimos, foi a combinação perfeita. Absolutamente. Não poderia ser melhor do que isso. E nisto também havia uma direção absolutamente clara. Talvez [tenha sido determinado] por aquelas forças [ou seres] superiores que decidem [ou influenciam] os destinos da humanidade.»6-X. O P. Mateus Ricci nasce em Macerata, Itália, em 1552, de família nobre. Estudos bem desenvolvidos no colégio de Roma, a passagem dum missionário autêntico (em 1576) e o português Martinho da Silva, despertam-no para tal vocação, chegando a Lisboa em 1577, donde parte com Miguel Ruggieri e Duarte Sande para Goa em 1578. Em 1582 está em Macau e começa a missão da sua vida: a introdução do Cristianismo e da cultura ocidental na China, o que consegue graças à receptividade sábia de alguns letrados, mandarins e povo e à sua extraordinária inteligência, memória e disponibilidade. A sua douta adaptação do cristianismo às tradições chinesas, que lhe abriu as portas internas, encontrará as maiores resistências no papado e em certos frades e clérigos, sobretudo já no século XVIII, que acabarão por enfraquecer o seu trabalho pioneiro.
Regressa ao mundo espiritual, em 1646, em Goa, Frei Diogo de Santa Ana, que andara na Pérsia em debates teológicos, animado pela estima do Châh Abbâs, tendo convertido ainda o patriarca da Arménia e alguns dos seus bispos. Deixou uma relação manuscrita autobiográfica intitulada Do Tocante ao que o Padre Servo Sem Proveito fez, em o Reino da Pérsia, Com a Divina Graça, editada em 1972 por Roberto Gulbenkian. Nomeado confessor e administrador do Convento das Mónicas em Goa, opor-se-á com o bispo Frei Miguel Rangel às medidas que o vice-rei conde de Linhares e a câmara de Goa pretendiam de limitação do poder temporal do convento: as mulheres recebidas no convento eram escolhidas das mais ricas de Goa por Frei Diogo, que emprestava depois dinheiro a juros de 10%. A questão será noticiada para Lisboa que determinará uma série de medidas de restrição das riquezas das ordens religiosas nas partes do Estado «tão consumidas que não há nelas quem tenha cabedal para armar um navio à sua custa». Pouco depois do conde de Linhares partir para Lisboa, com um rol de acusações de que se justificará no Conselho de Estado em 1635, o convento das Mónicas é palco do famoso milagre da imagem de Jesus que, de tosca, movendo-se, chorando e sangrando, se torna perfeita, sendo Frei Diogo autor duma uma Relação sobre o caso. Depois arde o convento, mas voltará a ser reconstruído e ainda hoje está vivo e firme, perto da impressionante ruína duma torre de grande altura, o que resta da igreja do Convento de S. Agostinho.
7-X. Sete dias depois do ministro chinês Chu-En-Lai declarar que o Tibete deve ser libertado, as forças chinesas invadem o Tibete, neste dia em 1950, «para libertar os três milhões de tibetanos da opressão imperialista e assegurar as defesas nacionais da fronteira ocidental da China». Inicia-se uma violação sistemática dos direitos e liberdades fundamentais dos tibetanos, com graves perdas do património humano e artístico (mais de três mil mosteiros destruídos e de milhares de mortos). Já no século XXI tem havido mudanças na ideologia do governo chineses de modo que as suas próprias tradições de sabedoria taoísta, confucionista, budista e tibetana, e mesmo a do cristianismo, já não limitadas pela superestrutura gelada do materialismo agnóstico, desabrochem numa autonomia digna para todas as minorias englobadas no gigantesco país, cada vez mais forte e entrosado planetáriamente pela sua fabula produção-exportação e pela inserção no tão promissor e necessário BRICS, que em luta grande vai tentando não se deixar destruir pelo capitalismo globalista unilateral Ocidental.
Regressa ao mundo espiritual, em 1646, em Goa, Frei Diogo de Santa Ana, que andara na Pérsia em debates teológicos, animado pela estima do Châh Abbâs, tendo convertido ainda o patriarca da Arménia e alguns dos seus bispos. Deixou uma relação manuscrita autobiográfica intitulada Do Tocante ao que o Padre Servo Sem Proveito fez, em o Reino da Pérsia, Com a Divina Graça, editada em 1972 por Roberto Gulbenkian. Nomeado confessor e administrador do Convento das Mónicas em Goa, opor-se-á com o bispo Frei Miguel Rangel às medidas que o vice-rei conde de Linhares e a câmara de Goa pretendiam de limitação do poder temporal do convento: as mulheres recebidas no convento eram escolhidas das mais ricas de Goa por Frei Diogo, que emprestava depois dinheiro a juros de 10%. A questão será noticiada para Lisboa que determinará uma série de medidas de restrição das riquezas das ordens religiosas nas partes do Estado «tão consumidas que não há nelas quem tenha cabedal para armar um navio à sua custa». Pouco depois do conde de Linhares partir para Lisboa, com um rol de acusações de que se justificará no Conselho de Estado em 1635, o convento das Mónicas é palco do famoso milagre da imagem de Jesus que, de tosca, movendo-se, chorando e sangrando, se torna perfeita, sendo Frei Diogo autor duma uma Relação sobre o caso. Depois arde o convento, mas voltará a ser reconstruído e ainda hoje está vivo e firme, perto da impressionante ruína duma torre de grande altura, o que resta da igreja do Convento de S. Agostinho.
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| Potala, a fortaleza espiritual dos Dali Lama, em Lhasa, numa pintura de Nicholai Roerich. |





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