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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

As duas faces da Morte, a imortal solar e a da continuidade sublunar. Um emblema histórico moral e real barroco gravado em 1666 na Península.

ELEVATUS EST SOL, ET LUNA STETIT IN ORDINE SUO. 3  Elevado está o Sol e a Lua permaneceu na sua ordem". Paráfrase de dito bíblico em Abacuc. 3.
Epigrama ou corpo do lema: "Esta Luna con luz nueua / Viue a pesar de esse monte, / Que el Sol en otro oriçonte / No falta, quando se eleua."

Esta misteriosa gravura apresenta duas faces do que resulta da Morte: a translação ou passagem para o mundo invisível e espiritual, e a permanência ou continuidade na Terra do que sobrevive a essa morte. simbolizada na caveira no alto do monte.

Neste caso vemos o Sol brilhando à direita do alto monte intransponivel da Morte, e à esquerda uma Lua nova coroada, indicando-se que se o Espírito partiu ele continua a irradiar a sua luz subtilmente e cabe à Lua receptiva e feminina recebê-la e reflecti-la.

Um dos ensinamentos que nos dá é que devemos sempre procurar discernir onde é que os influxos do ser que partiu, ou da sua intermediarização funcional, vão continuar.

Aquele espirito valeroso partiu. Em que é que eu o posso celebrar, continuar, ou ser mesmo por ele inspirado nesta vida terrena a que ele deixou de ter acesso directamente?

Este questionamento meditativo deve ser feito por cada um de nós renovadamente e no íntimo face  às pessoas amigas que vão falecendo, pois passam a poder brilhar na tTerra apenas pelos reflexos que nós concedermos no espelho da nossa alma ou nos sonhos. E tal deve ser dirigido em especial para os mestres, autores e amigos que mais admiramos, para os continuarmos, para sermos elos de continuidade do mesmo fio ou eixo de Tradição espiritual.

Pode-se mesmo dizer que cada ser que comunga com os que já partiram neste sentido de os continuar, e coroa (ou activa ou são activados) os seus centros anímicos superiores, pois abre-se aos influxos luminosos do Alto.

A oração e a aspiração de comunhão são as principais formas de nos abrirmos à Luz espiritual, que como o Sol está no alto,  e de nos coroarmos nas nossas ordens, deveres funções, no svadharma no dizer indiano, ao relacionar-nos ou abrir-nos a Deus, aos Anjos, aos santos, santas, mestres, familiares e amigos já partidos.

Destes modos o alto e intransponível monte da Morte deixa de ser uma barreira opaca à unidade do mundo e dos seres.

A bela e aparentemente enigmática gravura aberta a buril em chapa de cobre, foi realizada para o livro Descripción de las honras que se hicieron a la Catholica Magd. de D. Phelippe Quarto Rey de las Espanas..., publicado pelo Dr. D. Pedro Rodríguez de Monforte, em 1666, na tipografia de Francisco Nieto, sendo a primeira das 41  gravadas por Pedro de Villafranca, reproduzindo o que estivera presente em pintura e e em madeira, durante as cerimónias fúnebres em Madrid, no Real Convento da Encarnação, em honra do rei Sol, Filipe IV de Espanha, e da  continuidade da coroa espanhola na Lua,  a rainha Mariana de Áustria e do seu filho o príncipe Carlos.

Bela portada simbólica da obra, legível no Internet Archive.

Saibamos purificar o espelho da nossa mente e coração, para podermos reflectir as melhores influências, inspirações e bênçãos do Alto, do Espírito, do Anjo, de Deus e assim vivermos no Talent de bien faire da Tradição espiritual portuguesa

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