Esta misteriosa gravura apresenta duas faces do que resulta da Morte: a translação ou passagem para o mundo invisível e espiritual, e a permanência ou continuidade na Terra do que sobrevive a essa morte. simbolizada na caveira no alto do monte.
Neste caso vemos o Sol brilhando à direita do alto monte intransponivel da Morte, e à esquerda uma Lua nova coroada, indicando-se que se o Espírito partiu ele continua a irradiar a sua luz subtilmente e cabe à Lua receptiva e feminina recebê-la e reflecti-la.
Um dos ensinamentos que nos dá é que devemos sempre procurar discernir onde é que os influxos do ser que partiu, ou da sua intermediarização funcional, vão continuar.
Aquele espirito valeroso partiu. Em que é que eu o posso celebrar, continuar, ou ser mesmo por ele inspirado nesta vida terrena a que ele deixou de ter acesso directamente?
Este questionamento meditativo deve ser feito por cada um de nós renovadamente e no íntimo face às pessoas amigas que vão falecendo, pois passam a poder brilhar na tTerra apenas pelos reflexos que nós concedermos no espelho da nossa alma ou nos sonhos. E tal deve ser dirigido em especial para os mestres, autores e amigos que mais admiramos, para os continuarmos, para sermos elos de continuidade do mesmo fio ou eixo de Tradição espiritual.
Pode-se mesmo dizer que cada ser que comunga com os que já partiram neste sentido de os continuar, e coroa (ou activa ou são activados) os seus centros anímicos superiores, pois abre-se aos influxos luminosos do Alto.
A oração e a aspiração de comunhão são as principais formas de nos abrirmos à Luz espiritual, que como o Sol está no alto, e de nos coroarmos nas nossas ordens, deveres funções, no svadharma no dizer indiano, ao relacionar-nos ou abrir-nos a Deus, aos Anjos, aos santos, santas, mestres, familiares e amigos já partidos.
Destes modos o alto e intransponível monte da Morte deixa de ser uma barreira opaca à unidade do mundo e dos seres.
A bela e aparentemente enigmática gravura aberta a buril em chapa de cobre, foi realizada para o livro Descripción de las honras que se hicieron a la Catholica Magd. de D. Phelippe Quarto Rey de las Espanas..., publicado pelo Dr. D. Pedro Rodríguez de Monforte, em 1666, na tipografia de Francisco Nieto, sendo a primeira das 41 gravadas por Pedro de Villafranca, reproduzindo o que estivera presente em pintura e e em madeira, durante as cerimónias fúnebres em Madrid, no Real Convento da Encarnação, em honra do rei Sol, Filipe IV de Espanha, e da continuidade da coroa espanhola na Lua, a rainha Mariana de Áustria e do seu filho o príncipe Carlos.
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| Bela portada simbólica da obra, legível no Internet Archive. |
Saibamos purificar o espelho da nossa mente e coração, para podermos reflectir as melhores influências, inspirações e bênçãos do Alto, do Espírito, do Anjo, de Deus e assim vivermos no Talent de bien faire da Tradição espiritual portuguesa

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