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| Exemplar com nota de posse da Livraria do convento de N. Senhora da Conceição em Matozinhos, ao tempo da Ordem de S. Francisco. |
Intitulado Tratado das significações das plantas, flores e frutos que se referem na Sagrada Escritura. Tiradas das Divinas e Humanas letras, com suas breves considerações, foi dado à luz em Lisboa, por Paulo Craesbeeck, em 1622. Teve algum sucesso, tanto mais que serviria para os religiosos pregarem melhor e os pintores saberem desenhar melhor o reino vegetal segundo a simbologia tradicional, saindo assim uma 2ª edição na Oficina de Manuel Lopes Ferreira em 1698, num in-4º de (6)-517 páginas.

Na obra, antes das licenças e da Tabuada das Plantas, Fores e Frutos, (...) com seus próprios significados e considerações, Frei Isidoro Barreira escreve um breve prólogo, no início demonstrando no início a sua inserção numa das ideias-força dos Descobrimentos e do Renascimento: «A experiência das coisas foi a que descobriu a natureza delas, e dos efeitos que viu, apropriou a muitas os significados que tem.» Mas, logo em seguida, como espiritual que era ressalva ou acrescenta a intuição, a revelação, a inspiração do Alto: «Os [significados] das plantas daqui tiveram sua origem, ainda que os mais [a maioria] deles não foram tão descobertos por indústria humana, como [por] sabedoria divina.»
Neste blogue já consagramos quatro textos a um dos frades sábios da Ordem de Cisto, o lamacense Frei Mestre Paulo de Vasconcelos: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/mestres-espirituais-da-ordem-de-cristo.html, https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/um-capitulo-valioso-onde-desenvolvera.html https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/01/sobre-imutabilidade-divina-por-frei.html
https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2026/02/consideracao-dos-anjos-pelo-dom-prior.html, e agora vamos apenas transcrever dois extractos das considerações acerca do Jacinto e da Sabedoria, já que nos transmitem valiosas compreensões, e porque no dia 10 farei uma palestra sobre a Sabedoria na Biblioteca da Câmara Municipal de Cascais, no ciclo Encontros de Sabedoria. Oiçamo-lo:
«O Jacinto é uma flor e espécie de Lírio, que os Poetas fingiram que fora algum tempo um formoso menino, que Apolo convertera nesta flor, que ficou retendo o mesmo nome de Jacinto que dantes tinha. E por esta flor diz o mesmo Celio Augusto (conforme o tinha descoberto em Autores antigos) que se entende a Sabedoria, porque como Apolo fosse tido por Deus das Musas, e do engenho, veio-se a dizer, que o sentido natural em quanto não se corrompe com alguma malícia, é como um menino inocente, que carece de aviso, e discrição; mas que então é esse sentido belo e formoso, quando se levanta à contemplação de coisas altas; donde se segue, que levantado sobre si e alumiado com a razão, ponha de parte o fervor juvenil, e se converta e transforme em flor de sabedoria, juízo e descrição, lançando de si suavíssimo cheiro de virtudes. Isto é que os Filósofos antigos doutamente consideravam, quando a esta flor atribuíram a significação de sabedoria (...)
Séneca filósofo, com ser Gentio, chegou a descobrir grandes efeitos da Sabedoria, e os bens que nela se continham, dizendo, que é a sabedoria um dom, que nesta vida nos leva ao estado de bem-aventurança, para ela nos guia e vai mostrando o caminho, dirigindo-nos a tudo o que é bem e desviando-nos de tudo o que é maligno; livra o entendimento de vaidades e ensina que só aquele é felicíssimo, quem não tem necessidade de felicidade alguma, e que só aquele é poderoso, que a si mesmo tem em poder, e só aquele é sábio, que tem louvável composição dos efeitos da alma, procedendo sempre com justiça e verdade, não se levantando em coisas prósperas, nem abatendo com as adversas, nem estimando as coisas conforme a opinião, mas negando a natureza delas, mostrando-se superior a todos os acontecimentos, em tudo formoso, em tudo formoso, em tudo bem assombrado, sem temer e perturbação alguma, prevendo o que há-de fazer, e o que não há-de fazer, e o que não há de fazer e em tudo o mais governando a vida e acções em boa conformidade...»
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Outra obra fruto da lavra anímica de Frei Isidoro Barreira, é a tradução, do latim, da regra do patriarca S. Bento, sob a qual se regia a Ordem de Cristo. Contém uma dedicatória ao Mestre Frei André Pacheco, Dom Prior do Convento de Tomar, & Geral da Ordem de Cristo, e uma exortação A toda Sagrada Religião, & Freires da Ordem de Cristo, explicando que adicionara um catálogo dos varões ilustres que seguiram a regra e que "na observância dos seus preceitos chegaram à vida eterna", e porque «bom conselho é ajudar a que não se percam aomemoriais de santidade e virtude dos justos e das proezas que fizeram...». Saibamos sintonizar e continuar conforme o nosso logos a Tradição espiritual portuguesa e universal da Sabedoria, Sapiência, Sophia, assinalada até na tenção do governador e administrador (de 1420 a 1460) da Ordem de Cristo, infante D. Henrique, Talent de Bien Faire... |
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