A Sabedoria, ou Sapiência, Mazda, Vidya, Gnose e Conhecimento, e tantos outros nomes sinónimos na sua divina abrangência, é realmente no ser humano uma potencialidade tanto inicial, no nascimento, e final, na morte, pois ao crescer ou desabrochar, dissipa a ignorância, e faz-nos discernir e evitar os erros ou o mal, e trazerao de cima a sua beleza, bondade e unidade, e ao unificar-nos, ao religarmos os polos da terra e do céu, na sua complementariedade e plenitude divina, vencemos a morte.
Toda a Natureza, todo o Cosmos transmite e inspira ordem, beleza, força, embora certamente se gere, sobretudo por entidades individuais, desequilíbrio e negatividade Há que saber discernir o que atrairemos e acolheremos de energias e mensagens que nos possam ir transformando em seres mais plenos, despertos, guardiões do graal ou taça da Vidya, Visão, Conhecimento, Sabedoria, Verdade, nomeadamente face ao caos de mentira e injustiça, opressão e desinformação que cruzam cada vez mais as mentes humanas nesta era de crescente digitalização de infinita informação
Ao trabalharmos bem - talent de bien faire - com a Natureza e o Mundo, e o nosso corpo e alma e seus ritmos - através da autoconsciência presencial e dos actos e gestos unificadores ou despertantes, abençoantes ou aspirantes -, o nosso corpo de glória ou imortalidade vai-se desenvolvendo e tornando-se um canal, qutb, eixo dos mundos, com os seus centros do coração e da cabeça irradiando amor, gratidão, adoração, união e ligando-nos ao mestre, ao anjo, a Deus.
O Espírito brilha e irradia então, ainda que de modo geral subtilmente, distantemente, fazendo-nos comungar brevemente com ele, e inspirando-nos por vezes com o que mais precisamos para cumprir ou aperfeiçoar o que é do nosso swadharma, a nossa missão de Sabedoria.
Pode-se dizer que a Sabedoria desce do céu, reino ou mundo espiritual como graça, manifestando-se em nós, donde os seres sofiânicos, em quem a Hagia Sophia, a Sagrada Sabedoria, se avatariza na transmissibilidade por vezes iluminante e unificante, e que os staretz e filósofos espirituais russos dos últimos séculos tanto perseguiram, especularam, meditaram, viram, comentaram.
Cada dia é então mais uma jornada sob a luz solar de avatarização da Sabedoria Divina, e é um philo-sopho, amigo ou amante da sabedoria quem avança nessa presença e consegue discernir e realizar o essencial e verdadeiro por entre o superficial, falso, e segue tal bussola interna com discernimento e amor, no talent de bien faire, lema consagrado entre os portugueses pelo infante D. Henrique e os da Ordem de Cristo, candidatos ao ungimento.
Sábio é quem vive o seu conhecimento verdadeiro com amor e força e, face à manipulação e arrebanhamento geral, prossegue corajosa e perseverantemente o caminho de religação espiritual e divina, como portador do Graal, coração vivo, clarividente e flamejante no Bem Divino.

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