sexta-feira, 15 de março de 2019

Greve Climática Estudantil. 15-III-2019. Lisboa. Mil almas desabrochando em aspirações ambientalistas.

Realizou-se a 1ª grande manifestação ecológica da classe estudantil portuguesa, em 15 de Março de 2019, dentro da jornada europeia "Greve Estudantil Climática", participando nela umas 1.500 pessoas, na sua grande maioria jovens do Ensino Secundário, que se reuniram no mítico Largo de Camões, um dos mestres da Tradição espiritual portuguesa, e se encaminharam para o largo diante da Assembleia da República, onde mostraram o seu descontentamento pelas fracas políticas ecológicas ou ambientais da classe política, nacional e mundial, e a sua apreensão pelo futuro, propondo várias medidas ou linhas de força mais harmonizadoras.
Foi já diante da Assembleia que me juntei à manifestação e que fiz uma gravação em movimento de cerca de 12 minutos, a que juntam a maior parte das fotografias tiradas, que ficam como testemunho do magnífico activismo dos jovens que vieram de muitas escolas secundárias, não só de Lisboa (o Passos Manuel em força)  mas também dos arredores (como da escola Reinaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira), com muita consciência dos problemas actuais, bem patentes nos cartazes muito criativos e esclarecedores empunhados.
Encontrei algumas pessoas amigas, tal como o Paulo Trigo, como eu grande amigo do prof. Agostinho da Silva, deputado independente e muito sensível às questões ambientais e éticas, que estava em diálogo com  jovens estudantes e acompanhado da sua assessora e do assessor, com quem dialoguei, o João Prates, artista e director do Centro de Serigrafia Portuguesa, que estava acompanhado de um artista francês, e o professor de Economia e notável activista ecológico ou ambiental Álvaro Fonseca, que estava com um amigo, artista e ecologista. Boas conversas com todos. E uns breves diálogos com quatro dos manifestantes, tudo convergindo para um optimismo de esperança em relação às novas gerações, gente com muita sensibilidade, aspiração, discernimento e força.
As imagens, e serão muitas, dispensam comentários, embora tenha ainda assim comentado algumas. 
As fotografias finais são já no Jardim da Estrela onde a peregrinação-marcha, do Amor de mãos verdes e de um Oceano de peixes e não de plásticos, ainda chegou diante de Antero de Quental, ou da sua estátua evocadora, vate e líder estudantil dos mais fulgurantes da nossa história. No fim de tudo, o vídeo...
A mão que espera a outra mão, as mãos dadas, a mão invisivel do Alto, avancemos unidos
As forças policiais do Estado e dos políticos, o verde e a liberdade que nos restam....
Um dos cartazes mais certeiros, profundos e exigentes, curiosamente empunhado por um dos mais novos dos manifestantes.
O deputado independente Paulo Trigo e a sua assessora, também ela boa conhecedora da fragilidade dos eco-sistemas perante as mentalidades do sistema social e económico actual.
Muito dinamismo estudantil puro, apartidário, cívico, de coração e partilha, futurante...
                                  
  Mil faces juvenis, mil almas desabrochando, quantos ideais se concretizarão, como chegarão ao fim das suas vidas?
                                    
Em sintonia ou na linha em que entre nós vários grupos se encontram, tal como o grupo ecológico TOLERÂNCIA ZERO PARA IRRESPONSÁVEL GOVERNAÇÃO (E GESTÃO) AMBIENTAL (TZpigA) a preocupação pelo excesso de plástico, a poluição dos mares e o sofrimento da fauna marítima esteve interpelante em vários cartazes e gritos de alma...
                             
Almas bem auto-conscientes e determinadas, como dizia Antero de Quental: «O que deseja o coração, o que quer a inteligência é uma coisa só: luz e amor: a verdade que se e a verdade que se sente»
Seres com grandes qualidades anímicas perfilaram-se perante o horizonte e a Assembleia da República em aspiração de maior consciência ecológica, justa e fraterna sociedade portuguesa e no Mundo...
                              

                                     

                                    

                                      

                                     

                                  

                              

                             

                                       

                                           

O legendário activista dos direitos humanos e músico dos Pink Floyd, Roger Waters, presente em algumas almas não vãs mas fans do Wall?
                                                                               
No cartaz, uma fundamental preocupação e aspiração da alma que sente e pensa, lê, dialoga e evolui, manifestada por jovens já conscientes de serem elas as transmissoras da tradição cultural espiritual, pelos autores e poetas que lêem e que passam aos filhos, por vezes logo na gravidez ou no berço, assim os fadando para um futuro mais profundo e luminoso, como magistralmente exprimiu o poeta amigo de Fernando Pessoa, Augusto de Santa Rita, na sua justificação prefacial da revista modernista Exílio, em 1916, logo após Orpheu...
Paulo Trigo, o deputado exemplar, que desceu do alto da escadaria e foi às bases ouvir, dialogar e ensinar, com grande atenção de um grupo de jovens...
                                       
       
Boa auto-consciência da importância de assumires o nosso dever, o swadharma, da tradição indiana. Ou dela ainda (Bhagavad Gita), "tens direito a acção mas não necessariamente aos seus frutos". Por isso luta desprendidamente, no amor e perfeição do aqui e agora...

Valiosa aspiração, serena determinação, na linha da Mãe do Mundo, ou das Mães da Terra, guardiãs...
 
                              
   Paulo Trigo continuando a dar a sua satsanga, ou partilha da verdade, nele certamente bastante melhor que a dos vulgares deputados...
                               
Uma estudante com a alma bem decidida e esperançosa..
Boa referência às águas e mares do Algarve e as tentativas graças a Deus frustradas, de poluir e dizimar os eco-sistemas e seus maravilhosos seres, em prol das multinacionais petrolíferas e dos seus agentes e gestores...
Novos mantras, embora o antigo continue a ser bem necessário, em especial devido ao imperialismo inepto e tão violento da USA e seus coligados e aliados... Paz e Amor, e não Poluição e Destruição, no Médio Oriente e no Mundo...
Almas puras e de um futuro mais luminoso, desafiando as políticas egoístas de visão a curto prazo e de interesses partidários ou corporativos, nacionais e multinacionais, em vez de se trabalhar pelo Bem Comum, sustentável e duradouro...
Uma das críticas mais certeiras  a muitos deputados semi-inúteis em relação ao essencial e ao Bem Comum

Grandes questões metafísicas numa das pontas da manifestação: Quem é Deus, que concepção fazemos dele, está Deus vivo em nós, conseguimos sentir as suas energias na natureza, estamos a cuidar dela suficientemente, ou antes sobretudo a explorá-la ou a destrui-la por múltiplas razões, desculpas, interesses, egoísmos?
A má visão e gestão florestal, apenas norteada pelo lucro a curto prazo, posta em causa...
Mudanças conscienciais, éticas e de modos de vida, consumo e fontes energéticas, eis a proposta ressoante e desarmante desta jovem bem auto-consciente e irradiante...
Pequenos grupos bem unidos por aspirações comuns, boas fundações para o futuro...

O apreciado chocolate, sobretudo negro com pouco açúcar e de comércio justo, ou de agricultura biológica, que substitui muito bem o café e que é mesmo bom para estimular o cérebro, foi trazido à linha da frente da defesa da Natureza que o gera naturalmente e não artificialmente...
Um jovem já bem decidido na prática da "meditação universal", acima das linhas das religiões,  como me dirá no vídeo
A questão da alimentação carnívora e dos seus defeitos foi posta em causa por algumas pessoas...
Álvaro da Fonseca, um dos activistas ambientais e sociais de melhor formação, à direita em diálogo com o amigo

A força ascensional e de aspiração bem manifestada por estes jovens no alto de um placard, lúcidos a criticarem um ingrediente alimentar barato, o óleo de palma, mas trágico para as florestas
Crítica bem apontada, pois a maior arte dos políticos, sobretudo os que chegam a deputados têm o futuro garantido, já não precisam de mais motivações do que a sua ambição ou os empenhos que lhes fazem ou apoios que lhes pedem, em geral pouco se importando com o Bem Comum
Da juventude portadora do Graal do futuro de Portugal
Um grupo com muitas preocupações ecológicas, como nos explicou o jovem, a querer tornar-se um partido. Assinei. O que resultará? Meditemos e vigiemos...
Não foram os coletes amarelos, ou campinos verdes ou benfiquistas. Apenas um jovem mais pirotécnico e lembrando os ataques criminosos norte-americanos, da coligação, dos israelitas e da Arábia Saudita que estão sempre a poluírem e ensanguentarem o planeta
João Prates e Bruno, dois artistas, visionários, eternos estudantes, tal como Goethe aprofundando o mistério e as metamorfoses da serpente verde...
  Almas jovens, belas, puras, apreensivas quanto ao futuro que a classe política está ineptamente a criar...

Jovens mandálicas, do futuro, plenas de harmonia pura..
Outra crítica muito certeira aos crimes "ambientais inauditos", impunes, que tanto pioraram as condições de vida dos portugueses



Almas de cor azul, defendendo o seu planeta...


O Grande Buda da parede parece que gerava pela sua boca sábia os conteúdos dos cartazes e pela suas narinas e o "prana" os movimentos das almas estudantis, por vezes mais entusiasmadas até...
A grande questão da ganância do dinheiro verde, do corrupto dólar fabricado ilimitadamente para favorecer guerras e imperialismos, ou não nos vendermos ao capitalismo selvagem e antes amarmos mais a Natureza, os seus seres e eco-sistemas, e cultivarmos e consumirmos biologicamente, harmoniosamente?
Da agitação caótica, ou descontrolada ou criativa, até à unificação de todas as forças anímicas no grande ser, no mais iluminado, um Budha..

  A tendência vegan, de diminuição do sofrimento animal na Terra e do consumo de produtos derivados de animais tem vindo a crescer, equilibrando o carnivorismo, certamente cheio de defeitos...
Descanso das cavaleiras do Amor planetário e ambiental


Antero de Quental também participou, ou não tivesse sido ele um dos maiores líderes estudantis portugueses de sempre...
«Só as obras do bem são verdadeiras na sua totalidade», diz-nos Antero. «Talento de bem fazer» já pediam o Infante D. Henrique e Fernando Pessoa. Aos estudantes e a todos nós de os continuarmos...
A manifestação seguiu por algumas alminhas até ao jardim da Estrela, ou não fosse uma delas uma Alice no país das maravilhas, e assim comungamos com o insular Antero de Quental, cavaleiro do Amor que vence a Morte...
 
Defensoras da Natureza e logo "discípulas" muito jovens de Antero de Quental, crescendo harmoniosamente, seguindo seu  testamento expresso nas Tendências Gerais da Filosofia: «Na consciência temos o sentimento claro e evidente de que a nossa verdadeira individualidade é essa energia, simples, autónoma; sentimos que em esfera algum o seu ser , ainda nas mais inferiores, em momento algum do seu desenvolvimento, ainda nos mais elementares, o espírito é puramente passivo. A espontaneidade é a sua essência...»
                    
                        

terça-feira, 12 de março de 2019

"O Livro do Deus Vivo", de Bô Yin Râ. Cap. II: A Loja Branca.

                         
                                                          A LOJA BRANCA
«Com o nome "Loja Branca” tentou-se denominar em linguagem corrente o círculo de Auxiliares espirituais, e manteremos portanto essa designação, mesmo que os assim designados, apesar de a deixarem utilizar, de modo algum a aplicam a si próprios.
O seu pleno isolamento  do mundo exterior quotidiano parece poder justificar que se aplique à sua comunidade puramente espiritual o conceito de "Loja", o qual se tornou conhecido com a Maçonaria.
Trata-se da união mais singular deste planeta e entre os seres humanos não se encontra qualquer forma de associação de natureza  semelhante que possa oferecer uma comparação, e  mesmo que apenas num sentido figurativo.
Os membros desta união só se aproximam externamente e fisicamente em raros casos  de  necessidade forte e também quase nunca escrevem cartas entre si.
Mantêm-se no entanto em incessante ligação espiritual, em contínua partilha de pensamentos, em verdade numa absoluta comunalidade anímica...
Esta união não possui quaisquer lei exterior.
Cada um dos seus membros é igual aos outros e, portanto, cada membro conhece a posição que lhe foi reservada, a qual resulta da diversidade da natureza espiritual de cada um.
Todos porém subordinam-se voluntariamente a um "Regente" espiritual comum.
Este "Líder" não é "eleito" nem "nomeado" e, todavia, jamais um membro da união terá dúvidas quanto a quem seja este “Chefe”.-
A "admissão" nesta comunidade não pode ser obtida por lei, nem  por fraude ou imposição.
Leis espirituais ocultas e certas disposições espirituais que essas mesmas leis geram na natureza humana decidem por si só se um indivíduo está indicado para tal "admissão", e nenhum poder deste mundo poderá em tal caso impedir a sua “admissão”.
Os admitidos não estão vinculados porém por nenhum voto, nem nenhuma promessa...
Eles próprios são para si Lei e Norma!
Por nenhum sinal exterior, por nenhuma particularidade comum no modo de viver são reconhecidos os membros desta Comunidade espiritual.

Eles próprios, contudo, mesmo que desconheçam completamente as feições uns dos outros, reconhecem-se entre si - e sem precisarem de qualquer “sinal, palavra ou toque” - e, se for necessário, encontram-se um com o outro na vida exterior.
Devido à sua natureza esta união deverá permanecer oculta enquanto tal ao mundo exterior, se bem que muitos indivíduos e por vezes até povos inteiros estejam sob o seu influxo espiritual.
Nenhum caminho de ascensão aos objectivos supra-materiais mais elevados  foi trilhado sem que um dos membros desta união, ou  eles como um todo, tenham assumido o comando inperceptivelmente.--
Na grande maioria dos casos os que são guiados espiritualmente não sabem nem pressentem este influxo inperceptível, ao qual devem o seu melhor.
  Todavia onde se encontram indícios de despertar espiritual, então o influxo de auxílio espiritual é mais sentido,- só que ele é quase sempre atribuído, seja por desconhecimento seja movido por representações supersticiosas, a poderes supramundanos...

A imaginação poética de todos os tempos e povos deve a esse erro de interpretação, ainda assim  uma quantidade enorme das suas plasmações criativas.

A superstição foi sempre uma amiga do escritor, porque a Verdade nua é demasiado austera e simples para que se possa deixar enfeitar com os sumptuosos panejamentos da fantasia do poeta.
Não menos importante foi a interpretação incorrecta desta sentida ajuda espiritual que vinha, do círculo silencioso dos "Irmãos mais velhos" da Terra,  para o enriquecimento  das sagas religiosas do mundo.-
De tempos a tempos houve algumas pessoa conscientes da existência e acção da Comunidade invisível e contudo ligada a seres reais terrenos, - mas outros de novo soterraram os vestígios descobertos com dúvidas de todo o tipo, pelo que por fim só o murmúrio da lenda testemunhava que noutros tempos se soubera mais destas coisas, - que muitas pessoas tinham tido experiências significativas...
Nos nossos dias, algumas almas com uma disposição demasiado fantasiosa obtiveram conhecimento da existência da Comunidade, mas a simplicidade da sua essência e da sua acção espiritual satisfizeram tão pouco a capacidade imaginativa ricamente colorida destes entusiastas, que acharam necessário embelezarar os seus relatos com acessórios bizarros, e representar os Irmãos "mais velhos" (- porque espiritualmente mais velhos -) da humanidade como semideuses, ou no mínimo como grandes magos " que há muito sabiam" tudo o que a ciência moderna tenta ainda descobrir, e dotaram-nos generosamente até  de todos os poderes fantásticos com que os escritores de histórias exóticas sonharam.
É evidente que neste caso, com boas intenções, se quis e permitiu-se santificar os meios pelo fim desejado, procurando-se aumentar os pressentidos seres Inacessíveis muito acima de tudo o que é humano, no que se era confirmado por apropriados prodígios de faquir de mau gosto, pelos quais se acreditava que quem os perpetrava pertencia à "Loja Branca" ...
Os que porém deveriam ser nomeados com esse nome:- os verdadeiros portadores da Luz Primordial, - os Sacerdotes do Templo da Eternidade nesta Terra,- rejeitam naturalmente todos os efeitos deslumbrantes com a mais intransigente  determinação .

Eles sabem que são Homens iguais aos outros Homens e que apenas através da sua idade espiritual mais avançada permite-lhes exercer as funções da posição que ocupam na estrutura por degraus da hierarquia espiritual e fazer chegar até aos seus semelhantes os poderes espirituais, dos quais são transmissores [Lenker], - e não criadores!

A realidade mostra porém uma imagem bem mais digna e sublime, do que aquela que a mais colorida e lustrosa fantasia alguma vez poderia conceber...
O silencioso actuar dos membros da união estende-se a todos as áreas da evolução espiritual da humanidade.
Pelas suas mãos passam fios que frequentemente terminam nas mais altas expressões da criatividade humana, nos mais elevados desenvolvimentos do poder humano...
Conseguem na verdade mover montanhas sem mexer a falange de um dedo, porque a Vontade deles, através do mais puro conhecimento espiritual e purificada de todos os desejos pessoais, está por detrás de muitas vontades, que utilizam e movem outros cérebros e mãos!
Mas para as artes de faquir não há em verdade qualquer lugar no agir dos “Irmãos mais velhos" da Humanidade!

Eles trabalham simplesmente de um puro modo espiritual na realização do incomensurável plano de evolução, que uma lei cósmica eterna estabeleceu para a humanidade, e o seu trabalho não conhece qualquer interesse particular pessoal, nem qualquer preferência individual, mesmo que tal fosse justificável pelo motivo mais ideal.
Quem procura grandes "prodígios", não os encontrará aqui!
Os acontecimentos reais no agir dos "Irmãos mais velhos" podem  ainda assim ser por vezes verdadeiramente "prodigiosos", mas quanto mais merecerem esse atributo, mais protegidos permanecerão de olhares exteriores.-

No círculo de influxo deste agir espiritual encontra-se contudo cada ser humano terrestre que quer muito no seu coração alcançar nesta existência terrena o estado mais avançado que lhe é possível de desenvolvimento  espiritual.
Quanto mais pura a sua vontade é, - quanto mais liberta ela estiver de desejos egoístas, - tanto mais claro poderá ser nele o fluir do Espírito, e tanto mais forte sentirá rapidamente esse "in-fluxo" em si.
 
Inúmeros sentem-no, sem pressentir donde ele vem...»

segunda-feira, 11 de março de 2019

"O Livro do Deus Vivo", de Bô Yin Râ. Cap.I: A Morada de Deus entre os Seres Humanos.

   1º capítulo, “A morada de Deus entre os seres humanos”, da obra do mestre alemão Bô Yin Râ, O Livro de Deus Vivo. Tradução portuguesa, versão de 3-II-2020, e de XII-2023, por Pedro Teixeira da Mota. Alguns direitos de tradução...

  « Já nos tempos antigos veio  do Sol nascente em direcção à terra do Poente uma mensagem silenciosa e pôs diante dos olhos num tipo de imagens proveniente da fé cristã, uma estranha e espiritualmente unida comunidade de sábios Activos,- mas os homens do mundo Ocidental não souberam interpretar o que os atingia desse modo.- - 
 
O véu da saga tecia-se sobre o "Santo Graal" e a sua nobre “Cavalaria"...
Um conhecimento cheio de alento submergiu-se sob um obscuro mito,- tornou-se uma  saga poética religiosa num cenário fantástico.- 
 
Entretanto, nos nossos dias, aventureiros mistagogos, através de associações fantasiosamente elaboradas, proclamaram diante de todo o mundo que, nas recônditas profundezas do Oriente, viveriam recolhidos seres ocultos, embora as fábulas demonstrassem simultaneamente, e contra a vontade deles, que embora esses mensageiros soubessem da existência de seres ocultos, mas que não tinham visto nenhum deles, - pois se os tivessem visto negariam que certos faquires  miraculosos e homens santos bizarros com quem se depararam fossem membros desse circulo espiritual...
 
Mas como no inconsciente de muitas almas conservavam-se os derradeiros pressentimentos obscuros de uma possível ligação espiritual com um santuário impregnado de espírito divino,  escondido ainda algures nesta Terra, em breve apareceram crentes que esperavam alcançar tal ligação.
Infelizmente procuravam por caminhos falsos e nestes caminhos enganadores procuram ainda. --
De fragmentos de conhecimento  ao longo do caminho, empilharam um edifício quimérico e chamaram-no "Ciência" do Espírito, – inconcientes da ilusão em que caíram, a de que o verídico Conhecimento do Espírito da Eternidade se aprenderia tal como os conhecimentos intelectuais terrenos.
Vivem como ascetas, para, assim o entendem, se "espiritualizarem", - mergulham numa obscuridade nocturna e venenosa duma mística proveniente duma atmosfera febril da quente selva tropical, -  e sentindo-se encantados por instruções antigas ou novas  para alcançar “poderes ocultos", procuram-nos toda a parte - e crêem que, dessa forma se podem aproximar, daqueles que para isso tudo só podem ter um sorriso compassivo, cheio de perdão e compreensão.
Ninguém quer entrar nos trilhos escarpados que levam aos cumes ensolarados da "Grande Montanha", e todos se dirigem por estradas largas e poeirentas em direcção aos locais de peregrinação há muito profanados, no seio de vales sombrios...
Muitos sonham-se já no caminho para os Guias sóbrios e claros do reino da Alma, e então procuram através das florestas para, - descobrirem um "santo" ...
Outros acreditam que as doutrinas religiosas dos orientais são idênticas à Sabedoria desses Guias silenciosos e ocultos...
E por isso dizem para si mesmo com razão:
"Também entre nós houve, em tempos idos, videntes e sábios, também nós temos os nossos livros sagrados da mais longínqua antiguidade!
O Divino é porém  em toda a parte o mesma!
Porque razão deveríamos nós, os filhos do Ocidente, procurar agora a nossa salvação apenas no Oriente?!- " 
 
Falam verdade, - pois, se só se tratasse daquilo que as pessoas, de corações piedosos, podem em toda a parte aprender a sentir em si mesmas, - se só se tratasse  de ensinamentos antigos, que ainda contribuem para definir as concepções religiosas no Oriente, - então todo o que procura encontraria a paz por si mesmo e nos  ensinamentos sábios que lhe foram legados pelos videntes e profetas do seu povo.
 
Mas o saber e agir de tais Guias silenciosos pouco tem a ver com os ensinamentos dos povos orientais, e os Auxiliares espirituais ocultos levam mais longe do que àquele céu, que cada época cria como expressão do seu anseio religioso.-
Os Guardiões da herança primordial de toda a Humanidade são  os protectores mais poderosos de toda a espiritualidade no ser humano, e  simultaneamente os amigos mais verdadeiros do Homem na terra, cheios de compreensão e de aconselhamento.
Desde o  mais remoto tempo  enviaram eles irmãos a todos os povos da Terra, para constituirem pontos de irradiação espiritual, onde fossem necessários.
Por entre todos os povos elegeram, ao longo dos tempos, os seus Filhos e Irmãos espirituais, tal como  a lei espiritual os chamava a eleger.
Ora  a todos que assim foram eleitos, foi atribuído em plena Ásia, um local como pátria espiritual, e cujo acesso ninguém pode encontra sem ser convidado.
Os poucos, que desde o princípio dos tempos vivem ali juntos, nunca se tornam visíveis no mundo movimentado exterior.
Para esse efeito ordenam somente os seus filhos e irmãos espirituais que a lei espiritual destina como "Actuantes".
Eles próprios são unicamente os  fiéis guardiões  de um tesouro espiritual, que o Homem terreno possuía antes da sua queda no mundo da matéria física.
Eles causam aquele Poder, a partir da qual os Actuantes intervêm para o Bem da Humanidade da Terra.
Não será assim o cúmulo da tolice acreditar que estes elevados Guias sejam "budistas" ou "brâmanes",- "lamas", "panditas", ou mesmo "faquires" !?!-
Que não se pense também que se trata de uma espécie de "instruídos" numa assim chamada "Ciência" oculta!
  O que se presume nesse sentido é tudo um  engano perurbante! 

Os Irradiantes da Luz primordial são sobretudo "Criadores".
Os "mais velhos" ou os "Pais" nunca conheceram a "sede de saber", nem nunca a poderiam ter conhecido.
Os seus "Filhos" no Espírito e aos seus "Irmãos" igualmente há muito que abandonaram toda a "vontade de saber”.
Também não é certamente sua intenção converter o mundo aos ensinamentos da mística e da filosofia orientais.
A todos eles é indiferente que  "acredites" na Bíblia, no Alcorão, nos Vedas ou nos ensinamentos de Budha.
Mas em todos estes círculos de crentes eles descobrem sempre de novo os  que poderão ser Auxiliares e Guias espirituais, mesmo quando com frequência tais protegidos e aconselhados  não têm consciência dos processos necessários  que vivenciam.
Os Irradiantes da Luz Primordial não te querem dar doutrinas de crença, mas construir-te as "pontes" que te unam a ti, Homem prisioneiro do animal desta Terra,- com o  reino substancial do Espírito.
Eles mantêm-se contudo longe de cada ensinamento que quer fustigar o Homem até ao êxtase, para que ele, - já não senhor dos seus sentidos,- tenha a ilusão de que faz descer até si o Divino. -
Eles sabem também na verdadeiramente que o ser humano através do pensamento nunca poderá reconhecer o que é condição anterior a todo o pensamento e que vive acima de todo o pensamento.-
Sorriem, quando ouvem daqueles que se consideram a si mesmos Deuses disfarçados.
Permanecerão todavia invisíveis ao lado de quem quiser acolher em si o seu Deus.-
Eles são os verdadeiros  altos Sacerdotes, que estendem o cálice da bênção a todo o peregrino, que do mais profundo ardor do seu coração aspira a Deus em si.---

Não vês que se trata de algo bem diferente desse esquisito e pretensioso saber da "Ciência Oculta", de que se fala ali onde, das doutrinas misticamente obscuras de todos os povos se confeccionou um cozido, e a esse prato se deu o nome de "Sabedoria divina", - "Theo-sophia"?! --
Através de semelhante "Sabedoria divina" de pobres perdidos e voluntariamente auto-enganados, com todos os "exercícios", meditações e jejuns,- com toda a pureza dos teus actos e pensamentos,- com um conhecimento de coisas que o ser humano não precisa de conhecer,- não te aproximarás nem a fina espessura de um cabelo desse objectivo, que através do sentir mais profundo do teu coração podes pressentir como  o mais alto objectivo de todas as tuas aspirações!--
Tornar-te-ás talvez um louco, talvez para ti próprio e para os outros um "santo", - mas nunca chegarás assim ao teu Deus!
Se apenas queres encontrar o que sempre podes encontrar em ti sem ajuda espiritual, então não precisas realmente de elevar o teu olhar para o "alto Oriente"!
Os que de tal lugar te guiam,- mesmo que vivam contigo no teu país, ou até na mesma casa, - têm outras coisas para te dar! -
Eles poderão criar em ti algo, que tu próprio não podes criar em ti...
Algo que se enraizará em ti, e para o qual te tornas alimento...
Algo que ainda não tens nem nunca poderias obter de ti!--
Também os Irradiantes da Luz original não o têm certamente de si próprios ! -
Devolvem-te apenas o que outrora foi teu, antes de que tivesses de perdê-lo pelo teu impulso para este mundo da matéria física.--
Os "mais velhos" dos Irmãos nunca o perderam, porque nunca caíram na queda profunda no animal humano da Terra...
Não conhecem a morte e, desde há milénios, vivem nesta Terra numa forma indestrutível provinda das forças da mais pura substância espiritual.
Nunca estiveram unidos a um corpo, igual ao dos animais, como tu e eu.
Mas criaram   nos Homens outrora caídos e que no seu tempo tiveram de se unir ao animal sobre esta Terra, do plano espiritualos seus “Irmãos”, para que estes, nascidos então no mundo terreno, pudessem alcançar o que só é possível alcançar quando se vive no corpo do animal terreno.
Por isso preparam ainda hoje futuros "irmãos" para um tempo vindouro.
O local da sua actuação nesta Terra é desde a aurora dos tempos, quando os primeiros animais humanos se tornaram portadores do Espírito humano, - lá,  onde se ergue a maior montanha da Terra, - que permanece inacessível a todo o que não for conduzido espiritualmente ao seu centro.
Aqui está em verdade a "morada de Deus entre os Homens" desta Terra!
Aqui  o reino do Espírito chega, através das forças da mais pura substância espiritual,  ao que ocorre nesta Terra física!
Daqui irradiam raios da mais pura substância espiritual para todos os  habitantes desta Terra! - 

Eu vejo porém ainda demasiados seres humanos desta Terra a procurarem em vão o Espírito, pois andam por falsos caminhos.
Só posso exortá-los a mudarem, pois a luz activa do "Oriente interior" dificilmente os poderá fecundar enquanto os seus olhos se mantiverem ofuscados pelas várias luzes de todos os tempos, - as lanternas e archotes, com os quais a humanidade caída na animalidade procurou por si própria iluminar o seu caminho.-
Na verdade, só quem, sem se distrair pelos chispas luminosas da Terra, olhar  para o "Oriente", encontrará aí nas altas montanhas a Luz viva!
Para quem a tiver encontrado, ela vai-lhe iluminar o seu caminho, até atingir a sua finalidade, -- até alcançar a sua finalidade!-»
Himavat, a santa montanha dos Radiantes da Arqui-Luz, sobre os Himalaias.

"O Livro do Deus Vivo", de Bô Yin Râ. Prefácio. Tradução de Pedro Teixeira da Mota.

                      
Prefácio do Livro do Deus Vivo, de Bô Yin Râ (1876-1943). 1ª edição alemã, 1920. Tradução colectiva portuguesa, 2000, coordenada e finalizada por Pedro Teixeira da Mota, e agora, em 2019, 2020 e 2023, corrigida e melhorada.
                             
                                              Prefácio
« Que não leia este livro quem é virtuoso e crente!
Que não leia este livro quem nunca duvidou de Deus!
 
Este livro está escrito para os que, em árduas lutas interiores, queriam encontrar o seu Deus, mas não o encontraram...
Este livro está escrito para todos os que se debatem nos espinhos da dúvida...
A esses será auxiliar!
Ser-lhes-á um sinal do caminho!

Sabedoria Primordial é o que eu anuncio aqui.
Os poucos, que a puderam realizar, mantiveram-na secreta desde o tempo mais antigo.
Apenas raramente, apenas em horas escolhidas e apenas em símbolos obscuros se permitia falar dela nos dias mais juvenis do Mundo.
Agora   porém chegou o tempo de se falar com mais clareza, já que pessoas não escolhidas espalharam e espalham ainda no mundo imagens distorcidas desta Sabedoria.
No “íntimo Oriente” decidiu-se agora abrir aos ocidentais o "Santuário sagrado" que por muito tempo se manteve zelosamente vedado aos olhares profanos.
Quem o abre agora, está autorizado a fazê-lo.

Porém é exigido ainda um exame rigoroso a quem procura  e ninguém poderá aceder ao Templo sem primeiro o passar.
Assim, para já, deixa-se ver apenas de longe o que um dia quem for digno deverá atingir e compreender...

O que pode ser dito dos segredos do Templo, dir-vos-ei!
Se os quereis sondar, então devereis ter o cuidado de os vivenciar no vosso íntimo!
Eles só se desvendam verdadeiramente a quem, com todas as forças, consegue alcançá-los! -

Com a "leitura" das minhas palavras ganhareis pouco...
O que aqui se torna palavra deverá encontrar corações prontos: - corações que a saibam acolher e guardar em si, caso contrário em vão tal se tornou palavra! -

Ninguém, todavia, poderá pronunciar um juízo de valor ou não valor acerca do que ouviu, antes de se submeter à tão exigente prova, que lhe é proposta, se ele próprio quer entrar no Templo.-
Só aos que estão no interior do Templo é possível pronunciar juízos.

Só posso mostrar do exterior, o que um dia, no íntimo dos que tenham sido instruídos, se poderá manifestar.
Para se desvendar, requer-se uma vontade perseverante, forte e constante, e só quem força em si mesmo esta vontade, pode esperar em si próprio a confirmação das minhas palavras.
Ele encontrará o Caminho para o seu Deus vivo!
Ele encontrará em si mesmo o Reino do Espírito e os seus  altos Poderes!
O seu Deus "nascerá" dentro dele próprio!

Está longe de mim apresentar "provas".
A veracidade do conhecimento das minhas palavras, deveis vós conmprová-la!
Só em cada um de vós próprios vive o juiz silencioso, que vos confirmará o que a minha palavra desperta em vós.
Não poderíeis compreender as minhas provas, pois não trilhastes os caminhos que eu em tempos tive penosamente de percorrer ! -
Aqui também não há  quaisquer provas de "aplicação geral"!
Aqui cada um  encontra o que é para si a prova conclusiva.
em si próprio.
Não vos dou também qualquer "ciência" e anuncio qualquer "crença".
Mostro-vos apenas o que é possível mostrar, da Sabedoria do "íntimo Oriente", dos altos segredos do Templo da Eternidade!

Que as minhas palavras vos estimulem a despertar finalmente para vós próprios, pois nenhum de vós ainda sabe, - quem é!---
Bênçãos e Poder entretanto estejam com todos os que são de boa vontade e querer resistente
Pinturas de Bô Yin Râ boas para contemplação...

domingo, 10 de março de 2019

"O Livro do Deus Vivo", de Bô Yin Râ. Apresentação por Pedro Teixeira da Mota.

O meu conhecimento da obra de Bô Yin Râ surgiu há já mais de 30 anos através do instrutor de Kriya Yoga em França, Rishi Atri, aliás Jules Champhy, e que no boletim mensal da associação de yoga e espiritualidade que fundara, Atma Bodha Satsanga, inseria alguns textos de Bô Yin Râ, publicando mesmo em livro uma conferência do seu amigo Robert Winspeare, intitulada O Ensinamento de Bô Yin Râ (Vida-Via-Verdade), na qual este narrava como chegara ao conhecimento deste valioso ensinamento que estava a traduzir para francês, no anos trinta do século XX.
                                                   
Foi assim que vim a adquirir as primeiras obras na Librairie Médicis, em Paris, lendo-as e sentindo o seu valor e desde então este ensinamento entrou no meu caminho o qual, embora me levasse por diferentes ensinamentos, grupos, mestres e países,  nunca deixou  de o ter em alta conta e de certo modo o ir assimilando. Na verdade, seja a leitura seja a prática das suas indicações é eficaz e valiosa e, quanto às suas pinturas, especialmente expostas na obra Welten, Mundos, podemos confirmar que a sua contemplação é bem frutuosa.
Dada a dificuldade de traduzir do alemão, o meu entusiasmo pela sua obra levou-me então a traduzir, da versão francesa, A Oração, a qual circulou manuscrita por poucas pessoas, entrando com fragmentos de outros livros e mestres numa exposição sobre espiritualidade, no centro tibetano Pirâmide, no Porto, passando-a contudo a alguns alunos de Agni Raj Yoga e Meditação, que eu ensinava ou transmitia no restaurante e centro de práticas alternativas, Suribachi, ainda hoje a funcionar na rua do Bonfim, 136, Porto.
É pois com alegria que partilho a tradução portuguesa do primeiro e mais importante volume da obra de Bô Yin Râ O Livro do Deus Vivo, realização árdua, para ser o menos possível traição, e que esperamos correcta e útil. A uma primeira tradução, que teve em conta por vezes demasiado a versão francesa, pela Judite e Isabel Maier, seguiu-se a minha operação de traduzir o mais literalmente possível as expressões utilizadas e acertar os sentidos espirituais, com correcções posteriores de Julia Reich e de Fiama Hasse Pais Brandão a ajudarem a resolver cerca de meia centena de dúvidas.
                                      
                                      
Tal como a própria primeira versão alemã, que saiu em 1919 impressa em Leipzig, com um prefácio do conhecido romancista do oculto e do fantástico Gustav Meyrink (1868-1932), se viu alterada posteriormente, é natural que também palavras ou frases traduzidas por nós possam ainda melhorar na sua adequação ao ensinamento preciso do autor, numa futura edição, o que de facto se passa hoje, em 10 de Março de 2019, dezanove anos depois, quando tendo-a corrigido ao longo dos anos, estou de novo a trabalhá-la e a começar a partilhá-la na net, neste Blogger.
                                          
Bô Yin Râ, aliás de nascimento Joseph Anton Schneiderfranken, nasceu na zona da Francónia, Baviera em 25 de Novembro de 1876 e, depois de ter trabalhado como artista manual devido às dificuldades dos seus pais agricultores, estudou pintura em Frankfurt, Viena, Munique, Paris (1902), Berlim (1904-1908). Foi muito estimulado por três mestres de pintura valiosos: Hans Thoma (1839-1924), Fritz Boehle (1873-1916) e Max Klinger (1857-1920). Em 1903 casa-se com Irma Schönfeld, mas não têm descendência.
                                      
                                   Bô Yin Râ quando esteve na Grécia, 36 anos de idade, em Delfos...
Viveu entre 1912 e 1913 na Grécia, e foi lá que se encontrou com o mestre oriental que o iniciou espiritualmente e que a sua experiência ou mensagem começa a ser transmitida em livros, surgindo o primeiro em 1914, Lich von Himavat, que será depois reformulado e incluído no Livro da Arte Real. Em 1915 expõe em Berlim as pinturas de paisagens  na Grécia e pouco depois a sua mulher Irma, que o acompanhara na viajem à Grécia e que era uma conhecedora de arqueologia, morre de diabetes.
Na 1ª Grande Guerra esteve em na Silésia e depois em Görlitz, casando-se no fim da guerra com a mulher de um militar morto na guerra, Helena Hoffman, que já tinha duas crianças, nascendo em 1920 a sua filha Devadatti, que ainda visitei e dialoguei nos anos 90 na própria casa de Bô Yin Râ.
Em 1923 moveu-se então para a Suíça onde criou a família, tratando também da terra e do jardim, em Massagno, junto ao lago Lugano na Suíça. Nesse mesmo ano encontrou-se com Alfred Kober-Staehelin (1885-1963), que se tornou seu grande amigo e o editor da sua obra, na Kober Verlag, a qual foi  dando à luz até 1939. Algo perseguido e vigiado pelo nacional-socialismo de Hitler, residiu em Massagno, terra neutral, até abandonar a cena terrestre em 14 de Fevereiro de 1943.
                                 
        Bô Yin Râ, com o compositor austríaco Felix Weingartner (1863-1942), autor  de um  livro sobre ele que bem merecia uma tradução portuguesa...
O ensinamento de Bô Yin Râ é inegavelmente de primeira qualidade, a mesma que sentimos nos grandes Mestres da Humanidade, que ele próprio afirma serem seus irmãos na mesma Fraternidade de Radiantes da Arqui-Luz. A certeza que as obras transmitem, a claridade que trazem, a harmonia poética e mágica com que as palavras ressoam, as impulsões que lançam, tudo contribui para considerarmos esta obra como das mais valiosas sobre os mistérios da vida e da alma, e confesso que encontrei aqui a melhor descrição do caminho espiritual e da ligação a Deus, certamente difícil de ser realizada, mas verdadeira, inspiradora e prática.
A sua obra denominada Hortus conclusus (Jardim ou horto rodeado de uma cerca, fechado, concluído) de 32 livros  de profundos ensinamentos sobre a Realidade última e os caminhos para a realizarmos, baseia-se no que nos diz no seu folheto Sobre os meus Escritos: «Eu comunico o meu conhecimento experimental das raízes do homem terrestre numa esfera de forças “espirituais” substanciais, que é inacessível aos sentidos físicos, sendo contudo alcançável duma maneira “sensível”, esfera na qual a consciência individual do homem pode já despertar nesta vida corporal terrestre, mas na qual ela despertará inevitavelmente logo que a sua existência terrena termine.
Eu comunico o meu conhecimento experimental da hierarquia de ajudas espirituais individuais, que parte do Arqui-centro mesmo da esfera das forças espirituais, que desce até à humanidade deste planeta e que se manifesta por certos homens preparados para esta missão já antes do seu nascimento terrestre.
Eu comunico o meu conhecimento experimental relativo à possibilidade de entrar em ligação espiritual com esta hierarquia, e mostro o caminho a seguir para se chegar aí.
Comunico finalmente de que maneira adquiri a experiência que me era acessível e porque é que eu devia chegar a ela».
Numa época em que são tantos os cegos guias de cegos, ou os fiéis estagnados nas suas religiões, e em que é tão grande o carnaval ocultista, ou a manipulação das seitas, ou a superficialidade do new age, este verdadeiro ensinamento certamente será muito útil, ajudando as pessoas tanto a aprofundarem as suas religiões como a discernirem melhor o caminho real, por entre tantas vias mistificadoras ditas esotéricas, que as impulsionará à sua realização própria e à união com Deus.
Mais não diremos, a não ser que idealmente a obra deveria ser lida na língua original, como o próprio autor recomendou e a casa editora reafirma, mas dado a raridade dos leitores portugueses de alemão, aqui sai à luz esta obra que esperamos que seja recebida como merece e que frutifique para a eternidade em todos os que a lerem e relerem com corações abertos e vontades determinadas a trabalhá-la criativamente.