sexta-feira, 8 de maio de 2026

Homenagem a Domingos Dias Martins, Fotógrafo de Gentes e Pedras do Gerês Transmontano. Vídeo e exposição no Centro Cultural de Cascais

Está patente uma valiosa exposição das fotografias de "Domingos Dias Martins, Fotógrafo de Gentes e Pedras do Gerês Transmontano", no Centro Cultural de Cascais. 
Participaram na feitura da exposição e do livro  António Barreto, pela Fundação La Caixa, Salvato Teles de Menezes, pela Fundação D. Luís I, João Miguel Barros, curador, editor e com o texto Um autodidacta de vistas apuradasLuís Filipe Rocha, com o Breve bosquejo biográfico, Prof. Jorge Gaspar, com A Terra e as Gentes (do Domingos e da sua Cela), e Francisco Teixeira da Mota, com O meu amigo Domingos,  um valioso depoimento do confidente do Domingos, alma profunda e perscrutadora, com quem ainda convivi seja no Gerês seja em diálogos no seu andar centenário na Rua das Gáveas, ao Bairro Alto.
Na apresentação da Exposição, da qual gravei uma parte substancial como pode ver, estiveram também presentes a filha Rute e os dois irmãos Victor e Luís, que disponibilizaram os negativos das fotografias, bem como um filho de Manuel Afonso, outro sábio, de Sirvozelo, a vila irmã de Cela, no concelho de Montalegre. Comecei a gravar já depois do Francisco Teixeira da Mota ter apresentado os cumprimentos-agradecimentos ao "bando dos Quatro", às Fundações Dom Luís I e "la Caixa" e ainda ao Banco BPI pelo valioso apoio. 
Pode contemplar as maravilhosas fotografias da gente e terras transmontanas simples, puras, inteiras, cósmicas, que estarão visíveis até 26 de Agosto. E pode adquirir o livro, in 4º oblongo de 97 páginas, editado pelo Editor Ochre Space, com muito boa qualidade e tiragem de apenas 250 exemplares.  
Passemos então para a outra margem, e avancemos com o nosso querido amigo Domingos a guiar-nos numa viagem que vibra para sempre na eternidade, ao ressuscitar tantas almas e locais, costumes, paisagens e momentos de grande pureza e inteireza, poder e beleza: 
Domingos acreditava nas outras margens e por mais de uma vez me contou ter visto um fantasma. Agora é ele para nós, até nos tornarmos a encontrar quando passarmos para a outra margem do Cávado, ou do rio da Vida. 
 

A pureza natural de saber separar o trigo do joio, a semente da palha, o verdadeiro do falso..


 


Domingos Dias Martins nasceu a 9 de Maio de 1919 no lugar da Cela, concelho de Montalegre, a cerca de 700 metros de altitude nos contrafortes do granítico Gerês, hoje numa aldeia integrada no Parque Nacional de Peneda-Gerês. Vindo para Lisboa com a mãe aos cinco anos, passará pelo Arsenal da Marinha entre os 14 e os 18, a escola industrial Fonseca Benevides, as oficinas das Docas do Bom Sucesso, e pela tropa no quartel da Avenida de Berna. Em 1942, é admitido no Secretariado da Propaganda Nacional (SPN),  em Lisboa, onde conhecerá muita gente durante cerca 40 anos, nomeadamente Ofélia Queiroz por quem tinha grande estima.
Era nas férias que regressava ao seu Gerês e podia captar imagens de um mundo que estava condenado a desaparecer pelo progresso técnico, e do qual se tornou um salva-vidas com as suas excelentes fotografias. O meu irmão Francisco, conhecendo-o desde 1974 no Palácio Foz, foi introduzido pelo Domingos naquele microcosmos tradicional e telúrico de Cela e de Sirvozelo, e deixou-se adoptar por ele, passando a passar também as múltiplas férias ou feriados em viagens e trabalhos, convívios, diálogos, nos quais,  relampejando o espírito irónico e de gnomo das montanhas, se acentuava o forte brilho dos olhos do Domingos. Partiu para a outra margem a 4 de Julho de 2002, já com 83 anos de idade. Um registo no meu diário assinala a partida e brevemente partilhá-lo-ei. 


O Domingos em jovem, nos seus trinta e tais, com a filha Rute à esquerda, e Manuela, mulher do Francisco.

Jorge Gaspar, Luís Filipe Rocha, Francisco Teixeira da Mota e João Miguel Barros, os autores no livro.

  Final da exposição, com cinco pessoas transmontanas, da aldeia de Sirvozelo, uma delas ainda bem conhecedora do Domingos, o filho de Manuel Afonso e da Soledade, e irmão do Nelo e do Artur. Ao fundo, Francisco, António Barreto e o geógrafo Jorge Gaspar (que considerará o mel de Montezinho o melhor) dialogam.
  
                

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