quinta-feira, 11 de abril de 2024

A Madre Soror Brízida de S. António, qual Serafim. Do estado intensificado de Amor do coração e alma das místicas do séc. XVI-XVII

                                              

 Artigo ainda em laboração, : 

Da Madre Brízida de S. António (1576-1655), segundo a sua História da  Vida (...) escrita por Frei Agostinho de Santa Maria, e dada à luz em 1701: 

«Os ardores da inflamada caridade da Nossa Venerável Madre Brízida pareciam em tudo de Serafim; e vivia tão absorta em o amor, que parecia que já não vivia em si, senão no seu amado. O único alvo de seus afectos era Cristo bem nosso, só, e verdadeiro exemplar de verdadeiras virtudes, as quais procurava copiar em seu coração, reduzindo-as à prática, para exemplo. Sentia muito a torpe ingratidão, e cega insensibilidade dos mortais, que podendo amar a um Deus tão amoroso, e tão digno de ser amado, o põem em esquecimento distraídos e derramados em afectos de terra, e privados daquela suprema felicidade, que o Amor divino comunica às Almas.»

Neste 1º texto observamos uma chamada a orientação do nosso amor aspiração para Deus, e para o mestre Jesus, como fonte de mais amor e felicidade.

 (...) «Deste grande fogo do Amor divino, experimentava em si uma tão amorosa e penosa violência, que como lima a ia desfazendo, sem lhe permitir muitas noites nem poder dormir nem comer» ... E acrescenta doutamente o biógrafo: «Muitos místicos referem estes e outros efeitos semelhantes, que tem as almas, que chegam ao perfeito grau de Oração, de que gozava esta devota de Cristo» (...) e das «que sentiam em um coração uma roda com um curso muito apressado, o que se conhecia, e experimentava pondo-lhe a mão sobre o peito. Esta serva de Deus abrasava-se com a chama do Amor Divino, a qual sentia já em si a Alma, não só como fogo, que a tinha consumido; mas como incêndio, que ardendo nela suavemente, banhava a alma e a refrescava com doçura da vida eterna. E esta é a operação do Divino Espírito em a Alma transformada em seu amor» (...) 

Dois estados do fogo do amor em nós, a chama que consome ou se eleva subitamente, e o constante incêndio que arde lenta e suavemente. Em geral temos pouca consciência do estado do fogo do amor na nossa alma, e apenas sentimos mais ou menos. A oração incessante é num dos seus níveis estarmos mais atentos ao estado do nosso centro cardíaco e amoroso...

 «Verdadeiramente foram muito grandes os frutos espirituais, que aquelas Santas religiosas [do convento da Esperança, onde ela esteve sete meses] colhiam da doutrina deste abrasado Serafim. E tinham razão em senão poderem apartar dela, pois as suas palavras, eram palavras de vida; porque assim o experimentavam nos ferverosos desejos, com que andavam em servir a Deus. Estes se iam aumentando cada vez mais; e à mesma medida os favores que recebiam suas almas, da liberalidade divina, por meio da intercessão desta sua serva.»

E uma das suas intercessórias e ígneas cartas, breve, ao bispo de Elvas Pantaleão Rodrigues Pacheco:
«Jesus, Maria, José.
Ilustríssimo
 Senhor. O Divino Espírito more sempre na alma de V. Senhoria. Faça-me V. Senhoria mercê de favorecer este homem, , cujo é este escrito (...) A Irmã Inês, e eu pedimos a bênção a V. Senhoria. N. Senhor abrase o coração de V. Senhoria em seu divino amor, amen, Amen, amen.
Serva, e indigna Oradora de V. Senhoria
Sor Brízida de Santo António.»

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