O Sol, XIX arcano, embora já presente em várias das sucessivas cartas de modo indirecto, emerge finalmente, após a Lua, na sua plenitude, dardejando raios e frequências, gotas e partículas já não tanto sobre a Natureza mas sobre dois seres, parecidos ou gémeos, que parecem estar interligados num campo de maior incidência do influxo solar, qual alambique, recinto ou jardim delimitado, murado, sacralizado.
É natural haver relação com a constelação do signo dos Gémeos, por onde o Sol visto da Terra passa no mês de Junho, época anual em que o calor, com todas as suas funções intensificadoras, é maior. As poucas roupas do par de jovens, quais crianças, parecem indicar não só a exaltação do calor como a nudez e um estado de pureza, fraternidade e desprendimento. Ou ainda de inocência e graça. Simboliza ainda a nossa essência polarizada ou dual, impulsionando-nos a estarmos mais conscientes dos estados de religação e união a que podemos chegar todos, mas que pressupõem a vivência do amor inteligente, a não-violência, a fraternidade.
Nas numerosas versões do Tarot que foram surgindo este par, embora representado em geral por gémeos, também o é por um jovem e uma jovem bem diferenciados, esta com os dois seios à vista, na linha do arcano da Estrela e antecipando o arcano final, a mulher nua do Mundo e mostrando mais claramente a necessidade e importância da harmonia ou mesmo unidade entre as duas polaridades feminina masculina, tanto interna como externamente. Ora se a externa quase toda a gente procura, já a interna, e nos seus níveis mais elevados, pouquíssimas pessoas chegam a demandar, intuir e realizar.
É natural haver relação com a constelação do signo dos Gémeos, por onde o Sol visto da Terra passa no mês de Junho, época anual em que o calor, com todas as suas funções intensificadoras, é maior. As poucas roupas do par de jovens, quais crianças, parecem indicar não só a exaltação do calor como a nudez e um estado de pureza, fraternidade e desprendimento. Ou ainda de inocência e graça. Simboliza ainda a nossa essência polarizada ou dual, impulsionando-nos a estarmos mais conscientes dos estados de religação e união a que podemos chegar todos, mas que pressupõem a vivência do amor inteligente, a não-violência, a fraternidade.
Nas numerosas versões do Tarot que foram surgindo este par, embora representado em geral por gémeos, também o é por um jovem e uma jovem bem diferenciados, esta com os dois seios à vista, na linha do arcano da Estrela e antecipando o arcano final, a mulher nua do Mundo e mostrando mais claramente a necessidade e importância da harmonia ou mesmo unidade entre as duas polaridades feminina masculina, tanto interna como externamente. Ora se a externa quase toda a gente procura, já a interna, e nos seus níveis mais elevados, pouquíssimas pessoas chegam a demandar, intuir e realizar.

Nas versões do Tarot de Marselha, o que mais tempo vigorou no imaginário europeu com pequenas diferenças, como as que já apontamos, vemos então quase sempre um ser com a mão direita sobre o ombro do outro, e a outra pessoa com a mão esquerda sobre o significativamente denominado plexo (ou chakra) solar, numa troca de energias e numa caracterização eventual de um ser mais activo e emissor e outro mais receptivo, embora tal não seja a única leitura possível do fluir das energias entre eles e dentro deles. Podemos ver tal contacto entre os dois como um toque e circuito de cura prânica (prana, em sânscrito, a energia vital do sol e cósmica, com cinco diferenciações no organismo humano).
Em termos da linguagem alquímica, dir-se-á que representa o equilíbrio do volátil mercúrio feminino com o seco e fixo enxofre masculino. Ou, mais simples e directamente, o amor solar e divino que une o homem e a mulher, e nessa irradiação cardíaca e solar nos abre ao espírito e à percepção da Divindade.
Em termos da linguagem alquímica, dir-se-á que representa o equilíbrio do volátil mercúrio feminino com o seco e fixo enxofre masculino. Ou, mais simples e directamente, o amor solar e divino que une o homem e a mulher, e nessa irradiação cardíaca e solar nos abre ao espírito e à percepção da Divindade.
No culminar do avanço da alma por uma sucessão de dezoito arquétipos, de certo modo num percurso heróico, de individuação ou iniciático, após a Lua (XVIII), a qual já expressara várias dualidades, mais instintivas e inconscientes, chegamos ao Sol que mostra-nos de novo a dualidade, embora agora os dois seres já não sejam os animais que uivam mas seres humanos fraternos, numa dualidade unida, complementarizada, iluminada, seja exterior seja interior.
Há uma chamada de atenção então forte a meditarmos mais a questão da polaridade e até da polaridade divina inicial e contemplar os dois seres ou aspectos do Ser como o masculino e o feminino, o yin e o yang, o activo e o passivo, a anima e o animus, dentro de nós e fora de nós, a serem intensificados, harmonizados e alquimizados pelo Sol Divino e seu fogo de Amor...
Também podemos ver neste arcano a metamorfose do sucessivo par ou dupla de polaridades, a que obedecia ao Papa ou à Religião (arcano V), o par dos Namorados ou da opção a fazer-se (arcano VI), a dualidade que era controlada pelo dinamismo do Conquistador (VII), os opostos presos pelo Diabo (XV), e agora no XIX o par ou dupla que finalmente se despe de todas as roupagens, máscaras e seguidismos e se reencontra e unifica seja consigo mesmo seja com outro ser, tal como a amada, a alma-gémea, o Anjo, o Mestre, a Divindade interna...
Certamente que o Tarot não foi desenhado e formulado para dar indicações ou significações taxativas, definitivas, como algumas pessoas pensam ou abusam na suas consultas, que complicam ainda pelas numerosas cartas que tiram, mas sim para transmitir símbolos, arquétipos e ensinamentos psico-espirituais que deveremos estudar, sentir, contemplar, meditar e vivenciar melhor.
Quem quer aprofundar a riqueza ou as potencialidades do Tarot reveladoras de dinamismos psíquicos evolutivos deve comparar as versões actuais com as mais antigas, para compreender melhor como é que o Sol ou o Espírito e as suas forças, funções e essência, foi assinalado e evocado na sua relação com a dualidade, com dois seres abraçados ou que se tocam e fortalecem, desejam ou amam.
Esta representação, quase que primordial em termos da genealogia dos arcanos, do Tarocchi Visconti-Sforza mostra-nos um jovem anjo ou génio nu, com um lenço grinalda envolvendo-o, sobre as nuvens e levando em cima da cabeça uma face flamejante, o disco solar em forma de face Divina, remetendo-nos tanto para o espírito como sobretudo para a ideia de que o Sol é um ser divino, o Sol é uma perfeita imagem divina e daí, portanto, os nome divinos do Sol ao longo dos tempos: Surya, Aton, Apollon, Helios, Febo, Mitra, Sol Invicto, Baco, etc...
Não encontramos nesta antiga versão do Sol a noção da dualidade ou do par de seres; ou se ela houver é apenas no ser representado, enquanto corporal e celestial, já que a pessoa-anjo tem duas asas. Todavia também na sua relação com o Sol, podemos ver a dualidade do ser para com o Espírito, o Sol, o Divino.
Com o Tarot de Marselha e depois com os posteriores passou a representar-se quase sempre (já que nas modernices actuais tudo se inventa) dois seres que se tocam sob o Sol, expostos às suas energias. Para além da harmonização da polaridade interior deveremos realçar que o par de jovens diz-nos que qualquer encontro entre pessoas deve estar ligado à Luz e Amor do Sol e para pessoas com consciência espiritual mais desenvolvida ou irradiante, tal conversa convergente ou relação unitiva luminosa é importante de ser consciencializada e assumida.
Mas talvez o mais importante encontro (ou a aspiração iniciática a ele) seja de facto entre a alma humana e o Sol Divino, o Espírito Divino Solar Primordial...
Não encontramos nesta antiga versão do Sol a noção da dualidade ou do par de seres; ou se ela houver é apenas no ser representado, enquanto corporal e celestial, já que a pessoa-anjo tem duas asas. Todavia também na sua relação com o Sol, podemos ver a dualidade do ser para com o Espírito, o Sol, o Divino.
Com o Tarot de Marselha e depois com os posteriores passou a representar-se quase sempre (já que nas modernices actuais tudo se inventa) dois seres que se tocam sob o Sol, expostos às suas energias. Para além da harmonização da polaridade interior deveremos realçar que o par de jovens diz-nos que qualquer encontro entre pessoas deve estar ligado à Luz e Amor do Sol e para pessoas com consciência espiritual mais desenvolvida ou irradiante, tal conversa convergente ou relação unitiva luminosa é importante de ser consciencializada e assumida.
Mas talvez o mais importante encontro (ou a aspiração iniciática a ele) seja de facto entre a alma humana e o Sol Divino, o Espírito Divino Solar Primordial...
No Tarot de Estensi, muito próximo do paradigma usado nas representações lunares da Idade Média e iniciais, é uma mulher que fia, que está sob o Sol. Fia lã e linho, ou fia o fino fio seja da sua veste nupcial seja do destino da alma, o que se designava na Índia como sutratama, o tal fio que liga e une através dos vários planos, tal como o mítico fio de Ariane no labirinto da vida, os mundos e níveis de Ser, os humanos e os Anjos, Mestres e a Divindade...
Noutra das versões primeiras dos Tarot, a de Ercole d'Este, encontramos um par, um ancião e um jovem, em diálogo, numa clara imagem de ensinamento ou iniciação. Pode ser que a fonte seja o encontro de Alexandre com Diógenes, tão valorizado e trabalhado na Antiguidade e posterioridade, mas claramente assinala-se uma transmissão, unificação e circulação energético-consciencial que abrange o nível ético e o espiritual, a qual apela ou atrai o Sol do Bem e da Verdade, ou que o manifesta e se realiza sob os seus auspícios.
A frase de Jesus, "onde dois ou três se reunirem em meu nome, eu estarei no meio deles", pode sentir-se fortemente nesta versão, o Sol da Verdade, do Espírito, da Divindade podendo ser invocado pelo diálogo ou abraço filosófico e iniciático de Fiéis do Amor, dos Cavaleiros do Amor, que entre nós na Tradição Espiritual Portuguesa, por exemplo, escritores como Damião de Góis, Jorge Ferreira de Vasconcelos, Manuel Faria e Sousa, Bocage, Antero de Quental, Fernando Pessoa e outros, de algum foram e referiram.
Encontramos ainda outro paradigma da representação do arcano XIX, o mais simples e directo: o Sol, só, com oito raios...
Uma transmissão seca ou flamejante e directa: sê ou adora o Espírito solar.
Mas também vamos encontrar o Sol só mas dardejando ou irradiando mais visivelmente sobre a Natureza, as árvores vivas. Com uma face solar, qual Mitra ou Febo, derramando os seus raios e influxos luminosos sobre um jardim de quatro árvores, símbolo talvez de completude dos quatro elementos e quatro direcções, o quaternário vivificado pelo Sol Divino...

Imagem que nos relembra a importância da Natureza, toda ela dependente do Sol e transmitindo-nos as forças solares que recebeu e transmutou. E como a industrialização exagerada, os mísseis e guerras, os combustíveis fósseis e o aquecimento global derivado causam incidentes vários. Algo muito importante nestes nossos dias da segunda década do séc. XXI, quando vemos várias autarquias municipais, começando na de Lisboa e indo até à de Ansião numa senha insensível de mata-árvores, por vezes centenárias. Ou os incêndios fatais (dado o desleixo no cuidar da floresta e a crónica falta de meios de prevenção, vigilância e combate, para além da mortífera eucaliptização do país, que deveria ser muito controlada), nas zonas de Pedrogão, Leiria, Oliveira de Hospital, Algarve entre outras, e em que morreram já demasiadas pessoas. Outrora não era assim e os guardas florestais tinham um papel bem importante. Mas hoje parece que a prioridade são quase só urbanas e as polícias municipais dos grandes centros servem mais para proteger as obras, os parquímetros e as multas.
Celebrações, de há cem anos, de Festa da Árvore, e eram a primeira página nos principais jornais.
A nossa demanda de esclarecimentos sobre o par de seres que se enlaça, comunica ou une sobre os raios e glóbulos vivificantes do Sol e do Amor, as partículas e raios unitivos que o Sol do Amor Divino irradia permanentemente (ainda que tão pouco reconhecido) é um arcano que deve fazer a sua Aurora (a deusa Ushas, védica) em nós, lembrando-nos, por exemplo, como os momentos do nascer do-Sol oriental e do pôr-do-Sol ocidental (ou os solstícios e equinócios, com as suas danças e cantos) são ocasiões de culto, e comunhão energética e intelectual, espiritual e divina, por vezes tão magnificadas pelas nuvens.
Uma versão do Tarot (na seguinte imagem) parece mesmo testemunhar essa energetização poderosa do Sol no ser humano, pois vemos um jovem nu montando um cavalo branco, qual Kalki avatar da tradição Indiana, tradição esta que poderia ser uma das fonte de ideias ressoantes ou psicomorfismos que circulavam no começo do Renascimento na bacia do Mediterrâneo, já então bastante mundializada desde a época de Alexandria, as quais foram recolhidas e sintetizadas no Tarot e suas versões...
A face mais guerreira e por vezes "façanhuda" do Sol, reflectida iconograficamente diremos até no S. Jorge e na Cavalaria Andante, tão cultuada na Tradição Espiritual Portuguesa, nomeadamente por Jorge de Montemor e Jorge Ferreira de Vasconcelos e muitos heróis, permite-nos equacionar diferentes níveis, frequências, qualidades e seres que se encontram simbolizados ou contidos potencialmente dentro da mesma imagem do arcano XIX do disco Solar e dos que sob ela estão expostos às suas influências e que nós, pelas nossas observações, assimilações e acções, poderemos então assimilar e coalescer....
O Tarot do ocultista, de final do séc. XIX, Arthur E. Waite, que teve acesso ao Sola Busca italiano renascentista, segue a linha do cavalo da alma natural guiado pela pureza da criança, numa imagem próxima da Tradição Espiritual Portuguesa, com a criança imperatriz do Mundo, tão desenvolvida por exemplo por Agostinho da Silva, no seu visionarismo utópico. Empunha a criança a bandeira do Amor ou do Espírito Santo, a qual ainda recentemente no Congresso do Espírito Santo de Setembro 2016, presidiu às sessões em Alenquer no auditório do Damião de Goes, sábio humanista e erasmiano.
Em diálogo em tal colóquio aprendi mesmo que em algumas das localidades do culto no Brasil, para onde ele foi levado em força, a tradição das Cavalhadas ou do cavalo "avatárico" está ainda viva e é a bandeira o objecto sacro e a chave de transmissão dos eflúvios espirituais aos devotos, que a beijam ou se envolvem nela. E, provavelmente, alguns levá-la-ão depois ao vento do Espírito em si....
Sendo o Sol o centro do sistema solar e mandala perfeita e reflectindo-se tanto no microcosmos terreno e humano, como vemos nesta versão do girassol e heliotrópica, é bom ver, desenhar e contemplar tais mandalas solares mais vezes. E podemos adivinhar que algumas versões do Tarot mais modernas, e não tão tradicionais, terão desenhado e descrito ou intuído mais a riqueza imensa do Sol.
Procuremos então alguns desenhos ou pinturas recentes de arcanos atentos a tal e também aos destinatários ou recipientes arquétipos, seja um par ou não, dos seus raios ou energias.
Observemos o Tarot de Aleister Crowley, um mago inglês de extremos e bastante complexo ou violento na gestão das energias, muitas vezes sem referência ou alinhamento voluntário ao "bem" e "mal" («ninguém sabe que coisa quer, ninguém conhece que alma tem, nem o que é o mal nem o que é o bem», tangia em lamento Fernando Pessoa, nos versos finais da Mensagem) e à Divindade, mas senhor de muita força e ironia, inteligência e conhecimento, e que bem impressionou e influenciou Fernando Pessoa na sua passagem e estadia em 1932 por Lisboa.
O arcano do Tarot desenhado segundo os ensinamentos de Alesteir Crowley, um tântrico da via esquerda e sem submissão à Divindade senão aos seus deuses mágicos e à sua própria vontade, conforme o seu voto "Do what thou will shall be whole of the Law. Love is the law, love under will", está cheio de brilho e dinamismo e as duas crianças mais tradicionais estão substituídas por duas jovens, quiçá em função dele próprio como sol-profeta-aeon dos grupos e ordens que animava.
Mas a ideia das duas mulheres surge também noutros Tarots, até como reacção ao machismo e à dependência de representações de gémeos ou afinidades apenas sob forma masculina, algo que não tinha tanto sentido, tanto mais que na antiguidade as sacerdotisas existiam e que certamente no culto ainda mais antigo da Grande Deusa predominavam.
Mais simples e directa esta versão moderna do Sol do Amor recebido em Graal por dois seres (e as faces poderiam estar melhor...) que se amam plenamente e na interioridade de um e do outro conseguem mergulhar através dos seus vários chakras e olhos, numa solaridade unitiva sacralizante.
Esta versão moderna do Tarot é das melhores quanto à apresentação do Sol de um modo mandálico e, portanto, mais pronto a propiciar na contemplação efeitos valiosos dentro de nós. (Escrevi sobre tal um artigo numa boa revista brasileira online, a Transdisciplinar, a pedido da amiga terapeuta de arte e de mandalas Celeste Carneiro. E mais recentemente Luama Sócio escreveu também um bom texto no seu blogue Katawixi).
Os vários raios e cores do Sol, a sugestão que o Sol é um ser divino, aliás tão cultuado na Índia com tantos nomes e orações, em mantras, ritos e mudras, tais como os nomes solares de Surya, Ravi e Sundari, e a oração Gayatri, e ainda a famosa Suryaya namaskar, a saudação ao Sol do Hatha Yoga. E, por fim, vemos a flor de lótus, tanto como alma individual ou como os vários chakras ou centros de força abertos ao Sol espiritual.
Todo este conjunto de simbolizações tornam esta versão uma das melhores representações modernas mas seguindo linhas tradicionais.
Quem gosta da Astrologia, ou trabalha com o Sol no horóscopo e suas casas, no Leão, e no fundo e meio do céu, certamente que sentirá também boas inspirações na contemplação e meditação deste versão, em que o sol como centro irradia através das 12 constelações. Assinala-se ainda a Árvore Cósmica e microcósmica como eixo do mundo (axis mundi), atingida e trabalhada pelos Gémeos, par ou casal. Uma boa imagem, arcânica, para os seres em alquimia interior, em amor ou casados, meditarem e assimilarem e, ao longo dos meses, irem sintonizando e trabalhando, no interior e no exterior.
A versão designada como Sacred India Tarot é também luminosa, na sua simplicidade e inocência, com as crianças da polaridades brincando em espirais complementares, e fazendo-se a relação clássica do Sol com o ouro e sobretudo o ouro filosofal do Amor Divino, bem irradiado pelo fulgor sereno da face divina do astro-rei.
O Sol físico, subtil, espiritual e divino, e que é em nós tanto o Amor no coração como a Inteligência divina, nesta versão de muito difícil leitura, convida-nos a meditarmos e a aprofundarmos os enigmas dos sonhos, dos símbolos e do interior das pessoas, e é a esta procura da Verdade, ao despertar desta luz dissipadora das trevas, dos medos e das ignorâncias que o Sol do Espírito, santo ou universalizante, apela em nós, por vezes mesmo como daimon ou voz de consciência que Antero de Quental tanto valorizava e recomendava a seus amigos mais espirituais, tais como Fernando Leal e Jaime de Magalhães Lima, numa tradição pitagórica e socrática, sobretudo porque o mundo anda bastante ameaçado por obra e desgraça de muitos seres e governos egoístas e insensíveis, mentirosos e destrutivos.
Lutar pelo Verdade, pela Justiça, pelo Bem é então dever, Dharma nosso, quando assumimos mais a ligação e natureza solar e espiritual, algo que todas estes trunfos ou imagens querem, ainda que nos avisem que o devemos fazer com conta peso e medida e por isso algumas versões do Sol, nomeadamente a bela de Andrea Mantegna. mostravam Ícaro caindo do carro do Sol conduzido por Febo.
Terminemos com a nossa profunda reverência ao Logos Solar, à Divindade do Sol, sem podermos acercar-nos (pelas limitações de linhas do texto...) das iconografias solares masculinas de Apolo, Hélios, Baco e Mitra, tão belas, ou as egípcias e cristãs, mas partilhando uma rara, a da Divindade feminina do Sol, Amaterasu Omikami, do Japão. Que ela possa enriquecer os psicomorfismos solares das mulheres portuguesas e outras., e dos homens, na busca da unidade...
Certamente que uma das melhores forma de terminarmos esta nossa demanda-oração-meditação-escrito sobre o Sol do Tarot será ainda apresentá-lo tal como ele é fisicamente embora não o vejamos assim, para que tenhamos, com humildade, mais aspiração de contemplar os seus níveis espirituais e divinos, nas suas energias e Seres celestiais, que de novo saudamos e cultuamos do [mais profundo...(quem chega a ele?] do nosso coração e ser...
Mas se quisermos ainda ir um pouco mais em sintonia com o Sol, o Espírito, a Divindade e a Tradição Espiritual Portuguesa, porque não interrogar-nos sobre o sempre e misterioso e arcano do Espírito Santo, do qual foi dito que era ou é o Amor que une a Fonte e a manifestação, o Pai-Mãe e os Filhos e as Filhas, espíritos celestiais e espíritos humanos, mas que é também o Espírito, divino, em nós?
Talvez então sintamos e reconheçamos mais o Sol como Fonte de Vida e de Amor e um meio e sacramento (qual arquétipo da hóstia ou do sopro) a ser comungado ou sintonizado diariamente para nos fortificarmos ou harmonizarmos nas forças vitais e espirituais que dele descem sobre o corpo, alma, Espírito e ambiente ou campo...


















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