sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Orações ao fogo do Espírito Santo, para que proteja e inspire as almas e a Humanidade. Início de Agosto de 2024.

Nestes tempos e dias ardentes da passagem do sagrado Sol no signo do Leão, e em que na Terra alguns conflitos podem intensificar-se fortemente (e oremos para que terminem, ou vão diminuindo, a ganância, o ódio e a violência que os motivam), nada como irmos humildemente trabalhando no nível subtil da alma, invocando seja o fogo do misterioso Espírito santo,  seja o manto flamejante da sublimada Hagia Sophia, santa Sabedoria, da tradição ortodoxa, para nos proteger e inspirar.  

O hino Veni, Creator Spiritus é  a mais clássica, consagrada, e canatada e musicalizada invocação do Espírito Santo e ao ser pronunciada sentidamente, ardentemente, pode suscitar bons resultados. Segue-se a tradução que fiz, de uma das duas partes do hino:                           

Vem, Espírito Criador,
Visita a mente dos teus,
Enche de graça supernal
Os peitos que tu criaste.

Tu, chamado Paráclito
Dom do Deus Altíssimo
Fonte viva, fogo, caridade,
e espiritual unção.

Tu com graça septiforme ,
dedo és da dextra Paterna;
Tu prometido do Pai,
que à língua dás o sermo.

Acende o lume dos sentidos,
Teu amor no coração infunde,
e no nosso corpo frágil
firma perpetuamente a virtude.

Longe o adversário repele,
Dá-nos já a Paz,
Guia-nos
indo à frente,
e evitaremos qualquer dano.

Por ti saibamos do Pai,
e que o Filho conheçamos,
e em Ti que és um e outro Espírito,
Em todo o tempo acreditemos.

A Deus Pai seja dada a glória,
E ao Filho
ressuscitado da  morte,
e ao Paráclito,
pelos séculos dos séculos, Amen.

Pedido: - Emite o Espírito teu, e serão criados.
 E renovai a face da terra.
- Ouvi, senhor, a minha oração.
 E o meu clamor chegue até ti. »

Transmitamos outra invocação das bênçãos do divino Espírito, de uma novena a S. João Nepomuceno, impressa século XVIII, com menção de uma hora mais propícia para se realizar, e para que a língua e a palavra nossas sejam inspiradas sempre pela verdade, o bem, o amor e saibam cantar o Amor divino: ...

«Oh Santo Espírito Divino, que às nove horas descestes sobre a Santíssima Virgem Maria e sobre os Sagrados Apóstolos, em figuras de línguas de fogo, concedei-me, que a minha língua imite a dos vossos Servos São João Nepomuceno, e Santo António, as quais nunca clamaram contra Jesus Cristo, mas sim sempre vos louvaram, e louvarão por todo o sempre. Amen.»

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Em actualização! Consequências do assassinato do líder da resistência Palestiniana, Ismail Haniyeh, na capital do Irão?

Horas depois deste fraterno e confiante  apertar da mão do novo presidente do Irão, o cirurgião Masoud Pezeshkian, cumprimentando-o pela sua eleição democrática,  o líder da resistência palestiniana Ismail Haniyeh era assassinado na própria capital do Irão, numa traiçoeira provocação tremenda, já que sendo ele o mediador da Palestina com Israel nas negociações no Qatar, podia ter sido morto aí mais facilmente, embora incorrendo no (mero) desagrado do governo do Qatar. O já tão desequilibrado Netanyahu errou?

Imagem icónica do 1º imam Ali amparando o general Soleimani, um shia, na transição para o mundo espiritual....

O recente assassinato de Ismail Haniyeh, o líder do Hamas e da resistência do povo Palestiniano ao genocídio praticado há muito pelo Estado de Israel, quando estava na capital do Irão, como um dos convidado das 110 delegações estrangeiras para a tomada de posse do presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, perpetrado por Israel pela calada da noite, vem mais uma vez demonstrar a arrogância e criminalidade do excepcionalismo sionista de Israel, e por detrás, do imperialista norte-americano, de pensarem que têm o direito de assassinaram quem quiserem, tal como sucedera há quatro anos e meio com o heróico General iraniano Soleimani, assassinado cobardemente por mísseis americanos quando chegara ao Iraque para negociar a paz, algo que Ismail Haniyeh estava a tentar também no Qatar com o próprio Israel. Por aqui se vê a falta de ética, a cobardia traiçoeira dos implicados, que já tinham matado ou assassinado vários membros da sua família, entre os quais três filhos, sobrevivendo contudo uma filha e um filho que já testemunharam com valor a sua determinação de continuarem luta por um Estado independente da Palestina...
                                                                      
A reacção do Irão será muito contida, em sincronia com o que um dos tolos da União Europeia e avençados do Fórum Económico Mundial, Olaf Scholz, pediu, ao levantar agora a voz em prol da paz, algo que nunca fizera para com o assassino de milhares de crianças e mulheres palestinianas, o diabolizado Benjamim Netanyahu, ou pelo contrário desta vez a resposta da Pérsia-Irão será mais abrangente, eficaz e poderosa, tal a dimensão da provocação de irem assassinar um convidado e herói em sua capital e casa?
O líder supremo da República Islâmica do Irão Ayatollah Ali Khamenei
já declarou que «o regime sionista criminoso e terrorista martirizou o nosso querido hóspede na nossa casa e isso perturbou-nos», pelo que temos o dever de o vingar «com uma punição severa», justa certamente, uma lição que não esqueçam e com a qual possam aprender, arrepender-se, melhorar. Acrescente-se que dois dias depois as autoridades iranianas anunciaram que houve colaboração e luz verde dos norte-americanos, e que se ao principio disseram que de nada sabiam, agora calaram-se e entretanto vão fazendo chegar mais armamento para Israel...
Conjectura-se, numa certa
inquietação geral pois é grande a tensão na zona, que os mísseis e drones do Irão tentarão destruir locais importantes das forças armadas do regime sionista de Israel, e não hospitais, escolas, universidades, mesquitas como os militares israelitas, por vezes com requintes de sadismo, têm feito na que já foi a Terra Santa. Outra interrogação é quanto aos estados da região que apesar do revoltante genocídio da Palestina por Israel, irão apoiá-lo, e no caso o Egipto e Jordânia muito dependentes do dólar da oligarquia....

Já no dia 3 de Agosto, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, (IRGC) anunciou resultados das investigações: o assassinato de Heyhani, com luz verde dos USA, foi realizado por um projéctil, com explosivo de sete quilos, de uma arma de curto alcance, e de perto da casa onde Ismail pernoitava. Também o Pentágono, a 3, confirmou o envio de navios, e numerosos aviões e armamentos para Israel, enquanto se aguarda neste jogo de xadrez a resposta do Irão, que desta vez não será pré-anunciada, tal como tinham feito em Abril em relação ao último assassinato importante que tinham sofrido.

Consta que para além do menosprezo racial, por serem o povo eleito do seu Jeová, há muita ganância pelos jazigos marítimos diante da faixa de Gaza...
 Haverá perigo de apenas alastrar por uns dias o bombardeamento, pouco passando além das escaramuças já habituais na zona, ainda que agora mais tensa após os últimos assassinatos selectivos, ou conseguirão Netanyahu e os seus mais próximos extremistas, como há tanto tempo desejam e têm provocado com os diversos assassinatos, lançar alguma bomba nuclear sobre o Irão, pela rivalidade geo-política e porque invejosos que há muito são da reconhecida excelência hospitaleira do seu povo, e da suas riquezas naturais e civilizacionais, e odiando a sua resistência ao sionismo e à oligarquia imperialista?
                                             
Quanto ao envolvimento de paí
ses terceiros é provável, pois já se sabe que USA e Israel estão intimamente ligados entre si pelo dólar e o excepcionalismo do império oligárquico que lideram, pelo que Israel conta com o apoio incondicional norte-americano, como se viu recentemente no escandaloso acolhimento no Congresso dos USA do desalmado Netanyahu, mesmo com a "cabeça a prémio" pelo Tribunal Penal Internacional.
                                                             
Dos USA, uns milhares do famigerados marines já se encontram em navios diante do Líbano, para fazerem pressão ao estilo "nós também vos podemos bombardear", enquanto as embaixadas europeias mandam os seus compatriotas saírem do Líbano e Irão, e algumas companhias deixam de voar para a zona quente.
Do regime frequentemente traiçoeiro da Arábia Saudita, soube-se a 5-VIII que o professor universitário iraquiano Salman Dawood al-Sabawi foi detido por ter publicado numa rede social, quando estava na circumbalação da pedra negra na Kaaba, que oferecia a sua peregrinação a Meca, ou os seus méritos, pela alma do líder e mediador assassinado Ismail Haniyeh.
 Já do lado do Irão os responsáveis vão proclamando que Israel calculou mal, o que os chefes israelitas negam, dizendo-se preparados para tudo (e o abrigo anti-nuclear em Jerusalém já está pronto para Netanyahu e os seus), e que a resposta ao assassinato será forte. Vejamos o que sai desta montanha vulcânica...
Quanto a Rússia apoiar de algum modo o Irão, ocupada que está com a limpeza dos extremistas ucranianos, ou a China, mais neutra e ambivalente como a grande potência económica mundial, muita gente duvida, mas se USA, NATO e UE apoiam quase incondicionalmente o genocida Netnayahu porque não poderá a Rússia apoiar ao Irão, se são aliados na resistência à opressão ocidental? A 5-VIII, esta aliança é reafirmada com a chegada do general Sergei Shoigu, agora Secretário do Conselho de Segurança da Rússia, a Teerão para conversações com os responsáveis iranianos. Um sinal de que o Irão não está tão à mercê do Império oligárquico neoliberal e as suas máquinas de guerra caríssimas
 Teremos de deixar passar uns dias para, após o funeral de Estado que o Irão está a celebrar por mais um mujahedin ou mártir (ainda que certamente tido como um terrorista por Israel), e agora 5-VIII já há dias concluído, para vermos e sabermos melhor o que Ananke, o Fatum, a Providência, o Karma e o Dharma, intervencionados pelos humanos e suas emoções e ideias em conflito, vão gerar.
                                                               
Mistérios do devir. Será que a espada pode cortar o mal? Será que desta vez é que os israelitas, que mais uma vez mostraram a sua hipocrisia de fingirem que querem negociar a paz na Palestina, receberão a sua lição, tal a gravidade do seu acto traiçoeiro e provocatório do Irão, tanto mais que pelo lado da opinião pública estão cada vez mais desmascarados como os mais sinistros e traiçoeiros na cena mundial?
E se nos interrogarmos sobre quem invisivelmente apoiará os mártires palestinianos e quem estará ao lado dos diabólicos dirigentes e militares israelitas não parece haver dúvidas: Jesus, mais uma vez, envergonha-se de Israel...
                                                                          
Face a estado civilizacional tão violento e hip
ócrita do Ocidente político escravizado pela oligarquia sionista e imperialista, só podemos pronunciar a Oração pela dignidade Humana, como o fez tão exemplarmente Pico della Mirandola, no que foi considerado o manifesto do Humanismo, tão necessário nos nossos tempos de transhumanismo-infrahumanista do Fórum Económico Mundial, União Europeia e Organização Mundial de Saúde, para que os bombardeamentos e guerra não alastrem nem durem muito e possa terminar a opressão sionista na Palestina e a corrupção do dólar no mundo, para a paz, a fraternidade e a prosperidade de novo florescerem...
 
Dia 5 de Agosto, a meio da tarde, o Irão no seu espírito milenário de cavalaria espiritual e shia, anunciou ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, como a um país canal ocidental que valorizam, que declarem a Israel que o Irão vai atacá-lo. A decisão gravíssima, e que ninguém pode saber ao que vai levar, foi meditada com calma e discernimento e, lastimando a traição de que eles e os palestinianos foram vítimas, os responsáveis iranianos declaram estarem prontos a sacrificarem-se no seu dever de honra e justiça face à constante criminalidade assassina e genocida do governo israelita de Netanyahu.
Provavelmente a retaliação será na noite de 6 para 7, de terça para quarta, ou certamente quando sentirem que estão o melhr preparados possíveis para o que pode ser o confronto decisivo há muito desejado pelo sionismo, já que o regime de Israel, apoiado pelos norte-americanos, tentará destruir todos os drones e mísseis, mas não satisfeitos com isso nem com as perdas (provavelmente mínimas) humanas, semi-cegos na sua arrogância (hubris) e ódio, vão provavelmente querer ir mais longe do que replicar violenta e criminosamente, como o mundo inteiro passou a saber com o que se tem passado de genocídio e urbanocídio na Palestina. 
Se o fizerem com a ajuda directa de forças militares do imperialismo norte-americano, ou até da sua NATO, o Médio Oriente ficará a ferro e fogo por uns dias, tanto mais que a resistência Iraquiana, e no Líbano o Hezbollah, castigado com tantos assassinatos dos seus comandantes, não ficarão submissos às ameaças israelo-americanas e parados. 
 No decorrer do dia 6 vimos a primeira reação de impaciência de um governador regional mais extremista de Israel:«porque haveremos de estar à espera com medo da retaliação e não fazemos antes um ataque preventivo?»
Já o líder do Hezbollah, Nasrallah, na celebração do seu comandante Fuad Shukr assassinado há dias (que os israelitas dizem ter morto em retaliação aos [restos de] foguetes que caíram sobre a terra dos drusos, matando alguns), avisou que  tais crimes não abaterão a resistência palestiniana e libanesa, e que Natanyahu não está interessado na paz mas apenas em anexar brutalmente os territórios da Palestina. Entretanto a preparação das partes beligerantes continua, com mais armamento norte-americano a chegar para o famigerado Netanyahu, tornado Zelensky, e discute-se ainda se a Rússia terá enviado também para o Irão...
A alba rosada do dia 7 vai iluminando a terra e nada de mais gravou se passou no Médio Oriente (para além de mais um plalestinianos mortos, entre os quais um jornalista, o 166º, abatido pelos israelos) pois os sábios iranianos têm sustido estoicamente a vontade de fazerem justiça rápida, preparando-se melhor para o enfrentamento que terão forçosamente de cruzar, pois a oligarquia sionista-americana deseja a guerra e quem sabe se não a vai ainda provocar mais. Anote-se contudo, que o braço armado anglo-americano da NATO foi durante a noite bombardear e destruir mais algumas infraestruturas do Yemen, confirmando a sua designação de terrorista, aterrorizadora e traumatizadora, quando não destruidora, das populações locais quando os seus governos não se deixam corromper e escravizar pelo imperialismo oligárquico ocidental....
 Dia 7, pelo meio da tarde do dia sete, para além dos constantes bombardeamentos mortíferos da população civil de Gaza pelo exército israelita, soube-se que o Egipto, informado pelo Irão de que se vão realizar exercícios militares, pediu às suas companhias aéreas para na manhã de quinta-feira não utilizarem o espaço aéreo do Irão, antecipando assim uma hipotética Hora de luta mais intensa e frontal entre Israel e Irão. Vejamos e oremos para que as piores hipóteses do conflito não se verifiquem...
Dia 7 viu também todos os 57 países da OIC, Organização Islâmica da Cooperação, reunidos extraordinariamente em Jadah, Arábia Saudita, darem razão ao Irão declarando que o «odioso acto do poder ocupante ilegal» assassinando Ismail Hanihey «constitui um crime de agressão, uma violação flagrante do direito internacional e da Carta das Nações Unidas e uma grave violação da soberania, da integridade territorial e da segurança nacional da República Islâmica do Irão.» E a Missão Permanente do Irão nas Nações Unidas fez saber que vão tentar fazer Israel arrepender-se dos crimes que fez.
Vê-se que não há uma pressa muito grande na resposta, o que permite tanto o Irão preparar as duas defesas, como também Israel reforçar-se com mais um tipo de aviões bombardeiros norte-americanos topo de gama, os F-16, a chegarem com o respectivo pessoal militar. A luta e a mortandade em Gaza, continuam diariamente...
A 8 houve mais ataques aéreos de Israel no Líbano e na Síria, e o Hezbollah replicou com intensidade, tendo mesmo erguido a bandeira vermelha numa cidade do sul do Líbano, sinalizando a retaliação por causa de mais um comandante morto com um míssil. Não se prevê um cessar-fogo, pois embora USA, Qatar e Egipto apelem as negociações pela Paz, Israel só a partir do dia 15 estará disponível.
Neste mesmo dia 8 as comemorações das vítimas da bomba atómica em Nagasaki, realizadas todos os anos (tal como se fizeram dois dias antes em Hiroshima), não tiveram neste caso os representantes dos USA, UK, G7 e União Europeia, porque o presidente do Município nipónico criticara Israel pelo genocídio, mostrando assim que a equação actual "sionismo=nazismo= império oligárquico ocidental é verdadeira, desvelando a atitude verdadeiramente escandalosa do Ocidente...
A 9 de Agosto o Irão mantém-se sossegado, continuando a manter a decisão de retaliar em breve, e vai reforçando as suas defesas estratégicas, com o major General Hosseim Salami a afirmar: "No mundo de hoje, as nações têm de escolher entre tornarem-se fortes e independentes ou cederem às pressões externas; não há meio-termo. As nações podem ora esforçar-se por terem força e liberdade, libertando-se do controlo dos poderes globalistas, ou optar pelo compromisso e submissão"..o.
A 10 de Agosto sabe-se que as vítimas do último bombardeamento israelita dum escola abrigo em Gaza foram mais de cem, em mais um acto genocida que a opinião mundial condenou, excepto os governantes facínoras cúmplices ocidentais, mas que para Netan ou Satanyahu nada importa, obcecado com a limpeza racial da Palestina e a provocação do Irão o mais cedo possível para a guerra...o
11de Agosto. A peregrinação à cidade santa de Karbala, que começou a realizar-se nestes dias, com participação de milhões de iranianos e de shiaas, certamente um dos povos mais religiosos, foi determinante no adiar da resposta do Irão ao crime diplomático de Israel. E como ela só termina a 25, não devemos esperá-la antes. Talvez seja nesse sentido que o General  Ali Shadmani disse à TASS, por ocasião do Fórum Exército 2024, em Moscovo: «Do ponto de vista do Irão [ao assassinar o presidente do politburo do Hamas, Ismail Haniyeh], o grupo terrorista [israelita] perturbou o equilíbrio de segurança na região. A maioria do mundo não tem nada a dizer, mas um país forte como o Irão terá de retaliar. O método de retaliação foi determinado pelo nosso líder espiritual. Não foi uma escolha fácil, pois há duas forças em jogo neste ambiente - a situação na região e as questões domésticas. Todos os responsáveis políticos chegaram unanimemente à conclusão de que a reação deve ser forte mas medida».
Entretanto Josep Borrel, o chefe da política externa da União Europeia, afirmou corajosamente no X que «enquanto o mundo pressiona para um cessar-fogo em Gaza, Ben-Gvir apela ao corte do combustível e da ajuda aos civis. Tal como as declarações sinistras de Smotrich, trata-se de um incitamento aos crimes de guerra". Eis os dois ministros israelitas de extrema-direita Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, que afirmaram que o «bloqueio é justificado e moral», e portanto também a morte por fome de dois milhões de palestinianos, para não mencionarmos a subnutrição que já afecta para sempre milhares ou milhões de inocentes, e que têm todo o direito a ter o seu Estado independente, livre e seguro.
Já no dia 12, certamente de acordo com Ursula von Orgenesis, o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Olaf Scholz e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, fizeram uma declaração europeia onde dizem, hipocritamente, já que não condenaram o traiçoeiro assassinato do líder palestiniano:«Apelamos ao Irão e aos seus aliados para que se abstenham de ataques que possam agravar ainda mais as tensões regionais e comprometer a oportunidade de se chegar a um cessar-fogo e à libertação dos reféns». O desplante deste trio, totalmente avençado ao Fórum Económico Mundial...
  
No dia 13 já se soube a resposta  iraniana a tal pedido de contenção-submissão, através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Nasser Kanaani: "Se esses países (UK, Alemanha e França) procuram realmente a paz e a estabilidade na região, devem - sem quaisquer reservas - pronunciar-se contra as provocações do regime israelita e as medidas com que ele atiça o conflito, e também fazerem parar imediatamente a guerra contra a Faixa de Gaza e porem fim aos horríveis assassinatos de mulheres, crianças e residentes indefesos da Palestina".
Entretanto Israel já replicou, nas mensagens à potências Ocidentais, extravasando mais uma vez o seu ódio e vontade de guerra total: «Israel informou os Estados Unidos e vários países europeus que a resposta a qualquer ataque direto iraniano contra o país será um ataque em território iraniano, especificando que "qualquer que seja o resultado do ataque [iraniano]", Israel está "determinado a atacar o Irão em resposta", mesmo que o ataque iraniano não resulte em baixas do lado israelita.» Esperemos que não queiram lançar bombas nucleares, e vejamos se algum país ocidental vai pedir contenção ao psicopata diabólico Benjamim Netanyahu...
Dia 15, na continuação da política norte-americana de parceria com Israel tanto com a mortandade na Palestina como nos ataques à Síria e ao Irão, soube-se pela Tass que, dentro da política que mantém há muito de assassinatos selectivos, «Um conselheiro militar do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, ferido na Síria durante um ataque aéreo da coligação liderada pelos EUA, morreu no Irão, disse o comandante do IRGC, tenente-general Hossein Salami. “O coronel Ahmadreza Afshari, das Forças de Aconselhamento Aéreo e Espacial do IRGC, que foi transferido para o Irão para receber tratamento médico na sequência de um ataque aéreo das forças da coligação que invadiram a Síria, morreu hoje devido aos ferimentos sofridos no ataque aéreo”»... Mais uma acha para a fogueira... 
  As celebrações do Abar'deen em hontra do sétimo imam Shia Husseim terminaram no dia 26 e os 2 milhões de peregrinos Shia estão já no regresso para as suas casas. As escaramuças e retaliações entre Hezbollah e o Hamas com os militares e colonos sionistas não têm parado, embora de mais grave só tenham acontecido algumas mortandades nos campos de refugiados palestinianos e a destruição à bomba, com profanação do Corão por alguns militares israelitas e filmada, da bela e pluricentenária mesquita de Bani Saleh em Gaza, mais um caso execrável de genocídio cultural e religioso. Aguarda-se agora a qualquer momento a justa lição moderada que o Irão dará a Israel, restando saber qual será a reacção do extremistas sionistas, na sua hubris, desejosos da guerra total...
   Justitia, Lux, Pax, Amor.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Bênçãos Divinas. Invocação, oração, poema.

                                       Bênçãos Divinas
 Tantas palavras, gestos, formas, actos, monumentos, sentimentos, crenças e graças associados a esta expressão e ideia ao longo dos séculos, no fundo emanações das profundezas e alturas da alma humana e da anima mundi, do espírito e da misteriosa Divindade, em falas e relações subtis mas frequentemente eficazes na providência da humanidade e da natureza no universo manifest
ado.
Palavras
e gestos, montes e rios, mares e céus, incensos, orações e litanias, ritos e silêncios, poemas, desenhos, pinturas, esculturas, armas, medalhas, ícones,  amuletos, relíquias, peregrinações, visões, intuições, felicidade, tantos modos de expressão criativa das intenções e relações luminosas e inspiradoras entre a Divindade, a beleza e o poder divinos, a Terra, a Natureza e a Humanidade, tantos modos de sermos pedirmos bênção, de sermos abençoados e de abençoarmos.

Pedras e cristais, cascatas e rios,
montanhas e desfiladeiros,
árvores e bosques, ervas e flores,
aves e animais que subitamente cruzamos
e são forças divinas abençoando-nos.

Bênçãos divinas sentidas e invocadas em nós,
nos outros e pelos outros, vivos ou mortos,
abrindo caminhos de luz em raios etéricos e ígneos,
que ora brotam do interior das coisas e seres
ora descem dos mundos distantes e espirituais,
dos seres celestiais e da Divindade.

Bênçãos divinas, tão adoradas e procuradas,
tão aspiradas ou suspiradas no peito e coração.

Chama de amor desejando a comunhão, 
arrependendo-se do egoísmo, erros  medos,
reconhecendo suas limitações e clamando:
- Vinde, ó Bênçãos divinas e purificai-nos!
 
Orar,  meditar, é pedir bênçãos, é irradiar bênçãos,
tal como é contemplar arte, ouvir música e canto,
frequentar museu, biblioteca, templo e hospital.
 
Mãos juntas no peito e a jaculatória ou mantra:
- Deus, Deus, Deus, a arder no coração,
e, no aprofundamento meditativo, exclamando:
- Ó Deus, vem nascer mais em nós!

Eis orações ao Amor Divino, ao Sol Divino primordial,
para  fazer chegar até nós os
seus raios libertadores,
que nos separem do que é limitativo e desadequado,
  nos inflamem na vivência harmoniosa da verdade
e impulsionem para as acções justas e benéficas,
intensificando o fogo do amor no coração
e o discernir do dharma, e a coragem de o cumprir.

Bênçãos emanando de tanto livro e objecto das casas,
das fotografias, imagens e bustos dos que veneramos,

Bênçãos brotando dos grandes seres, mestres e anjos,
Bênçãos, partículas do amor Cósmico vivificando-nos,
           Bênçãos, respondendo à nossa invocação e adoração:
             - - Vinde, inspirai-nos e fortificai-nos,
para melhor abençoar os mais necessitados.

E, com sabedoria e amor, tornar mais presente
a Unidade Divina universal por entre os seres,
tão necessitados de justiça e verdade, paz e harmonia.

Pintura de Nicholai Roerich. Bênçãos sobre o mundo...

domingo, 28 de julho de 2024

"O que é que a Índia nos pode ensinar", de C. G. Jung, 1939. Da evolução dos povos, da natureza não predatória da civilização Indiana, do valor da arte erótica dos templos. Leitura em tradução, em vídeo, e brevemente comentada por Pedro Teixeira da Mota, aquando dos 149 anos de Jung.

O que é que a Índia nos pode ensinar é o título dum texto de Carl Gustav Jung (1875-1961) escrito em 1939 em inglês e  inserido na Psychology and the East, publicada pela Routledge & Kegan Paul em 1978 e a partir das Obras Reunidas de Jung.

Entre os capítulos da obra distinguem-se alguns que já traduzi e comentei em gravação de vídeo, e que encontra no meu canal no youtube, nomeadamente a Psicologia da Meditação Oriental, os Homens Santos da Índia, e agora este O que a Índia nos pode ensinar. Consegui lê-lo em meia hora, infelizmente o tempo limite da minha máquina de fotografia, pelo que fui bastante breve nos comentários, mas ainda assim creio que ficou razoável e compreensível o texto e a leitura comentada, apesar de ainda o ir aprofundar agora por escrito.

 Foi gravado em 28 de julho de 2024, nas comemorações do 149º aniversário do nascimento do notável psicólogo, psicanalista e alquimista do inconsciente, e como tem sempre a mesma imagem de fundo,  pode ouvi-lo enquanto faz algo.

Um livro que deve ser bom...

No texto Jung apresenta algumas das ideias ou conceitos que formulou em contacto com a Índia quando a visitou brevemente uns meses antes em 1938, onde deixa transmite algumas compreensões quanto à evolução das ideias religiosas na Índia, valorizando bastante Budha, um pioneiro revolucionário, afirmando o seu ensinamento de que «o ser humano iluminado é até o redentor e iluminador dos deuses (não a sua negação estúpida, como o iluminismo Ocidental fez)», e passando depois de certo modo a criticar estar a estudar-se muito (então) os textos filosóficos clássicos hindus da Índia  e não tanto os ensinamentos budistas do cânone Pali, mais interessantes e desafiantes.
Em segu
ida lança a sua teoria mais original, mas que não está longe da que Rudolf Steiner alguns anos divulgara também, de que o indiano não pensa mas é pensado pelos seus pensamentos, de certo modo como os primitivos, ou seja recebe os seus pensamentos como resultados de um processo inconsciente. Talvez uma outra analogia explicite isto, segundo o meu sentir: as energias telúricas e do inconsciente e as celestiais do supraconsciente estão mais livres, activas, trabalhads e cultuadas na Índia e em qualquer 
indiano.
Em seguida expende o juízo valorativo talvez mai
s misterioso, já que não o explicita, e que me apanhou de surpresa ao traduzir o texto, pois quase sempre estas gravações são o modo de eu me obrigar a ler um texto, gerando ainda efeitos benéficos para os outros que as possam ouvir.
Escreveu
ele então assim: «o raciocínio primitivo  é sobretudo uma função inconsciente, e ele percebe os seus resultados. Devemos esperar tal peculiaridade de uma civilização que tenha gozado de uma continuidade quase inquebrada desde tempos primitivos.// A nossa civilização ocidental de um nível primitivo foi subitamente interrompida pela invasão de uma psicologia e espiritualidade pertencendo a um muito mais elevado nível de civilização. O nosso caso não foi tão mal como o dos Negros ou os Polinésios, que se encontraram subitamente confrontados com a infinitamente mais levada civilização do homem branco, mas em essência era o mesmo. Nós fomos parados no meio de um ainda bárbaro politeísmo, que foi erradicado ou suprimido no decorrer dos séculos ainda não há muito tempo
Eis-n
os com algumas afirmações algo fortes de Jung, uma das quais nos desafia: De quem era essa invasão de psicologia e espiritualidade bem mais elevadas? Será da Grécia e Roma, e ele então posicionou a mente ocidental como tendo a sua raiz ou centro na Europa central, na Germânia dita bárbara no seu politeísmo? Ou será a cosmovisão Cristã, também muito devedora da Grécia?

Jung, na sua casa e centro, com o busto de Homero...
Eis-nos com algumas questões quando à visão conceptual evolutiva europeia e dos povos, por parte de Jung, e que em seguida adopta uma posição bastante na linha do seus estudos do inconsciente e até humilde em relação à arrogância ocidental: dessa supressão das suas raízes primitivas ainda em desabrochamento, o ocidental ficou traumatizado e volta e meia explode em violência, ou  avança em invenção técnicas auto destrutivas, sendo-lhe necessário então "fazer um curso sério de auto-educação", no que lhe será muito útil o exemplo da Índia, com o seu modo do devir «de civilização sem supressão, sem violência [ahimsa], sem racionalismo [sahaj]», coexistindo nela os seres mais iletrados e meio-nus e os mais elevados intelectualmente, e em que mesmo os primeiros sentem e comungam «dum conhecimento inconsciente das misteriosas verdades» que os outros procuram pelas disciplinas e estudos. Realçará pois no Indiano a visão do Todo e a sua não-fixação nos detalhes infinitesimais, tal como o Ocidental faz, e que portanto o seu conceber, o seu alcançar compreensivo do que quer que seja não é um acto predatório num terreno a conquistar mas antes uma ampliação de visão. E terminará o seu valioso texto com a recomendação de quem viajar à Índia vá contemplar as esculturas eróticas dos templos de Konarak (onde eu estive também em peregrinação e meditação), para desse confronto do seu inconsciente individual com o colectivo e eterno indiano ali expressado tão artisticamente resulte alguma melhoria ou ampliação do seu auto-conhecimento e unificação do Ser.

Boas compreensões e unificações e, se viajar à Índia, aproveite para aprofundar alguns destes aspectos aludidos pelo nosso amigo Carl Gustav Jung. Muita luz e amor divinos nele!

                             

C. G. Jung, "Homens santos da Índia", 1944. (1ª parte.) A sua crítica a Ramana Maharishi.

Tendo lido, traduzindo e comentando, já há cinco anos um valioso artigo de Carl Gustav Jung sobre os sadhus ou homens santos da Índia, em quatro gravações disponíveis no Youtube, e como celebrámos há dias (26.VII) os 149 anos do seu nascimento, resolvi partilhar para o blogue a primeira delas e adicionando a ligação das outras, num total de quase duas horas de audição, o que não será certamente para muitos... https://youtu.be/xnUgq1XKzzA,    https://youtu.be/byyEhzkO2Gw, https://youtu.be/swmp6sVQrhY

Irei ainda (dentro de um ou dois dias) transcrever algumas das linhas mais importantes.

                           

sábado, 27 de julho de 2024

Dois livros sobre os subtis e misteriosos Anjos, avaliados criticamente, de Charles e Frances Hunter, sobre as visões de Roland Buck, e de Sophy Burnham.

Os cinco Arcanjos principais, por Chrispjn van de Passe, o ancião (1564-1637)
                                   
 Charles e Frances Hunter escreveram ANGELS ON ASSIGNMENT. As told by Roland Buck. Kingwood, Hunter Books, 1979, num in-8º 204 páginas, pois em 1978, pouco antes do pregador Roland Buck (1913-1979) abandonar a Terra foram-no visitar e sendo tão bem acolhidos  e encantados com as suas histórias, resolveram escrever o livro que teve bastante sucesso.
                                                                        
A fonte da obra é pois Roland Buck, um
pastor americano que teria recebido uma série de visitações de Anjos, sempre acompanhadas, segundo ele, de forte ambiente sagrado e de proximidade do Amor divino pela Humanidade, os quais o foram instruindo dentro da linha de cumprimento das profecias do Antigo e do Novo Testamento, com grande realce para o sacrifício expiador de Jesus e a sua presença viva em nós e até mesmo o seu mítico retorno. Nestes sentidos, o Anjo Gabriel ter-lhe-ia dito: «Não procures Anjos. Procura Jesus. Ele é bem maior que qualquer Anjo». Ou ainda que o Espírito Santo monitoriza tudo o que se passa na Terra e que vendo certas forças negativas a dirigirem-se contra ele enviara quatro anjos guerreiros, um dos quais Gabriel, que lhe explicara mesmo que Satan tem também as suas forças organizadas mas que não são muitas nem tão poderosas, pois não são omnipresentes, não conseguem estar em qualquer lugar de um momento para outro. Assegurou-lhe também que  Satan, não conseguindo ler a mente das pessoas nem prever o futuro, «está extremamente nervoso porque não sabe o que se há-de passar», algo surreal...
Entre os que acompanhavam Gabriel estava Mikael, que lhes chega a confessar que estava ansioso que chegasse a hora de cumprir a sua missão de expulsar dos céus Satan e os seus anjos-demónios. 
Eis-nos com alguns exemplos de uma série de belos desejos e imaginações de Roland Buck (na fotografia, com o seu estimado cão),  optimisticamente contextualizados e transcritos por Charles e Frances Hunter
Se retirarmos estes encontros angélicos e com diálogos tão ingénuos, mas com alguma criatividade imaginativa, a obra está excessivamente limitada ou reduzida à Bíblia e a Jesus e sabemos bem quão contraditórias e díspares são as descrições dos Anjos nas Escrituras tidas como sagradas ou mesmo reveladas divinamente do Cristianismo, pelo que fazer uma angeologia coerente de tal corpo heterogéneo de referências obriga a grande labor, no qual ao longo dos séculos nasceram algumass tentativas de definições ou caracterizações importantes, tais como nos Concílios, nos Padres da Igreja, e ainda  em teólogos como o pseudo-Dionísio Areopagita e S. Tomás de Aquino, mas que nesta obra de modo algum, seja o pastor seja os autores tentam, nisso reconhecendo tanto a sua incapacidade como a subtileza e sublimidade dos níveis angélicos e arcangélicos. Ficaram ambos pelas histórias pessoais narradas extensamente, à moda norte-americana de muita parra de páginas e pouca uva de sabedoria e verdade, seja do encontro com o simpático pastor de voz persuasiva, seja das narrativas de Roland Buck quanto aos seus encontros com anjos. Um livro que não é ou  será necessário ler...
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O segundo livro é de Sophy Burnham, A BOOK OF ANGELS. Reflections on Angels Past and Present and true stories of how They touch Our Lives. New York, Ballantine Books, 1990. In-8º gr. 298 páginas.
Uma obra boa na abrangência mas sem discernimento entre a verdade e a imaginação enganadora. Logo no prefácio como prova dos milagres angélicos, lembra-nos William Blacke (1757-1827), ao ver aos dez anos anjos nas árvores, logo começando a desenhá-los e a poetisa-los, o que até é provável ter acontecido mas não é um milagres.  Passa depois para outros casos, alguns certamente fantasiosos:«Jacob lutou com um anjo... Um anjo  apresentou-se a Abraão... E José Smith fundou a igreja Mormon depois de ver o Anjo Moroni... E hoje uma criança verá um Anjo...». Contudo, pouco depois de enaltecer (mais acertadamente de que as "moronices" do senhor José Smith), o génio angeolólogo do pseudo-Dionísio, de Dante, Milton, Goethe, Swedenborg e Rudolfo Steiner e de dar uma descrição imaginal elevada:«Diante do trono de Deus, os Anjos não têm forma alguma, mas chegam como energia pura, crua, grandes bolas de fofo rodopiante, como super-novas, rodando, rodopiante, às rodas no espaço negro. São chamados as Rodas ou Tronos e não podem sequer ser descritos senão simbolicamente, apesar dos místicos que viram e ouviram o seu silêncio estupendo sabem o que viram e tornam-se por tal poder humildes», confessa realisticamente no parágrafo seguinte:«não sabemos nada acerca dos Anjos. Não sabemos o que os anjos são ou se eles estão em hierarquias nos céus. Ou se lhes são entregues os seus deveres de acordo com a idade. Não sabemos nada acerca deste outro plano ou domínio, excepto que nos são dados breves e instáveis vislumbres no coração.», quando deveria ter dito não no coração mas no olho espiritual...
A obra está bem acompanhada de citações de poetas e escritores (embora excessivamente dos violentos Salmos bíblicos), bem como de imagens e numerosas histórias recolhidas, antigas ou contemporâneas. Já na visão histórica e teorizante dos anjos combina diferentes crenças e discutíveis leituras interpretativas, pois tanto afirma como reais as histórias do Antigo Testamento, como considera míticas as descrições dos Anjos nas (outras) religiões antigas, embora reconheça que «os Anjos existiram desde o começo do tempo. Eles já existiam antes de Adão e Eva terem caminhado encantados para explorar o Paraíso.» 
Explicando a seguir que «Querubim significa a plenitude do conhecimento de Deus. O conceito é Assírio na origem, o de Karibu significa um que ora" ou "um que comunica"», reconhece que no princípio significava mais um guardião de palácios e pensa que, embora as ideias acerca deles sejam imemoriais e sem raízes seguras, o conceito de Anjos vem dos mitos Arianos, Mitraicos, Maniqueus e Zoroástricos e que foi introduzido, através do pensamento Persa, no Judaísmo, Cristianismo e Islão. Mas embora reconhecendo esta raiz persa não reconhece a muito provável visão dos Anjos obtida por seres dotados de visão subtil ou espiritual ao longo dos séculos nos diversos povos, e particularmente nos Persas, que ao longo dos séculos gerarão místicos, videntes e iniciados de grande qualidade, tanto antes como depois da chegada do Islão. Em contrapartida, erradamente mas pagando o preço (ainda assim rentável...) de estar a escrever para um público excessivamente crente na Bíblia, demora-se e valoriza demais literalmente o Antigo Testamento, assinalando por exemplo, como se fosse possível, o Anjo da Morte que matou 90.00 no tempo de David e que noutra noite matou 195.000 assírios que lutavam contra os hebreus, absurdos totais que só podem ser hoje admitidos por tolos e fanáticos.

Também o Paraíso Perdido, do poeta inglês Milton, sem dúvida uma grande mente e defensora das liberdades mas não um clarividente e iluminado, é para ela quase uma Escritura sagrada, pese a excessiva materialização que faz dos anjos, bem como a invenção de vários anjos-demónios.
A autora surge crítica do acolhimento dos anjos pela religião católica e considera exageradamente que «foi difícil para a Igreja aceitar os Anjos. O impulso que gerou o interesse por eles surgiu dos camponeses, teve as suas raízes no folclore», e lembra (ou melhor pensa, algo mistificadoramente) que na Idade Média «cada dia da semana tinha o seu anjo protector, e cada estação do ano, cada signo astrológico, cada hora do dia ou da noite, quer dizer, praticamente tudo quanto se fazia, pensava, escrevia ou via, estava sendo governado por um anjo próprio», dando duas tabelas dessas correspondências, algo tontas, tal como o arcanjo «Miguel ser de Mercúrio, Quarta-feira, amendoeira e a função de fazer sábio ou tonto». Conta as suas vivências de anjos, em visão ou em sonhos, e inclui ainda cartas de pessoas narrando-lhe casos.
Podemos dizer que ainda assim é uma obra média, bem acima da superficialidade e comercialice de tantos livros de Haziel, Doreen Virtue e companhia.  
Votos de orações, com persistência e profundidade, e boas contemplações!