segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Ignoto Deo, Ao Deus ignoto, soneto de Antero de Quental. Hermenêutica. Com a música de Vao: «Antagonia de Quental» - «Antero Antagony».

                                                 
    Ignoto Deo é inegavelmente um soneto bastante importante no conjunto da obra poética anteriana, pois é o primeiro soneto dos doze publicados na 1ª edição de Sonetos, a de Sténio, em 1861 quando era estudante em Coimbra. E igualmente, com pequenas variantes, é o primeiro a ser apresentado à alma leitora na edição final d'Os Sonetos completos de 1886.
Nos nossos dias este soneto musicado excelentemente por Vau, como pode ouvir no fim deste artigo, merece leitura e consideração pela sua qualidade de iniciadora na gnose, por manifestar a aspiração à visão ou conhecimento de Deus no jovem de 19 anos, algo que perdurava de certo modo ainda no homem que aos 49 admitiu e decidiu, não tendo mais laços afectivos (à parte as duas pupilas e um ou outro amigo) a reterem-no, ou forças e missão para cumprir na Terra e com o regresso da ilha açoriana à Lisboa do passado, arrojar-se ao mar nosso ignoto do além, na perigosa barca do suicídio.
Vejamos e leiamos, nas duas impressões, a de 1886 bem mais artística, o soneto a Deus desconhecido.

                                               IGNOTO DEO

«Que beleza mortal se te assemelha,
Ó sonhada visão desta alma ardente,
Que reflectes em mim teu brilho ingente,
Lá como sobre o mar o sol se espelha?

 O mundo é grande – e esta ânsia me aconselha
A buscar-te na terra: e eu, pobre crente,
Pelo mundo procuro um Deus clemente,
Mas a ara só lhe encontro. . . nua e velha. . .

Não é mortal o que eu em ti adoro.
Que és tu aqui? olhar de piedade,
Gota de mel em taça de venenos. . .

Pura essência das lágrimas que choro
E sonho dos meus sonhos! se és verdade,
Descobre-te, visão, no céu ao menos!»

Breve hermenêutica: Na 1ª quadra Antero partilha a sua ideia ou visão de Deus, algo platónica porque ergue logo a sua supremacia ou incomparabilidade em relação a qualquer beleza terrena, e estimula-nos a trabalharmos diariamente, seja na oração e meditação, seja na reflexão e escrita, pela melhoria da nossa compreensão das  vias de aproximação e religação à Divindade, tão desconhecida da Humanidade, e que foi por Antero invocada enquanto visão e evocada enquanto oração-poema, neste soneto sob o título Ignoto Deo, Ao Deus ignoto, Ao Deus desconhecido.
Quando Antero de Quental o escreve em meados do séc. XIX as concepções de Deus de base cristã, católica ou protestante, eram as predominante na maioria dos seres mais religiosos, apenas postas em causa pelos adeptos do paganismo, do panteísmo e do panpsiquismo (que Antero valorizou), e pelo que começava a brotar do Espiritismo, do Budismo (também por ele apreciado) e da Teosofia, enquanto que, nos não-crentes, o materialismo, o ateísmo e o agnosticismo cresciam bastante.
O que Antero, jovem genial (que não nas notas nas aulas universitárias, onde chumbou até um ano), então com 19 ciclos anuais do seu signo de Aries ou Carneiro, confessa, exprime e partilha de mais valioso é a aspiração ardente da sua alma a conhecer Deus, o qual ele sente em "sonhada visão" como o brilho ingente, isto é, não natural, não do tamanho da gente, do Sol tanto sobre ele como sobre o mar, e na primeira versão de 1861 evocado como o "mar anil", azul. Uma imagem tanto real no mundo físico como no espiritual, pois, sobre as águas ou ondulações energéticas afectivas e psíquicas da nossa alma, o Sol espiritual ou Divino pode infundir os seus raios ou reflectir-se, e para este desiderato ou fim muitas práticas de oração e meditação se ergueram ao longo dos séculos e muitos místicos testemunharam tal visão interior, com mais ou menos esplendor e impacto.
Este soneto foi lido por Fernando Pessoa e embora não traduzido para inglês como fez a muitos outros, pressentimos que a 2ª quadra possa ter tocado e influenciado Pessoa e logo vir ao de cima em alguns versos e personagens da Mensagem: o brilho ingente sobre o mar, o mundo é grande, a ânsia que arde nele...
A segunda quadra mostra-nos ainda a consciência forte que as aras ou altares dos templos não tinham para ele já suficiente energia vital, intelectual e anímica: não era nelas que o jovem revolucionário e em demanda de conhecimento filosófico, ecuménico e universal conseguia sentir ou intuir a Divindade, que denomina como Clemente, numa filiação etimológica romana, de bondosa, misericordiosa e que singrou no
Catolicismo onde ele hauriu as primeiras luzes da adoração e aspiração ao numinoso, muito sentido por ele também na poesia religiosa de Alexandre Herculano.

No primeiro terceto, Antero realça de novo tal face bondosa da Divindade pois cultua ou adora   a sua pietas, a sua doçura compassiva para que, face aos sofrimentos e venenos que experimentamos e que por vezes enchem dolorosamente a taça da vida, ela se derrama como mel ou bálsamo, nomeadamente pelo seu olhar  ou providência que nos agracia ou abençoa.
É uma vis
ão divina bastante humana, e cristã, numa mescla da natureza paternal, filial e maternal, e sabendo nós como Antero amou fortemente a sua mãe ao longo da vida e que dedicou à Mãe Divina, à visão Dela,  em sonho, um poema cheio de piedade, intitulado À Virgem Santíssima, Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia, e que também concluirá a edição completa dos seus sonetos em 1886, no fim da sua extenuante jornada,  com o soneto Na Mão de Deus, onde exprime o seu desejo de descansar o seu coração na "mão divina", qual "criança, em lobrega jornada que a mãe leva ao colo agasalhada",  podendo-se assim descortinar o valor da face Feminina da Divindade em Antero, e até interrogarmos se Antero teria alguma vez orado a Deus Pai e Mãe e se teria intuído e valorizado a Deusa Mãe, que para a maioria dos cristãos se subsumiu em Maria, e a quem Antero dedicou piedosamente o tal soneto À Virgem Santíssima, Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia, que afectiva e conceptualmente complementa bem o soneto Na Mão de Deus, o qual embora sendo de lavra de 1882 foi escolhido para o fim que coroa a obra, dos Sonetos completos, de 1886.

O último terceto é também genial pois, numa compreensão de que Deus pode brotar em nós enquanto essência ou destilação das nossas lágrimas, e enquanto imaginação ou idealização das nossas melhores aspirações, pede-Lhe que, já que na Terra, nos templos e religiões não se encontra facilmente, ao menos como uma visão no céu lhe possa aparecer, visão interior pelo olho espiritual ou visão extraordinária ou miraculosa no céu exterior.
Sabemos que Antero de Quental não foi agraciado com tal desvendação divina, embora certamente tenha tido as suas iluminações relativas, sobretudo conceptuais mas também algumas, religiosas, poéticas e afectivas nos seus tempo mais juvenis. Foi assim avançando para a sua amiga Morte, corajosamente mas sem plenitude de despertar espiritual, antes suspirando ou até esperando por descanso para os seus nervos e alma abnegados e desiludidos.
                                   

A música de Vao, Antagonia de Quental, acompanhada do soneto e sua tradução em inglês, é bem poderosa,is e fortifica-nos na nossa aspiração e determinação persistente de podermos merecer pela nossa vida espiritual, criativa e amorosa a visão da Divindade ou, pelo menos, uma melhor ligação com Ela, para que o discernimento justo e o amor sábio vibrem mais em nós e irradiem na Humanidade e em Antero de Quental...

                           

domingo, 27 de agosto de 2023

Da Sabedoria Perene (2ª) que Antero de Quental transmitiu. Frases aforísticas. Da carta a Molarinho

                               
Antero de Quental (18-4-1842 a 11-9-1891), tendo recebido de António Molarinho (27-XII-1860 a 4-I-1890), jovem pintor, escultor, municipalista e poeta, uma compilação de poemas para apreciação, respondeu-lhe em 26-VIII-1889, portanto já quase no fim da sua passagem terrena,  com uma carta tão notável que se tornou o prefácio do  livro de poemas de António Molarinho, postumamente dado à luz em 1921,  e já estudado neste blogue em (https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2018/08/a-carta-de-antero-de-quental-antonio.html), mas que contém um trecho, em resposta a algum desalento de António Molarinho, de tanta sabedoria perene, que a realçamos de novo transcrevendo-a:
«Creia que a virtude pode mais e é mais que a arte. E dura mais também: dura eternamente. As obras do bem, ligadas indissoluvelmente à substância do Universo, absorvidas, desde o momento da sua produção, para nunca mais saírem dele, vinculadas, pela cadeia duma casualidade superior, a todas as suas evoluções através dos tempos, dos espaços, dos mundos, vão aumentar o tesouro da energia espiritual das coisas, fecundá-las nos seus mais íntimos recessos e, sempre presentes, sempre activas, eternizam, nessa sua perene influência, a alma donde uma vez saíram. O Universo só dura pelo bem que nele se produz. Esse bem é às vezes poesia e arte. Outras vezes é outra coisa. Mas no fundo é sempre o bem e tanto basta.»
Saibamos mais meditar e discernir o Bem (que é também beleza, verdade e amor), e praticá-lo
 criativa e constantemente, para os outros, para nós e em si, assimilando-o,  melhorando-nos e realizando-nos Nele!
Emanação do Bem primordial, por Bô Yin Râ.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Caminhar sob as asas do Anjo e na aspiração à religação divina. Uma oração emblemática: Mostra-nos as melhores vias

A expressão e oração "Ó Senhor, mostra-me as tuas vias", é uma invocação dirigida a dois possíveis destinatários, o Anjo e Deus, e pode sê-lo por várias razões, tal como  para que a religação possa acontecer mais, e para que o nosso discernimento intua a cada momento qual será a melhor forma de verticalização e de sintonização com a vontade cósmica e como avançarmos nas veredas sagradas, pressentindo e seguindo as linhas de forças psico-espirituais que nos conectam mais a Eles e ao Bem, ao Amor, à Felicidade.

A imagem escolhida pelo autor da gravurinha foi a de Tobias criança em busca dum remédio para o pai a ser extraído do fígado de um peixe longínquo com o Anjo ou Arcanjo Rafael a guiá-lo em tal difícil jornada. É uma cena do Livro de Tobias, escrito por volta de 200.a. C, sem fundo histórico mas com intencionalidade de sabedoria moral, que foi incluído na Torah hebraica  mas que desde que foi adoptado na Bíblia e sobretudo depois da Reforma protestante, que bastante contra os Anjos,  foi no Catolicismo bastante pintada e no fundo cultuado tanto por ser a principal fonte de referência ao Arcanjo Rafael nas escrituras cristãs como por se ter considerado após o Concílio de Trento uma prefiguração do Anjo da Guarda, devoção que foi então bastante desenvolvida, até para obstar à secura protestante.
Escrevi
já um texto valioso sobre o Arcanjo Rafael na história da Arte [https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2017/06/o-arcanjo-rafael-e-tobias-na-historia.html]. E anote-se que os protestantes, presos à literalidade das Escrituras e rejeitando o culto dos anjos, santos e Maria,  naturalmente não aceitaram como canónico este livro e no seu culto exagerado da fé na dita palavra de Dus perderam bastante o fogo do amor  no coração, que o culto ou a veneração de tais seres apoia, fomenta, intensifica. Quantos de nós aprenderam a orar de cor ou com o coração através da singela oração do Anjo da Guarda?
Ora co
mo o discernir as melhores vias para cumprirmos as tarefas e objectivos da vida não é fácil, sabermos que há espíritos celestiais que nos podem inspirar é bem fecundo e assim a invocação do Anjo é  valiosa, aconteça a sua ajuda ou não, para nos interiorizarmos, meditarmos e intuirmos os caminhos ou vias em que não nos despistamos e tombamos, mas antes caminharemos invocando e sentindo as bênçãos do Alto, dos Anjos, ou mesmo a imanência ou a "compresença" Divina, a partir da sua imanência e transcendência, um valor que não devemos perder face ao materialismo transhumanista infrahumanista que a classe política ocidental tende a adoptar e impor.
Na gravurinha reproduzida as asas do Anjo tem uma forma e direcionamento bem interessante pois rompem mesmo a orla com a letra do emblema e quase que nos fazem assumi-las como linhas de força bem activas na ligação e intermediarização dos mundos visíveis e invisíveis, dos concretos com os subtis....
Talvez a ligeireza do passo que a gravura parece emanar do movimento de avançar do Anjo e de Tobias não venha só das asas em riste, da roupa leve dos dois ou do passo largo de ambos, mas também de caminharem
na unidade amorosa ou mesmo divina, ao estarem determinados a realizarem aquilo que sentem com certeza ser o dever deles, o swadharma, a  missão a cumprir.
Possamos nós diariamente realizar esta sintonização amorosa, este avançar sob luz da mais justa ou apropriada actividade, na invocação da Divindade sob que forma for, e sob a invocação do Anjo e suas asas.
Cada um deverá descobrir as vias melhores para si, as que frutificarão mais em paz e justiça, criatividade, alegria e felicidade para a Humanidade e a Divindade e seus espíritos.
                                            

Saudações do fundo do coração ao Anjo, orações com ele para o bem de todos. Que ele faça chegar até nós as energias e bênçãos divinas, mostrando as vias ou caminhos por onde o Espírito Divino mais se possa manifestar e irradiar beneficamente!

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Aleksandr Dugin: breve declaração sobre a natureza satânica do liberalismo da civilização ocidental moderna. Agosto de 2023.

Como sabemos Alexandre Dugin é hoje uma das almas e vozes mais autorizadas no domínio da geo-estratégia mundial, da filosofia política, da civilização Euro-asiática e da defesa da Tradição Ocidental, nomeadamente dos seus valores perenes, hoje postos tanto em causa pelos movimentos neo-liberais e globalistas que pretendem instaurar uma nova Ordem Mundial transhumanista-infrahumanista e nada humanista, negando a Divindade, o Espírito, a vida imortal, a dignidade, liberdade e fraternidade humana, as nações e suas tradições, a família, os géneros naturais, etc.
                                                
Daria Dugina Plantonova, uma mártir sob as garras do satanismo mais extremista. 
Pai da notável jovem esperança da filosofia platónica e política na Rússia Daria Dugina, mártir (como o general Soleimani) desde que foi assassinada há um ano e dois dias por uma ucraniana em missão dos serviços secretos ucranianos, Aleksandr Dugin é uma voz corajosa e profunda da Europa e da Rússia perene e logo sempre renascendo, fazendo-nos lembrar Dostoevsky e Tolstoi e Soloviev, Berdiaev e Florensky, e as suas palavras são sempre valiosas de considerarmos pois apuram o discernimento nas almas na demanda do santo Graal da Verdade, do Amor e da Divindade...
                                           
Oiçamo-lo então, em transcrição do artigo online, nestes dias de grande esperança com a Primeira Cimeira do BRICS, uma alternativa bem mais justa, fraterna e racional ou logoica, a realizar-se na ponta sul do Planeta, num continente Africano que está em aupicioso processo de libertação do colonialismo francês e do imperialismo norte-americano.
                              
«O filósofo russo Aleksandr Dugin, no Congresso que recentemente abordou o uso do neonazismo pelo Ocidente, apontou que a ideologia liberal moderna é um mal absoluto, um sistema anti-humano que destrói propositadamente os valores tradicionais, as religiões, as nações, as famílias e até mesmo o género. 
 Aleksandr Dugin disse que é necessário compreender melhor a natureza satânica da civilização ocidental moderna – porque então a vitória sobre ela  será possível. Disse-o na conferência científica e de história prática actual Nazismo na Ucrânia: uma visão através do prisma da operação militar especial, realizada durante o II Congresso Internacional Antifascista, na Bielorrússia, em Agosto de 2023.
“Esse é o mal mais terrível que enfrentamos. O fascismo ucraniano é uma super-estrutura, é a ponta do iceberg. Precisamos de dar-nos conta da natureza satânica da civilização Ocidental moderna. Então venceremos”.
O filósofo chamou a atenção para o fato de que, no Ocidente, o liberalismo degenerou de uma tendência filosófica que implicava uma livre escolha de ideias para uma ditadura. E enquanto que em quase todos os países ocidentais qualquer indício de valores tradicionais é severamente suprimido, e o patriotismo saudável é exposto como fascismo, os governantes ocidentais têm sido surpreendentemente tolerantes (ou mesmo apoiantes) com o verdadeiro nazismo que foi criado na Ucrânia.
Aleksandr Dugin afirmou que essa atitude cínica é causada pelo desejo do Ocidente de usar o agressivo nazismo ucraniano para destruir o principal obstáculo à vitória do globalismo liberal – a Rússia. É por isso que os liberais, que não aceitam manifestações sadias de nacionalismo nos seus próprios países ao mesmo tempo oferecem ou bombardeiam com armas os neonazis que encaram o mundo pelo prisma do racismo puro e simples da Ucrânia.
Aleksandr Dugin enfatizou que o globalismo liberal, que se esconde sob a máscara do nazismo ucraniano, é um mal absoluto. Ele adquire características anti-humanas distintas, destrói propositadamente valores tradicionais, religiões, nações, famílias – e até mesmo coisas biológicas básicas como o sexo.
Ao mesmo tempo, o filósofo pediu vigilância, lembrando que a Rússia moderna não está livre desse mal, porque desde a década de 1990 esse mal penetrou com algum sucesso na sociedade russa e continua a tentar decompo-la por dentro.
Durante a conferência
, comentando-a, o vice-ministro da Defesa da Rússia, Aleksandr Fomin, disse que os neonazis da Ucrânia  estão na vanguarda da guerra civilizacional do Ocidente [traído e desgraçado pelos seus actuais dirigentes] contra a Rússia.»
Fonte: TV Zvezda. Tradução da novaresistencia.org, melhorada.

Os Anjos e suas mensagens. Iconografia angélica hermeneutizada.

                                   
  (...) Juntemos mais vezes as mãos e abramos as asas da aspiração...
Com os Anjos procura ardente e incansávelmente a Verdade e discernindo o certo e o errado, e em paz e serenidade, ao orares e meditares, verás o círculo celestial abrir-se. Trabalhemos para termos o coração e o olho espiritual mais despertos...

No silêncio, na aspiração, eleva-te e comunga espiritualmente. Que a paz conseguida, te ilumine e fortifique...

Da Sabedoria Perene que Antero de Quental conheceu e transmitiu. A solidão. Censuras do facebook.

 Este artigo é destinado sobretudo à página Antero de Quental escritor,  fundada há alguns  anos e que desfrutou momentos de relativo bom acolhimento e interacção, e que, por causa da política bloqueadora, opressiva e fascizante do Facebook, está hoje quase morta, sendo-me impossível partilhar directamente na página a partir do blogue, como outrora acontecia. Para cúmulo da ditadura oligárquica-sionista a partir do final de 2025 passei a estar impedido de partilhar para a página  Antero de Quental escritor, mesmo estando na minha página inicial. Só posso para grupos, pelo que as dez páginas que criara no facebook ficaram assim bastante estranguladas. Razão tinha Putin em chamar ao Meta-Facebook uma organização extremista, ou que é utilizada por eles insidiosamente...

 Passemos à sabedoria de Antero, que certamente, se incarnado estivesse nos nossos dias, estaria de fora, ou em luta contra a oligarquia e o Meta-Facebook. Eis uma frase valiosa, de 1886, duma carta de Vila do Conde para a sua irmã Ana:
«Eu estou aqui inteiramente só, mas como sempre me dei bem com a solidão, e tenho muito que estudar, estou sempre entretido e satisfeito.»
E nós, damo-nos bem com a solidão, aproveitamos esses momentos para harmonizar a nossa casa, a nossa alma, ou mesmo orarmos e meditarmos? Há quanto tempo estudamos e reflectimos, investigamos e escrevemos sobre certos assuntos que gostamos mais e assim contribuímos com conhecimento e a sabedoria tanto para uma Humanidade melhor como para a nossa alma espiritual?
Quanto tempo livre conseguimos aplicar concentradamente em algo mais valioso e escapamos às alienações televisvas e às dispersões das redes sociais?
Desperte mais as suas capacidades criativas, benéficas, espirituais, em uníssono com a alma luminosa de Antero de Quental!

domingo, 20 de agosto de 2023

A criação de valores éticos e espirituais na actualidade e no Cosmos. Meditação, abnegação, religação espiritual, melhoria da Humanidade.

                            

A ideia de que a criação de valores éticos e espirituais é muito importante na vida não é fácil de se provar dada a sua intangibilidade, e porque, à parte casos raros de maior criatividade, a maioria das pessoas vive numa busca de satisfação das suas necessidades, desejos ou deveres e sem pensar em criar  valores, podendo quando muito cultivar alguns, tais como a coragem, a perseverança, a sinceridade, a fé, o amor, a abnegação, o entusiasmo.
É certo que momentos de tais manifestações, ou a presença de tais qualidades quase que visíveis, podem ser exemplares e frutificar nos que se deixam atrair, encantar, iluminar e frutificar por tais irradiações de claridade, coerência, originalidade, fraternidade,  devocionalidade, espiritualidade.
É verdade que a própria pessoa examinando a sua vida pode observar certas qualidades desenvolvidas, mantidas, preservadas e que são valiosas, valem para a luz e o bem no planeta e que, sejam reconhecidas ou não, auxiliam a harmonia dos seres nos planos visíveis e invisíveis do infinito universo, o kosmos dos gregos, que significa um todo ordenado e belo...
Simpatia interior, carácter optimista e altruísta, certas práticas diárias regulares, adesões a princípios ou leis,  esforços, sacrifícios e dedicações maiores são realmente manifestações de valores que se estão a assumir ou já assumidos, e os que lhes dão vida ou cultivam são também alimentados por eles, numa reciprocidade anímica de se dar e de se receber e que algum modo as três Graças podem simbolizar, a terceira sendo a graça da gratidão unitiva.
                                          
Em cada momento, ambiente, época ou
 geração há  valores ou qualidades que devem ser mais defendidos, manifestados, desenvolvidos  face às muitas forças e tendências contraditórias que regem as mentes e almas da maioria, por vezes reforçadas pelas alianças corruptivas e pelas narrativas oficiais monolíticas, opressivas, falsas.
Defender a 
lúcida demanda da verdade, a observação dos fenómenos nos seus processos e causas, exercer um livre ou independente pensamento, é fundamental nos nossos dias de extrema manipulação da informação massacrante e da consequente insensibilidade e quase alienação das pessoas que, sem se aperceberem, vão-se perdendo do caminho do meio ou da virtude, perdendo o discernimento do verdadeiro e do falso, do bem e do mal, e vão estacionando ou caindo em ilusórios paraísos de lugares comuns, de notícias falsas, de preconceitos e fobias, de diminuição das suas capacidades de serem lúcidas, gnósticas, justas e verdadeiras.
O despertar
das consciências, a valorização da dignidade e integridade da pessoa humana e da sua possibilidade de vida justa, harmoniosa e criativa, a demanda incessante da verdade e de estados de maior amor, conhecimento e serviço útil ao Todo são então fundamentais de ser trabalhados diariamente, sem desistências, mesmo que sob as ondulações de ciclos e marés...
Para tal a meditação, a oração, a aspiraç
ão, o culto aos valores mais elevados como o Bem, o Belo, o Amor, a Verdade ou mesmo o Universal, o Divino, devem ser praticados de modo a que possamos resistir, crescer e estabelecer as antenas que permitem as inspirações e descida das energias e informações subtis e espirituais provindas de planos mais elevados que os da mera vida social  e que depois se manifestam no exterior e eventualmente tocam, atraem e inspiram outras pessoas e melhoram o nível dos grupos e sociedades...
Nestes sentidos os místicos e iniciados antigos falavam dos três inimigos da Alma espiritual: - a carne, o mundo e o diabo - , e de facto tais conceitos-realidades continuam fundamentais de ser equacionados ou controlados, senão perdemos a paz, a lucidez, o equilíbrio e as capacidades de ligação aos níveis mais transcendentais, seja imanentes, seja externos e elevados na infinitude do Cosmos.
No dias de hoje a carne, ou instintividade corporal-animal, o mundo, ou tudo o que nos rodeia e tenta envolver, e o diabo, vontade de domínio egóico ou mesmo violento, também denominado hubris, arrogância, desmesura, e estes são apenas alguns dos sinónimos interpretativos, - por exemplo, Fernando Pessoa nos seus textos apresentou muitos outros -, têm crescido muito, seja pelo relaxamento ou relativismo moral, seja pelo aumento imenso da tecnologia digital avassaladora das almas em sentidos frequentemente negativos, seja ainda pelo individualismo amoral tipificado no egoísmo de milhares de milionários, ou das grandes corporações, ou no imperialismo violento e excepcionalista que ainda controlam ou oprimem mais do que meio mundo...
                                              
 O desprendimento lúcido em relação ao mundo e a tanta informação, o controle das vag
as psíquicas pessoais, a abertura à acção do espírito, divino ou santo, em nós, a aspiração à recepção energética e à comunhão intuitiva das ideias e realidades mais elevadas, são então importantes factores auxiliadores da operatividade da tão indispensável oração-meditação diária, da qual decorrem harmonizações, elevações, intuições, inspirações, determinações, criações e adorações que podem melhorar o estado da anima mundi, da alma nossa, ambiental, nacional, planetária e do mundo....

                                      
Perseveremos então serena mas ardente e invencivelmente nas nossas tentativas de vibrars em estados harmoniosos ou elevados de consciência e de cultivarmos, praticarmos, criarmos os tão necessários  valores espirituais, e sejam eles reconhecidos e valorizados ou não (tal como diz a Bhagavad Gita, "tens direito à cação mas não aos seus frutos"), dos quais realçarei, para finalizar, o conhecimento e o discurso verdadeiro, a não-violência e a serenidade,  a pureza e a beleza, o silêncio e a contemplação, a sabedoria e o ecumenismo, a invocação e comunhão com os seres e ideias que mais nos dizem, e a aspiração e adoração da fonte do Amor e da Vida, a Divindade, e no modo, forma ou nome que mais sentirmos.....