domingo, 31 de maio de 2020

Do Espírito individual e do Espírito Santo... Aproximações amplas...

Alguns de nós sabem, por tradição religiosa ou filosófica, estudo ou vivência, que somos um espírito, ou que temos um espírito em nós, mas em geral temos muito pouca ou mesmo nenhuma percepção dele, aliás confundindo alma e espírito...
Admitimos alguns, mais na sua demanda, que tal espírito seja uma centelha espiritual vivendo numa dimensão superior às nossas quatro dimensões e às suas leis do espaço e do tempo e que portanto possa até manifestar-se ora como partícula-centelha, ora como onda-corpo, dentro e fora do nosso corpo físico...
 É lícito então interrogar-nos, como nos podemos tornar mais conscientes do espírito, como o sentirmos mais?
A resposta mais comum e de quase todas as tradições e povos é pela meditação, a contemplação, a oração, ou mesmo a acção.
Por estas actividades concentramos a nossa energia psíquica e conseguimos nessa unificação torná-lo mais mais visível ou perceptível para nós e por vezes até para os outros.
Por exemplo,  o entusiasmo, que etimologicamente significa  estar possuído por Deus, estar em Theos, pode ser visto ou sentido como uma manifestação maior do espírito. 
E seja do espírito apenas individual nosso seja do misterioso Espírito divino, ou Espírito Santo, ou Espírito de Deus, do qual uma das imagens-eventos mais conhecidos é a sua descida sobre um grupo de discípulos ou seguidores de Jesus recolhidos em oração, no que se tipificou como o Pentecostes.
Não é fácil discernirmos quando eles, espírito individual e espírito supra individual e cósmico, estão mesmo em acção tanto mais que os entusiasmos religiosos, que têm no dito dom de falar línguas, uma das suas pseudo-manifestações mais espectaculares e em geral aldrabonas, apenas exigem uma personalidade que se excita e que pode estar só a dizer asneiras, de tal modo que o espírito divino de modo algum pode ser o inspirador antes devemos crer que é inacessível a essa pessoa, ainda que o tenha mesmo invocado.
Admitamos que quando estamos mais ardentes, entusiasmados, amando o que fazemos, com fé,  irradiamos mais energias, galvanizamos os outros, temos mais impacto neles e nisso está mais presente o espírito.
Assim esse carisma que algumas pessoas têm, nomeadamente de poderem mais facilmente se entusiasmarem e inspirarem, foi considerado um sinal espiritual, algo do qual se dizia que era a estrela dessa pessoa, tal como o grande poeta persa Saadi o poetiza no seu Gulistan, estrela do espírito que vai perpassar por muitas tradições e legendas, como a de Belém, hoje tão tingida de sangue...
 Poderemos então perguntar como e por onde pode o espírito realizar-se, manifestar-se ou irradiar mais?
Trabalhando, vivendo e meditando bem, realizando-o portanto mais permanentemente, deveremos reconhecer que as mãos, os chakras e os olhos se tornam meios, janelas ou portais de passagem de energias das dimensões psico-espirituais para a humana corporal física...
Pelo Amor que emana do centro (chakra) de forças subtis  do coração as pessoas sentem sentimentos-energias beatíficas ou benfazejas tanto a estarem, entrarem ou a irradiarem, tal como pelos olhos também algo do espírito, e da transparência maior ou menor nossa à luz divina, passa e se transmite em bons olhados...
 Depois os gestos e posturas também são melhores ou piores na transmissão de energias e forças, e lembremo-nos da imposição das mãos que Jesus recomendou e como muitas curas e de reikis se podem tornar uma complicação, desvirtualização e comercialice de tal dom natural e simples. Mãos que tecem, escrevem e enviam os lenços e as cartas de Amor, tão valiosas na nossa Tradição...
E, finalmente, pelas palavras de oração, de comunicação, palavras que têm força espiritual, que transmitem impulsões, que evocam o que se fala ou diz, que são eco da Palavra Primordial, do Verbo, da Sonora intenção divina amorosa e mágica ou psico-mórfica, isto é, modeladoras, transformadoras, transmutadoras das configurações psíquicas e físicas dos elementos do Cosmos.
Uma acção, grupal, ritual, teatral, performativa ou sacralizadora, que ponha todos estes níveis em harmoniosa interacção, certamente terá bastantes efeitos na irradiação do espírito, e sabemos como as religiões e tradições desde os mistérios gregos ao cristianismo trabalharam bem estes factores para tornar mais possível a intensificação da percepção da alma em relação ao espírito e também da manifestação qualidades mais elevadas do ser humano, consideradas dons divinos, tais como a fortaleza, a sabedoria, a piedade, a pietas, esta nuance de amor íntimo, tão valorizada por Erasmo, como mostrei nos comentários ao seu Modo de Orar a Deus, que publiquei entre nós.
Neste dia do Espírito Santo, cujo culto em Portugal foi acalentado com simbologias luminosas e potencialmente operativas desde o séc. XIII, nomeadamente com franciscanos, a Rainha santa Isabel e os templários, sobretudo em aspectos de solidariedade e fraternidade humana ou mesmo utópica, como tanto gostava de realçar e aprofundar o Agostinho da Silva, em 2020 sem grandes celebrações públicas devidas à misteriosa pandemia coronal, talvez possamos ficar, para concluir, com uma maior consciência dos dois níveis do Espírito (santo ou plenificante) que podemos trabalhar e inserindo-nos na Tradição Espiritual Portuguesa e seu Graal:
1º Ser mais o espírito imortal e eterno, um eu único, sem se deixar enredar em vazios budistas, hipnoses e regressões (por se pôr de parte do eu e deixar-se outro eu sugestionar, e por se atribuir a vidas passadas o que em geral são apenas conteúdos e associações psíquicas), mundos subterrâneos, espiritismos (em geral fantasias do próprio ou de entidades invisíveis) e fantasiosas reincarnações, canalizações e iniciações (das quais um dos fundadores foi o teósofo Leadbeater, o qual abriu as portas ou precedentes a Elizabeth Prophet e outros).
E tentar mesmo ver o espírito nas meditações, sermos alinhados, inspirados e fortificados por ele e logo irmos desenvolvendo criativamente as qualidades ou dons do espírito na horizontalidade do mundo e do quotidiano, onde tanta ignorância, violência, opressão e manipulação (liderada pelo eixo do mal norte-americano e dos seus aliados e médias vendidos mundiais),  exigem de nós resistência sábia e  criatividade de alternativas, nomeadamente biológicas, comunitárias, não-violentas, solidárias, artísticas, culturais e espirituais.
2º Com regularidade, ou mesmo por consciencialização mais constante, invocarmos e abrir-nos mais à Divindade, ao Espírito Divino, ou Santo ou Unificador, ou Feminino, e aos seus grandes seres, mestres, anjos e arcanjos (saudações ao da Guarda de cada um e ao Arcanjo de Portugal, que não é Mikael), que transmitem  as suas forças, correntes e bênçãos de Luz e de Amor para nós e e o planeta Gaia, no corpo místico da Humanidade e da Terra ou noutra linguagem no Campo unificado de energia, consciência e informação em que estamos todos interligados...
Luz - Amor - Verdade - Liberdade. 
Spiritus, Jivatman...
Spiritus Dei, Aum...
Lisboa, escrito em grande parte no dia de Pentecostes, 31.5.2020.

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Aurora canora, na sacra Lisboa. Com 36 segundos de vídeo final.

                             
                                                  Aurora
                                          Pingos Fluídos.


Os jardins da Lisboa recatada e sagrada
são despertados pelas odisseias e laudes
desferidas pelos anónimos cantores
que na linguagem subtil das aves
se inebriam nos píncaros das suas visões
do resplendor da aurora solar e divina.

Quando tentamos com eles vibrar
sentimos o pesar do nosso intelecto,
incapaz de destilar do cérebro e voz
uma tão bela canção de amar e louvar.

Fremem de alegria esfuziantes as aves,
transmissoras de ocultas mensagens
que silfos e elementais do ar e do éter
lhes fabricam na invisível alma do mundo.

Nós, semi-adormecidos ainda os corpos,
temos de despertar, batalhar e sorrir
para que a circulação irrompa de novo
e sejamos cavaleiros do Graal do Amor.

De braços bem abertos ao astro divino,
mora no nosso peito o oculto resplendor,
saibamos  vencer no dia todas as limitações
e gerar mais belas e divinas manifestações.

                            

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Dos Diários, de 1994. Amor, Livros, Cruz e Barroco.

Mais recolhas de diários antigos, este de 1994, quando vivia  à vista do convento barroco de Mafra:
Amor é um forno ou vaso alquímico onde se fundem corpos, almas, espíritos.
Fundem, fusionam, sublimam ou desintegram-se.
Saber preservar a energia central, elevar as potências sensitivas, intelectivas e voluntárias a pontos ou níveis superiores, eis a obra.
Um despertar interior, um domar as serpentes, a vara de Hermes.
*-*
Livros - Quando são tocados pelas mãos, arrumados e interiormente sintetizados pela nossa visão actual eles ganham nova vida, força, verticalidade. Nas prateleiras onde estão ganham brilho e permitem uma maior nitidez ou irradiação do seu valor para connosco, e talvez mesmo para um visitante que chegue.
Os livros enviam-nos das suas lombadas comprimidas algumas emanações dos seus conteúdos, como mensagens subtis ou ténues, que em geral não nos apercebemos. Mas deveríamos com alguma regularidade fitar uma ou outra estante e sentir que livro nos chama e quer nas nossas mãos transmitir-nos algo.
Os livros são como peões, ou por vezes peças mais importantes, no tabuleiro do nosso jogo de xadrez da vida e da morte, do bem e do mal.
Cada dia há jogadas negras e brancas e nem sempre são só as nossas as brancas, nem sempre são as melhores as que vencem e devemos saber aceitar desprendidamente o que se vai passando ainda que lutando para chegarmos aos objectivos e missões que nos vão sendo oferecidos no desenrolar do jogo da vida. Bons livros auxiliam-nos a jogarmos bem.
*-*
Cruz – O seu significado principal é o de sinalizar-nos que no centro do nosso ser, da nossa cruz, está o espírito, o Divino em nós e que esta descoberta e vivência é a missão principal da nossa vida. Tudo o mais será dado por acréscimo.
                       
Barroco – Uma época marcada pelas reformas e lutas religiosas, os progressos de enriquecimento e da burguesia, produzia uma movimentação tremenda de novidades, de engenho, de esforço, de sensualidade, de individualidade, bem patente na arte, arquitectura e na literatura.
Majestade, Império no topo da hierarquia, mas também florescimento, desejo de libertação, iluminação, ascensão, triunfo em todos os actores do grande teatro da vida. Democratização pois, com a arte a tratar cada vez mais do quotidiano e do corriqueiro com foros de sagrado, com uma mística a tornar-se cada vez mais a estrada estreita mas para todos, nomeadamente pelo culto apaixonado dos intermediários, santos e santas, Anjos, Jesus e Maria, cada vez mais ao alcance de qualquer freira ou devoto, em livros, exercícios, pinturas e estampas
Lágrimas e risos, Demócrito e Heraclito, tensões de opostos e dos paradoxos, assumidos e bem cultivados mentalmente, argutamente mesmo, o ser humano encaminhava-se sob muitos condicionamentos e artifícios para o alargamento da consciência, a liberdade, para o amor mais universal, para a emancipação da religião e do despotismo absoluto.
Os escritores mais iniciados, no Barroco, são os que vêm mais longe, para trás e para a frente e chegam a uma gnose mais profunda de si mesmos e da realidade que observam, intuindo os níveis subtis em que se manifesta a essência humana, a alma do mundo e a previdência divina e apoiados nessas correspondências e analogias, nessas leituras das simbólicas substanciais do Universo se projectam em sonhos, obras e aspirações para uma Humanidade e um futuro melhor, agindo como criadores, cientistas, democratas, livres pensadores, humanistas, universalistas, ecuménicos.
Entre nós, Rafael Bluteau, Manuel Faria e Sousa, o P. António Vieira, D. Francisco Manuel de Melo e soror Violante do Céu foram alguns deles. E a soror Josefa de Óbidos, representada com esta imagem final, do trânsito feliz da amorosa Maria Madalena, tão consciente ou acompanhada dos Anjos na sua entrega libertadora final.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Poema a Joaquim Agostinho, ciclista, na sua morte. Do diário de 1984, no Porto, no meio das aulas de Yoga..

Na minha adolescência Joaquim Agostinho foi um dos pequenos heróis, que nos Verões nos animava nas suas batalhas contra si próprio, os elementos e os outros ciclistas, e as estradas com montanhas empinadas e descidas perigosas. 
Um pouco antes de ele morrer tão precocemente (1943-1984), quando estava na Índia e numa viagem de bicicleta mais difícil de alguns quilómetros de Auroville, a cidade do futuro que então nascia do sonho de Sri Aurobindo e da Mãe, e à qual me enviara o meu mestre de então, o Kavi Yogi Shudhananda Bharati), para Pondichery e volta, foi com o seu nome como mantra que consegui esforçar-me mais e fazer a tempo tais trajectos. 
Por isso, quando ele teve um acidente que se antevia fatal, estando eu a orientar aulas de Agni Raj Yoga no restaurante dietético e espaço alternativo Suribachi (ainda hoje a funcionar à rua do Bonfim, Porto), registei-o numa folha de diário de 1984. E, nestes tempos de relativo confinamento e arrumações de papéis, veio ao de cima e transcrevo o que senti, pois é uma homenagem poética e espiritual, qual oração, a Joaquim Agostinho. 
Muita luz, amor e ligação divina para o seu ser, onde estiver.
             «1 de Maio. 
Trovoada e granizo na cidade. 
Meditações, escritos, movimentação, refeição, ida ao cemitério e conversa com adventistas (um pouco fanatizados). Choro com um filme na TV, e há invocação do [mestre] Morya por não o estar a acompanhar.
 Oro por Joaquim Agostinho, um companheiro em coma.
 Sinto gratidão pelo que o Porto me tem dado de coisas e de pessoas.
Foi uma estadia passageira mas com alguns ensinamentos feitos a pessoas nas aulas de Yoga:
Maria Emília e João Aidós, despertaram.
Maria Elisa e Manuela.
Maria Augusta, [as duas professoras] Manuela e Eugénia e [a enfermeira] Fernanda.
Conversas frequentes com Sant'Anna Dionísio e Dalila Pereira da Costa.
Textos que dei para as aulas
Escritos para jornal.
Preparar melhor os alunos.
(...)
Próximo ano vou dar só seminários intensivos em fins de semana, procurando antes estabilizar e trabalhar a terra e o céu. Preciso de trabalho físico, contacto com espíritos da natureza. Aqui na cidade asfixia-se. Depois preciso de independência, de criar o ambiente e os horários naturais. É certo que ainda sou apenas um discípulo, um indivíduo a disciplinar o seu eu inferior. Por isso, mais ainda preciso de fortificar este estado, para poder mais tarde veicular as transmissões divinas.
Começar a dar mais coisas e estados às pessoas...
*-*-*
  «Joaquim Agostinho, um dos maiores heróis portugueses dos últimos tempos, morre lentamente. Minha alma está triste. A própria natureza chora em raiva impotente. É um campeão que se esvai. Um descuido, um pequeno esforço a mais e eis uma vida desfeita.

Salvé, Agostinho, valente escalador das montanhas,
destemido aventureiro de músculos rijos
e decisões fortes e firmes.

Salvé, Joaquim Agostinho, 
que os Anjos e os Mestres estejam contigo,
que as bênçãos de Deus te iluminem,
que a Luz e Amor te guiem, amigo.
Rotas cruzadas na terra, agora eleva-te no éter,
transforma a tua força em aspiração a Deus.»

Pintura de Bô Yin Râ. O caminho para a montanha divina, Himavat. Que Joaquim Agostinho a possa contemplar ou mesmo subir, tal como nós. Aum...

domingo, 24 de maio de 2020

Às Musas, Tágides e almas afins, no Graal da Poesia e do Amor...

 Mais uma recolha de um poema, escrito há uns 4 anos antes de ir participar numa tertúlia poética, de certo modo invocando a inspiração, o mistério da poesia, da musa, do fogo do espírito e do entusiasmo, e entregue às Tágides nossas e almas afins...

A poesia é uma musa
Que cada ser tem em si
Mas como pouco a sintoniza
Dispersa-a sem a Luz sua.

Quis então rasgar o peito
e encontrar-te no coração
Desconhecia que me envolvias
e que tua alma é uma com a minha. 

Musas somos todos uns dos outros,
caminhamos espargindo clarões
na noite escura da indiferença,
e que felicidade há na comunhão.

Perguntei ao Espírito
que me inspirasse mais
e ele mandou-me
a ti me dirigir.

Assim tracei esta poesia
e num barco de papel
entreguei-a às Tágides
e ela aí vai rumo ao Oceano.

Comungar de uma tertúlia
é sempre muito auspicioso.
Quem sabe que musa ou graça
Desce dos céus e nos ilumina.

Assim dediquei esta poesia
às almas luminosas e afins
que neste Graal da Poesia
fazem o milagre da Unidade
e cultivam o Fogo do Amor
que a todos os intensifica
e em todos quer arder mais.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Um poema de ensinamento espiritual, de Pedro Teixeira da Mota.

                                              
Diz-me, persistes tu no ritmo certo
que te leva às profundezas e às altitudes
que desvendam as potências do ser na vida
e te abrem as portas do mundo espiritual?

Tens de persistir na subida da montanha,
tens de bater repetidas vezes no portão
que se abre para dentro do teu coração
se queres ver mesmo amanhecer a Verdade.

Tens de humildemente orar e silenciar,
Invocar e contemplar em aspiração,
até o mundo espiritual te poder abençoar
e ficares feliz com a desejada unitiva visão. 

Comungar com o anjo da Guarda subtil,
contemplar a mística estrela pentagonal
e por fim comunicares com os mestres,
eis as etapas no caminho para o divinal,
para que vivendo tu em verdade e a amar
Deus possa renascer em ti e te plenificar.
Vale!
Escrito. 0o:04 de 22.V.2020. E corrigido às 21:33.

Um poema espiritual à Divindade, por Pedro Teixeira da Mota.

   Mais recolhas de poesia, esta de 5.X. 2019:


«Meu Deus, eu te amo dentro de mim,
Dentro dos MadreDeuses que te cantam,
Dentro dos que visito em doenças.

Como gostaria de onde chegar,
Com quem estivesse a conversar,
Transmitir a tua irradiação viva,
Acima de obstáculos e intrigas.

Meu fundo e centro ignoto,
Dá-me forças para a ti me doar,
Dia e noite a ti consagrado,
Capaz de arrancar pessoas das trevas
E pô-las em melhor sintonia contigo.

Centro íntimo de cada alma viva,
Sim, eu te adoro servindo-te
Nesta rutilante aventura da vida
Em que ora sofremos ora rimos.

Danças, gemidos e paralisias,
Partos e rasgares do peito,
Amor a sair pelas janelas do peito,
Fogo ardendo pelos céus acima,
Queimando distâncias e limitações,
Unindo almas e solidões.

Chegar ao fim do dia
E o coração ser um vulcão.»