
No seu último texto no Substack, a 18 de Julho, o notável filósofo cristão ortodoxo mas também esotérico Alexander Dugin lembrou que a Terra Santa era vista ou considerada como um espelho e um eixo da história mundial e alertou para o facto de que Israel, outrora visto como vítima, está agora a tornar o mundo caótico pelos seus meios violentos de dominação, profanação e destruição.
Escreveu então o pai da malograda esperança nossa Daria Dugina Platonova, a quem consagramos alguns textos neste blogue:

«Para todas as três religiões monoteístas — judaísmo, islamismo e cristianismo —, a Terra Santa não é apenas um território ou certas zonas definidas pelas fronteiras de uma entidade política. É um espelho da história mundial.
Nas sociedades tradicionais dessas religiões, acreditava-se que através de Jerusalém e da Terra Santa passava um eixo vertical ligando os reinos celestial, terrestre e subterrâneo. A entrada para o Paraíso e a entrada para o Inferno.
A ideia de dar a Palestina aos judeus, que começou a ganhar tração há cerca de cem anos — e especialmente após as atrocidades cometidas por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial — parecia uma solução razoável. Muitas nações tinham os seus próprios Estados, enquanto os judeus não. Não se tratava apenas de terra, mas da criação de um Estado nacional judeu independente, o que muitos, incluindo Estaline, acabaram por aceitar. Foi assim que o Estado de Israel foi fundado. No entanto, a parte mais crucial do plano da ONU para dividir a Palestina foi ignorada: o cumprimento de uma profecia que tem um significado absoluto para a religião judaica: a profecia de que, após dois mil anos de peregrinação e dispersão, os judeus regressariam à Terra Prometida.
Foi exatamente isso que aconteceu. A Terra Santa foi dada a uma religião: o Judaísmo. A conduta do Estado de Israel neste território evoluiu ao longo do tempo. Inicialmente, a opinião global foi moldada pela simpatia, uma vez que o povo judeu tinha sofrido recentemente um sofrimento indescritível. No entanto, as ações subsequentes dos governos israelitas têm suscitado cada vez mais críticas e preocupações internacionais. Um exemplo recente: neste momento está a eclodir um enorme escândalo nos Estados Unidos em torno do caso do pedófilo Epstein, e antes os bombardeamentos do Irão, a escalada das tensões connosco [Rússia], o assassinato de Kennedy — e em todos os lugares, o factor central de perturbação é o Estado de Israel. De repente, parece que a política externa americana é desproporcionalmente moldada pelos imperativos estratégicos do Estado de Israel — que não é mais uma entidade benigna, mas um poder endurecido disposto a agir violentíssimamente na prossecução dos seus interesses.
O Estado de Israel está a realizar uma limpeza étnica em Gaza, a atacar o Estado soberano do [santo] Irão para impedi-lo de obter armas nucleares — enquanto ele próprio as possui. Levou ao poder na Síria o carrasco e terrorista al-Sharaa e, depois, sabendo de sua natureza assassina [ou por já pouco precisar dele], começa a bombardear a antiga Damasco [e muito mais locais].
É preciso perguntarmos: a quem é que a humanidade confiou este território — este espelho do mundo? Parece que a atual liderança israelita está a abrir as portas não para o Céu, mas para o inferno. Em suma, o que está a acontecer hoje no Oriente Médio é um quadro extremamente sinistro.
A questão mais importante é esta: por é que nós, representantes da fé cristã monoteísta, entregamos esta terra — sagrada para todos nós, cristãos e muçulmanos — à posse total dos judeus?
Havia resoluções da Nações Unidas desde 1947 afirmando que Jerusalém deveria permanecer uma cidade internacional sob tutela internacional. No entanto, os sionistas não deram ouvidos a isso e agiram de maneira completamente inesperada.
A transformação foi radical. Uma nação outrora universalmente vista como vítima de atrocidades históricas age agora no cenário global com uma assertividade estratégica violentíssima. Na visão de muitos críticos, o moderno Estado de Israel tem seguido políticas marcadas por operações secretas, assassinatos extraterritoriais e uma disposição para remodelar as realidades geopolíticas por meio de espionagem, influência e ataques preventivos. Locais sagrados são bombardeados, governos são derrubados e os equilíbrios regionais são alterados — com pouca [ou nenhuma] consideração pelas normas internacionais. Muitos afirmam que age com impunidade [inaceitável].
Isto, é claro, obriga-nos a meditar profundamente sobre os tempos em que vivemos. A leitura ou hermenêutica religiosa dos acontecimentos que se desenrolam nos locais sagrados das três religiões monoteístas não pode ser reduzida a petróleo, gás, fundos de investimento, preços do petróleo, valor do Bitcoin ou quaisquer maquinações políticas. Estamos lidando com algo muito mais importante e fundamental.»

A que "importante e fundamental"se referirá Alexander Dugin? Será ao diabólico, ao Mal, ao Caos, que o Estado de Israel está a incarnar ou a manifestar e aos desafios que isso levanta a todo o ser fraterno, religioso ou ético, e à comunidade dos povos e estados não controlados pela oligarquia sionista, como vimos com a recente constituição de Grupo de Haia, reunindo 30 Estados anti-genocídio? À necessidade de se intensificar a defesa da coexistência pacífica das três religiões, nomeadamente em Jerusalém? Ou está a admitir um cataclismo grande no Médio Oriente? Esperemos pelo que Alexander Dugin nos dirá nos próximos dias...
Livros, Arte, Amor, Religião, Espiritualidade, Ocultismo, Meditação, Anjos, Peregrinar, Oriente, Irão, Índia, Mogois, Japão, Rússia, Brasil, Renascimento, Simbolismo, Tarot, Não-violência, Saúde natural, Ecologia, Gerês, Nuvens, Árvores, Pedras. S. António, Bocage, Antero, Fernando Leal, Wen. de Morais, Pessoa, Aug. S. Rita, Sant'Anna Dionísio, Agostinho da Silva, Dalila P. da Costa, Pina Martins, Pitágoras, Ficino, Pico, Erasmo, Bruno, Tolstoi, Tagore, Roerich, Ranade, Bô Yin Râ, Henry Corbin.
sábado, 19 de julho de 2025
Alexandre Dugin: A violentação da Terra Santa das três religiões monoteístas por Israel é algo gravíssimo.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário