sexta-feira, 16 de agosto de 2024

A 1ª história da agricultura biológica em Portugal, por António Mantas: "Raízes da Agricultura Biológica, Dos pioneiros mundiais ao movimento em Portugal".

 A primeira história da agricultura biológica em Portugal foi dada à luz em Janeiro de 2004 nas edições 5 Livros por  António Mantas, um agrónomo, com mestrado em agricultura biológica, vários anos de trabalho no sector público e desde 1999 certificador de agricultura biológica em Portugal e estrangeiro, dando actualmente cursos de formação em agricultura biológica.
                                          
A obra é volumosa, um in
-4º grande de 370 páginas, está bem ilustrada a preto e branco, embora as imagens pudessem ser maiores e leva um valioso prefácio de Alfredo Cunhal Sendim, do exemplar e futurante Montado do Freixo do Meio, a Montemor o Novo, onde enaltece a força transformadora  de uns poucos, duma «nova consciência colectiva que emergia sob a ética da Agroecologia», vitoriosa sobre «o paradigma do modelo agrícola químico-mecánico»,  e na qual discerne  como uma das origens a semeadura utópica e do Espírito Santo, de Agostinho da Silva. 
                                         

António Mantas, com os dois apresentadores do seu livro, José Amorim e Alfredo Cunhal Sendim, na Herdade do Freixo do Meio.

Intitulada  Raízes da Agricultura Biológica, Dos pioneiros mundiais ao movimento em Portugal, abrange nas cem páginas iniciais o seu desenvolvimento no mundo, descrevendo bem as pessoas e grupos pioneiros e as movimentações internacionais, com subcapítulos dedicados a Franklin King, Rudolf Steiner, Ehrenfried Pfeifer, Welleda e Demeter, Albert Howard, Northbourne, Eve Balfour, Mokiti Okada e Fukuoka, Maria e Hans Müller, Hans Peter Rusch, Jerome Rodale, Rachel Curson, Lemaire-Bucher versus Nature et Progress, propiciando uma boa visão esclarecedora das práticas, lutas, progressos, obras e líderes da agricultura biológica mundial.
A parte mais substancial e detalhada da
obra cabe naturalmente a Portugal,  e o António Mantas não se poupou a trabalhos para contactar as pessoas e encontrar os livros, jornais e documentos necessários a ser bastante exaustivo quanto ao que se passou, recuando, brevemente, as suas referências a meados do séc. XIX e citando de  agrónomos e lavradores, por exemplo, algumas recomendações de fertilização natural dos solos, tais as de Francisco Pereira Rubião, Paulo de Morais, Miguel Fernandes, Rebelo da Silva, Visconde Vilarinho de São Romão. É contudo a partir das décadas de 60 e 70, e sobretudo  desde o 25 de Abril de 1974,  que temos dados certos sobre os que voluntariamente e por consciência metodológica e ecológica não recomendavam e não usavam fertilizantes e pesticidas químicos e procuravam pelo meios naturais fortificar os solos, as plantações e semeaduras, e a biodiversidade saudável.
                                          
Na abordagem portuguesa é merecidamente realçado o papel importantíssimo do jornalist
a e ecologista Afonso Cautela em artigos de opinião, reportagens ou entrevistas, livros ou opúsculos na defesa da qualidade de vida e do meio ambiente (nomeadamente "contra o ruído - esse fascismo quotidiano") e na divulgação da agricultura biológica, a qual remontaria a alguns anos anteriores ao 25 de Abril, graças às actividades de Luís Vilar.  Um grande pioneiro e entusiasta, "A minha escola é a Natureza", dirá ele numa entrevista ao Afonso em 1976, já com 24 anos de agricultura biológica (e portanto desde os anos 50), onde revela o seu percurso, desde iniciar-se com as obras do médico neo-pitagórico Paul Carton,  tornar-se naturista,  estudar alguns dos métodos conhecidos de agricultura biológica  (Claude Aubert, Lemaire) e biodinâmica (Rudolf Steiner) e praticar perto da Trafaria. Afonso Cautela regista:«a tese de Vilar apoia-se no húmus e no carácter húmico dos solos, base de toda a fertilidade e, por tanto de toda a produção agrícola», para tal valorizando um ph neutro, e o lavrar superficial da terra, pois é dos 4 aos 12 cm que se encontra a vida microbiana, a ser preservada.

 Em 1978, Luís Vilar, em nove números,  da revista Agrosanus, que fundou "Órgão da divulgação de conhecimentos atinentes à promoção integral do Agricultor e à sua emancipação económica pela Agricultura Ecológica, privativo da União Fraternal dos Agricultores (em organização)" partilhou muitos dos seus conhecimentos (tal como a preparação do estrume, do composto, do terriço, interacção das plantas hortícolas),  e António Mantas realçou bem os aspectos mais valiosos tanto da entrevista-reportagem em seis números d' O Século Ilustrado, como dos oito números da Agrosanus.
Os elos seguintes desta fascinante história da Agricultura biológica em Portugal são: 1º o Centro Ignoramus da Macrobiótica Zen, com o nº 1 da sua revista em 1969, onde surge a 1ª menção e artigo intitulado Agricultura biológica, com bons conselhos de rotação,  uso de leguminosas e algas, e que deverá ter sido escrito por Fernando Mesquita. 2º, o Adeodato Santos e a sua mulher Inge Wollf, a produzirem hortícolas no Barão S. João e a dinamizarem a vida cooperativa e alternativa do município algarvio. 3º o Jacinto Vieira, produtor de cereais desde os anos 60 em Vila do Bispo e no Alvor e depois fundador e dirigente da Unimave, e co-fundador do Movimento Ecológico Português, com o Afonso Cautela. 4º Taciano Zuzarte, grande entusiasta da agricultura biodinâmica,  da Pedagogia Curativa e Socioterapia, inspiradas em Rudolf Steiner e que vai desenvolverá em Portugal, nomeadamente desde 1980, na Casa de S. Isabel em S. Romão. Membro, ora co-fundador ora activo no Movimento Ecológico Português,  na Associação Waldorf, na Biocoop, na Agrobio.
Nos subcapítulos s
eguintes destacaremos as excelentes resenhas do que foram as intenções, actividades e história da 1º, UNIMVE, Centro Macrobiótico e Vegetariano (a que pertenci e cheguei a dar um curso de yoga e meditação por iniciativa do Afonso Cautela, e que ele e a  filha Cristina  participaram), fundada em 1972, e que chegou a produzir vários cereais e leguminosas biológicos em Almoster; 2º, o Movimento Ecológico Português, fundado em Maio de 1974, nas instalações da Unimave, e que congregou numerosas individualidades na sua subscrição ou participação, tais como Agostinho da Silva, Fernando Namora, Raul Esteves Traveira, António Quadros, José Gomes Ribeiro, José Carlos Marques, etc., e que terá papel importante em vário encontros e dinamismos agro-ecológicos e anti-nucleares. Na história dos encontros, descrita em várias páginas destacam-se Ribeiro Teles, Afonso Cautela, Jorge Leitão, e outros. 

Uma fotografia recente (15-V) de José Carlos Marques, na apresentação das obras completas de poesia de Afonso Cautela, preparadas e editadas por ele, e em que participaram também José Luiz Fernandes, António Cândido Franco e eu.

3º, a acção de José Carlos Marques  e das suas Edições Afrontamento, com a colecção Viver é Preciso, é outro dos elos importantes bem apresentado nos seus aspectos agro-biológicos, éticos e ideológicos, tal como o 4º, Afonso Cautela que com os números da Frente Ecológica, e as reportagens em O Século e O Século Ilustrado ia revelando o panorama alternativo, tal a cooperativa SoldadoLuís, em Alcácer do Sal,  com o arroz biológico, os apoios de João dos Santos Júnior na pedagógica e dietética Diese (alimentação racional, com que me iniciei aos 16 anos) que o comercializou; a Biológica do João Lúcio Gamito, e entrevistando ainda o  arq. Jacinto Rodrigues e o eng. agrícola José Lacerda da Fonseca. Os números iniciais da revista Raíz e Utopia, até ao 3-4,  são também bem analisados quanto aos seus aspectos ecológicos e de agricultura biológica, outros se seguindo mais culturais e políticos.
No Porto,
o GAEIP, Grupo Autónomo de Intervenção Ecológica do Porto,  formado em Setembro de 1975 e liderado por José Carlos Marques e Jacinto Rodrigues, dinamiza reflexões e publicações para uma sociedade mais ecológica e com agricultura biológica, e dela nasce em Outubro de 1977 a  Pirâmide, Cooperativa Cultural para o desenvolvimento de uma sociedade em harmonia com o Universo, e que funcionará como centro macrobiótico, ecológico e espiritual (tendo eu e o meu irmão Luís, por exemplo, organizado um exposição dedicada a utópica Auroville de sri Aurobindo e a Mãe, às obras do alemão Bô Yin Râ e do russo Nicholai Roerich. Aí se destacarão Pedro Cavaco e Margarida Romão, Cláudio Coquet e Anabela Romão e o Filipe Rocha.
De 1978 a 1985 saem os bem importantes dezanove números da revista Urtiga, feitos pelo Pedro Cavaco e a sua mulher Margarida Romão, e onde colaborarão algumas pessoas, nomeadamente o Carlos Pissarro, Sylvia Montarroyos, José Carlos Marques, Cláudio Coquet, Pedro Teixeira da Mota, etc., num vasto campo alternativo, desde a não-violência de Lanza del Vasto e da Arca à agricultura biológica e à natural de Fukuoka.
A dinamização que Jean-Claude Rod
et realizou em Portugal desde 1978, iniciada pelo convite de João Santos, da Diese, e o apoio do poeta e ecologista Júlio Roberto, fundador da Itau (Instituto Técnico de Alimentação Humana), desde 1980 é bem descrita em algumas páginas, sendo bem historiadas as reuniões que houve na sede da Diese, na av. da República, e onde Jean-Claude Rodet conheceu o Arq. Gonçalo Ribeiro Teles e D. Duarte Nuno de Bragança, fortes apoiantes da agricultura biológica. Acrescente-se que em Julho de 2024,  foi Jean-Claude Rodet, com a sua mulher e "secretária" Francine, homenageados merecidamente em Idanha-a-Nova, onde finalmente conseguiu instalar o seu vasto arquivo, com o apoio da Câmara Municipal, tendo estado presente um grupo razoável de pessoas amigas, entre as quais o António Mantas.
Retornando,
In illo tempore, como diria Trindade Coelho, autor com interesses na cultura e folclore agrícolas, em 1984 nasce o Grupo de Agricultura dos Amigos da Terra, com o Luís Carloto Marques, João Santos, Jorge Ferreira e José Eduardo Agualusa, que dinamizará várias actividades. E pouco depois em Fevereiro de 1985 surge a que se tornará a associação mais importante e dinâmica, a AGROBIO, coordenada de início por Jean-Claude Rodet, Furtado Mateus (abnegado médico e agricultor bio-dinâmico), António Pena Gaspar, João Cruz Alves, Luís Carloto Marques, José Miguel Fonseca (ainda hoje lutando pela preservação das sementes) e onde depois se destacarão José Amorim, Ângelo Rocha, Pucariço, com o boletim a Joaninha, desde 1987, a transmitir muito informação agro-biológica e alternativa.
Os encontros nacionais de
Agrobiologia, os seminários e actividades de Agricultura Biodinâmica, os festivais da Terra Sã, com o do ano de 1983 a apresentar 83 expositores; em 1992, o nascimento da Associação Portuguesa de Produtores Agrobiológicos,  e da Urze,  e finalmente em Março de 1993 a cooperativa Biocoop, nascida de 50 produtores e consumidores biológicos, cm liderança de Ângelo Rocha, são alguns dos eventos e grupos marcantes. Pelo caminho ficou a Trigrama do Eng. Gomes Ribeiro, comercializando produtos integrais e biológicos. E até aos nossos dias seguem-se ainda várias páginas de história, repercussões na Imprensa, interacção com o Estado, feiras, publicações. Na penúltima parte são dada  explicações bem documentadas  de aspectos fundamentais da agricultura biológica, tais como definição, cadernos de normas, regulamentação, sistemas de certificação e controlo, fraudes, incomprimentos e sanções. E, por fim, várias tabelas com os números de produtores, produtos, distribuidores, acompanhadas de reflexões que culminam com o subcapítulo: Agricultura Biológica agora e no Futuro, sem dúvida desafiante para todos nós produtores ou consumidores, face às tentativas de globalização e manipulação de conceitos, práticas, tendências e meios de informação. Um registo grande de referências de livros e publicações, webgrafia, vídeos ou gravações de som, fotografias, e regulamentos e normas é fornecido nas oito páginas finais.
Eis-nos com uma obra pioneira, bastante abrangente, documentada e realizada com boa empatia e conhecimento, embora certamente possa vir a ser dada à luz uma edição ampliada no futuro.
Uma boa ideia de António Mantas foi ainda a d
e convidar  pessoas que de algum modo estiveram ou estão ligadas à agricultura biológica para darem algum tipo de testemunho, Retratos se chama o capítulo, com dezasseis contributos, destacando-se o de Jean-Claude Rodet, já que caracterizou breve, sagaz e divertidamente vinte e seis produtores e activistas da agricultura biológica com quem contactou mais.
                                     
Para quem gosta da natureza e defesa do ambiente
, da agricultura e em especial da biológica, eis uma obra que gerará vivo interesse, e resta-nos agradecer ao António Mantas por ter juntado e historiado tão bem tantas peças levedantes da agricultura biológica e lançar votos para que o livro  possa ainda crescer metamorficamente, e para isso o domínio na web por ele criado, https://www.raizesab.com/raizes-agricultura-biologica, ao receber informações, correcções e sugestões, contribuirá certamente...
                                      
                                           
Contracapa do livro.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

A Dormição de Maria, numa invulgar representação do séc. XVIII, e de Coimbra. No dia 15 de Agosto de 2024, dia da festividade da Assunção, outrora muito celebrada pela cavalaria templária, orando à Dama nos céus.

                                     

Comemorando-se a 15 de Agosto a morte ou dormição, e a ressurreição, a ascensão ou assunção em corpo e alma, de Maria, Mãe de Jesus, além de a sintonizarmos ou celebrarmos, na esteira até do cavaleiros templários, poderíamos investigar como se foi formando esta bela legenda mariana, nomeadamente a partir do séc. IV, e como gerou tanta devoção e obra de arte, provavelmente em parte pela necessidade do sagrado Feminino ter um papel maior no Cristianismo, que desde o início sofreu o pesado peso da tradição patriarcal judaica, com uma concepção bastante machista da Divindade, talhada contra os cultos da grande Deusa, ou de Ishtar, a Afrodite ou Vénus do Médio Oriente.

Contudo, Maria destacou-se cedo, pois, baseados na realidade ou apenas numa lenda, os redactores dos Actos, na parte final dos Evangelhos, descrevem a mãe de Jesus liderando os discípulos em Jerusalém no momento em que teria havido uma descida do Espírito santo, ou mesmo a Descida, o derramamento que até aí não houvera do Espírito Santo, designação de uma Pessoa divina, ou do Espírito divino, ou da (ou duma) energia  divina, conforme as muitas tentativas de compreensão ou identificação de tal misterioso sopro ou fogo, que desde as descrições iniciais e depois as hermenêuticas dos primeiros padres da Igreja sempre se pautou por uma falta de unanimidade,  suscitando naturalmente  debates, heresias, concílios e dogmatizações.

Com o desenvolvimento no Médio Oriente e no continente europeu do Cristianismo, o culto de Maria foi crescendo, com sucessivas valorizações e dogmatizações, e uma avatarização da Divindade Feminina nasceu no Cristianismo (com pequenas diferenças entre a Igreja Ortodoxa e a Católica Romana), suplementando tanto o terrífico Jehova como a visão mais bondosa de Jesus do Deus Pai, bom mas desconhecido e invisível, com uma Nossa Senhor crescentemente divinizada, capaz de se desdobrar em muitas Nossas Senhoras que se desvendarão ora na visão ora na imaginação de seres,  gentes e  povos.  Assim em Portugal há centenas de Nossas Senhoras, cada uma com a sua génese, a sua representação tipificada, as suas fontes miraculosas e os seus feitos agraciadores. Frei Agostinho de S. Maria (1642-1728), um frade historiador erudito, e até teólogo apoiante das nossas sorores místicas, compilou e deu à luz em 1707 nos dez volumes do seu monumental Santuário Mariano as histórias de centenas de santuários milagrosos, muitos deles ainda hoje sobrevivendo, embora frequentemente sem as estátuas antigas salvíficas, embora gravuras e pinturas subsistam.
                                          
Se as pinturas (mas também as gravuras) se conservam em igrejas, sacristias, paços episcopais, museus e casas particulares, já as muito mais numerosas gravuras, os chamados registos, de tamanho manual ou de bolso, circularam muito pessoalm
ente e encontramos em casas e dentro de livros de orações algumas dessas Nossas Senhoras que inspiraram ou abençoaram os fiéis que as tinham assim mais próximas das suas almas e necessidades. 

Muitas delas em modestas molduras de cartão afixadas nas paredes iluminaram vidas e dramas, pois sempre foi regra religiosa e de costumes que a imagem é um ícone, uma representação que se pode tornar animada pelo ser ou pelas energias de quem está representado, e assim a devoção diante de tais imagens teve sempre cultores, mais ou menos conscientemente, e que tanto recebiam as energias das formas e sentimentos ou mesmo seres expressados, como também despertavam as suas respostas anímicas, o que podia causar contrição, pacificação, alegria, amor ou mesmo cura.

A morte da Nossa Senhora não será das imagens mais estimulantes nem curativas, mas para quem estava para morrer, quem tinha medo de morrer, quem estava rodeado da morte constantemente, a imagem era útil e assim se compreende, por exemplo, que uma invulgar estampa portuguesa de final do séc XVIII tivesse representado Maria no momento da desencarnação, rodeada dos discípulos, como narra a tradição, e com a particularidade valiosa da pomba do Espírito santo ver-se a pairar e a irradiar luz sobre ela.
                                        
Seria um trabalho valioso apurarem-se (ou c
onjecturarem-se) os motivos de tal escolha pelo artista português, se cumpriu a orientação do comendatário, se seguiu modelos artísticas, ou se antes inovou e sobre que bases, pois quanto à ideia ou fé que subjaz tal aparecimento da pomba podemos pensar que foi levado a tal para replicar o Pentecostes: agora de novo, o Paráclito, estava presente, seja para elevar o momento e Maria, seja para abençoar os presentes, e numa percepção iniciática sabemos como na hora da morte certas energias se desprendem para os mais próximos.
Creio porém que, dentro de uma hermenêutica mais espiritual
, pela qual o que se representa é visto como actualizado pela alma contempladora devota, a bênção do Paráclito, o Consolador, pode dirigir-se e acontecer tanto no passado como para o presente da alma devota que a contempla ou reza, e assim o artista convida-nos a vivermos, a experimentarmos o pathos da santa dormição mariana, no aqui e agora, ou mesmo na futura hora da morte...
O subtil Espírito sa
nto, que se diz unir o Pai e o Filho, o Mundo Divino e Humano, e é Amor dinâmico, simbolizado na ave ou pomba, tal como abençoou Maria e os discípulos, também agora pode fazer descer o seus raios na alma devota e harmonizá-la.

Já na forma materializadora, de descida à matéria,  algo interesseira para o dono da chapa de cobre que dará origem aos exemplares ou cópias que serão vendidos aos fiéis, na legenda da estampa está uma promessa que actualiza o ritual da boa dormição ou adormecimento de Maria (e a sua ascensão), estendendo-o mesmo no tempo, e no caso  pelos míticos quarenta dias:
«O Ex.º e Rev.º Bispo Conde [de Coimbra] concede
40 dias de indulgência a quem rezar a Salve Rainha [Salve, Rainha, mãe de misericórdia,vida, doçura, esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E, depois deste desterro, nos mostrai Jesus, bendito fruto do Vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria] pedindo à Senhora para a hora da morte a sua protecção.»...

Embora o traço do artista anónimo não seja de grande perfeição, e  os discípulos estejam quase todo chorosos, menos um que lê o livro da Gnose, do Conhecimento (e em qual o desenhador pensou?),  o que se representa é apenas a morte e libertação-ascensão da alma e espírito, e nada de Assunção também do corpo, como virá a ser proclamado como dogma, bem mais tarde e com uma riquíssima tradição artística (como observará nas 2 gravuras seguintes),  no 1º de Novembro de 1950 pelo Papa Pio XI, e que se comemora hoje, 15 de Agosto.

Gravura de Schelte Adamsz e Bolswert, segundo pintura de Peter Paul Rubens.
Contemple melhor o Anjo que vai deitando flores perfumadas, do que se dirá mais tarde numa bela lenda que perfumadamente tomaram o lugar do seu corpo na tumba  e abra-se agora e sempre ao luminoso Espírito, e seja um espírito auto-consciente e determinado no caminho da verdade, do bem, do amor e da multipolaridade criativa  que está, no BRICS, em grande luta de parto, de nascimento libertador e harmonizador da Humanidade mais religada à Divindade na fraternidade.

Quando a obter a indulgência, e mesmo que reze ou diga apenas o título, sentindo-o bem,  Salvé Rainha, ou Avé Maria, cheia de Graça, se souber cruzar a vida dentro de uma arte de bem viver para bem morrer, certamente desincarnará e avançara bem no Além, com os guias ou protectores que por afinidade possa merecer. E para tal momento, pode fixar este ícone português do Bom Despacho ou Boa Morte, gravando e assimilando mais na sua alma Maria, bela e harmoniosamente deitada no seu vasto e ondulado leito, qual tapete de Aladino, certamente contemplando o Céu aberto e a Divindade pelo seu olho espiritual, e sem ter que fazer milagre desnecessário de levar o corpo físico para o outro lado, antes ressuscitando em corpo de Glória, e nisto se aponta a verdadeira realidade do que se deve entender pela ressurreição, ascensão e assunção  e que o Papa Leão XIV bem poderia tentar clarificar...

Bons adormecimentos e sonhos, boa morte e viajem! Que o Sagrado e Eterno Feminino, e suas mestras, sorores e mulheres de virtudes, mães, sibilas, daenas e musas nos guiem agora, sempre e na hora da morte, Amen...

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Luís de Magalhães, foi de Antero um discípulo espiritual? Provas poéticas... Escrito a 13 de Agosto 2024.

 De Antero Quental e da sua sensibilidade e demanda, ideias e ideais, lutas e criatividade, quais foram os seus amigos mais influenciados, ou  que melhor prosseguiram a sua demanda, talvez podendo mesmo dizer-se seus discípulos, seja porque ele os iniciara em ideias, sentimentos e emoções, seja porque sentiram o brilho do seu carácter, o valor da sua abnegação e generosidade ou mesmo a dimensão espiritual de Antero e da sua demanda e a tentaram aprofundar, realizar ?

Fotografia do espólio da família e retirada do Campo-Santo, por Luís de Magalhães, Braga, 1971, obra excelente e que tencionamos apresentar em breve.

Não é fácil discernir-se quais foram, além dos amigos mais conhecidos, os que melhor o sentiram como mestre e tomaram, continuaram e aprofundaram seu testamento anímico espiritual, pois alguns pouco ou nada tendo deixado escrito não entram na história. Outros, embora tendo publicado prosa ou poesia marcada ou devedora de Antero, não conseguiram alcançar aquela notoriedade que os faz sair das prateleiras esquecidas de algumas bibliotecas públicas ou privadas, onde, por não serem reconhecidos e trabalhados, jazem numa certa lamentação, para os bibliotecários ou bibliófilos que os sabem intuir ou escutar.  Alguns desses poetas menores ouvi eu, e já dei conta no blogue, mas agora vou antes dirigir-me aos seus amigos, aos que o conheceram e se consideraram amigos, condiscípulos ou mesmo discípulos.
Quem devermos destacar, em especial na poesia como voz ampla e profunda do coração e da mente em busca do conhecimento, da verdade, dos ideais? António de Azevedo Castelo Branco, Jaime Batalha Reis, Jaime de Magalhães Lima, Luís de Magalhães, Joaquim de Araújo, Vasconcelos d'Abreu, Fernando Leal, Manuel d'Arriaga, António Molarinho?
Ou ainda alguns daqueles com quem Antero partilhou mais frequentemente da sua sábia e iluminante palavra, tais como João de Deus, Oliveira Martins, os irmão Sampaio e em especial o Alberto, os irmãos Faria e Maia, Rodrigues de Freitas, Lobo de Moura, Germano Meireles?
Embora seja bem difícil avaliar, cremos que os principais discípulos, e a um nível ético e espiritual, t
erão sido  Jaime de Magalhães Lima,  Luís de Magalhães e Joaquim de Araújo e como neste blogue já escrevi sobre dois deles, nomeadamente sobre o tolstoianismo de Jaime de Magalhães de Lima e o excelente poema com que Joaquim de Araújo homenageou a  partida da terra de Antero, em termos iniciáticos, glosando o famoso dito:"Morrer é ser iniciado, mas para onde?" https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2017/09/na-morte-de-antero-joaquim-de-araujo.html ...
Vamos tentar mostrar co
mo Luís de Magalhães foi dos melhores discípulos tanto poéticos como espirituais de Antero, transcrevendo alguns dos seus sonetos onde é mais evidente a filiação espiritual, e onde ele no fundo aprofunda e talvez até "redima" ou "reze" os impasses, limitações e fraquezas de Antero, e não referirei os seus dois pouco estudados e valorizados mas fabulosos In Memoriam  de Antero, o que ficará para outras vezes. [No dia 18-VIII publiquei o primeiro: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2024/08/a-fabulosa-homenagem-antero-de-quental.html ]


Luís de Magalhães (13-IX-1859 a 14-XII-1935, uns dias depois de Fernando Pessoa, que bastante valorizou Antero e foi um dos seus elos posteriores) publicou em 1924, sob o título Frotas de Sonho, (num in-4º gr. de 177 p. da famosa  tipografia Costa Carregal),  um  conjunto de  cento e trinta e nove sonetos, aglomerados sob sete títulos temáticos: O Facho do Amor, Ara íntima, Natura Mater, Em Face da Esfinge, Tuba Épica, Os Cantos do Prisioneiro (onze, escritos quando esteve preso dois anos pela participação na Monarquia do Norte, e creio que alguns podem ter influenciado a Mensagem de Fernando Pessoa, tal como os da Tuba Épica) e por fim Traduções (sete sonetos, um deles atribuído a Santa Teresa).

Ora  no capítulo intitulado Em face da Esfinge, os trinta e três sonetos (tal como alguns  nos outros capítulos, e já abordamos no blogue o Anjo da Guarda) contêm boas indicações acerca do percurso filosófico, religioso e espiritual de Luís de Magalhães, em ressonância muito evidente por vezes com o de Antero de Quental, e pelo que ele escreveu sobre a morte de Antero, creio que foi provavelmente o discípulo mais próximo, ou o que o sentiu mais como mestre espiritual, ainda que também Jaime de Magalhães Lima e Joaquim de Araújo, e outros, o sentissem. Anote-se que na última intervenção pública de Antero, uns meses antes de partir da Terra,  quando liderou nos primeiros meses de 1890 a Liga Patriótica do Norte, contra o Ultimato do imperialismo britânico, fora Luís de Magalhães  quem o convidara para Presidente da Liga, em nome dos estudantes, intelectuais e trabalhadores, tendo as sessões patrióticas e revolucionárias decorrido no Ateneu Comercial do Porto.

 Luís de Magalhães  foi depois da desencarnação de Antero a alma principal, com o dedicadíssimo Joaquim Araújo, da laboriosa organização do In Memoriam, que teve ainda  a colaboração, frequentemente mesquinha, de Joaquim de Vasconcelos.  Ana Maria Almeida Martins estudou muito bem esta magna obra de preservação da alma de Antero,  elogiando muito Luís de Magalhães e Luís de Araújo e criticando Joaquim de Vasconcelos, no seu incontornável Antero de Quental e a Génese do In Memoriam. Leitura, transcrição, prefácio e notas. Angra do Heroísmo, 2001, onde reuniu 373 cartas, muitas bem valiosas, respeitantes ao  demorado parto de cinco anos, pois só saiu à luz em Junho de 1896, acompanhado de uma comenda da Ordem de Cristo para o seu editor (capitalista) francês Mathieu Lugan.
                                                   
Mas avancemos
então para a espiritualidade poética anteriana de Luís de Magalhães, filho do grande orador José Estêvão, e muito rico no seu percurso político e ministerial monárquico, publicista, memorialista, patriota e poético, bem patente na Frota de Sonhos. Transcreveremos alguns dos sonetos do capítulo Em face da Esfinge, o primeiro  mostrando-nos a base ou raiz,  A Esfinge:

«Onde vamos, levados na torrente
Fatídica e invencível do Destino?
O que somos? O que é este divino
Raio de luz, que brilha em nossa mente?

O que é todo este assombro refulgente,
O infindo Cosmos, de que, em vão, me obstino
A interpretar o verbo sibilino
A procurar a origem transcendente?

Que há para além da cúpula azulada?
Que são o Tempo e o Espaço, a Vida e o Nada?
Se há Deus, porque é que ao nosso olhar se esconde?

- Assim, febris e ansioso, exclamamos
Em frente à Esfinge eterna, que adoramos.
Mas a Esfinge impassível não responde!»
 
Eis-nos num soneto bem ecoante das interrogações anímicas, filosóficas e poéticas de Antero e dos seus. Realçaremos de melhor a tentativa de resposta dada à eterna questão iniciática da gnose, do auto-conhecimento e que a Esfinge lança: - Quem és tu, ou "O que somos? O que é este divino raio de luz, que brilha em nossa mente?"
O "divino raio de luz que brilha na nossa mente", ou alma, ou ser, meditou-o Luís de Magalhães suficientemente para o sentir, ou intuir, ou ver no olho espiritual? E com que forma? Raio, chispa, centelha, partícula? Não sabemos, e são mistérios iniciáticos, mas pelo menos mencionou-o logo de início, redimindo o Antero algo filósofo do Inconsciente ora budista da não alma individual....
O 2º soneto, Lacrimae Rerum ecoa os sonetos de Antero onde perpassam a metempsicose e a aspiração à imortalidade das próprias coisas e animais. O 3º O Ignoto é uma glosa, muito evidente, de alguns sonetos e poemas a Deus de Antero. O 4º O Homem, canta a evolução do animal ao humano, corrente no evolucionismo da época e que Antero acolhera. O 5º Á porta do Mistério, ecoa o Palácio da Ventura. Nos seguintes perpassam as ideias, demandas e sonetos de Antero, e nos títulos transparece tal: a Ilusão, a Verdade; Vanitas Vanitarum, Ad Deum (algo do "Na Mão de Deus"), O Naufrágio, Crêde, Catedral, talvez um dos melhores e bem original, a Fé, a Dor, o Santo Lenho, Homem ou Deus, Ele! (eco do Espectro anteriano), Presépio, A Morte de S. Francisco (muito bom), O Milagre, S. Martinho, O Conselho da Serpente, Sonhemos, Ser e Não-Ser (um dos muito anteriano),  Por Onde, Imanência (um dos melhores, ecoando e respondendo a Antero, mas com limitações), Ciência, Síntese (anteriano), Ao Deus interior (uma resposta a Antero, muito boa), O Guia, Nada (algo na linha do niilismo parcial anteriano), Em frente ao Monstro (bastante anteriano), e o último, quase uma resposta final ou sossegante para Antero, Acto de Fé:

    «Creio em Deus, - Ser ignoto omnipotente,
Criador do Universo, ou sua essência,
Guia-me a Lei de Cristo, que a consciência
Nos ilumina como um facho ardente.
 
Ante o mistério das Origens, sente
Minha pobre razão sua impotência:
Mas, todavia, à incerta luz da Ciência,
Busca a Verdade esquiva, ansiosamente.
 
Creio na oculta flama, em nós acessa,
No Génio, que subjuga a Natureza
E, à luz do ideal, conduz a Humanidade.
 
E, num místico anelo espiritual,
Penso que alguma coisa há de imortal
Nisso que, em nós, aspira à Divindade!»
 
Realcemos a valorização da consciência como luz que nos guia, e a aspiração mística e espiritual à Divindade que sente, como sinal de algo imortal, no fundo do espírito que contudo não nomeia, pois ainda não o conhece mas nele crê. 
Considerando a excelente qualidade de vários dos centro e trinta nove sonetos compilados, vamos apresentar mais um, Imanência:
 
«Abismos do Infinito, Astros dos Céus,
Mares, montanhas, testemunhas vivas
Das origens e Idades primitivas,
Rasgai-me do Mistério os negros véus!

Dizei-me quem é Deus, onde está Deus
Coisas eternas, Formas sempre vivas!
Assim, em angustiadas invectivas,
Se perdem, pelo Espaço, os brados meus.

E diz-me a vossa prodigiosa voz:
«Deus está no Universo em corpo e alma!
Deus é a essência do Ser - e habita em nós!

Deus é o sonho divino em que te embebes
No anseio do saber, que não se acalma!
Homem, Deus vive em ti quando o concebes!»
 
O soneto que aborda a Imanência acaba contudo por corresponder a uma actividade mental e não realização espiritual. Há uma certa dependência da exteriorização espiritual e divina a que as religiões do Deus no Céu geraram, pois clama-se para o exterior quando devia ser aspira-se, medita-se, silencia-se no interior. De qualquer modo, e por vezes mesmo por esse meio do clamor exterior, pode vir a resposta, que é ouvida como exterior mas que revela a imanência e Luís de Magalhães intui (ou pensou) bem: "Deus é a essência do Ser - e habita em nós." 
Quanto ao "Deus está no Universo em corpo e alma", afirmação subtil, poderosa e complexa, esperamos um dia dialogar com Luís de Magalhães e Antero de Quental nos mundos espirituais, com Ela bem mais patente e vivenciada maravilhosamente por nós...
 
As correntes auríferas e das Tágides,  no rio Tejo no dia 13 de Agosto de 2024.

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

33 boas imagens para se discernir quem quer controlar a Humanidade: a Oligarquia neo-liberal transhumanista excepcionalista imperialista ocidental...

       Fazendo anos esta noite-madrugada de 12-13 de Agosto, e assim acabando outro ano de vida terrena e avançando rumo à vida apenas nos mundos subtis e espirituais, e também como foi de madrugada que morri para os mundos espirituais e desci para o plano físico terrestre, quem me diz que nesta ou noutra noite não partirei de novo, justificável quem sabe por algum anterianismo que cultivei, ou por já estar bem desperto e preparado para tal realidade? 

Resolvi então juntar algumas imagens importantes de serem compreendidas, ao longo do ano recolhidas, pois, como se diz e frequentemente com muita razão, uma imagem vale mais que cem palavras,  estas  trinta e três imagens dirão muito a quem as saber ver, sentir, ouvir, cogitar, compreender. Dispensam pois palavras  e serão talvez um presente de anos apreciado por alguns, um testamento anímico de um elo da tradição espiritual portuguesa atento ao que se passa no planeta e na humanidade e tentando abrir não só o olho espiritual do discernimento  seu e dos seus compatriotas, como o fez durante muitos anos em que ensinou meditação, mas também os do discernimento da realidade social, política, ideológica, mediática, virtual que tanto condiciona a maioria das pessoas.... 

Seja uma alma lúcida e crítica, partilhando  criativamente e corajosamente estas imagens, e as causas, lutas e verdades que elas implicam e nos desafiam....



                                                            










                                                      

                                                                   


                                                             

                                                               

                                                              

                                                           

                                                           JUSTITIA   LUX    PAX   AMOR

domingo, 11 de agosto de 2024

Oração manuscrita inscrita em letra florida no Graal de Portugal e para o Bem da Humanidade. 11.VIII.2024.

  
DOMINGO SILENCIOSO, SANTO, SAGRADO
 
Criar nele, contemplar nele, exercitar nele, orar nele, ser nele
a Beleza e Sabedoria Divina, íntima, latente e omnipresente
agora e aqui invocada como Shakti Kundalini e Espírito Santo,       Sat Chit Ananda, Beatitude e Amor, 
das almas devotas sentido, conhecido.
 
Que há a dizer quando o Sol brilha no céu azul
e o ar tépido e silencioso deixa a Paz ser sentida?
 Orar, rezar, meditar, desejar que terminem guerras e genocídio           e que os assassinos parem e se arrependam.
 
Mas quem consegue mudar os interiores das pessoas
já alienadas e separadas da não-violência, fraternidade e Amor?
Grande tarefa para os que já recebem alguma luz
nas suas meditações, trabalhos e vidas
e se tornam pequenos portadores do santo Graal,
do vaso do Bem comum e da Verdade.
 
Possamos nós prosseguir firmes na identidade espiritual 
aspirando à religação Divina, clamando:
- Meu Deus, meu Deus e emanando do cálice do coração
amor e destemor, firmeza e determinação.
 
Domingos sagrados e silenciosos!
Que gratidão!
Até aos antepassados chegue a nossa oração! 
 
Lágrimas nos olhos, mãos no peito,
ardente aspiração no coração,
trabalhando a ligação da Terra ao Céu
aqui e agora chamando à comunhão
no corpo místico de Portugal e da Humanidade
as almas luminosas afins.
 
Que  termine o genocídio e o urbanocídio da Palestina,
tal como a mortandade eslava tão desnecessária.
Pax, Amor, Lux, Concordia, Fides, Gratia, Amor.
 
Unindo o passado, o presente e o futuro,
inspirando as melhores fragrâncias e energias,
e avançarmos criativos e lúcidos no Caminho de Luz
eis o que nos compete, desfrutando da paz silenciosa
e prontos a investigar e invocar,
comunicar e partilhar o que se vai gerando 
e emanando o cálice do coração e do olho espiritual,
em invocação e inspiração espiritual e divina
para o Bem da Humanidade.
 
Paz, Lux, Amor, Ay Amor, Viva o Amor,
Om Sat Chit Ananda, Hari Om,
Shiva Shakti Om.
 
Escrito e partilhado na tarde do Domingo, dia 11 de Agosto de 2024, não longe do rio Tejo.                Pax, Lux, Amor!