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sexta-feira, 18 de abril de 2025

Um poema oração espiritual.

Um poema, e agora adornado pela pintura crística de Hilma Af Klint...

A poesia e oração é como seta ardente
que rasga as nuvens obscurecedoras
e abre-nos ao espaço da luz do Sol.

Vem tu, ó Ser Primordial, 
Absoluto sem nome, ou de mil sons,  
tinge a nossa alma da Tua essência,
para libertar-nos das ilusões do mundo. 
 
Que alma lúcida se plenifica só na vida egoísta,
Que sofrimento, se limitados só a ela, sem Ti?

Não, não nos desculpemos mais.
Que a justiça ou karma caia sobre nós:  
aspiremos, lutemos e saibamos unir-nos mais a Ti,
ou então purifiquemo-nos nas consequências.

Desejos e envolvimentos constantes no mundo,
quem mantém a alma noiva da Divindade?

Cruzo dias e noites, ruas e campos,
tremendo no seio do ar e do sangue,
entre mil opiniões e redes em conflito,
e em poucas escuto os ecos da Verdade.
 
Quem conseguirá harmonizar-se,  
quem conhecerá a Vida libertadora, 
senão as almas perseverantes,
ungidas na fraterna multipolaridade,
 os corações aspirando à bênção Divina?

terça-feira, 11 de março de 2025

Poema de aproximação à morte precoce do meu irmão Carlos, já há uns anos. Muita luz na sua alma.

                               
Já há umas décadas o irmão meu mais velho, o Carlos, teve um inesperado aneurisma quando era diplomata no Brasil e entrou num processo de desincarnação.
Escrevi então alguns textos e dois poemas orações, e nesta releitura de diários em busca de menções do Afonso Cautela (para o seu In-Memoriam), e também do Agostinho da Silva, Sant'Anna Dionísio,  Dalila Pereira da Costa e outras pessoas mais sábias, extraí o mais pequeno deles e transcrevo-o, apropriadamente até pois foi o Carlos que me fez conhecer o Agostinho da Silva. Luz e Amor neles!

    Rápido ofegante, o traço de luz desenhado no céu,
a busca contínua de nos
ultrapassarmos,
as emoções em
alta subida. 
Para quê, para quê?

Correm os rios vagarosos,
as noites enxameadas de contradições.
Uma dor aqui e um prazer acolá: 
para quando esse estado infinito?

Alquimia sonhada aspirada
que vamos realizar
a vela está erguida, o vento será de feição,
o folêgo estará firme, a rota indesviável
a cadência ritmada já se nota,
a luz começa a fazer-se.
Deixamos para trás as terras movediças
ao largo, ao largo.

Enfim essa janela aberta sobre o teu leito
e no fundo do oceano teu barco que singra.
Uma luz brilhante virá,
mil vezes mais forte que o sol,
lua enfim já não desejada.

Então guerreiros de elmos para o que der e vier
lanças pelo interior do corpo ao alto alevantadas. 
Uma breve escrita, uma breve conversa,
beijos na noite trocados, passes e senhas benzidos,
a caminhada de noite é solitária.

Enfim, para quê dormir, comer, falar?
Agora nossa é a noite libertadora. 
O tempo ultrapassado,
rena
scemos de novo
na eterna criação espiritual.
 

sexta-feira, 7 de março de 2025

Um poema ao Mestre, do diário dos meus 27 anos. Ilustrado com uma pintura de Nicholai Roerich


                             O Mestre é um centro luminoso,
                                     a porta que se abre,

                                  a voz amiga que ensina. 

    O Mestre é um vento do qual somos folhas,
  a presença que em nós se intui,
     a certeza da gloriosa renascença.

O Mestre traz a paz e o amor
e a sua visão é infinita,
e a nossa resposta é uníssona.

Mestre, rente ao horizonte
como a gaivota esvoaçante
ou o barco na onda gigante.

Mestre, a antiga catedral incarnada,
o mantrizar de mil agradecimentos,
a frescura do tanque no Verão.

Mestre, és só tu o Sol,
    o fogo, a força, a inspiração
e a religação à
unidade divina.
Aum, Mestre, Om, Om.