As suas obras poéticas de amor profano continuaram a correr manuscritas, enquanto as religiosas, genialmente criativas nos seus exercícios, meditações, vias, com grandes solilóquios, orações, compunções, algo barrocas ou mesmo teatrais mas veementes para a conversão, eram impressas em edições sucessivas, a que se acrescentaram as das suas cartas. Foi confessor de muita gente, e de muitas religiosas, nomeadamente das sorores do Convento da Madre de Deus, em Xabregas, outro viveiro de grande almas, embora em clausura.
De uma das edições já tardia, de 1735, das suas Obras Espirituais lembrei-me de transcrever uma das suas muitas orações, pela particularidade de tratar ou abordar o problema do mal, das forças das trevas, dos demónios, algo que muita gente prefere ignorar, dada dificuldade de o sondar nas suas origens ou mesmo de o discernir no teatro tão mutável e falso do mundo, mas que na realidade muitos de nós já conheceram ao vivo, ou pelo menos em sonhos, pois frequentemente é mais de noite, quando dormimos e estamos menos despertos, menos vigilantes, que podemos ser atacados por tais entidades ou forças, obrigando-nos a arrancar a espada da vontade e o nome de Deus, ou de Jesus Cristo para afastar tais opressores.
Nestes tempos em que as forças demoníacas, que estão nas almas de tantas personagens das elites ocidentais, nomeadamente visíveis na aliança infrahumanista, oligárquica, diabólica da UE, NATO e Ucrânia contra Rússia, ou ainda nos meios degenerados da elite dos USA, Israel e Europa, como o caso Epstein tem trazido à luz do conhecimento público, parecem ter saído de uma caixinha de Pandora e se espalham no ambiente, mais ainda se torna necessário erguermos alguns contrafortes espirituais, psicológicos, voluntariosos contra as forças do mal, da mentira, da violência, da perversão, que a todos tentam, ameaçam e chegam por diferentes meios de osmose e de infiltração, como a comunicação e redes sociais tanto facilitam. E as forças ígneas contra elas são a força da vontade, o destemor e amor e a inquebrantável ligação pelo fio de prata ao Mestre e a Deus.

Revelando bons conhecimentos psicológicos da operatividade do mal, bem como o seu audacioso destemor perante ele, e ainda uma boa realização espiritual e ligação a Jesus Cristo, eis as palavras, com que Frei António das Chagas falava a elas quando as pressentia, sentia ou afrontava, e que nos poderão fortificar:
«Espíritos da trevas, cujos baixos e torpes, para sempre condenados ao cárcere dos abismos, aborrecidos de Deus, fracos e para pouco, dignos de que todos zombem e escarneçam das vossas forças, pois não prestais para nada, nem tendes poder algum mais que o que vos dá quem nas vossas mãos se mete, depois com que as suas mãos se mata. Pois sois todos contra mim, vinde, vinde, vinde todos os que estais no Inferno, não venhais tão pouco, que glória tenho [bela expressão de um destemido combatente] de que venhais mais, e pena que nãos sejais mais.
Trazei todas as vossas armas, todas as tentações e tribulações possíveis, que contra todos baste e sobeja aquela graça com que meu Senhor Jesus Cristo me manda vos açoite a todos com o seu nome santíssimo. [Em nome de Jesus Cristo, exorcizo, afasto....]. Vinde espíritos feiíssimos, não sejais fracos, que nenhum medo me fazeis, antes me rio de vós. Quem vos deitou dos Céus vos deitará de mim, porque está dentro de mim. Quem no inferno vos açoita, em mim vos há-de acoitar, com este nada que sou vos há-de confundir. Pelejai, pelejai comigo, e servireis a Deus, porque lhe dareis glória a ele, e dando-me a mim tantas vitórias, como batalhas, e a vós tanta pena de novo, quanto for a vergonha, e confusão de ficardes vencidos. Chamai ao vosso Lúcifer, e aos seus valentões maiores, que aparelhado estou com o eterno ódio que vos tenho, para me deleitar somente na Cruz de Cristo; e arvorando esta contra vós, em quanto viver, andar sempre sobre os áspides e basilicos [animais subtis infernais, presentes bestiários medievais e na arte românica], e pisar confiadamente em Deus o colo dos Leões e Dragões.»
| Christos, Logos solar, esteja presente em nós, invencíveis, como no P. António das Chagas. Amen! |

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