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O notável filósofo russo, tão precoce quão genial, Vladimir Soloviev (1853-1900), no seu livro A Justificação do Bem. Ensaio de Filosofia Moral, publicado em russo (Оправдание добра) nos últimos anos da sua vida, em 1897 e 1899, embora empreguemos a tradução francesa de T.D.M., publicada na Aubier em 1939, pesquisa, especula e demonstra com profundidade o que é o Bem.

A obra, dividida em três partes, O Bem na Natureza Humana, O Bem vem de Deus, O Bem através da História da Humanidade, tem muitíssimas páginas de grande qualidade, dos quais anotámos algumas, e transcrevemos da 2ª parte, do capítulo O Princípio Absoluto da Divindade um segmento bem concentrado e valioso, pois pode auxiliar-nos a discernir melhor como agir a partir do bem humano consciencial, que se baseia no pudor, na piedade e na reverência, o qual gera o altruísmo e as virtudes, permitindo-nos intuir sentidamente a vontade Divina ou o Bem que vem de Deus, o qual nos alegra, guia e aperfeiçoa:
«O dever moral da religião exige de nós que unamos a nossa vontade à vontade de Deus. Mas a vontade divina abraça tudo; e, ao unir-nos a ela, ao por-nos em harmonia com ela, nós obtemos por isso mesmo uma regra absoluta e universal de acção. A ideia de Deus, que a razão deduz dos dados da experiência religiosa verdadeira, é tão clara e definida que nós podemos todos saber, se somente nós o quisermos, o que Deus exige de nós. Antes de tudo mais, Deus quer de nós que lhe sejamos conformes e semelhantes; nós devemos manifestar a nossa afinidade interna com a Divindade, a nossa capacidade e a nossa determinação de atingir a perfeição livre. Esta ideia pode-se exprimir sob a forma da regra seguinte: Tem Deus em ti.
Aquele que tem Deus em si considera todas as coisas segundo o pensamento de Deus ou «do ponto de vista do absoluto». A segunda regra é portanto: Considera todas as coisas à maneira de Deus.»
Eis um bom desafio quanto ao discernimento da vontade divina, para o qual Soloviev condensou bem os dois mantras anteriores, que podem ser facilmente meditados e aprofundados, ou rezados, como ele nos disse, num texto já transcrito no blogue: «Aquele que não ora, ou seja não se associa pela sua vontade à vontade suprema, ou falta-lhe a fé Nele, não crê no bem ou então pensa ser ele próprio possuidor absoluto do bem, considerando a sua vontade própria como perfeita e toda poderosa. Não acreditar no bem é a morte moral. Crer que se é a origem e a fonte do bem é a demência. Acreditar na fonte divina do bem, dirigir-lhe as orações e abandonar-lhe em tudo a sua vontade, é a suprema sabedoria e o princípio da perfeição moral.» ... Crer-querer é poder...

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