domingo, 15 de fevereiro de 2026

Oração ao Anjo da Guarda e ao arcanjo S. Miguel, setecentista, em geral e para a hora da morte. Arte de bem morrer, e de bem traduzir.

A ligação subtil com o Anjo é pouco trabalhada e pouco intuída pela maioria das pessoas, demasiado oprimidas pela sociedade moderna, com pouco tempo para não estarem superficializadas e materializadas e logo incapazes de se reconhecerem como seres espirituais, capazes de merecer vê-los ou de comunicar com eles.

Dedicarmos no começo de alguns dias a tenção de nesse dia nos concentrarmos mais neles, e relembrar-nos  no meio dos afazeres, ou ainda orarmos mais calmamente ao anjo da guarda, ao nosso mestre, a santas e santos ou a Jesus Cristo, para que orem connosco, ou seja para que o canal de luz deles para o mais Alto e Divino Ser chegue também a nós, são práticas úteis para sobrevivermos à intencionalidade de alienação e opressão que rege a maioria dos governos e sociedades ocidentais.
 A sabedoria dos livros é um tesouro perene. Eis duas breves orações escritas pelo padre da Toscânia, no séc. XVIII, Carlos Solfi, que era dos Clérigo Regulares Ministros de Enfermos, na sua obra Ministro dos Enfermos para ajudar a bem morrer, traduzida em português pelo padre Francisco Gomes de Sequeira, prior na freguesia de Santiago em Castelo de Vide, dada à luz em 1743, em Lisboa, que após o prólogo do autor italiano, escreveu o seu de tradutor, justificando-se com citações de Séneca, S. Agostinho e S. Bernardo para estimular as almas a bem viver e a realizar boas e santas obras, para que chegada a hora da partida as suas palavras e orações tenham eficácia e bênção divina, e a morte possa ser gloriosa, ou seja, diremos, na consciência já do corpo de glória que construímos ou desenvolvemos ao longo da vida, e com visão ou intuição dos seres e planos luminosos que estaremos em sintonia.
 Francisco Gomes de Sequeira confessará  que traduziu o livrinho, um in-8º de mais de 350 páginas, no espaço de um mês, e confessa a sua veia forte de tradutor, pois  «cuidei muito em não verter palavra por palavra, como alguns tem feito; o que não é traduzir, mas destruir; não acrescentei, nem diminui coisa alguma...» explicitando em seguida os acrescentos e modificações, sinalizados.  Uma arte de bem morrer, com um sub-capítulo sobre a arte de bem traduzir. Além das dezenas de orações a Jesus e Maria, e uma à Santíssima Trindade, encontramos duas ao Anjo da Guarda e ao Arcanjo que vence ou afasta as forças negativas.
 
                                    Ao Anjo da Guarda
«Anjo da minha guarda, com todo o afecto do meu coração dou-vos graças, por me haveres sempre guardado e defendido, vilíssimo pecador que sou, de tantos perigos do corpo, e alma, incitando-me sempre ao bem, e afastando-me do mal.
Peço-vos humildemente perdão da minha suma ingratidão, dos maus termos, que convosco usei, das desobediências, que fiz às vossas inspirações. Peço-vos, quanto posso, que não me desampareis nesta  última necessidade. Defendei-me das traições do Demónio, conduzi-me à presença de Deus. 
«Angele Dei, qui Custos est mei, me tibi commissum pietate superna, hodie, & in hora mortis meae illumina, Custodi, rege et guberna.»
«Anjo de Deus, que és o meu Guardião (ou Custódio), pela piedade divina a ti entregue, agora e na hora da morte, ilumina, rege e governa-me». Amen.
 
                                Para o Arcanjo S. Miguel
São Miguel Arcanjo, dou-vos graças pela protecção, que vos dignaste ter de mim. Peço-vos que me assistais com os nove [ou os que possam abençoar] Coros de Anjos nesta extrema [ou última] agonia:
Sancte Michael Archangele defende me in proelio, ut non peream in tremendo judicio 
Ó São Miguel Arcanjo, defende-me nesta luta, para que não pereça no assustador [tremendo] juízo [ou momento] final. 

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