segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Reis Magos: do seu culto, e hermenêutica espiritual duma gravura portuguesa do séc. XVIII. Um contributo no entardecer do dia dos Magos reis de 2025. Com um vídeo.

 A legenda dos  Reis Magos, ou  Magos reais, ou grandes seres que teriam vindo do Oriente, com várias peripécias, presentear e adorar (ou talvez melhor, abençoar, iniciar...)  Jesus, originada no Evangelho de S. Mateus, II, 2-12, recebeu no Cristianismo uma frutificação tão grande que permitiu  fixarem-se em três a partir dos três presentes, saberem-se os seus nomes, considerarem-se os seus corpos e túmulos como depositados na catedral de Colónia, estabelecerem-se as suas armas heráldicas, as suas roupas, as mitras frígias ou as coroas, cultuando-se assim a sua memoria por uma variedade de imagens, festividades e orações, e imaginando-se muito simbolismo no pouco que se escrevera no Evangelho e no que depois se foi acrescentando em comentários hermetizantes ou mesmo alquímicos. Oiçamo-lo:  «Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. 2: “Perguntaram eles: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.. 3A essa notícia, o rei Herodes ficou perturbado e toda Jerusalém com ele., 4. Convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo e indagou deles onde havia de nascer o Cristo.. 5 Disseram-lhe: “Em Belém, na Judeia, porque assim foi escrito pelo profeta: 6‘E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo”.7 (...) 9Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. 10 A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria. 11Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonhos de não tornarem a Herodes, voltaram para sua terra por outro caminho.»

Nesta descrição destaque-se o virem do Oriente, o serem magos, ou seja sacerdotes ou iniciados da tradição persa, seguirem uma estrela que se movia sobre eles, que desaparece, reaparece e estaca (causando grande alegria tal fixação...),  e oferecerem os seus presentes, oiro, incenso e mirra, que tinham certos significados, que poderemos resumir como a riqueza e poder, a devoção e sabedoria, e a resiliência à dor  e imortalidade.

Com tempo, os Magos (magi, plural) tornaram-se os três reis, do Oriente, que podia ir da Síria, ao Irão e à Índia, e chegou-se a atribuir-lhes  nacionalidades e os nomes, tal os de Baltasar, Gaspar e Melchior, não sendo porém fácil imaginar-se a devoção com que tais nomes chegaram a ser pronunciados ou invocados, nem os resultados inspiradores recebidos.

Foi então na arte que eles mais se desenvolveram historicamente,  desde o tempo da catacumbas, com as representações mais antigas do séc. II,  atingindo o seu ponto mais alto esteticamente no Renascimento, embora na Idade Média, época onde se fixaram os principais traços característicos também houvesse bastante devoção a eles, nomeadamente na literatura popular, nos autos e em festas populares...

                               

Os registos ou gravuras dos magos tornados reis santos, prosseguiu pelos séculos XVII e XVIII e assim encontramos belas estampas que eram vendidas nas feiras, festas, lojas e vendedores ambulante, por vezes baseadas numa imagem pintada que se venerava em alguma igreja, o que não é o caso da imagem que apresentamos, que tendo a sua sede de vendas na R. Nova do Almada, 45, Lisboa, era bastante misericordiosa para quem recitasse mesmo que apenas um só Pai Nosso e Avé Maria: 100 dias de indulgências dados pelo Cardeal Patriarca. Teria o Patriarcado direito a algumas estampazinhas, ou apenas procurava estimular a devoção a tais personagens menos cultuada nas devoções de fé curadora, em geral mais viradas ou dirigidas para Jesus e Maria e certos santos e santas, tal S. Rita de Cássia, advogada dos casos impossíveis e com culto ainda forte, por exemplo, na zona de Abrantes?

A gravura, que segundo o inventário de Ernesto Soares é de origem veneziana,  é singular na simbologia escolhida pois os magos reais, designados por "Os Santos Reis", oferecem os seus presentes ao Menino que se encontra no interior da estrela no alto do céus dentro de um estrela de pontas e no meio da nuvens, e que com a mão direita já abençoa quem o venerar por tal estampa, talvez incorporando alguma imagética e fé do culto do Menino imperador do Mundo, das festas do Espírito.  Com que sentimentos e colorações as pessoas conseguiam contemplar tal imagem durante o tempos das suas orações, e intensificarem as suas forças e esperanças, só podemos conjecturar...

Provavelmente o mais original e valioso é representar-se a criança dentro da estrela e com isso sugerir-se que Jesus, o Mestre, o Deus incarnado humanamente para o Ocidente, guia e inspira quem o demanda, mesmo que esteja fora do redil da Igreja e venha do Oriente por sua própria sabedoria, computagem astronómica ou mais veridicamente pela sua abertura e visão do olho espiritual, e que consiga portanto contemplar interiormente a sua luz, estrela e imagem.
A estampa
é realmente bem valiosa de ensinamento espiritual para quem a sabe sentir e contemplar com a alma em aspiração de vida à Divindade, pois os magos santos reis, ricos dos seus poderes e presentes, não estão ao mesmo nível que o Menino terrestre nem se prosternam por terra e o adoram, como comummente se desenham belamente, mas antes de joelhos e de pé se assumem como sacerdotes reais do corpo místico da humanidade, oferecendo as suas orações e energias para os mundos celestiais, onde no meio da estrela ou Sol se encontra visível, sob a forma do Menino divino, o Logos Solar, o Sermo, Palavra ou Verbo  referido ou enaltecido pelos discípulos, ou segundo S. João,  no prólogo do seu Evangelho, escrito em grego, ν ἀρχῇ ἦν ὁ Λόγος, En Arke en ho Logos. Ao Princípio era a Palavra.", e que irá encarnar em Jesus...
Anote-se que o discípulo S. João nada
tem a ver com o Apocalipse e que este não foi escrito por ele, ainda que seja num grego sofrível,  pois espelha praticamente só o Antigo Testamento, escrita na esperança do retorno do Messias, numa forma visionária profética e de escatologia arrepiante.
Os Santos Re
is, e já estava esquecida a original fonte dos Magi ou  sacerdotes-astrólogos-sábios da Pérsia (e investigar tal origem implicaria outro artigo), surgem então como uma imagem de concórdia entre o Oriente e o Ocidente, na esperança duma época de fraterna multipolaridade que se esperava com a vinda dum Salvador tanto na religião dos magos da Pérsia, o Saoshyant,  como no Judaísmo com o Messiah, que significa ungido, e que se traduz em grego por Christos, e que os dirigentes de Israel e o seu povo repudiaram, ficando por conta dos cristãos essa aceitação do enviado divino  e a divulgação da nova mensagem ou Evangelho que deveria ser de amor e sabedoria, mas que sabemos como por diversas circunstâncias chegou aos impasses e contradições actuais.

Após um Natal inexistente humanamente pelo genocídio em curso na antiga Terra Santa, ao menos que saibamos perseverar no culto das qualidades crísticas, ou dos Mestres e Magos, e que podem pelo menos aperfeiçoar-nos e salvar-nos  do Mal, que é tanto a crueldade e o assassinato tão vulgarizados por alguns regimes, como a aceitação passiva e amilhazada deles, como a nova Ordem Mundial infra-humanista do Fórum Económico Mundial procura impor na humanidade, através dos políticos, gestores e jornalistas a ela vendidos.
Esfo
rcemo-nos por preservar na invocação da Divindade e dos mestres, santas (e várias das nossas sorores tenho apresentado no blogue) e santos, e mormente Jesus, Maria e o Espírito Santo e, comungando nas nossas orações e meditações com eles, sermos o fogo do Amor e a Luz da Sabedoria Divina em acção, quais radiantes estrelas  no caminho da Verdade, mesmo que ad astra per aspera, ou no "optimismo escatológico" como vivia e deixou em testamento espiritual a mártir Daria Dugina Platonova.

 Daria Dugina, uma estudiosa da Filosofia Perene, da elevada Tradição espiritual desde a Antiguidade (nomeadamente de Platão, Plotino, Proclus, Juliano, do neoplatonismo), da qual o veio ou corrente dos Mestres ou Magos Reais que vieram abençoar e provavelmente instruir Jesus (como defendeu Bô Yin Râ), é uma manifestação que só por uma hermenêutica profunda e meditativa desvenda alguma Luz da Glória, essa que os cavaleiros Templários, que muito co-cultuaram  os santos Magos da Arte Real, cantavam no seu Non Nobis, Domine, non Nobis, sed Nomini tuo da Gloriam. E que eu entoei (com as minhas limitações) na madrugada de  6 de janeiro de 2025, entre outras orações, como pode ouvir. Anote-se um outro artigo  sobre os Magos santos: https://pedroteixeiradamota.blogspot.com/2016/01/dia-dos-reis-magos-ou-mestres-do.html

                       

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O coração espiritual nos seres, nos novos dias e anos.

O coração, órgão físico e subtil, é um centro muito importante na vida de cada um de nós, e sabermos senti-lo quanto ao que ele sente, como está ou mesmo vê, é uma tarefa valiosa de se trabalhar numa direção ou intencionalidade de auto-conhecimento, aperfeiçoamento,  discernimento ambiental e religação espiritual.

Um ensinamento da demanda é o coração ser como um espelho e nele se poderem reflectir e reagir não só as impressões quotidianas como o que mais desejamos e amamos, ou mesmo aspectos dos mundos espirituais e dos atributos da Divindade.
                                          

Pode-se vê-lo como uma porta ou janela no peito, por ela se obtendo acesso aos mundos subtis e espirituais e aos seus seres, ao mesmo tempo que de tais planos  nos penetram energias e seres nos alcançam, embora em geral de modos subtis, fugazes, longínquos.  
A existência do coração espiritual, em certos casos com uma configuração belíssima de raios, fios e circuitos de energias, ondas e partículas, é de se lembrar pois volta e meia tal visão beatifica as meditações, orações e comunhões dos seres que não se deixam alienar, amilhazar e infrahumanizar pela comunicação social avençada às forças anti-amor, anti-verdade, anti-multipolaridade.
Os seres na demanda dizem que o 3º olho da visão espiritual está muito ligado ao coração e que se não vemos espiritualmente é porque o coração subtil dos nossos desejos e amores, ou aspirações e ideais, não está  bem limpo, purificado, alinhado e como muita poeira, distração, alienação se levanta dos ações e comunicações do dia a dia, a nossa vista fica toldada, o coração semi-cerrado, tal o sol tapado por sucessivas nuvens.
  É pela vida activa e relacional atenta, compassiva, criativa, abnegada, repudiando o mal e  harmonizando-se com a natureza e a verdade, e pelo conhecimento interior, silêncio, devoção e  adoração que vamos melhorando e intensificando o estado, estações e capacidades do coração espiritual.
Há assim tanto pessoas como práticas como paisagens, livros, pinturas e músicas que desanuviam o coração, ou intensificam as suas irradiações luminosas, que no fundo nos alinham e religam mais com ele, e que portanto nos fazem estar mais em fluidez natural na vibração do amor ou unitiva, permitindo que  a nossa consciência receba do universal Campo unificado de energia consciência as informação que lhe são necessárias ou úteis à sua inserção e participação, por vezes em insuspeitadas sincronias, com o desenrolar do plano evolutivo da Humanidade, e com o swadharma, o nosso dever, no meio da Ordem Cósmica e Divina..
De um modo mais simples e imediato, estarmos mais no coração significa sentirmos o coração espiritual no centro do peito irradiante como um sol, ou com a centelha do espírito,  e vermos e sentirmos mais e melhor o que estamos a fazer e como estamos no dia a dia, irradiando o calor do amor e a luz do Logos. E tal pode ser relembrado e actualizado ao juntarmos   mantras ou jaculatórias,  gestos e  exercícios,  desde o despertar e  criativamente ao longo do dia dedilhados. Os sons da guitarra ou harpa do coração podem ser tão subtis quão divinos, ora instrumentais ora vocálicos, e a música exterior que oiçamos deve remeter-nos nas meditações para a audição e a pronúncia com o  coração das sonoridades mantricas harmonizadoras e iluminadoras.
Saibamos viver com optimismo escatológico, como recomendava Daria Duguina, os sucessivos novos dias, estações, anos, com o fogo do amor e da inteligência divina irradiando harmoniosa e corajosamente do nosso coração...

domingo, 29 de dezembro de 2024

Dos livros, marginália e capas belas, e o que podem transmitir, perenemente: Francisco Alves, Alfredo Ansúr e Manuel d'Arriaga.

                                Livros, Capas e Marginália.

Por entre a desilusão grande que sentimos perante os políticos e os meios de informação ocidentais avençados, lobotizados e russofobizados,  os livros, e as suas capas, são um meio de viagem e diálogo para além da mediocridade de tanta instituição, informação e publicação.

As capas do livros, realizadas com tanto engenho e amor, e as antigas com certas limitações, por artistas conhecidos ou desconhecidos, dizem-nos: - Não somos só para ser lidos e relidos, mas também para sermos contemplados. E frequentemente bem investigados, pois preciosidades podemos conter, tais como anotações posteriores à impressão e as dedicatórias, bóias de amor-sabedoria lançadas  para o destinatário e dono do livro, ou para o futuro da Humanidade. Contemplemos e oiçamos:

Deste livro, na 1ª folha branca vai a dedicatória de Francisco Alves, nascido em Proença-Nova, um vibrante pioneiro do são e cristão espiritismo entre nós,  à Câmara Municipal de Braga. É de 1918, mas tão actual face ao genocídio do povo da Palestina: "O Ouvi é uma revolução d'alma, é um acordar das consciências, perante a hecatombe que assola o mundo"..... O mal, o egoísmo, a ignomínia vêm de tudo o "que não é inspirado na obra da Igualdade, Humildade, Caridade, Verdade". Movido pela compaixão e o seu conhecimento psico-espiritual, por vezes ingénuo, Francisco Alves transmite uma mensagem humanitária, doutrinária e despertante. As capas das suas obras foram dadas à luz da olisiponense Imprensa de Manuel Lucas Torres, à rua do Diário de Notícias, 59 a 61.

Esta  obra foi assim dedicada: «Curvando-me perante o supremo altar da sublime Verdade, ofereço à Pátria, à República  e à Humanidade, culto de amor e de trabalho». No interior, uma dedicatória manuscrita valiosa: "Princípio do reinado do Espírito sobre a Matéria. Para o bem humano pede-se leia de vagar e com atenção. Offerece o Autor, 8-5-1921" 
Pela capa, o tão popular romancista Blasco-Ibáñez dir-nos-á do além: - Não te deixes inclinar demasiado, não percas a consciência da tua verticalidade. Alinha-te, recupera a auto-consciência frequentemente, e abre-te ao alto, ao Divino, à sua co-presença. Sê uma torre, uma Casa de Deus justa, sábia.
A mais que popular Guimarães & Cª,Editores, que tanto animou a capital e o meio literário português, parece afirmar: - Sonhar na ventura amorosa a todos cabe na Fortuna da Vida, mas o acordo perfeito é bem difícil e raro. Todavia, poemas e cartas de Amor são imortais, tal como o Amor em si, ou mesmo a amizade divina que reina entre todos os espíritos de bem....
Hino à luz, ao conhecimento, à ciência, e à juventude, para que aspire sempre à luz do conhecimento infinito, e frutifique em amor, justiça, fraternidade e multipolaridade. Em 1912, por Alfredo Ansúr (1849-1927), um genial jurista e escritor,  aberto à espiritualidade universal, nomeadamente oriental que conhecia bem, tendo escrito mesmo um livrinho sobre Confúcio nas edições A. M. Teixeira, dirigida pelo advogado e ocultista João Antunes, onde Fernando Pessoa também colaborou com traduções de Teosofismo. O livrinho, um in-8º de 64 páginas, dado à luz em 1912, no Centro Typ. Colonial (1.200 exemplares, com oito tipo de colorações nas capas, conforme os liceus e universidades a que se destinavam),  contém sobretudo poemas astronómicos e  três longos budistas (e um recorte de uma crítica de um jornal da época), é precedido duma carta de convivialidade e urbanidade de outro pensador e escritor apaixonado pela sabedoria e a justiça, e que foi amigo de Antero de Quental, Manuel d'Arriaga, um espiritualista e utopista que chegou a presidente da República Portuguesa. Bons tempos de qualidade política, face à decadência actual. Não esmoreçamos, não desistamos, porém, pois há uma tradição espiritual portuguesa, há uma philosophia perenis, um corpo místico da Humanidade, que conta connosco...
Extracto do longo e genial poema dedicado ao presidente da República  Manuel d'Arriaga, seu companheiro em Coimbra, e a sua mulher Lucrécia:
«Estrela dupla sois- a Sírio em candidesa.-
(Há lucernas assim no azul da imensidade)
Deslumbram a retina em sua esplendidesa,
Constituem faróis da culta humanidade.»

sábado, 28 de dezembro de 2024

Cinco aforismos no caminho psico-espiritual e divino por entre o labirinto da vida.

Daria Dugina Platonova, mártir da sabedoria perene, livre e da multipolaridade

No labirinto da vida não deixes de acreditar nas ideias e ideais,  de admitir a proximidade espiritual e divina, e de procurá-la, mesmo que te sintas desiludido, cansado, preocupado, disperso e envolto por múltiplas intencionalidades divergentes ou mesmo conflituosas. Ergue-te acima delas, deixa-as por momentos fora do santuário da  alma, e permite às tuas asas respirarem fundo com as correntes luminosas do Universo e da Beleza para assim voares, tocares, avançares na criatividade, na coragem, no amor, eros e ágape, imortal.

Dá com regularidade graças à Divindade, recupera esta capacidade de sintonia interna sempre que for necessária, a partir o fogo do amor do teu coração, e sente gratidão pelas conversas, fortunas, inspirações, sincronias, secretas afinidades e ligações de alma que encontras ou realizas no dia a dia. Harmoniza-te inalando e assimilando o prana energético, psíquico e cósmico, fortifica-te e pede ou envia energias para os (seres e causas) que mais precisam ou merecem.

Invoca, sente, comunga, irradia o Espírito divino. Eis a essência simples do caminho espiritual, que não se encontra em cursos, horóscopos, regressões, rituais e pseudo-iniciações...

Acredita e participa na comunicação invisível das energias e das almas, nas intervenções dos mundos espirituais, dos espíritos santos e dos anjos, que por vezes, despercebidamente, nos ajudam ou agraciam, fazendo aparecer o que nos falta, ou o que deveríamos pensar, ter, fazer, dizer, concluir..

De tempo a tempo cerra os olhos e clama o "Meu Deus, meu Deus", ou como exclamava a nossa mística Soror Violante de Jesus, "Meu Senhor e Meu Deus", ou ainda, "Ó Divindade, vem nascer mais em nós," e concentra-te no teu coração, tenta descer e entrar na sua interioridade, torna as tuas mãos em oração uma taça, um graal de aspiração ao Bem, ao Amor, à Divindade e invoca a Sua bênção ou mesmo a Sua presença, e irradia-a, frutifica-a.

Mesmo que estejas no meio da desinformação, violência, opressão, crueldade ou mal, alienação e russofobia, mantém-te calmo, confiante, firme, observando e fluindo nas ondas, correntes e qualidades benignas ou destrutiva, com discernimento, sabedoria e princípios éticos, pois assim estarás sob a Luz, na comunhão do corpo Místico da Humanidade, na luta pelo Bem, a Verdade, a Justiça, a Multipolaridade, o Amor,  e vencerás...

"E abrir-se-ão as portas [e olhos] aos corações que avançam"....

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Mestre Eckhart interpreta os símbolos de Maria e Marta. Leitura da 1ª parte do sermão, levemente comentada.

Mestre Eckhart (1260-1328) foi um religioso dominicano famoso, que chegou a professor da Sorbonne, de Paris, por duas vezes, e que foi pároco e vigário em conventos da Alemanha,  com forte capacidade de elevação metafísica e mística e que pregou muitas vezes, transmitindo as suas experiências e compreensões do espírito e de Deus, e do caminho espiritual, sempre  a partir de comentários dos Evangelhos. Mesmo assim foi denunciado pelo invejoso arcebispo de Colónia,  quando tinha já grande fama e mais de 60 anos, obrigando-o a defender-se junto ao Papa, então em Avignon. Mas foi considerado herético em algumas das  proposições mais ousadas, ao procurar atingir a unidade divina, o Absoluto, a não Dualidade, o Pai, e não valorizando tanto a mediação de Jesus, ou dos sacerdotes, ou sequer os conceitos de bem e de mal...

Foi já a  27 de março de 1329 que o Papa João XXII, após consultas demoradas, e as respostas defensivas  de Eckhart, que entretanto já morrera, que foram consideradas como heréticas dezassete proposições retiradas das obras de Mestre Eckhart e repudiadas onze outras como “completamente ressoando mal, muito temerárias e suspeitas de heresia”.

Como praticante de longas e profundas meditações Eckhart conseguiu ter boas intuições dos níveis mais elevados do ser e de Deus, do fundo divino que está no fundo da alma humana; e como mestre de teologia e metafisica especulou com coragem e originalidade,  realçando a necessidade de nos despreendermos do criado, e abandonarmos o ego, para podermos ser abençoados pela graça divina. A sua linha de força era a Deificação do homem mas apresentou-a de um modo demasiado forte, tal como  uma das proposições condenadas mostra: «O que quer que seja que a Sagrada Escritura diga de Cristo, tudo isso é também verdade para todo o homem bom e divino.» 

Como Eckhart pregava não só para religiosos e religiosas dos conventos, como também para os grupos do movimento do Livre Espírito, então florescente, tais as beguinas, e ainda os paroquianos comuns, sabia dar conselhos práticos no caminho espiritual, ou seja avisos e percepções dos modos de estarmos mais próximos ou abertos à graça da Divindade

É caso do sermão sobre o passo evangélico da visita de Jesus a Maria e Marta, geralmente consideradas símbolos da vida activa e da contemplativa, e interpretado com originalidade  por mestre Eckhart, considerando que Maria era a mais nova e inexperiente e por isso estava tão ansiosa de sentir a bem-aventurança, o gozo espiritual de estar com o mestre, ou próximo de alguém unido a Deus, não querendo envolver-se em actos exteriores, enquanto Marta era mais velha e sabia agir mantendo a ligação com a Divindade.

Este sermão, Jesus intravit in quoddam castellum et mulier quaedam, Martha nomine, excepit illum in domum suam, comentando o passo do evangelho de S. Lucas X, 38, foi traduzido por Maurice Gandilac e publicado na excelente revista Commerce, no caderno 3, do 1º semestre de 1964, em Paris. No dia de 25 Dezembro, de manhã cedo, resolvemos com um cartão forte abrir as folhas, e ler pela 1ª vez o sermão,  e gravar a tradução em simultâneo. Eis a 1ª parte, com alguns breves comentários. Contamos apresentar a 2ª parte brevemente e é natural que acrescente noutro artigo mais ensinamentos valioso de Eckhart .... Lux Dei!

                        

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Soror Violante de Jesus. Comemoração do seu nascimento a 19-XII-1636, em Almada. Contributo.

                              

 Face às almas de grande sensibilidade e qualidade que partem precocemente da Terra, sem ser por acidente mas por doenças congénitas, é natural interrogar-nos se elas já estariam a certos níveis da sua psique cientes de tal, e que portanto a vida delas sofreu tanto uma predestinação fatal como uma intensificação da aspiração de realização do que mais amavam, ou deveriam fazer, levando-as frequentemente a  realizar muito em poucos anos. Um caso destes foi o de Violante Henrique, uma jovem nascida em Almada em 1636 e que aos vinte anos teve de deixar a Terra, na idade em que florescia tão prometedoramente.

 Foi o seu tio, Francisco de Miranda Henriques (filho de Francisco Miranda Henriques, senhor de Ferreiros e Tendais, e de Violante Henriques, lisboeta),  notável religioso em Évora, Santarém e Lisboa, e que chegou a Desembargador do Paço e Chanceler-mor do Reino, que em 1658 escreveu a biografia de certo modo imortalizadora da sua sobrinha e afilhada, vivendo ainda mais vinte anos até entrar no além, onde ela já estava, a 16 de Outubro de 1678, deixando-nos, embora apenas em manuscrito, um sábio e instrutivo memorial duma jovem mística almadense e da religiosidade da época, já que era ele próprio também um místico e bom conhecedor dos caminhos espirituais.

Diz-nos então que «nasceu a nossa Madre Soror Violante de Jesus Maria em Almada em os 19 dias de Dezembro às duas horas da tarde de 1636»,  filha de Henrique Henriques Miranda e de Maria Espinosa de Montecer, uma família da Andaluzia e que foi baptizada a 30 de Novembro na igreja matriz de Santiago.  Foi desde nova muito sensível e dada às boas acções, movida pela compaixão. roupas. Veio a residir mais tarde para Lisboa, na corte, sendo dama da Rainha,. A sua devoção religiosa aumentou  aos 19 anos  quando  retirada por algum tempo para a quinta de Bilrete, junto a Salvaterra de Magos e ao convento de Jenicó (fundado em 1541 pelo "esclarecido" Infante D. Luís),  e tendo conversas com o virtuoso  capucho Frei Arcanjo da Assunção, recebeu a notícia da morte  duma prima querida de quinze anos. Lendo então o livro de Juan Eusebio  Nieremberg (1595-1658) «sobre a afeição e o amor que devemos ter  à Virgem  Nossa Senhora e o com  que ela nos ama, passou por uma mudança de vida, dando muito menos horas ao descanso e regalo da cama», dedicando-se mais  à oração e desligando-se de notícias e coisas inúteis bem como de vaidades, e "valorizando mais a substância divina da vida". A obra do jesuíta Padre Ignácio Martins foi-lhe também inspiradora. Passou a  ensinar pessoas da casa e do campo as orações e a doutrina, rezando diariamente com os joelhos na terra e o coração no céu.

Regressada a Lisboa em Maio de 1656, desenvolveu o seu conhecimento e recitação das horas de Nossa Senhora, salmos e antífonas e «bem mostrava pronunciar a língua o que gozava o coração. Exercitando-o logo de manhã cedo diante de uma imagem de N. Senhora no oratório». O outro livro espiritual, dado pelo tio, do mesmo Juan Eusebio sobre a devoção e o amor de Jesus ainda mais a tocou, mas o que a decidiu a abandonar a família e o mundo e se entregar a Jesus e a Deus foi o Livro da Vida, de S.Teresa de Jesus, ou de Ávila, que o tio lhe emprestou. Sabendo pelo confessor da igreja Madre Deus, através do frade Arcanjo da Assunção do mosteiro de Jenicó, que havia uma vaga, resolveu dirigir-se por carta à Abadessa do convento da Madre Deus, Dona Ursula de Jesus, chegando a acordo quanto ao modo de entrar, ficando mesmo combinado que a profissão como noviça contaria com a presença da Rainha Dona Luísa de Gusmão, professando também Maria António do Sacramento, igualmente "donzela de Sua Majestade", o que se realizou com grande alegria de todos a 26 de Julho de 1656. Todavia, por doença,  soror Violante acabará por evolar-se da Terra mais cedo do que se previa.
                                  
Da biografia do s
ábio tio, bom conhecedor da via mística, e que recusou ser bispo de Viseu por não  se considerar merecedor, eis alguns extractos do manuscrito, hoje preservado inédito na Biblioteca Nacional de Portugal, nomeadamente o início dum capítulo: «Do entranhável amor e caridade com que soror Violante amava a Deus e da pureza da sua consciência e escrúpulos que padeceu. Mostra-se como ela foi sempre muito cuidadosa com a pureza da sua alma, e religiosa na observância da regra, sentindo qualquer pequeno defeito com grande mágoa e escrúpulo, de tal modo que o seu confessor disse que "esta noviça ou há-de ser santa ou morrer em breve, pois quer começar onde as outras acabam"», sinal da intuição da brevidade de sua vida...

«Tinha grande devoção  à imagem  formosa de Nossa Senhora [famosa e miraculosa, a Nossa Senhora da Madre Deus] que estava no antecoro e com qual tinha mui amorosos e espirituais colóquios. Uma vez que a viu menos afável do que o costume não descansou até ter a certeza em que falhava»,  uma prática que não estava a realizar bem. Anote-se esta capacidade de conseguir intuir ou mesmo ver mensagens comunicativas das estátuas ou imagens e de quem nelas está representado, o que encontramos em algumas religiões, sendo por isso mesmo denominadas "estátuas animadas", com demandas de explicação ou de crítica valiosas por parte de comentadores e historiadores...

Uma das estátuas animadas da Madre Deus, talvez a mais....

Uma sua grande virtude foi a resignação à vontade divina e mesmo em relação à sua doença e morte, pois contrariando o choro das companheiras, dizia: «que se Deus era servido, se fizesse a sua santa vontade», concluindo o seu biógrafo e moralizador que «o seu amor por Deus era tão grande que não havia meio de claudicar por pequenas falhas, dúvidas e escrúpulos, recorrendo à confissão e à prelada, e chegando assim à hora da morte com uma tal pureza de consciência que se viu o descanso e à vontade que a aceitava».

 Quando entrara no tão importante convento das Franciscanas Descalças da Madre Deus (pois nele viveram grandes "santas" e místicas, e à época havia umas quarenta monjas), fundado em 1509 por D. Leonor, viúva de D. João II,  a jovem Violante, interrogada pela Abadessa, respondeu que não praticava ainda  oração mental, pois não tinha o espírito necessário nem o tempo, já que estivera quase sempre acompanhada pela mãe e rezava apenas o rosário e o ofício de N. Senhora, mas «ainda assim fazia-lhe Deus mercê a ela de que não se esquecia dele, em cujo agradecimento lhe dava algumas palavras amorosas e amantes queixas, falando-lhe interiormente entre as ocupações que lhe negavam a liberdade». 

Tal capacidade de diálogo amoroso e a graça de receber locuções interiores divinas espantou as suas companheiras e então «cresceram as diligências e exames da parte das religiosas e entenderam que tinha aquela noviça e lograva uma quase contínua presença de Deus que outras em muito anos não podem alcançar, e ela ainda, sem conhecer a nada  deste favor, a possuía. E mostrava sobretudo uns fervorosos desejos de chegar a uma perfeita resignação da sua vontade na de Deus, como bem se viu».

Dos aspectos do seu modo de viver, realcemos quando chegava «a meia noite, tempo em que se tange as matinas, estava soror Violante de Jesus sempre tão desperta como se sempre velasse, e assim era a primeira que se levantava e com muita alegria representava  ser aquela hora a em que rompendo Deus pelo atributos da sua Divindade quis nascer em o mundo para nos dar vida em glória (...) desejando tomar o Santo Conselho do evangelho de querer vigiar com a Lâmpada acessa para que vindo o esposo entrasse com ele às bodas celestiais, com isto se afervorava e com se lhe representar que os Anjos a esperavam no coro e lançavam a bênção aquela que primeiro entrava, e por essa razão se apressava ela sempre para a ganhar.»

«Durante as matinas e o quarto de oração que  desde a uma hora até às três, se conhecia em soror Violante uma tão entranhável consolação que bem mostrava a graça da presença de Deus que ali lhe assistia. Era deligentíssima no serviço do coro e cerimónias dele, como quem conhecia que só ali se igualava aos Anjos, e assim parecia que havia exercitado muitos anos, acendia as luzes, rezava e cantava com tanta particularidade e cuidado como se algum defeito em alguma  coisas destas  lhe houvesse redundar a ela em grande culpa». Tinha grandes considerações ou intuições, no ofício divino, meditando nas analogias da pluridimensionalidade dos mundos...

Nesta mesma linha «imaginava-se sempre com o seu Anjo da Guarda ao seu lado direito e ao esquerdo o da religiosa que lhe ficava mais vizinha. E se entendia que alguma estivera com mais fervor no Coro, costumava dizer: "Que alegre estaria o Anjo da Guarda de Fulana"; e quando se conhecia com menos devoção acrescentava: "E que triste estará o meu Anjo". 

Um Anjo  ao lado da rainha Dona Catarina, uma erasmiana e importante protectora do convento. Coro da Igreja.
Quando chegava a hora do  «sinal para se recolher era-lhe por vezes tão penoso deixar aquela santa ocupação, que lhe pagava Deus com outras Consolações, ainda dormindo dando-lhe, entre sonhos, grandes motivos de admiração e gosto. Que como o seu cuidado de dia não  era mais que uma santa meditação, não era muito que de noite, e dormindo, lhe representasse estas espécies, e quisesse Deus ir animando esta sua serva, para ainda naquelas horas em que o sono tira o merecimento, tivesse ela novos motivos para se consolar». Eis uma interessante hermenêutica da actividade onírica superior, frequente nas almas mais plenamente no caminho espiritual, algo  transversal nos povos e religiões, denominando-se até incubatio o ir-se dormir-se em   templos ou locais sacros da antiguidade para se receberem intuições, tal como encontramos registado em lápides do santuário de Endovélico, hoje sitas no Museu Nacional de Arqueologia.

Apontava-lhe sua mestra certos actos devotos, orações e jaculatórias, repartidos pelas horas do dia para assim estar mais «na presença de Deus. E bem se via pois com muita alegria se levantava de madrugada, com tanta ânsia, e cuidado, de tornar à oração, que quase sempre que a saúde lhe deu lugar era a primeira que entrava no coro».

Entrara no noviciado a 29 de Julho e adoecera a 21 de Outubro. O seu amor e dedicação à oração eram muito grandes e seguiria o seu patriarca S. Francisco de Assis que dissera que ninguém sem orar podia esperar bom fruto no serviço de Deus. Considerava que «se no mundo a conversação dos poderosos tem poder para dar bondade, com bem maior razão tiraria melhores frutos da conversação com Deus.» Mas tanto a mestra como o confessor refreavam a sua vontade de passar muito tempo em oração ou querer elevar-se ao Altíssimo, recomendando mais humildade, auto-conhecimento e meditação na Paixão, o que ela aceitava embora afirmasse que  «ao pôr-se diante de Deus era ele que obrava o que queria e não o que ela intentava. Pois em se pondo na oração com tais altos de amor entregava o coração a Deus que não ficava depois senhora de si, em para fazer o que lhe aconselhavam, nem sabia declarar o que sentia». E assim lhe deram sua mestre, e o confessor, licença para seguir o impulso do seu espírito, pois era regulado por tão superior doutrina.

A propósito do grau de oração de Soror Violante, diz-nos o seu tio e biógrafo: «Dois modos se conhecem no exercício de oração mental, um extraordinário e outro comum. O primeiro é tão pouco declarável com palavras que nem os que o logram o sabem dizer. Pelo que com muita experiência diz Santo Antão Abade, que não é perfeita a oração quando o que a tem se lembra de si, ou entende o que ora, pois tão embebida fica sua alma em Deus, que por graça muito particular da mão divina se pode estimar este favor, sem despeito a nenhum merecimento próprio [Algo discutível, diremos....]. Em este grau lograva Soror Violante os favores de Deus, e suposto, que por obedecer a sua Mestra tratava de seguir os seus saudáveis conselhos, era tal a força de suas santas meditações, que posta em oração desatava logo aquele espírito e voando ao céu ficava tão entregue à sua contemplação, que não lhe deixava memória nem de si, nem daqueles a quem tanto desejava obedecer, e seguir. [Algo discutível, pois ficam sempre memórias, impressões e efeitos...]

A propósito da doença e sofrimento, escreveu o tio e padrinho: «Não são as enfermidades do corpo que descobrem os castigos da vontade divina, pois bem ao contrário o conheceu S. Paulo quando disse que em as doenças se aperfeiçoava a virtude e por isso se gloriava com as que padecia, e como Deus nosso Senhor quisesse em breves dias purificar a alma desta serva sua, não sequer  faltou com as doenças para que a paciência e a conformidade do seu espírito com elas lhe grangeasse em breve maiores merecimentos. E assim, subitamente, quando participava no coro, uma tosse forte fê-la sair a correr do canto e oração e explodir em sangue para o chão, tombando desmaiada, para grande admiração e mágoa das irmãs. A fatídica tuberculose foi galopante e em poucos meses de grande sofrimento e de elevados estados místicos de amor, estava pronta para partir para o além, o Céu, o corpo Místico da Igreja, a 6 de Julho de 1656, gerando ainda algumas ocorrências extraordinárias, as quais deixaremos para a continuação, ou acrescentos, a este artigo, que sai assim a 19 de Dezembro como um ramalhete de flores para a comemorar no seu dia de nascimento e para que, onde quer que ela esteja, nomeadamente nos nossos corações e cálices do santo Graal, a correnteza do Amor-Sabedoria Divina e Espírito Santo nos abra, inspire, expanda e una...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Um portal silencioso de contemplação espiritual e adoração divina. Coração e Sol espiritual do Amor.. Quatro imagens.

                                                 

Janelas para o Infinito Divino,

Aurora luminosa nas almas, 

O Amor Divino renasce sempre

Purifica-te no silêncio e de olhos fechados,

Sente abrir-se o teu coração ao Sol Espiritual.

Sê no mistério da comunhão da unidade do Amor.