segunda-feira, 18 de março de 2019

"O Livro do Deus Vivo", de Bô Yin Râ. Cap. III: A Experiência Supra-Sensorial.

                                     
                                               EXPERIÊNCIA SUPRASENSORIAL. 
«Qualquer pessoa pode fazer experiências supra-sensoriais, em determinadas ocasiões, quando se encontrem reunidas certas condições de sensibilidade supra-sensorial e não existam obstáculos fortes no mundo físico.
As mais propensas a isto são as de natureza mais simples e - os artistas, desde que possuam talentos originais, - criadores autênticos, - verdadeiramente "dotados de coração".
A "recepção-concepção" interior de uma ideia criativa, - de uma representação genuinamente artística, - é em si mesma uma forma de "experiência suprasensorial".-
No entanto, existe uma diferença abismal entre as várias formas de "inspiração" artística, ou as esporádicas experiências supra-sensoriais superiores, que qualquer pessoa pode vivenciar e que naturezas especialmente dotadas podem conhecer com mais intensidade, e o tipo de experiência supra-sensorial que é praticada apenas por alguns, para os quais o património do Homem-Espírito é na verdade muito mais do que um mero objecto de satisfação da vontade de saber, - que sabem, pelo contrário, ter-lhes sido confiado apenas a fim de que das altas montanhas possam dar os sinais do caminho aos seus irmãos "mais novos".
Não falo aqui, por exemplo, daqueles que o mundo entende por "místicos"!
A "Mística" e a "Arte Real" dos guardiões, somente no Reino do Espírito substancial confiada como tal aos “iniciados”, são coisas muito distintas!
O místico experiencia semelhantemente com o artista....
Tanto a um como a outro a "inspiração" chega-lhes de uma esfera desconhecida, na qual nunca poderão entrar conscientes de si mesmos e com os sentidos despertos.
“Ela” apodera-se dele, domina-o, e ele torna-se o porta-voz desta força desconhecida, ou vive apenas o seu efeito num "ver sem palavras".

Para o iniciado no Reino do Espírito substancial, para o guardião iniciado na Arte Real, o Filho e o Irmão dos "Irradiantes" da "Arqui-Luz ", - as coisas passam-se de modo muito diferente!
Ele vive, consciente de si mesmo, sempre contínuamente nos três mundos, que se encontram unidos no mundo da realidade, como mundo da matéria física, mundo das forças anímicas supra-materiais mas substanciais, e mundo do Espírito substancial e puro.
Ele não está e nunca estará em êxtase, nem em qualquer realização de pretenso "transe", e está longe de todas as práticas misteriosas, já que dessa forma jamais poderia pertencer ao círculo dos seus Irmãos espirituais e Pais augustos.
Enquanto concentra a sua experiência na região supra-sensorial, permanece consciente do seu ser nos três mundos, e é assim, portanto, que a sua consciência do mundo sensorial exterior, claramente presente aos olhares de todos os Homens, não se encontra, em momento algum, nem sequer um pouco diminuída.
O seu conhecimento das coisas "exteriores" é – ao contrário - expandido e elevado à grande clareza, que enche o seu olhar no suprasensorial...
Enquanto "fala" no plano supra-sensorial com os seus irmãos espirituais, - e eles mantêm "conversas" consigo, - é igualmente capaz de ver e sentir o mais ínfimo incidente ocorrido no mundo material circundante não menos nitidamente do que aquilo que só se pode distinguir com os sentidos espirituais.
Não entra em nenhuma "limitação", mas antes numa expansão quase infinita da consciência...

Muito do que é “falado” no mundo essencial do Espírito, que por sua vez engloba em si inúmeros "mundos", nunca poderá ser descrito com palavras de uma língua humana, - mas mesmo assim é uma "linguagem" clara, em ritmo e forma, cheia de sentido e verdade, pelo que seria perfeitamente possível encontrar para ela palavras apropriadas de línguas humanas, não se conseguindo todavia: - transmitir simultaneamente com essas palavras a visão espiritual, que no Espírito substancial permite conhecer tudo directamente de todos os lados.-
O que se pode "traduzir" para uma linguagem humana, é determinado pela individualidade particular do irmão actuante, bem como pela época em que age e o ambiente cultural que o rodeia na Terra.
Tudo porem que ele transmie corresponde em todas as circunstâncias à mais límpida das verdades,- é a comunicação inalterável da Realidade absoluta, tal como se apresenta sempre aos olhos de todos os "Iniciados na Arte Real", livre de todas as possibilidades de ilusão e das variadas fontes de erro típicas nas investigações no mundo físico material.-
Para "especulações" e subtilezas filosóficas do pensamento humano, atado terrenamente, não há nenhum lugar nos mundos do Mundo substancial do Espírito.
Não se trata aqui, - como nas tentativas de conhecimento terrenos condicionadas pela mente, - de "deduzir" uma "verdade" de outra!
Todos os lados da Verdade oferecem-se no plano substancial puro do Espírito  como realidades diante de quem as contempla!---
As "contradições" puramente aparentes que, por incapacidade de verificação, sempre se tentou encontrar nas afirmações dos verdadeiros "iniciados" de todos os tempos, explicam-se simplesmente pela maneira como se exerce a contemplação suprasensorial, que permite conhecer todas as coisas de todos lados simultaneamente, pelo que o anunciador é obrigado a mostrar só ora um ora outro desses aspectos, se quiser ser minimamente entendido pelos seus semelhantes que não contemplam da mesma forma, - tanto mais que trata-se frequentemente de coisas em relação às quais qualquer comparação é como um “coxear das duas pernas”, já que nada de terreno tem a semelhança correspondente com a constituição substancial-espiritual a demonstrar.-

A cor local do estilo no qual um Irmão dos "Irradiantes da Luz Primordial" dá os seus testemunhos, depende pelo contrário sempre do seu julgamento pessoal, sendo determinada pela sua devoção face aos seus antigos mestres, pela sua própria inclinação, ou por causa da sua forma de configuração.
Se bem que o coração da Ásia albergue ainda hoje, tal como há milénios, o lugar terreno do Templo das forças substanciais do Espírito, nenhum dos irmãos, que considera esse centro espiritual do nosso planeta como a sua verdadeira pátria terrena, é obrigado a usar nos seus ensinamentos os conceitos religiosos e filosóficos do Oriente.
Mas se um membro desse círculo, como homem do Ocidente,  usar o falar dos povos orientais, tal brota  da sua escolha livre, - da predileção pela poesia oriental, - do Amor por certas metáforas que transmitem melhor ideias espirituais do que as formas ocidentais de discurso, - e finalmente até: para manter o colorido original das experiências inesquecíveis que viveu...
Até o mais evoluído dos Irmãos actuantes é um homem que se alegra do coração pela sua humanidade, - nomeadamente não livre de inclinações humanas,- nem um asceta morto para o terreno, - - mesmo quando tantos fanáticos da negação de toda a natureza terrena não o conseguem de modo algum entender, uma vez que não se conseguem libertar do sortilégio que os prende às crenças e doutrinas recebidas do sub-mundo...
Qual é a pessoa bondosa e sensível que não se sentirá inclinada a falar livremente das coisas que lhe são queridas usando as formas pelas quais os iniciadores benevolentes em tempos lhe falaram delas pela primeira vez!?
As mesmas coisas poderiam facilmente ser expostas sob um modo retórico local completamente diferente, sem perderem de modo algum a veracidade.
Perigosa é apenas a "transmissão" feita por não-chamados a tal.
É muito mais difícil do que se pode imaginar, por exemplo, passar uma frase em roupagem cristã de um verdadeiro "Iniciado" e pô-la sob um turbante hindu, ou igualmente moldar numa forma de pensamento europeu o  pensamento chinês!
Muitas vezes porém é necessário reunir conceitos retirados dos cosmovisões dos povos mais diversos, para que uma verdade espiritual, distante do pensamento ocidental, possa ser compreendida pelos ocidentais.-
Que ninguém que procura se deixe iludir de modo a crer que, através desta livre utilização de diferentes meios de representação, fosse intenção do anunciador propagar as doutrinas religiosas ou filosóficas, de cujo tesouro de conceitos retirou o que se demonstrou ser útil ao avanço do conhecimento da Realidade eterna!

É conhecido nas comunidades humanas, que propõem aos seus membros objectivos distantes da vida temporal, haver o costume, no seio do seu cenáculo, de se renunciar ao nome temporal dos seus associados e  conferir-lhes  outros "novos" nomes.
Donde proveio originalmente este costume e que ele chega aos tempos primitivos deve ficar evidente através do seguinte.
Não é sem fundamento que se recordam aqui aquelas palavras do Génesis:
"E o teu nome não deve ser mais Abrão, mas deves chamar-te Abraão."
E da mesma forma:
"Não te deves chamar mais Jacob, mas Israel deve ser o teu nome." 

"O Nome" de um ser espiritual individual é algo completamente distinto do derivado de circunstâncias externas que o costume do povo e a língua local atribui a um homem da terra.
Além disso o ser humano terreno é uma individualidade espiritual, mas, com muito poucas excepções, presentes em todas as épocas, desconhece ainda o "seu Nome".
Só quando se tornar consciente da sua espiritualidade substancial é que ele saberá também o “seu Nome”.
Assim também o "Nome" de um verdadeiro "iniciado" no Espírito, o qual antigamente era muitas frequentemente mantido em segredo absoluto, por se recear que fosse "profanado" se chegasse a todas as bocas, não é em verdade, uma designação arbitrária, tal como já o é o chamado nome "civil", o qual se deve a um domicílio ancestral, a uma profissão ou a uma característica de antepassados longínquos e por fim ainda ao arbítrio dos seus pais!-
É atribuído  ao Filho e Irmão "admitido", pelos "mais Velhos" dos Irmãos, e denomina nas letras da língua  empregue pelos Irmãos na Terra, essas forças que no Ser espiritual do Irmão vêm para impactar...
A sua força decisiva assenta porém em determinadas "letras", de forma que o Actuante também poderia ser chamado por outras palavras, desde que as mesmas contivessem as "Letras" que compõem o seu "Número cósmico", - o seu "Nome" substancialmente espiritual, que existe desde os primórdios na eternidade do espírito...
  Está assim sempre  preservado num véu em si já santificado o "Nome" de eterno valor espiritual , de tal modo que ninguém pode "pronunciar", - mesmo conhecendo as "letras" portadoras, - a não ser o que é em si esse "Nome"...-
No seu "Nome" o irmão é uma "Palavra" na Palavra primordial: - como a auto-pronunciada Palavra Primordial num forma individual, consciente de si próprio, substancial, espiritual... 
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O emprego de "métodos científicos de investigação" com o objectivo da pesquisa espiritual é tão desconhecido da comunidade dos "Irmãos na Terra" como de seus "Pais" espirituais que nunca "caíram" da Luz primordial.
A sabedoria do verdadeiro iniciado não consiste numa acumulação e multiplicação contínua, do que ele "sabe" em termos intelectuais, mas na posse de certas forças sagradas pelas quais ele sempre pode reconhecer realmente o objecto do seu conhecimento, - em si mesmo - 
O seu conhecimento acumulado, obtido de modo terreno, é-lhe inteiramente negligenciável e só em escassos casos é conciliável com a sabedoria espiritual.
Quantos mais conhecimento desse tipo possuía, mais difícil se lhe tornava, quando era "discípulo", ultrapassar as dificuldades causais, que devem anteceder cada  “iniciação” justa...
Não se devem pedir "razões", quando se quer continuar neste "treino formativo", que abre finalmente ao que se tornou digno a porta que nenhuma erudição terrena jamais poderia abrir.
O verdadeiro "iniciado" também nunca anuncia um "sistema" de sabedoria ou de crença.
A realidade das coisas no Mundo espiritual apresenta-se-lhe completamente visível ao seu olhar e, ao ensinar, ele fala apenas e sempre dessa realidade, que nenhum sistema de pensamento ou religioso poderia conter em si.
Tais "sistemas" são, na medida em que atingem as coisas do reino espiritual, sempre apenas criações secundárias de outros cérebros, que se apoderaram dos ensinamentos de um dos que chegaram ao conhecimento através da contemplação e da auto-transformação.
  Os pretensos "investigadores de mundos superiores" que com " formulações científicas", provam os "resultados das suas investigações", não devem ser considerados de modo algum como "iniciados" no Espírito
Todos esses "investigadores" no "oculto" não são mais do que escravos enganados da sua fantasia plástica, - uma das forças mais funestas e perigosas do Homem que, sempre que é violentamente incitada à acção, deixa ver representado à sua pobre vítima, tudo o que esta antes lhe apresentara em pensamentos, desejos e receios, - com frequência inconscientemente, - como modelo.
Deste modo nasceram todas as monstruosas "viagens nos planos superiores" e representações de "mundos superiores", que proporcionaram a fama a "investigadores do espírito" e a "instrutores do oculto", entre os seus seguidores, de serem "videntes" cheios de segredos, os quais se devem ainda investigar nos seus pormenores, nomeadamente sobre o que se prova ser um condimento e acrescenta, o que na maioria dos casos se deixa reconhecer com facilidade. 
 
Uma vez que estas construções da "fantasia plástica" são facilmente transmissíveis por contágio psíquico, crêem os seguidores e alunos de tais "profetas" e fundadores de seitas, que eles próprios se asseguraram espiritualmente da veracidade das revelações dos seus "grandes mestres", assim que um deles consegue, através das suas misteriosas "disciplinas ocultas", transferir as suas próprias elucubrações para a consciência dos seus discípulos, - não de modo diferente como cada hipnotizador talentoso pode deixar a pessoa objecto de experimentação ver e viver tudo, o que ele deseja manifestar-se. 
Um resgate posterior dos assim ludibriados é quase impossível.
Inúmeráveis são os que deste modo de boa fé se enganam a si próprios, inumeráveis os que irremediavelmente foram enganados! 
Se eu falo clara e nitidamente de todas estas coisas, onde a narrativa é sobre as experiências suprasensoriais possíveis, tal acontece para providenciar a todo o ser que procura com sinceridade os critérios de um juízo seguro.
Falo de coisas que não precisam de qualquer véu, e devo ao mesmo tempo falar das que devem ser desveladas no interesse das almas que procuram a Verdade enquanto Realidade.
Possam as minhas palavras não serem ditas em vão!
Possam as pessoas aprender a compreender, que nunca um dos Homens que vivem plenamente conscientes no Espírito substancial e puro, poderá profanar, através de tentativas de comprovação “científica”, a Sabedoria da Luz que ele apresenta ao seu próximo.-
O que ensina o "iniciado" no Espírito  a destina-se  ser validado por actos e abnegação!
O que ele tem para dar como mensagem aos seus irmãos "mais novos", às almas das gerações que com ele ou depois dele viverão na Terra - sejam elas de homens ou de mulheres, - não deverá ser decomposto pelo pensamento mas revivido animicamente, a fim de que os inumeráveis buscadores encontrem o seu caminho para o Espírito - o seu caminho para a Realidade!»
    Versão da responsabilidade de Pedro Teixeira da Mota, e ainda passível de algumas melhorias. Pinturas de Bô Yin Râ...
                                    

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