Antero de Quental atrai na sua época e posteriormente muitos discípulos ou, talvez melhor, simpatizantes, admiradores, amigos, camaradas, correligionários, já que é sempre difícil e subjectivo deslindar ou definir estes graus de amizade e de apreciação ou, mais interiormente, os graus do fogo do amor unitivo no coração e alma dos seres...
Admiradores ou discípulos das ideias e ideais, de batalhas e da sensibilidade, ou apenas dele, como ser, amigo, líder ou poeta. Mas como Antero era bastante independente, como eclipsava a sua individualidade e sofria até de fases de obrigatoriedade de recolhimento, compreende-se que talvez sejam melhor as palavras admiradores, amigos, correligionários, companheiros...
Infelizmente há poucas cartas conservadas (quatro ou cinco, só..., tal o seu desprendimento...) das muitas que lhe foram endereçadas e certamente elucidativas de como Antero era tratado, embora as dedicatórias de livros oferecidos conservados na sua biblioteca, hoje na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, nos permitam deduzir de tais tratamentos o tipo ou grau de amizade: "ao seu amigo", "ao ilustre poeta", "ao seu querido amigo", "ao velho amigo"...
É na correspondência enviada por Antero que encontramos melhor os reflexos do fogo de amor e amizade que ardia nele, discernível no modo como cumprimenta os destinatários: "Caro amigo", "Querido amigo", "Meu ..." e, volta e meia, o mais cerimonioso "Ex. Senhor". E numa ou noutra carta, em pleno período de mais juvenil revolucionário, o "companheiro", o "camarada", surgem, não no cabeçalho mas no meio da carta.
Será na parte final de despedida que vemos mais transmitida sua afectividade, desde o fabuloso "o seu do coração", ao mais humilde, "vosso criado", ambos testemunhando bem o amor partilhado por Antero nas suas tão instrutivas quão belas cartas. Aliás, a António de Azevedo Castelo Branco, em 6-VI-1885, confessava a dificuldade de ter sempre vontade e capacidade de escrever pois era mais a falar que sentia a sua vocação: «o que a mim me convinha era encontrar um discípulo, pois confesso-te que preferia ser Sócrates a ser Platão». Assim, nas cartas, por vezes algo dessa pessoal maiêutica socrática, ou arte de gerar pelo diálogo aprofundante, patenteia-se.
Ora após a fase mais revolucionária, que teve a sua fixação e divulgação com a publicação das Odes Modernas (1865), Portugal perante Revolução de Espanha (1868), O que é a Internacional? (1871), num apostolado socializante exercido (com alguns textos avulsos) até 1880, Antero começou a descrer da revolução, sobretudo na versão republicana e, embora mantendo-se, por ideais de justiça, liberdade e solidariedade, socialista, vai diminuindo as suas críticas ao regime monárquico e ao catolicismo e interna-se cada vez mais filosófica e poeticamente na demanda do Absoluto, da Ideia, da Verdade, do Inconsciente, do Nirvana, para ele todos eles interligados e que o foram conduzindo a um imanentismo espiritual consciencial, magnético e ético ou, tal como ele disse a Storck: «No Psiquismo, isto é, no Bem e na Liberdade moral, é que encontrei a explicação última e verdadeira de tudo, não só do homem moral mas de toda a natureza, ainda nos seus momentos físicos elementares (...) O espírito é que é o tipo da realidade: a natureza não é mais do que uma longínqua imitação, um vago arremedo, um símbolo obscuro e imperfeito do espírito. O universo tem pois como lei suprema o bem, essência do espírito».
Com a fase juvenil mais revolucionária, expressa em vários textos, e com sua constante defesa da Justiça e da Liberdade como bases de uma sociedade mais democrática e socialista, vibraram republicanos mais fervorosos ou mesmo marxistas, os quais na sua luta contra a monarquia, a religião, a alienação sentiam em Antero de Quental um inspirador e pioneiro, considerando-se assim seus discípulos, admiradores, camaradas, correlegionários ou mesmo anterianos...
Desconhecemos quando surgiu a expressão "anteriano" mas ela aplica-se tanto aos contemporâneos que mais com ele se identificavam, como aos intelectuais e críticos que se dedicaram ao estudo e a publicações sobre a sua vida e obra, e ainda aos fiéis leitores que, criando uma devoção forte e persistente pelo seu ser, mensagem e poesia, se consideravam anterianos, tal os erasmianos, os camonianos, não só filólogos universitários mas quais milícias de cavaleiros e cavaleiras do Amor...
É pois natural que, mesmo sem Antero ter ganho uma dimensão muito visível de tal irradiação e magistério, pesem o seu percurso e popularidade, por ele bem descritos na carta auto-biográfica a Wilhelm Storck, de 14-V-1887 («queria reformar tudo, eu que nem sequer estava ainda a meio caminho da formação de mim mesmo! Consumi muita actividade e algum talento, merecedor de melhor emprego, em artigos de jornais, em folhetos, em proclamações, em conferências revolucionárias: ao mesmo tempo que conspirava a favor da União Ibérica, fundava com outra mão sociedades operárias e introduzia, adepto de Marx e de Engels, em Portugal a Associação Internacional dos Trabalhadores. Fui durante uns 7 ou 8 anos uma espécie de pequeno Lassalle, e tive a minha hora de vã popularidade»), fossem surgindo vários revolucionários ou idealistas que se identificaram e inspiraram nestes aspectos de Antero. Sabemos, por exemplo, que alguns membros portuenses do Partido dos Operários Socialistas de Portugal pedem a Antero de Quental (que chegou a ser candidato a deputado) e a Oliveira Martins para colaborarem na reforma dos estatutos do Partido em vista do Congresso de 1880.
Na realidade da sua evolução interior e relacionamento exterior poderemos observar então algumas diacronias, tal como quando alguém dedica a Antero uma obra contendo algumas ideias que ele expressara ou apreciara quando jovem, mas que mais tarde já não aprovaria tanto, pois a primazia da sua demanda passara do mundo natural e social para o foro da ética, da voz da Consciência, do Bem, ainda que continuasse pronto a assumir batalhas políticas justas e nacionais, tal como fez no seu último ano de vida tornando-se o presidente da Liga Patriótica do Norte, contra o Ultimato Inglês imperialista de 1890.
Outra mudança mais ainda perturbante para os anterianos, ou os seus admiradores de então, terá sido o seu suicídio, pois não é toda a gente que se assume discípulo ou admirador de alguém que se suicida. No In-Memoriam, publicado já só em Janeiro de 1896, ou no que alguns escreveram ou disseram de tal abdicação, algo desse receio, crítica ou menosprezo se detecta.
Estas reflexões nascem após ter manuseado e lido uma obrinha escrita com Antero de Quental ainda vivo e com um título que logo que li e antes de folhear me fez imediatamente pensar em que deveria haver alguma relação com ele.
É de Joaquim Tamegão, intitula-se O Universalismo, e foi publicada na rua da Quitanda 72, Rio de Janeiro, em 1886. Entre nós é rara, pois não se encontra nenhum exemplar em qualquer biblioteca pública. E mesmo na vasta biblioteca planetária que é a web hoje em dia nada encontrei.
Na obra o autor afirmava a mesma Unidade na diversidade, ou entre o Universo e a sua Lei, a que Antero de Quental, numa bela carta de 10-IX-1871 a Manuel Sardenha, poeta que veio a ser abade, se consagrava: «Agradeço-lhe muito e muito a lembrança de me escrever: é uma prova de confiança, que me honra em tê-la merecido. Nós, os adeptos e iniciados da Nova Lei da Justiça humana e social, formamos uma irmandade, uma como ordem religiosa espalhada pelo mundo; mas, separados pelo espaço, em espírito estamos unidos, e por isso devemos ser como irmãos. Somos hoje a Ecclesia presa dum novo cristianismo, que em breve triunfará; sim, mais breve do que se julga e talvez em nossos dias ainda. Mas, tarde ou cedo, baste-nos saber que o seu triunfo é seguro, para estarmos descansados, porque temos a certeza que a Justiça é inevitável como uma Lei do Universo, e é isso o essencial. Soframos pois com paciência as injustiças deste mundo, que afinal é mais ignorante do que mau, e, em suma, bastante infeliz por seus erros e ilusões para que tenhamos por ele mais piedade do que ódio. Não é a ele que propriamente detestamos, mas à iniquidade que está nele». A elevação ética e a actualidade deste passo é flagrante e crucial de ser trabalhada por todos nós, anterianos do séc. XXI... Este exemplar, adquirido na olisiponense Livraria Bizantina, do Carlos Bobone, contém uma dedicatória do autor ao escritor Mariano Pina (1860-1899), curiosamente pintado por Columbano Bordalo Pinheiro em 1886, tal como Antero o foi em 1889, um jornalista combativo e revolucionário que dividiu o seu tempo por Paris e Lisboa, responsável por publicações periódicas como a Ilustração (1884-1891), o Espectro, (1890) e O Nacional: jornal politico, noticioso, absolutamente independente (1890-1891) e que lutava fortemente pela liberdade de imprensa e de pensamento, firme na sua visão de liberal e de republicano, certamente conhecido de Antero embora não haja cartas entre eles nem sequer referências na correspondência escrita por Antero.
Ora quando abrimos o livrinho, após a dedicatória também valiosa pelo facto de Joaquim Tamegão se afirmar compatriota de Mariano Pina (correspondente da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, e cooperador na revista A Ilustração de 1884-1892), e logo português no Brasil, deparamos imediatamente com o anterianismo de Tamegão, pois a obra está dedicada em 1º lugar À Memória de Victor Hugo e na folha seguinte A Anthero do Quental.
Contendo trinta páginas de pensamentos-máximas, divididas por doze capítulos: O Trono e o Altar, A Cruz e a Forca, A Civilização e a Perversão, Deus e o Demónio, A Vida e a Morte, A Alma, O Ser, A Natureza, A Justiça, Preceitos da Civilização, O Capital, A Humanidade, exprime nelas Joaquim Tamegão a sua crítica à Monarquia, à Igreja Católica, à violência, à iniquidade, à guerra, ao capital, e a sua crença numa revolução pela ciência e a educação que levará a Humanidade a uma época feliz, podendo-se dizer ser uma obra anteriana no seu socialismo, idealismo e imanentismo... Alguns dos capítulos são mais originais ou curiosos, reproduzirei alguns, comentando brevemente, começando pelo «III - CIVILIZAÇÃO E PERVERSÃO.
Infelizmente há poucas cartas conservadas (quatro ou cinco, só..., tal o seu desprendimento...) das muitas que lhe foram endereçadas e certamente elucidativas de como Antero era tratado, embora as dedicatórias de livros oferecidos conservados na sua biblioteca, hoje na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, nos permitam deduzir de tais tratamentos o tipo ou grau de amizade: "ao seu amigo", "ao ilustre poeta", "ao seu querido amigo", "ao velho amigo"...
É na correspondência enviada por Antero que encontramos melhor os reflexos do fogo de amor e amizade que ardia nele, discernível no modo como cumprimenta os destinatários: "Caro amigo", "Querido amigo", "Meu ..." e, volta e meia, o mais cerimonioso "Ex. Senhor". E numa ou noutra carta, em pleno período de mais juvenil revolucionário, o "companheiro", o "camarada", surgem, não no cabeçalho mas no meio da carta.
Será na parte final de despedida que vemos mais transmitida sua afectividade, desde o fabuloso "o seu do coração", ao mais humilde, "vosso criado", ambos testemunhando bem o amor partilhado por Antero nas suas tão instrutivas quão belas cartas. Aliás, a António de Azevedo Castelo Branco, em 6-VI-1885, confessava a dificuldade de ter sempre vontade e capacidade de escrever pois era mais a falar que sentia a sua vocação: «o que a mim me convinha era encontrar um discípulo, pois confesso-te que preferia ser Sócrates a ser Platão». Assim, nas cartas, por vezes algo dessa pessoal maiêutica socrática, ou arte de gerar pelo diálogo aprofundante, patenteia-se.
| Antero de Quental em 1867 |
Com a fase juvenil mais revolucionária, expressa em vários textos, e com sua constante defesa da Justiça e da Liberdade como bases de uma sociedade mais democrática e socialista, vibraram republicanos mais fervorosos ou mesmo marxistas, os quais na sua luta contra a monarquia, a religião, a alienação sentiam em Antero de Quental um inspirador e pioneiro, considerando-se assim seus discípulos, admiradores, camaradas, correlegionários ou mesmo anterianos...
Desconhecemos quando surgiu a expressão "anteriano" mas ela aplica-se tanto aos contemporâneos que mais com ele se identificavam, como aos intelectuais e críticos que se dedicaram ao estudo e a publicações sobre a sua vida e obra, e ainda aos fiéis leitores que, criando uma devoção forte e persistente pelo seu ser, mensagem e poesia, se consideravam anterianos, tal os erasmianos, os camonianos, não só filólogos universitários mas quais milícias de cavaleiros e cavaleiras do Amor...
É pois natural que, mesmo sem Antero ter ganho uma dimensão muito visível de tal irradiação e magistério, pesem o seu percurso e popularidade, por ele bem descritos na carta auto-biográfica a Wilhelm Storck, de 14-V-1887 («queria reformar tudo, eu que nem sequer estava ainda a meio caminho da formação de mim mesmo! Consumi muita actividade e algum talento, merecedor de melhor emprego, em artigos de jornais, em folhetos, em proclamações, em conferências revolucionárias: ao mesmo tempo que conspirava a favor da União Ibérica, fundava com outra mão sociedades operárias e introduzia, adepto de Marx e de Engels, em Portugal a Associação Internacional dos Trabalhadores. Fui durante uns 7 ou 8 anos uma espécie de pequeno Lassalle, e tive a minha hora de vã popularidade»), fossem surgindo vários revolucionários ou idealistas que se identificaram e inspiraram nestes aspectos de Antero. Sabemos, por exemplo, que alguns membros portuenses do Partido dos Operários Socialistas de Portugal pedem a Antero de Quental (que chegou a ser candidato a deputado) e a Oliveira Martins para colaborarem na reforma dos estatutos do Partido em vista do Congresso de 1880.
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| Ferdinand Lassale (1825-1864), notável pensador, sufragista universal, socialista, agitador. |
Outra mudança mais ainda perturbante para os anterianos, ou os seus admiradores de então, terá sido o seu suicídio, pois não é toda a gente que se assume discípulo ou admirador de alguém que se suicida. No In-Memoriam, publicado já só em Janeiro de 1896, ou no que alguns escreveram ou disseram de tal abdicação, algo desse receio, crítica ou menosprezo se detecta.
Estas reflexões nascem após ter manuseado e lido uma obrinha escrita com Antero de Quental ainda vivo e com um título que logo que li e antes de folhear me fez imediatamente pensar em que deveria haver alguma relação com ele.
É de Joaquim Tamegão, intitula-se O Universalismo, e foi publicada na rua da Quitanda 72, Rio de Janeiro, em 1886. Entre nós é rara, pois não se encontra nenhum exemplar em qualquer biblioteca pública. E mesmo na vasta biblioteca planetária que é a web hoje em dia nada encontrei.
Na obra o autor afirmava a mesma Unidade na diversidade, ou entre o Universo e a sua Lei, a que Antero de Quental, numa bela carta de 10-IX-1871 a Manuel Sardenha, poeta que veio a ser abade, se consagrava: «Agradeço-lhe muito e muito a lembrança de me escrever: é uma prova de confiança, que me honra em tê-la merecido. Nós, os adeptos e iniciados da Nova Lei da Justiça humana e social, formamos uma irmandade, uma como ordem religiosa espalhada pelo mundo; mas, separados pelo espaço, em espírito estamos unidos, e por isso devemos ser como irmãos. Somos hoje a Ecclesia presa dum novo cristianismo, que em breve triunfará; sim, mais breve do que se julga e talvez em nossos dias ainda. Mas, tarde ou cedo, baste-nos saber que o seu triunfo é seguro, para estarmos descansados, porque temos a certeza que a Justiça é inevitável como uma Lei do Universo, e é isso o essencial. Soframos pois com paciência as injustiças deste mundo, que afinal é mais ignorante do que mau, e, em suma, bastante infeliz por seus erros e ilusões para que tenhamos por ele mais piedade do que ódio. Não é a ele que propriamente detestamos, mas à iniquidade que está nele». A elevação ética e a actualidade deste passo é flagrante e crucial de ser trabalhada por todos nós, anterianos do séc. XXI... Este exemplar, adquirido na olisiponense Livraria Bizantina, do Carlos Bobone, contém uma dedicatória do autor ao escritor Mariano Pina (1860-1899), curiosamente pintado por Columbano Bordalo Pinheiro em 1886, tal como Antero o foi em 1889, um jornalista combativo e revolucionário que dividiu o seu tempo por Paris e Lisboa, responsável por publicações periódicas como a Ilustração (1884-1891), o Espectro, (1890) e O Nacional: jornal politico, noticioso, absolutamente independente (1890-1891) e que lutava fortemente pela liberdade de imprensa e de pensamento, firme na sua visão de liberal e de republicano, certamente conhecido de Antero embora não haja cartas entre eles nem sequer referências na correspondência escrita por Antero.
Ora quando abrimos o livrinho, após a dedicatória também valiosa pelo facto de Joaquim Tamegão se afirmar compatriota de Mariano Pina (correspondente da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, e cooperador na revista A Ilustração de 1884-1892), e logo português no Brasil, deparamos imediatamente com o anterianismo de Tamegão, pois a obra está dedicada em 1º lugar À Memória de Victor Hugo e na folha seguinte A Anthero do Quental.
Contendo trinta páginas de pensamentos-máximas, divididas por doze capítulos: O Trono e o Altar, A Cruz e a Forca, A Civilização e a Perversão, Deus e o Demónio, A Vida e a Morte, A Alma, O Ser, A Natureza, A Justiça, Preceitos da Civilização, O Capital, A Humanidade, exprime nelas Joaquim Tamegão a sua crítica à Monarquia, à Igreja Católica, à violência, à iniquidade, à guerra, ao capital, e a sua crença numa revolução pela ciência e a educação que levará a Humanidade a uma época feliz, podendo-se dizer ser uma obra anteriana no seu socialismo, idealismo e imanentismo... Alguns dos capítulos são mais originais ou curiosos, reproduzirei alguns, comentando brevemente, começando pelo «III - CIVILIZAÇÃO E PERVERSÃO.
A civilização é o aperfeiçoamento humano. A perversão é o vício na civilização.
A civilização é o símbolo da perfeição no futuro. A perversão simboliza o vício no passado.
A perfeição no futuro é a Natureza na virtude. O vício no passado é a Natureza no pecado.
A virtude é Deus combatendo pela justiça do futuro. O pecado é o Demónio lutando em defesa do erro do presente.
Tenhamos esperança em Deus e fé no futuro».
Estes pensamentos morais idealistas, algo datados no século XXI, já que o relativismo cresceu muito quanto ao vício e à virtude - pois algum vício deixou de o ser, ou de ser considerado como tal, se é sustentado ou apoiado pelos países ou grupos mais ricos ou poderosos e pelos meios de informação -, só podem alertar-nos para a necessidade de não nos deixar manipular demasiado e sobretudo não deixarmos apagar o sentido inato de justiça, esse sem dúvida a pedra de toque da humanidade e que tem sido tão manipulado através das tantas mentiras e erros que são postos a circular como verdades e falseiam o entendimento e os juízos de valor das pessoas.
Os capítulos IV e seguintes são bem breves, axiomáticos e por vezes bem desafiantes e intuitivos:
«IV - DEUS E O DEMÓNIO
Deus é a personificação de todas as virtudes. O Demónio é a personificação de todos os pecados.
Sejamos por Deus contra o Demónio.
Os inimigos de Deus são o fanatismo e a hipocrisia. Luz ao fanatismo! e guerra sem tréguas à hipocrisia.
Justiça para tudo que é Deus para todos.»
«V - A VIDA E A MORTE
A vida é amor e alegria na existência. A morte é a paz e a glória na eternidade.»
Esta definição da morte certamente que agradaria a Antero e pode ter-se gerado da leitura da sua obra. Quanto à da vida, ela é bela e bem desafiante para todos nós...
Pouco sabemos de Joaquim Tamegão: era português, publicou a sua obra no Brasil em 1886, dedicando-a a Antero, quando este dava à luz os seus Sonetos Completos... E, por esta dedicatória anteriana, foi salvo do anonimato. do ano de 2019 em diante, na graça alegre da co-existência amorosa e multipolar...
«VI - A ALMA
A alma é a medida justa da consciência, e a consciência só dá a medida justa da alma quando a justiça no espírito está vinculada a magnanimidade no coração.»
Outra aproximação à alma tão original e fresca, tão anteriana na sua valorização da voz da consciência, que nos faz intuir e seguir a medida justa, a partir da compreensão inteligente e do amor do coração: a magnanimidade, a grande alma, abranger muito os outros seres, eco-sistemas, mundos, na Índia denominando-se essas grandes almas, mahatmas.
«VII - O SER
O ser (humano) é composto de carne, sangue e espírito: a carne é uma máquina, o sangue é o motor e o espírito é o administrador. Os ossos são as peças da máquina depois de inutilizada»
Destaquemos o sangue como alma e vitalidade, e daí a importância da harmonia alimentar e ambiental. Não estamos certos qual era a ideia que Joaquim Tamegão tinha do espírito, mas temo-la visto mais associada à inteligência, à vontade harmonizadora. Os ossos são vistos como o que resta.
«VIII - A NATUREZA
A Natureza é o sempiterno e incomensurável espaço celeste, e tudo quanto ele contém».
Esta "definição" é também valiosa pois alarga a Natureza bem para além do mundo físico e visível e unifica-a ou identifica-a com o todo infinito do Espaço cósmico e o que nele se manifesta. Há algo da percepção do Espírito como a Unidade ou a Unicidade da Existência.
«IX - A JUSTIÇA
A lei do Direito é a justiça na lei. A justiça na lei é a equidade. A equidade é a ordem. A ordem é a liberdade.
Fundemos a lei do direito universalmente.
A filosofia legisla. A ciência executa»
Concluamos transcrevendo o antepenúltimo capítulo com suas regrazinhas tabeladas que nos podem até ajudar modestamente nos nossos trabalhos escolares desta peregrinação na Terra:
«X - PRECEITOS DA CIVILIZAÇÃO
1º Filosofia contra a idolatria. 2º Ciência contra a ignorância. 3º Progresso contra a rotina. 4º Democracia contra a autocracia. 5º Igualdade contra o privilégio. 6º Trabalho contra a negligência. 7º Actividade contra a inércia. 8º Perfeição contra o vício. 9º Prudência contra a leviandade. 10º Benignidade contra a rispidez. 11º Moralidade contra o escândalo. 12º Magnanimidade contra a miséria. 13º Modéstia contra a vaidade. 14º Sinceridade contra a hipocrisia. 15º Fraternidade contra o ódio. 16ª Paz contra a guerra.»
E reproduzimos o último e mais extenso. Se alguém quiser transcrevê-lo, agradecemos.
Será que se levantarão do pó dos tempos e dos eflúvios psicomórficos (isto é, da psique e agindo nas formas materiais) em que nos banhamos todos, no denominado modernamente Campo Unificado de energia consciência, algumas referências a Joaquim Tamegão?
A civilização é o símbolo da perfeição no futuro. A perversão simboliza o vício no passado.
A perfeição no futuro é a Natureza na virtude. O vício no passado é a Natureza no pecado.
A virtude é Deus combatendo pela justiça do futuro. O pecado é o Demónio lutando em defesa do erro do presente.
Tenhamos esperança em Deus e fé no futuro».
Estes pensamentos morais idealistas, algo datados no século XXI, já que o relativismo cresceu muito quanto ao vício e à virtude - pois algum vício deixou de o ser, ou de ser considerado como tal, se é sustentado ou apoiado pelos países ou grupos mais ricos ou poderosos e pelos meios de informação -, só podem alertar-nos para a necessidade de não nos deixar manipular demasiado e sobretudo não deixarmos apagar o sentido inato de justiça, esse sem dúvida a pedra de toque da humanidade e que tem sido tão manipulado através das tantas mentiras e erros que são postos a circular como verdades e falseiam o entendimento e os juízos de valor das pessoas.
Os capítulos IV e seguintes são bem breves, axiomáticos e por vezes bem desafiantes e intuitivos:
«IV - DEUS E O DEMÓNIO
Deus é a personificação de todas as virtudes. O Demónio é a personificação de todos os pecados.
Sejamos por Deus contra o Demónio.
Os inimigos de Deus são o fanatismo e a hipocrisia. Luz ao fanatismo! e guerra sem tréguas à hipocrisia.
Justiça para tudo que é Deus para todos.»
«V - A VIDA E A MORTE
A vida é amor e alegria na existência. A morte é a paz e a glória na eternidade.»
Esta definição da morte certamente que agradaria a Antero e pode ter-se gerado da leitura da sua obra. Quanto à da vida, ela é bela e bem desafiante para todos nós...
Pouco sabemos de Joaquim Tamegão: era português, publicou a sua obra no Brasil em 1886, dedicando-a a Antero, quando este dava à luz os seus Sonetos Completos... E, por esta dedicatória anteriana, foi salvo do anonimato. do ano de 2019 em diante, na graça alegre da co-existência amorosa e multipolar...
«VI - A ALMA
A alma é a medida justa da consciência, e a consciência só dá a medida justa da alma quando a justiça no espírito está vinculada a magnanimidade no coração.»
Outra aproximação à alma tão original e fresca, tão anteriana na sua valorização da voz da consciência, que nos faz intuir e seguir a medida justa, a partir da compreensão inteligente e do amor do coração: a magnanimidade, a grande alma, abranger muito os outros seres, eco-sistemas, mundos, na Índia denominando-se essas grandes almas, mahatmas.
«VII - O SER
O ser (humano) é composto de carne, sangue e espírito: a carne é uma máquina, o sangue é o motor e o espírito é o administrador. Os ossos são as peças da máquina depois de inutilizada»
Destaquemos o sangue como alma e vitalidade, e daí a importância da harmonia alimentar e ambiental. Não estamos certos qual era a ideia que Joaquim Tamegão tinha do espírito, mas temo-la visto mais associada à inteligência, à vontade harmonizadora. Os ossos são vistos como o que resta.
«VIII - A NATUREZA
A Natureza é o sempiterno e incomensurável espaço celeste, e tudo quanto ele contém».
Esta "definição" é também valiosa pois alarga a Natureza bem para além do mundo físico e visível e unifica-a ou identifica-a com o todo infinito do Espaço cósmico e o que nele se manifesta. Há algo da percepção do Espírito como a Unidade ou a Unicidade da Existência.
«IX - A JUSTIÇA
A lei do Direito é a justiça na lei. A justiça na lei é a equidade. A equidade é a ordem. A ordem é a liberdade.
Fundemos a lei do direito universalmente.
A filosofia legisla. A ciência executa»
Concluamos transcrevendo o antepenúltimo capítulo com suas regrazinhas tabeladas que nos podem até ajudar modestamente nos nossos trabalhos escolares desta peregrinação na Terra:
«X - PRECEITOS DA CIVILIZAÇÃO
1º Filosofia contra a idolatria. 2º Ciência contra a ignorância. 3º Progresso contra a rotina. 4º Democracia contra a autocracia. 5º Igualdade contra o privilégio. 6º Trabalho contra a negligência. 7º Actividade contra a inércia. 8º Perfeição contra o vício. 9º Prudência contra a leviandade. 10º Benignidade contra a rispidez. 11º Moralidade contra o escândalo. 12º Magnanimidade contra a miséria. 13º Modéstia contra a vaidade. 14º Sinceridade contra a hipocrisia. 15º Fraternidade contra o ódio. 16ª Paz contra a guerra.»
E reproduzimos o último e mais extenso. Se alguém quiser transcrevê-lo, agradecemos.
Será que se levantarão do pó dos tempos e dos eflúvios psicomórficos (isto é, da psique e agindo nas formas materiais) em que nos banhamos todos, no denominado modernamente Campo Unificado de energia consciência, algumas referências a Joaquim Tamegão?
Pois no nº 412 do jornal do Rio de Janeiro O Mequetrefe, de Agosto de 1886, há uma referência nos livros recebidos: "O Universalismo, por Joaquim Tamegão, distinto apregoador de ideias livres."
Também no boletim do grupo da Renascença Portuguesa, A Vida Portuguesa, em 1913, menciona-se uma dádiva de 500.00 réis de Joaquim Tamegão, residente em Amarante, indiciando a sua volta do Brasil.
Seria bom sabermos mais do seu percurso para melhor trabalhá-lo, nomeadamente no seu profetismo e utopismo pacifista e universalista com que encerra o XI capítulo: «Evitemos a extraordinária catástrofe, de que a actualidade é evidente prenúncio, que terá o seu desfecho trágico e fatal em não remoto futuro.
O novo edifício social deve ter a amplitude do globo, porque só a comunhão universal nos pode dar a perfeição e a paz eterna.»
O novo edifício social deve ter a amplitude do globo, porque só a comunhão universal nos pode dar a perfeição e a paz eterna.»
Seja como for, que Joaquim Tamegão e Antero de Quental recebam as nossas saudações e invocações luminosas, e que a Humanidade possa ser e viver mais em justiça, não-violência e ecologia, sabedoria, harmonia e amor.


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