terça-feira, 4 de julho de 2023

A arte da Harmonia e da comunhão com os Anjos e Arcanjos é fundamental nos tempos actuais de tanta desinformação e manipulação.

                                                  
Enquadrar as pess
oas com o Cosmos divino e os seus seres, qualidades, níveis e ritmos, é uma tarefa actual muito importante face a tanta alienação e confusão causada pelos meios de comunicação (demasiado vendidos e formatados), e significa alertar por um lado as pessoas quanto às desinformações deformantes propagadas pela televisão, jornais e net, e por outro tentar ajudá-las a consciencializar-se dos seus níveis subtis e do universo e a harmonizá-los e comungar com eles. A arte da Harmonia é fundamental para a sobrevivência actual, e apela à nossa sensibilidade, atenção, discernimento e responsabilidade, mas também estudo, concentração, oração.
Com que níveis do universo e dos seres me estou a relacionar mais no dia a dia, ou nos momentos de recolhimento e oração ou meditação?
E com que graus de maior conhecimento, verdade e eticidade?
O que estou a realizar de expansão de consciência e de interdinamismo fraterno? 

                                   
Esforçamo-nos por conseguir sermos merecedores de estar mais conscientes das nossas almas espirituais e da presença ou actuação do Espírito Angélico custódio que nos pode cobrir com as suas qualidades, nomeadamente as que mais nos convém desenvolvermos, tal a sabedoria, a humildade, o destemor, ou que pode derramar os seus sinais simbólicos inspiradores?
Quantos de nós conseguem fazer a sobreposição das mãos humanas e as bênçãos angélicas de tal modo que uma carícia, um gesto, uma massagem sejam não só nossas mas também do Anjo?
Quantos conseguem interiorizar a sua consciência até ao coração espiritual e nesse espaço interno sentirem e comungarem com o Anjo da guarda, ou elevarem-se ao espacial Arcanjo de Portugal?
O Anjo não podendo falar vocalmente, falarmos com ele apenas pelo voz não será muito perfeito, embora certamente certa voz plena de aspiração é bem luminosa no além. O desafio será então conseguirmos comunicar com eles psiquicamente e com o fogo do amor do coração. Esta é a oração que eles mais gostam de levar até ao mundo Divino  ou até aos que precisam no Cosmos dessas energias abnegadas de amor.
A comunhão com os Anjos e Arcanjos é então um nível bem importante da dinâmica mundial nestes tempos de tanta manipulação, opressão e conflito, e ao invocá-los e sintonizá-los. amá-los, intui-los e partilhá-los fazemos penetrar mais na aura psíquica da Humanidade seres, energias e valores que a enriquecem e iluminam.

Vivam os Anjos e Arcanjos e a Divindade, numa humanidade mais lúcida, sábia e fraterna!

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Os Anjos e o Anjo da Guarda, o amor a eles, e a oração. Gravação e texto, a partir do Almanaque das Damas de 1856

Teci algumas considerações, no vídeo final, acerca dum  Almanach das Damas para o anno de 1856, que um amigo alfarrabista, o Lourenço Lancastre, me sugeriu comprar, dado o meu interesse por eles, já que fora director de um há anos. Embora já não os trabalhando, foi contudo uma boa recomendação pois quando o observei melhor em casa vi que continha um pequeno conto anónimo, acompanhado de uma bela gravura, intitulado O Anjo da Guarda, uma  realidade da vida  bela embora bem subtil e logo merecedora de uma certa cultura, culto de luz e amor, que logo decidi prestar-lhe, gravando a leitura comentada e agora recontextualizando-o para este artigo no blogue...
                                             
Não é que o autor anónimo, ou talvez Lu
ís Correa da Cunha, o editor, acreditasse sequer nos Anjos, mas ainda assim soube aproximar-se de tão grande mistério com um sentido de justiça e de amor grande e mesmo numa certa demanda de gnose ou conhecimento sobre tal enigma, pois depois de ter admirado a perfeição do desenhador (nomeadamente com uma aureola bem cheia) ao representar a bondade e solicitude vigilante do Anjo Protector, e de ter exaltado a Mãe, considerando-a "um verdadeiro Anjo da Guarda que vela com incessante cuidado na conservação do fruto dos seus amores", interroga-se com uma certa amargura, já que muitos parecem viver do berço à sepultura sob um signo de desgraça e portanto "todos os inocentes terão um Anjo da Guarda?"

                                                 

Se alargarmos esta pergunta a cada um de nós, e a procurarmos sondar no nosso interior de quando em quando, harmonizando-nos com isso, talvez alguma luz se faça, e o Anjo se possa até desvendar, directa ou indirectamente, ao olho espiritual do meditante ou orante. E este será um dos objectivos para o qual este artigo, o comentário que lê e o vídeo gravado, que poderá ter a paciência de ouvir, tendem a impulsioná-la a si, alma amiga. Boas aspirações a eles e inspirações. Que os Anjos surjam e nos iluminem uma ou outra vez nas nossas demandas e vida! 
                 Gravação com imagem quase sempre a mesma. Pode ouvi-la e trabalhar... Lux...

                            

domingo, 2 de julho de 2023

Três postais devocionais antigos de Anjos, circulados, e anotados, com mensagens acrescentados.

Nos séculos XIX e XX o culto da devocionalidade nas crianças e jovens foi bastante fomentado artisticamente, com a impressão de milhares de santinhos e postais representando  Jesus, Maria, santas e santos,  a 1ª comunhão, locais de peregrinação, videntes,  Anjos e Arcanjos, e Trindade, esta algo bastante mais raro pela sua complexidade e incerteza. Nos momentos especiais do ciclo das festividade religiosas, nos aniversários e começo do ano,  eram oferecidos e as crianças desfrutavam de imagens que eram suas, pessoais, frequentemente com dedicatórias no verso dos pais, madrinhas, religiosos, amigos e amigas, sendo por vezes apreciadas como bens preciosos e servindo-lhes de pequenos ícones protectores ou inspiradores.
É de admirar e louvar tal invenção encantadora e frágil ao conseguir atravessar décadas ou  séculos e ainda hoje proporcionar momentos de contemplação, sentimento, consciencialização e sintonização, sobretudo numa época em que quase toda a informação dominante é manipulada e materializante e estas delicadas e belas imagens deixam de circular, e de ser vistas e sentidas, perdendo-se uma boa fonte de harmonização das pessoas.
Da tão importante consciencialização angélica, eis uma  partilha de três postais, dois deles enviados por Dona Maria Paula, no começo do ano de 1924, para os seus afilhados Juvelino e Helio Munis de Sá Corte Real, em Angra do Heroísmo. O terceiro, já de 1946, levava da jovem Silvina da Conceição os ardentes desejos de afectuosos parabéns e muitos anos de prosperidade para Maria Salomé Gomes, no Colégio de Nossa Senhora de Fátima, em Leiria. A casa editora dos primeiros foi a Amag, provavelmente francesa e com uma doçura angélica bem realista e perfeita. A do terceiro foi a espanhola L. T., com uma boa perspectiva da profundidade das quedas morais, mentais ou físicas que nos podem acontecer e para as quais a invocação e conversação com o santo Anjo da Guarda pode ser providencial. Sobre eles escrevi algumas linhas de invocação angélica, que para já se quedam em manuscrito.  Boas inspirações e ligações com os Anjos e Arcanjos!

Perseveremos no Caminho, que as bênçãos virão...

Se as intenções são puras, o Anjo vela connosco

Que a nossa demanda possa ser abençoada pelo Anjo e a Luz Divina!

sábado, 1 de julho de 2023

Dalila Pereira da Costa, "A Nova Atlântida", A Saudade e os Anjos. Com video de leitura e comentários de Pedro Teixeira da Mota.

A investigadora das raizes religiosas, mágicas e espirituais de Portugal, Dalila Pereira da Costa (1918-2012) deu à luz em Outubro de 1977, na portuense Lello & Irmão,  a sua sexta  obra, A Nova Atlântida,  muito rica de intuições e sugestões  pelo que resolvi ler, comentar e gravar (30 minutos, pano de fundo fixo) um dos pequenos subcapítulos, muito profundo na aproximação à saudade e muito subtil na aproximação aos Anjos. Intitula-se A Saudade e os Anjos, e pode ouvi-lo no fim deste artigo.
O exem
plar utilizado pertenceu a Aldegice Machado da Rosa, uma psicóloga Jungiana e comum amiga, que morara em Reguengos Monsaraz e depois no Louredo em Évora, onde a fui visitar em 2020, com o Alfredo Cunhal Sendim, para que este a pudesse conhecer já que ela fora uma grande amiga de Agostinho da Silva. Na altura Aldegice ofereceu várias obras de Agostinho ao Alfredo e a mim esta da Dalila, e que eu lhe pedi, já que emprestara e perdera o meu exemplar, a qual continha a dedicatória da Dalila e um cartão (que vim a descobrir depois, com referências a Leite de Vasconcelos, Agostinho da Silva e Almir Bruneti), . Quanto às cartas que Agostinho da Silva lhe escrevera lamentou não as poder oferecer ao Alfredo, já que as queimara. A correspondência entre ela e a Dalila, essa sobreviveu já que a Dalila era uma excelente arquivista e copiou quase todas as cartas que escreveu ao seu luminoso círculo de amigos e amigas, preservando-as junto as que recebia. Espera-se para "breve" a publicação pela Universidade Católica do Porto, detentora do seu espólio, tal como da sua belíssima moradia ajardinada...

"Para a Aldegice, minha amiga, na partilha dum amor e vida consagrada à nossa terra-mãe, com um abraço fraterno, Dalila." Porto, 1977
A obra está dividida em quatro capítulos, em que a sua erudição comparativista espiritual dá as suas primícias, havendo até críticas já muito bem fundadas às limitações do budismo e do protestantismo. O I intitula-se Saudade e o Ouro de Delphos ou Apolo hiporboreo e o Santo dos Painéis. O II Seis poetas Portugueses. O III Para a Temática de Fernando Pessoa. E o IV Actualidade do Espinosismo e Tradição Portuguesa, todos eles contendo  análises valiosas a escritores e obras do  passado e conclusivos vaticínios, ou pelo menos aspirações e esperanças, para a grande alma portuguesa e a sua missão redentora.
                                           
L
i e comentei do I capítulo o subcapítulo, A Saudade e os Anjos, e agora transcrevo apenas os parágrafos mais valiosos de serem meditados: primeiro, os dois iniciais: 

«Porque nunca os anjos foram tão activos como agora. É para isso que eles agora tão insistentemente apelam, chamam. Servindo, entre céu e terra, vida e morte, passado e futuro. E nestes, entre um mar e outros, o Mediterrâneo e o Atlântico.
São eles como anjos da morte e da vida, do fim e do começo, que andam destruindo inexoráveis e violentos um mundo velho à nossa volta para os anúncios dum outro, novo.»

Um arcanjo guerreiro, por Nicholai Roerich.

Quão actual face à grande luta que se trava mundialmente entre o imperialismo anglo-americano e um mundo multipolar, mas também face a todos nós nas suas escolhas, modos de vida e mentalidades.
E dos parágrafos já para o fim: «E também então se revelará a verdade da saudade.
Como força de record
ação e expectação. De ligar tempo, passado e futuro, e espaço, terra e céu. E então agora, verdadeiramente ela vai ser a "saudade do céu e da terra".
Depois
de ser nostalgia grega e saudade lusíada, mediterrânea e atlântica, ela vai-se também ultrapassar a si mesma. Tal como o homem [ou ser humano]. E terá um novo nome. De nós ainda desconhecido. Mas que os anjos, eles, já o sabem e agora. E o guardam no recesso do seu coração de fogo. Como palavra que por enquanto, se a ouvíssemos, ela nos destruiria.
Adivinhamo-la,
talvez, em momentos, de tremor, como ressonância, num certo frémito passado nas suas asas. Porque eles sabem, e esperam pelo homem que há de vir, mais sábio, poderoso, para quem, poderá e deverá ser revelado por fim essa palavra terrível, de força, angélica. Porque então  angélico também será o homem. Por isso, por enquanto, eles esperam, a calam e guardam. No segredo, do futuro. (...)».
Embora
haja uma certa mistagogia na ameaça de destruição se soubéssemos o nome, derivado da carga das suas leitura bíblicas,  já o último parágrafo é inpirador intimamente, e sabe-o quem conheceu o Anjo, tal a Dalila  e, bem meditado, pode dar frutos de vida eterna, ou seja, de acesso aos planos espirituais. Oiçamo-lo de novo: "Adivinhamo-la [tal palavra, essência e vibração que o Anjo detém], talvez, em momentos, de tremor, como ressonância, num certo frémito passado nas suas asas".
E quantas almas portuguesas estarão hoje prontas a intuir o nome, ou sermo, e qualidade consciencial e vibratória, e a realizar o vaticínio da nossa querida amiga Dalila Pereira da Costa?
Não descuremos pois a oração e a meditação deste futuro desafiante e misterioso que desafia um a um a realizar melhor o seu dever, swadharma
Muita luz e a
mor na Dalila e no seu círculo subtil de almas amigas e irradiantes!

                   

sábado, 24 de junho de 2023

Subba Row, o ocultista colaborador de Blavatsky e Olcott, e a sua morte precoce. No 133º aniversário dela.

Tallapragada Subba Row, 6 de Julho de 1856 a 24 de Junho de 1890. Aum!

No caderno diário da minha quarta viagem à Índia, que durou um ano, em 1995, na folha vigésima anotei:
«Folheio à noite
os Esoteric Writings de Subba Row. Curiosamente morreu aos 34 anos com uma doença infeciosa de pele que em pouco tempo o desfigurou.
Um
homem considerado genial, um sábio, porque morreu assim tão
cedo, deixando uma jovem mulher viva?
Haveria algo de "castigo" pelas suas posições talvez demasiado orgulhosas ou realçadoras da posição do homem como espírito, acima de qualquer anjo ou mensageiro?
Ou
será que o seu espírito crítico recebeu reacções graves? Ou ainda o seu espiritualismo e misticismo, isolando-o eventualmente da mulher, cortaram-lhe certas forças que lhe permitiriam vencer as energias adversas?
Mistérios
, e a curta biografia que dele possuímos, da autoria de Olcott, não permite desvendar o panorama.»
                               
Assim escrevi
a há quase trinta anos. Será que conseguiremos esclarecer um pouco mais a sua misteriosa vida e morte, dada a profusão de informação a que se pode aceder hoje tanto pelos livros como pelas publicações na rede electrónica?
A obra comprada na ép
oca encontra-se hoje 24 de Junho de 2023, dia de anos da morte ou desincarnação de Tallapragada Subba Row, ao meu lado, e com indicações recolhidas na rede digital vamos tentar clarificar o texto de 1995, e sabermos mais do destino de Subba Row, a quem desejamos muita luz e amor nos mundos espirituais.
No prefácio
da 1ª edição, de 1895, o teosofista T.T.,  lamenta não ter conseguido descobrir mais dados sobre Subba Row do que os apresentados pelo coronel Henry S. Olcott num artigo na revista The Theosophist, e lembra como Madame Blavatsky o considerava muito, consultando-o em questões complexas. E que a dado momento «lhe enviou os manuscritos da sua obra mais valiosa a Doutrina Secreta, para corrigir e alterar; mas ele declinou lançar-se em tal obra pois pensava que o mundo não estava ainda pronto a aceitar tais segredos que, por boas razões, cujo conhecimento tinha sido conservado por uns poucos de seres sagrados».
Lembrando depois qu
e Subba Row não escrevera  livros mas só artigos para revistas, refere que em 1887, na Convenção da Sociedade Teosófica, em Madras, ele proferira umas palestras sobre a Bhagavad Gita que foram muito apreciadas e sendo por isso editadas (e podendo nós lê-las no Arquivo Internet).
Acresc
enta que do conteúdo de tais conferências e por Subba Roy discordar da divisão septenária do ser humano, e ter criticado a adoptada por Helena P. Blavatsky, nascera uma controvérsia por escrito entre os dois, incluída nos Esoteric Writings, obra que ainda assim de 574 páginas, pois além dos poucos artigos originais contém várias respostas ou instruções dadas por Subba Row sobre temas filosóficos, ocultistas, budistas, vedânticos, históricos como pode ver pela fotografias do índice deles reproduzido:

                                    

A seguir ao pouco elucidativo prefácio, pois leremos noutras versões do sucedido, Subba Roy responder discordando de inúmeras partes da Doutrina Secreta e que se demarcava da obra, consultemos a biografia obituária que Olcott redigiu para a revista Theosophist, em 1890.
Apresentando-
o como um  jovem filósofo místico indiano brilhante, e só no fim do artigo traçará brevemente a sua biografia, Olcott, o companheiro de Blavatsky, conta como Subba Row em Abril de 1890 contraíra uma doença de pele misteriosa e que no «começo de Junho lhe enviara um pedido tocante de o ir ver, o que claro, eu fiz. Ele estava num aspecto que suscitava piedade [piteous sight]: o seu corpo era uma massa de crostas da cabeça aos pés, e não podia sequer suportar um pano sobre si, nem descansar em qualquer posição confortável, nem dormir bem. Estava deprimido e desesperado, e suplicou-me [begged] para tentar com um pouco  de mesmerismo ajudá-lo. Tentei com toda a minha força e pareceu-me com algum sucesso, pois essa tarde começou a recuperar (mend) e, à terceira visita, ele e eu pensamos que já estava convalescente e assim informámos a infeliz família. Mas subitamente veio um relapso [ou retorno], a sua doença terminou rapidamente o seu curso  e a 24 de Junho às 22:00 ele expirava, sem uma palavra ou sinal para os outros acerca de si. [Tanto mais que desde o meio dia informara os que o rodeavam que iria intensificar o calor (tapas) da prática espiritual, e apenas um familiar se encontrava no quarto no momento da separação do corpo.]
Contudo o coronel Olcott anota:«ao meio dia desse dia, disse que o seu Guru chamara-o, e que iria morrer, e que ia agora começar a sua tapas (mystical invocations) [ou melhor práticas ascéticas ardentes] e que não queria ser perturbado. E a partir dessa altura não falou com ninguém. Quando ele morreu uma grande estrela caiu do firmamento do pensamento contemporâneo indiano. Entre Subba Row, H. P. Blavatsky, Damodar e eu havia uma amizade estreita. Ele foi especialmente instrumental ao convidar-nos a visitar Madras em 1882 e ao induzir-nos a escolher esta cidade como a sede permanente da Sociedade Teos
ófica.»
                                       
H. S. Olcott refere depo
is brevemente as disputas ou polémicas com Blavatsky e de uma forma excessivamente curta, amaciadora e atribuindo-a terceiros, escreve:  «Uma disputa - de certo modo devida a terceiras partes - que se alargou para uma brecha, nasceu entre H.P.B e ele acerca de certas questões filosóficas, mas até ao fim  falou dela, a nós e à sua família, no antigo modo familiar. Quando nos vimos pela última vez tivemos uma longa conversa sobre filosofia esotérica, e disse que logo que ficasse bem, viria à Sede e redigiria várias questões metafísicas que gostaria que o senhor Fawcett discutisse com ele n' O Teosofista. O seu interesse no nosso movimento não abateu até ao fim, ele lia regularmente O Teosofista, e era um subscritor do Lucifer de H. P. B.». Veremos num próximo artigo que não foi bem assim pois as críticas que Subba Row fez ao manuscrito da Doutrina Secreta, para a qual Blavatsky queria que ele fosse co-autor ou co-editor, e as discordâncias doutrinais, metodológicas e divulgativas fizeram-no mesmo demitir-se da Sociedade Teosófica em 1888.
                                              
         
 Henry Steel Olcott, 1832-1907, um dos fundadores da Soc. Teosófica, em 1875.
Contudo, anos depois, nas sua
s memórias, consignadas nas Old Daily Leaves, vol. IV, 241-2, Olcott acrescenta outros dados sobre misteriosa morte: "No dia 3 de Junho, visitei T. Subba Row a seu pedido e mesmerizei-o. Ele estava num estado terrível, com o corpo coberto de furúnculos e bolhas da coroa à sola do pé, como resultado de envenenamento do sangue por alguma causa misteriosa. Ele não conseguia descobrir a causa em nada do que havia comido ou bebido e, portanto, concluiu que devia ser devido à ação malévola dos elementais, cuja animosidade ele tinha despertado com algumas cerimónias realizadas em benefício de sua mulher. Esta foi a minha própria impressão, pois senti uma influência estranha sobre ele assim que me aproximei. Conhecendo-o como o ocultista experiente que ele era, uma pessoa muito apreciada por H.P.B. e autor de um curso de palestras magníficas sobre a Bhagavad-Gita, fiquei inexprimivelmente chocado ao vê-lo em tal estado físico. Embora o meu tratamento de mesmerismo não lhe tenha salvado a vida, deu-lhe tanta força que ele pôde ser transferido para outra casa e, quando o vi dez dias depois, parecia convalescente, a melhoria datando, como ele me disse, da data do tratamento. A mudança para melhor foi, contudo, apenas temporária..."
                                  
           
Tallapragada Subba Row sentado com Helena Petrovna Blavatsky, em 1884.
Seriam forças estranhas de e
lementais ou de magos que o teriam apanhado? Uma cerimónia realizada indevidamente? Ou mais simplesmente, o descuido ou azar de um contágio?  O destino marcara-lhe um tempo de vida demasiado curto para o muito que sabia, segundo Helena P. Blavatsky, que na sua revista Lucifer partilhava também a sua visão do ocorrido, terminando com um católico que a terra lhe fosse leve, algo que até pouco esperaríamos de uma ocultista, que contudo nesta linha logo lhe deseja uma rápida reincarnação, e na terra dos Árias. Oiçamo-la, na revista Lucifer, Agosto de 1890: "Há poucos membros da Sociedade Teosófica que não tenham ouvido falar de Subba Row, o grande scholar [especialista-sábio] Vedântico; há poucos leitores da Doutrina Secreta que não estejam familiarizados com seu nome, como o talentoso autor das Lectures on the Bhagavad-Gita... O Karma tem maneiras misteriosas de alcançar os seus objetivos, que para o profano devem permanecer para sempre insondáveis. Só podemos lamentar profundamente que tal karma tenha atingido alguém cuja morte privou Madras de um intelecto gigante, e a Índia perdeu um de seus melhores scholar [erudito ou sábio].
Possa o seu próximo renascime
nto ser rápido e que sua vida seja mais longa e, acima de tudo, que ele possa ainda nascer na Aryavarta [na terra dos Árias]. Sit tibi terra levis."["Que a terra te seja leve". Ou, dir-se-á talvez melhor,  "que o peso do teu karma terreno não pese no teu coração e corpo espiritual e te eleves bem no mundo espiritual e para o divino. "
Como concluirmos esta história, porque teria ele morrido tão estranha e precocem
ente, se Blavatsky que o conheceu tão bem apenas adverte que «O Karma tem maneiras misteriosas de alcançar os seus objetivos», dando ainda assim a entender que foi um acontecimento merecido, para se cumprirem certos objectivos de justiça ou reparação, mas não os esclarecendo... Muita Luz e Amor para as suas almas!

terça-feira, 20 de junho de 2023

Do Amor dos Livros e da Sabedoria Divina. Da riqueza subtil dos livros e da sua história, transmissões e leituras..

O Amor dos Livros é o Amor da Sabedoria e da comunhão com os seus autores e ensinamentos. Pelo amor dos livros dá-se  o aprofundamento de conhecimentos, a ligação subtil a almas imortais,  a intensificação da luz espiritual em nós e no ambiente e a demanda e aproximação da Divindade.
Entrarmos e lermos numa Biblioteca é pres
tarmos culto aos autores presentes, às suas ideias e mensagens, e sobretudo à Divindade, à santa Sabedoria, a Hagia Sophia, donde tudo emanou e emana na sua íntima e profunda essência, a qual nos desafia e interpela sempre.
Quando trabalhamos em
 paz e aspiração numa biblioteca, ou com os nossos modestos livros,  o coração psíquico e espiritual abre-se mais e por vezes tornamo-nos verdadeiramente cavaleiros ou cavaleiras na demanda do Graal, da taça da beleza, sabedoria e amor que conseguimos sintonizar, compreender, recolher e  viver desses elos da Tradição Perene que contemplamos, abordamos, consultamos e que chegam ao mar da nossa alma, banhando-a ou incandescendo-a harmonizadora e curativamente.
Cada livro em si, no autor e época, no  conteúdo e estilo, nos aspectos da edição e da ilustração, ou mesmo da encadernação, é uma súmula ou microcosmos de muitos contributos valiosos e anónimos para os quais a menção do artista, do impressor ou da editora é apenas a ponta do iceberg do que estamos a ver e a interrelacionar-nos, pois muito mais ou maior é o que ele contém e que subtilmente nos toca e se comunica,
E quando consideramos imaginalmente as pessoas que possuíram o livro, e o anotaram ou assinaram, ou os amigos e investigadores, livreiros e alfarrabistas que nos recomendaram ou transmitiram, entramos então numa fraternidade  de elos de uma riqueza vivencial por vezes extraordinária.
A Catarina, com o seu pai José Manuel Rodrigues, os responsáveis da Livraria Antiquária do Calhariz, e ao meio outro ilustre alfarrabista e investigador, Luís Burnay. 
E que emoção nos toca, quando subitamente descobrimos que um livro tem no seu interior a assinatura de uma pessoa de família ou amiga, o local, a data e que desconhecíamos. Ou quando lemos a dedicatória sentida do autor, impressa ou manuscrita,  ou mesmo a modesta anotação anónima mas iluminante e amplificante. 
Que ressonâncias gratas para com a Natureza são impulsionadas na nossa alma pela descoberta de umas papoilas, ou folhinhas graciosas e flores algo esmaecidas mas ainda coloridas, ou mesmo um trevo de quatro folhas, fazendo-nos cogitar a autoria, o momento, a cena, os sentimentos, a mensagem que se tentou perenizar nessa espécie de garrafa de água lançada ao oceano, e que com a sua imensa e misteriosa delicadeza ressuscita agora e nos submerge,  propulsionando-nos a transcender o tempo limitado horizontal e a penetrar no coração espiritual, na gratidão, na comunhão do corpo místico dos espíritos (tão procurada entre nós por Antero de Quental, Leonardo Coimbra, Fernando Pessoa, Dalila Pereira da Costa, entre outros), e logo na imortalidade ou mesmo eternidade...
A comunhão com os livros e o Logos ou Intelecto agente que está por dentro e detrás deles, obtida no seu cuidar e ler, aprender, anotar e amar, tende a tornar-nos semeados ou fecundados por eles e logo a gerar também outros, que desejaríamos sábios,  belos, valiosos e úteis, embora saibamos pela sabedoria indiana (Bhagavad Gita II, 47) que temos direito ou mesmo o dever (dharma)  de agir mas não necessariamente de recolher os frutos naturais, merecidos ou desejados, sobretudo tendo em conta a situação do mercado editorial e da distribuição dos livros e a forte manipulação superficializante e alienante em relação à sabedoria mais verdadeira e profunda...
O Amor-Sabedoria nos livros é pois fecundo, frutífero, iluminante e unificador mas também desprendido e libertador. E sendo eles  um dos seus melhores ou mais preciosos vasos, sempre disponíveis e tão subtil e luminosamente  inspirando-nos como guias ou musas das almas no Caminho, que as nossas mãos e corações continuem a saber, nestes tempos de progressiva digitalização, a saber cultivá-los, amá-los,  aprofundá-los ou mesmo escrevê-los, publicá-los, para o bem da Humanidade..

domingo, 18 de junho de 2023

Blavatsky, Espiritismo, Teosofia, Orientalismo, Woodstock, Timothy Leary, LSD, CIA, Nova Era e Transhumanismo versus Filosofia Perene. Diálogo com Manuel Jorge Ventura e Carlos Dugos.

Do extraordinário artista Henry Fusseli (7.II.1741 a 1815), um dos inspiradores de William Blake,  uma reactualização do desvendar de Ísis num culto iniciático antigo: o véu de Maya, ou Natureza, desvanece-se e a Luz, ou mesmo  formas Divinas, manifestam-se

Um texto de Emmette Coleman acerca de Helena Petrovna Blavatsky e os plágios e eventuais fraudes com que teria escrito a famosa Ísis sem Véu, brevemente contextualizado por mim no recente artigo do blogue, de 6 de Junho, Helena P. Blavatsky mistificou por vezes? Qual a originalidade e valor da Isis sem véu? Por W. Emmete Coleman. Tradução, recebeu de dois amigos conhecedores da espiritualidade e adeptos da Filosofia Perene comentários que merecem ser respondidos e partilhados. É o que passo a fazer, transcrevendo primeiro a apresentação contextualizante inicial:
«William Emmete Coleman foi um bibliotecário e espiritualista,  defensor da liberdade de consciência e religião e contra a escravatura, tendo sido depois um administrativo do General Cambay na Guerra Civil norte-americana. Foi um orientalista e membro da American Oriental Society, da Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland, e do Pali Text Society, esta ligada ao Budismo. Questionou tanto aspectos do Cristianismo como casos ditos de espiritismo, nomeadamente aqueles em que participou Madame Blavatsky (1831-1891) bem como o seu companheiro o coronel Olcott e investigou a originalidade ou o plagiarismo das suas duas obras principais  Ísis sem véu, e Doutrina Secreta, escrevendo alguns artigos importantes dada a grande credulidade com que tais obras foram recebidas como provenientes de textos com milhares de anos (no caso da Doutrina Secreta, as famosas e nunca confirmadas estâncias do Livro de Dzyan) e de mestres invisíveis, os famosos Mahatmas dos Himalaias que se correspondiam com ela por cartas, por vezes bastante prosaicas como podemos constatar hoje em dia.  Se observamos cuidadosamente vemos que à parte algumas citações do Código de Manu e de Shastras indianas, a quase totalidade das suas fontes são da tradição grega, hebraica e cristã, e em seguida dos vários ocultistas e herméticos ao longo dos tempos, culminando com as últimas correntes do magnetismo, do evolucionista e do espiritismo, esta considerada por ela como o elo entre a ciência e a religião, teoria valorizadora do espiritismo, que na altura ela ainda praticava, e que abandonará com a sua orientaliz
ação.
                                         
A obra principal de William Emmette Colema
n contudo perdeu-se em  1906, no terramoto de S. Francisco  na  Califórnia e era nela que detalhadamente demonstrava os plágios e as manipulações de Helena P. Blavatsky na feitura de tais obras, pelo que nos ficaram apenas alguns artigos, tal o seu índice das fontes não referidas na Ísis sem véu, e que foi inserido no fim da obra crítica de Blavatsky, por Vsevolod Solovyov's: A Modern Priestess of Isis, de 1895. Emmette nascera a 19 de Junho de 1843, tivera um breve casamento, pois a mulher morrera cedo e partiu para os mundos espirituais a 4 de Abril de 1905. Quanto ao seu artigo é valioso, embora certamente tenhamos de ter em conta que provém de um crítico do conhecimento e fidedignidade de Blavatsky, pelo que será sempre bom ouvir as versões mais apreciadoras da sua vida e obra, e que são a maioria. Mostra-nos os aspectos iniciais da sua actuação como espírita, depois a fundação de uma agremiação  Teosófica e posteriormente a sua repulsão do movimento espírita e a sua reformulação na Índia e no Ceilão, e em contacto com as tradições religiosas e espirituais locais, e algumas personalidades, do que se tornou modernamente o corpus doutrinário da Teosofia, ou como René Guénon lhe chamou o Teosofismo, título de uma obra de Guénon também muito crítica de Blavatsky, Annie Besant e Leadbeater e das suas vulgarizaçãos da Tradição. Caberá a cada um de nós tirar as suas ilações do texto transcrito e que certamente pouco afectará a estima e aceitação que tanta gente tem por tão discutida como audaciosa e criativa personalidade, e por sua tão rica e tantalizante obra, ainda que bastante abstrusa, contraditória e inconfirmável.» 

Ora o Manuel Ventura respondeu ao artigo do blogue partilhado por mim para o Face, deste modo: «É hoje possível observar de forma muito nítida que juntamente com a gosma espírita que sempre amparou a S[ociedade]T[eosófica] no seu substrato institucional - para lá do episódico refúgio de movimentos de ideias mais genuinas, que a protecção de que sempre beneficiou M. Blavatsky decorre sobretudo da importância que o "orientalismo" teve e tem para servir interesses dúbios de desestruturação das instituições tradicionais do Ocidente e do espaço próprio que natural e geograficamente lhe cabe na Tradição, sem prejuízo do valor que para a filosofia Perene possam ter culturas, religiões ou sistemas de pensamento de outros espaços ou períodos históricos.
Esse movimento desestruturador e outros que lhe têm sucedido num contexto mais vasto e profundo que se atrela com maior visibilidade a partir da Revolução Francesa tem sido extraordinariamente bem sucedido, pelo que todos os contributos de informação e crítica ainda que pontual e parcialmente dirigidos são louváveis.
E este, no teu caso, caríssimo Pedro, também meritório de um aplauso e agradecimento!»
 Seguiu-se a  minha resposta publicada na mesma espiada e frequentemente opressiva rede social:
«Caríssimo Jorge. Graças pelo teu importante comentário e que mereceria um texto complementar, já que o que dizes, embora certo em vários aspectos noutros é algo radical. Bem vi que ressalvastes a universalidade da Tradição Perene, e dás conta de que o Orientalismo é um conceito pouco definido e claro e que tem servido para muitos fins contrários ao seu mais lídimo sentido que será os que estudam, investigam, conhecem, amam a Sabedoria ou a Tradição Oriental,  no seu todo ou em certos aspectos da sua tão rica pluridimensionalidade. Tenho uma visão não só metafísica mas também histórica da Humanidade e dos seus conhecimentos e movimentos religiosos, filosóficos, esotéricos, espirituais pelo que vejo, também ou melhor, a sua inserção dialéctica, e logo necessária, no devir no tempo e espaço da Manifestação...»
 Com esta equilibrada resposta, ainda que discordasse da designação de "gosma espírita", algo radical para mim, já que houve tantos grandes seres, - de Victor Hugo e Balzac a Camille Flamarion e Charles Richet-, a participar nesse movimento que teve o papel importante de evidenciar a existência de vida após a morte e de alguns poderes psíquicos  humanos poucos estudados, pesem as milhares de fraudes e mistificações, sabendo-se até que a Madame Blavatsky nos seus primeiros anos fez parte do movimento espírita, tanto como médium como jornalista. Embora tenhamos lido a obra Le Spiritisme de René Guénon, muito crítica do espiritismo,  "gosma" é expressão algo insultuosa para a grande riqueza de esforços e dedicação, com consequências  ou efeitos frequentemente bons, como podemos comprovar nas biografias de muitos espíritas mais conhecidos.
 Quanto à crítica ao Orientalismo como elemento desestruturador do da tradição Ocidental também me parece exagerada (tanto mais que o Ocidente invadiu e colonizou no Oriente), embora haja vários movimentos orientais no Ocidente algo caricatos, exagerados ou melhor tenha havido várias pessoas que se aproveitaram de aspectos da sabedoria oriental para fins pessoais e frequentemente com desconhecimento de causa, ou seja superficialidade tanto de conhecimento como de experiência. O ensino do Yoga no Ocidente, no Brasil e em Portugal apresenta vários casos conhecidos de instrutores megalómanos, pouco escrupulosos e que usaram e abusaram das organizações, federações e seguidores, denegrindo bastante a sabedoria oriental, na qual os vários tipos de yoga se inseriam e inserem. 
Creio contudo que como dizes "esse movimento de orientalização, essa tentativa de destruturação do Ocidente, que remete mesmo para a Revolução Francesa", a teu ver, e que terá mentores e actores na sombra, que seria bom discernirmos melhor dentro dos intelectuais que trabalham para a oligarquia mundial liderada por Klaus Schwab, George Soros, Rothchilds e suas instituições, grupos e executivos.
Georges Dumézil (4-III-1898 a 1986), um génio linguista e um dos mais profundos conhecedores da civilização indo-europeia e das suas línguas, estruturas, mitos e religiões.
Lembrarei ainda para terminar, primeiro, que a tradição indo-europeia, tão bem provada já por Georges Dumézil e outros, unifica os povos europeus e os indianos e os persas ou iranianos, pelo que  recebermos da sabedoria própria gerada neste ambiente de família não será algo assim tão pouco congénito.  Segundo, e como ressalvaste e bem, a Tradição Perene, os grandes pensadores do perenialismo sempre estudaram e reconhecerem a Sabedoria, ou a Tradição Perene no Oriente, na Índia, e um bom exemplo disso foi René Guénon (15-XI-1886 a 1951), que depois de ter defendido o tradicionalismo católico, tanto estudou e valorizou a Vedanta indiana e, por fim, a tradição islâmica, à qual se converteu mesmo e nela morrendo no norte de África, no Egipto, como um sheik, um mestre sufi.
René Guénon no Cairo, com o seu mestre e genro.
 Se as palavras mantras que ele utilizaria mais nas suas orações e meditações nos são desconhecidas, podemos admitir que ainda que fossem as tradicionais da sua fraternidade sufi, certamente a outros níveis, ideias e categorias, os nomes de outras tradições e religiões informariam o seu substracto psíquico ou quem sabe alguma jaculatória final, tal como a de Erasmo (28-X-1466 a 1536), que sempre falou em latim, e por vezes em grego (em Veneza, com a campanha de tradutores de Aldo Manuzio), mas no momento de deixar o corpo exclamou em holandês, oh lieuer Gott, oh amado Deus.»
Sancte Erasme, ora cum nobis...
Um dia depois o Manuel Jorge Ventura acrescentou um novo comentário, a que não respondi então:
«O poderosíssimo mercado editorial de miscelânea new age suportado por entidades que hoje se sabe também estiveram na origem de eventos como o Woodstock é mais um prolongamento dessa influência de desestruturação da identidade cultural e religiosa do Ocidente servindo muitas vezes objectivos políticos de distracção vg. hedonista.
Uma teia bem tecida com ampla urdidura no espaço e tempo, cujos intuitos são evidentes nesta dimensão de um totalitarismo soft e controlo digital para onde nos querem conduzir.
De preferência com insegurança constante, guerras e medo também de ameaças sanitárias programadas e, como se vai constatando, muito grafeno &etc, para assegurar o sofisticado controle de uma condição robotizada de zombie transhumanista para a qual estamos criminosamente a ser induzidos.»
 Dias depois respondi, se de facto é verdade que  existe «um poderosíssimo mercado editorial de miscelânea new age», super mistificador embora nada unificado dada a diversidade da qualidade e dos objectivos (desde o hedonismo e o "explorismo" mas também a cura e harmonização) das publicações, e que está muito certa a  imagem final do sofisticado zombismo em curso, já a crítica ao festival de Woodstok (agosto de 1969, com cerca de 400.000 assistentes) como tendo sido gerado ou apoiado pelas mesmas entidades sombras que desejam  a desestruturarão do Ocidente (e que nomes apontados, perguntamos) parece exagerada, pois o Festival foi uma primeira explosão revolucionária e libertária face ao materialismo, capitalismo e imperialismo norte-americano, que por pouco o não proibiu ou oprimiu demasiado.
Se formos ler a história do Festival, vemos que os seus organizadores eram empreendedores musicais e que as adesões vieram de múltiplos sectores do pensamento criativo e crítico musical norte-americano, e basta ver como John Lenon (depois assassinado...) e Yoko Ono Band não puderam participar porque Richard Nixon, diz-se, não permitira, pela oposição que eles faziam à guerra do Vietname, certamente uma das mais tenebrosas do imperialismo excepcionalista norte-americano.
Parece-me portanto uma mera conjectura a da ligação, mesmo que remota, entre Woodstock e os actuais projectos em curso da Nova Ordem Mundial, da tétrica Organização Mundial de Saúde, do transhumanismo-infrahumanista do World Economic Forum de Klaus Schwab e de Yuval Harari, ou dos transgendrismos e chipismos que os media ao serviço da elite financeira mundial propagandeiam. Todos temos o dever ético e moral de lutar contra tal controle e manipulação da Humanidade, dotada de livre arbítrio e constituída de corpo, alma e espírito imortal, e provinda da Divindade...»

O comentário do Manuel Jorge recebeu duas intervenções  ou comentários, um de Patrícia Ruivo,  extenso e político, valorizando Kennedy Jr. face ao zombie Biden, com um bom final: «É surpreendente a falta de capacidade das pessoas para se interrogar. Pensar, com autonomia, é mais do que nunca um acto salvífico de profunda e carecida subversão»,   e outro de Maria Helena Lusignan:«eu gostei do Woodstock mas fiquei mais aborrecida com a aterragem na Lua feita pelo Kubrick».
 Ao que o Manuel Jorge replicou: 
«Eu também gostei desse momento com novas formas de convivencialidade e explosão criativa da música popular com tantos compositores que me acompanham desde então.
Mas não gostei de saber que todo esse movimento do make love not war foi incentivado e tutelado discretamente por estruturas do governo. As mesmas que apoiavam o sr. do LSD e experiências psicadélicas destinadas ao mesmo segmento de filhos do vento "libertários". O mercado mundial de droga de resto também teve sempre a mesma tutela e se os EUA saíram do Afeganistão a CIA permanece lá de braço dado com os talibãs para assegurar a qualidade e o escoamento do suco da papoila.»
Ora para mim, este esclarecimento quanto às forças que na sombra apoiaram o movimento hippie e psicadélico, nomeadamente o senhor Timothy Leary, parece-me uma conjectura infundada, pois esse revolucionário psico-social e visionário psicadélico esteve preso mais de trinta vezes e foi constantemente perseguido pelo establishment norte-americano e as suas forças  policiais e secretas. 
A biografia dele (1910-1996), mesmo na tão distorcida wikipedia, é de leitura recomendada para se ter a noção do que foi a saga da contra-cultura americana, uma impulsão juvenil libertadora que foi controlada e manipulada persistentemente (de tal modo tão hilariante que hoje Joe Biden e os democratas são a esquerda...), e a evolução do consumo de drogas nos USA, para se chegar hoje à degradação actual visível nos milhões de norte-americanos que vivem na extrema miséria nas ruas da cidades do império que imprime os dólares que quer para os seus fins hegemónicos....
Homenagem à definitiva viagem em corpo anímico de Timothy Leary...
Donde me parecer de novo um salto no vazio a relação que é feita do LSD com as plantações da papoila para os opiáceos, e a heroína em especial, em que o Afeganistão é terreno fértil e que de facto os USA, através de  diplomatas e da CIA apoiaram fortemente na época dos mujahidins em luta contra a influência e depois a presença soviética. Quanto à CIA ainda hoje controlar é algo mais complexo de sabermos, mas  que o narco-tráfico funciona não há dúvidas. Mas é necessário destrinçar o aproveitamento para zombificação que certas drogas, tal o ópio e heroína, permitem, com outras que expandem a consciência, como é o caso do LSD e dos cogumelos, mas que certamente têm  contra-indicações e efeitos cerebrais desgastantes.
Posteriormente, Carlos Dugos, que já dera um breve contributo,  lembrando Júlio Evola e a sua Metafísica do Sexo, num comentário ao meu texto Do mistério da origem do ser humano Espiritual e da sua polaridade masculina e feminina. Versões esotéricas. As perigosas alterações de identidade e género actuais, entrou na polémica:
«Uma das críticas - e não é a maior - que Guénon faz ao teosofismo prende-se com o sincretismo misturando, no mesmo "discurso", elementos de diferentes correntes espirituais, numa confusão de linguagens e símbolos que obscurece a luminosidade doutrinal de cada uma das correntes abordadas. Tal prática não deve ser confundida com respeito perenialista por todas as tradições regulares porque a cacofonia teosofista se deve a um absurdo, que é o "estudo comparado das religiões", dado que elas são, por natureza, incomparáveis. Segundo a doutrina perene, as coincidências, nomeadamente as religiosas, provêm da origem comum de todas as correntes espirituais regulares, entendidas como versões particulares de uma Tradição Primordial. E é justamente a particularidade que estrutura cada uma delas que não pode - e portanto não deve - ser comparada com outras particularidades, já que cada particularidade tem: circunstância, coerência e completude próprias. Tentar "iluminar" elementos de uma tradição específica com elementos oriundos de outra Tradição constitui um erro elementar.»
Giulio Evola (1898-1974), um sábio tradicionalista, kshatriya ou guerreiro.
Esta observação valiosa de Carlos Dugos tem de ser contudo relativizada pois é inegável que o estudo comparado das religiões e tradições auxilia-nos a termos uma percepção melhor das particularidades próprias e das igualdades e semelhanças existentes. 
É verdade que a Teosofia de Blavatsk, e super-patente na Ísis sem Veu, abusou de todo o tipo de comparações superficiais e que os seus sucessores enveredaram pelo mesmo tipo, embora sem o génio dela, e lembrar-nos-emos de muitas das obras de membros da Sociedade Teosófica, ou pantominices que foram a Igreja Liberal, com o famigerado Charles Leabeater bispo, ou a vinda do Novo Messias- Instrutor Mundial, o jovem bengali Alcyone e depois denominado apenas Krishnamurti. 
Ou ainda tantos autores e autoras contemporâneos que sem qualquer realização espiritual nem metafisica ora canalizam mensagens, ora cabalizam, ora compilam tudo o que se escreveu sobre a Lemúria e a Atlântida, ou os sete corpos, ou a vida de Jesus e a sua infundada viagem ao Tibete, descobrindo as influências budistas, tibetanas ou indianas no seu ensinamento. 
Todavia, pese e completude que cada religião no seu aspecto iniciático poderá ter, sabemos bem como as religiões são ainda vividas pela maioria na sua limitada exotericidade, ou mesmo superficialidade de costumes, crenças e ritos semi-automáticos, ou então frequentemente astralizada e explorada nos cultos pseudo-evangélicos e carismáticos, pelo que mostrar as analogias entre as diversas formas verdadeiramente espiritualizantes de Religião, e sobretudo numa época de crescente globalização de quase tudo, é importante ou mesmo necessário, nem que seja para se evitar o cepticismo, o ateismo ou a mentalidade da Nova Era superficial e por vezes até fanática.
Ananda Coomarasawamy (22.VIII-1877 a 1947), um dos grandes sábios modernos...
Exemplos de bons perenialistas que sabem comparar ou estabelecer as correspondências das doutrinas religiosas, para se aprofundar a hermenêutica dos símbolos, ritos, crenças e práticas encontramos em Ananda Coomaraswami, com uma extensa obra de constante comparação (ou se quisermos, correspondência) de diversos aspectos das religiões à luz da Unidade Transcendente e Imanente delas, ou seja da Filosofia Perene e realização espiritual, tanto mais que sabia latim, grego e sânscrito, e foi um dos melhores cultores de uma História da Arte mais profunda, metafísica. E ainda em Henry Corbin, Louis Massignon, Julio Evola, o ainda vivo e excelente Seyyed Hossein Nasr, ou mesmo o algo megalómano Frithjof Schuon (que no teu comentário terás tido em conta, tal  a sua obra A Unidade Transcendente da Religiões), todos eles  com valiosos (por vezes menos...) contributos de ordem metafisica ou intelectual, e não, como tu criticas, de emocionalismos ou sincretismos cultuais, que contudo tocam mais nas maiorias e por vezes são necessários, tais os encontros de diálogo ecuménico em Assisi, já que a realização interior, só intelectual e metafísica é apenas para uma minoria mínima. Daí por exemplo, as formas Divinas do Absoluto cultuadas ou adoradas por tantos mestres verdadeiros...
Henry Corbin (14-IV-1903 a 1978), grande conhecedor da Filosofia Perene, da tradição espiritual do Irão, com obras fundamentais sobre  o Zoroatrismo e o Islão Shia. 
 Ainda houve uma adenda final de Carlos Dugos: 
«Ainda a propósito do sincretismo, uma curiosidade. Em O Nome da Rosa, Eco introduz uma personagem, surgindo nitidamente como metáfora da expressão sincrética. Um monge, de tendências heréticas, fala por frases onde se misturam palavras de línguas diversas.»
Dara Shikoh (20-III-1615 a 1659), em jovem com o seu mestre Mian Mir, pioneiro do estudo e encontro dos oceanos das Religiões.
Quanto a Umberto Eco, pese a sua genialidade e extraordinária erudição, não creio que tivesse a necessária realização espiritual para saber discernir quando é que um ser considerado herético, seja cristão ou islâmico, estaria certo quanto ao que era considerado  erro ou rebeldia, e basta ver como Giordano Bruno e Miguel Serveto foram queimados vivos, ou como Al Hallaj ou Dara Shikoh (um dos primeiros estudiosos do comparativismo espiritual ou esotérico das religiões - em especial do Islão e Sanatha Dharma indiano) foram acusados e mortos. Como também ainda que entendesse que a oração hesicasta cristã, ou o mantra yoga indiano, ou o dhikr ou zikr sufi, têm as mesmas bases e fins, provavelmente não experimentara tal e não sabia que tais diferentes orações podem ser praticadas pela mesma pessoa que esteja aberta à unidade interior e metafisica das Religiões, sem necessariamente se tratar dum sincretismo, antes sendo natural e gerando bons resultados.
Em verdade, quais  os melhores meios das pessoas despertarem  para a sua identidade, religação e visão espiritual, e nela viverem mais e melhor, continua a ser parte essencial da demanda do santo Graal, ou da taça do rei do antigo Irão Jamshid, a Jam-e jam...